quinta-feira, 1 de janeiro de 1970

[O Prisioneiro] Episódios 16 e 17

Episódio 16 (Once Upon a Time): A série entre em sua reta final com um de seus melhores episódios: surreal, complexo, desafiador, brilhante, enfim, todos os adjetivos que pode-se dar a um episódio de O Prisioneiro e que nos fazem amar essa série, descrevem bem Once Upon a Time. Leo McKern, o N°2 de Chimes of Big Ben está de volta, em uma atuação magistral. Seu personagem foi convocado pela vila em um momento de desespero, ele não poupará esforços e fará uso do método mais perigoso e avançado a sua disposição para quebrar N°6.


O método consiste em fazer uma lavagem cerebral em N°6, o que o leva de volta a infância "mentalmente", e após isso, fazê-lo passar pelas sete idades do homem segundo Shakespeare (com exceção da idade do amante). N°2 interpreta figuras autoritárias relacionadas a cada uma das idades (pai, professor, técnico, patrão, juiz e oficial) e tenta obter uma resposta para a pergunta "por que você se demitiu?" a qualquer sinal de fraqueza. A ordem é não interromper o procedimento até que um dos dois colapse. Obviamente quem colapsa é N°2. Com isso, é oferecido a N°6 um desejo. A escolha dele: encontrar N°1.

Minha sugestão é que antes de assistir o episódio se saiba quais são as idades do homem segundo Shakespeare, pois isso torna o episódio muito menos confuso (acredite, mesmo sabendo disso ele continua sendo confuso). O único problema, na minha opinião, é o cenário (ou no caso a falta dele). Acaba sendo um pouco chato ter somente um fundo preto e alguns objetos como cenário por quase todo o episódio. Não listarei os prós, apenas direi que esse episódio está entre os cinco melhores da série. Acredito que isso seja o suficiente para dizer o quão bom ele é.


Episódio 17 (Fall Out): Fall Out é o controverso episódio final da série. Controverso por quê?, você pergunta. Resposta: o episódio não responde a maioria das perguntas! McGoohan teve que se esconder por um período de tempo pois estava sendo perseguido por telespectadores furiosos querendo respostas.

Antes de comentar o episódio, vou falar um pouco sobre o que levou a falta de respostas.
McGoohan foi avisado do cancelamento da série logo após o término das gravações de The Girl Who Was Dead e teve somente uma semana para escrever o final da série (Once Upon a Time já estava gravando). O cancelamento da série foi uma surpresa, afinal eram esperados mais de vinte episódios e até mesmo uma segunda temporada.

Sendo que o episódio foi escrito em uma semana, o resultado foi satisfatório. Apesar de não explicar praticamente nada, o episódio é complexo e surreal como alguns dos melhores episódios da série. Alguns respostas, porém, ainda podem ser obtidas mesmo com todo o surrealismo. O número de respostas obtidas depende de como se interpreta esse episódio. Vou falar brevemente sobre uma interpretação alegórica e uma mais realista.


Segundo a interpretação alegórica, a vila é uma representação do nosso mundo e a idéia por trás do episódio é de que nós somos prisioneiros de nós mesmos, como foi declarado por McGoohan. Com isso em mente, certos acontecimentos recebem explicações, como a impossibilidade de escapar da vila, a porta na casa de N°6 e a identidade de N°1.

Pode-se argumentar que a série ser uma alegoria era algo inesperado e pouco nos episódios anteriores indicava isso, o que é verdade. A idéia da alegoria possivelmente foi a saída encontrada por McGoohan para dar um final a série e ao menos tentar amarrar algumas pontas. Na minha opinião não foi uma tentativa bem sucedida, mas em pouco tempo não acredito que poderia ser feito algo muito melhor.

Mesmo preferindo uma interpretação realista, algumas respostas ainda podem ser obtidas. Tudo o que vimos até aqui indica que a vila é um tipo de prisão para espiões e pessoas que conhecem informações importantes. N°2 se dirigindo ao parlamento britânico indica que a vila é mantida pelo governo da Grã Bretanha. A liberdade obtida por N°6 pode ser explicada assumindo-se que ele provou ser capaz de resistir a qualquer tipo de tortura, mostrando assim que pode guardar consigo segredos e nunca revelá-los.


Qualquer que seja a interpretação assumida, são poucas respostas para as perguntas deixadas. A série perde muito com isso, mas não o suficiente para ofuscar seu brilho.
Os mistérios não são o principal atrativo da série, há muito com o que se divertir, Quem não assistiu a série ainda, não se sinta acanhado por esse detalhe.



Allan




Data da postagem: 24/06/07

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