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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

[EXTRA] Entre Alice e Capitu

Ainda que não tivesse continuado escrevendo sobre Alice da HBO, aguentei assistir a todos os episódios e esperava fazer uma avaliação final aqui no blog. Por coincidência, a nova microssérie de Luís Fernando Carvalho, Capitu, terminou exatamente no mesmo final de semana. Aproveitando também a discussão levantada por Cássio Starling Carlos no domingo em seu texto "O artista diluído" (infelizmente, nesse link exclusivo para assinantes da Folha), comemorando os 50 anos do caderno Ilustrada, resolvi fazer um texto conjunto para as duas séries seja pelas duas contarem com marcantes figuras femininas como por representarem formas alternativas aos folhetins da televisão brasileira.

Minhas expectativas eram as maiores possíveis quando soube que Alice seria dirigida por Karim Aïnouz ao lado de Sérgio Machado. Karim afirma que "a gente sabia, é claro, que se tratava de um filme de produtor no formato TV, com partes dirigidas por nós dois e por outros profissionais, mas no qual conseguimos imprimir uma personalidade". Mas fica claro que nada era aprovado sem passar pelas exigências feitas pelo canal e pela produtora responsável pelo projeto. Uma dessas exigências (creio eu) era que cada episódio tivesse uma cena de sexo explícito, fazendo com que toda a história virasse pretexto para que elas acontecessem. Esse formato condicionado à polêmica para atrair público talvez tenha sido minha maior decepção, principalmente levando em conta a tradição da HBO americana em dar sinal verde a tantas séries autorais, às vezes até de difícil aceitação a primeira vista.

Por outro lado, L.F. Carvalho comenta que "como no meu caso escrevo e dirijo meus projetos, ser autor é imprimir meu pensamento em todas as áreas e departamentos da produção". Apesar de toda a desconfiança que muita gente tem com a Rede Globo, nota-se que a estética do diretor está de fato presente em todas as cenas de Capitu, sofrendo pouca influência do mercado ou da própria audiência.



Depois do quarto episódio, pouca coisa mudou em Alice. Claro, a personagem sofreu uma senhora queda ao fundo do poço, após abusar de seu egoísmo e de todo tipo de "barato" encontrado em São Paulo. No entanto, os coadjuvantes continuaram tendo histórias fracas que muitas vezes vinham apenas para ser controversas ou servir de pano de fundo para cenas de sexo. Entre elas tivemos o ménage à trois mais do que previsível entre Dani, Theo e Marcella, o amor lésbico proibido da tia de Alice e sua chefe se envolvendo com seu motorista latino. Vários atores conhecidos também deram as caras, mas nenhum conseguiu se salvar, nem mesmo o quase onipresente João Miguel. A única participação que me surpreendeu muito foi a de Monique Evans, que mostrava segurança no papel de uma colunista famosa com sua loucura incontível.

Mas o grande problema de Alice é que essa história de País das Maravilhas sempre foi levada muito a sério. São tantas as vezes que as personagens fazem essa comparação que já ficava cansativa e deixava até de funcionar. Além disso, a cidade está longe de ter toda essa beleza retratada, como numa das cenas mais risíveis do ano, em que os assaltantes que levariam o carro de Nicholas acabam tendo pena e levando Alice, prestes a sofrer um aborto, ao hospital. Outra comparação a ser feita é com o filme "Se Nada Mais Der Certo" do Belmonte, que deve ser lançado em circuito no ano que vem, onde os mesmo locais badalados da rua Augusta são apresentados com um clima pesado e girando em torno da criminalidade. Claro que são dois extremos, mas que servem para situar melhor o contexto de São Paulo, uma cidade que vive desses extremos.

Uma das coisas que mais reclamei no começo da série era a forma rasa com que Alice era apresentada à cidade. Virando as costas para toda sua vida planejada desde o primeiro episódio, sentia falta de saber como era sua vida em Palmas. Isso aos poucos, com as visitas dos familiares -- que também, de certa forma foram engolidos por São Paulo -- foi sendo preenchido. Mas a grande revelação de Palmas veio no último episódio, um epílogo da vida de Alice depois desse um ano vivendo de sua cidade, onde mais do que entender os motivos para o suicídio de seu pai, também descobre a verdadeira morte de sua mãe. É um dos poucos momentos que dá para perceber um toque dos dois diretores e que na sua busca solitária pela ligação com seu passado volta a mostrar o talento de Andréia Horta, um dos poucos destaques do elenco (que conta com um dos piores atores que já vi na vida, retratando seu irmão).

Tenho de destacar também toda a equipe técnica, desde a fotografia até cenografia junto das próprias locações, mostrando toda a intensidade da cidade. Vale a pena também ir atrás da trilha sonora, grande parte dela disponível numa excelente matéria do site rraurl.



Luís Fernando Carvalho é um cara decidido. Essa foi a segunda investida de seu projeto Quadrante, em que revisita (literalmente falando também) grandes obras da literatura brasileira. Mas que coragem é adaptar a obra máxima de um dos grandes mestres da literatura, não? Como muita gente, "A Pedra do Reino" nunca conseguiu me atrair. Lembro de ter perdido uma parte logo no segundo episódio e nunca mais ter conseguido encontrar o fio da meada. Talvez se tivesse lido o livro tudo fizesse mais sentido. Ou não.

Pra falar a verdade, nem vem ao caso o livro de Machado de Assis. Quero focar na versão de Carvalho, que ao lado de Dom Casmurro apresenta a sua visão dessa história ao seu público. É um livro que permite essa flexibilidade até pela omissão de muitas passagens na narração do moribundo Casmurro. A começar pelo próprio título já acho que é uma escolha acertada, porque o grande desafio dessa adaptação para uma obra audiovisual é apresentar Capitu, imaginada por muitos e que teria de ser cativante por si só. É nesse ponto que a atriz estreante Letícia Persiles dá um show, introduzida tantas vezes pelo ritmo poético de "Elephant Gun". Muito do que se vê encenado é exatamente isso, as fragmentadas memórias servindo de base para as poesias visuais do autor. Com um excesso de rococó, é verdade.

Com certeza, essa cena da foto ficará marcada pra mim como uma das mais belas do ano. Parece, é claro, uma referência ao videoclipe de Matthew Cullen para 'Chasing Pavements' da Adele, mas a delicadeza de todo esse chão desenhado com giz enquanto Bentinho desconfia pela primeira vez que conquistou o coração de Capitu, é incrível. Vale lembrar ainda a tensão na cena em que Bentinho vive o dilema de matar Ezequiel e também o afogamento de Escobar. Fica claro que o diretor imprime toda sua estética em primeira lugar e isso também traz seus problemas: às vezes tudo parece muito "seguro de si", exagerado na sua teatralidade, beirando até o circense. Só a apresentação de Escobar, ao som de "Iron Man" ao piano, já daria um ato inteiro de um espetáculo do Cirque du Soleil.

Por outro lado o enredo é muito bom, sabendo dosar os momentos líricos, melancólicos e todas as incertezas de Dom Casmurro, até levar a sua grande dúvida. Mas o ponto mais interessante foi manter a estrutura fiel ao livro, dando prioridade ao jovem Bentinho, descobrindo (ou José Dias revelando) sua paixão por Capitu, que é o ponto básico para mais tarde Dom Casmurro tentar ligar as pontas. O que não me agradou nenhum pouco foi essa divisão em subcapítulos, com tantas cartelas e a narração rídicula em voz alta. Acho que com o talento de Melamed não precisava de nada disso, já que ele em cena ou como "espectador" sempre garantiu a fluidez da história. Esse talvez tenha sido o problema quando finalmente entrou em cena Maria Fernanda Cândido com seu véu. Por já termos passado três episódio ao lado de Melamed, ela pareceu completamente ofuscada e algumas vezes óbvia demais (apesar de achar que ela não é nada mais que um rostinho bonito). Outro aspecto bem explorado foi a ironia de seu final, que nunca temina no trágico (como Othello) pela própria incapacidade de seu protagonista e seu desejo egoísta de manter suas aparências.

Por isso, confesso que não entendi essa tentativa de ligar o antigo ao moderno, principalmente na última cena ao sobrevoar a cidade. Não sei se era um paralelo com o ligar as duas pontas de Dom Casmurro ou o quê. Pode ter sido também apenas o asco de ouvir Marcelo D2 numa produção dessas. Mas no conjunto da obra, acho que L.F. Carvalho teve muito mais acertos do que erros em sua adaptação e chega a ser um alívio acompanhar uma série como essa na televisão aberta. Quem sabe ainda podemos esperar até por alguma salvação.



e.fuzii

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

[Alice] 1x04 No Jardim das Flores Perdidas

Alice continua vagando por São Paulo, resistindo a enfrentar a vida que deixou para trás, só querendo saber do que vem pela frente. Dessa vez, sua ingenuidade acabou encontrando um ricaço clichê -- interpretado pelo canastrão Eduardo Moscovis -- que também só quer aproveitar a vida. Essa garota nunca assistiu a uma novela das oito, para saber o que é um ricaço clichê? O pior é que às vezes acho que todas essas histórias são desenvolvidas apenas para no final Alice fazer um paralelo com algum conto de fada. Algumas das suas visitas aos pontos "alternativos" de São Paulo também continuam bem forçadas. Ou alguém realmente comemoraria seu aniversário num clube de telecatch?

Já entre os coadjuvantes, os problemas continuam sendo os mesmos: personagens muito fracos (também por culpa dos atores) envolvidos em tramas paralelas totalmente desconexas. Porque eu ainda não consegui decidir qual cena foi pior: Dani descobrindo a traição no café-da-manhã e confrontando o namorado no chuveiro ou o amor lésbico de meia-idade. Fora o motorista, que conta com um olhar sedutor hilário, conseguindo finalmente pegar a chefe ranzinza. E ainda tivemos a aparição de uma divertida nova vizinha no prédio, embora seja completamente pirada.

A única coisa que realmente vale ressaltar é o primor técnico que são mostradas as cenas de São Paulo. A edição na luta de telecatch, aliada à colorida fotografia do lugar, já havia sido surpreendente, mas nada comparada ao aniversário propriamente dito de Alice na boate, ao som de "(Just Like a) Breakdown" do Hot Chip (retirado daquele belo álbum de remixes do selo DFA). Enfim, acho que não adianta continuar comentando aqui semanalmente se os erros são sempre os mesmos. Mas continuarei assistindo e é bem capaz que no final da temporada faça um texto avaliando o resto dos episódios.



e.fuzii

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

[Alice] 1x03 O Retorno de Elvira Cipriani

Por mais que a série tenha o nome de sua personagem principal, Alice não pode viver sem o apoio de seus coadjuvantes. Entre todos eles, a única personagem que até agora conseguiu acrescentar algo à personalidade de Alice foi sua meia-irmã Célia. Tanto é que o episódio seguia um ritmo bom, dialogando com o da semana passada, até que resolveram tirá-la de cena nos 5 minutos iniciais e tudo passou a ser uma verdadeira decepção. Tudo começou com o seu noivo reagindo e terminando o noivado por telefone, o que outra vez pareceu forçado por não sabermos exatamente como se dava esse relacionamento dos dois. E olha que ele nem ficou sabendo (ainda) que Alice havia lhe traído. Com esse obstáculo será ainda pior para desenvolverem o que acontece em Palmas. Ou não, já que temos de aguentar uma trama paralela ocorrendo no apartamento de Dani. Depois de Marcella despertar diferentes formas de desejo tanto em Dani quanto em seu namorado, não há como não apostar num triângulo amoroso.

Mas o grande problema esteve na história clichê envolvendo Elvira Cipriani. Ainda que interpretada pela excelente Tereza Rachel (a eterna Rainha Valentine de "Que rei sou eu?"), Elvira já desperta antipatia imediata pela sua arrogância. Além disso, a impressão que ficou é que essa visita da antiga cantora serviu apenas de pretexto para fazermos um fútil passeio por São Paulo. Desde a Oscar Freire até o karaoke mais hype da Liberdade, Alice não teve muito o que mostrar além de sua determinação e nem muito o que aprender com uma cantora que viveu tanto tempo em Berlim. Já não sei se por morar em São Paulo e tudo isso estar ao meu alcance, faz com que essas visitas sejam tão comuns e desinteressantes. O fato é que essa personagem chamada São Paulo que tentam apresentar na série ainda não conseguiu me encantar. A real, que encontro todos os dias, parece muito mais interessante.



e.fuzii

terça-feira, 30 de setembro de 2008

[Alice] 1x02 O Tesouro de Alice

Duas semanas se passaram na vida de Alice desde que ela chegou a São Paulo, e agora parece evidente a diferença de tom na narrativa. Aquela atitude irresponsável de querer voar e ser livre no episódio piloto transformou-se numa vontade de se auto-conhecer e lidar com assuntos mais importantes para sua vida. A cidade não é só festinha todo dia e Alice vai caindo na real quando seu dinheiro começa a encurtar e a disputa pela justa herança de seu pai parece ser longa e desgastante. Afinal, na primeira tentativa de resolver as coisas amigavelmente com Erislene, já cria-se um abismo enorme entre as duas, com Alice sendo culpada por tanto tempo estar longe de seu pai. Essa decisão, aparentemente tomada pela própria Alice, é o que pretende ser reavaliada nessa sua estadia em São Paulo. Afinal, como seria sua vida se tivesse ficado ao lado de seu pai? Seria a falta dela um dos motivos para sua depressão? E mais, o que seria de sua juventude e da sua própria vida adulta se morasse em São Paulo?

Para tentar responder a essas perguntas, a personagem fundamental é sua meia-irmã Regina Célia. Primeiro porque a menina sabe o quanto seu pai sentia falta de Alice, ao contrário do que Erislene havia dito para despistá-la. Em segundo lugar, como é mostrado no anagrama que envolve as duas personagens, elas tem muito mais do que o pai em comum. Célia é seu reflexo em São Paulo, a garota que ela poderia ter sido, provavelmente criada com o amor que sempre lhe faltou. Depois de tanta indiferença e orgulho, Alice troca lembranças do passado com sua irmã na padaria e descobre que ela detém o tesouro que poderá completá-la.

Entretanto, o caminho para chegar nessa bela cena foi bastante tortuoso. Nunca vi tantos telefones deixarem de ser atendidos em tão pouco tempo. E quando um objeto começa a ter função contrária à original -- que nesse caso é fazer um personagem comunicar-se com o outro --, temos um grave problema. Lembrar que existem telefones passa a ser simples desculpa para que o roteiro possa se desenvolver. Só a tia de Alice já detém a incrível média de um telefonema por episódio: na semana passada não atendeu Alice e dessa vez foi a vez de ignorar Erislene. Enquanto isso, era desenvolvido um romance lésbico irrelevante para a trama até então. Não é à toa que mesmo indo para a casa da tia, Célia nem carrega o número de telefone dela...

Acho que é louvável situar as personagens em contextos e locações reais, como acontece com a abertura da Mostra de SP no Auditório Ibirapuera, mas o que preocupa é que esse senso de realidade precisa ser constante em todas as cenas. Célia perdida na Praça Roosevelt, por exemplo, lembrou produção de novela das oito. Até porque, prostitutas e travestis talvez fossem as "melhores" coisas que ela encontraria por ali. O churrasco na cobertura também parece absurdo demais para pessoas tão moderninhas como os amigos da Alice. Por outro lado, acho um pouco cedo para julgar a participação da atriz que interpreta Célia, até porque exigiram demais da garota em dois episódio -- choro no velório, discussão acalorada, tapa na cara e cena emocionante --, mas a insegurança que ela passa às vezes até confunde-se com a da própria personagem.

Esqueci de comentar na semana passada que gostei bastante da abertura da série, intercalando uma Alice transformando-se e algumas cenas de caleidoscópios que remetem ao espelho, assunto tratado com freqüência tanto aqui como na história de Lewis Carroll citada no episódio.



e.fuzii

terça-feira, 23 de setembro de 2008

[Alice] 1x01 Pela toca do coelho

A primeira preocupação que tive quando descobri que seria Karim Aïnouz o diretor de "Alice" era como São Paulo seria revelada na série, tanto por já ter sido retratada diversas vezes na ficção como por ser a minha cidade de nascença. Isso porque um dos mais fascinantes aspectos de "O Céu de Suely", seu último longa, é a forma como a cidadezinha de Iguatu vai sendo montada diante de nossos olhos, enquanto acompanhamos o retorno da personagem principal. Nesse caso, São Paulo é apresentada da forma que já estamos acostumados a ver: panoramas de seus arranha-céus, as luzes de seu trânsito caótico e pelo olhar disperso de seus habitantes. Tudo isso simples o suficiente para conseguir chocar Alice, que já desestabilizada pela morte do pai quer fugir da cidade de qualquer maneira. Mas soa um pouco estranho que alguém que tenha uma passado com a cidade e pareça bem esclarecida seja levada por sua amiga/estranha Dani a uma festa banal, e acabe reduzida ao clichê máximo de "Maria Pick-up". Embora a montagem inicial tente passar o quão estável era a vida dela em Palmas, sua transformação acontece bruscamente, sem dar tempo para que possamos entender quem ela realmente é. Seja pela dor da perda, o isolamento ou mesmo sua aparente ingenuidade, a vida de Alice caiu na armadilha clichê que a cidade preparou. No final, devo confessar que fiquei muito mais interessado por sua vida em Palmas do que em suas desventuras paulistanas.

Minha esperança é que a personagem ainda mantenha sua essência e saiba lidar com essa fantasia de liberdade que São Paulo pretende passar. Pela horrenda cena final em que Alice diz querer aproveitar aquilo que seu pai desperdiçou, é difícil ter esperança pelo que vem pela frente. Esse confuso episódio piloto com certeza não seria suficiente para emplacar, mas como a série foi planejada como um todo -- assim como outras da HBO e a maioria dos canais a cabo --, ainda estou otimista que possa melhorar. Bons motivos não faltam: as razões para seu pai ter se suicidado, a briga pela herança e os relacionamentos de Alice com a meia-irmã e seu noivo.

Por outro lado, a parte técnica da produção é de encher os olhos, principalmente a bela fotografia e a trilha sonora do Instituto (aquele que faz turnê do disco "Racional" há milhares de anos). A direção embora escorregue em algumas cenas consegue levar bem os atores, que comparando com outras séries nacionais está acima da média. Destaque para a cena de sexo entre Alice e o DJ, intensa sem chegar a ser vulgar e com um belo plano mostrando o amanhecer ao fundo, com os primeiros raios de Sol atravessando o casal. Andréia Horta, que também está no ar pela Record em Chamas da Vida, transmite um ar bastante honesto à protagonista e me deixou impressionado. Mas como não é só de protagonista que vive uma boa série, espero que o resto do elenco consiga também se destacar.

Para quem interessar, o primeiro episódio também está disponível para ser assistido pelo site oficial da série.



e.fuzii

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

[Alice] A nova série da HBO

Nesse domingo, além da festa do Emmy, temos a estréia de "Alice" na HBO. O canal já apresentou duas produções retratando o Rio de Janeiro -- as duas temporadas de "Mandrake" e a excelente "Filhos do Carnaval" --, mas essa é a primeira tentativa de uma série ambientada em São Paulo. Segundo a matéria da Folha de S. Paulo, o executivo da empresa, Luis Peraza, estima que cada episódio custe 1 milhão de reais para ser produzido. O objetivo da HBO é ampliar sua base de assinantes e explorando produções com temática brasileira "ter um diferencial que faça o assinante pagar a mensalidade contente". E para falar a verdade, mesmo sendo um pacote adicional na NET, é um dos poucos canais que vale o dinheiro que pago. Afinal, além dos filmes, que outro canal conta com séries como Mad Men, The Wire, In Treatment e Skins? Fora a disponibilidade de horário alternativo, com três horas de diferença, para todas as atrações. E olha que nem ganho nada para falar tão bem assim...

A série apresenta a história de Alice, que, após receber a notícia do falecimento de seu pai, tem de sair de Palmas para vir ao funeral em São Paulo. Longe de seu amor, ela tem de encarar o caos da cidade enquanto reencontra a nova família de seu pai. A produção é dirigida pelo cineasta Karim Aïnouz em parceria com Sérgio Machado. Na condição de migrane, Alice tem bastante relação com a jornada frustrada de Hermila no último filme de Aïnouz -- o provocante "Céu de Suely" --, e claro, com a mais famosa Alice da literatura, figura central do livro de Lewis Carroll. Através do reencontro com essa metrópole sempre pulsante, a visão de Alice também nos levará para uma espécie de mundo de fantasia, onde ela embarcará em uma jornada de auto-conhecimento.



Alice
Estréia domingo às 22h na HBO.
Reprises: Segunda às 22h na HBO Plus e quinta às 21h na HBO.



e.fuzii