segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[Breaking Bad] 5x05, 5x06 - Dead Freight, Buyout



“Out burying bodies?” – Skyler
“Robbing a train.” – Walt



E a Skyler só antecipou o que Walt terá que fazer: se livrar do corpo de uma criança. Que golpe violento o deste “Dead Freight”, uma montanha russa de emoções, pequenas tensões que vão se acumulando (quem é este menino na abertura? O que vai acontecer? E agora, o que Walt quer no escritório de Hank? Será que vão matar Lydia?) para culminar em clímax divertido, adrenalina bem executada que não deve em nada às melhores sequências de roubo do cinema. E quando nossos batimentos cardíacos estão voltando à normalidade, vem a paulada.


Não é que o episódio não nos tenha alertado sobre o que viria: mostrar o menino no início é estragar um pouco a surpresa, embora seja o mínimo (mas suficiente) necessário para dar “substância” (ou background) ao personagem; e a necessidade de não haver testemunhas foi bastante explicitada, tanto por Mike falando sobre sua experiência nesse tipo de serviço, quanto por Walt e Jesse deixando bem clara a ordem para Todd. Morte anunciada, mas não menos impactante. Principalmente porque sabíamos que Walt e Jesse não seriam capazes de algo assim (Walt, quem sabe, se não fosse de forma tão explícita), e talvez nem mesmo Mike. A própria questão de matar alguém já vinha sendo debatida, a ponto de Lydia criticar “Achei que vocês eram profissionais!”. Mas lá estava um profissional inesperado. Todd, que só conhecíamos por um par de cenas, mas suficientes pra tornar crível sua praticidade: soldado obediente, esperto, ávido por impressionar, sua expressão calma e sem emoções já dava mostras de tamanha insensibilidade.


“Dead Freight” é excelente do início ao fim. Há toda a habitual excelência na direção, nos aspectos técnicos, na escrita, atuações, etc. Mas é um destes episódios que acabam sendo lembrados e discutidos apenas pelos seus minutos finais, tamanho o choque e impressão que deixam em quem assiste. Não é sempre que um assalto desta magnitude é visto em uma série de TV, muito menos a morte de uma criança de forma tão brusca. Mas outras duas sequências me chamaram a atenção pelas possibilidades a que elas acenam: Hank e Marie cuidando de Holly, enquanto Skyler diz a Walt sobre a possibilidade do perigo bater em sua porta. Já sabemos que uma tragédia ocorrerá em breve (no máximo, em um ano) e penso se Skyler conseguirá sobreviver ao fim da série. De uma forma ainda mais trágica, a ironia seria o perigo bater na casa de Hank e dar de cara com Marie e Holly... O mais interessante é que cinco episódios se passaram e nada aponta para o que poderia ser este perigo e como daremos um salto de meses na série.


Por último, muito se falou sobre a referência que Hank faz ao filme “Fogo Contra Fogo”, que aborda um assalto e as coisas começam a dar errado quando um assaltante novato no grupo mata quem não deveria matar. Esta temporada de Breaking Bad tem sinalizado coisas em forma de referências cinematográficas que, francamente, não me parecem necessárias: Mike vê A Nave da Revolta em “Madrigal”, filme que mostra a tripulação de um navio ameaçada pela insanidade de seu capitão; Walt e Jesse veem Os Três Patetas, após o novo de trio de “empresários” decidirem pelo laboratório intinerante; e, claro, Walt e Jr. veem Scarface, filme referência da série desde seus primórdios (a fala de Walt “Todo mundo morre neste filme” poderia apontar para um possível desfecho da série, mas na verdade foi um improviso do próprio Bryan Cranston). O que acho desnecessário é que servem apenas para massagear o ego de quem vê, que pode se orgulhar de entender as referências – sobre o filme do Michael Mann, não sei se é proposital, mas há algo mais sutil e orgânico: há uma sequência em que o personagem de Al Pacino discute o relacionamento com a esposa e o plano/contraplano de seus rostos são preenchidos por escuridão; o mesmo ocorre com Walt na cena com Skyler, só há trevas a sua volta; também não dá pra ignorar Lydia enquadrada com as luzes da cidade ao fundo, algo recorrente nos filmes de Mann.




“I'm in the empire business.” – Walt



E então chegamos ao “Buyout”, que enfim coloca elementos que esclarecem o que está por vir. Primeiro, há uma crítica que Alan Sepinwall faz que é pertinente: o episódio trata de ir direto ao ponto que os roteiristas pretendiam com a morte do garoto, que é a dissolução da parceria entre Walt, Jesse e Mike. Em uma temporada de 13 episódios, seria provável um maior desenvolvimento das consequências que esta morte traz, em especial para Jesse. Algo tão impactante serve apenas para mover a história para seu próximo ponto, que ocorre antes mesmo de chegarmos na metade do episódio. Por outro lado, o cronograma apertado (apenas mais dois episódios para o fim desta primeira parte) não me pareceu forçar situação alguma, além de evitar o retorno a um status anterior da série – Jesse deprimido, tentando lidar com uma tragédia, foi tema do início das duas últimas temporadas e sabemos como aqueles episódios da 4ª temporada, vistos em retrospecto, acabaram sendo os menos interessantes.


É preciso destacar a abertura deste episódio, que me parece perfeita como representação da gravidade do que ocorreu. Sabemos, a esta altura, como os protagonistas se livram de um cadáver e a força dramática vem da substituição do corpo da criança pela sua bicicleta, desmontada e destruída parte por parte, com bela trilha sonora respeitando o momento (a imagem da mão do menino acaba por manter o horror e o gosto amargo da situação). A partir daí, tudo soa de forma bem natural, mesmo que aqui e ali soe apressado: Walt mostra como não há alternativa viável além de manter Todd, Mike se vê pressionado por Hank, investigação já em curso desde “Madrigal”, e Jesse sob impacto da morte decide apoiá-lo na dissolução do grupo (ajuda o fato de ouvir Walt assobiando despreocupadamente após o que parecia ser uma discussão séria e um lamento pelo garoto). O momento também é ideal porque a venda da metilamina que acabaram de roubar resolve os problemas financeiros de todos.


E é aí que finalmente surge a ameaça que estávamos esperando. O contato que Mike faz para vender a substância se interessa mais pela possibilidade de tirar a “blue meth” do mercado, o que força Jesse e Mike a tentar, cada um a seu modo, convencer Walt de vender sua parte. Como sempre, os roteiristas tem cartas na manga para tornar a coisa toda verossímil: Jesse até relembra o valor que Walt, um dia, sonhou em ter (737 mil dólares, número que dá título à premiere da segunda temporada), e como cinco milhões é mais do que suficiente para fazer todos desistirem dos negócios (e, como consequência, acabar com a série). É uma proposta irrecusável para Walt, e seria difícil acreditarmos em sua recusa tão veemente, mesmo sabendo de todo o seu orgulho. Mas a história que ele conta sobre a Gray Matter, como vendeu sua parte, o valor atual (“Bilhões. Com B”) e como semanalmente acompanha a situação da empresa, convence pelo tanto que conhecemos dele.


Já Mike, obviamente, usa a força, mas mais uma vez subestima Walt, numa peripécia para se soltar digna de MacGyver. Qual o plano para conseguir o dinheiro para Jesse e Mike (Jesse não chega a dizer que a ideia envolve VENDER a metilamina)? Como “todos ganham”? Walt estaria disposto a fazer uma parceria com o grupo de Phoenix (improvável por seu desejo de ser chefe) ou a intenção seria enganá-los (improvável porque Mike não arriscaria)? Seja como for, a tensão aumenta porque Mike conta com este dinheiro nas próximas 24 horas, antes que Hank consiga anular a restrição e feche o cerco sobre ele.


Com tanto pesar no início e tanta tensão ao final, “Buyout” ainda nos reservou um dos grandes momentos de humor da TV este ano: um jantar em que Walt coloca Jesse e Skyler na mesma mesa. O desconforto de Jesse é tão sensacional quanto a embriaguez de Skyler, que se retira da mesa carregando sua garrafa de vinho de modo que muito me lembrou a alcóolatra preferida de todo fanático por séries, Lucille Bluth. O drama, a esta altura da série, é pesado e intenso (especialmente no lado de Skyler, que ao contrário do que imaginei, só agora descobre que Walt disse a Marie sobre sua infidelidade), mas de alguma forma o humor não destoa, nem parece inconveniente. Sequer um “alívio cômico”, já que a situação é perfeitamente orquestrada por Walt, que se abre para Jesse mais como uma tentativa de ganhar sua simpatia em momento crucial da parceria entre ambos. Resta saber até que ponto esta parceria ainda existe e como os planos de Walt complicarão a vida de todos.



 
Hélio Flores


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

[Breaking Bad] 5x03, 5x04 - Hazard Pay, Fifty-One


 

 
“Just because you shot Jesse James, don't make you Jesse James” – Mike

“What are you waiting for?” – Walt
“For the cancer to come back” - Skyler


Uma das coisas mais fascinantes em Breaking Bad, e que a diferencia de toda e qualquer série atual que tem o suspense como gênero, é como os roteiristas se preocupam mais em dar uma continuidade natural e realista à trama do que gerar o suspense propriamente dito. Não há elementos novos (como uma nova ameaça a cada temporada de Dexter) que não sejam consequência dos atos dos personagens, não há mistérios que precisam ser mantidos por um tempo (como em The Killing), não há ambiguidade de personagens (Homeland), e mesmo um recurso como o flashforward não é desculpa para gerar interesse na série, fazendo dele um fim em si mesmo (como a esquizofrenia porca de Damages). Na verdade, em relação à cena que abriu a temporada, é incrível que metade desta primeira parte já se foi e nada parece nos levar a ela, e apenas somos lembrados pela tradição do bacon no aniversário de Walt e o relógio com seu tenso tic tac anunciando dias piores.


Não, o grande trabalho da equipe de Vince Gilligan é priorizar uma certa ordem “natural” das coisas e pensando como essa verossimilhança pode ter uma boa dose de tensão e suspense. E, claro, com bastante imaginação. Se Walt e Jesse precisam voltar aos negócios, não dá pra simplesmente escolher um novo local de trabalho. É mais “realista” mostrar a dificuldade de se achar um lugar ideal (não sem humor, com Saul tentando empurrar o laser tag abandonado que já havia tentado antes e que serviu de abrigo pra Jesse no fim da 3ª temporada) e terminar na brilhante ideia do “laboratório intinerante”. Da mesma forma que manter um negócio desses passa por uma série de dificuldades e pagamentos, algo inesperado para o arrogante Walt, o que acaba servindo de conflito entre ele e Mike.


E assim a série segue a passos lentos, dando importância aos detalhes, mas fazendo de cada cena um momento dramático intenso, sempre focando nas exigências da trama, sem sentir a necessidade de dar destaque a um ou outro personagem: se Skyler é o centro das atenções agora, é porque o momento exige; assim como Mike protagonizou um episódio quando era necessário mostrar as investigações que levaram a Madrigal, e Jesse pouco tem a fazer, mesmo sendo um protagonista da temporada anterior.


Tudo isso, claro, com Walter White como centro gravitacional. O que importa é sua derrocada e como ele leva a todos para o inferno. Nisto, “Hazard Pay” e “Fifty-One” são exemplares. Nos atos maiores, fingindo se importar com Jesse, mas envenenando seu relacionamento com Andrea (ele nem se importa quando o “amigo” diz que terminou com ela) ao menor dos atos (observem como ele abre a gaveta e joga as roupas de Skyler pra um canto, pra colocar as suas próprias), Walt acua, manipula e aterroriza seus próximos, simplesmente porque pode, já engolido por seu ego e orgulho. “Nada vai parar este trem”, ele diz. Sua família ainda importa, óbvio, mas tem que ser nos seus termos. A emblemática sequência em que ele recorda todo o ano vivido, enquanto está de costas para Skyler (e ela para ele) é a metáfora perfeita para seu relacionamento, que chega aqui no momento mais insustentável: a esposa que vê como única saída a espera pelo câncer (e fumar excessivamente não atrapalha seus planos) e o marido que quer uma aproximação distorcendo verdades de acordo com sua conveniência (a história sobre Ted para Marie ou dizer a Skyler como Jesse supostamente mudou de opinião sobre ele).





Os episódios não se resumiram a Skyler e Walt, mas é como ficarão marcados, dado a excelência do texto e dos atores. É como uma versão hardcore do início da terceira temporada, quando Walt força sua presença em casa, fazendo da esposa a vilã da situação. Mas tivemos também:


- Mike lidando com seus homens que tiveram o dinheiro confiscado. Engraçado quando Walt diz a Saul que ameaçar é o que ele faz, e provavelmente já ameaçou alguém antes do café da manhã, quando realmente Mike esteve cedo negociando o silêncio de quem estava preso;


- Novos personagens da empresa “Vamonos Pest”, responsáveis pela dedetização das casas que serão usadas como laboratório. Certamente terão impacto na trama, já que um deles é vivido por Jesse Plemons, o eterno Landry de Friday Night Lights. No papel de Todd, já mostrou esperteza (e desobediência) ao avisar Walt de uma câmera que ele desligou;


- Um episódio tão coeso e bem executado como “Hazard Pay”, é inacreditável que tenha sido tão povoado: teve não só Mike e os novos personagens, mas Marie, Andrea e Brock, Skinny Pete e Badger. E como sempre tem um jeito de toda cena ter uma informação nova, descobrimos que Skinny Pete tem uma grande habilidade musical, provavelmente destruída pelas drogas;


- Como já dito, Jesse terminando com Andrea. Acho uma pena que tenha sido fora da tela, já que esse relacionamento teve enorme importância na série (catalizador do clímax, tanto do final da terceira quanto da quarta temporada), mas com tantos eventos, é um pecado que estou disposto a perdoar. Outra elipse estranha é a de Skyler (já no episódio seguinte) saber que está sendo vista pela irmã e cunhado como infiel. Em que momento se deu isso?


- Falando em momentos fora da tela, ficamos sem saber qual a opinião do Walt sobre o que Mike deveria fazer com Lydia, exceto que Jesse acha a ideia ótima. Provavelmente é o que moverá o próximo episódio. Lydia, aliás, é assustadora de uma maneira bem peculiar. Atrapalhada, assustada, capaz de fazer uma loucura no desespero. Mike está certo em querer matá-la, mas parece que não é o que vai acontecer;


- Walter Junior sempre comendo. Já virou piada entre os fãs, especialmente no que diz respeito ao café da manhã. E acredito que os próprios realizadores adotaram como humor. Basta ver que mesmo na cena em que Skyler e Marie comem no lava-a-jato, lá está uma foto do rapaz fazendo parte da cena;


- Hank promovido. Não parece ser o que ele quer, e é uma forma breve e eficaz de mostrar que sua obsessão por Heisenberg continua, e desenvolver o personagem, colocando-o em outra posição;


No mais, grande momento de Anna Gunn na série. Do explosivo “Shut up!” ao confronto com Walt, não duvido que isto tenha lhe conseguido alguns votos no Emmy, mesmo que não seja por esta temporada que ela concorre. Será uma favorita para o ano que vem. No que diz respeito à direção, “Hazard Pay” parece bem mais comportado e sutil, enquanto “Fifty-One”, dirigido pelo cineasta Rian Johnson (que também dirigiu “Fly”), pode facilmente ser chamado de “metido a besta”, mas gostei bastante, especialmente das composições de Skyler no fundo da piscina (com resgate que corta no momento em que Walt aparece no quadro, dando a impressão de ser um agressor) e Skyler fumando ao final usando a caneca de aniversário como cinzeiro. 


Chama a atenção também as duas aberturas (Mike na prisão; Walt e filho com novos carros) que, ao contrário da especialidade da série, não impressionam ou são pomposas, mostrando que Gilligan não sente a necessidade de causar impacto o tempo todo. Às vezes menos é mais, principalmente quando o que se conta é tão bom.



 
Hélio Flores

domingo, 29 de julho de 2012

[Breaking Bad] 5x02 - Madrigal



 
“Right in front of me. Right under my nose.” - George


Começo pelo final: Breaking Bad tem sua cota de cenas desagradáveis, em especial os atos de seu protagonista, mas aqui parece alcançar um novo nível. Numa sequência que eleva a enésima potência o tom amargo do final do episódio anterior, Walter White oferece palavras “de consolo” a Skyler que, visivelmente depressiva, ainda é abordada sexualmente pelo marido, ainda mais excitado e tomado pelo poder após receber boas notícias de Mike. Vince Gilligan já disse várias vezes que chegará o momento em que os fãs deixarão de ter qualquer simpatia por Walt e acho que isto nunca esteve tão evidente como agora.


Porque o que temos ali é o homem que, um dia, havia decidido fazer coisas erradas pelos motivos certos e que, agora, é incapaz de perceber o mal que faz à família que tanto quis proteger. E um mal causado por puros atos de egoísmo e abuso de poder. Não nos iludamos: o que vimos ao final de “Madrigal” foi um legítimo estupro, interrompido para nós, espectadores, mas que certamente continuou para Skyler, numa cena que materializa o pesadelo da personagem por meio do enquadramento, da pouca luz e uso de som (o zíper da calça de Walt, o tom de voz, respiração ofegante, beijos insistentes).


Este Walt monstruoso nos foi apresentado antes no episódio, “despersonalizado”, tanto na primeira cena que mostra o estado emocional de Skyler...


 
... quanto na cena em que também usa palavras de consolo com Jesse, onde só vemos as mãos que controlam e manipulam aqueles que confiam nele...



... as mesmas que abusam de Skyler.



Há uma diferença clara entre os relacionamentos que esses dois personagens mantêm com Walt: Jesse acredita totalmente nele (seu choro é menos pela possibilidade de ter matado alguém acidentalmente com o cigarro perdido, do que por quase ter atirado no seu mentor), enquanto Skyler sabe muito bem com quem divide um lar. Mas no final das contas, é a mesma bomba a que Mike se refere, prestes a explodir e destruir quem estiver por perto.


Em relação à trama envolvendo o cigarro, mais uma vez a série mostra que não permite pontas soltas (obviamente que Jesse iria querer saber o que houve), nos dá mais uma montagem musical com a dupla protagonista (música "Stay on the Outside", do inglês Whitey) e ainda traz a ricina de volta ao jogo, com Walt escondendo em seu quarto e tendo apenas mais esta temporada para finalmente conseguir usar o veneno.


Mas as monstruosidades de Walt ficaram em segundo plano no episódio, que teve Mike como protagonista, graças às investigações que colocaram a Madrigal Electromotive no centro da trama. A abertura até dá a entender que Herr Schuler é o novo bad guy da temporada, com seu ameaçador silêncio ao degustar molhos, e o belo passeio da câmera que revela o nome da empresa e a retirada do Pollos Hermanos do mercado. É uma bela introdução que logo sofre uma reviravolta com o suicídio naquele pomposo banheiro de cores calculadas.


Na verdade, Lydia é a nova personagem da série, que pretende apagar toda e qualquer pista, incluindo pessoas, que possa ligar seu nome aos crimes de Gus Fring. E, como ela mesma diz a Mike, não chegou a conhecer o químico responsável pela metanfetamina, o que coloca Walt mais uma vez em uma posição de não ter ideia dos perigos que corre e do tanto que é resolvido fora do seu alcance (os gêmeos na 3ª temporada; o cartel na 4ª). 


A chegada de Lydia junto com a descoberta das contas investigadas por Hank (que inclui uma em nome de Kaylee Ehrmantraut) permitem que possamos apreciar Mike fazendo o que faz de melhor, mas não sem complicações, tendo agora que lidar com uma lista de nove nomes não mais tão confiáveis, ao mesmo tempo em que se vê obrigado a aceitar parceria com Walt e Jesse e, no processo, mantendo Lydia viva. Tudo, como não poderia deixar de ser, bastante redondo, desde como a cadeia de eventos justifica os atos do personagem, a elementos já inseridos previamente (a neta de Mike e Chow apareceram em “Full Measures”, final da 3ª temporada).


É um belo trabalho de Jonathan Banks, que sempre pode brilhar em pequenas participações e agora teve um episódio inteiro para nossa felicidade. Mike sendo interrogado por Hank e Gomez (“Esqueceram suas algemas?”) talvez tenha sido meu momento favorito, mas sua postura e calma na interação com qualquer personagem redobram o interesse pelos diálogos e cenas em questão.


Falando em Hank, mais uma participação periférica e, embora uma ótima troca de farpas com Mike (adoro como ele fala “Mike” depois que este diz pra ser chamado de Mr. Ehrmantraut), o que fica de mais forte é sua expressão diante da fala de George sobre não desconfiar de alguém tão próximo de nosso convívio. É uma característica incrível da série, esta de desenvolver tramas e personagens com pequenas e aparentemente desimportantes cenas, para que quando o grande evento surja, não pareça inverossímil. E, assim como em “Bullet Points” na temporada passada, Dean Norris transmite uma ambiguidade fascinante. O quanto ele pensa em Walt?



 
Hélio Flores

quarta-feira, 18 de julho de 2012

[Breaking Bad] 5x01 - Live Free or Die



“Happy Birthday, Mr. Lambert!” - Lucy

Já se tornou um marco da história recente da TV o último episódio da terceira temporada de Lost, “Through the Looking Glass”, em que o aspecto físico de determinado personagem (incluindo uma barba) causa um estranhamento que só será entendido pela revelação na cena final, surpreendendo pela reviravolta e mudança de perspectiva e rumos da série. Breaking Bad também começa sua quinta temporada com personagem fisicamente mudado (incluindo uma barba), mas imediatamente nos situa o momento em que se passa, e tem apenas a duração de um prólogo. E, ao contrário de Lost, em que ao menos sabíamos que certa tripulação não deveria chegar na Ilha, aqui ficamos sem a menor ideia do que aconteceu de tão grave.


Ainda é cedo para saber que tipo de abordagem Vince Gilligan e seu time de roteiristas pretendem dar ao que vemos neste início: flashforwards em pequenas doses, como vistos na excelente 2ª temporada? Um acompanhamento paralelo aos eventos “atuais”? Ou não retornaremos mais a isto por um bom tempo? O fato é que tivemos informações suficientes para criar uma enorme expectativa e muitas dúvidas.


Primeiro fato relevante: o prólogo se passa dois anos após o piloto da série, tempo demais na cronologia de Breaking Bad, considerando que apenas metade deste tempo se passou em quatro temporadas (estimativa aproximada, baseando-me que Skyler já estava grávida quando a série começa e sua filha ainda é um bebê de colo). O Walt de barba, cabelo e aspecto cansado em nada se parece com o Walt que vemos pelo restante do episódio, autoconfiante, arrogante e cheio de si; não usa a aliança que ostenta no ferro-velho, dizendo ser de ouro; tosse e toma comprimidos; mas tem dinheiro (além do pesado armamento que compra, deixa 100 dólares de gorjeta), quando no momento atual precisa pedir emprestado a Jesse.


É interessante que até o final do episódio, nada aponta para aquele momento. Pelo contrário, “Live Free or Die” resolve, de uma maneira até apressada, as pontas soltas que ainda existiam: as filmagens do laboratório são destruídas, Walt se livra da planta usada como veneno, rapidamente acerta as contas com Mike (que só é algo verossímil graças ao cuidado na construção de um relacionamento entre Mike e Jesse na temporada anterior). Walter White não tem inimigos, Hank está longe de qualquer coisa que possa levantar suspeita sobre ele, não tem sequer como recomeçar a produção de metanfetamina para ganhar dinheiro. É como se a série recomeçasse do zero, com a enorme diferença de que os personagens estão longe de serem como eram no início - e o plano inicial e final do episódio falam isso de forma maravilhosa: o bacon gorduroso contrastando com o bacon vegetariano do piloto, que o protagonista come por imposição de uma esposa autoritária que agora é “perdoada” por um marido assustador.


Curioso também que a única ponta solta que fica do ano anterior nem sabíamos que seria uma ponta solta: Ted não está morto. Mas acredito que não veremos mais o personagem, que deve mesmo manter o segredo pelo resto de sua vida. Se seu retorno na temporada passada serviu para culminar no épico final de “Crawl Space”, aqui tem uma única função: em Breaking Bad as pessoas são (e vêm a ser) aquilo que elas fazem e, ao substituir o choque e o lamento por uma fingida ameaça (“Good.” Grande momento de Anna Gunn), Skyler vê um pouco mais do inferno em que está e ganha novas camadas.


Mas como uma coisa leva a outra nesta série, uma conta bancária de Gus Fring é descoberta, apenas graças ao magnético plano de Walt e Jesse. Dificilmente será algo que leva a nossos protagonistas, mas que logo os atingirá de alguma forma – o próximo episódio se chama “Madrigal”, nome da multinacional alemã que Hank descobre estar ligada ao Pollos Hermanos.


Outras considerações:

- “Live Free or Die”, na placa do carro de Walt, é o slogan do Estado de New Hampshire, de onde supostamente vem o “Mr. Lambert”. É também o nome do episódio de Sopranos em que o personagem Vito Spatafore foge para esse Estado (se não viu a série, não se preocupe, os motivos da fuga nada têm a ver com Breaking Bad);

- Por um lado, é realmente divertido ter de volta a velha dinâmica entre Walt e Jesse tentando se livrar de uma enrascada, algo perdido na temporada anterior; Por outro, é o terceiro mirabolante e bem sucedido plano de Walt num curto espaço de tempo. Espero que as coisas se “normalizem” um pouco;

- “Yeah, bitches! Magnets!” consegue ser ainda melhor que “Yeah Mr. White! Yeah Science!”;

- Trabalho técnico sempre incrível. Destaques: a trilha sonora que dá ritmo à destruição da sala de evidências; a visita de Hank ao laboratório queimado no melhor estilo “Alien” (reparem nos cones); e os planos com a câmera dentro do porta-malas de carro, um dos mais usados por Tarantino;

- “Estamos em uma época de partículas de Deus” – imagino que a cena tenha sido refilmada para manter a atualidade?

- Como imaginado, Saul ajudou Walt no seu plano para envenenar Brock e Huell quem roubou o cigarro (ou carteira inteira) de Jesse. Não acho que a série dará mais explicações que esta;

- "O que há entre vocês?" Mike, devidamente irritado com o "Se você matá-lo, vai ter que me matar" de Jesse, algo que os dois protagonistas se revezaram em dizer um bom número de vezes na quarta temporada;

- Falando em Mike... Mike e as galinhas. Existe alguma parceria que não seja boa com esse cara?



Hélio Flores
twitter.com/helioflores

terça-feira, 17 de julho de 2012

Palpites para indicados ao Emmy 2012

Decidi de última hora postar palpites para os indicados ao Emmy, que serão anunciados na próxima quinta-feira, dia 19. Apenas para não perder a tradição. Peço desculpas, portanto, pelo texto rápido e meio bagunçado.




Melhor Roteiro/Direção

Passando rápido por essas duas categorias, adivinhar os indicados aqui é missão quase impossível, mesmo com alguns nomes claros: enquanto séries favoritas como “Mad Men” e “Breaking Bad” enviam quase a temporada completa pra concorrer na categoria, os votantes sempre dão um jeito de diversificar, em especial mostrando boa vontade com pilotos e finais de série. Neste último caso, “House” é a única série de peso que foi encerrada, mas sua participação no Emmy diminuiu nos últimos anos o suficiente pra não considerarmos. Entre os pilotos, “Homeland” parece um nome certo (nas duas categorias, talvez), enquanto “Luck” e “Boss” têm chances em Direção, pela possibilidade que os votantes têm em votar em grandes nomes do cinema (eles adoram). No caso, Michael Mann e Gus Van Sant, respectivamente. Entre as tantas malfadadas estreias na tv aberta, não me surpreenderia em ver o piloto de “Smash” reconhecido. Favoritas em outras categorias, as indicadas da HBO ano passado, “Game of Thrones” e “Boardwalk Empire”, mandaram vários episódios pra apreciação, muito embora cada uma tenha nomes bem claros pra tentar uma vaga, enquanto a incógnita “Downton Abbey” muito acertadamente enviou apenas seu episódio de Natal para concorrer em ambas categorias. Por fim, “The Good Wife” curiosamente enviou apenas um episódio para concorrer em Roteiro (Blue Ribbon Panel), mas cinco em Direção, todas escolhas boas demais que podem acabar se anulando. Qualquer outra série que conseguisse emplacar um episódio me causaria imensa surpresa.

Chutando bastante, os indicados seriam:

Roteiro


1. Downton Abbey (Episode 7 Christmas)
2. Homeland (Pilot)
3. Mad Men (The Other Woman)
4. Mad Men (Far Away Places)
5. Breaking Bad (Crawl Space)


Outras Possibilidades: Homeland (The Weekend), The Good Wife (Blue Ribbon Panel), Boardwalk Empire (To the Lost), Smash (Pilot), qualquer outro concorrente de Breaking Bad e Mad Men

Meu voto:
1. Breaking Bad (Crawl Space)
2. Breaking Bad (Problem Dog)
3. Mad Men (Far Away Places)
4. Mad Men (The Other Woman)
5. Game of Thrones (Blackwater)





Direção

1. Game of Thrones (Blackwater)
2. Breaking Bad (Face Off)
3. Homeland (Pilot)
4. Luck (Pilot)
5. Mad Men (Far Away Places)


Outras Possibilidades: Mad Men (The Other Woman), Mad Men (Commissions and Fees), Boss (Pilot), Breaking Bad (Crawl Space), Homeland (The Vest), Boardwalk Empire (To the Lost)

Meu voto:
1. Breaking Bad (Crawl Space)
2. Game of Thrones (Blackwater)
3. Mad Men (At the Codfish Ball)
4. Mad Men (A Little Kiss)
5. Sons of Anarchy (Hands)



Atriz Coadjuvante

Indicadas 2011 – Margo Martindale (vencedora), Christine Baranski, Michelle Forbes, Christina Hendricks, Kelly MacDonald, Archie Panjabi.
Vagas em aberto – Apenas a vencedora Martindale não retorna. Como Forbes pouco faz na cada vez menos prestigiada “The Killing”, dá pra dizer que ao menos duas novidades teremos na categoria.
Quem retorna – Exceto por Hendricks, que pode até vencer graças à projeção que teve nesta temporada, não coloco a mão no fogo por ninguém, nem mesmo a campeã de 2010 Panjabi.
Quem já ficou perto de uma indicação ou foi indicado antes – Anna Gunn, fora da competição ano passado nunca teve tão boas chances, e January Jones, que finalmente se colocou como coadjuvante, não seria surpresa total, com dois episódios de participação forte, embora vamos continuar lembrando de Kiernan Shipka, porque seu dia há de chegar; MacDonald, que tenta se manter, pode perder votos pra colega de série Gretchen Mol, enquanto Lena Headey ultrapassa Emilia Clarke entre as candidatas de “Game of Thrones”; Não se sabe o quanto “Damages” foi esquecida (seja pelo intervalo, pelo buzz ou pela mudança pra DirecTV), mas Rose Byrne continua com suas (inexplicáveis, pra mim) chances.
As novidades - A maior delas é Maggie Smith, vencedora no ano passado quando “Downton Abbey” concorreu como minissérie. Muito mais justo se concorresse como atriz convidada, o fato é que mesmo com pouco, Smith é uma daquelas presenças incontestáveis, que nos faz desejar que não saia da tela nunca; Morena Baccarin dependerá do quanto “Homeland” será querida pelos votantes e Angelica Huston só pode ser considerada pelo nome que é.

As indicadas serão (em ordem de favoritismo):
1. Christina Hendricks, Mad Men
2. Maggie Smith, Downton Abbey
3. Archie Panjabi, The Good Wife
4. Anna Gunn, Breaking Bad
5. Kelly MacDonald, Boardwalk Empire
6. Christine Baranski, The Good Wife


Boas chances: Morena Baccarin (Homeland), Rose Byrne (Damages), January Jones (Mad Men)

Meu voto (em ordem de preferência):
1. Christina Hendricks, Mad Men
2. Anna Gunn, Breaking Bad
3. Maggie Smith, Downton Abbey
4. Kelly MacDonald, Boardwalk Empire
5. Lena Headey (Game of Thrones)
6. Maisie Williams (Game of Thrones)



Ator Coadjuvante
Indicados 2011 – Peter Dinklage (vencedor), Andre Braugher, Josh Charles, Alan Cumming, Walton Goggins, John Slattery
Vagas em aberto – Nenhuma. Todo mundo volta, mas um ou dois terão que cair fora porque a concorrência está impossível.
Quem retorna – Não consigo imaginar a categoria sem Dinklage e Slattery. Os demais, mesmo com admiradores (embora Charles claramente seja o mais fraco), podem muito bem ficar de fora.
Quem já ficou perto de uma indicação ou foi indicado antes – o vencedor de 2010, Aaron Paul, retorna pra um verdadeiro banho de sangue contra Dinklage, que pode até sobrar pra Giancarlo Esposito, que também não imagino de fora da disputa; Jared Harris e Vincent Kartheiser nunca tiveram tão boas chances, enquanto Michael Pitt está ainda melhor (e tão protagonista quanto Paul e Dinklage são em suas séries) que ano passado.
As novidades – assim como Baccarin, Mandy Patinkin dependerá do quanto as atenções serão pra o elenco como um todo de “Homeland” ou se Claire Danes concentrou todo o destaque; Goggins terá atenção dividida com Neal McDonough, enquanto Nick Nolte já seria um nome certo se não fosse pela polêmica envolvendo Luck. Como se não bastasse, “Damages” tem tradição de emplacar seus coadjuvantes de luxo e este ano John Goodman e Dylan Baker são nomes mais que respeitáveis.

Os indicados serão (em ordem de favoritismo):
1. Aaron Paul, Breaking Bad
2. Peter Dinklage, Game of Thrones
3. John Slattery, Mad Men
4. Giancarlo Esposito, Breaking Bad
5. Nick Nolte (Luck)
6. Alan Cumming (The Good Wife)


Boas chances: Andre Braugher, Mandy Patinkin, Jared Harris

Meu voto (em ordem de preferência):
1. Aaron Paul, Breaking Bad
2. Peter Dinklage, Game of Thrones
3. Giancarlo Esposito, Breaking Bad
4. Michael Pitt, Boardwalk Empire
5. John Slattery, Mad Men
6. Kevin Dunn, Luck



Melhor Atriz
Indicadas 2011 – Julianna Margulies (vencedora), Kathy Bates, Connie Britton, Mireille Enos, Mariska Hargitay, Elisabeth Moss
Vagas em aberto – Apenas Britton não volta, com “Friday Night Lights” encerrada. Mas eu gostaria muito de pensar que Bates e Enos já tiveram seu momento e que finalmente será este o ano em que não teremos Hargitay. O que daria uma renovação a categoria.
Quem retorna – Margulies, sem dúvida. Moss está mais pra coadjuvante, mas com tudo o que aconteceu na temporada, difícil ignorá-la.
Quem já ficou perto de uma indicação ou foi indicado antes – Na verdade, o retorno de Glenn Close, maior chance de “Damages” não ser totalmente ignorada; Kyra Sedgwick ganhou em 2010 e, mesmo com a surpresa da exclusão ano passado, um último retorno não seria absurdo; Emmy Rossum, Katey Sagal e Anna Torv continuam com seus admiradores, mas dificilmente eles votam no Emmy.
As novidades – Duas enormes. Primeira, o que mais próximo este Emmy tem de um vencedor antecipado: Claire Danes. Segunda, na série mais prestigiada: o quanto os votantes gostaram (ou odiaram) Jessica Paré? Como se não bastasse, Elizabeth McGovern e Michelle Dockery podem se beneficiar do culto a “Downton Abbey”, e eu não descartaria o poder de Victoria Grayson, papel de Madeleine Stowe em “Revenge”. Como de vez em quando o Emmy surpreende com força, a categoria tem outras fortes candidatas pra isso, como Debra Messing e Kerry Washington.

As indicadas serão (em ordem de favoritismo):
1. Claire Danes, Homeland
2. Julianna Margulies, The Good Wife
3. Elisabeth Moss, Mad Men
4. Glenn Close, Damages
5. Elizabeth McGovern, Downton Abbey
6. Jessica Paré, Mad Men


Boas chances: Mariska Hargitay, Mireille Enos, Kathy Bates

Meu voto (em ordem de preferência):
1. Claire Danes, Homeland
2. Julianna Margulies, The Good Wife
3. Elisabeth Moss, Mad Men
4. Katey Sagal, Sons of Anarchy
5. Madeleine Stowe, Revenge
6. Jessica Paré, Mad Men




Melhor Ator
Indicados 2011 – Kyle Chandler (vencedor), Steve Buscemi, Michael C. Hall, Jon Hamm, Hugh Laurie, Timothy Olyphant
Vagas em aberto – Apenas o vencedor Chandler não retorna, o que não chega a ser uma vaga em aberto já que pertence a outro vencedor que retorna este ano...
Quem retorna – Com tantos nomes fortes de novidade, Hamm e Buscemi me parecem os únicos garantidos. O que significa dizer que sim, podemos ter uma categoria sem Dexter ou House (Laurie ainda tem a vantagem de ser a última oportunidade).
Quem já ficou perto de uma indicação ou foi indicado antes – Além do retorno de Bryan Cranston, nada que chame muita atenção: William H. Macy, Jeremy Irons e Ray Romano pareciam ter chances em anos anteriores e duvido que com tantas novidades, concretizarão agora.
As novidades – Dustin Hoffman era o favorito até mesmo para vencer, aí “Luck” estreou e mostrou o ator praticamente coadjuvante planejando uma vingança misteriosa que infelizmente não veremos a conclusão. A tragédia do cancelamento afundou chances de vitória e até mesmo não garante a indicação. Mas não se pode subestimar um dos maiores nomes dos últimos 40 anos de cinema; Kelsey Grammer, que venceu o Globo de Ouro deste ano (e 14 indicações e 5 vitórias no Emmy não atrapalham); Damian Lewis, que certamente se beneficia da química com Danes; Patrick J. Adams, apenas porque foi indicado ao SAG; e Hugh Bonneville, apenas porque não se deve ignorar quem participa de “Downton Abbey”. Mas se a surpresa vier nesta categoria, o já vencedor Kiefer Sutherland, Jason Isaacs ou Jeffrey Dean Morgan poderiam fazer todo mundo cair o queixo.

Os indicados serão (em ordem de favoritismo):
1. Bryan Cranston, Breaking Bad
2. Jon Hamm, Mad Men
3. Steve Buscemi, Boardwalk Empire
4. Kelsey Grammer, Boss
5. Dustin Hoffman, Luck
6. Hugh Laurie, House


Boas chances: Damian Lewis, Timothy Olyphant, Michael C. Hall

Meu voto (em ordem de preferência):
1. Bryan Cranston, Breaking Bad
2. Steve Buscemi, Boardwalk Empire
3. Jon Hamm, Mad Men
4. Dustin Hoffman, Luck
5. Timothy Olyphant, Justified
6. Damian Lewis, Homeland




Melhor Série
Indicados 2011 – Mad Men (vencedora), Dexter, Game of Thrones, Friday Night Lights, Boardwalk Empire, The Good Wife
Vagas em aberto – Apenas Friday Night Lights foi encerrada, mas vamos concordar que Dexter já passou tempo demais aí e que sua vaga será cedida à colega de emissora, Homeland.
Quem retorna – Mad Men. E não coloco a mão no fogo por mais ninguém.
Quem já ficou perto de uma indicação ou foi indicado antes – Além do retorno de Breaking Bad, apenas Justified parece ter alguma chance, apenas porque teve um grande salto em indicações ano passado (manter a qualidade ajuda também, claro). The Killing e Shameless não conseguiram quando eram novidade, e Damages, apesar de bem conhecida na categoria, não tem cara de ter feito um grande retorno. O problema mesmo são as estreantes.
As novidades – Além de Homeland (que já venceu o Globo de Ouro), Downton Abbey é tida como certeza. Apesar de uma temporada claramente inferior a que venceu ano passado o prêmio de Melhor Minissérie, isso parece pouco importar e a série virou um fenômeno nos EUA. Luck, além dos problemas que levaram seu cancelamento, já não fazia o tipo de série que é indicada a esse tipo de coisa, mas a qualidade técnica é tão impressionante que não seria uma surpresa total vê-la aqui. Boss agradou ao Globo de Ouro, então nunca se sabe. Já Smash, Revenge e Once Upon a Time teriam alguma chance antes da dominação total das emissoras pagas, o que significa que The Good Wife continuará sendo a única com alguma possibilidade de indicação e representar a TV aberta.

As indicadas serão (em ordem de favoritismo)
1. Mad Men
2. Breaking Bad
3. Homeland
4. Downton Abbey
5. Game of Thrones
6. Boardwalk Empire


Boas chances: The Good Wife, Justified, Boss

Meu voto (em ordem de preferência)
1. Breaking Bad
2. Mad Men
3. Game of Thrones
4. Boardwalk Empire
5. The Good Wife
6. Luck


Considerações Finais: Gostaria muito que a HBO emplacasse suas duas principais séries, embora o tom geral parece apontar que Boardwalk Empire tenha perdido força com o tempo (apesar de a segunda temporada ser claramente melhor que a anterior). Game of Thrones pode se beneficiar pela exibição mais recente e com um episódio tão admirável como “Blackwater”. Mas manter as duas significa excluir The Good Wife, que há 3 temporadas dá uma bela aula de como fazer uma série “Caso da Semana”, desenvolvendo vários personagens e subtramas interessantes, ao mesmo tempo em que se especializou em participações especiais marcantes, de atores de um episódio só, a antagonistas que de tão bons, foram ganhando cada vez mais espaço em um elenco já grande. Claro, essas três séries estão na corda bamba considerando que duas vagas são de Breaking Bad e Mad Men, de longe o que de mais incrível vem sendo feito nos últimos anos, e outras duas parecem pertencer às queridinhas Homeland e Downton Abbey. A primeira me aborrece um pouco pelo esquematismo e situações formulaicas usadas pra segurar uma temporada de 13 episódios, embora Claire Danes claramente nos dá a grande atuação do ano; já a série inglesa vive altos e baixos após uma primeira temporada bastante superior. Tem a maior qualidade nos diálogos rápidos e cortantes, mas de modo geral a trama tem ficado cada vez mais novelesca e de soluções facéis. Seria bom vê-la de fora, mas acho que isso sim seria uma grande surpresa.


Categorias de Comédia

Como ano passado, não farei apostas aqui. Explico: além de não ver tantas séries como gostaria, as favoritas costumam ser coisas que não gosto ou não importo. No entanto, a briga é muito mais interessante do que em Drama: enquanto as maiores indicadas dos últimos anos (Modern Family e Glee) vêm sofrendo uma queda de interesse, antigas favoritas retornam com um grande ano (30 Rock e Curb Your Enthusiasm), outras têm aumentado seu número de indicações com o passar dos anos (Parks and Recreation e The Big Bang Theory) e, para cada série que vem perdendo mais e mais prestígio (The Office, as dramédias da Showtime), surgiu uma novidade na última temporada (Veep, Girls, New Girl, Enlightened, House of Lies), além de séries que sempre se beneficiam de um reconhecimento maior no seu segundo ano (Louie, Raising Hope, Mike and Molly). 

Dentre todas as categorias, vale destacar a de Melhor Atriz, que promete ser um massacre ainda maior que o visto em Ator Coadjuvante de Drama: os votantes terão que escolher manter as seis candidatas do ano passado (a vencedora Melissa McCarthy, Tina Fey, Amy Poehler, Edie Falco, Laura Linney, Martha Plimpton) ou eliminar uma ou mais para dar lugar a Julia Louis-Dreyfus, Zooey Deschanel, Lena Dunham, Laura Dern (vencedora do Globo de Ouro) ou Christina Applegate.

Fica minha torcida para que 30 Rock seja reconhecida pelo seu retorno ao brilhantismo das primeiras temporadas, e que Curb Your Enthusiasm, Parks and Recreation, Louie e Raising Hope as acompanhe na categoria principal (não vai acontecer).




 Hélio Flores