quinta-feira, 1 de janeiro de 1970

[O Prisioneiro] Episódios 10 até 15

Começo dizendo que os comentários serão mais curtos dessa vez, já que não há muito o que falar sobre esse grupo de episódios, afinal nós temos uma mudança de foco nas histórias, mudança que não foi de todo proveitosa. Nada de tentativas de fuga ou grandes planos para quebrar N°6, a partir daqui ficamos sabendo um pouco mais sobre a rotina da vila e ao que ela se dedica quando não está tentando quebrar N°6, o que acabou levando a episódios que não acrescentam nada a história. Alguns dos episódios mais fracos da série estão nesse grupo.

Episódio 10 (It's Your Funeral): O primeiro episódio que não foca em N°6, esse episódio trata de um plano para matar N°2. O episódio é muito confuso, principalmente por não focar em N°6 e por não sabermos o que está realmente acontecendo até o episódio estar perto do seu final.

Temos dois N°2 nesse episódio: um substituto, que arquitetou o plano e parece receber cooperação do comando da vila e o N°2 titular, que está prestes a se aposentar e será o alvo da tentativa de assassinato. O plano é fazer com que a tentativa pareça ter partido dos habitantes da vila, assim quem receberá a punição serão eles. Para isso um ajudante do N°2 substituto trama junto com habitantes da vila a tentativa de assassinato.


O grande erro de N°2 foi tentar encaixar N°6 no plano. E o grande erro dos roteiristas também. Não há nenhum momento que fica claro qual era o papel que N°2 esperasse que N°6 desempenhasse, o que ajuda a aumentar a confusão.

N°6 e o N°2 ameaçado de morte.

Episódio 11 (A Change of Mind): Episódio centrado na tentativa de fazer N°6 se encaixar nos padrões da vila, deixar de ser um rebelde. O N°2 da vez não agrada muito, o plano é simples demais e a médica que droga N°6 não é lá muito esperta. Não há nada para compensar esses erros e tornar o episódio memorável, o que o salva do total esquecimento é o que ele nos revela sobre os métodos da vila para adaptar seus cidadãos e como alguns deles apóiam esses métodos (aqui fica a pergunta se os que apóiam fazem isso por vontade própria ou porque foram condicionadas pela vila para fazer isso).


Episódio 12 (Hammer into Anvil): O que acontece nesse episódio é uma troca de papéis: é N°6 quem tenta (e consegue) quebrar N°2. O N°2 desse episódio é um sádico, e pelo que vemos ele não tem limites na aplicação dos seus métodos, o que leva uma prisioneira ao suicídio. N°6 parte para uma vingança contra N°2.

N°6 se vinga da morte dessa bela moça.

O enredo do episódio é simples, nada de confusão dessa vez, logo percebemos o que está acontecendo. E esse é exatamente o maior problema do episódio: não é muito difícil de perceber que todos os atos de N°6 tinham como único intento deixar N°2 paranóico, é surpreendente que ele tenha se deixado entrar no jogo de N°6 e não tenha se dado conta disso. Fora esse detalhe, o episódio é muito bom, é divertido ver a degradação do N°2 conforme N°6 vai seguindo com seu plano, principalmente devido as boas atuações de McGoohan e Patrick Cargill.

Episódio 13 (Do Not Forsake Me, Oh My Darling): Episódio mais fraco da série. McGoohan precisava de uma folga para participar das gravações de um filme, então não pode participar de muitas cenas, nem ajudar a dirigir o episódio. A solução encontrada para a ausência de McGoohan foi submeter N°6 a uma transferência de corpos.

O enredo do episódio consiste em N°6 em busca de um cientista chamado Seltzman, o criador da técnica de transferência de corpos e amigo de N°6, o único capaz de ajudá-lo a reverter o processo.

N°6 em seu novo corpo.

A ausência de McGoohan é visível e arruinou esse episódio. O enredo é fraco, o N°6 substituto não cativa, as interpretações não estão no mesmo nível dos outros episódios da série... Um episódio que eu não sentiria falta se nunca tivesse existido. Nem os novos detalhes da vida de N°6 (como a sua noiva) que conhecemos nesse episódio conseguem salvá-lo.

6 e sua noiva.

Algo curioso é que se a série fosse renovada para mais uma temporada, a intenção era fazer N°6 realizar missões a serviço da vila no mundo exterior. Baseado no que vi aqui, não acredito que seria uma boa idéia.

Episódio 14 (Living in Harmony): O episódio é uma alegoria, onde os elementos principais da série são transferidos para o velho oeste, como a abertura já nos mostra. No lugar do carro, N°6 está em um cavalo, em vez de entregar uma carta ele entrega sua insígnia e sua arma. Ele é capturado e acorda em uma vila chamada "Harmonia". Apesar de promissora, a idéia não deu certo e tivemos outro episódio abaixo da média.


O final foi o maior problema. Após N°6 descobrir que tudo não passou de uma ilusão criada pela vila temos um desfecho apressado, com N°22 e N°8 estranhamente apegados aos seus papéis na encenação, confundindo realidade e ficção. Não convenceu.



Episódio 15 (The Girl Who Was Death): Mais um episódio que não tem nada a ver com o enredo principal da série. Porém, ao contrário do episódio anterior, o episódio foi bem sucedido na tentativa de nos trazer N°6 em uma situação diferente. O episódio foi originalmente escrito para a série anterior de McGoohan, Danger Man, uma série de espionagem, que McGoohan abandonou para criar O Prisioneiro.


N°6 é um espião tentando encontrar Professor Schnipps, um cientista maluco que procura destruir Londres. Para chegar até ele, N°6 persegue uma mulher chamada Sonia. A primeira metade do episódio é um pouco parada e cansativa, mas depois que N°6 inicia sua perseguição de carro a Sonia a história muda de ritmo e temos bastante ação. As seqüências na vila abandonada onde Sonia prepara várias armadilhas mortais para N°6 são deveras interessantes, assim como o que acontece após N°6 encontrar Schnipps e seus ajudantes, todos com complexo de Napoleão.


No fim ficamos sabendo que tudo não passou de uma história contada por N°6 para as crianças da vila. Uma dúvida que fica é: será que essa história foi uma missão antiga de N°6? A identidade verdadeira de N°6 seria John Drake, personagem principal de Danger Man, como muitos especulam?

Allan

Data da postagem: 06/05/07

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