segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

[Filme] O Labirinto do Fauno

Os diretores mexicanos surpreenderam em 2006. Babel, Filhos da Esperança e o Labirinto do Fauno foram lançados e receberam vários elogios da crítica.
É sobre esse último, o meu filme favorito de 2006, que vou falar um pouco.




Título: El Laberinto del Fauno
Gênero: Fantasia/Drama
Duração: 119 min.
Origem: México, Espanha
Língua: Espanhol
Ano - 2006
Estúdio: Esperanto Filmo / Estudios Picasso / OMM / Picturehouse / Telecinco / Tequila Gang /
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro
Produção: Alfonso Cuarón / Guillermo del Toro / Alvaro Augustin / Frida Torresblanco
Elenco:

Ariadna Gil - Carmen
Ivana Baquero - Ofelia
Sergi López - Vidal
Maribel Verdú - Mercedes
Doug Jones - Fauno / Monstro com Olhos nas Mãos
Alex Angulo - Doutor Ferreiro
Manolo Solo - Garces
Cesar Vea - Serrano
Roger Casamajor - Pedro

Comentários:

O filme se passa na espanha pós-guerra civil, em 1944. O general fascista Francisco Franco venceu a guerra contra as tropas republicanas, mas focos de resistência ainda existem. O capitão Vidal é enviado ao norte do país para acabar com um desses focos. Sua esposa Carmen, que está grávida, e sua filha adotiva Ofelia seguem para se juntar a ele.

Ofelia é uma garota de 12 anos aficcionada por contos de fadas. Ela descobre um labirinto guardado por um fauno, que a diz que não é filha de um homem, mas sim filha da lua. A sua alma é a de uma princesa de um mundo mágico, onde o rei ainda espera pela sua volta. Mas para isso acontecer, ela precisa cumprir três tarefas.


Dividindo o foco do filme com o conto de fadas de Ofelia temos a parte "real" da história. O Capitão Vidal e sua luta contra as forças de resistência. Vidal é sádico, frio, uma personificação do mal, um retrato do fascismo. Ele não hesita em matar ou torturar quem quer que seja para alcançar seu objetivo de eliminar qualquer tipo de resistência, inclusive ele parece ter prazer em fazer isso. Aquele tipo de vilão que nos deixa com ódio e torcendo para que tenha o que merece. Além disso, ele trata a mãe de Ofelia com uma frieza que deixa claro que ele somente se importa com ela por causa do filho que ela espera, que ele insiste que é homem.


Algo que eu gostei bastante é o modo como o enredo é contado, com o conto de fadas e a realidade em paralelo, com a dosagem certa de cada um, nunca deixando um dos focos se sobrepor. O conto de fadas é sombrio, assustador, as vezes até com um pouco de sangue e violência, como se os acontecimentos do mundo real estivessem influenciando ele. Além disso, Del Toro nunca deixa claro se o que Ofelia está vivendo é realidade ou não; esses dois detalhes juntos são exatamente o que confere um charme extra ao filme.


Apesar de ser um filme de fantasia, temos muita violência. As cenas de combate entre os fascistas e os republicanos, as cenas de tortura, todas são marcadas por uma grande quantidade de sangue. Alguns questionam se esse nível de violência é mesmo necessário, eu por outro lado não tenho dúvidas. Sem essa violência, del Toro não conseguiria passar uma imagem tão real do que foi a guerra civil espanhola e o fascismo.


E claro, tudo isso não funcionaria sem ótimas ótimas interpretações. Os destaques obviamente são Sergi López e Ivana Baquero. A interprete de Ofelia consegue cativar o espectador, criar tamanha simpatia pela sua personagem que no final da história estamos torcendo para que ela seja mesmo uma princesa e que sua fantasia seja real. Bom, talvez seja...

Allan

3 comentários:

Kaoe disse...

Esse filme é realmente muito bom! Mas o melhor é que existem vários indícios de que a fantasia era realidade, como a mandrágora, o giz que permite que ela fuja do quarto quando este está sendo vigiado, etc. Mas eu só vi o filme uma vez e é posível que haja também um número de evidências de que tudo não passou de um conto de fadas, assim como o filme Contato.

Comentarista Allan disse...

Algumas indícios de que tudo é uma invenção dela:

- O capitão não vê o Fauno.
- A libélula se transforma em uma fada quando ela mostra o livro
- O modo como é mostrada a ida dela ao reino no final leva a crer que foi imaginação dela.

Eu lembro desses. Mas, se não me engano, até o diretor falou que a idéia foi não deixar claro se o conto de fadas é verdade ou não, inclusive ele não teria uma resposta para a questão.

Vinícius P. disse...

Os diretores mexicanos realmente fizeram sucesso em 2006. Todos os seus filmes ("Babel", "O Labirinto do Fauno" e "Filhos da Esperança") receberam cotação máxima por mim. "O Labirinto" é fantástico, o filme de fantasia que Hollywood queria fazer mais não consegue graças às suas tramas bobas e infantis (vide "Crônicas de Nárnia" e "Eragon"). A menina Ivana é uma grande revelação. Esse detalhe se o que se passa na trama é realidade ou não me deixou fascinado. O López também está ótimo como vilão.