Não sei se vocês gostam de balé, eu gosto, fiz inclusive durante anos numa escolinha, aquela coisa de menininha. Para aspirar viver de balé é preciso dedicação e disciplina fora do normal. A verdade é que este é um mundinho bem cruel e masoquista! Parte dele é retratado no filme.
Natalie Portman sempre me "chama" ao cinema. E eu fui. Ao contrário de algumas críticas que fuzilaram a fragilidade de Miss Portman, acredito que desta vez essa característica intrínseca da atriz é mais do que necessária. Nina é tão frágil, mas tão frágil, que sabemos que ela irá partir em mil pedaços. O interessante é acompanhar como isto irá acontecer. E disso trata-se Black Swan. Nina perdendo a lucidez, com a consciência disso - paradoxal, sei bem - e, porque não?- até com certo prazer. Terror psicológico simples.
Filme adulto, sem ganchos e reviravoltas mirabolantes. Tudo se desenha na nossa frente sem grandes surpresas, mas o impacto, aquela sensação desagradável persiste o tempo todo e perdura após o término do filme. E ele pertence única e exclusivamente a Portman. Denso , mas acessível. E acho que tem que ser muito intelectualzinho de quinta criticar Black Swan por causa disso.
Ainda tem o plus de ver Winona Ryder como a ex primeira bailarina, assumindo uma decadência que confunde-se com a própria carreira da atriz.
Quanto a Mila Kunis, bom, a gente realmente acredita que a moça possa roubar o papel e a sanidade de Nina.
Ser louco é ser livre, minha gente? Pode até ser um conceito caro aos Sartrianos, mas na verdade ser louco é padecer em praça pública, taí Nina que não me deixa mentir!
Comparando aos outros concorrentes, acho Black Swan infinitamente melhor do que o superestimado The Social Network. Se é para ganhar filme careta no Oscar, que o rei gago faça as honras, Colin Firth vale!
Foto: Reprodução.

















Em sua quinta obra como diretor, Paul Thomas Anderson vem novamente provar seu domínio da linguagem do cinema numa obra-prima, centrada em um figura que beira o horror. Acompanhamos a história de Daniel Plainview, um dos primeiros barões do petróleo, no início do século passado. Sem muito o que contar sobre seu passado, somos introduzidos ao personagem numa cena muda de quase 15 minutos, em que Daniel busca solitário por preciosidades em uma mina. Após sofrer uma queda e quebrar a perna, ele é obrigado a voltar arrastando-se por vários quilômetros. Sua primeira precaução, antes mesmo de visitar um médico, é certificar-se que a pedra encontrada era valiosa. E quando é confirmado que seu esforço valeu a pena, Daniel ainda consegue abrir um sorriso triunfal. Isso já parece o suficiente para caracterizar o isolamento de Plainview, mas o que vimos a partir daí é a dura jornada de quase 3 décadas de um homem tentando sobrepujar o mundo onde só enxerga o pior.
Pela sua importância como combustível, o petróleo é o que move nosso mundo e, através de seu desprezo pela humanidade, também move Daniel Plainview. Assim como no descontrole de sua extração, a personalidade de Plainview também está prestes a entrar em erupção a qualquer momento, causando destruição e deixando vítimas. Ele é apenas uma pequena amostra do que as grandes empresas e até os governos são capazes quando também tem o "sangue negro" correndo em suas veias. É isso que dá um caráter crítico e universal ao filme, alcançando além de seu realismo, um espetáculo cinematográfico.
"Sangue Negro" é um filme que atinge o ritmo certo, com elegantes passagens de tempo e sempre com cenas relevantes e de profundo significado. Feito para brilhar no papel principal, Daniel Day-Lewis tem sua melhor atuação da carreira ao conferir a segurança de Plainview, mas sempre deixando o espectador instigado com sua inesperada próxima ação. Já Paul Dano é subestimado em mais um de seus papéis, encarnando de forma convincente todos os sermões do jovem pastor Eli Sunday.





