quinta-feira, 1 de janeiro de 1970

[O Prisioneiro] Introdução e Episódio 01 "The Arrival"

Vou falar um pouco sobre a série O Prisioneiro, série que influênciou muitas séries famosas (Lost entre elas). Conhecei a série através de um texto que relacionava ela ao livro O Castelo de Franz Kafka. No livro de Kafka, K. é um forasteiro que chega a um vilarejo governado por uma misteriosa autoridade, O Conde, que encontra-se em um castelo, junto a vários burocratas. Apesar dos esforços de K., o castelo lhe é inalcançavel. Pode ser traçado um paralelo com O Prisioneiro: N°1 seria a autoridade inalcançavel que governa a vila. As semelhanças não param por aí, mas para saber mais, só lendo o livro e assistindo a série. Vamos falar sobre a série agora, afinal ela é o assunto do post.

O Prisioneiro é uma série britânica transmitida pela primeira vez em 1967. A série é um misto de espionagem com ficção científica, a história sendo contada em 17 episódios. Respostas não são o forte da série, então não vá esperar muitas. Muitos pontos da história não são deixados claro, apenas pistas são dadas, cada um podendo chegar a uma resposta diferente. Isso ocorre pelo alto nível de simbolismo da série. Muitos consideram a série como uma alegoria, uma tentativa de discutir certas questões da época, como o rápido progresso da tecnologia (representado pela bicicleta símbolo da vila vista na imagem ao lado), as instituições políticas e a sociedade britânica da época.


A abertura da série nos dá as informações básicas para saber do que a série trata. Nela vemos um homem dirigindo pelas ruas de Londres em um Lotus, chegando ao escritório de seu padrão e tendo uma discussão com ele (não sabemos o conteúdo, as falas são substituídas pelo som de trovões) e lhe entregando uma carta . Enquanto o homem volta ao carro e dirige para sua casa vemos a ficha dele sendo colocada em um arquivo onde se lê demitido.




Ao chegar em casa vemos o homem arrumando as malas, enquanto ele faz isso um gás inunda a sala e ele desmaia. Quando acorda está em uma exata réplica de seu quarto, não em Londres, mas na Vila.


A primeira metade do episódio nos mostra um pouco sobre a vila. Descobrimos que há um sistema de telefonia e táxis, mas os serviços são apenas locais e que a pessoas de várias nacionalidades na vila. Um mapa da vila é mostrado e vemos que a fuga não é fácil: a vila é cercada por montanhas e o mar. Um detalhe interessante é que na vila ninguém é chamado pelo nome, mas por um número: o prisioneiro é o N°6 (o nome do personagem principal nunca é revelado) .

Também é na parte inicial que é introduzido o N°2, um dos personagens fundamentais da série. N°2 é quem comanda a vila, mas ele não é a pessoa no cargo mais alto. Em alguns episódios vemos ele recebendo ordem e se reportando a alguém pelo telefone (N°1 talvez?). Algo que acho interessante é que N°2 não é exatamente uma pessoa, mas um cargo: temos diferentes N°2 durante a série.

O encontro proposto por N°2 tem como objetivo que N°6 responda a uma pergunta: Por que se demitiu? N°2 mostra um dossiê a N°6, a vila sabe muitos detalhes de sua vida, da infância a momentos mais recentes, mas não sabem de tudo. N°6 deverá contar-lhes o que não sabem, eles querem informação.

Green Dome, a morada do N°2

O encontro com o N°2 evidencia pela primeira vez um dos pontos fortes da série: os diálogos. Comparando com uma série atual, posso dizer que os diálogos estão próximo ao nível dos diálogos de House. N°6 é sarcástico, inteligente, sagaz e não desisti dos seus objetivos. Não será uma tarefa fácil para as autoridades da vila conseguir respostas dele.



Depois do encontro e de N°2 ter mostrado o Dossiê, N°6 e N°2 partem para uma viagem de helicóptero para conhecer um pouco mais sobre a ilha. A vila imita cidades comuns, possui uma rádio e um jornal próprio, uma prefeitura, clubes, praias, cemitério, restaurante e até um asilo. Água e eletricidade também não faltam.

Um sistema de segurança não convencional também existe. Ele se chama Rover, e é um balão branco que emite rugidos e pode surgir do mar ou das fontes de água da cidade e impede eventuais fugas, além de dar um jeito em cidadãos rebeldes, inclusive vemos ele fazendo os dois nesse episódio: logo quando aparece pela primeira vez ele envolve um cidadão e após isso não há nem sinal dele e mais adiante vemos Rover impedindo uma tentativa de fuga.


A segunda metade do episódio se centra no que veremos muito na série: uma tentativa de fuga de N°6 e a vila o enganando, tentando fazê-lo falar a verdade.

Nesse episódio, há duas tentativas de fuga. Ambas são rapidamente frustradas. A primeira tentativa de fuga é pela praia, mas é frustrada por Rover. N°6 é levado para o hospital, onde encontra um antigo amigo seu: Cobb. N°6 não tem muito tempo para falar, pois logo após N°6 deixar o hospital Cobb se suicida.

No funeral de Cobb N°6 encontra uma mulher que dizia ser namorada dele. Ela e Cobb estavam trabalhando em um plano de fuga e ela promete ajudar N°6 a fugir. Mais tarde ela entrega a N°6 um dispositivo que permite manter Rover longe e ter acesso ao helicóptero da vila. Enquanto N°6 tenta fugir da vila com o helicóptero, ele tem uma surpresa: N°2 sabia de tudo. Um técnico toma controle do helicóptero por controle remoto e traz N°6 de volta a vila. Segunda tentativa de fuga frustrada.


No final do episódio quem tem uma surpresa somos nós, que estamos assistindo. Cobb não está morto. Ele trabalha para a vila e tinha como objetivo testar a segurança dela contra fugas.


Data da postagem: 13/03/07

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