domingo, 16 de novembro de 2008

[True Blood] Primeira Temporada

Esse post é longo: comentários dos primeiros dez episódios da nova série da HBO "True Blood", criada por Alan Ball, roteirista vencedor do Oscar por "Beleza Americana" e criador de uma das grandes séries de todos os tempos, "A Sete Palmos". A série é sobre vampiros e tem feito a cabeça de muita gente com uma abordagem mais séria dos seres mais amados do mundo do Terror.



Há bastante sangue e mortes, como deveria ser, mas o que importa é o retrato de um mundo em que a existência desses charmosos mortos vivos interfere diretamente na vida dos seres humanos, que no fim das contas continuam os mesmos, intolerantes ao que é diferente, curiosos e sedentos por sexo, tentando buscar conforto nas drogas e na religião para seus demônios pessoais.



Os comentários abaixo são breves e tentei evitar spoilers ao máximo. De qualquer forma, se você não conhece a série, sugiro que veja primeiro. Há quem não goste dos primeiros episódios, por achar que "True Blood" flerta descaradamente com o trash, mas o conceito e a proposta da série ficam claros pra mim desde seu início. Inclusive com a bela abertura, a melhor elaborada desde "Dexter": o estranhamento causado por imagens desconexas que nos remetem a sexo, violência, rituais religiosos e lutas pelos direitos civis, ao som de "Bad Things" de Jace Everett, mostra que não estamos diante de uma série qualquer.



Vejam e tirem suas próprias conclusões:









1x01 - Strange Love (Piloto)

Pilotos sempre são episódios difíceis: os autores da série precisam estabelecer conceitos, apresentar personagens, criar algo na trama que faça com que o espectador retorne para os episódios seguintes; atores nem sempre acham o tom certo para seus papéis, etc. Nesse sentido, o piloto de “True Blood” tem mais acertos do que erros. Todo o conceito é bastante interessante e ele já nos é apresentado antes mesmo dos créditos iniciais quando ficamos sabendo que os vampiros não só existem como lutam por direitos de convivência com os humanos. Algo possível apenas porque foi criado um sangue sintético que alimenta os mortos vivos sem que haja a necessidade de fazer dos humanos suas vítimas. Com uma representante dos vampiros em rede nacional defendendo seus direitos, impossível não pensar nos X-Men e sua luta pela aceitação dos mutantes. Ou seja, a série estabelece desde já uma tensão entre raças diferentes que obviamente trará discussões sobre diferenças e preconceitos. Os créditos iniciais também deixam isso claro, trazendo imagens estilizadas que nos remetem ao sul dos EUA (onde a discriminação contra os negros sempre foi maior), local onde a série se passa. Os créditos, aliás, fazem um belo apanhado que nos remetem a sexo e violência, elementos igualmente explorados neste primeiro episódio, flertando muito com os gêneros trash e gore que fazem a alegria de muitos fãs de filmes de terror. Os efeitos especiais são toscos e a oscilação por esses gêneros talvez seja o aspecto mais crítico do piloto, certamente afastando muitos espectadores, mas o estranhamento (possivelmente até pela dificuldade em já determinar um tom para a série) me pareceu positivo. Junta-se a isto a protagonista Sookie Stackhouse (vivida justamente por Anna Paquin, de “X-men”) que, apesar de humana, não é nada comum, tendo o dom de ler pensamentos. É a relação de Sookie com um vampiro que chega na cidade onde ela mora, o cerne da série, que nos apresenta fatos sobre a realidade abordada de forma tranqüila e aos poucos. A série ainda traz outros personagens, mais interessantes (o engraçado irmão de Sookie que logo de cara se mete num grande problema) ou menos (a melhor amiga da protagonista, um tanto “engraçadinha” demais cuja atriz não tem o timing necessário). No final, uma situação bem ruim para a protagonista, mas não muito original, onde já sabemos o que irá acontecer. Para um primeiro episódio, era necessário algo mais impactante. Ainda assim, estimulou o interesse pela série.

1x02 - The First Taste

Após no primeiro episódio Sookie descobrir que não pode ler os pensamentos dos vampiros (o que torna Bill ainda mais fascinante para ela), é a vez de Bill descobrir que o poder de hipnose dos vampiros não funciona em Sookie. Uma das coisas que mais me agrada neste início de série é como a mitologia dos vampiros e as características dos protagonistas são entregues em pequenas doses, a depender da necessidade da trama. Aos poucos vamos percebendo que tudo que já conhecemos sobre vampiros está lá, inclusive o fato de que só podem entrar numa casa se forem convidados. Também aos poucos ficamos sabendo a relação dos familiares e amigos de Sookie com seu dom, além de rápidos flashbacks elucidarem algumas questões. Mas enquanto o relacionamento de Sookie e Bill se intensifica, o maior interesse fica por conta do crime envolvendo Jason, cuja resolução é surpreendente e engraçada. Também estabelece um mistério que deve ser central nesta temporada. Um episódio com menos elementos trash que o anterior, explorando também a tensão que causa a presença de um vampiro dentro de casa e aproveitando ao máximo situações “reais”, caso realmente os vampiros existissem: o interesse da avó de Sookie em uma pessoa tão velha que possa contar sobre a Guerra Civil, e a irritação de Tara por Bill ser uma prova “viva” de uma época em que os negros eram escravizados. Para completar, o episódio explicita o aspecto “sangue” da série: se já sabíamos desde sempre da importância do sangue humano para os vampiros, agora ficamos sabendo porque Mack e Denise queriam o sangue de Bill – não só é um potente estimulador sexual para os humanos, como é capaz de cicatrizar rapidamente ferimentos graves e aguçar os sentidos.


1x03 - Mine

Sookie tem o desprazer de conhecer alguns amigos vampiros de Bill, sendo um deles o homem que Jason conhece do vídeo de Maudette. Nesta seqüência, mais uma descoberta: uma certa Hepatite D é a única doença que afeta os vampiros, deixando-os fracos e à mercê dos humanos. O episódio é o mais próximo até agora do que fãs de Alan Ball esperam do criador de “A Sete Palmos”: lento, apostando em muitas cenas de diálogos que constroem relações entre personagens e nos dá a oportunidade de conhecê-los melhor. Não que as conversas tenham sido brilhantes, mas “True Blood” começa a ter um rumo mais distante do terror trash que parecia seguir. Ainda assim, continua um divertido flerte com o nonsense, em especial quando a série foca em Jason, como quando ele é expulso da casa de Dawn à base de tiros ou a forma como consegue de Lafayette um pouco de sangue de vampiro. Um bom episódio que com narrativa lenta vai desenvolvendo situações que certamente terão relevância no futuro. E como os dois episódios anteriores, este acaba com Sookie em mais uma situação delicada, desta vez enfatizando o que já sabíamos: um possível serial killer ronda a cidade. Humano ou vampiro?


1x04 - Escape From Dragon House

Um episódio mais coeso, que equilibra bem humor, mistério e tensão. Finalmente conhecemos o bar para vampiros, Fangtasia, já mencionado por Maudette e Dawn em episódios anteriores. Sookie e Bill vão até lá para tentar descobrir alguma pista sobre o verdadeiro serial killer e livrar a cara de Jason. O bar, como não poderia deixar de ser, é um antro de sexo e alguma violência, onde humanos buscam saciar suas fantasias mais perversas com vampiros. Conhecemos Eric, dono do bar e o vampiro mais antigo do local. Personagem misterioso, acho que o episódio falha apenas em fazê-lo assustador, já que o ator Alexander Skarsgard não faz uma caracterização das mais interessantes. A idéia de vampiros vivendo entre nós rendeu mais situações curiosas, como quando Bill pede O Negativo no bar e a garçonete responde que só está tendo A Positivo. O episódio ainda traz a inusitada (e dolorosa) conseqüência de Jason ter tomado uma enorme dose de V (sangue de vampiro), além de colocar Sam no centro das atenções em relação ao assassinato de Dawn. O fato de Sookie poder ler pensamentos pode trazer dificuldade para os roteiristas: mesmo com a promessa que ela faz de evitar ler pensamentos de amigos e parentes, é incômodo aceitar que ela não faça isso quando o irmão corre o risco de ser preso. E ficou claro que ela percebeu que Sam tem a chave da casa de Dawn, o que no mínimo o torna suspeito. De qualquer forma, por enquanto é aceitável. Vamos ver como isso se sustentará durante a série.


1x05 - Sparks Fly Out

Finalmente o grande evento ocorre. Bill vai discursar na igreja local, falando sobre sua experiência na Guerra Civil. Uma seqüência interessante que serviu para conhecermos um pouco de seu passado (principalmente como ele se tornou vampiro), quebrar mais alguns mitos sobre vampiros de forma divertida (símbolos cristãos não os atingem, e eles aparecem sim nas fotografias) e flertar um pouco com a ambigüidade: prefiro acreditar que a história que Bill conta sobre o antepassado de um dos moradores seja mentira, um subterfúgio que usa para ganhar a simpatia da população. Sim, porque foi piegas demais e quero crer que a série destila um certo veneno na sociedade americana, podre de patriota quando diz respeito à guerra e memória de seus mortos. Ambíguo também é a relação de Sookie com seu dom de ler mentes: ela realmente não se importa ou não consegue diferenciar o que é dito e pensado, ou ela é simplesmente burra? Revelar que lê mentes para o detetive Andy no momento em que tenta inocentar o irmão foi de uma bobagem incrível. Falando em Jason, o personagem continua protagonizando os momentos mais divertidos da série, desta vez totalmente chapado com o V que bebeu mais uma vez. Ou, como diria Lafayette, pela primeira vez realmente. Os efeitos do sangue de vampiro é um dos pontos fracos até agora: uma enorme dose fez apenas aumentar sua libido, enquanto uma gota alterou sua percepção da realidade. Mas não aguçou seus sentidos, como a grande quantidade de sangue de Bill fez com Sookie, que, aliás, se livrou dos efeitos muito rapidamente (durou apenas um episódio). Enfim, o uso do V nos personagens está variando de acordo com a finalidade dos roteiristas. Quanto ao mistério que envolve a morte de Maudette e Dawn, os detetives vão interrogar Bill, que derruba em definitivo as suspeitas de que o assassino seja um vampiro: se fosse, os corpos teriam o sangue totalmente drenado, o que direciona nossas atenções para Sam, que Sookie diz pensar de forma diferente dos seres humanos “normais” (pensa como um psicopata, talvez?). No mais, destaque para a atenção dada ao cachorro antes dos créditos iniciais (por que o animal interessa tanto à série?), e o momento romântico de Bill, que chora sangue ao relembrar a esposa. Foi outro momento piegas que parece ter o objetivo de criar empatia do personagem com o público – saber que se tornou vampiro por ser um cavalheiro só aumenta isso. O final foi o mais surpreendente até agora, por não esperarmos quem seria a próxima vítima.


1x06 - Cold Ground

Mais um bom episódio da série que desenvolve algumas subtramas que, por enquanto, não dá pra saber no que vai dar: Sam e Tara mais uma vez encontram conforto no sexo, Jason mostrando dependência do V, e a mãe de Tara que ressurge com a estranha idéia de “diabo no corpo”. Em uma série como “True Blood”, sabe-se lá no que isso vai resultar. Quanto a Sookie, o assassinato de sua avó a fez se sentir mais isolada, com Jason e toda a comunidade a culpando por ter se envolvido com um vampiro. Pelo visto, nem toda a simpatia que Bill gerou com seu discurso no episódio anterior fez com que o preconceito diminuísse. Algumas cenas foram muito boas: a tristeza e o isolamento de Sookie representados pela limpeza do sangue na cozinha e pela torta da avó; o desespero de Bill por não poder ajudá-la enquanto a noite não chegasse; e, claro, a entrega final com direito a degustar o sangue de uma telepata. Sem dúvida, um episódio de transição para coisas maiores que estão por vir.




1x07 - Burning House of Love

Um episódio cheio de tensão, focando em três tramas: Tara e sua mãe buscando solução para um demônio; Jason e seu vício por V; e o retorno dos amigos de Bill. Quando a mãe de Tara já estava se tornando extremamente irritante, fomos presenteados com uma seqüência de exorcismo que torna a presença do sobrenatural na série algo bem ambíguo. Tudo indica que se trata de mais um comentário social que a série faz, em especial a dúvida que a exorcista coloca na cabeça de Tara (a religião culpando um mal externo pelos nossos problemas), mas será interessante ver como os personagens vão lidar com isto. Na outra referência crítica a outro ponto-chave de nossa sociedade (drogas), Jason está passando de personagem cômico para trágico na sua obsessão por V, que o fez tomar a perigosa decisão de ir ao “Fangtasia”. Lá conhece uma maluquete que o apresenta a uma nova forma de uso do V, curiosa alusão a cocaína. Também é outra trama que espera por maior desenvolvimento. Por fim, os vampiros amigos de Bill foram responsáveis pelo momento mais tenso do episódio, quando uma chacina no Merlotte parecia ser inevitável. A decisão de Bill foi o clichê dos clichês, até que o resultado final nos levou a um bom cliffhanger. Outro destaque do episódio foi a descoberta do ódio de Sookie por seu tio, que mostrou um Bill bonzinho, mas nem tanto. Poderia ser um gesto moralista dos autores da série (o vampiro bom só mata aqueles que merecem), mas é de se notar também como a protagonista tem feito coisas que seriam impossíveis numa série moralista: em apenas sete episódios, Sookie já se envolveu com dois homens na série, transou com um deles (um vampiro), deixou que ele sugasse o seu sangue e anuncia isso para as pessoas feliz da vida, sem arrependimentos. Uma mocinha moderna, sem dúvida.


1x08 - The Fourth Man in the Fire

A resolução do problema criado no final do episódio anterior não foi dos mais interessantes e o romance entre Sookie e Bill continua. Claro que fazer com que os protagonistas tenham uma noite de sexo no meio de um cemitério torna tudo melhor e ousado. O casal também tomou conta dos filhos de Arlene, momento cute-cute da série. O evento principal do episódio foi o pedido de ajuda que Eric fez a Sookie. Embora o motivo não tenha sido dos melhores, as conseqüências levam a série a outros rumos e o misterioso serial killer se torna apenas um dos muitos caminhos que o roteiro pode seguir. Tara e Jason também avançam para suas próprias complicações. Ela chega ao ápice de seu nervosismo e o resultado positivo do exorcismo de sua mãe a leva a pensar seriamente em fazer o mesmo. A discussão entre ela e Lafayette sobre o suposto golpe foi interessante, em especial o sábio comentário de Lafayette sobre o exorcismo ser mais barato que anos de Zoloft: no fundo, o que importa é se a crença leva a bons resultados. Já Jason está na situação dramática clássica do personagem que se mete em encrencas por conta do vício. Desta vez, sua mais nova amiga quem o leva para o mal caminho e os problemas só se acumulam. De resto, é interessante como a série consegue arranjar espaço para todos os coadjuvantes: Arlene sendo pedida em casamento, o comportamento suspeito de Sam investigado por Andy, como Lafayette consegue V e o trágico fim do rapaz que, já sabíamos, se relacionava com vampiros. Uma das grandes qualidades de “True Blood” é esta capacidade de explorar coadjuvantes interessantes, sem sacrificar o ritmo da trama principal.


1x09 - Plaisir D´Amour

A seqüência inicial foi bem ruinzinha, capenga de ritmo e tensão, com Bill salvando a vida de Sookie e entrando numa enrascada por matar um vampiro. Ao menos serviu para vermos Anna Paquin banhada de sangue a la Carrie, A Estranha. O problema dessa enrascada é que em nenhum momento do episódio, as ameaças de Eric soaram assustadoras e mesmo o adeus de Bill não ficou com cara de despedida. Jason, por sua vez, também caminha para uma trama não muito interessante. Sua conversa com o vampiro seqüestrado serviu apenas para plantar a idéia de que Amy é bem mais perigosa do que aparenta, no caso mais que clichê do mocinho que se apaixona por mulher boazinha que no fim das contas vai se mostrar uma psicopata. No mais, o episódio ficará marcado pelo seu final surpreendente que amplia o universo da série. Eu já sabia que aquele cachorro ia ter bastante relevância na trama, mas até onde isso vai parar? Muito do que acontece em “True Blood” só pode ser avaliado ao final da temporada, pois cada novo elemento que surge, cada desenvolvimento bizarro que aparece só deve fazer sentido ou ter uma justificativa quando o todo estiver completo. E aí sim, vamos saber o quão boa foi toda a história. Enquanto isso, fico satisfeito pela curiosidade que a série me deixa para acompanhar os próximos episódios.


1x10 - I Don´t Wanna Know

Com o segredo de Sam finalmente revelado, a mitologia da série se estende. Certamente em breve veremos até mesmo lobisomens (espero que apenas na segunda temporada). Este foi um dos melhores episódios até agora, com todas as tramas muito bem amarradas. Com as revelações de Sam, o exorcismo de Tara ficou ainda mais interessante, por não sabermos até que ponto aquilo faria sentido dentro do mundo de “True Blood”. Mas a conclusão não parece fazer conexão com todo o resto da série (eu já estava esperando que Tara levasse Sookie para um exorcismo), de qualquer forma foram momentos tensos e de boa atuação de Rutina Wesley. Já Jason continua se complicando no relacionamento com Amy, que mostrou suas garras neste episódio, no segmento que acho menos estimulante da série. O julgamento de Bill, por sua vez, foi muito melhor com um cenário ideal para o que imaginamos ser um julgamento de vampiros. Tudo bem que a pena do Magistrado não foi muito dura com uma justificativa das menos plausíveis (e ele nem quis saber por que Sookie é especial e Eric precisou de sua ajuda!). Mas a melhor notícia foi a participação de Zeljko Ivanek no papel do Magistrado. Ele, que acaba de ganhar um Emmy pelo belo trabalho na série “Damages”, cumpre perfeitamente a função de um vampiro assustador que Alexander Skarsgard não consegue no papel de Eric. Espero que apareça mais vezes. Sookie não teve muita participação neste episódio, além de se irritar com Sam e Tara, mas a perseguição final ao menos revela que o serial killer não é mesmo um vampiro, com seus pensamentos “lidos” por Sookie através de imagens. Só espero que os roteiristas não queiram ser apenas surpreendentes e não elejam um coadjuvante gente boa como Terry ou Rene, por exemplo, para cumprir essa função.





Hélio.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

[Mostra Int. de Cinema - SP] Take Two

Como escreveu o Hélio em seu texto, estivemos acompanhando a Mostra de São Paulo no último mês. Ele mais do que eu, na verdade. Contabilizando tudo que tinha visto antes e depois, assisti a 25 filmes no total e embora não tenha sido um ano tão bom na seleção da Mostra, algumas coisas me impressionaram bastante. A seguir coloco também meus favoritos, que servem como recomendações:

Tulpan, de Sergey Dvortsevoy

É uma obra-prima! Nas 5 primeiras cenas do filme, já estava completamente impressionado com o domínio que o diretor tem de sua câmera. Muitas conversas são filmadas num plano fechado enquanto várias coisas acontecem ao redor e às vezes as próprias ações são interrompidas quando alguém "invade" a cena. Parece até documentário -- chega a ser difícil distinguir quem é ator ali e quem não é --, com diversas situações espontâneas acontecendo, principalmente os fascinantes sobrinhos de Asa. Por outro lado, a montagem também mostra-se espantosa: todas as cenas são relevantes para contruir sua belíssima trama.
Sonata de Tóquio, de Kiyoshi Kurosawa

O "outro" Kurosawa nunca teve reconhecimento anteriormente, principalmente por suas obras de típico terror japonês, que virariam produto de exportação nos últimos tempos. Mas com esse novo filme, o cineasta resolveu apresentar sua visão de um drama familiar. Em pouco mais de duas horas, é possível perceber um retrato fiel da crise da sociedade patriarcal japonesa, com todos os assuntos sendo tratados com propriedade: a disciplina escolar, a escassez de empregos, uma velha geração sendo substituída no trabalho, a falta do militarismo japonês, a questão da mulher, a rigidez e orgulho japoneses. O ponto de partida é a demissão do patriarca da família, mas que logo vai dando espaço aos outros 3 membros do lar dos Sasaki aparecerem também, num processo de conhecimento, desenvolvimento, reestruturação e conclusão, semelhante a própria "sonata" do título. E nesse caminho de transformação, o mais intessante é como a própria estrutura da obra é afetada: em dado momento, já não sabemos mais se o protagonista ainda é o marido ou se é a mulher.
Horas de Verão, de Olivier Assayas

A abertura do filme já denuncia que tudo se passa se não ao redor, pelo menos relacionado a casa que une a família nas "horas de verão" do título. Após a morte da matriarca que ali habitava, o filme poderia simplesmente tratar do entrave sobre o destino da herança que os três filhos recebem. Mas não, aqui a questão é dar valor às memórias dessa família. Todos os objetos e a própria casa vão sendo vendidos, doados a museus ou mantidos como relíquias. Em meio a tudo isso, a discussão aqui estabelece as diferenças entre o valor monetário e sentimental das peças, enquanto questiona a própria forma de se apreciar a arte nos museus. Mas apenas isso seria talvez detalhista demais, então numa interpretação mais "macrocósmica" podemos perceber o quanto a modernidade e a globalização -- com cada um dos filhos vivendo num país diferente -- tem deixado valores para trás. E isso não vêm na forma de uma crítica, mas sim da constatação de que a beleza do mundo continua aí para ser vivida e sempre lembrada.
Para bons entendedores, a boa notícia é que o filme já está disponível em DVD na França.
Caixa de Pandora, de Yesim Ustaogu

Esse foi um dos meus filmes surpresas da Mostra. Numa outra sessão ouvi alguém falando bem e decidi escolher por ele ao invés de enfrentar os conflitos (em todos os sentidos) de Che. Não me arrependi, e aposto que na sessão lotada muita gente também saiu surpreendido. A história gira até em algo recorrente nesses últimos tempos, uma senhora sofrendo de Alzheimer. Depois de sair vagando misteriosamente na região montanhosa que habita, a velhinha acaba sendo resgatada e seus filhos resolvem trazê-la para a cidade grande para receber cuidado especializado. E como o próprio título já sugere, a alegoria da caixa de Pandora surge diante de nossos olhos. Enquanto os filhos não conseguem se unir no objetivo comum de cuidar da mãe, vamos conhecendo melhor a disfuncional família, cheia de fraquezas e covardias. O porto seguro da velhinha acaba sendo o neto, que assim como ela -- com poucas perspectivas de seu passado esquecido --, só resta ansear pelo futuro. Na companhia dos dois, temos cenas excelentes, carregadas de emoção e veladas pelo silêncio, chegando até a ser cômicas em alguns momentos. Tudo isso graças ao retrato primoroso da adorável velhinha, vindo da melhor atriz dessa Mostra para mim, Tsilla Chelton.
Depois da Escola, de Antonio Campos

Com a falta do vencedor da Palma de Ouro deste ano, "Entre Les Murs" de Laurent Cantet, essa estréia de Antonio Campos compensou como uma grata surpresa para mim. Ambientado em um colégio-internato próximo de Nova York, o filme mostra com propriedade a era da "explosão da comunicação" em que vivemos, com vídeos virais distribuídos por toda a internet, banalizando a violência e o sexo. Por outro lado, o que vemos nas personagens é exatamente um problema crônico de comunicação: a certo ponto, em meio a um telefonema, o protagonista Robert resolve queixar-se a sua mãe sobre como ele vive deslocado naquele lugar, e ela rapidamente sugere que eles mudem de assunto para algo mais aprazível. As duas cenas durante o almoço dos garotos, com alta dose de grosseria machista, também são exemplos. Mas o ápice do filme ocorre com Robert filmando sem querer duas irmãs morrendo de overdose num dos corredores do colégio. Toda a sua impotência com a situação -- durante e depois --, mostram o garoto a ponto de explodir, enquanto as outras pessoas tentam apagar essa mancha do passado, sempre reconhecendo as duas garotas como ótimas pessoas. Remanescente direto em tom e estilo de "Elefante", Antonio Campos mostra de uma forma bastante introspectiva um personagem encurralado, que poderia estar "explodindo" em qualquer lugar do mundo. Destaque também para a primeira relação séria de Robert com Amy, que rende belíssimas cenas intimistas entre os dois.



e.fuzii

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

[CRIMINAL MINDS] 4x06 "The Instincts"




Bom, muito bom! Não só esse episódio como também o tanto que promete o próximo!! Ele será a segunda parte de um episódio duplo, que se iniciou com um caso entremeado com sonhos do nosso amigo Dr Spencer Reid.


O episódio começa com Reid sonhando (enquanto a equipe está no jato, viajando para resolver o caso da semana) com um menino assassinado, após ter sido violentado. Um bebê também aparece no sonho e parece-lhe ser o bebê da JJ. Quando ele acorda e comenta o sonho com a equipe, têm início as análises psicológicas que permearam o episódio − algumas interessantíssimas. O bebê seria, na verdade, ele mesmo, num porão que, em regra, representa a infância, por ser a primeira parte da casa a ser construída.




A cena recorrente no sonho de Reid.


O unsub da semana seqüestrou e matou um menino, após mantê-lo durante uma semana e tê-lo tratado muito bem. Agora, está com o segundo bebê e a BAU precisa encontrá-lo logo.


Ótimo comentário da Prentiss quando ela e Rossi visitam o local em que acharam o corpo: a cena do crime está bagunçada e ela diz que esses investigadores de cena de crime (vulgo CSI...) resolvem bancar detetives ao invés de se aterem ao que é o trabalho deles, e acabam bagunçando tudo. Detalhe: o episódio se passa em Las Vegas e, nessa cena, eles estão bem no deserto!!



Prentiss para Rossi: os CSI não deveriam se meter a detetives.


Enquanto Morgan e Reid passam a noite na casa do menino desaparecido, Reid sonha novamente e acorda a família. Rola uma saia-justa, mas, além disso, rende uma ótima cena entre os dois, conversando no quarto do menino.


A equipe tenta identificar o criminoso no enterro do primeiro garoto, mas acaba prendendo a pessoa errada. Por sinal, mais um freak desses que vivem à solta, e resolveu filmar o caixão da criança!


A elucidação do caso (como já ocorrera em momentos brilhantes da série) começou com uma conversa de Reid com a mãe (lembrando que ela vive internada numa clínica para doentes mentais lá em Las Vegas) e com a análise da gravação do telefonema entre o unsub, a mãe da vítima e Hotch. Reid percebe que o unsub é mulher e, a partir daí, tudo logo se esclarece.
Um ponto daqueles que não me convencem, que soam forçados: que papo é esse de ‘cabelos da nuca que se arrepiam ao sentirmos medo e que nos dizem − sem erro − quem é o desconhecido que realmente significa perigo'?? Eu juro que preferia que tivessem identificado a unsub de outra maneira que não a 'adivinhação' da mãe do menino.


A unsub da semana: cara de anjo.


Voltando ao que interessa − sim, a questão envolvendo Reid é mais interessante do que o caso da semana −, o que temos são sonhos que se repetem desde que ele era bem pequeno; a sensação dele de já ter estado naquele cemitério quando criança, com a mãe; a mãe que pressentia que ele estava em perigo por volta dos quatro anos de idade; o caso concreto que Morgan descobre que ocorreu de verdade, na época que coincide com a idade de Reid criança. Muito interessante foi Morgan citando Jung e concluindo que Reid poderia ter tomado qualquer rumo na vida; se decidiu estar na BAU e lidar com esse tipo de crime e de criminoso, há razões inconscientes para isso.



Morgan: um bom amigo para Reid.

Mal sabíamos qual razão seria essa, e que ela estava a dois minutos de ser revelada: o pai de Reid. Sim, quando criança ele viu o pai (ou achou que viu!!!) como responsável pela morte do tal menino Riley. Daí a mãe senti-lo em perigo nessa idade!!

O melhor do episódio: Reid vai dormir com a mãe e, finalmente, tem coragem de ver o rosto do pai no sonho. Por quê?? Porque está protegido, com a mãe a seu lado. Seu ‘Shelter from the storm’ (seu refúgio, seu abrigo, sua proteção durante a tempestade), como na maravilhosa canção de Bob Dylan que toca ao fundo. Que bom gosto! Que presente!


Reid dormindo ao lado da mãe.

Semana que vem saberemos da história toda. Quem sabe embalada com mais Dylan...


Até o 4X07.
Célia.

PS. Não, eu não vou dizer, como muitos andam escrevendo por aí, que não é possível tanta desgraça na vida de uma só pessoa como no caso do Reid. Tudo bem que é muita caca mesmo, mas só assim para justificar essa personalidade tão incomum: muita coisa incomum deve ter ocorrido com ele, então. E, por enquanto, tudo me parece se encaixar.

High School Musical 3


Mais de um ano apos meu post sobre o Segundo filme da franquia High School Musical, eu volto para comentar o terceiro. (Ah sim, eu sei, ando desaparecida... mas o mestrado me tomou todo o tempo que eu usava para assistir televisao e filme.)

O terceiro filme da serie eh o primeiro feito diretamente para o cinema. Isso se deve ao tremendo sucesso que os dois primeiros fizeram no canal a cabo da Disney e em vendas de DVD. High School Musical 3 eh maior, melhor, mais elaborado, proporcoes elevadas a terceira potencia.. Ou mais.


HSM3 foi filmado aqui mesmo em Salt Lake City, Utah, a alguns blocos de onde estudo, assim como os dois primeiros filmes (o segundo foi filmado na maior parte em St George, sul do estado), apesar de na ficcao a escola estar localizada em Albuquerque, Novo Mexico. Existe um pouquinho de orgulho entao, de saber que esse filme foi todo filmado por aqui - e em saber que eu estava por perto enquanto isso acontecia! Apesar de nao ter realmente ido atras de ver as filmagens ou dos atores no hotel, soh vendo de relance algum deles e a equipe quando dirigia na frente da East High, ou passando de trem na frente do hotel...


Enfim. Recomendo o terceiro filme da serie, mesmo para aqueles que nao viram os dois primeiros. E claro, recomendo esse filme principalmente para o publico femnino, pois suspeito que os homens - a nao ser que gostem de danca ou musicais - ficaram profundamente de saco cheio com esse filme. Mas eu e minhas duas amigas que fomos ver no cinema saimos aos suspiros. E nao, nao foi por causa do Zac Efron (Troy), o protagonista da serie. Mas sim porque o filme tem a historia mais envolvente dos 3 filmes, e nos deixou desejando uma vida como num high school musical.


Eh final de ano, final de high school, e a formatura, o baile (prom) e o ultimo musical da escola estao rapidamente se aproximando, e sao os ultimos momentos que a turma tem para fazer algo juntos, o musical. Mas como sempre, nada corre da maneira esperada, especialmente para Troy que nao sabe exatamente o que quer fazer da vida. Jogar Basquete na U of A como todos (amigos e seu pai) esperam, ou fazer teatro, uma paixao que recentemente descobriu que tinha. Sim, jah ouvimos essa historia antes, mas isso nao tira o charme do que eh - e todos nos provavelmente sentimos isso um dia - de estar num ponto na sua vida que voce nao sabe para onde ir. Principalmente quando comparado com o resto dos colegas, tao certos de onde eles irao assim que o colegial acabar, Troy eh pela primeira vez na serie totalmente carismatico.

Alem da decisao sobre a escola, Troy tambem tem que enfrentar outro problema: Gabriella (Vanessa Hudgens), a sua namorada, passou em Stanford na California, e estah de mudanca marcada muito antes da formatura acontecer. E a historia dos dois eh tambem, pela primeira vez nos 3 filmes, uma que emociona. Feito sob medida para a tela grande, o filme tambem foi mais serio.

" It's one in a million, the chances of feeling the way we do"

Apos varios numeros de danca, cantoria, drama e Sharpay (Ashley Tisdale) querendo roubar a cena de Gabriella - e mais uma vez ela quase consegue - a turma chega ao climax triplo do final: Baile/Prom, Musical e Formatura. O Baile decepcionantemente nao foi parar na telona. Soh a versao para o musical deles. Acontece que Gabriella que estah em Stanford para um early-start na faculdade, decide que nao eh capaz de dizer adeus de novo e de novo e resolve nao ir. Heart Breaking, mas eh a realidade de relacionamentos comecados no colegial, ao se formarem cada um vai para o seu lado, nada mais natural que isso aconteca com Troy e Gabriella tambem.

Dancing in the rain.

Certo? Nao. Em uma das cenas mais queridas do filme, Troy dirige ateh a California para buscar Gabriella para o baile - claro que eh uma viagem longa, entao eles nao tem realmente tempo de voltar para a festa, mas Troy chega de tux e corsage pronto para passar a noite do baile com sua namorada. E tambem aproveitar para levar ela para estrelar o musical, jah que ele nao consegue realmente se concentrar ou lembrar a danca quando estah atuando com Sharpay. Que alias, a minutos de entrar no palco ainda nao sabe que o Troy nao vai cantar com ela. No lugar dele, estah Jimmy "The Rocketman", um calouro do qual a Sharpay nao vai nada com a cara. Para estragar ainda mais a festa de Sharpay, outra caloura chamada Tiara, quer roubar sua cena. Essa eh a deixa para apresentar alguns dos personagens para o High School Musical 4. Sim, novo elenco (mas parece que Sharpay voltaria para uma participacao especial), e apesar de nao terem o mesmo brilho dos originais, tem seu carisma.

Getting ready for High School Musical 4 - Jimmy "The Rocketman" and Tiara

O Grand finale do musical acontece com Troy e Gabriella chegando para seu dueto, e o final da peca com Troy dizendo que escolheu ir para a Berkeley na California, onde ele poderia jogar basquete e estudar teatro e estar perto da Gabriella. Seu amigo Chad (Corbin Bleu) eh que nao fica muito feliz em saber que nao vai poder ir para a faculdade com Troy. Mas claro que eles se entendem, e temos finalmente a cena da formatura, onde eles dancam, cantam e atiram chapeus para o ar. The End (for now).


No meu post sobre o segundo filme eu comentei sobre o figurino do filme, algo que me chamou atencao pela melhora de um filme para o outro. E do segundo para o terceiro entao? Fiquei babando mais ainda, principalmente pelas botas cor de rosa de bico fino que Sharpay usa na sua primeira cena na tela grande. Desde Cinderela que a Disney nao tem sapatos tao maravilhosos em cena. O figurino das cenas de danca tambem foram espetaculares, e Troy e Gabriella continuaram com seus looks de "girl/boy next door" que nos fazem querer morde-los. Detalhe para a selecao de saias e vestidos curtos escolhidos para Gabriella, mostrando um fantastico par de pernas, que me serviram como mais um incentivo para eu levar a academia a serio. Detalhe bacana do filme, o personagem interpretado por Corbin Bleu teve todo o seu guarda-roupa composto de pecas ecologicamente-corretas. Mais sobre o figurino: http://ashleytisdale.fangap.com/Default.aspx?tabid=6265&EntryID=7679

Want it!

fotos: http://www.hsmusicalweb.org/






Anita Boeira
from Salt Lake City

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

[FNL] 3x06 It Ain’t Easy Being J.D. McCoy

Com esse título que dispensa explicações, finalmente J.D. McCoy quebrou seu silêncio e mostrou a vida difícil que está condenado. Afinal, quantos esportistas já não vimos serem explorados como projetos olímpicos e levados às últimas conseqüências, até não resistirem mais? Garotos prodígios que aos 25 anos já querem se aposentar para recuperar a vida que foi sacrificada por treinamentos e concentrações. Acho hipocrisia dizer que não cabe ao próprio esportista escolher, mas o que vemos nesse caso são todos os limites sendo ultrapassados, seja seu pai invadindo o vestiário e tirando a chance dele comemorar com o time até obrigando o filho a confessar para o treinador que tomou um porre na noite anterior. Embora seja um alívio que J.D. não confronte diretamente Saracen, admiro a coragem de rebaixar um dos personagens principais para desenvolver um novato. Pela importância que o futebol tem em suas vidas, chega a ser irônico que Matt Saracen encontre paz, sem ter tanta pressão em suas costas, fazendo deste o momento perfeito para finalmente reencontrar Julie e transarem pela primeira vez. Embora tenha achado mal dirigido o beijo que selou o retorno dos dois, as cenas pela manhã, voltando para casa em silêncio e Julie mal acreditando na sua própria imagem no espelho, foram de arrasar. Eles já passaram pelo pior na temporada passada e agora merecem esse momento feliz juntos.

Já o cowboy de Tyra, que parecia um simples obstáculo até que ela percebesse que nunca deveria ter deixado Landry, ganhou uma dose de mistério por não sabermos se ele está falando ou não a verdade sobre a criança. Chega a ser hilário ver a família Collette fazendo as coisas mais normais de seu mundo -- como provar um vestido de casamento/fantasia de borboleta -- enquanto Tyra preenche sua inscrição para a faculdade. Não sei onde querem chegar com tudo isso, mas está cada vez mais difícil de acreditar. Ainda mais com Landry ganhando uma nova amiga que está disposta a fazê-lo esquecer de Tyra.

Seguindo firme em realizar seu projeto, Jason Streets mostra mais uma vez toda sua determinação, que obviamente incomoda os irmãos Riggins. Antes da comovente música cantada ao telefone para seu filho, ele ainda contou com a ajuda de Coach Taylor, que acabou chegando atrasado ao baile com uma sutil mancha de tinta nos cabelos.

Play of the Week: A primeira aproximação de Matt e Julie no episódio veio de um inesperado encontro no supermercado. Uma das coisas mais normais do mundo, aliás. Ao fundo tínhamos Vovó Saracen confrontado Coach Taylor por colocar Matt na reserva, enquanto o adorável casal comentava a situação com sua timidez usual (com destaque para o incrível detalhe de seus confusos pés). Ao final, depois de muito discutir, Vovó Saracen chega a conclusão de que é impossível ficar brava com o treinador.



e.fuzii

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

[Mostra Int. de Cinema - SP] Take One

Desde o final do mês de Julho, quando Dani falou sobre o filme de "Arquivo X", que não há no blog um comentário sobre cinema. Vamos, então, reparar este erro destacando alguns dos principais filmes vistos na 32ª Mostra Internacional de São Paulo, um dos maiores eventos cinematográficos do país que encerra sua repescagem hoje. Dos comentaristas do blog, eu e Fuzii estivemos lá e vimos alguns dos principais filmes do ano que (espera-se) cheguem logo ao circuito comercial.


Começando por mim, eis aqui meus filmes prediletos da Mostra que recomendo para todo fã do bom cinema:



1. Tulpan, de Sergey Dvortsevoy




Asa é um jovem que acaba de retornar da marinha. Sua família é de nômades que vivem nas distantes estepes do Cazaquistão, cuidando de ovelhas no meio do nada, em região seca e constantes tempestades de areia. Mas Asa quer ficar e se tornar pastor de ovelhas. Pra isso, precisa se casar, mas a única jovem disponível no local o dispensa, por ter orelhas “grandes demais”. Com este simples argumento, é de se pensar que veremos um filme sobre um rapaz tentando conquistar uma moça, em meio a uma região exótica de cultura bem distante da nossa. Mas “Tulpan” ultrapassa toda obviedade e encanta com seu olhar muito próximo e ético para o cotidiano da família do protagonista. O que mais impressiona é como a câmera se relaciona com os personagens, em planos-seqüência belíssimos que captam a vida acontecendo na tela, mas sem esquecer-se do extra-campo, valorizando todas as particularidades de cada membro daquela família, e um som fantástico que enfatiza o onipresente vento da região, além das lindas canções entoadas por uma garotinha. Como se não bastasse, “Tulpan” é engraçado e tenso: dificilmente você verá uma seqüência de parto tão angustiante quanto a existente no filme. E é o parto de uma ovelha! A boa notícia é que o filme foi exibido com legendas em português, o que garante a distribuição para breve.




2. Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes



O filme mais engenhoso e criativo visto nesta Mostra, o português “Aquele Querido Mês de Agosto” é parte documentário, parte ficção. E nem uma coisa, nem outra. O diretor Miguel Gomes registra as festividades do mês de agosto em uma região de Portugal, trazendo relatos de moradores, histórias curiosas de habitantes e particularidades do local. Claramente dividido em duas partes, o filme começa de forma documental para na sua segunda metade trazer uma história de amor fictícia que o espectador poderá identificar vários elementos vistos anteriormente. Mas a ficção se mistura com cenas documentais e uma das coisas que impressiona no filme é a fluidez que nunca torna a experiência de assisti-lo algo difícil, confuso e maçante. Na verdade, é impossível não pedir por uma revisão de “Aquele Querido Mês de Agosto”, tamanha a sua riqueza e complexidade, tanto na realização quanto na quantidade de informações vistas, mas sem deixar o espectador desavisado com um grande “não entendi” na cabeça. Além de tudo é hilário, pontuado por incríveis canções portuguesas. Gomes fez um filme sobre o prazer de se fazer cinema, onde a metalinguagem está presente o tempo todo. É uma obra onde vemos cineasta discutindo com o técnico de som, uma das muitas seqüências geniais de um filme absolutamente maravilhoso e surpreendente.




3. Leonera, de Pablo Trapero



Julia está grávida e, acusada de matar o homem com quem vivia, é enviada para uma prisão onde ficam gestantes e mães com filhos até quatro anos de idade. Sucesso no último Festival de Cannes (mas sem ter levado prêmio algum), este novo filme de Pablo Trapero segue uma tendência do atual cinema argentino de acompanhar trajetórias de personagens comuns com um foco firme na realidade, privilegiando corpos e sensações causadas por estes. Trapero, autor de obras muito interessantes como “Nascido e Criado”, “Família Rodante” e “Do Outro Lado da Lei”, faz seu melhor filme. “Leonera” se passa quase todo numa prisão e o diretor foge de estereótipos como o do “policial cruel”, “prisioneiro malvado”, etc. Trapero esquadrinha cada canto do presídio em lindos movimentos de câmera e acompanha sua protagonista evitando julgamentos morais e estabelecendo vínculo com o espectador sem apelar para maniqueísmos. Nunca sabemos, por exemplo, se Julia cometeu mesmo o crime e, tal como nos filmes dos irmãos Dardenne, só nos resta ficar incomodados ou torcer pela personagem, em seus atos imprevisíveis. A atriz Martina Gusman está excepcional ao dar vida a essa verdadeira força da natureza que encontra no filho a razão de viver. Ao final, lembrei de “Kill Bill”, também sobre uma leoa que faz de tudo por sua cria.




4. Segurando as Pontas, de David Gordon Green



Um oficial da justiça acaba de comprar a “pineapple express”, baseado raro de excelente qualidade. Ao testemunhar um crime, deixa a maconha como rastro que levará os assassinos até seu traficante. Agora ambos têm que fugir e encontrar uma solução para a enrascada que se meteram. No meio de tantos filmes de propostas mais “sérias”, é preciso ressaltar uma obra que se compromete com o mais puro humor e “Segurando as Pontas” traz um amontoado de piadas que faz com que todo o cinema ria alto do início ao fim da projeção. A trupe liderada por Judd Apatow e Seth Rogen faz uma espécie de continuação para o brilhante “Superbad”, que trazia adolescentes se preparando para a maturidade, tentando lidar com sexo, bebidas e, principalmente, a possibilidade de separação do que parece ser mais caro a estes autores, a amizade. “Segurando as Pontas” dá continuidade a esse desenvolvimento da vida, agora com jovens adultos se inserindo no mercado de trabalho, fugindo de compromissos amorosos mais sérios e passando da inocência do álcool para drogas ilícitas. E a amizade entre homens continua sendo a coisa mais séria do mundo. O que faz ser um grande filme é essa possibilidade de percebermos um coerente conjunto, uma visão de mundo muito particular e até mesmo ética da vida, em uma trama absolutamente hilária, de diálogos inteligentes, passando do humor sutil para o mais escrachado com uma facilidade que só os grandes comediantes são capazes. Desde a abertura, seqüência em preto-e-branco engraçadíssima que nos mostra como a maconha foi considerada ilegal nos EUA, o filme nos joga em situações absurdas com resoluções surpreendentes e que pedem toda a aceitação do espectador. Há vários personagens engraçados, mas é James Franco no papel do traficante que se sobressai absoluto, se revelando um ator cômico incrível. Inexplicavelmente, saiu a informação que o filme infelizmente será lançado no Brasil diretamente em DVD. Uma pena, porque pela sessão que estive, seria sucesso garantido.




5. Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte



Um filme protagonizado pelo mais novo galã global, Cauã Reymond, pode ser bom? Cheio de preconceito, fui ver “Se Nada Mais Der Certo” e achei não só o melhor filme nacional visto este ano, como o próprio Reymond está muito bom no papel de um jornalista que vive de bicos e, totalmente endividado, irá se envolver com uma pequena traficante e um taxista, na busca de soluções “alternativas” quando nada mais dá certo. O filme de José Eduardo Belmonte é uma pérola ao retratar a difícil vida da classe média brasileira, sem tornar seus personagens representantes de qualquer classe ou de qualquer discurso: eles existem por si mesmos, têm vida própria e o grande achado do filme é ver como estas pessoas constroem laços entre elas em meio à dura realidade que os atravessa. Belmonte foge de clichês, não vitimiza seus personagens ou tem uma visão pessimista da nossa sociedade, fazendo críticas sóbrias e interessantes. Ao menos uma seqüência ficará marcada: um assalto ao som de Saltimbancos, com assaltantes usando máscaras de FHC, Sarney e Collor, em montagem paralela a um debate entre Lula e Serra exibido na TV (o filme se passa durante as eleições de 2006). Esta é uma das muitas cenas bem dirigidas por Belmonte, que aposta em narrações em off, fragmentação da narrativa, frases de efeito que pontuam a trama e outros tantos recursos que nunca tornam a obra algo esquizofrênico, há um todo muito coeso e seguro. No fim, é a história de gente fodida que faz do encontro entre elas maneira de sustentação para a vida. No elenco, destaque absoluto para Caroline Abras que faz da traficante Marcin a personagem mais fascinante e interessante do filme. De se notar também a bela metáfora da figurinha do Campeonato Brasileiro de Futebol que a criança falta para completar seu álbum: a de um jogador que desafiou a corrupção dos cartolas do futebol. Discreto e bonito, como todo o filme.



Outros cinco grandes filmes vistos:


6. Horas de Verão, de Olivier Assayas

7. Sonata de Tokio, de Kiyoshi Kurosawa

8. Lições Particulares, de Joachim Lafosse

9. Encarnación, de Anahí Berneri

10. Acne, de Federico Veiroj





Hélio.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[FNL] 3x05 Every Rose Has Its Thorn

E bastou Smash sair, para termos o retorno de Jason Streets à série. Sem precisar de maiores explicações, já vemos Jason como pai e passando por dificuldades para manter seu emprego e cuidar da criança. A sua idéia do negócio imobiliário é interessante por fazer uso dos irmãos Riggins, que infelizmente estão ficando com histórias cada vez mais desgastadas. A grande mancada foi trazer o motoqueiro criador de furões de volta. Mas dá para desculpar por Tim ter sido Buddy-tomizado com as dicas imobiliárias e repetí-las exaustivamente. Jason ainda mostra toda sua confiança e sua lábia para conseguir boas oportunidades. Achei seu discurso para convencer Buddy Garrity um pouco fora de tom, talvez porque eles tenham uma relação próxima o suficiente para não depender só de seus grandes momentos como jogador. A notícia de que sua namorada quer voltar para a casa dos pais foi de cortar o coração, mas como Jason só deve aparecer em poucos episódios, é somente para criar um suspense mesmo.

Já tivemos na primeira cena aquilo que todos de Dillon estavam esperando: J.D. McCoy estreando num jogo "oficial". Toda a imprensa e torcida esperavam por uma atuação mágica do jogador, e ele não decepciona. Mesmo com Matt Saracen garantindo a vitória como um elemento surpresa, foi mais do que natural que J.D. saísse carregado nos braços dos torcedores. As coisas também não vão bem para Landry que tem de aguentar ver Tyra sendo levada pelo peão. Eles compartilham suas derrotas no carro, ao som de "I Remember You" do Skid Row, enquanto Matt reclama que ouvir power ballads nesses momentos é um terrível clichê.

Por outro lado, Matt está cada vez mais próximo de sua mãe, uma história que poderia ter sido adiantada já na segunda temporada. Obviamente, nesse momente serve direitinho por não sentirmos tanta pena do rapaz. Zach Gilford continua com seu ótimo trabalho ao retratar toda a introspecção de Saracen, principalmente quando ele tem a conversa final com sua mãe. Julie não precisou nem dar seu apoio nesse episódio, e acabou presa numa história simples, mas que também serviu para aproximar mãe e filha (ou para reafirmar a excelência de Tami Taylor). Acho que essa é uma das situações mais comuns para uma adolescente, fazer uma pequena tatuagem escondida e ser repreendida pelos pais, mas ainda assim foi uma boa forma de gastar tempo do episódio.

Play of the Week: Anotem aí como deixar uma cena sutilmente tensa. Coach Taylor vai até a casa de Matt para avisá-lo de que será reserva pouco antes de sua avó chegar toda empolgada pela presença do treinador. O incômodo dos dois é aparente e para evitar um silêncio constragedor, Coach Taylor decide sair o mais rápido possível dali, por mais indelicado que isso possa ser.



e.fuzii

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

[CRIMINAL MINDS] 4X05 "Catching Out"






Um episódio bacana, sem dúvida superior ao anterior.

Achei bem bacana a explicação de alguns fundamentos do trabalho da BAU. Os 'apelidos' aos unsubs devem ser evitados, pois eles limitam a forma de enxergar o caso; uma equipe muito grande faz perder o foco, etc. Muito boa também a cena em que os três membros da equipe notam, ao mesmo tempo, os motivos pelos quais aquela casa seria um alvo ideal para um unsub desses, enquanto o investigador local não percebia nada.

Na verdade, a equipe toda estava afiada: Morgan e Rossi expondo aos detetives locais qual era a fantasia daquele a unsub, a transferência em relação ao dono da casa (a questão da troca das roupas...). Mas me surpreendi que não tivesse sido Reid, e sim Rossi, a fazer a associação com as rodovias. Achei que ele logo faria a associação... Por outro lado, foi muita presença de espírito de Rossi de passar pela máquina de vender doces antes de ir conversar com os andarilhos (sem-teto, whatever).
Também achei muito interessantes os símbolos usados na comunicação desses sem-teto. Interessantes e eficientes!

Os símbolos, nas pedras, na árvores...

Apenas em relação à Garcia eu achei que pesaram na mão (de novo!). Talvez eu é que seja limitada (já disse isso antes!), mas como fazer essa associação com a época da colheita, tão rápido, do nada? Pior, mais uma vez, ela conseguiu identificar o unsub com uma rapidez e certeza além do razoável! Anyway, ...

Quanto à trama em si, vejamos.
Um unsub invade casas no meio da noite, mata os donos e passa a noite lá. Dorme na cama da vítima, come sua comida, veste sua roupa, tudo para sentir-se como se fosse ele (o unsub) aquele outro (a vítima), nem que fosse só por algumas horas.

Alguns pontos me agradaram bastante. A fisionomia do unsub era muito sombria! Gostei muito da escolha do ator. Também gosto dessa ponderação entre o determinante do berço, e o que o meio faz com as pessoas. Eles não se aprofundaram muito na questão ( nem sei se seria oportuno) mas deram elementos para que, quem quisesse, voasse longe nos pensamentos. Essa coisa de ‘ter uma casa, uma cama’.... Acho essa questão muito delicada.


Mas o ponto alto, para mim, foram as cenas da Prentiss com o irmão do unsub. Ela estava muito bem (inclusive no seu espanhol), mas ele estava melhor ainda. Baita ator! Cenas comoventes, ainda mais pela delicadeza. Adorei.


É isso, um bom episódio que, eu imagino, abre caminho para um ainda melhor! Estou cheia de expectativas para o 4X06. Como já sabíamos por spoilers, o caso da semana que vem, fará Reid mergulhar em memórias adormecidas. Conheceremos novos elementos do passado dele − que estava genial nos seus comentários sobre e barriga da JJ, e as fases de desenvolvimento dos bebês! Será que ele terá, um dia, bebês-gênios, como disse a Prentiss??


Observações finais:
- Morgan mais Rambo do que nunca naquela luta em cima do trem!! Foi salvo pelo ‘sniper’ Hotchner!!!
- Morgan e Agent Todd: desnecessário e chatíssimo!!

Até a semana que vem.
Célia.

[Mad Men] 2x13 Meditations in an Emergency

O que fazer quando o mundo pode acabar a qualquer momento?

No auge da crise dos mísseis cubanos, pela primeira vez a ameaça de um conflito no meio da Guerra Fria torna-se realidade. O que se vê nas personagens, com essa dúvida de que o próprio futuro deixaria de existir, são atos confusos que revelam toda sua culpa e medo. Don Draper volta de sua viagem pela costa oeste disposto a colocar as coisas em ordem no seu casamento. Já Betty recebe uma resposta inesperada para seu sangramento do episódio anterior: está grávida. Era tudo o que ela precisava justamente quando tentava distanciar-se da sua vida condicionada a Don Draper. Apesar de tudo que ocorre no mundo a sua volta, Betty cria seu próprio estado de emergência e para forçar um aborto, faz o contrário de tudo que seu médico receita, seja montando cavalos ou até transando com um charmoso rapaz num bar (por acaso o Captain Awesome, de 'Chuck'). Se acompanhamos por toda a temporada um amadurecimento de Betty, perdendo aquela sua inocência quase infantil e seguindo cada vez mais os passos do marido, dessa vez ela atinge o auge quando percebe que essas amarras do casamento são inevitáveis. Betty não aceita o marido de volta só porque se sente culpada, mas sim porque agora também carrega um segredo e se sente no mesmo patamar de Don Draper, ainda que isso vá contra sua própria noção de superioridade (ter uma relação extra-conjugal). O encontro final do casal na cozinha causa desconforto por Betty aparentemente estar em dúvida entre revelar a gravidez ou a traição. Quando ela opta por continuar sustentando a mentira, temos enfim um momento terno, com um segurando a mão do outro, exatamente oposto à separação do final da temporada anterior.
Mas não é só em seu casamento que Don consegue triunfar nesse retorno. Com uma manobra já antecipada há alguns episódios -- Roger já dizia que Don não tinha contrato --, ele reverte a investida de Duck em presidir a Sterling Cooper e mudar a estratégia da empresa. A irritação de Duck, outra vez dominado pela bebida, deixa a impressão de que esse é o seu adeus final. Uma pena por toda a evolução de seus dilemas, principalmente nessa parte final da temporada. Por mais uma vez, Don evoca sua noção "romântica" da publicidade, o que me faz pensar que essa teimosia está inserida na sua personalidade. No seu encontro com Anna no episódio anterior, ele diz acreditar que as pessoas não mudam. Nesse caso, é esse seu "personagem" que não dá espaço para mudança, a não ser que ele volte às suas origens. Com a rápida evolução dessa década então, Don Draper corre sério risco de ser deixado para trás.
Peggy e Peter tem uma história a parte nessa temporada. Após o final do caso que estavam envolvidos, eles tiveram de fazer vários sacrifícios para adquirir maturidade na empresa. Peggy teve de esquecer sua misteriosa gravidez para chegar onde nenhuma outra mulher chegou na Sterling Cooper, mesmo que cercada de todos os lados para confessar. Peter lutava contra os dilemas de manter sua opinião sobre a adoção de um filho ou satisfazer o desejo de sua mulher e sua família. Ainda que esse apoio de seu sogro envolva sua carreira, acho que o elogio recebido de Don por ter conduzido bem os negócios em L.A. são mais do que suficientes. Toda essas situações são resolvidas numa única cena, uma conversa final na sala de Peter, enquanto os funcionários da Sterling Cooper corriam desesperados para suas casas. Enquanto ele revela seu amor e diz o quão perfeita ela é, Peggy decide finalmente confessar o destino de seu filho. Ironicamente, o filho legítimo de Peter foi posto para adoção. Ela fazendo o sinal da cruz antes de dormir mostra seu alívio em finalmente colocar as coisas a limpo, se não na forma de uma confissão formal ao padre, pelo menos para a pessoa mais interessada.

Embora tenha ficado bastante satisfeito com esse final, que acho até melhor do que da temporada anterior, algumas subtramas ainda ficaram em aberto. Principalmente os relacionamentos dos outros funcionários da Sterling Cooper, que foram tão desenvolvidos na temporada, acabaram ficando para só daqui a um ano. Já sinto uma saudade imensa dos anos 60, mesmo que isso ainda dependa da renovação de contrato de Matthew Weiner.




Com a vitória no Emmy desse ano, é impressionante a atenção dada a 'Mad Men' por toda a mídia americana. Depois da participação de Don Draper e companhia no episódio de Saturday Night Live dessa semana, o aguardado episódio de Halloween de 'Os Simpsons' (que vai ao ar no próximo domingo) também conta com uma genial homenagem a Mad Men na abertura:






e.fuzii

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

[FNL] 3x04 Hello, Goodbye

Uma pena que não possa dar o devido valor a esse episódio, mas com a correria da Mostra de SP e o aguardado finale de Mad Men, terei outra vez de fazer um comentário breve.
Tem como não sorrir junto com uma imagem cativante dessas? Nesse que parece ser o adeus de Brian "Smash" Williams da série, tudo aconteceu como previsto: ele finalmente conseguiu sua vaga na Universidade. Mas não há como reclamar de uma história previsível quando temos a comovente mensagem de motivação de Coach Taylor antes do teste final, ou Smash agradecendo o treinador na porta de sua casa. Afinal, o grande mérito dos roteiros de Friday Night Lights é exatamente quando colocam as tramas nos seus devidos trilhos.

É isso que ocorre também tanto quando Landry e Tyra colocam em questão sua amizade, como a aproximação entre Matt e sua mãe. São histórias que carregam o senso de realidade suficiente para conectar-se com o espectador. Basta explorar o relacionamento entre as personagens e depender das boas atuações dos atores que tudo flui muito bem.

Play of the Week: Acho que a participação de Coach Taylor no episódio dispensa comentários e poderia escolher qualquer cena que ele estivesse presente. Mas minha preferida foi sua conversa com Tami no bar, onde ele revela que se preocupa com as conseqüências na vida pessoal de Matt Saracen se colocá-lo na reserva. Pode até parecer uma conduta não profissional, mas o treinador sabe o quanto Saracen depende dele, e como essa rejeição poderia ser o fim da linha para o jogador.



e.fuzii