por Má B
Seria apenas mais uma cena clássica de darwinismo onde o mais forte se impõe ao mais fraco numa tentativa ínfima de sobressair frente aos demais, não fosse a magia como que ela é feita.Gosto quando os seriados sabem brincar com um bom clichê. É uma escola, afinal de contas.
Um garoto qualquer, que se não me falha a memória ainda não havia aparecido em Glee, joga uma raspadinha no rosto de Finn, e como se não bastasse, joga um grande problema na cara do casal Quinn e Finn (argh), talvez maior do que a gravidez de uma cheerleader na adolescência: ELES PERDERAM A MORAL.
Não vou questionar aqui se perder a moral trata exatamente de estar grávida ou de cantar no clube da Luluzinha. Já faz um tempinho, ok, que eu sai da escola, mas QUE PORRA É ESSA DE GANGUE DO SUQUINHO?
AMEAÇAR COM CANIVETE PRA QUE , NÉ
SE EU POSSO JUNTAR UM MONTE DE MANO
E JOGAR SUQUINHO NA SUA CARA
Eu não sei de vocês, mas no meu tempo as ameaças eram um pouquinho mais pesadas, tipo levar na escola o canivete suiço do papai ou meu-irmão-sabe-todas-as-lutas-do-street-fighter -de-cor-e-vai-matar-você. Caro roteirista, não sei a escola bichinha que você estudou mas SUQUINHO NÃO É ASSUSTADOR, fica a dica.
A única explicação viável para isso tudo é um boicote às indústrias armamentícias.
Bom, voltemos.
A cena que se segue tem como protagonistas talvez o casal mais sem sal da face da Terra: Ken e Emma, o casal anti-herói, o casal que nada combina, o casal que faz você aí na sua casa se orgulhar de namorar/casar com aquele imbecil porque “pelo menos não somos como Ken e Emma”.
- Emma e eu de fato vamos casar
- Sim, e Ken me convenceu que é preciso estar pelo menos no mesmo espaço
- O que eu posso dizer? Sou tradicional.
Então, quando eles procuram Will para que ele crie um mash-up, a vontade que eu tenho é de bater na Emma. Ele já vai ter o PIOR CASAMENTO EVER e nem a porra da música o cara pode escolher? Ainda que Thong Song seja a pior escolha possível (e é), a gente fica no aguardo da mistura. Sounds like fun.
Saldo final: a não-relação atinge o seu ápice nesse episódio e ouso dizer que eles conseguiram FINALMENTE roubar a cena com um repleto diálogo divertido e bem estruturado.
Como sempre Will dá um show de coreografia, mas o áudio está cada vez mais deixando a desejar. Eu até tento não ficar irritada, como em 'Poison', mas está cada vez mais pior. Dançar e cantar não é exatamente fácil, mas SEJA MENOS DISNEY POR FAVOR.
Aliás, se você não gosta dessa coisa forçada, desligue a TV, amiguinhos. Glee exige TODO O LADO criança-feliz que estiver dentro de você. Aquela cena clássica de contos-de-fadas em que a mocinha sorri para um pássaro idiota e em dois minutos a mãe natureza toda está dançando e cantando com ela, bem, isso você verá
E falando em gostar da série, a nossa vilã é simplesmente demais.Adoro as cenas de Sue falando no jornal, subjugando as pessoas, com um Q de Boris (Google diz: Whatever Works, de Woody Allen), gerando excelentes quotes. "Não tem mulher?” “Ela se afogou (...) E agora eu tenho o quarto só pra mim". PORRA. UM DOS DIÁLOGOS MAIS ENGRAÇADOS do episódio todo, um cara tão narcisista e arrogante quanto SUE, que faria um par excelente, e no mesmo episódio os roteiristas conseguem FERRAR com isso tudo. Só espero realmente que esse cara continue na série porque eu gostei muito dele.
Mas o destaque mesmo se dá a Emma nesse episódio. E eu digo isso porque eu não gosto muito dela, não. E vou explicar o porquê. Ela é ruiva, tem mania de limpeza EM EXCESSO e é uma mulher extremamente decente. Onde foi que eu vi isso mesmo?
Ela não me convence, também. Não é questão de ser crítica (tá, é), mas alguém que tem completo pavor de encostar nos outros, como pode protagonizar aquela cena de dança ao som de I Could Have Danced All Night com Will? Oi eu tenho TOC mas quando você me TOCa eu esqueço todas as minhas doenças por você (meu filho se você não parou de ler aqui por causa do trocadilho ruim, você não vai parar mais, desiste)?
E a cena de Will dançando The Song é simplesmente DEMAIS. Quase garante o episódio inteiro, não fosse algumas coisas que a gente ainda não engoliu. Como o fato de Glee acelerar as coisas demais. Puk em um episódio está querendo assumir o filho com a Quinn e dois minutos depois ele quer algo com a Rachel? Ok, a gente sabe que adolescentes mudam de opinião rapidamente, mas a gente precisa acompanhar essas mudanças, senão o seriado periga de virar apenas um show de musicais com personagens que poderiam ser melhores aproveitados não fossem as cenas bizarras com que eles são colocados. Histórias e tramas que poderiam ser facilmente desenroladas em 3 ou 4 episódios (se fosse Lost, em 15 temporadas) se resolvem em 5 minutos.
Por isso encerro aqui pedindo por favor aos queridos roteiristas que não nos decepcionem mais. Dê-nos boas tramas que estes personagens merecem, eles são bons, sim. E eu continuo achando que vocês sofrem de ejaculação precoce.
PS: prazer, eu sou a Má B e através de uma raspadinha de 1,99 dei um golpe de estado no efuzii, e agora quem comenta Glee sou eu. Espero que gostem.

Má B.
www.twitter.com/ma_b
Mais uma semana e Glee chega mostrando muita inconsistência outra uma vez. Até os números musicais, que sempre pelo menos atraem a atenção, foram usados tanto que acabaram me cansando. Tivemos um terrível dueto entre Finn e Rachel cantando "No Air" onde o que era menos improvável encontrar era algum resquício da voz dos dois em meio a tanta reverberação. Ainda que tenha sido legal ver Quinn com ar de desconfiança ao fundo enquanto os dois dançavam, tudo passa a ficar desastroso quando eles saem cantando pelos corredores do colégio. Por outro lado, pela primeira vez os membros do Glee Club apresentaram uma jam session com produção mínima, em que todos emprestavam um pouco de suas vozes pra garantir mais empolgação e, obviamente, honestidade. Mas isso aqui está parecendo mais uma resenha da semana de American Idol -- só falta mesmo eu sair distribuindo notas --, vamos passar para a história em si.
Mas não posso deixar de destacar a cena na sala da diretoria. O que foi exatamente tudo aquilo? Só por essa atuação, acho que Jane Lynch já está na disputa pelo Emmy, e com grandes chances. Impagável o momento em que Sue abre os braços e exige por uma decisão do diretor do colégio. Ou quando ela avisa que não quer ser tocada e ameaça processar Will logo depois. Ou sua explosão após ver sua chantagem indo por água abaixo. O detalhe é que esse é um dos breves momentos em que essa câmera ágil não chega a incomodar. Enfim, sei que ainda tentam encontrar o tom certo de Glee nessa primeira fase, mas não deixa de valer a pena acompanhar até pelo menos ter certos ajustes com o retorno do público e da crítica. Difícil mesmo é conseguir agradar a todo tipo de espectador como pretendem, afinal uma série tratando de minorias nunca poderia atingir a grande maioria. Or at least, that's how Sue Cs it!
e.fuzii
Caramba Glee, confesso que já não sei mais o que fazer contigo. Embora me faça rir por quase toda sua uma hora, não sei onde encontro paciência pra engolir todas essas suas histórias. Bom, mas retomando de onde parei
Como sempre os números musicais compensam, mesmo com a baita super-produção. Tanto a apresentação dos garotos (um mash-up entre It's My Life e Confessions) quanto a das garotas (combinando Halo e Walking on Sunshine) foram sensacionais, embora ache que a ala masculina levou certa vantagem, principalmente com o solo de Artie. Mas espera, o discurso introdutório de Rachel não valia pra competição, certo? Outro grande mérito da série, e que justifica seu sucesso, é que os personagens são muito carismáticos, algo que às vezes é até mais importante do que boas atuações em séries adolescentes. Desde que foi estabelecida, a única trama que ainda continua frequente é a da gravidez, até porque é conveniente para manter afastados tanto Will de Emma como Finn de Rachel. Acho que só mesmo uma série assim pra me convencer a gostar de uma personagem como Emma, que com suas caricatas manias ainda me faz lembrar vagamente das restrições de Ned em Pushing Daisies. Apesar de perceber que Will e Emma estão "destinados" a ficarem juntos, não consigo imaginar que reduziriam suas obsessões de uma hora pra outra, vendo todas essas suas hilárias imposições antes do seu (anti-)casamento com Ken. Basicamente, em Glee o que importa mesmo é desligar-se uma hora desse mundo e aproveitar o máximo possível as críticas à esteriotipada adolescência (e obviamente suas séries) e os mais puros momentos de diversão.
Nessa semana, Glee finalmente resolveu dar um passo a frente em suas tramas, ainda que toda a situação da gravidez de Quinn tenha ficado um pouco de lado. Pelo menos os demais membros do coral ficaram sabendo dessa notícia e os problemas começam a empilhar-se cada vez mais para Finn. Tentando seguir seu (e da maioria dos adolescentes) sonho de conseguir uma bolsa de estudos numa universidade, Finn percebe que a única forma de destacar-se é seduzindo Rachel a voltar aos ensaios. Seduzindo sim, porque ainda no alto de seu orgulho e tentando a sorte com os musicais, ela parece irredutível na sua decisão. Então, Will acaba reencontrando pela internet uma antiga paixão do colégio, April Rhodes, que sem completar o colegial até hoje é convidada para preencher essa vaga. E logo que essa trama foi introduzida, já tinha duas certezas: que Rachel voltaria para o Glee Club eventualmente e Chenoweth arrasaria cantando. April obviamente serviu pra mostrar como um talento também pode chegar a se auto-destruir, seguindo todo o ar melancólico que rodeia esses personagens. Glee nasceu baseado nos musicais, mas eles parecem servir apenas como um alívio em meio a tantos problemas. As próprias escolhas das canções deixa bem clara toda a situação, como os destaques do episódio: "Alone" num dueto entre April e Will, e "Somebody to Love" apresentado pelo Glee Club.
Diria que esse convite de Will para April foi completamente surreal, mas não deixou de combinar com o tom da série, além de ser engraçado quando imaginamos que essa possa ser uma explicação pra tantos adultos representarem adolescentes em séries similares. Serviu também como um provável motivo para prolongar Glee indefinidamente, já que somente desse jeito mesmo pra contornar o ritmo frenético das histórias, que me fazem ter a impressão de uma temporada ocupar 3 anos no mínimo na vida desses personagens. Os arcos que normalmente levariam 4 episódios em outras produções, aqui são fechados num mesmo episódio, chegando a ser estranho imaginar uma atriz talentosa como Chenoweth contratada por tão pouco tempo.
All the Single Ladies!
Já é uma tradição nas séries mais populares da televisão americana que os seus primeiros episódios (4 ou às vezes até 5) sejam ainda vistos como uma espécie de piloto. Ao invés de avançar logo a história, a estratégia é ainda investir numa trama fechada pra "fisgar" novos espectadores semana após semana. Entretanto, é importante também que ofereça algum atrativo para aqueles que já estão acompanhando. E é nesse quesito que acho que esse terceiro episódio falha vergonhosamente. Além de um problema grave de ritmo, que às vezes nos faz acreditar que passaram-se meses entre uma sequência e outra, diria que a história chega até a retroceder quando resolve-se logo afastar as cheerleaders do Glee Club e voltar à falta de integrantes, algo que parecia tão urgente na semana passada. A própria dinâmica de Quinn e Rachel confrontando-se pela atenção de Finn pareceu esquecida e tudo que restou foi uma busca desesperada por um novo coreógrafo. Se o plano de Sue era que os garotos contratassem uma versão masculina dela mesma, sinto muito mas não deu certo.
Cercada de um imenso entusiasmo de (precoces) fãs que promoveram a série durante o verão americano inteiro, Glee finalmente está de volta para continuar de onde… começou. E apesar de ter ficado abaixo da estreia do piloto pós-American Idol, a recepção do público foi até melhor do que a Fox esperava, chegando a
Acredito que a grande maioria das pessoas que assistiu, já pegou se perguntando o que fez o professor Will casar-se, ou até melhor dizendo, interessar-se pela sua mulher. Completamente intragável e essa história da gravidez falsa só adiciona ainda mais antipatia, mesmo que ela tente conserta do seu jeito. Por outro lado, ele parece sentir-se atraído por Emma, a conselheira do colégio portadora de T.O.C. E nem é preciso dizer que ela iria fundo nesse relacionamento, mas o que me deixa confuso é o seguinte: tá na cara que é pra gente torcer pelos dois mas a custo do quê? Mostrar que adultérios às vezes podem ser relevados? Não acredito que a Fox fosse deixar Ryan Murphy ir muito a frente com essa ideia, mas ainda espero pra ver. Até porque, se a questão era que os dois ficassem juntos, não precisava que o professor já começasse a série casado. Podem dizer também o que quiserem de Emma, mas ela é o tipo de personagem caricata que dá gosto de ver em série adolescente. Sua curta cena cantando "All By Myself" dentro do carro num tremendo temporal é a maior prova disso.
Mas preciso dar crédito principalmente a Sue Sylvester, a tal treinadora das cheerleaders, que cada vez me faz adorar mais a fantástica Jane Lynch. A forma como ela tenta vencer tudo e controlar a todos, num sentido completamente paranóico, é com certeza o que vai fazer valer a pena assistir Glee. Aquele típico "vilão" que dá gosto de ver, cheia de complexos e tomada de orgulho, que pode ironizar a morte mas se ofender com um trocadilho logo em seguida. Aposto que Lynch então deve estar divertindo-se muito pra conciliar esse lado cínico e severo de sua personagem.
Numa manobra arriscada, a Fox decidiu estrear uma de suas promessas para a próxima temporada logo após a final do American Idol, ou aquele programa visto por milhões de americanos. Enfim, levando em consideração o tema, parece não haver lugar melhor. Por outro lado, cheguei a dizer que assistir esse piloto é uma daquelas no-win situation em que ou você simplesmente detesta pelo resto de sua vida ou tem de esperar longos meses pelo resto da história. Mas pode ter certeza que as campanhas pra promover a série serão maciças daqui até lá. A recepção para mim foi surpreendente, a mídia realmente abraçou a série de uma forma que não se via desde Pushing Daisies e apesar de também ter adorado, posso entender perfeitamente quem achou insuportável. Outros comentários entuásticos podem ser lidos no