segunda-feira, 24 de setembro de 2007

[Filme] "I'm a Cyborg, But That's Ok" e "The Bothersome Man"

A exemplo do que fiz na semana passada, novamente farei um comentário rápido sobre alguns filmes mais "obscuros" ou desconhecidos nesse post. A única coisa que os dois filmes possuem em comum, é que ambos são estranhos. Muito estranhos. Por quê? Isso você saberá se ler os comentários. Então vamos a eles.


I'm a Cyborg, But That's OK



Título Original: Saibogujiman Kwenchana
Ano:
2006
Diretor:
Chan-wook Park
Roteirista: Chan-wook Park e Seo-Gyeong Jeong
Duração: 105min
País: Coréia do Sul
Site oficial: http://www.cyborg2006.co.kr
Elenco:

Su-jeong Lim ... Cha Young-goon
Rain ... Park Il-sun
Hie-jin Choi ... Choi Seul-gi
Byeong-ok Kim ... Judge
Yong-nyeo Lee ... Young-goon's mother
Dal-su Oh ... Shin Duk-cheon
Ho-jeong Yu ... Il-sun's mother

I'm a Cyborg, But That's Ok
é o novo filme do diretor coreano Chan-wook Park (Oldboy, Sympathy for Mr. Vengeance e Lady Vingança). Aqueles que esperam algo na linha da trilogia de vingança do diretor, provavelmente ficarão desapontados. I'm a Cyborg é uma comédia romântica. Isso mesmo, comédia romântica.

A história gira em torno de Cha Young-goon, uma garota que foi internada em um sanatório por pensar que é um ciborgue de combate, e que se apaixona por outro paciente, Park Il-sun, que acredita poder roubar as habilidades ou sentimentos de outras pessoas.

Se você já achou o resumo da história muito bizarro, se prepare, pois o filme é mais ainda. Imagine cenas de carnificina à la Trilogia de Vingança, lado a lado com cenas que lembram Amelie Poulain. Esse exemplo ilustra bem o maior problema do filme: Chan-wook não decide o tom que quer dar a história. O resultado é um filme inconstante, cheio de erros e com alguns poucos acertos, e ao mesmo tempo muito entediante. Minha sugestão: passe longe.

The Bothersome Man


Título Original: Den Brysomme Mannen
Ano:
2006
Diretor:
Jens Lien
Roteirista: Per Schreiner
Duração: 95min
País: Noruega
Site oficial: http://www.brysom.no/
Elenco:

Trond Fausa Aurvaag ... Andreas
Petronella Barker ... Anne Britt
Per Schaaning ... Hugo
Birgitte Larsen ... Ingeborg
Johannes Joner ... Håvard
Ellen Horn ... Trulsen
Anders T. Andersen ... Harald
Sigve Bøe ... Liten Mann
Hanne Lindbæk ... Vigdis
Ivar Lykke ... Kollega 1


Ao contrário de I'm A Cyborg, The Bothersome Man (o homem que incomoda em português) não é um filme estranho por misturar gêneros distintos, mas sim por sua história e atmosfera surreais.

Andreas desce de um ônibus em frente a um posto de gasolina abandonado, no meio de um deserto. No posto, um homem espera por ele com uma faixa que diz: "Bem Vindo". Ele então é levado a uma estranha cidade. No primeiro dia, todo o necessário está resolvido: ele já tem um emprego e um apartamento na cidade. Tudo isso é mostrado em um estilo digno de Kafka: sem maiores explicações, e com um falso tom de naturalidade, que tenta nos convencer que tal situação surreal é algo comum naquele mundo.

Tudo fica ainda mais surreal enquanto a história prossegue. As pessoas da cidade parecem retiradas de sua humanidade, não demonstram em momento algum descontentamento. Sempre são gentis, e suas vidas não possuem grande significado. Algo muito visível na esposa de Andreas: ela não se aborrece nem um pouco quando ele conta que a está deixando, suas únicas preocupações são a decoração da casa e os jantares para os convidados.

Os colegas de trabalho de Andreas não são muito diferentes. Sempre cordiais e sorrindo, cumprem suas funções sem nenhum aborrecimento ou perguntas. Algo que também acrescenta a surrealidade da cidade é a completa ausência de crianças e idosos. Essa hora você deve estar se perguntando como todos habitantes conseguem agüentar viver nesse mundo vazio, inumano. Bom, nem todos conseguem. Nos primeiros momentos do filme Andreas se depara com o corpo de um suicida, uma visão que o incomoda tanto quanto incomoda a nós espectadores, mas não parece ter nenhum efeito sobre os outros habitantes.

A história pode ser dividida em duas partes. A primeira, Andreas conhecendo mais sobre a cidade e esse estranho mundo, a segunda é a tentativa dele de não se entregar a essa realidade, manter seus sentimentos, ao mesmo tempo que tenta escapar. Um aviso: não assista o filme esperando por respostas, pois você terá poucas. Fazendo jus a sua semelhança com Kafka, The Bothersome Man nos oferece uma visão de um mundo surreal, utópico, não explicações sobre a natureza desse mundo.



Allan

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