domingo, 5 de novembro de 2006

[House] - 3x02 - "Cane and Able"

O ego de House sofreu um grande golpe devido a sua falha ao diagnosticar o último caso, e isso o está afetando fisicamente. Ele, obviamente, está sentindo dores novamente, embora continue a negá-lo. O novo caso da equipe é um garoto de sete anos, chamado Clancy, produto de fertilização in-vitro, que chega ao hospital com sangramento retal e clama estar sendo torturado por alienígenas.

Apesar da premissa interessante, o episódio no geral foi fraco. O caso não conseguiu prender o interesse, mas tivemos os dilemas de House para tentar compensar.

"Momento Arquivo X"

Temos neste episódio um House fraco, medroso, sem ousadia, o oposto do que estamos acostumados. A volta das dores e a ilusão de que não conseguiu resolver o mistério do último caso funcionaram como uma combinação explosiva para a sua auto-estima.

Falemos um pouco sobre o caso do episódio: Foreman aposta em problemas neurológicos associados a algum problema de coagulação. House pensa que há somente problemas de coagulação, sendo as ilusões de abdução apenas pesadelos. Já podemos perceber aqui a falta de ousadia de House.

A equipe parte então para realizar alguns testes de coagulação, que fornecem resultados contraditórios. Chase obtém resultados normais. Quando refeitos por Foreman, os testes mostram que há um problema de coagulação. Durante a noite, Clancy foge de seu quarto e encontrado por Chase no banheiro, com um corte na parte de trás pescoço e um pedaço de metal exatamente naquela região. A coagulação nesse momento foi normal, então Chase talvez esteja sorte. O pedaço de titânio provavelmente veio de um pino cirúrgico usado quando Clancy quebrou um braço alguns anos atrás.

Esse foi um ponto do episódio que me incomodou. Até aqui tudo pareceu forçado para fazer-nos acreditar que aliens tinham algo a ver com o problema do garoto, principalmente esse pedaço de metal. Alguém tem idéia de como um pedaço de metal vai parar na parte de trás do pescoço?


Chase volta a retirar mais sangue do garoto e ele começar a alucinar que Chase é um alien e passa por uma crise hipertensiva. Novos testes de sangue ficam prontos e indicam que Clancy possui a doença de Von Willebrand, uma doença hereditária relacionada a problemas de coagulação. A equipe então chega a conclusão que, durante crises de hipertensão, alguém com Von Willerbrand baixa poderia coagular. Parte do mistério resolvido.

O próximo passo da equipe é realizar um processo chamado ecocardiograma transasofágio, para determinar o motivo das crises de hipertensão. House encontro um problema no coração do garoto, uma região que não se move. As células danificadas são removidas e submetidas a um teste de DNA. O resultado do teste indica que essas células possuem DNA diferente das células normais de Clancy. Outros focos dessas células são encontrados em diferentes partes do corpo do garoto e são culpadas pelos problemas que ele apresenta: problemas de coagulação, crises hipertensivas e problemas de visão. As células são retiradas. Algum tempo depois o garoto alucina novamente e sofre uma convulsão. House acredita que há um foco de células anormais no cérebro, mas a equipe não encontra nada. House desiste.


Aqui podemos ver o quanto o caso anterior abalou House. O medo e a falta de ousadia já eram evidentes desde o início do episódio, mas aqui chegam ao seu máximo. House se vê sem saída e tem medo de errar o diagnóstico.

Como solução resta Cuddy contar a House sobre o último caso, para ver se ele obtém sua auto-estima de volta. E é exatamente o que acontece. Quimerismo é a explicação para as células com diferente DNA. House resolve então fazer uma cirurgia no cérebro do garoto para encontrar as células defeituosas e removê-las e é bem sucedido. Achei um pouco estranho o House realizar uma cirurgia desse tipo, sendo que ele não é um neurocirurgião. Seria um pouco mais aceitável se o Foreman fizesse a cirurgia, mesmo ele também não sendo um neurocirurgião.

Ao final do episódio ficou a impressão que o roteirista desse episódio não gosta muito do Chase, afinal o vimos fazendo papel de bobo algumas vezes nesse episódio...

"Velhas Amigas"

A música que tocou ao final do episódio se chama Gravity, de John Mayer e pode ser encontrada no seu álbum mais recente, Continuum.

Allan

3 comentários:

Danielle Mística disse...

Pois eu acho esse episódio, de longe, o melhor House. Mostra toda capacidade criativa da equipe do programa. Difícil reiventar-se a cada semana no meio de tractomias, lupus e todo aquela arsenal de doenças chatíssimas. Não vejo House por causa das doenças, a rabugice me encanta. E nesse epi, ele estava quase doce, quase humano, quase falível. Como não gostar?
Adorei o momento Arquivo X, a todo momento achava que Mulder iria aparecer e esclarecer o caso para House. Achei uma grande sacada! E um grande momento de House.

Comentarista Allan disse...

As rabugentices são o principal motivo pelo qual assisto House, também. E foi a falta delas que me fizeram não gostar do episódio.
O episódio tem seus méritos por nos apresentar um House diferente, mas não é esse o Gregory House que eu me acostumei a ver.
Quanto ao momento Arquivo X, foi diferente. O problema é que o desfecho foi previsível demais, o que me incomodou um pouco.
Se o Mulder aparecesse o episódio levava nota 10.rs
Saudades de Arquivo X.

Anônimo disse...

Como grande fã de Arquivo X, ou "eXcer" como somos chamados entre nós, não pude deixar de notar as referências logo de cara... Sem dúvida, o melhor episódio! Sou suspeita, mas certamente foi o mais original. Vibrei com a referência ao personagem Gibson Praise (que lia mentes), na hora da neurocirurgia. Foi uma clara homenagem, e os fãs de Arquivo X agradecem!