quinta-feira, 17 de maio de 2012

[Mad Men] 5x09 Dark Shadows

"This could change everything."

Para quem levantava suspeitas desde que foi revelado o título do episódio dessa semana, já que iria ao ar justamente na mesma semana em que o filme de Tim Burton chegava aos cinemas americanos, tudo não passou de mera coincidência. Na verdade, trata-se da novela original (a qual o filme atual é adaptado) bastante popular na época, que alcançou verdadeiro sucesso depois de enveredar por caminhos sobrenaturais. Além da colega de Megan ter conseguido um papel nesta novela, o título ainda pode estar relacionado a um intenso nevoeiro que cobriu a cidade de Nova York no ano de 1966. E num clima sombrio como esse, os personagens lidam com as dificuldades de manter segredos e controlar seus sentimentos quando são enfim revelados. Muito conflitos surgem a partir disso: Sally perde o respeito que tinha por Megan, Peggy sente-se traída por Roger e Ginsberg fica furioso por Don prejudicá-lo numa concorrência criativa. Megan é quem consegue melhor encarar essa situação, enxergando de longe o plano manipulador de Betty, mantendo a calma antes de desfazer as confusões na cabeça de Sally. Suas aulas de interpretação acabam sendo úteis até quando Sally precisa contar para a mãe como eles reagiram. Mas a presença de Betty no episódio, como sempre, divide opiniões. Embora tente controlar o peso através de um programa de ajuda mútua, Betty continua mostrando a mesma insatisfação com sua vida e invejando todas aquelas que alcançam melhores resultados que ela. O esperado encontro com Megan é cheio de rancor, ainda que totalmente compreensível. Além das invejáveis curvas da nova senhora Draper, o apartamento moderno no fervor da cidade é oposto a todo aquele isolamento no subúrbio que Betty aturou enquanto casada com Don. E o bilhete improvisado, repleto de amor, com certeza seria um golpe duro demais para Betty suportar, principalmente por estar mais que evidente que seu casamento com Henry foi outra aposta errada. Tomada pelo ódio, Betty é capaz de tramar um plano tão diabólico, que envolve até a própria filha para se vingar de Don. E fica cada vez mais difícil entender seus motivos, pelas poucas vezes que aparece, sempre com atitudes tão sórdidas. Deve ser razão de preocupação para os produtores, porque com essa postura de vilã, Betty tem sido o que mais aproximou a série até hoje daquele rótulo que eles tanto tentam evitar: a telenovela de luxo.

Porém, Don Draper também não deve se orgulhar de suas atitudes neste episódio. Os negócios na SCDP parecem estar melhorando -- até porque Lane Pryce está ausente há vários episódios -- e finalmente Don está de volta à criação, embora ainda mostrando claros sinais de falta de prática. Além disso, durante sua ausência, Ginsberg tem ganhado tanto espaço na agência, assinando a maioria das campanhas, que começa a se tornar uma potencial ameaça. Até entendo que a intenção de mostrar ideias tão distintas para o SnoBall, em termos de encaminhamento e principalmente qualidade, sirvam para guiar o espectador que não esteja familiarizado com a área de publicidade. Mas bem que poderiam ter criado uma ideia melhor para Don, ao menos que convencesse que ele teria chances mesmo se tivesse apresentado também os cartazes de Ginsberg. Ainda reforçaria mais o desespero de Don, apelando para um golpe tão desleal antes da reunião. O que deveria permanecer em segredo, acaba sendo revelado na primeira oportunidade por Harry (sempre ele) e desperta o temperamento explosivo de Ginsberg. Ele não hesita em confrontar Don, que responde mostrando poder controlar até suas ideias, e não dando a menor atenção para seu inflado ego.

Já Pete continua fracassado tanto em suas fantasias envolvendo Beth quanto ao criar ilusões de grandeza para aparecer em uma matéria especial sobre publicitários na revista do NY Times. Nem Howard leva Pete a sério, mesmo que ele revele sarcasticamente suas façanhas com Betty. Enquanto isso, Roger tenta fisgar por conta própria um cliente judeu interessado em expandir seus negócios, para isso utilizando a companhia de Jane. Para esse encontro, eles precisam manter em segredo sua futura separação e ao mesmo tempo tomar proveito da origem judia de Jane, que Roger tanto tentava esconder. Não sem precisar mais uma vez colocar a mão no bolso e comprar um novo apartamento para Jane morar. Mas ele acaba estragando a possibilidade de um recomeço para sua ex-mulher após preenchê-lo com novas memórias suas. Peggy também fica extremamente decepcionada por Roger ter confiado esse serviço extra a Ginsberg, por mais que ele fosse o mais indicado. Ela esperava ao menos algum tipo de lealdade de seu chefe, até em uma parceria inusitada. Mas Roger deixa bem claro que cada um deve defender seus próprios interesses. E esse parece ser outro tema recorrente ao longo do episódio: indivíduos preocupados apenas em satisfazer seus próprios egos. Essa temporada parece estar conduzindo todos os personagens ao isolamento, com exceção obviamente do casal do momento: Don e Megan. Por isso, não parece à toa que Don consiga lidar tão bem com as dúvidas de Sally, explicando honestamente os motivos que levaram-no a casar-se com Anna, respeitando também os limites de compreensão de sua filha. "Dark Shadows" pode não ter sido o episódio mais memorável da série, mas continua a reforçar que os altos e baixos do relacionamento entre Don e Megan tendem a virar a principal razão de Mad Men ser reconhecida de agora em diante.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quinta-feira, 10 de maio de 2012

[Mad Men] 5x08 Lady Lazarus

"Surrender to the void."

Depois de cinco temporadas acompanhando Don Draper em Mad Men, era possível que qualquer espectador antecipasse sua reação quando colocasse para ouvir a última canção do revolucionário disco dos Beatles, Revolver. Sozinho em seu apartamento, confortavelmente reclinado em sua poltrona, entre o som de cítaras, cantos de pássaros e vozes distorcidas, Don certamente iria preferir o barulho da cidade entrando por suas janelas. Ele chega a confessar pouco antes para Megan que não entende o apelo da música pop na publicidade da época, e sente que está ficando ultrapassado. Pode parecer uma constatação explícita demais, indo direto naquilo que temos acompanhado, mas essa temporada tem apresentado cada vez mais esse tipo de discurso, como por exemplo, Roger analisando seu casamento com Mona no episódio anterior. Os tempos são outros e todas as mudanças tornam-se mais evidentes, fica impossível tentar contornar. O episódio piloto mostrava Don revertendo os malefícios do cigarro criando uma campanha em que provocava e confundia seu consumidor, mas nos últimos tempos ele mesmo teve de se render aos apelos da sociedade do câncer e publicar sua famosa carta anti-tabaco. O cliente, já seduzido pelas comerciais de televisão, não se contenta mais apenas com uma ideia, ele quer também entender a execução. Ginsberg chega a arrancar aplausos de seu cliente pela performance do clipe dos Beatles. Novos negócios chegam à empresa pela promessa de uma atuação convincente do casal do momento, Don e Megan. Mas Megan, como vinha demonstrando nos episódios anteriores, não está satisfeita com esse sucesso.

Era previsível que ela abandonasse a carreira publicitária, mas não deixa de ser uma decisão corajosa por parte dos roteiristas, principalmente pela comodidade de ter Megan sempre presente, convivendo com Don e os outros funcionários da SCDP. Embora não houvesse necessidade de prolongar tanto sua "despedida", o mais interessante foi a reação dos outros personagens diante dessa decisão, cada um refletindo sua própria condição na agência. Stan, que tem aparecido como coadjuvantes em todas as apresentações para clientes, culpa a profissão pela sua desistência, por não valer a pena se preocupar por tão pouco. Peggy acredita que tenha sido dura demais, mas também não enxerga outro modo de lidar com essa situação que Don lhe colocou. Para Joan, Megan está apenas aproveitando as boas condições que seu casamento oferece, algo que ela também procurava quando se uniu a Greg -- caso ele fosse bem sucedido em sua carreira. Já Don vive durante o episódio um longo processo de aceitação. Em um momento de fúria, após o fracasso da apresentação ao lado de Peggy, ele chega a culpar a pressão dos colegas na agência, lembrando que Megan havia reclamado deles no início da temporada, certamente transparecendo sua própria insatisfação com o trabalho.

Megan vinha sendo nesta temporada uma forma de desviar a atenção de Don dos assuntos da agência, e os poucos momentos que ele se sentia motivado eram justamente ao lado de sua mulher. Mais do que isso, Megan era sua passagem para essa nova geração. Na simbólica despedida do casal, isso não poderia fazer mais sentido: enquanto Megan embarca no elevador em busca de novos desafios, Don termina encarando um fosso vazio. Poderia ser apenas obra do acaso, um destino irrevogável. Mas não foi o próprio Don Draper quem escolheu por esse destino? Joan estava certa em prever que Megan se tornaria uma nova Betty? Roger sugere que ele tente estabelecer uma rotina para esse relacionamento funcionar, mas bastam duas noites para Don perceber que isso não depende só dele. Na primeira, ele parece satisfeito em encontrá-la em casa preparando seu jantar, mas na segunda, o encontro é breve até que ela tenha de sair para sua aula de interpretação. Megan diz que era assim que imaginava que ele seria como marido, mas pela reação de Don, ele não parece ter essa mesma convicção.

Pete volta neste episódio, depois daquele nocaute sofrido, para ser confundido novamente pelas suas fantasias. Dessa vez elas surgem ao encontrar Beth (interpretada por Alexis Bledel, que me isento de comentar por Gilmore Girls ser uma de minhas séries favoritas), a mulher de Howard, seu companheiro de trem a caminho da cidade. Pete parece chocado com a indiscrição dele, que é capaz de alugar um apartamento na cidade para manter uma de suas amantes. Depois de uma carona e sexo casual na própria sala de Beth, Pete enxerga neste relacionamento a maneira ideal de solucionar os problemas dos dois. Afinal, ele assume que ambos estão infelizes em seus respectivos casamentos. Sua obsessão é tanta que até se arrisca ao demonstrar interesse pela oferta de Howard, só para ter poucos minutos com Beth, roubar-lhe um beijo, mandar um recado. Como um adolescente sufocado por uma paixão juvenil. Mas seus sonhos são dissipados como o coração desenhados por Beth no vidro embaçado. Durante toda a temporada um aspecto sombrio parece envolver Pete, nos seus pertences, suas conversas, seus desejos. Pelas constantes decepções, não seria demais esperar pelo pior. O próprio título do episódio é baseado em um poema de Sylvia Plath contemplando o suicídio. Por mais que alguns até torçam por isso, acho que a série só tem a perder com a saída dele, principalmente agora que a dinâmica na SCDP com Megan ficou para trás. Mas como Mad Men nunca se baseou em grandes acontecimentos dramáticos, deve ser apenas um mau presságio, como no caso do falso alarme com o câncer de Betty.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

[Mad Men] 5x07 At the Codfish Ball

"Dirty."

Talvez seja cedo demais para garantir isso, só agora atingimos a metade da temporada, mas tudo leva a crer que Sally Draper será a principal voz desse ano. Afinal mesmo com curtas participações (no episódio anterior ela apareceu em uma única cena de flashback) Sally, em sua inocência ainda infantil, consegue sempre expor aquilo que todos parecem querer esconder ao seu redor. Ela lembra até um narrador-personagem, através de um ou outro recurso narrativo, comentando as mudanças acontecendo em seu mundo. Muitos espectadores ainda temem seu futuro, mas para mim, já que sua maturidade confunde-se com as próprias transformações dos anos 60, Sally é quem mostra maior capacidade de se adaptar enquanto cresce, ao contrário de quem precisa abandonar tantos vícios. Sua constatação final, sobre a condição suja da cidade, é algo aparente para todos os outros personagens mas que nenhum deles tem coragem de dizer, ou mesmo vontade de ver. Sally está cada vez mais solitária, com a mãe ausente (os roteiristas estão prestes a esgotar todas as desculpas possíveis para manter Betty fora da série) e seu pai mais preocupado com sua nova vida na cidade. Além disso, essa idade de transição é bastante delicada, tanto por suas fantasias serem desmanchadas pouco a pouco (a entrada triunfal no baile por uma escada enorme, por exemplo) como por ainda não poder se portar como adulta. Na festa em que Don recebe um prêmio pela sua carta anti-tabaco, ela termina esquecida na mesa, tendo de se contentar com o peixe que despejam em seu prato, e até uma simples ida ao banheiro representa o perigo de se deparar com a promiscuidade escondida por trás da primeira porta que se abre. Por mais traumático que isso possa ser, Sally ainda tem todo tempo para superar, ao contrário das outras filhas a aparecerem no episódio: Megan e Peggy.

Megan finalmente recebe a visita de seus pais, que parecem viver um relacionamento bastante turbulento. Emile é o típico escritor decadente, que provavelmente escreveu uma grande obra na carreira e nunca mais fez sombra a esse sucesso em suas publicações seguintes. Já Marie aparenta uma constante frustração. Dá para entender por que ela se casaria com Emile, mas o tempo parece ter desgastado a relação a ponto dela não aguentar a implicância do marido com tudo. Mesmo que estivesse o tempo inteiro nesse fogo cruzado dos pais, Megan ainda arranja tempo neste episódio para se destacar em seu trabalho, ao sugerir uma nova abordagem para o comercial da Heinz, baseado no jantar em família da noite anterior. Impressionante não apenas pela ideia, mas também na apresentação improvisada frente ao cliente em um jantar informal, quando Megan percebe que a SCDP está prestes a ser dispensada. A virada de jogo é incrível, principalmente pela sintonia com Don -- num apelo nostálgico que é o estilo dele -- como se tivessem ensaiado por semanas, cada palavra, cada gesto, cada interação com o cliente. Eles chegam até a induzí-lo a pensar que a ideia de colocar os mesmos atores para interpretar mãe e filho em todas as cenas fosse inteiramente dele. Mas apesar de acender uma chama de amor nos Draper enquanto retornam para casa, o entusiasmo de Megan parece desaparecer aos poucos na manhã seguinte. Por um lado, mesmo que seja reconhecida pelos demais funcionários da agência, Megan teve de abrir mão da total autoria do comercial frente ao cliente, principalmente porque Don (ou outro homem qualquer, Peggy que o diga) certamente seria mais convincente para ganhar sua confiança. Por outro lado, Emile se mostra extremamente decepcionado na festa pela filha ter abandonado seus sonhos para escolher o caminho mais fácil, a vida de luxo que Don pode proporcionar. Em outras ocasiões Megan já havia hesitado quando ganhava espaço na agência, e agora entendemos o porquê: ela ficava cada vez mais distante da carreira de atriz.

Peggy também se mostra confusa quando Abe propõe que passem a morar debaixo do mesmo teto. Afinal, por mais moderna que possa ser, Peggy ainda não sabe lidar prontamente quando sente seu conservadorismo sendo ameaçado. A mensagem contida na tal campanha da Heinz, certos costumes que são passados de geração em geração, funciona como um excelente paralelo para a postura de Megan e Peggy em relação aos seus pais. São aquelas rígidas estruturas que regem nossa sociedade, que por mais que sejam chacoalhadas, sempre permanecem intactas. Peggy desafia um destes tabus quando convida sua mãe num jantar em seu apartamento, a fim de contar a novidade. Com certeza ela já era capaz de prever a reação de sua mãe, só não esperava que fosse além da questão da união pecaminosa vista aos seus olhos, mas uma preocupação pela filha não estar sendo valorizada como merece. Joan, agora a mulher madura da SCDP, tem papel fundamental para ajudar Peggy a entender seus sentimentos, tanto convencendo que o jantar especial com Abe é sinal de boas notícias, quanto provando depois que um documento assinado pode não ter valor algum. Peggy também oferece seu apoio a Megan na manhã seguinte ao triunfal jantar. Embora com um texto óbvio demais -- Peggy se esforçando para explicar que não deveria sentir inveja --, ela aconselha que Megan aproveite o máximo de prazer que esse trabalho poderia lhe proporcionar. Há um tempo atrás era Don quem dava esse conselho para sua aprendiz. Acho realmente admirável essa união feminina durante o episódio, porque mesmo em um contexto mais moderno, não deixa de representar esses ideais já sendo passados entre diferentes gerações. Afinal, entre tradições antigas e tentações modernas, somente unidas essas personagens serão capazes de atravessar essa época, saindo da penumbra dos bastidores ("Go get 'em, Tiger!") para finalmente abrir suas asas e voar livremente.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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sábado, 28 de abril de 2012

[Mad Men] 5x06 Far Away Places

"I don't want vacation to end."

Para um episódio que prometia tratar de lugares distantes, o que acompanhamos na verdade foi a influência dessa passagem do tempo para os personagens. Essa sensação de inadequação parece ser o tema que guia a temporada, como expresso na música dos Beach Boys "I Just Wasn't Made For These Times", ou como temos visto nas últimas semanas, com Sally encarando a adolescência, por exemplo, e Pete a idade adulta. Mas dessa vez, a própria estrutura da narrativa parece afetada pelo turbilhão de mudanças. Mad Men tem por costume apresentar contos isolados de seus personagens que normalmente acabam se relacionando entre si através do estilo ou tema, mas nunca a série havia experimentado apresentá-los de modo linear, embora todos acontecessem simultaneamente ao longo de um mesmo dia.

Como em três grandes blocos -- que poderiam até ter sido literalmente isolados, caso os comerciais fossem estrategicamente inseridos entre eles --, Peggy, Don e Roger aparecem enfrentando problemas em seus respectivos relacionamentos. Os três personagens comparados lado a lado criam também um fluxo temporal de continuidade, Peggy imitando o estilo de vida de Don Draper, e este cometendo erros semelhantes aos de Roger. Mas nesse caso, a estrutura pouco fez diferença ao conduzir as histórias, exceto pela viagem de Don, que certamente teria seu ritmo de tensão crescente prejudicado se fosse intercalado com as outras histórias. O misterioso telefonema de Don sob o ponto de vista de Peggy, também não tem grandes desdobramentos depois de revelado seus reais motivos. Na verdade, o episódio peca justamente por não se preocupar tanto assim com as nuanças, sendo óbvio até demais. Mesmo na experiência de Roger e Jane, a primeira viagem de LSD mostrada pela série, os efeitos mais surreais passam rapidamente e logo dão lugar a resoluções concretas, para avançar a narrativa, embora fossem suficientes para John Slattery mostrar toda sua versatilidade, seja encarando as marcas da velhice diante do espelho como vibrando feito criança numa final de beisebol. O casal logo cai na real no chão de seu apartamento (um recurso também utilizado depois na história de Don) e quando verdades acabam vindo a tona, ambos decidem pela dissolução do casamento. É um situação confortável para Roger, que mesmo pagando caro para se livrar de outro problema, parece revigorado quando percebe não adiantar mais continuar se enganando assim.

Já Peggy nunca se sentiu tanto como Don Draper antes, seja na posição que foi colocada de "fachada" criativa da agência diante do cliente da Heinz, como nos costumes de fumar e beber. Vendo seu trabalho sendo rejeitado outra vez, ela adota o discurso de seu chefe e despeja todas as suas frustrações no cliente, dizendo saber melhor do que ele o que sua empresa precisava. Mas é uma estratégia completamente suicida porque como Stan lembra logo em seguida, espera-se que a mulher esteja sempre pronta para tentar agradar. Ela decide então tirar umas horas de folga, e assim como Don Draper, ir ao cinema no meio da tarde, arranjar um encontro casual (e claro, dessa vez oferecer o agrado). Mas talvez tirar um cochilo no próprio sofá da sala de Don, sendo acordada por sua secretária, tenha sido o limite. Peggy só vai cair em si ouvindo a história de Ginsberg sobre sua estranha origem, ter nascido em um campo de concentração. Tudo levava a crer que eles entrariam em um conflito criativo, mas estou achando bem mais interessante essa aparente identificação por ambos se sentirem deslocados, algo que Peggy sempre procurava encontrar em Dawn, Rizzo e tantos outros anteriormente. Embora nas suas escapadas Don sempre voltasse para sua família ao final do dia, Peggy parece mostrar um verdadeiro arrependimento quando chama seu namorado de volta e percebe que precisa contar com alguém para lhe dar suporte.

A viagem de Don Draper e Megan acaba sendo uma história cheia de contrastes: começa com a promessa de férias fora de época, provavelmente tentando resgatar ainda o frescor inicial de seu casamento, e termina em uma atmosfera noir de tensão e desconforto. As cores super saturadas do restaurante Howard Johnson's dão lugar ao breu de uma auto-estrada. Os delírios de perseguição de Don Draper em seu apartamento voltam dessa vez de modo inverso. Enquanto os papéis de marido e chefe continuam a se confundir, Megan vai se sentindo pressionada a ponto de sua maneira flexível e dócil de encarar a vida (se dar bem com todo mundo, comer de tudo) se transformar em puro inconformismo. Sua paciência se esgota e de forma até cruel chega a sugerir que Don ligasse para a mãe que nunca conheceu. A reação habitual de Don quando contrariado desse jeito, lógico, é sempre fugir. Mas hoje ele não está lidando mais com uma mulher submissa, Megan não precisa esperá-lo, ela pode continuar seguindo sua vida que ele vai acabar deixado para trás. Pelo contrário, aliás, sua posição logo depois de encontrá-la de volta no apartamento é que mostra submissão, de joelhos agarrado ao seu abdômen, como um filho suplicando pelo perdão de sua mãe. E Bert Cooper -- quem diria? -- chega com o choque de realidade final: força Don Draper a terminar seu período de lua-de-mel e voltar a se concentrar em seu trabalho. Enquanto vemos ele de costas na sala de reunião numa posição bem mais tensa do que a usual (como na abertura da série, por exemplo), ele assiste os funcionários circularem, sem ter a menor ideia do que está se passando. Como o Howard Johnson's que Don ficou confinado por quase um dia: era considerado a maior rede americana de restaurantes entre os anos 60 e 70, mas acabou abandonado a beira das estradas, e hoje está reduzido a apenas 3 unidades.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

[Mad Men] 5x05 Signal 30

"We're supposed to be friends!"

Por mais que fossem duros os golpes sofridos por Pete Campbell ao longo desse episódio, nada soa tão triste quanto esse seu lamento final. Ainda mais vindo de alguém que no decorrer da carreira nunca hesitou em passar a perna em quem fosse preciso para levar vantagem. Já no episódio piloto, Don é categórico ao afirmar que ele nunca seria capaz de substituí-lo porque ninguém simpatizava por ele. Pouco tempo depois, ele tenta chantagear Don com a carta de seu irmão e corre sério risco de ser demitido, só se salvando pela influência de sua família. Nesta temporada, suas atitudes na SCDP também não podem ser consideradas das mais nobres, principalmente em relação a Roger. Joan, enquanto consola Lane e tenta evitar maiores constrangimentos, diz que todos naquela agência já tiveram vontade de socar Pete uma ou outra vez. Por isso, tanto essa ideia de que os sócios da empresa deveriam compartilhar sentimentos de camaradagem, quanto suas investidas na garota que faz aulas de direção junto com ele, mostram uma pessoa ainda tão inocente e frágil, que só poderia resultar na mais profunda desilusão com sua pacata vida no subúrbio. Pete pode ter atingido a idade adulta mas ainda não sabe se portar como gente grande.

Aproveitando a chegada no mercado americano dos carros da Jaguar, um símbolo de virilidade por si só, o episódio reúne seus personagens em ambientes e situações tipicamente masculinas: o jantar de família entre colegas de trabalho, a torcida em um pub assistindo à final da Copa, uma noite de diversão no bordel e, claro, a épica luta travada na sala de reuniões. Tudo isso coloca em discussão o compromisso nas relações dentro e fora do trabalho. É exatamente desse assunto também que trata um dos contos de ficção científica (nada mais que os contos de fada do episódio anterior mas direcionados aos garotos) de Ken Cosgrove: um robô dedicado a manutenção de uma ponte que liga dois planetas. E isso aparece inclusive no pacto secreto firmado entre Ken e Peggy, assim como na relação entre Lane e seu companheiro britânico. Lane enxerga em seu compatriota a chance de conquistar uma conta milionária, tentando assim se livrar do rótulo de avarento da agência. Para isso, ele conta com os conselhos de Roger, que se mostra realmente competente ao tratar do assunto. Porém, por mais que se esforce e procure diversos ângulo para estabelecer uma relação com seu cliente, Lane falha em todas as tentativas. Roger define essa "amizade" como uma maneira estratégica para atrair seus clientes e chega a dizer para Ken que quando seu trabalho é bom, ele satisfaz toda as suas necessidades. Mas a SCDP não vive um grande momento há algum tempo e por isso, aqueles que ainda vivem vinculados a ela tendem a afundar junto, como é o caso de Pete e Roger.

Pete Campbell passa por um verdadeiro inferno astral neste episódio. Sua única intenção com o jantar de casais era receber a visita de Don em sua casa, mas por mais que tivesse insistido, somente Trudy foi capaz de realmente convencê-lo a comparecer. Pete experimenta uma espécie de crise de meia idade precoce, quando percebe que já não tem mais a mesma juventude de um "Handsome", que acaba por confundí-lo com o instrutor do curso antes de conquistar sua garota, nem nunca terá a mesma destreza de Don Draper, que conserta com extrema facilidade a torneira enquanto ele se perde dentro de sua caixa de ferramentas. Até mesmo nos negócios ele não é capaz de corresponder às expectativas do cliente, que busca um tipo de entretenimento que só Roger guarda na manga. Trudy não permite nem que ele tenha um rifle em casa. E para todos aqueles que reclamaram dos sonhos serem óbvios demais nas últimas semanas, dessa vez foi através da intimidade com uma prostituta que Pete revela seu desejo de ser tratado como rei, posto que provavelmente havia sido preparado para assumir desde a infância. Já que não consegue se garantir sozinho, tudo que lhe resta então, é procurar desesperadamente pela aprovação de Don. Mas nem isso ele consegue, já que Don critica sua infidelidade ao saírem da noitada no bordel. Para completar, sua derrota mais dolorosa ainda estava por vir. Dolorosa não apenas pela surra em si, nem pela vergonha diante dos colegas, mas porque ele acreditava que estaria seguro na agência, nunca seria atingido daquela forma. Quando ele diz que os sócios deveriam ser amigos, é porque esperava que eles tomassem alguma atitude e não ficassem apenas assistindo a briga, como se estivessem no pátio do colégio.

Há alguns episódios, Trudy diz que a insatisfação de Pete pode ser revertida a seu favor quando serve de ambição. Mas esse foco exagerado no trabalho significa uma queda ainda mais cruel diante de qualquer revés. A presença de Ken não é a toa, serve como paralelo perfeito de como encarar essa desilusão. Por mais que sua carreira como escritor tenha sido reprovada por Roger, basta certa cautela e adotar um novo heterônimo para manter esse segredo rolando. Ken nunca foi de misturar trabalho com a vida pessoal (no final da temporada passada, ele se recusa a envolver o pai de Cynthia nos negócios), e parece muito confortável assim. Don Draper -- quem diria? -- também serve como exemplo. Nesta sua nova postura despreocupada de encarar o trabalho, ele parece ter feito as pazes não só com seu presente mas também com seu passado, até pela forma como corrige num impulso o sobrenome do assassino do Texas durante o jantar, ou como fala tranquilamente sobre sua infância numa fazenda. A verdade é que quanto mais investem no trabalho, mais insatisfeitos eles se tornam. Resta saber como Pete irá se portar diante disso, já que esses personagens nunca foram adeptos de mudanças bruscas.

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e.fuzii
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

[Mad Men] 5x04 Mystery Date

"You're not a good man."

Após dois episódios consecutivos apresentando sonhos e delírios, podemos ter certeza que Mad Men embarcou de vez nas ilusões de seus personagens. Desejo, terror, trauma e suspeitas pairam sobre suas cabeças, tomando a forma de diversas visitas, algumas bastante esperadas, outras tantas imprevistas, assim como no jogo de tabuleiro que dá nome ao episódio (o comercial na tv que Sally assistia enquanto Pauline falava ao telefone). Dessa vez acompanhamos os pesadelos de Don Draper, que passa a ser perseguido por uma alucinação febril dentro de seu apartamento, um caso antigo que tenta seduzí-lo. Seria a oportunidade ideal para provar que havia mudado, mantendo-se fiel a sua nova mulher, mas por mais que Don tentasse combater seus desejos, tudo que acaba despertando são instintos ainda mais primitivos. Ele chega a estrangular a amante e esconder seu corpo debaixo da cama, acreditando assim ter resolvido o problema em definitivo. Tudo que restam são suas pernas para fora, com um dos sapatos faltando, como na versão obscura de Cinderella contada por Michael Ginsberg aos clientes da Butler. Invertendo os papéis de suas fantasias, Don termina com a consciência limpa porque acredita também que Andrea pediu por isso. É a maneira como ele encara seus instintos, como quando culpava Betty por sua infidelidade, embora hoje Megan censure ele por isso.

Embora seus atos fiquem apenas no campo das ilusões, claramente remetem ao crime bárbaro cometido por Richard Speck naquela semana de 1966, quando assassinou oito estudantes de enfermagem em Chicago. Joyce visita a SCDP trazendo consigo fotos censuradas desse massacre, causando espanto e principalmente uma curiosidade mórbida de todo o pessoal. Menos de Ginsberg, que mostra-se o tempo inteiro horrorizado até enfim sair da sala, enjoado com o comportamento dos colegas, provavelmente ainda despertando memórias do Holocausto. Nada mais irônico Joan aparecer enquadrada dentro do forno logo em seguida. Mesmo que em momento algum esse crime fosse sugerido durante seu reencontro com Greg, acredito que também tenha motivado Joan a revirar traumas oprimidos em seu passado. Finalmente ela confronta o marido por aquele estupro antes mesmo de terem casado, sem grandes escândalos, apenas baseado nas suas lembranças e do próprio público (a cena nem chega a aparecer no recap antes do episódio). Para uma história que sempre se equilibra para não pender demais ao melodrama, foi importante que a decisão de terminar o casamento tenha partido da própria Joan, e não por um simples capricho do destino como muitos acreditavam (no caso, Greg morrendo na guerra). Afinal, a possibilidade de Joan triunfar no ambiente de trabalho enquanto mãe divorciada tem tudo para ser fascinante. Mad Men sempre se destaca pelo cuidado ao tratar de suas fortes personagens femininas (talvez rivalizando apenas com Game of Thrones atualmente) e esse "troco" de Joan, depois de tanto tempo, foi outra prova disso.
Já Peggy acaba faturando uma bolada às custas da negligência de Roger com a conta da Mohawk (esperamos que ele tenha ainda muita grana para sempre se prestar a esse papel ridículo) e tem de trabalhar sozinha até altas horas da noite na SCDP. Depois de se assustar com alguns barulhos pela agência, certamente ainda impressionada com as fotos do crime, Peggy encontra Dawn se preparando para dormir no sofá da sala de Don. Sem chance de voltar para casa por conta do tumulto nos protestos pelos Direitos Civis, Peggy oferece então seu apartamento, e essa visita acaba sendo uma chance de acompanhar o seu desconforto com essa situação. Primeiro porque ela tenta de todas as formas forçar que está entendendo os problemas de Dawn, desde os protestos até sua condição de minoria na agência. Segundo porque Peggy acaba sempre conduzindo a discussão para tratar de si mesma, interrompendo Dawn até por diversas vezes. E para completar, cria-se um impasse no meio da sala quando Peggy hesita em tirar sua bolsa do alcance de Dawn. Embora pareça bem semelhante àquele dilema de Lane no táxi há alguns episódios, nesse caso vejo certa complexidade por tratar do preconceito de uma forma reversa. Afinal, com todo aquele dinheiro, dificilmente Peggy largaria sua bolsa na sala, seja lá quem estivesse dormindo ali. Mas Dawn percebeu que ela hesitou, Peggy percebeu que tinha de dar crédito e agir com naturalidade, e assim sua atitude não poderia ser mais condescendente. Pode parecer um voto de confiança, mas mostra-se acima de tudo um preconceito inato, incapaz de esconder. Dawn ainda não apareceu tratada como deveria, dessa vez servindo apenas como mero embaraço para Peggy, mas espero que explorem ela com maior profundidade ao longo desta temporada.

Depois de curtas participações nos episódios anteriores, Sally Draper finalmente ganha uma história para si, tendo de lidar com a companhia da mãe de Henry na mansão mal assombrada por mais tempo do que imaginava. Por causa de sua curiosidade peculiar e a vontade de se envolver na conversa dos adultos, Sally acaba ficando sabendo também dos crimes de Speck, e isso parece enfim chacoalhar seu mundo de fantasias. Se toda criança alguma vez já se sentiu apavorada pelos monstros debaixo de sua cama, Sally busca refúgio justamente debaixo do sofá, provavelmente depois de saber como uma das vítimas se safou da morte. E talvez não exista metáfora melhor para indicar que a garota está finalmente perdendo sua inocência infantil. Os contos de fada começam a deixar de fazer sentido, não apenas para a garota, mas para todos esses personagens. Já dizia que a leveza do início da temporada tinha tudo para ser apenas passageira, e com as declarações de Matthew Weiner de que iremos acompanhar o declínio de Nova York no decorrer dos próximos anos, o massacre de suas ilusões, duradouras como o casamento de Joan, ou ligeiras como os instintos de Don, parece ser apenas o começo.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quinta-feira, 5 de abril de 2012

[Mad Men] 5x03 Tea Leaves

Não tem sido tarefa fácil escolher uma foto para ilustrar meus textos nesta temporada de Mad Men. Afinal todo episódio temos algum fato surpreendente que deve ser preservado daqueles que entram aqui por acaso. Na semana passada, era o novo casamento de Don Draper, dessa vez é a aparente obesidade de Betty, que nem com a ajuda dos filhos consegue entrar em seu antigo guarda-roupas -- ironia cruel rebater essa cena com Don facilmente fechando o vestido de sua esbelta mulher logo em seguida. Para incorporar (literalmente) a gravidez de January Jones à série, os roteiristas tiveram de recorrer a essa trama, já que seria pouco provável que Betty engravidasse tão cedo de Henry. É algo que me agrada, principalmente pelo modo como evoluiu ao longo do episódio. Não chega a ser novidade para ninguém acompanhar um personagem encarando a morte através de um diagnóstico de câncer -- já acompanhamos esse tema inclusive na temporada passada com Anna Draper --, mas com Betty isso me parece diferente. Além desta mudança física já ser um golpe na auto-estima de qualquer um, principalmente para quem sempre foi reconhecida pela beleza, a própria ingenuidade e suas tendências infantis colaboram para criar certa simpatia pela personagem. Interessante notar que mesmo Henry sendo um marido mais paciente e atencioso, Betty prefere ser consolada por Don logo que recebe as primeiras notícias. Já é padrão os produtores adotarem algum tipo de metáfora quando retratam o estado psicológico de Betty (o pássaro preso na gaiola, o souvenir) e dessa vez não foi diferente: as folhas de chá do título, que sobram no fundo da xícara após perderem sua função. Enquanto Betty apavora-se com o relato de sua antiga amiga sobre o duro tratamento que está sendo submetida e a má sensação que isso traz, uma vidente aparece propondo-se a ler seu futuro. E sua previsão não poderia soar mais cruel, com palavras de conforto como aquelas que dedicamos a família de alguém que acaba de falecer. Mas tudo não passa de um susto, e o alívio dela está justamente em poder continuar criando os filhos, sem precisar depender de Don (e Megan) ou de sua sogra. A última cena talvez justifique o ganho de peso de Betty ao longo desse período, além de denunciar que Sally está atenta -- e reprova -- a obesidade da mãe, quando rejeita o resto do sorvete. Não à toa, no sonho de Betty em estilo Sopranos, é Sally quem faz questão de virar a cadeira da mãe na mesa de jantar.

Essa relação entre pais e filhos permeia ainda o restante do episódio, desde o orgulho do pai de Michael Ginsberg pela sua contratação até Roger sentindo-se traído pelas molecagens de Pete no caso Mohawk. É o constante conflito entre gerações que essa temporada vem anunciando, e que apareceu bem claramente na visita de Don e Harry aos bastidores do show dos Stones. Se Roger espera no conforto de sua ampla sala que as coisas voltem a ser como antes, Don ao menos tenta se mexer fazendo uma "pesquisa de campo". Porém, ainda que curioso com a garota que lhe dá um mínimo de atenção, Don parece estar sempre fazendo as perguntas erradas, numa atitude quase paternal. Impossível também que não passe pela sua cabeça que Sally também faz parte dessa geração -- ao menos beatlemaníaca já sabemos que ela é --, o que gera um desconforto não só em relação ao consumo de drogas como por ela em breve se tornar uma jovem tão indecifrável quanto estas. Quem também passa a se sentir ameaçada é Peggy com a chegada de Michael à agência, um sujeito excêntrico que parece tão talentoso e socialmente privado quanto ela. Sua contratação surge primeiramente como uma exigência de Roger, que enxerga nele uma oportunidade de "modernizar" a agência com a presença de um judeu (embora nem ele entenda exatamente o porquê), mas passa depois também pelo aval de Don Draper, para decepção de Peggy. Apesar do medo de ser substituída, por enquanto ainda não fica muito claro qual postura ela espera de seu chefe-mentor, mas desde já é o confronto que mais estou ansioso para ver nesta temporada. Por outro lado, Don ainda conta com o otimismo de Megan ao seu lado, que é capaz até mesmo de convencê-lo a viajar para esquecer os problemas de Betty (uma pena aliás, não mostrarem sequer um trecho dessa viagem a Fire Island). O amplo contexto histórico presente em Mad Men, que nos permite antecipar as mudanças que estão prestes a ocorrer, é intrigante justamente por servir como ameaça ao futuro desses personagens, que lutam a todo custo para se adaptar antes de serem deixados para trás. E esse parece ser o momento mais crítico até então. Afinal, ao contrário de Megan, são poucos aqueles que ainda podem se gabar por ter o tempo a seu favor, infelizmente.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quinta-feira, 29 de março de 2012

[Mad Men] 5x01-02 A Little Kiss

"Un, deux, trois, quatre!"

É na contagem de Megan que iniciamos esta nova temporada de Mad Men, após longos meses longe do ar, como sempre repleta de promissoras mudanças. Depois de quase um ano e meio, se ainda não me satisfaz por completo a ideia deste novo casamento de Don Draper, ao menos aceito como uma possibilidade interessante, que ficou bastante evidente neste primeiro episódio duplo. Antes de cada temporada ficamos sempre tentando adivinhar quanto tempo teria se passado na vida desses personagens e não esperava que desta vez fosse um longo período. Afinal, seria difícil ignorar esse frescor do casal recém-casado e sua nova adaptação com o ambiente de trabalho. Então voltamos agora ao final de maio de 1966, quando a SCDP continua atravessando uma fase turbulenta e, para piorar, com Joan longe da agência cuidando de seu bebê de poucos meses. Além disso, a agência acaba forçada a contratar uma funcionária negra após um anúncio mal entendido no jornal, mergulhando a série de vez no movimento pelos Direitos Civis dos negros.

Era um tema que os produtores sempre evitaram abordar diretamente, embora alguns personagens coadjuvantes tivessem fomentado uma ou outra discussão a respeito. Mas nenhum deles havia sido centro das atenções até hoje, e como as duas partes do episódio parecem amarradas para esse propósito, confesso que encontro motivos para me preocupar. A primeira amostra disso me pareceu desastrosa: quase um sketch com um bando de figurantes reconstituindo um incidente real ocorrido no prédio da Y&R. Não bastasse a confusão que gerou logo de início (a SCDP mudou? quem são esses novos rapazes?), ainda me pareceu desnecessário, já que Roger poderia simplesmente reportar o ocorrido na manhã seguinte antes de lançar a ideia do anúncio falso no jornal. Entretanto, esse fato leva a desdobramentos bem interessantes já que ele e Don não esperavam que isso fosse levado a sério -- talvez subestimando a própria capacidade de leitura dos negros -- e que a SCDP tivesse de lidar com uma recepção cheia de negros buscando por uma oportunidade. Já é um assunto bastante polêmica para se tratar de forma isenta, por isso meu receio é que adotem um tom de julgamento, como na retrospectiva da primeira cena. Por conta também deste anúncio, Joan teve de encarar a realidade mais cedo do que esperava e visitou a SCDP desconfiada de que estaria perdendo sua posição, gerando a cena mais brilhante do episódio, Mad Men em sua melhor forma, quando um simples bebê vira batata quente na mão dos funcionários e acaba chamando atenção para algumas das várias relações ocultas através daquelas divisórias. Pete e Peggy brigando para saber quem cuidaria do bebê, Don cadencioso ao falar de um novo filho e com todo seu charme recebendo Joan sob o olhar fulminante de Megan, Roger aparecendo de surpresa e chamando Joan de "my baby". Acho improvável sacrificarem Greg no Vietnã porque sobrariam alguma pontas soltas, mas espero que consigam driblar o melodrama caso o caminho a seguir seja de duvidar da paternidade da criança.
Lane Pryce explica a situação delicada que a empresa está passando sem Joan, reforçando sua importância no controle das finanças, mas meu palpite é que existem problemas mais graves que ele ainda não quis revelar. Lane também tem relativo destaque na segunda parte do episódio, quando acha uma carteira cheia de dinheiro no banco de trás de um táxi e por cautela, e certo preconceito, resolve carregá-la para entregar ao dono. Chega a me surpreender que seja ele a tomar essa atitude depois de seu relacionamento com a "chocolate bunny" do Playboy Club na temporada passada, mas talvez sua origem inglesa explique toda essa desconfiança. Ao menos Lane parece ter conseguido resolver os problemas em casa e trouxe de volta sua mulher para morar junto em NY. Mas ele ainda se deixa levar facilmente pelas fantasias da foto de uma bela mulher encontrada na carteira perdida. Já Pete Campbell ainda não dá sinais de ter amadurecido, mas com o nascimento do filho precisou mudar-se com a família para o subúrbio de Connecticut. A rotina diária e o estilo de sua residência lembram tanto a vida de Don Draper há alguns anos atrás que ele mesmo parece incomodado. Além disso, Pete não se mostra nem um pouco satisfeito pelas transformações que Trudy passou durante este período. Em um ato de rebeldia, ele convoca uma reunião improvisada em sua sala para tentar convencer os sócios de que precisa receber seus clientes em uma sala mais ampla, sugerindo no caso a de Roger. Roger Sterling ainda não chega a ser um fóssil como Bert Cooper, mas sua participação -- e creio que sua vontade de trabalhar -- diminuíram bastante depois da saída da Lucky Strike. Por mais que esteja desesperado, invadindo toda e qualquer reunião com algum cliente em potencial, sem nem mesmo hesitar, Roger ainda detém aquilo que faz toda diferença nos negócios: dinheiro. Com um pequeno agrado ele convence Harry a trocar de sala com Pete e tudo acaba resolvido, ao menos por enquanto. Como Trudy chega a dizer ao marido, essa insatisfação pode ser boa, desde que seja sinal de ambição para os negócios, e Pete parece ser o único capaz de salvar a agência dessa possível crise que se anuncia.

Porém, ninguém mostrou maiores ambições neste episódio do que Megan Draper. Certamente não haveria maneira melhor de apresentá-la do que numa festa surpresa para Don em seu novo apartamento, com direito a uma performance toda especial como presente de aniversário. A forma desinibida como a garota dançava e cantava deixou o elenco inteiro atônito, assim como os próprios espectadores, numa das maiores extravagâncias que a série já se permitiu. Mas pra dizer a verdade, Megan nem precisava ter se esforçado tanto para sacudir as estruturas da série, porque todos já se mostravam incomodados o suficiente com sua nova posição. Até Sally, que agora alterna entre o "castelo" de sua mãe e o quarto em reforma no apartamento de seu pai, precisa se acostumar com a ideia de ter uma mulher nua na cama de seu pai, enquanto ele prepara o café da manhã para os filhos. Aliás, Megan já se mostra bem diferente daquela moça recatada e prestativa do final da temporada. Sua determinação e o fato de ganhar seu próprio dinheiro dão uma liberdade sem precedentes diante de Don. Ela não se envergonha pela forma que obteve sua promoção, quer ainda assim participar do processo criativo e exige que seja tratada com respeito pelos colegas. Peggy obviamente não parece confortável com a rápida ascensão de Megan e faz pouco casos de suas ideias, enquanto Harry, como sempre, acaba tendo de morder a língua na frente da mulher de seu chefe. Tanto desgosto que ela termina com sua confiança abalada e volta para casa cogitando desistir. Mas basta o marido chegar para então, Megan resolver facilmente esse conflito através de um jogo peculiar, aliando provocação e sedução. Don Draper é um homem deslumbrado, fazendo pouco caso do trabalho, satisfazendo os desejos da mulher. Megan é capaz de controlá-lo com o simples desabotoar da blusa, dentro ou fora do ambiente de trabalho. Quem é o chefe, afinal?

Don aparentemente jogou limpo com ela, revelando sobre sua dupla identidade logo de cara, talvez consciente que quando resolveu finalmente contar todo seu segredo a Betty já era tarde demais. Mas este fato nem soa surpreendente perto do modo como ela encara essa revelação, fazendo até piada. Don Draper está manso e Peggy tem toda razão de estar preocupada quando ele baixa a cabeça diante das exigências dos representantes da Heinz. Se a sensação que esse primeiro episódio nos deixa é de que teremos uma temporada leve e bem humorada, completamente oposta à sombria quarta temporada, essa me parece ser apenas passageira, ao menos até que as falsas ilusões de esperança (o anúncio no jornal, bebês, novo casamento) sejam dissipadas. Ou ao menos até que "Zou Bisou Bisou" saia de dentro de nossas cabeças.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

[Extra] Melhores episódios de 2011

2011 passou voando, é o que todos dizem, e infelizmente não pareceu muito agradável na televisão. Tivemos grandes momentos, sem dúvida, mas nenhuma estreia que conseguisse realmente me empolgar. Ou nem mesmo qualquer cancelamento que fosse de fato sentido pelos fãs. Mas já que é hora das famosas retrospectivas, vamos nos dedicar aos destaques: a consolidação de Breaking Bad entre as melhores séries de drama modernas, o emocionante final de Friday Night Lights e ao menos três comédias que mantém uma média bem alta de qualidade quando consideramos os últimos anos. Enfim, sem a necessidade de longos discursos, passarei para a minha lista de melhores episódios do ano, que obviamente só inclui as séries que assisti e mais uma vez fica limitada a apenas um episódio por série. E assim esperamos que 2012 seja um ano bem melhor (spoiler? com certeza será, porque Mad Men estará de volta). Boas festas e um próspero ano novo a todos!

10. Homeland
"The Vest"


O ano é 2011, já viramos de década, o povo americano já tem um novo presidente, e as histórias sobre terrorismo continuam sempre as mesmas. Ou pior, parecem cada vez menos relevantes. Prova disso é o começo desse episódio, alguns dias após um atentado envolvendo um homem-bomba em uma praça pública, e toda população vivendo tranquilamente como se fosse feriado nacional. Mas em meio a esse jogo de cartas marcadas, o único elemento imprevisível era Carrie. Seu retrato de bipolaridade e fragilidade diante dessa condição é uma das mais reais já vistas na televisão. Se por um lado sua paranoia investigativa leva aos melhores momentos da série, principalmente quando estreita a relação com Brody, por outro serve como as "muletas" mais irritantes do roteiro, induzindo o espectador a pensar como a personagem. Nesse episódio, Carrie é exigida ao limite até que suas enlouquecidas certezas fazem com que ela seja afastada das investigações. Claire Danes não decepciona, proporcionando a melhor atuação feminina do ano.
Outro destaque: "The Weekend".


9. The Office
"Garage Sale"


Há algum tempo The Office já não me empolgava como antes. As novas dinâmicas do escritório pareciam quase nunca funcionar e com isso os personagens sofriam um desgaste cada vez maior. Mas o anúncio da saída de Michael Scott trouxe um novo fôlego à série, e esse episódio resgata tudo aquilo que The Office tinha de melhor em sua essência. O pedido de casamento a Holly foi perfeito, com a dose certa entre as ideias insanas de Michael e um toque pessoal de cada personagem. Fora isso, ainda tivemos bons momentos com o jogo de Dallas e uma das últimas vezes que um trote de Jim em Dwight não pareceu forçado.
Outro destaque: "Goodbye, Michael".


8. Treme
"Can I Change My Mind?"


Assim como a cidade que vai se reestruturando aos poucos após o desastre natural, em sua segunda temporada Treme também cresceu e conseguiu direcionar melhor cada um de seus personagens. Depois de vários episódios vivendo em completo silêncio, Toni e Sofia finalmente conversam sobre o destino de Creighton, e Ladonna tem de confessar os abusos sofridos. Mas não são apenas os momentos dramáticos que chamam a atenção nessa temporada, como também toda a evolução de vários personagens: os experimentos de Janette e Delmond em New York, o aprendizado de Annie com Harley, a nova chance que Sonny enfim resolveu agarrar. E são também os momentos sublimes, saboreando cada conquista, como a estreia da banda de David ou o prazer de Antoine cantando no palco, que fazem de Treme uma das experiências mais reconfortantes da televisão.
Outros destaques: "What's New Orleans?", "Do Watcha Wanna".


7. Parks and Recreation
"Li'l Sebastian"


Bem incrível o que o setor de Parks and Recreation conseguiu promover neste final de temporada. Preparado por vários episódios, o tradicional festival da cidade era esperado como o grande evento do ano mais uma vez, mas às vésperas de sua realização o falecimento de Li'l Sebastian, o mini cavalo símbolo de Pawnee, acaba abalando seus habitantes. O que seria uma celebração dá lugar a um grande memorial, que obviamente não interfere em nada no humor ou carisma da série. Além disso, esse final de temporada estabelece ganchos interessantes, como Leslie diante do grande dilema de escolher entre Ben ou seguir com sua carreira política, a parceria de Tom e Jean-Ralphio num conglomerado de entretenimento ou um vulnerável Ron tendo de enfrentar a visita de suas duas ex-mulheres.
Outros destaques: "The Trial of Leslie Knope", "The Fight".


6. Game of Thrones
"Baelor"


Não era surpresa alguma o padrão de qualidade de Game of Thrones, já que a HBO tornou-se especialista neste tipo de produção na última década. Porém, o grande desafio era manter-se fiel à obra de George R.R. Martin, sem decepcionar aqueles que haviam lido os livros como também quem acompanhava esse drama épico pela primeira vez na televisão. O começo pode parecer confuso com tantos nomes e raças, às vezes até pouco envolvente, mas o ritmo melhora bastante até atingir "Baelor", prova definitiva que os produtores estão dispostos a levar essa adaptação às últimas consequências. Seu desfecho mostra que a série não precisa coroar os feitos heróicos de ninguém e muito menos se limitar às conveniências do gênero televisivo -- coragem que faltou, por exemplo, na adaptação de The Walking Dead no final da primeira temporada. Assim, coadjuvantes ascendem ao posto de protagonistas e Game of Thrones cresce de um modo conciso e vibrante rumo a gerações e gerações de intrigas pelo poder.
Outro destaque: "Fire and Blood".


5. Boardwalk Empire
"To The Lost"


O salto de qualidade de Boardwalk Empire talvez seja um dos grandes destaques de 2011. Dispensaram as subtramas inúteis, disfarçaram aquele didatismo histórico (embora a trama da polio tenha sido dureza de aguentar) e concentraram na disputa pelo poder em Atlantic City. "To the Lost" foi a maneira perfeita de terminar fazendo um brinde a essa esplêndida temporada, que seguiu tratando dos tortuosos laços de família estabelecidos entre seus personagens, mas principalmente focando na figura de Jimmy Darmody. Depois de virar a mesa e apostar tudo para alcançar o trono de rei, Jimmy viu suas conexões afinando, seus aliados se dispersando e o destino agindo contra sua vontade. Era o fim da linha e ele sabia disso muito bem. Seu retrato neste último episódio, fumando diante da janela e observando o mar, aproveitando os últimos momentos com o filho, já completamente derrotado, provavelmente sejam as cenas mais devastadoras do ano. E para alívio geral, tiveram coragem de eliminar um personagem desse calibre e, ainda de quebra, sujar as mãos de seu protagonista de modo deliberado. Boardwalk Empire, assim como Nucky, é uma série que não precisa do perdão de ninguém.
Outros destaques: "Under God's Power She Flourishes", "Georgia Peaches".


4. Louie
"Duckling"


Escrevi uma análise mais detalhada sobre a segunda temporada de Louie há alguns meses atrás. Mas para resumir, nenhuma outra série de comédia teve tanta personalidade em 2011. Partindo geralmente de ideias inspiradas e executando nas formas mais surpreendentes, Louis C.K. mostrava a cada semana seu retrato mais autêntico da sociedade através de contos e crônicas, sem deixar de lado em nenhum momento sua humanidade. O maior exemplo disso esteve em "Duckling", quando o comediante tem a missão de entreter os soldados americanos no Afeganistão, dividindo com eles cada momento de alegria, saudade, tensão e medo.
Outros destaques: "Come on, God", "Eddie".


3. Friday Night Lights
"Always"


Na despedida de Friday Night Lights da televisão, era difícil conter o orgulho por cinco anos ao lado desses personagens. E por tantas ameaças de cancelamento e reviravoltas, era realmente um privilégio acompanhar um final planejado para a série. Pode-se dizer que essa temporada resumiu bem o espírito desta grande jornada, com um início manquejante até o esperado triunfo final. Foi um desfecho perfeito porque deixou a sensação de continuidade, sempre envolvendo os sentimentos mais autênticos do público, sem precisar forçar ou provocar a comoção de ninguém. Se parecia haver méritos suficiente por ter prolongado a série por cinco anos no discurso de Coach Taylor dizendo que essa experiência com os Lions foi a mais recompensadora de sua carreira, ainda teria algo melhor reservado após o finale: um surpreendente reconhecimento tardio do Emmy, ao menos pela performance arrasadora de Kyle Chandler.
Outros destaques: "Don't Go", "Fracture".


2. Community
"Remedial Chaos Theory"


Por maiores que sejam os malabarismos que Dan Harmon e sua equipe buscam fazer a cada semana em Community, tenho de reconhecer que a maior falha esteja justamente nesse esforço excessivo para impressionar. Mas vez ou outra surgem clássicos instantâneos, como esse episódio das múltiplas linhas temporais, capaz de fazer inveja a qualquer diretor mais moderninho da atualidade. Em um grupo que já ameaçou tantas vezes se separar ou expulsar um de seus membros, é realmente incrível como essa dinâmica serve tão bem para um estudo de personagens, aproveitando a ausência de cada um deles. Por mais insanas e hilárias que sejam as implicações de cada realidade alternativa, somente reforça que os 7 amigos deveriam estar sempre a frente de qualquer estrutura inventiva ou referência fanfarrona da série.
Outros destaques: "Foosball and Nocturnal Vigilantism", "Regional Holiday Music".


1. Breaking Bad
"Crawl Space"


Esse ano Breaking Bad sobrou tanto em relação à concorrência que não seria demais tapar os olhos e escolher qualquer episódio como representante da série no primeiro lugar. Mas "Crawl Space" é muito especial. Pra mim, é sem dúvida o melhor episódio da série, e o que mais impressiona é o conjunto de eventos que desencadeiam naquele desfecho de tirar o fôlego. Pouco antes Gus perde a paciência com a insubordinação de Walt, faz ameaças sérias a toda sua família, e fazia crer que o episódio terminaria ali. Mas havia uma grande reviravolta reservada para Walt, que acabaria enterrado nas fundações de sua própria casa, gargalhando de forma insana, com sua esposa a beira de sua "cova". Um final que só poderia ser alcançado por roteiristas sacanas e adeptos do humor negro, que não se importam de assumir riscos, que se divertem em encurralar seus personagens e não se contentam com saídas fáceis. Parece incrível como a gente consegue se envolver tanto com esses personagens, e sentir toda essa tensão do outro lado da tela.
Outros destaques: "Face Off", "Salud".

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

[Prófugos] 8

Por Danielle M



Novamente começa um episódio com Ximena e o nosso canalha da PDI, Marco Oliva. As tais fotos que "provam" que Tegui matou Fabién é entregue a Ximena. Mas a promotora não cai na conversa fácil de Oliva assim não.Não acho que seja apenas por amor a Tegui, mas também pela absoluta e concreta falta de confiança em Oliva.

Mais um personagem entra, o contexto para o político, o deputado Cordova, já estava armado em alguns episódios anteriores. Agora é isso , geral atrás dos prófugos? Bom, não é bem assim, pelo menos o deputado não tem opção, já que é gay e teve um caso com Vicente, devidamente fotografado e, é claro, usado como moeda de chantagem. A homossexualidade de Vicente realmente deu desdobramentos mais tensos e conflitos muito, mas muito maiores do que se imaginava.

Pela primeira vez na série, o grupo é dividido. Vicente segue com Kika e Moreno para um "hospital" , enquanto Salamanca, Irma, Laura e Tegui vão para a comunidade perto das cordilheiras e também próxima a fronteira com a Argentina.

Adorei o encontro das minhas personagens femininas favoritas, La roja e Ximena. Também gostei do papo, mais para desabafo entre Laura e Tegui e dai-lhe sexo em Prófugos com direito a Irma ficar de voyeur cheia de ciume (e inveja, minha tb, viu, hoho).

Na comunidade, o climinha "sobrenatural" persiste. Aquela coisa, índio, ritual, coisa não explicável, entenderam né? Salamanca não resiste e acaba se consultando, por assim dizer, com uma curandeira. Toma o chazinho, evoca os espíritos e toma flashback disfarçado de alucinação, e bom, tem que ter fé né minha gente? Confesso que essa guinada ao místico em Prófugos me pareceu um samba do crioulo doido. Mas mal algum fez, a gente compra a ideia. Tá valendo.
E esse câncer de Salamanca é culpa sob culpa que a gente bem sabe. Já comentei antes e volto a afirmar, ele sempre acreditou que estava numa missão maior, que tudo que faz tem um objetivo nobre. Proteger a filha - e falhar nisso, como ja falhou antes - é sua responsabilidade e culpa.



Enquanto isso, Vicente tenta salvar a mãe. Kika já sabendo que sua vida está mesmo por um fio, entrega ao filho querido o decodificador que lhe dará acesso a uma conta no, tchan tchan, Brasil! Eu já achava que Kika sabia da homossexualidade do filho, mãe sempre sabe, e ela, daquele jeitinho Kika de falar, diz que ama o filho, que o quer bem e do jeito que é ,  um maricón, hahaha, assim, desse jeito. Sem sutilezas para Kika. A cena foi linda, intensa e magistralmente interpretada por ambos!

O que dizer do conflito entre os índios e a PDI? Mais um momento trapalhada da semana para a polícia pateta chilena. Eu deveria ter feito uma sessão assim toda semana, mas é inacreditável que essa ineficiência persista a cada episódio. Me acabo de rir.


No final, prófugos conseguiu me surpreender mais uma vez, Kika está morta e Vicente é a família Ferragut sem a menor possibilidade de escolha. Aguilera teve sua vingança e usufruiu com requintes de crueldade, tal qual sofreu com o seu filho. Mas não me canso de falar. Quem começou foi ele.

O grupo continua separado. Agora com a morte da matriarca dos Ferragut e a fuga de Irma.

Prófugos termina no 13. Falta pouco e está muito, mas muito bom! E duvido que vão ficar só na fuga, agora eles tem uma vingança a cumprir.



Cenas legais:

- Vicente guardando o decodificador no singelo livrinho que o seu amante seminarista caladão lhe deu, bom, acho que deu.
-Toda a sequencia na tenda da velha curandeira. Místico, estranho, fora de contexto, mas legal.
- A cara de Moreno e Vicente ao ver Kika estraçalhada no chão. Horror, o horror.
- Aguilera escrevendo no chão com o sangue de Kika. olho por olho. Cruel hein!
- O enterro de Kika.
- a decapitação de Kika
**fotos: reprodução
dannamagno@uol.com.br
FB: /dannamagno

[Prófugos] 7

por Danielle M



O episódio começa com a promotora  Ximena e o filho da puta do Oliva observando o corpo do gente boa do Fabién. Não adiante, não consigo me conformar com essa morte. Entendo que ela foi necessária para fazer, quem sabe, Ximena ficar contra Tegui, mas me deu uma tristeza vê-lo morrer daquele jeito e pelas mãos daquele sacana. Oliva aproveita o encontro e joga aquele veneninho básico. Mas a promotora  dá um tapão na cara de Oliva que já me fez abrir um sorrisão! Como eu curto essa promotora, ela aparece pouco, mas faz a maior diferença.

Enquanto isso nossos prófugos passeiam no bosque depois de perder o carro para uma vaca. Sim, o Chile tem deserto, gelo, praia e florestinha tb. Reveillon no Chile, lá vou eu! Achei Lost e já esperava o Lostzilla aparecer e julgar os pecados e pecadores. Foi quase. Não é que eles vão parar num retiro espiritual com um padre no comando. Pobre padre.

Entra uma "nova" personagem, quer dizer, é devidamente apresentada como uma ex revolucionária, Natalia, la roja, que também estava na chacina de Valparaiso e foi, se não me engano, a responsável direta pela morte da esposa grávida de Moreno. O conflito aqui é óbvio. Natalia e Salamanca foram companheiros. A companheira trabalha sozinha e deve ser uma carta importante para o pateta do Aguilera não perder mais o rastro dos meninos. Ela é tão eficiente que conseguiu deduzir até que eles atravessaram o rio, alô roteiristas, a guerrilha no Chile foi urbana, hein :). Não importa, me amarrei em la roja.

Vicente e Kika tem uma breve, porém interessante conversa sobre os limites da violência. Kika demonstra uma frieza absurda e justifica os atos de Moreno. Vicente é o incomodo e desajuste em pessoa. Não deixa por menos e junto de Salamanca e Tegui dá um aviso singelo a Moreno.

Talvez por estarem num retiro, haha, parece que todos os segredinhos mais íntimos foram para a superfície. Dai-lhe desejo recolhido! Laura e Tegui. Irma e Tegui. Vicente e o seminarista caladão com cara de bobo...Foram os conflitos já tão habituais entre Laura e Kika, nem parecem mãe e filha.

Bom, tudo indicava que a PDI começava a dar certo, já estava beirando o ridículo tanta ineficiência. Pensei. Mas aí veio toda arrogância e impáfia de Oliva e por culpa dele, e somente dele, mais uma vez a PDI, hahaha, perdeu!  "Aprenda a hacer las cosas derecho". Que sirva para usted, cabrón! Senti pena de Natalia, la roja, juro.

Esse episódio foi bizarro. Para dizer o mínimo! Só acho o seguinte, os roteiristas mostraram que querem chocar a todo custo, bom, talvez no Chile, porque homossexualismo, padres e sexo não tem esse poder em boa parte da América Latina. A jornada pessoal de cada um dos prófugos pode ser bem interessante, mas deve-se ter cuidado com o modo e o contexto , porque para ficar bizarro, vulgar e desnecessário, olha, custa tão pouco. Não foi o caso, ainda, mas acho que está caminhando para isso. Não me refiro exclusivamente a cena homossexual entre Vicente e o seminarista caladão. Achei forte, entendo que a lei do desejo é assim mesmo, mas questiono se para a história, de modo geral - e mesmo a de Vicente - precisava de tal força na cena. Ok, muitos podem dizer, ahh, mas se fosse uma cena heterossexual você não apontaria isso. Apontaria sim, tem que ter um sentido, uma razão de ser. Só não foi apelação pura e simples, polêmica por si só porque Nestor Cantillana é um ator de primeira! E acho que o fato de Vicente ser gay faz a história ficar mais interessante e com muito mais conflitos.
Veremos daqui pra frente.

Agora cá entre nós, precisava matar o padre dona Natalia? (oi, sou roterista de prófugos e quero chocar, sexo, drogas, rock´n´roll e padres mortos). Momento digno de nota foi a "escolha de Sofia" de Salamanca!

Salamanca não tem mais dúvidas, ele ouve Oliva FDP dizer o nome de Tegui. E só por este momento já valeu todo o episódio.



Cenas legais:

- Irma caidinha por Tegui
- Moreno cheirando na casa do senhor. Aff, Moreno
- Laura também tirando casquinha de Tegui. E na casa do senhor.
-Vicente é gay e revela isso também na casa do senhor. Proveitoso esse retiro, hein.
- Padre não perdendo tempo e já entoa uma canção evangelizadora para os prófugos
- A relação de Kika e Laura precisa de maiores explicações. Esse rancor todo...
- Os índios e o aviso:" Los chilenos están manchados". Prófugos sobrenatural?
-Moreno matando geral da PDI. Moreno, eu te amo! Narcotraficante do coração!
- Ela, Natalia la Roja, jogando na cara de Oliva a ineficiência da PDI (a polícia pateta chilena, meodeos)

OBS-> Continuo achando que Prófugos merecia um "previosly". Este episódio foi menor do que os outros, precisamente 3 minutos :).

**fotos: reprodução
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domingo, 30 de outubro de 2011

[Prófugos] 6

 Por Danielle M


Começa  o sexto episódio no frenesi total. Kika aproveita que está na seca há muito tempo e já resolve com o fdp "amigo". Se bem que o cara é meio uma icognita, já que mantém segredo no começo sobre a presença de Kika e cia em sua casa para Aguilera.

Laura, a sexualmente travada, tenta passar um discursinho para a sua mãe do tipo" vc sempre foi infiel ao meu pai", mas Kika já chuta forte e diz que Laura sempre colocou o pai num pedestal . Kika não poupa Laura e solta um "quando ele morreu senti um grande alívio" . A relação entre mãe e filha é tensa mesmo.
Enquanto isso, Oliva já cria um joguinho com Fabien . Moreno tenta estabelecer alguma relação com Salamanca perguntando de sua filha. Quase chorei.

Aí do nada, eu super despreparada, tomando meu Havana Club, o Oliva simplesmente mata o Fabién depois dele falar sobre sua íntima relação com os  narcotraficantes. CARACA. Eu adorava esse personagem. Filho da puta! Para variar, ele arma para Tegui, gravando a descoberta do corpo por ele e a coisa ainda fica pior para o gatão.Tegui perde mais um aliado e é novamente incriminado. Oliva já é o vilão absoluto.

Bom, Irma tá aproveitando a vida e ficando com o gatinho. Acho que ela e Kika tem um fraco por canalhas.E ela é quase estuprada novamente. Sina triste hein moça. Mas é salva pelo papi Salamanca e já podemos notar uma evolução no tratamento entre ambos. Para depois ter um recuo...

Moreno, total detetive e cheio de cocaina na cara, descobre um esconderijo e fica intrigado. Descobre toda traição, a  filha da putice do amigo da familia Ferragut e bota pra quebrar. Achei excessivo prender uma menininha, mas né, Moreno way. Bom que Vicente chegou e colocou as coisas no seu devido lugar. Porque vou te contar, temi viu. Mas também senti pena. Como já falei em outros comentários, a esposa grávida de Moreno lhe emprestava alguma humanidade. Quando ela morreu , e daquela maneira, tudo isso foi embora junto. Primeiro ele arrancou a cabeça de Aguilera Jr, agora impala o traidor e dentro da casa dele.  Eita!

Triste mesmo foi ver a promotora saber do fim de Fabién. Poxa, que saco matar esse personagem. Fiquei irritada e não achei nada legal, nem pelos seus desdobramentos dramáticos futuros.

No mais, Moreno tá muito louco né minha gente? Adoro! Sabe o que achei mais sensacional do episódio todo? Moreno se explicando para Salamanca, o nível de respeito entre estes dois personagens me deixa encantada!
E Aguilera? Pateta de novo! Oh rotina! Mas a PDI do canalha do Oliveira fez um ponto precioso.

Cenas legais:

- Salamanca dando porrada na pirralhada. hahahahah
- Laura precisa resolver essa parada sexual
- Vicente dormindo que nem um anjinho. Nestor Cantilana, te amo, \0/
- Tegui encrencado nivel mor
- Oliveira filho da puta matando a sangue frio Fabien.
-Moreno tirando a pele do traidor. hohoho
- Vicente atropelando uma vaca. E Tegui dando o tiro de misericórdia.

**foto: reoprodução
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OBS-. 7, 8 e 9 estão chegando!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

[The Event] 1x22 - Arrival - Series finale.

Por Danielle M



Pois é, acabou. Logo quando dava sinais de melhora, de recuperar o fôlego, de fugir da obrigação chata - e desnecessária - de ser o novo Lost, The Event dá o seu adeus. E olha, muito mais digna que muita série por aí.

Assistindo ao frenético season finale fiquei com a sensação de que merecia uma 2a temporada. Vamos aos fatos. O vice filho da mãe dança de vez, mesmo achando que o presidente é um bananão, ele consegue reverter as coisas e manda ajuda ao povo no Aeroporto, conseguindo assim deter Sophia e a infecção do vírus letal que acabaria com 98% da população do planeta. Ri e nem era, mas ri, de Sophia candidamente dizer que não queria que morresse geral da Terra, mas só uns 60%. Bom, ela precisa colocar no planeta 2 bilhões de ETzinhos, o "espaço vital" hitleriano ganha nova face e teoria.

Mas Sophia com alguma conciência e humanidade (hoho) desiste da ideia. Super Sean a convence de uma maneira fofa e salva o dia, planeta, personagens e ainda ganha a paternidade da namorada quase morta. Mas quando a gente pensa que a Terra esta salva, lá vem a explicação para o tal evento, simplesmente nós vamos sucumbir. Não há saida. Os ETzinhos já viviam aqui antes e querem retornar ao que era seu. Mas a coexistência não é possível, assim, ao acionar o portal, a galera etzinha entra (com planeta e tudo mais) e nós humaninhos dançamos. Tremores e outros desastres naturais cuidam de tudo. Todo poder aos soviets, digo, ETzinhos. Sophia presidente da Terra e, ora vejam só, não é que a primeira dama do presidente banana também é uma alien .



No final é isso. Explica o evento e dá um final para todos os personagens. Merecia 2a temporada mesmo. Mas fazer o que! Foi digno!

**foto: reprodução

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domingo, 23 de outubro de 2011

[Grey's Anatomy] 8.06 - Poker Face + Comentários gerais

A partir dessa temporada, os comentários de Grey's Anatomy vão ficar por minha conta, pois o Alison está sem tempo para escrever. A seguir, comentários sobre o episódio da semana, e comentários gerais sobre o começo da oitava temporada da série.


Depois de oito temporadas, é difícil para qualquer série criar conflitos que convençam o telespectador. A sétima temporada de Grey's Anatomy foi falha nesse aspecto. Claro, impossível não se emocionar com o drama de Callie e Arizona, mas pelo menos sentia que algo faltava. O finale foi uma tentativa de recuperar isso. Nada de atiradores, atropelamentos... Os personagens tinham que lidar com situações que não os afetavam pessoalmente, mas principalmente as relações entre eles, e desde o começo Grey's mostrava como pessoas tão diferentes conseguiam ficar unidas, não apenas no nível amoroso, mas com relação às amizades.

A season premiere da oitava temporada tinha tudo para arrastar algumas tramas por mais episódios do que seria aceitável, como já havia acontecido em temporadas anteriores, mas o roteiro é ágil e já dá algumas respostas. Meredith sofre as consequências por ter adulterado a pesquisa de Derek, mas o Chief, para protegê-la, assume a culpa. Hunt entende que Cristina não conseguiria ser ela mesma caso tivesse um bebê, e a apóia na decisão de abortar. O que se segue nos episódios seguintes são os desdobramentos dessas escolhas. Hunt acaba se tornando chefe, Bailey assume a pesquisa do Chief, e Meredith e Derek tem a custódia de Zola sob investigação. Não são dramas pessoais como o que Cristina enfrentou na sétima temporada, mas atingem os outros personagens, que acabam tendo uma função na trama geral ao invés de ficarem à parte com suas tramas particulares, como Teddy na temporada anterior.

Até o momento, a oitava temporada de Grey's Anatomy está convencendo. Pela primeira vez fica crível que Meredith quer mesmo adotar Zola, os casos estão voltando a ter relação com o que se passa com os médicos (e estão interessantes também), Callie e Arizona estão com menos enfoque, o que é normal depois de tudo o que aconteceu com elas, Bailey finalmente tem uma storyline mais interessante que sua vida amorosa, e personagens relativamente novos na série como Avery, April e Teddy estão se integrando mais às tramas maiores


Poker Face, episódio da semana, é um exemplo de como, apesar dos exageros, Grey's Anatomy está acertando nessa temporada. A temática de arriscar-se ou esconder-se serviu para todos os personagens. Meredith arriscou-se ao fazer com que um caso de neuro chegasse até Derek, mas é improvável que ela fique longe das cirurgias neurológicas por mais tempo. Resta saber se Shonda continuará com essa trama sem deixá-la cansativa, como até agora.

Cristina e Owen continuam escondendo. Ele foi profundamente afetado pela escolha de abortar o feto, mas ainda não consegue superar o medo de falar, e disfarça tudo o que o incomoda com sexo. É uma trama delicada, pois não seria coerente com Cristina ser mãe, mas Owen ainda tem problemas com isso. A cena final dos dois deixa claro que ainda há algo preso, e faz sentido isso ser abordado nos próxims episódios. Ainda sobre Cristina, é o segundo episódio que mostram as falhas dela como cirurgiã, anteriormente, ao ignorar procedimentos básicos, e agora, ao se mostrar cautelosa e egoísta. É interessante ver que até mesmo deusas da cardio não são perfeitas, e que depois de oito temporadas, a personagem ainda rende.

Depois de cinco episódios à margem, Callie e Arizona voltam com alguma trama. Não tinha como deixar as duas fora de grandes acontecimentos por mais tempo, e a escolha de um dilema mais leve foi uma ótima saída para trazê-las de volta, mas falta um objetivo para Mark além de ser o que atrapalha a vida sexual de Callie e Arizona e pai da Sofia. Ser mentor de Avery é uma boa trama que foi deixada de lado nesse episódio, espero que pela falta de espaço do que por esquecimento.


Mas quem realmente se arriscou foi April, enfrentando Alex, os demais residentes, e até mesmo Bailey. Estava começando a ficar cansativa a passividade de April. Ela é a mais indicada para chefe de residência por lidar melhor com a parte não-cirúrgica da medicina, mas faltava segurança. Depois de ser ignorada e desrespeitada por tantos episódios, estava passando da hora dela se impor.


Outras observações

- Cenas dos próximos capítulos: Bailey x Meredith

- Nenhum paciente morreu no episódio, Derek novamente foi o deus da neuro... O que vai ser agora, parentes dos médicos se internarão e voltarão para casa, numa boa? Ninguém mais vai morrer de soluço?

- Patrick Dempsey todo trabalhado na poker face ao contar para o marido sobre o resultado da cirurgia.

- A trilha de Grey's está me agradando muito. Episódio passado teve The National, e agora, Bon Iver. Não parem de tentar me agradar com música, por favor




Marcelle

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

[Breaking Bad] 4x13 - Face Off

"I won." - Walt


E chegamos ao final da temporada.


Havia uma tensão e expectativas um pouco diferentes para este “Face Off”, graças ao polêmico episódio anterior. Em Breaking Bad nossa curiosidade é sempre com “Como Walt e Jesse vão escapar de determinada situação?”. Mas o inesperado envenenamento de Brock fez com que surgissem muitas especulações durante a semana (muitas nos comentários em nosso post anterior) e mudamos a pergunta para “O que aconteceu, afinal?”. Pra piorar, nenhuma resposta parecia ser livre de falhas. Foi algo inédito na série: ao mesmo tempo em que escondia informações dos telespectadores, tudo indicava que os roteiristas pesaram a mão e boa coisa não sairia dali.


É então que o episódio começa com uma seqüência tensa, nervosa e muito engraçada, com Walt levando uma bomba para dentro de um hospital. E não para de se desenvolver rumo ao que realmente importa, que é o conflito entre Walt e Gus, que chegou a um ponto insustentável, onde um finalmente teria que eliminar o outro. O envenenamento foi o que chamou nossa atenção (cheguei a imaginar o episódio começando por um flashback explicando o que aconteceu), mas felizmente Vince Gilligan, que assumiu a direção e o roteiro deste finale, manteve o foco e nos deu mais uma incrível e surpreendente hora, encerrando com chave de ouro outra fantástica temporada.


Algo que sempre admiro é como o roteiro não deixa pontas soltas e impede que questionemos a verossimilhança do que acontece (exceção clara ao caso Brock, que discuto mais abaixo): após “End Times”, alguns comentaram que médicos costumam procurar a polícia quando aparecem vítimas de envenenamento, e já no início de “Face Off” temos Jesse sendo levado para interrogatório (cena engraçada de Walt ficando quieto quando o policial pergunta seu nome); muitos outros questionaram a desconfiança de Gus no estacionamento, e lá está Walt também se perguntando o mesmo (inclusive usando o termo tão usado “sexto sentido” – Walter nunca usaria “sentido Aranha”). Neste caso, fica claro que Gus pressente algo errado simplesmente por não ter culpa do que houve com Brock e percebe que Jesse insinuou o contrário. Nada mais natural um homem que já vimos ser tão cuidadoso e metódico, imaginar que Walt está planejando algo.


E aí chegamos ao grande problema do nosso protagonista, objetivo maior desde o início da temporada quando já estava desesperado a ponto de pedir ajuda ao próprio Mike (no 4x02, “Thrity-Eight Snub”): como matar um homem como Gustavo Fring? O mais incrível é que a cada episódio víamos um Walter White mais e mais patético, frágil e desprezível ao mesmo tempo, enquanto Gus se tornava ainda mais mítico, saindo-se perfeitamente bem de um interrogatório do DEA (imaginem Walt nesta situação, depois de tantas vezes trêmulo diante de Hank), andando em direção a balas atiradas sobre ele, eliminando de uma só vez todos os principais nomes do Cartel e, por fim, ameaçando matar toda a família de Walt. Eliminar Gus parece impossível, no entanto é a única certeza deste fim de temporada, afinal nosso protagonista tem mais 16 episódios pela frente.


A forma como isso vem é um grande achado, intensificando e dando novo sentido ao flashback que mostra o passado de Gus em 4x08, “Hermanos”. Normalmente, revelar aspectos e investir em um personagem é dar importância o suficiente para que ele permaneça (e cresça) numa série, cada vez mais. Com Gus, o efeito é contrário. O que era impossível torna-se possível, pois sabemos que ele tem um ponto fraco, mesmo que na ocasião não pareça que seja isto. A solução que Gilligan encontra é incrivelmente simples e até óbvia: Walter consegue matar Gus porque este não esquece o “sangre por sangre” e sua vontade de torturar Hector Salamanca faz com que Jesse descubra a relação existente entre os dois.


É fascinante como nada está fora do lugar para esta conclusão, a partir daquele flashback: Jesse tem que ir ao México porque o Cartel força Gus a isto; o Cartel é eliminado por sua própria ganância e porque Gus deseja sua vingança e tem a ajuda de Jesse; Jesse conhece o asilo graças à própria arrogância e sadismo de Gus, que não esquece o passado e insiste em torturar Hector. Ações e reações perfeitas que já vimos tantas vezes na série – basta nos lembrarmos de Jane e sua ganância em chantagear Walt, o próprio Walt sendo punido com fogo direto dos céus, os Primos e a “magic bullet” que salvou Hank, Gale no início da temporada fazendo com que Gus contrate Walt, Ted e sua ganância em querer ficar com o dinheiro de Skyler.


Mas além desta estrutura muito bem montada, é preciso uma execução à altura. Como dar um fim digno a este que foi um dos grandes vilões da TV recente? Todo o trajeto é incrível, com o plano de Walter sendo desvendado aos poucos, a começar pela comunicação de Hector, longa e demorada, sendo decifrada literalmente letra por letra. O que ele vai pedir à enfermeira? E depois, exatamente o quê ele vai revelar a Hank? Walt vai esperar no banheiro e sair atirando quando Gus entrar? É tenso, como não poderia deixar de ser, ao mesmo tempo com doses cavalares de humor – “Termine a palavra, Sr. Salamanca? DEAR?”, os xingamentos a Hank, a velhinha que paquera com Walt enquanto se esconde de Tyrus. E, no fim, temos a explosão com a memorável saída de Gus do quarto, ajeitando a gravata, para só depois cair, não antes de termos uma visão frontal de Gus Terminator (Jesse não usou este termo para apenas uma ocasião, afinal), mais do que justificando o título “Face Off”, que também no filme de John Woo havia duplo sentido (há de se lembrar também do apelido “chicken man” – não são as galinhas que perdem a cabeça e ainda dão alguns bons passos antes de caírem mortas?)


Um final mais do que apropriado, com um Walt estranhamente vitorioso, vestindo camisa verde de mesmo tom daquela que ele começa a série, mas desta vez com calças. Depois de uma temporada em que foi tão desagradável, alcançando algum tipo de recorde com este finale, não só com a revelação do que fez a Brock, mas repetindo a dose com a pobre vizinha (mãe do Vince Gilligan, a propósito), friamente jogada aos leões. “Oh, you are a life saver”... que macabro, Mr. White (por outro lado, seria muito bom se tivesse arrancado informação da secretária de Saul da forma que ela merecia, mas a violência que Walt comete é sempre de forma passiva e covarde – aliás, mais uma gargalhada aqui: “estão em perigo? Que novidade!”).


E o que temos para a 5ª temporada? “Face Off” funciona tão bem como um final para a série que será muito mais fácil esperar a próxima temporada por mais um ano, se pensarmos na forma como a 3ª encerrou. Walter eliminou Gus, destruiu o laboratório, fez as pazes com Jesse (que pela primeira vez termina uma temporada em situação confortável) e tem um lava-a-jato que, segundo sua esposa, é lucrativo. Mas felizmente temos mais 16 episódios pela frente e são tantas as formas que Gilligan e seus roteiristas podem dar continuidade, que podemos especular sobre algumas delas:


- O envenenamento de Brock: como já dissemos antes, é preciso alguma boa vontade para aceitar que Walt foi o culpado. Certamente Gilligan está vendo as reações dos fãs e que muitos querem saber como Walt usou a flor venenosa no garoto. É o primeiro problema que terá que se confrontar: mostrar os detalhes do que aconteceu ou seguir em frente sem maiores explicações? Não me parece ser muito importante os detalhes. O fato é que Huell tirou a ricina de Jesse, Walt teve tempo para envenenar Brock e saberia onde ele mora, tanto através de Saul quanto até mesmo do próprio rastreador que colocou no carro de Jesse. Mostrar como aconteceu é uma criação até razoavelmente fácil (Huell troca o maço, ou retira e devolve depois; Saul, que conhece Brock, faz uma visita e aproveita que o menino está comendo algo, etc) e seria perda de tempo. Alguns se incomodam com a atuação de Walt diante de Jesse quando este vai confrontá-lo, só que sabemos que Walt é péssimo quando pego de surpresa, mas com preparação Heisenberg se sai muito bem. O segundo problema que Gilligan terá que se confrontar com esta história é: Jesse descobrirá o que Walt fez? Já comentei em “Fly” que acho provável que a verdade sobre Jane nunca venha à tona, mas sobre Brock é algo muito mais fácil de Jesse descobrir, especialmente se voltarem ao assunto para explicá-lo no início da temporada.


- Mike: curioso tirarem o personagem dos últimos episódios. Se Mike estivesse presente, talvez Gus não tivesse morrido (certamente mais competente que Tyrus e poderia descobrir sobre a bomba), o que facilitou para o roteiro de Gilligan. Mais curioso ainda é que na primeira metade da temporada tudo apontava para que Mike se tornasse inimigo de Gus, desde que viu Victor sendo morto. Isto não se concretizou, mas pode perfeitamente moldar a forma como reagirá quando voltar do México. O que fará? E sua relação com Jesse? Jonathan Banks é um ator bom demais para não retornar com participação importante nos rumos da série.


- Hank: desde sempre um confronto que vem sendo adiado (na verdade, construído), entre ele e Walt. Não é difícil imaginar que Hank continuará as investigações, mesmo que tenha saído vitorioso desta temporada, ao mostrar que estava certo sobre Gus. Simplesmente porque há algo de muito estranho na explosão no asilo. O próprio Gomez disse que Hector não tinha mais ninguém, então quem explodiu seu quarto? E quem destruiu o super laboratório?


- Câmeras de vigilância: uma constante na 4ª temporada, sabemos que Gus monitorava tudo de seu escritório no Pollos Hermanos. Com sua morte, obviamente que a polícia investigará seus pertences. E até me parece óbvio que Walt pensará nisto também. É perfeitamente possível que no asilo também tenha câmeras e não podemos esquecer que Jesse foi filmado no laboratório do México, ensinando aos químicos como cozinhar a droga.


- Skyler e Walter Jr.: depois de se impressionar com o “I am the one who knocks”, qual será a reação de Skyler ao “I won”? O que me lembra de uma questão interessante para Gilligan: continuar a 5ª temporada exatamente de onde parou e acompanhar os personagens ainda no calor dos eventos, ou dar um salto no tempo, uma vez que aparentemente as coisas podem ficar tranqüilas por alguns dias ou semanas? Caso seja a segunda opção e virmos Skyler e Walt felizes com o lava-a-jato, significa que ela está disposta a esquecer qualquer crime que o marido tenha cometido. Sobre Ted, não acho que é preciso voltar a ele. Pelos eventos ocorridos desde o episódio 4x11 “Crawl Space”, Saul não teve tempo de dizer a ela o que aconteceu, mas basta informar que o problema foi resolvido e talvez Skyler nem ouça mais o nome de Ted Beneke. Já Walter Jr. tem uma questão em aberto: ter ouvido seu pai lhe chamar de Jesse teria alguma conseqüência futura? Muitos esperam que ele comente isto com Hank, mas é possível também o contrário. Hank comenta sobre suas investigações, fala sobre Jesse, e Walt Jr. começa sua própria investigação. Seria interessante que toda a família soubesse sobre Heisenberg, antes do próprio Hank.


Há, enfim, vários aspectos para serem abordados pelos roteiristas que, segundo Gilligan, começam a pensar a 5ª temporada já a partir de Novembro. A única certeza é que, depois de quatro temporadas impressionantes, podemos aguardar um final não menos que espetacular para esta série que já deixou sua marca na história.