sábado, 18 de abril de 2009

[IN TREATMENT] Mia e April: Week One and Two

In Treatment volta com sua segunda temporada, seguindo o mesmo esquema da temporada anterior: cinco episódios por semana (dois no domingo e três na segunda feira, desta vez), quatro pacientes e, encerrando a semana, uma visita de Paul a Gina. Paul não é o mesmo que vimos ao fim da temporada passada. Separado, vivendo só em um apartamento em Nova Iorque e sendo processado pelo pai de Alex, o Paul que vemos é um homem cheio de dúvidas, alguém procurando um rumo para a sua vida. Porém, quando durante uma sessão, ele se mostra o mesmo de antes, confiante, alguém que sabe o que faz, talvez até mais certo de si do que no passado.

Mia

A primeira paciente da semana é Mia, uma advogada bem sucedida na carreira, mas um fracasso na vida pessoal. Seu primeiro encontro não é exatamente uma sessão, e ocorreu quase que por acaso. Quando Paul procura por um advogado para defendê-lo do processo que sofre, Mia assume o caso e logo sabemos que ambos se conhecem, ela foi uma paciente, 20 anos atrás. O diferente formato deixa Paul fora de guarda por um bom tempo e o impede de assumir o controle, algo raro. O desabafo torna evidente o quanto Mia é frustrada com a direção que sua vida tomou nestes últimos vinte anos, o quanto ela culpa Paul.

Se na semana anterior tive a sensação de esta perdido por não conhecer o suficiente do passado de Paul e Mia, observando as reações na procura de um significado, nesta segunda semana tive a mesma sensação, mas devido a um diferente motivo. Nos é revelado o que aconteceu no passado de Mia, porque ela culpa Paul, mas a reação do psicólogo é ambígua em muitos momentos. Não sabemos se Paul realmente não lembra de boa parte dos eventos, ou se ele apenas finge com a intenção de levá-la a expor sua visão dos eventos.

A revelação do que aconteceu no passado, um aborto, e como Mia coloca a culpa de suas frustrações nestas decisões a tornam o paciente mais promissor até agora. Sua história não é só uma oportunidade de conhecermos explorarmos seus dilemas, traumas, frustrações, mas também de conhecer como a terapia mudou sua vida, qual papel teve durante estes anos, e, claro, como Paul vê sua atuação no passado.

April

April é a paciente de quem menos gosto até o momento. Gostei muito de sua primeira sessão (o momento em que ela conta como revelou que tinha câncer a um pedreiro foi lindo) , mas a segunda me decepcionou muito. Acho que isso tem mais a ver com as grandes expectativas que criei após a primeira sessão do que com a sua história que, diga-se de passagem, tem sido muito bem conduzida.

Uma doença terminal torna muito fácil criar drama nas suas sessões, facilidade que os roteiristas tem evitado, não tornando, ao menos até o segundo episódio, o câncer o tema central das sessões. Ele está sempre presente, atuando como um relógio, impondo a Paul um limite de tempo para desvendar April e quebrar sua resistência, mas o tema aqui ainda é outro. A cura é o objetivo, mas o caminho até ela passa por outros temas, que apenas começam a se revelar.

Salvar April não se mostra uma tarefa nem um pouco fácil, a garota se mostra resistente, algo bem visível na sua primeira sessão quando ela comenta sobre sua terapeuta anterior e fala sobre sua resistência à terapia. Apesar de meu menos favorito, o caso de April tem grande potencial para crescer nas semanas seguintes. O paralelo com Alex é claro e o desafio é evitar um desfecho semelhante. Paul já se deu conta disso, voltando a tomar notas após 15 anos.




Allan

Um comentário:

e.fuzii disse...

Mia: Na semana passada, tinha quase certeza que ela tinha algum tipo de frustração amorosa com Paul, daí fui pego de surpresa com essa história do aborto. Tanto melhor, até pela sua recusa em colocar qualquer culpa no pai. Já essa relação ambígua, Allan, acho que depois dele consultar as anotações e ouvir o presente, ficou claro pra mim que ele lembra muito bem como foram as sessões. Foi como você disse, ele quer explorar o que aconteceu na visão dela, até para entender em que nível chegou sua terapia no passado, e como ela "evoluiu" durante esses anos, porque claro que 20 anos depois toda a culpa não pode ser dele.

April: na primeira semana, foi minha paciente preferida pela intensidade da sua sessão. É uma pessoa que me identifico, pelo menos nessa teimosia de querer manter uma discussão/análise dentro da própria cabeça. Mas também achei que essa semana, ela criava tantos obstáculos e mantinha Paul tão longe de seu mundo (colocando até palavras na sua boca), que acabou sendo monótono. Senti que Paul pareceu fragilizado demais, o que pode fazê-lo agir antes de pensar...