Há bastante sangue e mortes, como deveria ser, mas o que importa é o retrato de um mundo em que a existência desses charmosos mortos vivos interfere diretamente na vida dos seres humanos, que no fim das contas continuam os mesmos, intolerantes ao que é diferente, curiosos e sedentos por sexo, tentando buscar conforto nas drogas e na religião para seus demônios pessoais.
Os comentários abaixo são breves e tentei evitar spoilers ao máximo. De qualquer forma, se você não conhece a série, sugiro que veja primeiro. Há quem não goste dos primeiros episódios, por achar que "True Blood" flerta descaradamente com o trash, mas o conceito e a proposta da série ficam claros pra mim desde seu início. Inclusive com a bela abertura, a melhor elaborada desde "Dexter": o estranhamento causado por imagens desconexas que nos remetem a sexo, violência, rituais religiosos e lutas pelos direitos civis, ao som de "Bad Things" de Jace Everett, mostra que não estamos diante de uma série qualquer.
Vejam e tirem suas próprias conclusões:
1x01 - Strange Love (Piloto)
Pilotos sempre são episódios difíceis: os autores da série precisam estabelecer conceitos, apresentar personagens, criar algo na trama que faça com que o espectador retorne para os episódios seguintes; atores nem sempre acham o tom certo para seus papéis, etc. Nesse sentido, o piloto de “True Blood” tem mais acertos do que erros. Todo o conceito é bastante interessante e ele já nos é apresentado antes mesmo dos créditos iniciais quando ficamos sabendo que os vampiros não só existem como lutam por direitos de convivência com os humanos. Algo possível apenas porque foi criado um sangue sintético que alimenta os mortos vivos sem que haja a necessidade de fazer dos humanos suas vítimas. Com uma representante dos vampiros em rede nacional defendendo seus direitos, impossível não pensar nos X-Men e sua luta pela aceitação dos mutantes. Ou seja, a série estabelece desde já uma tensão entre raças diferentes que obviamente trará discussões sobre diferenças e preconceitos. Os créditos iniciais também deixam isso claro, trazendo imagens estilizadas que nos remetem ao sul dos EUA (onde a discriminação contra os negros sempre foi maior), local onde a série se passa. Os créditos, aliás, fazem um belo apanhado que nos remetem a sexo e violência, elementos igualmente explorados neste primeiro episódio, flertando muito com os gêneros trash e gore que fazem a alegria de muitos fãs de filmes de terror. Os efeitos especiais são toscos e a oscilação por esses gêneros talvez seja o aspecto mais crítico do piloto, certamente afastando muitos espectadores, mas o estranhamento (possivelmente até pela dificuldade em já determinar um tom para a série) me pareceu positivo. Junta-se a isto a protagonista Sookie Stackhouse (vivida justamente por Anna Paquin, de “X-men”) que, apesar de humana, não é nada comum, tendo o dom de ler pensamentos. É a relação de Sookie com um vampiro que chega na cidade onde ela mora, o cerne da série, que nos apresenta fatos sobre a realidade abordada de forma tranqüila e aos poucos. A série ainda traz outros personagens, mais interessantes (o engraçado irmão de Sookie que logo de cara se mete num grande problema) ou menos (a melhor amiga da protagonista, um tanto “engraçadinha” demais cuja atriz não tem o timing necessário). No final, uma situação bem ruim para a protagonista, mas não muito original, onde já sabemos o que irá acontecer. Para um primeiro episódio, era necessário algo mais impactante. Ainda assim, estimulou o interesse pela série.
1x02 - The First Taste
1x03 - Mine
Sookie tem o desprazer de conhecer alguns amigos vampiros de Bill, sendo um deles o homem que Jason conhece do vídeo de Maudette. Nesta seqüência, mais uma descoberta: uma certa Hepatite D é a única doença que afeta os vampiros, deixando-os fracos e à mercê dos humanos. O episódio é o mais próximo até agora do que fãs de Alan Ball esperam do criador de “A Sete Palmos”: lento, apostando em muitas cenas de diálogos que constroem relações entre personagens e nos dá a oportunidade de conhecê-los melhor. Não que as conversas tenham sido brilhantes, mas “True Blood” começa a ter um rumo mais distante do terror trash que parecia seguir. Ainda assim, continua um divertido flerte com o nonsense, em especial quando a série foca em Jason, como quando ele é expulso da casa de Dawn à base de tiros ou a forma como consegue de Lafayette um pouco de sangue de vampiro. Um bom episódio que com narrativa lenta vai desenvolvendo situações que certamente terão relevância no futuro. E como os dois episódios anteriores, este acaba com Sookie em mais uma situação delicada, desta vez enfatizando o que já sabíamos: um possível serial killer ronda a cidade. Humano ou vampiro?
1x04 - Escape From Dragon House
Um episódio mais coeso, que equilibra bem humor, mistério e tensão. Finalmente conhecemos o bar para vampiros, Fangtasia, já mencionado por Maudette e Dawn em episódios anteriores. Sookie e Bill vão até lá para tentar descobrir alguma pista sobre o verdadeiro serial killer e livrar a cara de Jason. O bar, como não poderia deixar de ser, é um antro de sexo e alguma violência, onde humanos buscam saciar suas fantasias mais perversas com vampiros. Conhecemos Eric, dono do bar e o vampiro mais antigo do local. Personagem misterioso, acho que o episódio falha apenas em fazê-lo assustador, já que o ator Alexander Skarsgard não faz uma caracterização das mais interessantes. A idéia de vampiros vivendo entre nós rendeu mais situações curiosas, como quando Bill pede O Negativo no bar e a garçonete responde que só está tendo A Positivo. O episódio ainda traz a inusitada (e dolorosa) conseqüência de Jason ter tomado uma enorme dose de V (sangue de vampiro), além de colocar Sam no centro das atenções em relação ao assassinato de Dawn. O fato de Sookie poder ler pensamentos pode trazer dificuldade para os roteiristas: mesmo com a promessa que ela faz de evitar ler pensamentos de amigos e parentes, é incômodo aceitar que ela não faça isso quando o irmão corre o risco de ser preso. E ficou claro que ela percebeu que Sam tem a chave da casa de Dawn, o que no mínimo o torna suspeito. De qualquer forma, por enquanto é aceitável. Vamos ver como isso se sustentará durante a série.
1x05 - Sparks Fly Out
Finalmente o grande evento ocorre. Bill vai discursar na igreja local, falando sobre sua experiência na Guerra Civil. Uma seqüência interessante que serviu para conhecermos um pouco de seu passado (principalmente como ele se tornou vampiro), quebrar mais alguns mitos sobre vampiros de forma divertida (símbolos cristãos não os atingem, e eles aparecem sim nas fotografias) e flertar um pouco com a ambigüidade: prefiro acreditar que a história que Bill conta sobre o antepassado de um dos moradores seja mentira, um subterfúgio que usa para ganhar a simpatia da população. Sim, porque foi piegas demais e quero crer que a série destila um certo veneno na sociedade americana, podre de patriota quando diz respeito à guerra e memória de seus mortos. Ambíguo também é a relação de Sookie com seu dom de ler mentes: ela realmente não se importa ou não consegue diferenciar o que é dito e pensado, ou ela é simplesmente burra? Revelar que lê mentes para o detetive Andy no momento em que tenta inocentar o irmão foi de uma bobagem incrível. Falando em Jason, o personagem continua protagonizando os momentos mais divertidos da série, desta vez totalmente chapado com o V que bebeu mais uma vez. Ou, como diria Lafayette, pela primeira vez realmente. Os efeitos do sangue de vampiro é um dos pontos fracos até agora: uma enorme dose fez apenas aumentar sua libido, enquanto uma gota alterou sua percepção da realidade. Mas não aguçou seus sentidos, como a grande quantidade de sangue de Bill fez com Sookie, que, aliás, se livrou dos efeitos muito rapidamente (durou apenas um episódio). Enfim, o uso do V nos personagens está variando de acordo com a finalidade dos roteiristas. Quanto ao mistério que envolve a morte de Maudette e Dawn, os detetives vão interrogar Bill, que derruba em definitivo as suspeitas de que o assassino seja um vampiro: se fosse, os corpos teriam o sangue totalmente drenado, o que direciona nossas atenções para Sam, que Sookie diz pensar de forma diferente dos seres humanos “normais” (pensa como um psicopata, talvez?). No mais, destaque para a atenção dada ao cachorro antes dos créditos iniciais (por que o animal interessa tanto à série?), e o momento romântico de Bill, que chora sangue ao relembrar a esposa. Foi outro momento piegas que parece ter o objetivo de criar empatia do personagem com o público – saber que se tornou vampiro por ser um cavalheiro só aumenta isso. O final foi o mais surpreendente até agora, por não esperarmos quem seria a próxima vítima.
1x06 - Cold Ground
1x07 - Burning House of Love
Um episódio cheio de tensão, focando em três tramas: Tara e sua mãe buscando solução para um demônio; Jason e seu vício por V; e o retorno dos amigos de Bill. Quando a mãe de Tara já estava se tornando extremamente irritante, fomos presenteados com uma seqüência de exorcismo que torna a presença do sobrenatural na série algo bem ambíguo. Tudo indica que se trata de mais um comentário social que a série faz, em especial a dúvida que a exorcista coloca na cabeça de Tara (a religião culpando um mal externo pelos nossos problemas), mas será interessante ver como os personagens vão lidar com isto. Na outra referência crítica a outro ponto-chave de nossa sociedade (drogas), Jason está passando de personagem cômico para trágico na sua obsessão por V, que o fez tomar a perigosa decisão de ir ao “Fangtasia”. Lá conhece uma maluquete que o apresenta a uma nova forma de uso do V, curiosa alusão a cocaína. Também é outra trama que espera por maior desenvolvimento. Por fim, os vampiros amigos de Bill foram responsáveis pelo momento mais tenso do episódio, quando uma chacina no Merlotte parecia ser inevitável. A decisão de Bill foi o clichê dos clichês, até que o resultado final nos levou a um bom cliffhanger. Outro destaque do episódio foi a descoberta do ódio de Sookie por seu tio, que mostrou um Bill bonzinho, mas nem tanto. Poderia ser um gesto moralista dos autores da série (o vampiro bom só mata aqueles que merecem), mas é de se notar também como a protagonista tem feito coisas que seriam impossíveis numa série moralista: em apenas sete episódios, Sookie já se envolveu com dois homens na série, transou com um deles (um vampiro), deixou que ele sugasse o seu sangue e anuncia isso para as pessoas feliz da vida, sem arrependimentos. Uma mocinha moderna, sem dúvida.
1x08 - The Fourth Man in the Fire
A resolução do problema criado no final do episódio anterior não foi dos mais interessantes e o romance entre Sookie e Bill continua. Claro que fazer com que os protagonistas tenham uma noite de sexo no meio de um cemitério torna tudo melhor e ousado. O casal também tomou conta dos filhos de Arlene, momento cute-cute da série. O evento principal do episódio foi o pedido de ajuda que Eric fez a Sookie. Embora o motivo não tenha sido dos melhores, as conseqüências levam a série a outros rumos e o misterioso serial killer se torna apenas um dos muitos caminhos que o roteiro pode seguir. Tara e Jason também avançam para suas próprias complicações. Ela chega ao ápice de seu nervosismo e o resultado positivo do exorcismo de sua mãe a leva a pensar seriamente em fazer o mesmo. A discussão entre ela e Lafayette sobre o suposto golpe foi interessante, em especial o sábio comentário de Lafayette sobre o exorcismo ser mais barato que anos de Zoloft: no fundo, o que importa é se a crença leva a bons resultados. Já Jason está na situação dramática clássica do personagem que se mete em encrencas por conta do vício. Desta vez, sua mais nova amiga quem o leva para o mal caminho e os problemas só se acumulam. De resto, é interessante como a série consegue arranjar espaço para todos os coadjuvantes: Arlene sendo pedida em casamento, o comportamento suspeito de Sam investigado por Andy, como Lafayette consegue V e o trágico fim do rapaz que, já sabíamos, se relacionava com vampiros. Uma das grandes qualidades de “True Blood” é esta capacidade de explorar coadjuvantes interessantes, sem sacrificar o ritmo da trama principal.
1x09 - Plaisir D´Amour
A seqüência inicial foi bem ruinzinha, capenga de ritmo e tensão, com Bill salvando a vida de Sookie e entrando numa enrascada por matar um vampiro. Ao menos serviu para vermos Anna Paquin banhada de sangue a la Carrie, A Estranha. O problema dessa enrascada é que em nenhum momento do episódio, as ameaças de Eric soaram assustadoras e mesmo o adeus de Bill não ficou com cara de despedida. Jason, por sua vez, também caminha para uma trama não muito interessante. Sua conversa com o vampiro seqüestrado serviu apenas para plantar a idéia de que Amy é bem mais perigosa do que aparenta, no caso mais que clichê do mocinho que se apaixona por mulher boazinha que no fim das contas vai se mostrar uma psicopata. No mais, o episódio ficará marcado pelo seu final surpreendente que amplia o universo da série. Eu já sabia que aquele cachorro ia ter bastante relevância na trama, mas até onde isso vai parar? Muito do que acontece em “True Blood” só pode ser avaliado ao final da temporada, pois cada novo elemento que surge, cada desenvolvimento bizarro que aparece só deve fazer sentido ou ter uma justificativa quando o todo estiver completo. E aí sim, vamos saber o quão boa foi toda a história. Enquanto isso, fico satisfeito pela curiosidade que a série me deixa para acompanhar os próximos episódios.
1x10 - I Don´t Wanna Know
Com o segredo de Sam finalmente revelado, a mitologia da série se estende. Certamente em breve veremos até mesmo lobisomens (espero que apenas na segunda temporada). Este foi um dos melhores episódios até agora, com todas as tramas muito bem amarradas. Com as revelações de Sam, o exorcismo de Tara ficou ainda mais interessante, por não sabermos até que ponto aquilo faria sentido dentro do mundo de “True Blood”. Mas a conclusão não parece fazer conexão com todo o resto da série (eu já estava esperando que Tara levasse Sookie para um exorcismo), de qualquer forma foram momentos tensos e de boa atuação de Rutina Wesley. Já Jason continua se complicando no relacionamento com Amy, que mostrou suas garras neste episódio, no segmento que acho menos estimulante da série. O julgamento de Bill, por sua vez, foi muito melhor com um cenário ideal para o que imaginamos ser um julgamento de vampiros. Tudo bem que a pena do Magistrado não foi muito dura com uma justificativa das menos plausíveis (e ele nem quis saber por que Sookie é especial e Eric precisou de sua ajuda!). Mas a melhor notícia foi a participação de Zeljko Ivanek no papel do Magistrado. Ele, que acaba de ganhar um Emmy pelo belo trabalho na série “Damages”, cumpre perfeitamente a função de um vampiro assustador que Alexander Skarsgard não consegue no papel de Eric. Espero que apareça mais vezes. Sookie não teve muita participação neste episódio, além de se irritar com Sam e Tara, mas a perseguição final ao menos revela que o serial killer não é mesmo um vampiro, com seus pensamentos “lidos” por Sookie através de imagens. Só espero que os roteiristas não queiram ser apenas surpreendentes e não elejam um coadjuvante gente boa como Terry ou Rene, por exemplo, para cumprir essa função.
Hélio.


Tulpan, de Sergey Dvortsevoy
Sonata de Tóquio, de Kiyoshi Kurosawa
Horas de Verão, de Olivier Assayas
Caixa de Pandora, de Yesim Ustaogu
Depois da Escola, de Antonio Campos














Com esse título que dispensa explicações, finalmente J.D. McCoy quebrou seu silêncio e mostrou a vida difícil que está condenado. Afinal, quantos esportistas já não vimos serem explorados como projetos olímpicos e levados às últimas conseqüências, até não resistirem mais? Garotos prodígios que aos 25 anos já querem se aposentar para recuperar a vida que foi sacrificada por treinamentos e concentrações. Acho hipocrisia dizer que não cabe ao próprio esportista escolher, mas o que vemos nesse caso são todos os limites sendo ultrapassados, seja seu pai invadindo o vestiário e tirando a chance dele comemorar com o time até obrigando o filho a confessar para o treinador que tomou um porre na noite anterior. Embora seja um alívio que J.D. não confronte diretamente Saracen, admiro a coragem de rebaixar um dos personagens principais para desenvolver um novato. Pela importância que o futebol tem em suas vidas, chega a ser irônico que Matt Saracen encontre paz, sem ter tanta pressão em suas costas, fazendo deste o momento perfeito para finalmente reencontrar Julie e transarem pela primeira vez. Embora tenha achado mal dirigido o beijo que selou o retorno dos dois, as cenas pela manhã, voltando para casa em silêncio e Julie mal acreditando na sua própria imagem no espelho, foram de arrasar. Eles já passaram pelo pior na temporada passada e agora merecem esse momento feliz juntos.
Play of the Week: A primeira aproximação de Matt e Julie no episódio veio de um inesperado encontro no supermercado. Uma das coisas mais normais do mundo, aliás. Ao fundo tínhamos Vovó Saracen confrontado Coach Taylor por colocar Matt na reserva, enquanto o adorável casal comentava a situação com sua timidez usual (com destaque para o incrível detalhe de seus confusos pés). Ao final, depois de muito discutir, Vovó Saracen chega a conclusão de que é impossível ficar brava com o treinador.





E bastou Smash sair, para termos o retorno de Jason Streets à série. Sem precisar de maiores explicações, já vemos Jason como pai e passando por dificuldades para manter seu emprego e cuidar da criança. A sua idéia do negócio imobiliário é interessante por fazer uso dos irmãos Riggins, que infelizmente estão ficando com histórias cada vez mais desgastadas. A grande mancada foi trazer o motoqueiro criador de furões de volta. Mas dá para desculpar por Tim ter sido Buddy-tomizado com as dicas imobiliárias e repetí-las exaustivamente. Jason ainda mostra toda sua confiança e sua lábia para conseguir boas oportunidades. Achei seu discurso para convencer Buddy Garrity um pouco fora de tom, talvez porque eles tenham uma relação próxima o suficiente para não depender só de seus grandes momentos como jogador. A notícia de que sua namorada quer voltar para a casa dos pais foi de cortar o coração, mas como Jason só deve aparecer em poucos episódios, é somente para criar um suspense mesmo.


O que fazer quando o mundo pode acabar a qualquer momento?
Mas não é só em seu casamento que Don consegue triunfar nesse retorno. Com uma manobra já antecipada há alguns episódios -- Roger já dizia que Don não tinha contrato --, ele reverte a investida de Duck em presidir a Sterling Cooper e mudar a estratégia da empresa. A irritação de Duck, outra vez dominado pela bebida, deixa a impressão de que esse é o seu adeus final. Uma pena por toda a evolução de seus dilemas, principalmente nessa parte final da temporada. Por mais uma vez, Don evoca sua noção "romântica" da publicidade, o que me faz pensar que essa teimosia está inserida na sua personalidade. No seu encontro com Anna no episódio anterior, ele diz acreditar que as pessoas não mudam. Nesse caso, é esse seu "personagem" que não dá espaço para mudança, a não ser que ele volte às suas origens. Com a rápida evolução dessa década então, Don Draper corre sério risco de ser deixado para trás.
Peggy e Peter tem uma história a parte nessa temporada. Após o final do caso que estavam envolvidos, eles tiveram de fazer vários sacrifícios para adquirir maturidade na empresa. Peggy teve de esquecer sua misteriosa gravidez para chegar onde nenhuma outra mulher chegou na Sterling Cooper, mesmo que cercada de todos os lados para confessar. Peter lutava contra os dilemas de manter sua opinião sobre a adoção de um filho ou satisfazer o desejo de sua mulher e sua família. Ainda que esse apoio de seu sogro envolva sua carreira, acho que o elogio recebido de Don por ter conduzido bem os negócios em L.A. são mais do que suficientes. Toda essas situações são resolvidas numa única cena, uma conversa final na sala de Peter, enquanto os funcionários da Sterling Cooper corriam desesperados para suas casas. Enquanto ele revela seu amor e diz o quão perfeita ela é, Peggy decide finalmente confessar o destino de seu filho. Ironicamente, o filho legítimo de Peter foi posto para adoção. Ela fazendo o sinal da cruz antes de dormir mostra seu alívio em finalmente colocar as coisas a limpo, se não na forma de uma confissão formal ao padre, pelo menos para a pessoa mais interessada.
Tem como não sorrir junto com uma imagem cativante dessas? Nesse que parece ser o adeus de Brian "Smash" Williams da série, tudo aconteceu como previsto: ele finalmente conseguiu sua vaga na Universidade. Mas não há como reclamar de uma história previsível quando temos a comovente mensagem de motivação de Coach Taylor antes do teste final, ou Smash agradecendo o treinador na porta de sua casa. Afinal, o grande mérito dos roteiros de Friday Night Lights é exatamente quando colocam as tramas nos seus devidos trilhos.