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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

[Glee] 1x08 - Mash-Up

por Má B


Seria apenas mais uma cena clássica de darwinismo onde o mais forte se impõe ao mais fraco numa tentativa ínfima de sobressair frente aos demais, não fosse a magia como que ela é feita.Gosto quando os seriados sabem brincar com um bom clichê. É uma escola, afinal de contas.

Um garoto qualquer, que se não me falha a memória ainda não havia aparecido em Glee, joga uma raspadinha no rosto de Finn, e como se não bastasse, joga um grande problema na cara do casal Quinn e Finn (argh), talvez maior do que a gravidez de uma cheerleader na adolescência: ELES PERDERAM A MORAL.

Não vou questionar aqui se perder a moral trata exatamente de estar grávida ou de cantar no clube da Luluzinha. Já faz um tempinho, ok, que eu sai da escola, mas QUE PORRA É ESSA DE GANGUE DO SUQUINHO?

AMEAÇAR COM CANIVETE PRA QUE , NÉ
SE EU POSSO JUNTAR UM MONTE DE MANO
E JOGAR SUQUINHO NA SUA CARA

Eu não sei de vocês, mas no meu tempo as ameaças eram um pouquinho mais pesadas, tipo levar na escola o canivete suiço do papai ou meu-irmão-sabe-todas-as-lutas-do-street-fighter -de-cor-e-vai-matar-você. Caro roteirista, não sei a escola bichinha que você estudou mas SUQUINHO NÃO É ASSUSTADOR, fica a dica.

A única explicação viável para isso tudo é um boicote às indústrias armamentícias.

Bom, voltemos.

A cena que se segue tem como protagonistas talvez o casal mais sem sal da face da Terra: Ken e Emma, o casal anti-herói, o casal que nada combina, o casal que faz você aí na sua casa se orgulhar de namorar/casar com aquele imbecil porque “pelo menos não somos como Ken e Emma”.

- Emma e eu de fato vamos casar
- Sim, e Ken me convenceu que é preciso estar pelo menos no mesmo espaço
- O que eu posso dizer? Sou tradicional.

Então, quando eles procuram Will para que ele crie um mash-up, a vontade que eu tenho é de bater na Emma. Ele já vai ter o PIOR CASAMENTO EVER e nem a porra da música o cara pode escolher? Ainda que Thong Song seja a pior escolha possível (e é), a gente fica no aguardo da mistura. Sounds like fun.

Saldo final: a não-relação atinge o seu ápice nesse episódio e ouso dizer que eles conseguiram FINALMENTE roubar a cena com um repleto diálogo divertido e bem estruturado.

Como sempre Will dá um show de coreografia, mas o áudio está cada vez mais deixando a desejar. Eu até tento não ficar irritada, como em 'Poison', mas está cada vez mais pior. Dançar e cantar não é exatamente fácil, mas SEJA MENOS DISNEY POR FAVOR.

Aliás, se você não gosta dessa coisa forçada, desligue a TV, amiguinhos. Glee exige TODO O LADO criança-feliz que estiver dentro de você. Aquela cena clássica de contos-de-fadas em que a mocinha sorri para um pássaro idiota e em dois minutos a mãe natureza toda está dançando e cantando com ela, bem, isso você verá em Glee. A maneira como alguns passos são ''improvisados'' soa perfeito demais, irritante demais, se você não souber apreciar. Bom, eu sei. E é por isso que eu gosto tanto da série.

E falando em gostar da série, a nossa vilã é simplesmente demais.Adoro as cenas de Sue falando no jornal, subjugando as pessoas, com um Q de Boris (Google diz: Whatever Works, de Woody Allen), gerando excelentes quotes. "Não tem mulher?” “Ela se afogou (...) E agora eu tenho o quarto só pra mim". PORRA. UM DOS DIÁLOGOS MAIS ENGRAÇADOS do episódio todo, um cara tão narcisista e arrogante quanto SUE, que faria um par excelente, e no mesmo episódio os roteiristas conseguem FERRAR com isso tudo. Só espero realmente que esse cara continue na série porque eu gostei muito dele.

Mas o destaque mesmo se dá a Emma nesse episódio. E eu digo isso porque eu não gosto muito dela, não. E vou explicar o porquê. Ela é ruiva, tem mania de limpeza EM EXCESSO e é uma mulher extremamente decente. Onde foi que eu vi isso mesmo?

Ela não me convence, também. Não é questão de ser crítica (tá, é), mas alguém que tem completo pavor de encostar nos outros, como pode protagonizar aquela cena de dança ao som de I Could Have Danced All Night com Will? Oi eu tenho TOC mas quando você me TOCa eu esqueço todas as minhas doenças por você (meu filho se você não parou de ler aqui por causa do trocadilho ruim, você não vai parar mais, desiste)?

E a cena de Will dançando The Song é simplesmente DEMAIS. Quase garante o episódio inteiro, não fosse algumas coisas que a gente ainda não engoliu. Como o fato de Glee acelerar as coisas demais. Puk em um episódio está querendo assumir o filho com a Quinn e dois minutos depois ele quer algo com a Rachel? Ok, a gente sabe que adolescentes mudam de opinião rapidamente, mas a gente precisa acompanhar essas mudanças, senão o seriado periga de virar apenas um show de musicais com personagens que poderiam ser melhores aproveitados não fossem as cenas bizarras com que eles são colocados. Histórias e tramas que poderiam ser facilmente desenroladas em 3 ou 4 episódios (se fosse Lost, em 15 temporadas) se resolvem em 5 minutos.

Por isso encerro aqui pedindo por favor aos queridos roteiristas que não nos decepcionem mais. Dê-nos boas tramas que estes personagens merecem, eles são bons, sim. E eu continuo achando que vocês sofrem de ejaculação precoce.

PS: prazer, eu sou a Má B e através de uma raspadinha de 1,99 dei um golpe de estado no efuzii, e agora quem comenta Glee sou eu. Espero que gostem.


Má B.
www.twitter.com/ma_b

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[Glee] 1x07 Throwdown

por e.fuzii
Mais uma semana e Glee chega mostrando muita inconsistência outra uma vez. Até os números musicais, que sempre pelo menos atraem a atenção, foram usados tanto que acabaram me cansando. Tivemos um terrível dueto entre Finn e Rachel cantando "No Air" onde o que era menos improvável encontrar era algum resquício da voz dos dois em meio a tanta reverberação. Ainda que tenha sido legal ver Quinn com ar de desconfiança ao fundo enquanto os dois dançavam, tudo passa a ficar desastroso quando eles saem cantando pelos corredores do colégio. Por outro lado, pela primeira vez os membros do Glee Club apresentaram uma jam session com produção mínima, em que todos emprestavam um pouco de suas vozes pra garantir mais empolgação e, obviamente, honestidade. Mas isso aqui está parecendo mais uma resenha da semana de American Idol -- só falta mesmo eu sair distribuindo notas --, vamos passar para a história em si.

Como todo mundo já previa, quem roubou a cena foi mesmo Sue Sylvester, destilando todo seu veneno ao som de Carmina Burana. Ser antagonista de Will -- até nos voice-overs -- era simples, o problema era ter de lidar com uma situação completamente fora de seu controle onde só restava a decepção. Além da rejeição das minorias do Glee Club, Sue ver sua principal cheerleader perdendo todas as competições dali em diante, é a gota d'água para abandoná-la. Como disse Will e de certa forma Rachel, Quinn só resta contar com o apoio deles. Bastante interessante a forma como desenvolveram Quinn nesse episódio, apesar da péssima escolha musical (Supremes, sério?). Porém, a trama da gravidez falsa de Terri tem de terminar. Sei o quanto Ryan Murphy gosta de testar nossos limites de tolerância, mas isso já deixou de parecer estranho pra virar totalmente absurdo. Principalmente porque sabemos que Will não pode ser imbecil o suficiente pra não desconfiar por tanto tempo e ainda cair numa representação tosca de ultrassom. Talvez se fosse Finn, a gente até entenderia depois de sugerir chamar sua filha de "Drizzle". Por isso admiro a Quinn, porque é preciso muita paciência pra não revelar um segredo desses.
Mas não posso deixar de destacar a cena na sala da diretoria. O que foi exatamente tudo aquilo? Só por essa atuação, acho que Jane Lynch já está na disputa pelo Emmy, e com grandes chances. Impagável o momento em que Sue abre os braços e exige por uma decisão do diretor do colégio. Ou quando ela avisa que não quer ser tocada e ameaça processar Will logo depois. Ou sua explosão após ver sua chantagem indo por água abaixo. O detalhe é que esse é um dos breves momentos em que essa câmera ágil não chega a incomodar. Enfim, sei que ainda tentam encontrar o tom certo de Glee nessa primeira fase, mas não deixa de valer a pena acompanhar até pelo menos ter certos ajustes com o retorno do público e da crítica. Difícil mesmo é conseguir agradar a todo tipo de espectador como pretendem, afinal uma série tratando de minorias nunca poderia atingir a grande maioria. Or at least, that's how Sue Cs it!

Fotos: reprodução/FOX

e.fuzii
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sábado, 10 de outubro de 2009

[Glee] 1x06 Vitamin D

por e.fuzii
Caramba Glee, confesso que já não sei mais o que fazer contigo. Embora me faça rir por quase toda sua uma hora, não sei onde encontro paciência pra engolir todas essas suas histórias. Bom, mas retomando de onde parei na semana passada, estava discutindo exatamente o tempo que leva para produzir uma série como essa. Ensaios, toda a composição das músicas e depois ainda a pós-produção dos números musicais. Claro que hoje em dia as técnicas de estúdio, principalmente e infelizmente o auto-tune, facilitam bastante o processo, mas queria chamar a atenção para o fato dos roteiros darem uma bela ajuda de custos nessa produção. Basta perceber que, fora uma curta sequência mostrando o treino das cheerleaders, não há em todo o resto do episódio uma filmagem externa sequer. Mas apesar disso ser obviamente uma vantagem, o problema é que essa limitação faz com que grande parte das histórias passe por cima de muitos porquês pra existirem.

Continuo gostando de Glee dentro desse seu mundo particular e ainda considero a melhor estreia dessa temporada junto de Modern Family, até agora. Mas se toda semana o roteiro for essa mistura absurda pra servir de pretexto pros números musicais, já começo a reavaliar se deveria mesmo continuar escrevendo aqui semanalmente. Se duvida, vamos então fazer uma rápida recapitulação desse episódio: para motivar os membros do Glee Club, Will decide fazer uma competição que não tem vencedor porque ambas as equipes retiram-se por usarem aditivos, sugeridos pela mulher de Will, que nem enfermeira é. Costumo dizer que a melhor forma de inserir algo completamente absurdo num roteiro é quando os próprios personagens questionam o que está acontecendo, e nesse episódio Will pergunta diversas vezes como sua esposa pode ser a enfermeira do colégio sem ser na verdade uma enfermeira. E o pior é que no final ele ainda é punido por isso. A série leva-se tão pouco a sério, que chega a nos causar ansiedade por saber que a principal vilã, Sue Sylvester, vai assumir o papel de co-diretora do Glee Club.
Como sempre os números musicais compensam, mesmo com a baita super-produção. Tanto a apresentação dos garotos (um mash-up entre It's My Life e Confessions) quanto a das garotas (combinando Halo e Walking on Sunshine) foram sensacionais, embora ache que a ala masculina levou certa vantagem, principalmente com o solo de Artie. Mas espera, o discurso introdutório de Rachel não valia pra competição, certo? Outro grande mérito da série, e que justifica seu sucesso, é que os personagens são muito carismáticos, algo que às vezes é até mais importante do que boas atuações em séries adolescentes. Desde que foi estabelecida, a única trama que ainda continua frequente é a da gravidez, até porque é conveniente para manter afastados tanto Will de Emma como Finn de Rachel. Acho que só mesmo uma série assim pra me convencer a gostar de uma personagem como Emma, que com suas caricatas manias ainda me faz lembrar vagamente das restrições de Ned em Pushing Daisies. Apesar de perceber que Will e Emma estão "destinados" a ficarem juntos, não consigo imaginar que reduziriam suas obsessões de uma hora pra outra, vendo todas essas suas hilárias imposições antes do seu (anti-)casamento com Ken. Basicamente, em Glee o que importa mesmo é desligar-se uma hora desse mundo e aproveitar o máximo possível as críticas à esteriotipada adolescência (e obviamente suas séries) e os mais puros momentos de diversão.

e.fuzii
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domingo, 4 de outubro de 2009

[Glee] 1x05 The Rhodes Not Taken

por e.fuzii

Nessa semana, Glee finalmente resolveu dar um passo a frente em suas tramas, ainda que toda a situação da gravidez de Quinn tenha ficado um pouco de lado. Pelo menos os demais membros do coral ficaram sabendo dessa notícia e os problemas começam a empilhar-se cada vez mais para Finn. Tentando seguir seu (e da maioria dos adolescentes) sonho de conseguir uma bolsa de estudos numa universidade, Finn percebe que a única forma de destacar-se é seduzindo Rachel a voltar aos ensaios. Seduzindo sim, porque ainda no alto de seu orgulho e tentando a sorte com os musicais, ela parece irredutível na sua decisão. Então, Will acaba reencontrando pela internet uma antiga paixão do colégio, April Rhodes, que sem completar o colegial até hoje é convidada para preencher essa vaga. E logo que essa trama foi introduzida, já tinha duas certezas: que Rachel voltaria para o Glee Club eventualmente e Chenoweth arrasaria cantando. April obviamente serviu pra mostrar como um talento também pode chegar a se auto-destruir, seguindo todo o ar melancólico que rodeia esses personagens. Glee nasceu baseado nos musicais, mas eles parecem servir apenas como um alívio em meio a tantos problemas. As próprias escolhas das canções deixa bem clara toda a situação, como os destaques do episódio: "Alone" num dueto entre April e Will, e "Somebody to Love" apresentado pelo Glee Club.

Diria que esse convite de Will para April foi completamente surreal, mas não deixou de combinar com o tom da série, além de ser engraçado quando imaginamos que essa possa ser uma explicação pra tantos adultos representarem adolescentes em séries similares. Serviu também como um provável motivo para prolongar Glee indefinidamente, já que somente desse jeito mesmo pra contornar o ritmo frenético das histórias, que me fazem ter a impressão de uma temporada ocupar 3 anos no mínimo na vida desses personagens. Os arcos que normalmente levariam 4 episódios em outras produções, aqui são fechados num mesmo episódio, chegando a ser estranho imaginar uma atriz talentosa como Chenoweth contratada por tão pouco tempo.

Mas não escrevo isso como uma crítica, porque existe grande diferença entre ter rapidez e pressa, como já vimos no desastroso terceiro episódio há algumas semanas atrás. Afinal, o destaque nas histórias é sempre o enfoque dado com essa esperta edição, que promove tanto um inesperado dueto entre April e Rachel em "Maybe This Time", quanto uma sequência inteira dedicada aos esforços de April para conseguir o voto dos outros integrantes pela sua permanência, certamente a cena mais engraçada do episódio. Minha reclamação mesmo é em relação a alguns problemas técnicos, como a falha de continuidade nas coreografias e uma irritante falta de sincronia labial durante as canções. Para uma série que baseia-se nesses números musicais chega a ser imperdoável, mas não sei também quanto isso pode estar ligado à falta de tempo para um tipo de produção como essa, que demanda uma enorme preocupação com estes e tantos outros detalhes.

e.fuzii
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sábado, 26 de setembro de 2009

[Glee] 1x04 Preggers

All the Single Ladies!

Se toda a exposição dessa música da Beyonce durante mais de um ano já não fosse o suficiente, nesse episódio ainda tivemos de escutá-la por pelo menos umas 5 vezes. Bom, não que isso me faça assistir de novo, mas já adianto que é um dos melhores videoclipes já feitos em todos os tempos (not!), antes de ser interrompido por alguém. Mas longe dos problemas que tanto me irritaram na semana passada, dessa vez Glee apresenta uma estrutura que lembrou bastante Friday Night Lights, não só pelo futebol ter sido tema central, mas também pelo fato do colégio estar situado numa cidade do interior dos EUA. Essa crise que vive Finn e principalmente Quinn, esperando pela grande oportunidade de mudar-se pra uma cidade maior, é o que move a maioria desses adolescentes em busca de seu sonho americano. É uma história que não pode ser de jeito nenhum evitada, mas que aqui ganha um tratamento interessante: apesar de prematuramente já assumir o filho como seu, Finn pode ter um dilema pela frente caso o pai seja mesmo Puck. Fora isso, Quinn acaba sendo assediada pela esposa de Will, que vê nela a chance "perfeita" de conseguir o bebê que precisa. E por mais que não faça o menor sentido que esse plano dê certo sem que ninguém perceba, fiquei com a impressão de que Terri é vítima mesmo de sua própria imaturidade e inocência, seja por não saber lidar com o seu casamento em ruínas como por ouvir os péssimos conselhos de sua irmã.

Porém, o episódio concentrou-se mesmo nos conflitos de Kurt com seu pai, que mesmo previsíveis são também difíceis de serem evitados. O que Glee talvez consiga sair-se muito bem é por fazer essa espécie de paródia adolescente, com todos os seus personagens representando esteriótipos de si mesmos. Ou o que mais seria Quinn vestida o tempo todo com seu uniforme de cheerleader? No caso de Kurt, é um alívio que esse arco tenha encerrado-se num mesmo episódio, inclusive sem nem forçar muito o drama. Já a partida de futebol no final foi mais um típico caso que exige um tanto de boa vontade do espectador. Além de violar todas as regras possíveis do esporte, sair dançando talvez não fosse a estratégia coletiva mais indicada para vencer. Resta apenas desapegar e se divertir mesmo.

Uma das discussões que mais leio desde a estreia é se Glee não poderia ficar mais redonda se tivesse apenas meia-hora de duração. Mas acho pouco tempo, principalmente se considerar os números musicais. Mesmo nesse episódio, que além de alguns ensaios é basicamente só "Single Ladies", o roteiro é bem competente em não deixar as tramas soltas, facilitando assim para a audiência. Veja, por exemplo, o tanto de vezes que Rachel entra e sai do Glee Club nessa uma hora. Além disso, uma menor duração provavelmente significaria sacrificar ainda mais as cenas de Sue Sylvester, que valem quase pela metade da graça da série. E não é preciso ser nenhum gênio pra perceber que Glee teria muito mais a perder do a ganhar desse jeito.


e.fuzii
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

[Glee] 1x03 Acafellas

Já é uma tradição nas séries mais populares da televisão americana que os seus primeiros episódios (4 ou às vezes até 5) sejam ainda vistos como uma espécie de piloto. Ao invés de avançar logo a história, a estratégia é ainda investir numa trama fechada pra "fisgar" novos espectadores semana após semana. Entretanto, é importante também que ofereça algum atrativo para aqueles que já estão acompanhando. E é nesse quesito que acho que esse terceiro episódio falha vergonhosamente. Além de um problema grave de ritmo, que às vezes nos faz acreditar que passaram-se meses entre uma sequência e outra, diria que a história chega até a retroceder quando resolve-se logo afastar as cheerleaders do Glee Club e voltar à falta de integrantes, algo que parecia tão urgente na semana passada. A própria dinâmica de Quinn e Rachel confrontando-se pela atenção de Finn pareceu esquecida e tudo que restou foi uma busca desesperada por um novo coreógrafo. Se o plano de Sue era que os garotos contratassem uma versão masculina dela mesma, sinto muito mas não deu certo.

Apesar de ainda insistirem na gravidez falsa da esposa de Will, sem que ninguém note nenhuma alteração física na moça aliás, dessa vez sinto que a relação dos dois foi melhor retratada. Talvez até pela presença dos pais de Will, ficou claro que pelo menos um sente admiração pelo outro. Fica claro aqui também que essa tentativa de "aquecer os corações" a todo custo também pode prejudicar a série. Além de não convencer que Will largaria as coreografias do Glee Club por causa de uma simples reclamação, chega a ser constrangedor que o pai dele apareça pra falar sobre suas frustrações de nunca ter seguido adiante em Direito pra no final simplesmente decidir ir. É preciso algo mais sustentável pra garantir o sucesso de uma conclusão dessas e o próprio interesse do público, como vemos também no caso da súbita atração de Mercedes por Kurt. Embora seja comum um arco desses, do gay saindo do armário após virar alvo de uma garota, é algo que precisa de mais episódios pra convencer. O clímax dessa relação veio no número musical em que Mercedes canta no cenário de lava-carros que, ainda que fosse a melhor performance da noite com sobras, enquadra-se naquele momento de devaneio convencional que não me agrada. E talvez seja esse clima de mundo musical que divida a opinião de tanta gente.

O fato é que buscando esses exageros nas personagens e situações, Glee desafia muito seus limites de tolerância. Chega uma hora que se você não está devidamente inserido na série, assistir a um grupo de adultos apresentando-se diante dos pais dos alunos é um caso de vergonha alheia. E é exatamente onde mora o perigo: uma vez que você rejeita -- e começa a enjoar desse mundo de fantasia --, é preciso algo muito convincente pra te atrair de volta na sequência. Nem preciso dizer o quanto o texto da série é esperto com tiradas excelentes, mas algumas cenas ainda esforçam-se demais em fazer rir. Achei hilária a dose de humor negro do professor recém-aleijado de seus polegares comendo seu bolo, por exemplo. Já as razões pro rapaz do moicano juntar-se ao Acafellas não funcionaram. Tudo parece uma questão de experiência nesse começo, mas esperava que essas ideias já estivessem mais amadurecidas na cabeça desses produtores. Pelo menos a impressão que ficou pra mim é que o roteiro desse episódio e a conexão entre essas tramas foram todos decididos na última hora, infelizmente.

e.fuzii
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

[Glee] 1x02 Showmance

Cercada de um imenso entusiasmo de (precoces) fãs que promoveram a série durante o verão americano inteiro, Glee finalmente está de volta para continuar de onde… começou. E apesar de ter ficado abaixo da estreia do piloto pós-American Idol, a recepção do público foi até melhor do que a Fox esperava, chegando a 7,5 milhões de espectadores. Se conseguirá manter ainda é muito cedo pra dizer, mas acho que a pergunta que todos querem fazer é a seguinte: correspondeu àquelas expectativas de quando assisti ao piloto? Diria que não, mas que fora alguns problemas na premissa da série, o que me incomodou mesmo seria facilmente consertado. Acho que não adianta muito reclamar da estrutura do episódio, porque afinal começo é assim mesmo, e quanto mais rápido forem desenvolvidas algumas tramas, melhor pra dinâmica da série. Sabe-se que a partir da próxima semana cada episódio será centrado num dos adolescentes do glee club, o que pode ser uma garantia de expandir as personagens nos mesmos moldes de Skins. Pra começo de conversa, três arcos já começam a ser formados e cada um deles teve seu número musical para acompanhar: "Gold Digger" para o professor Will tentando satisfazer os desejos de sua mulher, "Push It" na apresentação para tentar atrair novos membros para o coral -- e servindo de conclusão também para o "clube do celibato" -- e "Take a Bow" (da Rihanna) para o romance entre Finn e Rachel.
Acredito que a grande maioria das pessoas que assistiu, já pegou se perguntando o que fez o professor Will casar-se, ou até melhor dizendo, interessar-se pela sua mulher. Completamente intragável e essa história da gravidez falsa só adiciona ainda mais antipatia, mesmo que ela tente conserta do seu jeito. Por outro lado, ele parece sentir-se atraído por Emma, a conselheira do colégio portadora de T.O.C. E nem é preciso dizer que ela iria fundo nesse relacionamento, mas o que me deixa confuso é o seguinte: tá na cara que é pra gente torcer pelos dois mas a custo do quê? Mostrar que adultérios às vezes podem ser relevados? Não acredito que a Fox fosse deixar Ryan Murphy ir muito a frente com essa ideia, mas ainda espero pra ver. Até porque, se a questão era que os dois ficassem juntos, não precisava que o professor já começasse a série casado. Podem dizer também o que quiserem de Emma, mas ela é o tipo de personagem caricata que dá gosto de ver em série adolescente. Sua curta cena cantando "All By Myself" dentro do carro num tremendo temporal é a maior prova disso.

Já o professor cantando "Gold Digger" acaba sendo um dos destaques do episódio também, até pelo seu refrão "traiçoeiro" pra um cara branco. Ainda me incomoda toda essa mega produção em todas as músicas (com Auto-tune soando alto), mas sei também que trata-se de pura exigência de mercado. Só acho que a série teria muito a ganhar em credibilidade pelo menos nesses momentos do ensaios, até mesmo como improviso. Entre os números musicais, o único momento que realmente passou um pouco do ponto foi o lamento final de Rachel, que ficou com cara de videoclipe. Mas não tenho muito o que acrescentar em relação ao romance dos dois, porque era uma das armadilhas que já não me agradavam muito no próprio piloto. No entanto, essa foi a deixa pra criar a rivalidade com Quinn, a namorada-cheerleader de Finn (quem mais acha bizarro o nome dos dois rimarem desse jeito?), que será a espião dentro do glee club pra maquiavélica Sue. Com certeza parece ser a coisa mais idiota do mundo a garota juntar-se ao grupo ao invés de deixá-lo morrer por si só por falta de integrantes. Mas é a reação que esperaria de uma cheerleader comum que afinal nunca aceitaria perder o namorado sem um belo barraco.
Mas preciso dar crédito principalmente a Sue Sylvester, a tal treinadora das cheerleaders, que cada vez me faz adorar mais a fantástica Jane Lynch. A forma como ela tenta vencer tudo e controlar a todos, num sentido completamente paranóico, é com certeza o que vai fazer valer a pena assistir Glee. Aquele típico "vilão" que dá gosto de ver, cheia de complexos e tomada de orgulho, que pode ironizar a morte mas se ofender com um trocadilho logo em seguida. Aposto que Lynch então deve estar divertindo-se muito pra conciliar esse lado cínico e severo de sua personagem.

e.fuzii
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sexta-feira, 29 de maio de 2009

[Glee] O Piloto que todos estão comentando

Numa manobra arriscada, a Fox decidiu estrear uma de suas promessas para a próxima temporada logo após a final do American Idol, ou aquele programa visto por milhões de americanos. Enfim, levando em consideração o tema, parece não haver lugar melhor. Por outro lado, cheguei a dizer que assistir esse piloto é uma daquelas no-win situation em que ou você simplesmente detesta pelo resto de sua vida ou tem de esperar longos meses pelo resto da história. Mas pode ter certeza que as campanhas pra promover a série serão maciças daqui até lá. A recepção para mim foi surpreendente, a mídia realmente abraçou a série de uma forma que não se via desde Pushing Daisies e apesar de também ter adorado, posso entender perfeitamente quem achou insuportável. Outros comentários entuásticos podem ser lidos no Blog NaTV e no teleséries.

Depois de ter o excelente piloto de Pretty/Handsome rejeitado no ano passado, Ryan Murphy decidiu voltar às origens e dedicar-se a um trabalho que lembra sua cultuada série Popular -- releve por mais contraditória que essa frase possa parecer --, no final dos anos 90. Para quem não sabe e esteve longe de todo esse buzz, Glee passa-se em um colégio e trata do ressurgimento do antigo clube de coral, comandado por um professor que se destacou num clube como esse em sua adolescência. Obviamente, durante a seleção surgem apenas os alunos mais "estranhos" e impopulares do colégio, o que claramente já estabelece semelhanças com Freaks and Geeks. Sabe-se lá quanto tempo somos reféns de séries dramáticas que envolvem um clima "sombrio", mas depois de Pushing Daisies -- que tinha uma boa premissa, mas me enjoou com o tempo -- essa é a série que traz o sorriso de volta a nossos rostos. O grande trunfo é que seus personagens não são caricatos como num musical Disney e apesar dessa embalagem "simplesmente feliz", o conteúdo e os temas abordados são muito interessantes. Temos a competição clássica entre escolas pelo título de coral, uma disputa acirrada contra "organizações" mais populares dentro da escola (que envolve até os professores), como o futebol americano e as cheerleaders, mas claro, sem esquecer, da luta de todos os dias dessas personagens em serem reconhecidas dentro do colégio. Nas próprias palavras de Finn, que transita muito bem entre o clube de canto e o futebol, todos ali são potenciais perdedores. E apesar de atingir o clímax no apoteótico ensaio final, Glee se distancia de um musical comum exatamente porque as tramas não evoluem até chegar em números, mas são introduzidas de forma natural durante os ensaios, audições e competições.

Talvez tenha até ficado admirado demais com o piloto pela primeira vez, mas depois de reassistí-lo posso garantir que as possibilidades da série são enormes e nenhum dos atores destoa nesse extenso elenco. Meu maior medo é exatamente destruírem essa premissa tão boa, caírem no cliché de criar aquelas rivalidades que estamos cansados de ver em séries adolescentes e claro, aquele casal principal que nunca sabe se vai ou volta. Apesar de Ryan Murphy não ser alguém que transpareça inteira confiança num investimento futuro, ainda acredito que ele sabe muito bem o trunfo que tem nas mãos, até pela coragem de colocar isso no ar. Só resta esperar por esses longos meses até setembro, cantando Don't Stop Believing, um daqueles fenômenos musicais inexplicáveis que vem embalando a América desde o final de Sopranos.

e.fuzii