Mostrando postagens com marcador Série - House. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Série - House. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de setembro de 2010

[House] Por que "House" ficou ruim?

(Texto contêm SPOILERS de todas as seis temporadas da série)





Ano passado me comprometi a escrever sobre a 6ª temporada de “House” e falhei miseravelmente, comentando apenas os três primeiros episódios. Os motivos foram vários, mas um deles sem dúvida foi a total falta de estímulo com uma série cada vez menos interessante. Foi uma temporada fraca, de poucos momentos memoráveis, que curiosamente teve um episódio final muito bom, embora com uma conclusão nada promissora.

Não acredito que “House” volte aos bons tempos de suas primeiras temporadas. Tentarei resumir aqui o percurso que a série fez e quais motivos vejo como responsáveis pela baixa qualidade atual. Por isso, também não tentarei escrever sobre a nova temporada que começa esta semana. Não faz sentido, para mim, reclamar das mesmas coisas a cada novo episódio, ou citar as boas piadas, descrever o caso da semana e rir do último comportamento inusitado de House. Vários blogs farão isso melhor que eu. Mas escreverei sobre esta sétima temporada quando achar que devo.

Segue o (um pouco extenso) resumo crítico da série:


Autores de séries de TV sempre passam por conflitos que ultrapassam as histórias que criam: a recepção da audiência pode alterar em muito os planos originais. Se a série faz sucesso, pode se estender e resultar em tramas que não estavam previstas para acontecer (Prison Break); pode ultrapassar o material que lhe deu origem e seguir com suas próprias pernas (Dexter); os fãs podem até mesmo serem responsáveis por todo o fio condutor de um ano inteiro (a 3ª temporada de Nip/Tuck). E ainda tem os problemas diversos que podem surgir com o passar dos anos, que podem mudar as tramas de forma irreversível, como brigas e confusões no elenco (Lost, Grey’s Anatomy) ou mesmo a morte inesperada de um ator (The Sopranos).

Os autores de House passam pelo conflito mais interessante. Não só porque este conflito se renova a cada nova temporada, mas porque diz respeito à própria natureza da série, estrutura e protagonista: a necessidade de mudança e evolução naquilo que fez sucesso exatamente por não mudar e não evoluir.

É incrível o sucesso das primeiras temporadas de "House." Numa época em que as mais aclamadas e prestigiadas séries de TV exigem cada vez mais atenção e dedicação do telespectador, "House" adota uma estrutura clássica que permite que qualquer pessoa veja seus episódios sem necessidade de um acompanhamento rigoroso. Você pode ver um episódio qualquer da primeira temporada e depois ver outro do ano seguinte que não se perderá.

A estrutura quase sempre é a mesma: alguém manifesta um terrível sintoma na abertura do episódio (e com o tempo os roteiristas começarão a brincar com nossa expectativa sobre quem será o acometido da vez), o Dr. House e sua equipe tiram algumas conclusões precipitadas, tratamento é realizado, há uma piora considerável, diagnósticos são discutidos, paciente apresenta sintomas cada vez mais inusitados, novos diagnósticos, e acaba com House descobrindo a solução do problema, normalmente com uma epifania que surge de algum diálogo prosaico com um dos personagens. Os episódios funcionam como elegantes quebra-cabeças, como uma boa história de detetive, onde House usa a lógica de um Sherlock Holmes (são vários os aspectos na série que fazem alusão ao personagem de Conan Doyle) e nos entretêm com o processo investigativo.

Junta-se a isto a própria personalidade do protagonista, razão maior do sucesso da série. Grosso, mal educado, sarcástico e extremamente desagradável, Gregory House se tornou um dos maiores ícones culturais deste século. O personagem fascina tanto porque o incômodo que ele causa é na ordem moral das coisas. Ele não se importa para ideias pré-concebidas sobre o que é o Bem. Tão pouco pode ser visto como uma pessoa má. Se a moral dita em quê devemos acreditar, pensar e fazer, House não está inscrita nela, pois pensa e age de acordo com o que considera certo para aquela situação específica. Não há o Bem e o Mal em si. Com isto, implica que House acaba por não respeitar as normas de boa convivência e, livre das amarras que todos, um dia ou outro, já desejaram se libertar, cria esta enorme admiração que o mundo todo tem pelo personagem (pesquisa em 2008 apontou a série como a mais vista do planeta).

E então, por praticamente três temporadas a série funciona maravilhosamente bem se sustentando na força do seu personagem (sempre impressiona o brilhantismo dos diálogos, aliando humor e discussões filosóficas; e a atuação/presença de Hugh Laurie) e na estrutura dos roteiros que, para compensar o engessamento, nos traziam casos médicos incríveis.

Infelizmente, isso parece não ser suficiente para os autores (e espectadores?) que, aos poucos, começam a “movimentar” tramas e personagens, provavelmente pensando no bem e na verossimilhança de uma lógica narrativa e psicológica que pede por evolução constante. Esta lógica, que não deveria fazer parte da série, exige, por exemplo, que Dr. House não pode fazer tudo o que faz sem alguém que questione seus atos. E já na primeira temporada temos um novo diretor na Clínica que dificultará seu trabalho. No terceiro ano, teremos um policial que fará a vida do protagonista um inferno. Não por acaso, os episódios que envolvem estas tramas são os mais fracos até este ponto.

Mas o grande tiro no pé vem ao final da terceira temporada: na lógica “psicológica”, não parece mais ser aceitável que a equipe de House permaneça daquela forma, e então Foreman pede demissão, Chase é demitido e Cameron toma as dores de todo mundo e pede as contas. House começa o ano seguinte sozinho e a ideia aí (boa, aliás) é que mesmo ele precisa de um outro para fazer o que faz melhor. Na premiere da quarta temporada, House até pede a um faxineiro da Clínica, para especular possíveis diagnósticos para a paciente da semana.

O que temos em seguida é a escolha da nova equipe, com episódios bem divertidos, principalmente pela possibilidade de House conhecer, e provocar ao máximo, médicos com as mais diversas personalidades. E ainda demitindo-os, um a um. O mais interessante talvez seja a eliminação do melhor deles, um senhor que descobrimos depois que sequer tem licença médica. Claro que isso não seria um motivo pra House, e a justificativa é que eles pensam de uma forma muito parecida. É algo que está bastante presente na série: precisamos de um outro, sim, mas para que nos complete pela diferença e não pela semelhança.

Embora seja prazeroso acompanhar este arco da série, traz conseqüências desastrosas que duram até hoje: a contratação de Thirteen, Taub e Kutner só fez descentralizar e tirar de foco ainda mais o que sempre interessou na série, ou seja, House e as investigações médicas. Isso porque os novos médicos tornaram-se substitutos dos anteriores apenas na equipe de diagnóstico, com os autores da série incapazes de se livrarem de Foreman, Chase e Cameron. O resultado disto é que, a partir daí, os roteiristas passam a lidar com um grupo maior de personagens, arranjando dramas pessoais para cada um deles. E tome-lhe doença degenerativa para Thirteen, casamento problemático para Taub, romance entre Foreman e Thirteen, etc. E com isso, cada vez mais freqüente o péssimo recurso de fazer um paralelo entre o paciente da semana com os dramas vividos por um dos personagens. A série que fazia sucesso com uma fórmula simples começa a dar espaço para elementos que pouco importam.

Enquanto a estrutura vai sendo corrompida, o protagonista vive seu próprio dilema existencial. Porque se House é o desordeiro, que causa mal estar, ele precisa ser domesticado, se adequar à norma. O grande desafio dos autores da série está em colocarem seu protagonista em verdadeiras provas de fogo, mas fazê-lo passar ileso, sem mudanças. House não pode mudar, porque se deixar de ser House, qual seria o sentido da série?

No entanto, na lógica que impera, tramas e personagens precisam se desenvolver, evoluir. E é neste paradoxo que a série se enfiou, com situações que mobilizam House cada vez mais. Um investimento exagerado na relação entre ele e Wilson (final da quarta temporada), no vício de vicodin (final da quinta temporada), no interesse amoroso por Cuddy (as duas últimas temporadas). Tudo forçando uma mudança em House que nunca vem. E nem poderia.

O problema é que se quer seguir uma suposta verossimilhança, inserindo falsos dramas, pois logo a série retorna ao seu status quo. Basta lembrar que toda a baboseira psicológica vista na premiere da sexta temporada (“Broken”, criticado negativamente aqui) é ignorada pela série por quase 20 episódios, sendo retomada apenas na reta final para resultar no mote deste novo ano (House e Cuddy se amando). House não mudou nada no sexto ano e os episódios só não foram tão bons por conta do excesso de personagens, conforme já discutido (e uma dose de humor “over”, onde o marco talvez esteja na quarta temporada no episódio em que um paciente “mimetiza” a personalidade de quem está por perto). Tanto que o melhor episódio da temporada foi mesmo o finale “Help Me”, onde temos apenas o protagonista durante todo o tempo, mostrando que a série não precisa de mais nada.

Por tudo isto, a série deixou de ser aquele entretenimento inteligente das primeiras temporadas e virou um pastiche de si mesma. Era original usando o mais simples e banal dos formatos, e passou a ser apenas mais um entre vários dramas que investem em romances e relacionamentos complicados, por conta de uma necessidade (inventada) de evolução e desenvolvimento de personagens. Justo “House”, a série cujo protagonista nunca foi fã de convenções.




Hélio Flores
twitter.com/helioflores

sexta-feira, 4 de junho de 2010

[Podcast] Episódio 2 - 'Letting Go'

Para dar uma conclusão digna ao final de Lost, reunimos grande parte dos comentaristas do blog para uma conversa especial sobre o impacto desse desfecho. Participaram desta gravação Marcelle, Célia, Hélio, Fuzii, Allan e Rafael, discutindo o próprio episódio final e toda repercussão vista na última semana. Além disso, consideramos também as chances de Lost receber indicações ao Emmy por essa última temporada. Confira:

Duração: 1h20. [Download]

Marcelle e Hélio avaliam também a sexta temporada de House a partir de seu episódio final.

Duração: 24min. [Download]

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

[House] 6x03 "The Tyrant"

Por Hélio Flores





Estou atrasado com o comentário do episódio da semana, então vou ser rapidinho nesse porque logo mais à noite tem mais um.


Enquanto "House" tenta voltar aos eixos, fico me perguntando quantas pessoas ainda se interessam por aquilo tudo. Curiosamente, gostei de "The Tyrant", o melhor da temporada. Mas não deixa de ser estranho que estes dois últimos episódios tenham focado em personagens secundários (no anterior, Foreman & Thirteen, neste, Chase & Cameron), quando o season premiere deixou muito claro o que todos já sabiam: que a única razão pra se ver a série é House.


Mas o que importa é que o protagonista volta aos poucos à sua velha forma. A melhor parte do episódio, de longe, foram as gozações com Foreman, que House (ainda meio depressivo) fez questão de sacanear antes que volte a chefiar o departamento de diagnósticos - e a lembrança do motivo de ter contratado Foreman, citado no piloto da série, foi mais um toque legal. Também gostei do episódio porque desde o final da quinta temporada, a série tem mostrado como faz falta a equipe original. Esta reunião, aparentemente ilógica, foi sustentada pela importância do paciente.


Falando nisso, a discussão ética também foi um retorno aos bons tempos da série, passando longe daqueles pacientes chatos das últimas temporadas que serviam mais para ilustrar problemas pessoais dos médicos - e isso é coisa de Grey´s Anatomy, não de House. Alguns podem até dizer que foi forçado e óbvio, mas o drama foi focado em Chase, que sempre foi meu favorito da equipe de House, então tudo bem. Só espero que não insistam no que aconteceu (que criou um vínculo entre Chase e Foreman) ou que seja este o pretexto pra saída de Cameron.


No mais, foi um episódio que me deu esperanças de que House tenha passado por "Broken" sem muitas consequências, com direito a uma condição de Cuddy que ele adorou: sem contato com os pacientes. Houve ainda uma trama paralela envolvendo o vizinho de Wilson, mas a cena em que House resolve o problema da dor do cara é uma coisa tão constrangedora, que prefiro nem comentar.


Esperemos mais melhorias.




/helioflores

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

[House] 6x03 "Epic Fail"



Após o telefilme que deu início à sexta temporada, “House” volta a sua estrutura convencional, com o paciente da semana aparecendo apenas no finalzinho do longo prólogo, queixando-se das mãos. Abusar das cenas do game só não foi inteiramente ruim porque acabou sendo pretexto para a boa montagem na sequência em que o paciente alucina na entrada da clínica.


Não foi dos casos mais interessantes, e nem poderia, com tantas outras coisas acontecendo, mas o lance da internet, embora conveniente, foi uma amarra bem feita para o roteiro. E melhor ainda, não houve drama servindo de metáfora ou referência para algum problema pessoal de Taub ou Thriteen.



E já deixando o caso de lado, passemos para o essencial: o que aconteceria com House depois do (pra mim) famigerado season premiere? Ele pede demissão, acha que o trabalho lhe faz mal e, a conselho do Dr. Nolan, vai praticar um hobby com Wilson (culinária) para que a dor de sua perna vá embora.


O melhor desta história foi ver pequenas doses do House de sempre, sacaneando Wilson e Cuddy com a história da urina de cachorro, usando sua lógica e sarcasmo com Thirteen (que lhe pede ajuda para lidar com Foreman), resolvendo o caso, num final previsível, mas eficaz.


O pior foi deixar o departamento de diagnóstico nas mãos de Foreman, comprovando que, sem o protagonista, todo o resto é irrelevante. Não sei se há muitos fãs da série que se importam com Foreman, mas o fato é que seus dilemas em seguir ou não o método de trabalho de House já foram explorados no início da quarta temporada (quando ele se demitiu e arranjou emprego parecido em outra clínica) e aqui só não foi inteiramente ruim porque, pra minha surpresa, seu relacionamento com Thirteen não foi explorado de forma irritante como na temporada anterior. Ousaria até em dizer que os dramas foram genuínos e bem trabalhados, mas eu realmente não me importo com esses personagens. Ao menos não foi ofensivo – com exceção da demissão de Thirteen ao final, decisão equivocada e de enorme egoísmo por conta do personagem, que só o torna mais antipático.



Foi um episódio de transição, preparando o terreno para o retorno de House e, embora eu não esteja gostando dos rumos que a série tomou, fica a expectativa de como irão se resolver as demissões de Taub e Thirteen, os papéis de Foreman e House no departamento e, principalmente, que tipo de protagonista teremos na relação com os colegas de trabalho e com os pacientes. O melhor que se poderia tirar daí é humor com as reações dos personagens diante de um House “melhorado”. Mas a esperança é que tudo volte a ser como era antes, o mais rápido possível.


Mais o quê?

- Paciente: “Erros médicos chegaram a 30% este ano”. Taub: “Deveria checar a taxa de erros dos pacientes”. Se os roteiristas não tivessem perdido tanto tempo com dramas pessoais de Taub, ele seria um bom personagem, ao invés de irritante. Seu mau humor e ironia me divertem.


- Semana passada confirmaram a saída de Jennifer Morrison da série. Pela pouca atenção dada a Cameron desde sua demissão no fim da 3ª temporada, não dá pra culpar a atriz. E eu tinha esperanças que ela e Chase voltassem a integrar a equipe.


- Cecile (sobre Cuddy): “Se ela é uma missionária, por que se veste como uma prostituta?” House: “Me referia à posição”. Missionária, claro, é o nosso velho e conhecido papai-mamãe lá nos EUA. Bom saber que House continuará o sacana de sempre.


- Eu ficaria extremamente ofendido com Taub e Thirteen invadindo o local onde se elaborava o game (que deveria ter segurança redobrada), se toda essa história de invasão não exigisse uma tremenda suspensão de descrença desde o início da série. Foi ruim apenas pelos motivos de sempre (pretexto para discussão chata dos dramas do episódio).


- Andre Braugher foi tão elogiado pelo season premiere, que voltou mais uma vez no papel do Dr. Nolan. Tudo indica que ele ficará mais um tempo, com House fazendo terapia (ugh!). Até o dia em que nosso protagonista se encha dele.


- A Thirteen não fica tão mais agradável quando sua doença sequer é mencionada?



Hélio Flores.
http://twitter.com/helioflores

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

[House] 6x01-02 "Broken"

Tarefa ingrata essa a minha, que é de falar mal do primeiro episódio de “House” que escrevo para o blog. Especialmente quando parece haver um consenso de que o season premiere da sexta temporada seria um dos melhores episódios de toda a série. Bom, não é.

Pra sermos justos, nem se trata de um episódio, já que os 90 minutos de “Broken” funcionam mais como um especial da série, levando o protagonista a outro ambiente, sem a presença dos demais personagens regulares, totalmente distante da estrutura narrativa a que estamos acostumados. “Broken” é um telefilme. E como boa parte dos telefilmes, é simplista e recheado de clichês usados à exaustão para resolver conflitos e levar um personagem do ponto A ao ponto B (no caso, protagonista resistente à internação passará por mudança e aprendizado forçados, chegando ao ponto de aceitar tratamento e ficar bem).

O problema mais grave está relacionado ao que escrevi no post anterior sobre a série: em cinco anos, vimos inúmeras tentativas de fazer com que House se tornasse mais “humano” (ênfase nas aspas, por favor), e tudo em vão, felizmente. Pois os autores tiveram a audácia de trazer todas as mudanças de uma vez só. Em “Broken”, vemos House compartilhando momentos íntimos com uma mulher como nunca antes; House chora; House pede desculpas; Arrepende-se e se sente perdido. Tudo o que eu temi por cinco temporadas acontece em meros 90 minutos.

Como se isso não bastasse, o episódio faz parte do gênero “filme de hospital psiquiátrico”, com todo estereótipo envolvendo a loucura a que se tem direito. House facilmente identificando os transtornos mentais de cada um dos pacientes, infernizando-os depois ou jogando-os contra a equipe médica, não incomodaria tanto se ao menos fosse engraçado.
E que tal Alvie, o colega de quarto do protagonista? Falastrão, agitado e rapper, Alvie não demonstra um único sintoma durante todo o episódio, nenhum sofrimento ou transtorno. No entanto é ele quem protagoniza aquela constrangedora cena ao final, ao ver House indo embora, de que quer melhorar também e aceita tomar remédios. E sobre medicação, há implicações éticas que acho que não vale à pena discutir neste espaço. Basta dizer que a série vende a idéia de que House “melhorou”, em parte porque aceitou tomar medicamentos que, aparentemente, trazem felicidade.

Idéias melhores foram vendidas, mas que pecam pela execução. Vejam, por exemplo, a trama envolvendo o paciente super-herói e a paciente muda. É louvável a defesa de que as pessoas deixam de sofrer quando fazem conexões saudáveis umas com as outras (House guiando o super-herói na cadeira de rodas, que entrega a caixa de música à paciente muda). O problema é que, com a estrutura de telefilme, tudo se resolve da forma mais simples e boba possível. Ou, como disse alguém em um fórum, que tal da próxima vez a paciente pedir a caixa de música para uma enfermeira no primeiro dia de internação, ao invés de ficar muda por 10 anos esperando que alguém adivinhe o que ela quer?

Até fico espantado com os elogios que este episódio ganhou. As pessoas não se incomodaram com resoluções como esta? Ou com Alvie querendo ficar melhor? Com o psiquiatra decidindo por House que ele tem problemas a serem tratados com terapia e remédios? Com a infantilidade do protagonista, que foi TUDO, menos brilhante como estamos habituados, com visão de mundo e filosofia de vida bem peculiares, que sempre questionou os padrões de normalidade instituídos, padrões estes reforçados pelo psiquiatra? E que tal a sequência envolvendo o pai do psiquiatra, completamente sem sentido e lógica interna, ali unicamente pra arrancar um pouco mais de emoção?
Gostando ou não de “Broken”, parece marcar um momento de virada na série. Até que ponto as mudanças em House vão transparecer em seu trabalho? Como administrar essas mudanças, mantendo o que faz a alegria de tantos fãs (a grosseria, o sarcasmo, a frieza)? Gostaria muito que os autores passassem por cima do que vimos nesta internação do personagem e deixasse as coisas como estavam. Talvez fosse incoerente, mas o que foi coerente neste season premiere?

Mais o quê?

- No início do episódio, quando House entra na sala do psiquiatra, imaginei que a médica que conversava com ele fosse Amber. Na verdade, passei a metade do tempo pensando em como a Dra. Beasley parecia uma mistura de Amber com Cameron. Estou viajando ou foi proposital?

- “Preciso que você investigue uma placa de carro pra mim” “Por quê? Houve um acidente de carro no seu andar?” Sempre achei que Wilson merecia um ator melhor que Robert Sean Leonard, mas gosto das reações dele às sandices de House.

- Não sei se foi a intenção, mas a cena dos pacientes no “show de talentos” pareceu referência direta a “Titicut Follies” (1967), clássico documentário de Fred Wiseman que retrata o descaso de uma instituição psiquiátrica com seus internos.

- Plano final do episódio é House em um ônibus, com a câmera se afastando lentamente. Imaginei que mostrariam Amber ao seu lado. O que não seria tão ruim em vista do que aconteceu neste episódio.

- Por mais que o episódio mostre o contrário, gostaria muito que o título deste season premiere tenha feito referência ao final da jornada. House está quebrado agora, após ter sido normatizado. E a sexta temporada será o resgate do velho doutor que conhecemos. É pedir demais?

Hélio Flores.
http://twitter.com/helioflores

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

[House] Nova Temporada, Novo Comentarista





Hoje começa a sexta temporada de “House” e farei os comentários a partir desta semana. O Alan, que era o comentarista oficial, desistiu depois que a série se tornou algo como “House & Thirteen – Uma Dupla Muito Louca”, então aceitei o desafio, acreditando que esta fase ruim já passou.


De fato, a quinta temporada foi o pior momento da série, ao dar atenção demais a personagens secundários que não mereciam atenção nenhuma. Mas os últimos episódios ameaçaram um retorno à boa forma, com o resgate progressivo de Cameron e Chase ao mesmo tempo em que tenta se livrar da equipe médica atual, ignorando, inclusive, a doença de Thirteen. Críticos americanos que tiveram acesso ao season premiere de hoje garantem que vem coisa boa por aí, impressão que já se tinha desde a reviravolta do último episódio (menos pela reviravolta em si e mais pelas possibilidades que surgem).


Este post é apenas uma apresentação de como eu vejo a série, sobre o que me atrai nela e que tipo de comentário vocês encontrarão aqui.


Sou da turma que considera “House” um dos mais brilhantes programas da televisão. Ao contrário de séries como “Deadwood”, “Sopranos” ou “Mad Men”, não é sua intenção ousar na narrativa, flertar com a linguagem cinematográfica ou fazer do ato de filmar uma experiência complexa e estimulante, e aprofundar em personagens tridimensionais. O brilhantismo de “House” está em lidar com a linguagem televisiva da maneira mais simples e direta possível, sem deixar de ser inteligente e divertida.


Todo mundo já conhece a estrutura “camisa-de-força”: paciente apresenta sintomas inusitados, House e sua equipe tentam encontrar diagnóstico, quadro do paciente se complica e mistério se desvenda no último minuto (na maioria das vezes, uma “iluminação” repentina do protagonista). Roteiro e atuações, portanto, precisam ser mais do que afiados. Ou seja, as molas mestras de qualquer show televisivo que se preze (pra dirigir os episódios, qualquer diretor padrão da indústria).


A essa altura, nem é preciso comentar como a série se estrutura em histórias de investigação e mistério (os amigos House e Wilson sendo referências óbvias a Holmes e Watson) guiadas por um protagonista fascinante pela combinação de fatores (ele é brilhante, sarcástico, hilário, cruel, mal humorado, grosseiro), que tem Hugh Laurie numa dessas atuações de ficar para a história da humanidade.


Mas o que mais me fascina é como os autores vêem e tratam as questões que abordam. Através de seu protagonista, questionam o mundo e suas verdades à nossa volta. Não há espaço para moralidades, o Dr. House está ali para negar o que é instituído, o que é considerado normal e padrão. E tudo com muito humor fino e rápido. O moralismo também passa longe: enquanto em outra série médica como “Grey´s Anatomy”, pode se extrair humor de médicos envergonhados porque viram uma colega de trabalho nua, ou porque um paciente só aplaca sua dor com filmes pornográficos, em “House” a nudez ou o sexo não são motivos de vergonha (um paciente adolescente tem um orgasmo diante da Dra. Cameron, que trata o incidente com a seriedade que deve ser – a piada vem depois, com House, obviamente, mas longe de passar pelo embaraço ou coisa parecida).


É a forma de lidar com esse tipo de coisa, ou com questões mais sérias, que faz de “House” uma série especial. É ser inteligente e afirmar uma postura ética (e não moral) diante do outro, ao mesmo tempo em que diverte pelo humor, surpreende pelo mistério, encanta pela relação que o protagonista mantém com os demais personagens, tudo marcado com alguns dos diálogos e sacadas mais espertos da TV atual.


Infelizmente, com o sucesso enorme da série, os autores parecem ter sentido uma necessidade em “avançar” a trama. Parece uma exigência de mercado que House mude, tenha romances, que os coadjuvantes participem mais ativamente da história, enfim... que haja movimento. Mas o melhor para “House” seria um eterno presente. Novo paciente, novo mistério, investigação divertida, algumas discussões interessantes sobre o tema em questão, resolução da trama e pronto. Até semana que vem para um novo episódio.


Não que tudo que tenha mudado se tornou um desastre. Uma grande qualidade da série é ter feito Dr. House passar por diversas situações e sair ileso delas, sem mudanças na sua peculiar personalidade. E não foi coisa fácil. E se as tramas que envolvem um personagem que quer destituir o protagonista de seu trono (o diretor da clínica na 1ª temporada, o policial da 3ª) são as menos interessantes da série, a formação da nova equipe médica na 4ª foi uma das coisas mais engraçadas, descabidas e non-senses que já realizaram. Não é que sair da estrutura regular da série seja ruim. Mas sempre temo que House irá ceder, se tornar mais amistoso, compreensível ou qualquer coisa do tipo. E normalmente com dramas e histórias que desviam o que a série tem de melhor e só não se torna apenas mais uma série médica como tantas outras por conta de seu protagonista.


A atenção dada a Thirteen e Foreman na temporada passada, ou o excesso de tentativas em relacionar os dramas de coadjuvantes com as dores dos pacientes fez deste o pior momento da série. E House delirando em mais um season finale também não foi uma solução das mais criativas. Mas o fato é que, por pior que seja, é sempre possível se divertir com o protagonista, sua lógica e sarcasmo. E agora ele está de volta. E internado.


Não sei ainda se criarei um padrão para os comentários. Não serão tão longos como esse post, talvez eu destaque alguns diálogos e certamente não vou me ater ou sequer falar sobre a doença e os sintomas em questão. Mas pelo menos tentarei ser rápido e postar o mais breve possível após o episódio ir ao ar.



Hélio Flores.
http://twitter.com/helioflores

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

[Fast News] Dancing With Stars, House...

ÉÉÉÉÉÉ DO BRASIIIIIIL, meu povo. O piloto de fórmula Indy , Helio Castroneves, foi o vencedor da edição do Dancing With Stars, aquele programa americano brega que chega até a ser cult, com estrelas da segunda divisão.

Hélio mostrou a magia, a malemolência e o ziriguindum do povo brasileiro. Não teve para a Spice gordinha Mel B, a moça, que leva a vida dançando, rá, perdeu playboy!


Reprodução Séries e Etc.

--------------------------------------------------------------

Nós, Hamerons, até queremos que isso aconteça logo para liberar o nosso querido doutor.A Dra. Cuddy, interpretada pela atriz Lisa Eldstein, em House, acha que ainda nesta temporada, vai rolar algo mais entre seus personagens.

Que role, cara Lisa, mas House pertence a Cameron. COTTON CANDY! Go Hameron, GO

--------------------------------------------------------------
Para quem gosta da série Chuck, boa notícia, ela ganhou temporada completa!

Fonte: Ausiello

---------------------------------------------------------------
Pushing Daisies, a minha série xodó, foi nomeada como "Melhor drama novo" pela People´s Choice Awards, junto a Pushing, concorrem:Big Shots; Bionic Woman; Cane; Dirty Sexy Money; Gossip Girl; Journeyman; K-Ville; Life; Life Is Wild; Moonlight; Private Practice; Women’s Murder Club.

Quer votar em Pushing Daisies? Aqui!



Danielle Mística