O blog está praticamente morto (com apenas a cobertura de The Killing feita recentemente), e há muito tempo não escrevo, mas não poderia deixar de passar por aqui e registrar os palpites para o Emmy, cujos indicados serão anunciados na próxima quinta-feira, assim como fiz nos dois últimos anos (aqui e aqui).
A fórmula pra acertar quem será indicado ao Emmy é fácil (embora, claro, nunca 100% eficaz): mantenha os indicados do ano anterior e considere apenas as vagas deixadas por quem não volta este ano, para serem disputadas ou por quem ficou perto de conseguir indicação antes (caso dos protagonistas de Friday Night Lights ano passado) ou, principalmente, pelas novas séries que, se caíram no gosto dos votantes, marcam presença em quase todas as categorias (caso de The Good Wife ano passado).
Como há um número grande de candidatos, em cada categoria coloco mais 3 nomes que não surpreenderiam caso fossem indicados.
Os DRAMAS
Melhor Série:
Indicados 2010 – Mad Men (vencedora), Breaking Bad, Dexter, The Good Wife, Lost, True Blood;
Vagas que sobraram – Breaking Bad, que não retornou no período de seleção; Lost, encerrada; True Blood, porque quem consegue imaginar que aquela 3ª temporada tem alguma chance?
Quem retorna – Mad Men, três vezes campeã; The Good Wife, que todos concordam ser a melhor coisa da TV aberta.
Quase certo, mas não fique surpreso se não retornar – Dexter, cuja 5ª temporada desagradou até mesmo muitos de seus fãs. Porém, a série marca presença aqui desde o 2º ano e uma vez dentro, tem que ficar muito ruim pra cair fora (pouparei os fãs de um “oh wait”);
Quem ficou perto de uma indicação antes – Friday Night Lights tem sua última chance e, apesar de encerramentos não sensibilizarem os votantes (The Wire, The Shield, Battlestar Galactica), indicações dos protagonistas em 2010 provam que a série é vista por número suficiente de pessoas; Treme, Justified, Parenthood e Men of a Certain Age falharam no primeiro ano, algo até comum de acontecer com séries que depois viriam a ser indicadas (Dexter, House, Grey’s Anatomy e Breaking Bad), mas como mantiveram nível ou ficaram ainda melhores (caso claro de Justified), who knows?
As novidades – Aqui o bicho pega. Boardwalk Empire é a única certeza (venceu Globo de Ouro, SAG Awards e tem os nomes de Martin Scorsese e Terence Winter), com Game of Thrones quase lá. The Killing e Walking Dead são as apostas da AMC para pelo menos uma ocupar o lugar de Breaking Bad, mas a péssima recepção ao final da primeira e o gênero da segunda (terror, sangue, vísceras, mortos vivos) podem pesar contra; Isso ajudaria Shameless, que se caiu no gosto dos votantes poderia até mesmo substituir Dexter como representante da Showtime; E se acharem The Good Wife pouco pra representar a tv aberta, a única novidade que fez sucesso no último ano, Blue Bloods, poderia fazer o queixo de muita gente cair.
Os indicados serão (em ordem de favoritismo):
Mad MenThe Good Wife
Boardwalk Empire
Game of Thrones
Dexter
Friday Night Lights
Boas chances: The Killing, Shameless, Justified
Meu voto (em ordem de preferência):
Mad Men
Treme
Game of Thrones
Friday Night Lights
The Good Wife
Justified
Melhor Ator:
Indicados 2010 – Bryan Cranston (vencedor), Michael C. Hall, Kyle Chandler, Hugh Laurie, Matthew Fox, Jon Hamm
Vagas que sobraram – Cranston, tirando férias pra alguém mais vencer; Fox, com Lost encerrada.
Quem retorna – Hamm e C. Hall são mais que certos.
Quase certos, mas não fique surpreso se não retornarem – Laurie e Chandler. House tem desagradado cada vez mais, mas seu protagonista ainda é forte o suficiente. Já Chandler só foi indicado ano passado, o que sempre traz riscos de um não retorno. Mas ninguém discorda que ele esteve ainda melhor nesta última temporada e estar em “Super 8” (que estreou nos cinemas durante o período de votação) certamente lhe deu mais visibilidade.
Quem ficou perto de uma indicação antes – Ray Romano, Peter Krause e Timothy Olyphant foram ainda mais elogiados este ano e, se o último foi mais festejado pela crítica, são os dois primeiros que já fizeram parte da festa antes; Simon Baker recebeu indicação surpresa dois anos atrás, sua série continua com ótima audiência e, dizem, tem ótimo material com o season finale; já Gabriel Byrne não competiu ano passado, mas foi indicado pelas duas temporadas anteriores de In Treatment. Estaria garantido mais uma vez se este terceiro ano tivesse maior visibilidade. Mas é o trabalho mais exaustivo do ano (NINGUÉM tem mais tempo de tela e diálogos que ele), o que conta muito a favor.
As novidades – Aqui o bicho pega. Nem há tantos trabalhos especiais assim, mas votante do Emmy adora indicar ator de cinema/teatro e este ano, além de Byrne, temos Steve Buscemi, Jeremy Irons, William H. Macy e Sean Bean. E não vamos esquecer Tom Selleck, 5 vezes indicado (com uma vitória) por Magnum nos anos 80 e que pode surpreender com Blue Bloods, meio Simon Baker-style.
Os indicados serão (em ordem de favoritismo):
Jon Hamm, Mad Men
Michael C. Hall, Dexter
Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Hugh Laurie, House
Kyle Chandler, Friday Night Lights
Gabriel Byrne, In Treatment
Boas chances: Jeremy Irons (The Borgias), Timothy Olyphant (Justified), William H. Macy (Shameless)
Meu voto (em ordem de preferência):
Kyle Chandler, Friday Night Lights
Jon Hamm, Mad Men
Timothy Olyphant, Justified
Gabriel Byrne, In Treatment
Donal Logue, Terriers
Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Melhor Atriz:
Indicadas 2010 – Kyra Sedgwick (vencedora), Connie Britton, Glenn Close, Mariska Hargitay, January Jones, Julianna Margulies
Vagas que sobraram – Apenas Close, com Damages tirando o ano de férias. Mas se os votantes vêem Mad Men (e óbvio que eles vêem), sabem que Jones é menos que uma coadjuvante na 4ª temporada. Podemos descartá-la também.
Quem retorna – Margulies, certamente. Sedgwick e Hargitay parecem pertencer a categoria desde o princípio dos Emmy, então difícil tirá-las da certeza.
Quase certa, mas não fique surpreso se não retornar – Britton, como Chandler, foi indicada pela primeira vez ano passado. Ninguém quer que ela fique de fora, mas infelizmente há a chance de ser um “one night stand”.
Quem ficou perto de uma indicação antes – Elisabeth Moss já esteve na categoria antes e ano passado foi indicada como coadjuvante. É claramente protagonista (entre as mulheres) na 4ª temporada de Mad Men e impossível não vê-la indicada; Katey Sagal ganhou o Globo de Ouro e Melissa Leo ganhou o Oscar este ano, coisas que chamam a atenção dos votantes; Sally Field, que já esteve na categoria, e Anna Paquin, que já ganhou o Globo de Ouro, tiveram melhores chances no ano passado, enquanto Lauren Graham deve continuar sem uma indicação... E se John Noble nunca foi lembrado por Fringe, quais são as chances de Anna Torv?
As novidades – Muitas. Kathy Bates e Dana Delany são os nomes mais famosos (colocaria Jennifer Beals na lista, mas com Chicago Code cancelada, as coisas ficaram bem mais difíceis), mas Mireille Enos, Emmy Rossum e Lena Headey que podem conseguir uma vaga, dependendo do quanto suas séries foram amadas pelos votantes.
As indicadas serão (em ordem de favoritismo):
Julianna Margulies, The Good Wife
Kyra Sedgwick, The Closer
Elisabeth Moss, Mad Men
Mariska Hargitay, Lei & Ordem: SVU
Connie Britton, Friday Night Lights
Katey Sagal, Sons of Anarchy
Boas chances: Mireille Enos (The Killing), Emmy Rossum (Shameless), Kathy Bates (Harry’s Law)
Meu voto (em ordem de preferência):
Elisabeth Moss, Mad Men
Anna Torv, Fringe
Connie Britton, Friday Night Lights
Julianna Margulies, The Good Wife
Katey Sagal, Sons of Anarchy
Emmy Rossum, Shameless
Melhor Ator Coadjuvante:
Indicados 2010 – Aaron Paul (vencedor), Andre Braugher, Michael Emmerson, Terry O’Quinn, Martin Short, John Slattery
Vagas que sobraram/Quem retorna/ Quem pode ficar de fora – Apenas Braugher e Slattery estão de volta e, apesar de achar que serão indicados, não seria totalmente surpresa se tivermos uma categoria inteiramente com nomes novos.
Quem ficou perto de uma indicação antes – Josh Charles e Chris Noth falharam ano passado, mas com The Good Wife sendo ainda mais aclamada, ao menos um deles pode ser indicado (entre os homens da série, quem tem mais chances, no entanto, é Alan Cummings, indicado como ator convidado ano passado e que agora sobe de categoria). Scott Bakula é tão bom quanto seu companheiro de série Braugher; Dax Shepard e Michael B. Jordan só seriam lembrados se houver muito amor por suas séries; John Noble e Walton Goggins continuam sendo os favoritos da crítica e se não receberem indicação num ano tão aberto como este, quando receberão?
As novidades – Tantas que poderiam ficar com as seis vagas. Ou doze, se quisessem duplicar a categoria. A provável queridinha do ano, Boardwalk Empire, tem um número grande de possibilidades e não seria surpresa se dois ou três nomes forem selecionados: Michael Pitt, tão protagonista quanto Buscemi, é certo, enquanto Michael Shannon e Stephen Graham possuem os momentos mais “indicáveis” dentre os demais; Game of Thrones deve ser prejudicada pelo seu elenco internacional, mas é mesmo um americano o nome principal da categoria e será uma grande surpresa se Peter Dinklage não for indicado (mas não seria incrível se Jason Momoa também fosse lembrado por um papel cujos poucos diálogos são numa língua fictícia?); Difícil imaginar Brent Sexton e Irrfan Khan fora da disputa, caso The Killing e In Treatment realmente tenham sido bastante vistas; infelizmente, só muito amor por Shameless para que os jovens Cameron Monaghan e Jeremy Allen White sejam lembrados; e se True Blood ainda tem algum prestígio no Emmy, não duvide de Denis O’Hare (nem que seja pela famosa cena do telejornal).
Os indicados serão (em ordem de favoritismo):
John Slattery, Mad Men
Andre Braugher, Men of a Certain Age
Michael Pitt, Boardwalk Empire
Peter Dinklage, Game of Thrones
Alan Cumming, The Good Wife
Michael Shannon, Boardwalk Empire
Boas chances: Josh Charles (The Good Wife), Brent Sexton (The Killing), Irrfan Khan (In Treatment)
Meu voto (em ordem de preferência):
Peter Dinklage, Game of Thrones
Irrfan Khan, In Treatment
Alan Cumming, The Good Wife
Wendell Pierce, Treme
Michael Raymond-James, Terriers
John Noble, Fringe
Melhor Atriz Coadjuvante:
Indicadas 2010 – Archie Panjabi (vencedora), Christine Baranski, Rose Byrne, Sharon Gless, Christina Hendricks, Elisabeth Moss
Vagas que sobraram – Byrne, com Damages de folga; Moss, que concorre como principal.
Quem retorna – Panjabi e Hendricks continuam tão maravilhosas e com grandes momentos quanto no ano anterior.
Não fique surpreso se não retornarem – Baranski e Gless tiveram bem menos a fazer este ano. Pior para Gless que, ao contrário de Baranski, não está numa série tão querida e tem maiores chances de não voltar.
Quem ficou perto de uma indicação antes – Sandra Oh e Chandra Wilson ficaram de fora pela primeira vez ano passado. Verdade que uma vez fora, difícil retornar. Mas não dá pra desconsiderar quem já teve cinco e quatro indicações seguidas, respectivamente; Muita gente considera injusta a ausência de Khandi Alexander pela 1ª temporada de Treme e este ano ela está ainda melhor. Pena que poucos votantes vêem a série, ou ela já seria certeza.
As novidades – In Treatment sempre se deu bem aqui, e um nome de peso como o de Debra Winger não deve ser desconsiderado (Amy Ryan, no entanto, tem atuação muito contida pra ser considerada); Kelly McDonald tem atuação forte em uma série que privilegia o elenco masculino, mas não me surpreenderia se também Paz de la Huerta ou Aleksa Palladino fossem lembradas, caso espalhem amor pela série em todas as categorias; Emilia Clarke tem personagem com percurso semelhante ao de McDonald, mas com bem menos tempo de tela e tão crível quanto, mas dependerá do quanto os votantes realmente se importaram com Game of Thrones; Michelle Forbes tem papel que é a cara de prêmios e tem mais chances que o colega Sexton; Kiernan Shipka antes concorria como convidada, e com tantos momentos especiais que ela tem, só o preconceito em indicar crianças que pesa contra; por fim, Margo Martindale tem uma das atuações mais elogiadas do ano e deve ser querida o suficiente pra ser lembrada (e quem sabe ganhar).
As indicadas serão (em ordem de favoritismo):
Archie Panjabi, The Good Wife
Christina Hendricks, Mad Men
Kelly McDonald, Boardwalk Empire
Margo Martindale, Justified
Christine Baranski, The Good Wife
Emilia Clarke, Game of Thrones
Boas chances: Michelle Forbes (The Killing), Sandra Oh (Grey's Anatomy), Debra Winger (In Treatment)
Meu voto (em ordem de preferência):
Margo Martindale, Justifed
Kiernan Shipka, Mad Men
Christina Hendricks, Mad Men
Emilia Clarke, Game of Thrones
Archie Panjabi, The Good Wife
Khandi Alexander, Treme
As COMÉDIAS
Vou me abster de palpites nas categorias cômicas, não só porque estou atrasado com muitas séries que gosto (The Office, Cougar Town, United States of Tara, Eastbound & Down), mas principalmente porque pouco me importam. As premiações vem tendo como favoritas duas séries que não gosto (Modern Family e Glee), enquanto duas de minhas prediletas sequer são lembradas (Parks & Recreation e Community). O Emmy também se interessa por The Big Bang Theory e Nurse Jackie, séries que acho fracas, e provavelmente lembrará de The Big C, que não tenho o mínimo interesse em conhecer. Então pra mim não faz sentido escrever a respeito.
De modo geral, torço para que 30 Rock desbanque as favoritas e volte ao seu reinado, que elenco de Parks & Recreation seja lembrado para além de Amy Poehler e que, entre as novas séries, Raising Hope consiga alguma coisa (Martha Plimpton quem sabe?), já que a brilhante Louie dificilmente terá alguma indicação.
Hélio Flores
twitter.com/helioflores
Quem acompanha este blog (ainda?) deve ter percebido que interrompi as análises que vinha fazendo de The Killing. Não foi por preguiça, juro. Mas a parte central da temporada, aquela que aprofundava a investigação em Bennet Ahmed e parecia cada vez mais infundada, cheia de furos e bastante clichê (que parte de muçulmano terrorista você não entendeu?), não me motivava a escrever um parágrafo sequer. Na reta final a série deu uma melhorada e terminou a temporada de uma forma até satisfatória, ao menos na minha opinião. Porém, não foi o que percebemos na semana passada, já nas primeiras reações dos críticos americanos durante a madrugada de domingo para segunda-feira. Revolta, indignação, muitos virando as costas e cogitando abandonar a série. Alguns chegaram a dizer que com este finale o próprio canal AMC perderia sua credibilidade com os espectadores. Ou seja, queriam a cabeça de Veena Sud a todo custo.
Quem leu até aqui provavelmente deve estar se perguntando por que continuava assistindo mesmo detectando todos esses problemas. Não só porque a série original era aclamada, mas também porque sinto que esse tema central, que liga todos esses personagens, é bastante interessante. Isso ficou mais evidente pra mim no episódio "Stonewalled", o oitavo da temporada, que por sinal também foi massacrado pela maioria dos críticos americanos. Naquela época já queria ter escrito em "defesa" da série, mas me faltou tempo e acabei perdendo a oportunidade. Enfim, a grande questão é que o assassinato de Rosie Larsen foi o motivo para desestabilizar sua família, principalmente seus pais, que viviam o dilema de continuar lamentando a morte da filha ou seguir em frente na vida, sabendo que ainda teriam dois filhos para cuidar. Da mesma forma, a dupla de investigadores ainda enfrentava os fantasmas de seu passado, com Holder tentando livrar-se de sua dependência na última oportunidade de sua carreira, e Linden ainda dividida entre seu trabalho e uma chance de estabelecer uma relação melhor com seu filho. Já a candidatura de Richmond corria sério risco assim que surgiram as primeiras fotos ao lado de Bennet, colocando o candidato na difícil posição de ir contra seus princípios e se precipitar em acusá-lo. O que se vê no final é exatamente todos esses personagens sendo condenados pelo próprio passado, impossibilitados de tomar um passo a frente. Richmond termina injustamente acusado e correndo risco de vida, Linden mais uma vez não consegue deixar Seattle com seu filho, Holder continua devendo favores a um sujeito misterioso, Mitch decide abandonar a família por não suportar a culpa, Stan ainda não é capaz de controlar sua própria fúria.
e.fuzii
Depois de mais três novos episódios exibidos, The Killing ainda parece não conseguir se firmar de verdade. Até a semana passada, a principal preocupação da maioria dos críticos era que a série adotasse uma estrutura quadrada, colocando sempre um suspeito do crime nos holofotes ao final de cada hora para na semana seguinte arrumar uma desculpa e riscá-lo da lista de suspeitos. Não só por ser uma ideia bastante tola -- para não dizer ridícula -- mas esse último episódio fugiu completamente dessa tendência ao aprofundar a desconfiança sobre Bennet, mostrando a gravidez de sua mulher (outra de suas ex-alunas) e ainda por cima terminar tirando uma foto lado a lado com Richmond. Porém, o que ainda julgo ser o principal problema da série, o fato dos três núcleos principais continuarem caminhando independentes, parece longe de ser solucionado. Afinal, assim que esses personagens se cruzam, mostram possibilidades bem mais interessantes do que separados, como Richmond usando o drama da família Larsen em sua campanha, ou até uma busca implacável pelos assassinos de Rosie, tanto pelos pais quanto pelo aspirante a prefeito. Como em qualquer produção de suspense que se preze, muitas cenas servem apenas para iludir enquanto tentam prender nossa atenção, mas é justamente dessa mesma forma que enxergo certos desdobramentos da trama, oferecendo alternativas que quase nunca terminam cumpridas.
Talvez o problema esteja na cadência que o canal AMC resolveu apostar e tenta de todas as formas vender como se fosse um certificado de qualidade. Rubicon teve dificuldades logo no início, The Walking Dead chegava a ser insuportável em alguns momentos por conta disso. The Killing enfrenta um obstáculo, que parecia até certo ponto superado já no episódio piloto, de dar relevância ao assassinato de Rosie. Afinal trata-se praticamente de uma "aparição fantasma" para a história, sendo usados todos os recursos para desenvolver a personagem (mas por sorte sem apelar ainda para flashbacks), como através desse rolo de vídeo caseiro encontrado com Bennet, mostrando um lado até amargurado da garota. Mas o que se vê nesses episódios seguintes é um esforço contínuo de comover a audiência com essa tragédia, principalmente através de vários momentos do cotidiano da família Larsen. Na casa da família, com os filhos, na igreja, na funerária, no departamento de polícia, num posto de gasolina, são tantas as vezes que acabam gerando até certa aversão do público. Claro que as atuações do casal continuam sempre dignas de destaque e agora provavelmente Stan tomará uma atitude que pode chacoalhar um pouco as investigações, ainda mais se ele esteve mesmo envolvido com algum tipo de máfia no passado.
A questão é que quase nenhum personagem pode ser considerado realmente interessante, capaz de carregar sua história sozinho. A dupla de investigadores funciona até bem enquanto juntos, procurando pelos suspeitos, interrogando-os, mas suas vidas pessoais ainda não revelaram nada além do esperado. Sei que eles não querem reinventar nada, como já ficou provado desde o episódio piloto, mas ter insistido por tanto tempo nessa mudança de Linden para San Diego, sabendo que ela vai ficar até o final da investigação, vinha sendo muito frustrante. Outro ponto de desintesse está na campanha de Richmond que permanece correndo atrás do próprio rabo, procurando por delatores entre seus auxiliares. A visita de Jamie ao prefeito, por exemplo, deve ter sido a cena mais desnecessária até aqui, e que ainda levou a demissão de alguém que não poderia me importar menos. E esse é o principal motivo que leva a série a não ser firmar até agora pra mim, poucos personagens chegam a valer alguma coisa. Nenhum dos suspeitos até agora pode ser no mínimo considerado intrigante. E isso porque já vamos chegar a quase metade da temporada (e talvez da série, provavelmente). Confesso que só continuo assistindo mesmo por conta dos elogios à série original dinamarquesa (que nem sempre podem ser confiáveis), mas a essa altura os produtores da série certamente deveriam ter questões bem mais importantes para se preocupar do que responder a pergunta "Quem matou Rosie Larsen?"
Em mais uma aposta do canal AMC para diversificar sua programação, The Killing é a adaptação de uma série dinamarquesa de bastante sucesso, que já chega portanto, trazendo um clima de poucas novidades. A criadora da série original alia-se com produtores conhecidos por Cold Case, por exemplo, para trazer um drama que reúne a tradicional investigação de um assassinato em que todos passam a ser suspeitos, com a repercussão dessa tragédia na vida dessas pessoas. Embora já se saiba que o desfecho será diferente do original, inclusive com um outro assassino, a redução de 20 episódios para 13 pode ser a garantia de que a série será capaz de manter esse suspense enquanto investe na profundidade dos personagens. Talvez fosse exatamente enxergando a possibilidade de agradar dois tipos distintos de público que os executivos da AMC decidiram bancar a produção. Mas já no seu episódio piloto essas diferenças chegam a causar contradições que podem vir a ser motivo para certa preocupação.
Embora fosse difícil evitar qualquer comparação com Twin Peaks, não só pela trama envolvendo a morte da jovem, como por todo clima soturno da região noroeste dos EUA (a série é ambientada em Seattle), o próprio poster de divulgação já aproveita para sanar essa dúvida de um espectador mais experiente. Não que isso fosse um problema, até porque a série de Lynch tinha peculiaridades muito mais interessantes do que a estrutura whodunnit que lhe envolvia. Mas assim como toda história envolvendo um assassinato, todos os personagens tem algum segredo que tentam esconder: o casal Larsen acampava incomunicável durante o final de semana, a melhor amiga de Rosie tem um pavor fora do normal pelos policiais, seu ex-namorado é por si só uma encrenca, etc. A única trama que desvia um pouco dos principais clichês neste tipo de produção, sendo por isso a menos previsível até então, é a que envolve a campanha para prefeito de Darren Richmond. Além de ter um carro de sua campanha ligado ao assassinato, ele ainda conta com um misterioso passado envolvendo a morte de sua mulher, aparentemente de um modo bem parecido ao da jovem. Os bastidores de corridas eleitorais normalmente rendem histórias interessantes, mas ainda fico curioso para saber como isso poderá ser utilizado para beneficiar a investigação do assassinato, além do fato dos próprios assessores de Richmond serem também suspeitos do crime. Ainda parece cedo para dizer por quanto tempo a série poderá prender a atenção de seu espectador com esse mistério principal, mesmo que a série seja mais enxuta em relação à versão original, mas só pelas amplas possibilidades deixadas pelos seus personagens já neste início, acho que é merecido dar um voto de confiança a The Killing por enquanto.







Chegou a hora de enfim dizer adeus. Mas por mais penosa que seja essa despedida, saber que ela conseguiu ser programada pelos próprios roteiristas e produtores chega a dar até certo alívio diante das tantas vezes que a série viveu na corda bamba ao final de suas temporadas. Renovação para uma temporada mais breve, acordo inédito com a DirecTV, extensão milagrosa para mais duas temporadas finais. A história de Friday Night Lights, não só dentro de campo como na própria série, é recheada de momentos de superação. Até por ter apresentado duas gerações diferentes de personagens, além de uma temporada extremamente irregular que continha tramas beirando o desespero, a série sempre conseguiu contornar seus problemas e trazer tudo de volta aos eixos. Talvez poucos saibam, ou se lembrem, mas minha primeira contribuição neste blog, e portanto quando comecei a escrever "seriamente" sobre televisão, foi na primeira temporada da série aproveitando a exibição do canal Sony. Alguns podem achar até um sentimento tolo de minha parte, mas sinto certo orgulho de ter acompanhado todo o caminho da série por aqui, oferecendo minhas análises, alguns comentários ou até prognósticos -- muitas vezes equivocados -- sobre o destino de seus personagens. Somente quem já tentou escrever por algum tempo sobre determinada série (principalmente uma de pouco apelo junto ao público) sabe o comprometimento necessário para isso. Peço perdão se de alguma forma possa estar parecendo auto-indulgente, mas somente queria com essa introdução tentar transmitir um pouco de minha admiração e gratidão pela série, o que provavelmente nunca fará com que essas luzes realmente se apaguem para mim. Até porque, um dos muitos motivos que me fazem escrever sobre televisão é essa incerteza de suas histórias, de não apenas viver o presente momento de seus personagens, mas também ansiar pelo seu futuro. Neste caso, o mérito de um bom Series Finale a meu ver envolve justamente utilizar essa questão a seu favor, não oferecendo uma conclusão definitiva, mas deixando que o público preencha com suas próprias aspirações os próximos passos de cada um desses personagens que nos cativaram por tanto tempo. Afinal, a fidelidade do público na televisão gera um vínculo natural que pode até se transformar em torcida, algo que Friday Night Lights, mesmo por incluir isso de forma até literal nas próprias tramas de futebol, sempre soube explorar muito bem.
Há dois anos atrás, a conclusão que mais me desagradou foi a de Matt Saracen permanecendo em Dillon para cuidar de sua avó. Basicamente era um jeito fácil demais de emocionar o público, já que Lorraine era a única a nunca ter abandonado seu neto. Mas Matt merecia mais do que isso e depois de perder seu pai num dos episódios mais intensos da série, ele finalmente resolveu partir para Chicago em busca de seu futuro. Nas idas e vindas de seu relacionamento com Julie, ele procurava pelo seu próprio caminho enquanto ela continuava perdida na maior parte do tempo. Até que no final, num inesperado pedido de casamento -- típico de Saracen no estacionamento do Alamo Freeze --, eles decidem selar seu futuro para sempre. Porém, o mais impressionante é como Jason Katims conseguiu amarrar esse pedido prematuro de casamento com a crise que Eric e Tami Taylor atravessavam, reunindo ambos na mesma mesa de jantar. Aliás, depois de Gilmore Girls, nenhuma outra série conseguiu dar tanto valor assim às discussões em jantares de família. A medida que o casal orientava os jovens sobre o que estava envolvido num comprometimento desses, eles percebiam a gravidade de sua própria situação, de que se não conseguissem superar isso, todo o discurso não passaria de hipocrisia. Assim, Eric Taylor decide se manter ao lado da mulher, deixar para trás seu rótulo de Kingmaker, estabelecendo definitivamente que em Friday Night Lights o esporte fica sempre em segundo plano, ao menos quando comparado aos relacionamentos humanos. E embora ainda ficasse ambíguo o futuro de Matt e Julie (não havia sequer necessidade de procurar por um anel de noivado na cena final), a única certeza é que eles fariam esse relacionamento funcionar, seja morando no mesmo apartamento ou a quilômetros de distância. Além disso, essa dinâmica envolvendo o casal Taylor e os dois jovens representa um dos principais legados deixados pela série, tratando os adolescentes de igual para igual, sem marginalizá-los, sendo assim tão capazes de aprender quanto de ensinar lições aos adultos.
Nessas últimas temporadas também é importante notar a trajetória dos irmãos Riggins, que finalmente conseguiram se reconciliar nesse desfecho. Provavelmente seja a digressão na história que menos gostei, com a série novamente flertando com a criminalidade através dessa trama do desmanche de carros. Até porque não existia alguém que representasse melhor o orgulho de viver livre no Texas do que Tim Riggins. Assim, pouco adicionou seu sacrifício pela integridade da família do irmão, além de uma alta dose de melodrama, e nem mesmo esse repentino arrependimento nos últimos episódios. Mas seu passeio com Stevie pela cidade foi divertido de acompanhar por trazer de volta toda sua graça e seu sarcasmo, lembrando alguns breves momentos com Bo no passado. Certamente a maior contribuição da família Riggins para essas duas temporadas foi servir de apoio à nova geração que vinha surgindo, seja através de delicados paralelos ou como ligação aos próprios personagens. Não seria possível imaginar que uma das despedidas mais comoventes envolveria Becky e Mindy, sendo que elas ainda continuariam morando na mesma cidade. Ou que seria significativa a partida de Luke, provavelmente ainda indeciso sobre seu futuro mas disposto a servir seu país, depois de um relacionamento tão turbulento ao lado de Becky e em meio a tantas outras tramas mais importantes. Mas assim como no último encontro entre Tim e Tyra, é mais uma chance de ponderar sobre o futuro desses personagens e concluir que mesmo trilhando caminhos diferentes a partir de agora, eles podem voltar a se cruzar novamente um dia. "Texas Forever" não é apenas um estado de espírito capaz de mover e unir todas essas pessoas e cada um de nós, mas a certeza de ter sempre um porto seguro para voltar quando fosse preciso.
A partida final do State, e nossa última chance de torcer por esses jogadores, foi apresentada através de uma exuberante montagem ao som de Explosions in the Sky, sem a presença de qualquer narração ou mesmo de nenhum som ambiente. Além de conferir uma carga emocional ainda maior ao valorizar cada expressão no rosto de seus atletas e da própria torcida, o resultado da partida acabou mantido em suspense até seus últimos minutos quando a equipe mais uma vez perdia por não conseguir administrar direito o cronômetro. Assim, num último lançamento de Vince Howard o triunfo do East Dillon Lions seria decidido, mas como bem sabemos pelas campanhas anteriores dos Panthers, esses jogadores merecem ser tratados como heróis independente do resultado dentro de campo. Por isso, enquanto todos prendiam a respiração acompanhando a trajetória da bola pelo ar, somos logo levados meses a frente no primeiro treinamento de Coach Taylor na Philadelphia. A vida precisa continuar. "Clear Eyes. Full Hearts. Can't Lose." é um lema que extrapola os próprios limites do campo, que não se apega à vitória em si, mas em todo caminho capaz de finalmente alcançá-la. Mesmo com a vitória no State, e sendo agora a estrela do super-time de Dillon, Vince é o que mais teria a lamentar, por perder sua namorada, seu mentor e provavelmente ainda se preocupar com a conduta do pai. Porém, basta lembrar de sua jornada nesses dois últimos anos para perceber que Vince tem confiança suficiente para superar qualquer obstáculo que aparecesse em sua frente. E por falar em Jess, mesmo com sua participação reduzida nessa reta final, nenhum outro personagem conseguiu simbolizar melhor esse orgulho de ter participado da campanha do East Dillon Lions. Até por nunca ser valorizada o suficiente pelo restante da equipe, enfrentar preconceitos por todos os lados, mas estar sempre disposta a ajudar como fosse preciso. Suas poucas cenas ao lado de Vince, Luke e até Coach Taylor conferiam o afeto que essa equipe precisava para ser mais humana. Por fim, ela se muda para Dallas mas continua atrás de seu sonho de se tornar técnica de futebol com a ajuda de alguns contatos de Coach Taylor, provando que ele não deixa ninguém desamparado pelo caminho.








Por isso, a frase que abre esse texto soa tão pungente em meio a uma calorosa discussão entre Coach Taylor e Tami. Se por diversas vezes disse que a família Taylor é quem mantém todos esses personagens unidos (e, por que não, dão sentido à própria série) é pelo casal nunca ter dado as costas para a cidade de Dillon. Nem mesmo após receber a triste notícia da terminação de seu projeto com os Lions, Coach Taylor deixa de consolar Vince dizendo que o jogador seria uma estrela na próxima temporada, onde quer que jogasse. Se todo esse sacrifício do treinador é extremamente louvável, por outro lado torna essa sua indiferença à proposta de Tami ainda mais injusta. Talvez fosse difícil para Eric aceitar essa mudança de foco, dessa vez tendo de priorizar a carreira de sua mulher, mas surpreende que ele não consiga sequer considerar uma outra opinião. As cobranças de Tami podem não ser razoáveis também, na minha opinião, já que as decisões que acompanhamos do casal no passado foram sempre de responsabilidade de ambos. Nesse caso vale destacar a direção de Kyle Chandler, mostrando a discussão do casal às vezes até em planos bem fechados, praticamente isolando cada um deles com suas próprias ideias. Faltando apenas mais um episódio para seu derradeiro final, não quero de forma alguma desmerecer a partida de State, mas ela acaba sendo até ofuscada diante do destino incerto dessa primeira grande crise na família Taylor. Afinal, são seus protagonistas simbolizando o grande dilema envolvido em Friday Night Lights: a união ou a separação de seus personagens, sendo assim atraídos ou repelidos pela cidade de Dillon.