quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

[House] 3x12 "One Day, One Room"

Enquanto cumprindo suas obrigações na clínica, House encontra uma vítima de estupro que o desafia a resolver um tipo bem diferente de mistério.



Adorei esse episódio. Se livrando do esquema tradicional dos episódios da série, aqui não temos nenhum grande mistério médico a ser resolvido. O episódio traz muita filosofia e confronta visões de vida e ainda nos brinda com uma grande revelação sobre o passado de House. Além de tudo isso, ainda temos momentos engraçados. Arriscaria dizer que este episódio foi o ponto alto da temporada.

Cuddy fez o prometido: Está obrigando House e passar mais tempo na clínica. Esse início de episódio traz momentos divertidíssimos, como House tentando convencer Cuddy de que possui casos importantes para fugir de seu trabalho na clínica. Obviamente ele não consegue.

Os três primeiros pacientes com que House se depara vieram ao hospital pelo mesmo motivo: acreditam que possuem alguma DST. House tentando fugir de suas obrigações na clínica ordena que todos na fila de espera que estiverem com o nariz correndo vão para casa: eles possuem apenas um resfriado. Enquanto isso um dos pacientes se levanta e começa a correr em círculos gritando e com as mãos na orelhas. House aceita o caso, a equipe sugere algumas respostas para o mistério, mas o que o paciente tem é algo bem mais simples: uma barata no ouvido.

House aproveita para fugir da clínica. Cameron fica responsável pelo trabalho dele na clínica. Um dos pacientes de Cameron é um idoso, aparentemente um sem-teto, que está com câncer no pulmão em fase terminal. Após isso Cameron conta a Cuddy sobre House e ele é obrigado a voltar a clínica.

"Droga! Eu pensei que a Cuddy nunca fosse me achar aqui!"

House não perde tempo e oferece $50 para cada paciente que for embora. Cuddy então propõe tornar o trabalho na clínica um jogo: Ela pega a House $10 por cada paciente que ele tratar sem tocar, ele a paga a mesma quantia por cada um que ele toca.

"Acabo de perder $10"

Os resultados dos exames dos pacientes com DST's chegam e House dá um sermão em cada um: "You've never seen an after school special? Dawson's Creek? How do you get to thirty and not know about condoms?"
Um desses pacientes, uma moça chamada Eve, tem um problema além de DST. Ela foi estuprada. Ela exige que seja tratada por House. Não aceitará ser tratada por outros médicos. O humor acaba por aqui.


Daqui em diante o episódio se centra em discussões filosóficas. O paciente em fase terminal da Cameron que se nega a receber qualquer tratamento que venha tornar sua morte certa confortável; ele acredita que o sofrimento pelo qual passará fará com que ele não seja esquecido pelos médicos que cuidam dele. Ele vê isso como o único modo de alguém lembrar de sua existência, já que não possui amigos ou parentes.

O caso de Eve levanta muito mais questões. Temos uma discussão sobre qual é o melhor modo de tentar se livrar do trauma: falar sobre o ocorrido ou fingir que nada disso aconteceu? Como confortá-la?

A discussão que mais gostei foi a discussão sobre a existência de um deus e a relação disso com a vida. A visão de House é a mesma que a minha: não havendo uma eternidade, tudo o que fazemos aqui é o que importa. Resta escolher um objetivo ou sentido para a vida e viver de acordo com ele. House é mais racionalista que eu, mas minha opinião é muito parecida com a dele. Posso dizer que ele retrata bem o modo de pensar de um racionalista.

O modo como termina a discussão é, na minha opinião, elogiável. Não temos vencedores. Ninguém pode afirmar com certeza absoluta o que é melhor: a razão ou fé, ou mesmo um balanço entre as duas. O que temos então são pessoas com visões de mundo diferentes, cada uma vivendo de acordo com suas concepção, do modo que acha melhor. E principalmente respeitando as diferenças. Ah, e por fim sabemos qual é o segredo de House: seu pai abusava física e psicologicamente dele durante a infância. Ele tomava banho de gelo ou era obrigado a dormir no jardim como castigo. Agora está respondido porque House não se dá bem com os pais.


Não costumo dar nota para os episódios, mas vou abrir uma exceção. Nota: 10

Allan

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