Previously on Mad Men: infelizmente, por conta de algumas questões pessoais, acabei não conseguindo comentar os dois episódios anteriores aqui no blog. Como eu acho que já não vale a pena elaborar textos muito detalhados com tanto atraso, principalmente sabendo o que acontece nos episódios seguintes, decidi concentrar no episódio da semana e relacionar com alguns acontecimentos pontuais das semanas anteriores. O texto será um pouco mais longo, espero que entendam.
Nesses três últimos episódios antes do season finale, Mad Men deixou de lado os simbolismos e variações de estrutura que vinha apresentando até então, para assim concentrar-se numa abordagem mais direta, principalmente em relação à nova dinâmica da Sterling Cooper & Partners. Aproveitando a onda de protestos contra a guerra do Vietnã, "A Tale of Two Cities" também mostra atos de rebeldia contra a tradicional hierarquia da agência. O fato de Mad Men acompanhar o que acontece em uma agência de publicidade não é simplesmente por retratar a mudança da sociedade através da influência em suas campanhas. É antes uma forma de retratar essas mudanças se refletindo dentro de seus domínios. Por vezes isso aparece até forçado, como a contratação de Dawn, servindo de símbolo das lutas raciais, ou mesmo Ginsberg, chamando atenção para a forte presença judia. Mas o mais notável é que apesar de manter as regras de uma empresa comum, a publicidade apresenta seu diferencial neste constante choque entre a equipe de gerentes de conta e o setor criativo. Jim Cutler, por exemplo, precisa engolir a insubordinação de Ginsberg porque sabe da importância dele na satisfação de seus clientes. Já Joan, que há alguns episódios condenava as secretárias que burlavam o sistema de ponto, dessa vez decide quebrar ela mesma essa hierarquia, desrespeitando a ordem de deixar Pete conduzir as negociações com um potencial novo cliente da Avon. Se existe uma forma de mostrar os direitos das mulheres sendo enfim reconhecidos, talvez a gerência de contas em publicidade seja o maior exemplo, e claro, Joan seria o símbolo ideal para indicar essa mudança. Peggy, que foi a primeira a conquistar seu merecido espaço na agência, aparece então para salvar Joan de uma situação tensa na sala de reunião. Até por conhecer Ted a mais tempo, Peggy sabe que jogar a isca de um novo negócio concretizado já é suficiente para acalmar seu chefe. A ironia é que Ted, mais tarde, tem de engolir seu próprio orgulho com uma proposta irrecusável vinda da Sunkist.
Essa eterna disputa entre Sunkist e Ocean Spray também motiva nesses episódios diversos conflitos que são resolvidos na base de acordos. Ted pede trégua para Don e concordam em colaborar; Don e Sally chegam a um acordo oculto atrás de uma porta fechada; Pete e Bob Benson após idas e vindas também chegam a um entendimento. Bob Benson vinha sendo o grande mistério da temporada, com aparições pontuais mas cada vez mais frequentes, até que tem sua importância reconhecida quando Cutler confia a ele uma tarefa de Roger e ele é capaz de manter esse cliente ao menos satisfeito. E nesse últimos episódios, Bob mostra atributos que seriam altamente valiosos em qualquer cargo: solícito e ao mesmo tempo ambicioso, um otimista irrefreável, sempre buscando melhorar. Ele consegue até mesmo arrumar uma situação adversa e entender a necessidade de atenção de Ginsberg, oferecendo seu discurso de estar sempre pronto. Este permanente estado de atenção, aprendido através de seus áudios motivacionais, é o que faz Bob procurar estar sempre no lugar certo atrás de uma oportunidade e o que faria ele atingir certamente sucesso em sua carreira. Ou pelo menos seria, até cruzar com o caminho de Pete Campbell. Na semana passada, seu toque de pernas e a revelação de seus sentimentos por Pete motivou diversas interpretações. Mas até por essa semana Bob retratar-se dizendo que sente apenas imensa admiração pelo colega, leva a crer que sua cena era muito mais uma busca por respeito, após Pete considerar a conduta de Manolo como nojenta. Entre as diversas especulações sobre Bob, havia a aposta de alguns de que ele seria na verdade gay, outros tantos apontavam uma semelhança de personalidade com Don Draper, mas acho que poucos imaginavam que Bob Benson também seria uma identidade forjada. E por um momento, Pete considerou levar esse confronto até o fim, mas parece que finalmente conseguiu controlar seus impulsos. Bob declarava sua derrota, já até considerava sair de cena furtivamente, apenas pedia um tempo para preparar seu próximo passo. Aprendendo com seu erro anterior, quando não se conteve e decidiu usar a informação da identidade secreta de Don para conseguir prestígio com seus chefes, Pete parece enfim saber como usar esse segredo a seu favor. Pelo seu pedido de desculpas, não fica claro se Pete deseja apenas fazer uso dessa boa vontade de Bob ou se ainda pretende chantageá-lo mais pra frente.
Apesar disso, os problemas de Bob Benson não parecem ser tão preocupantes, ao menos quando comparados à situação de Sally. Para piorar o flagrante de seu pai e Sylvia -- e ela realmente tem azar de aparecer sempre nas horas erradas, já que havia presenciado outra cena assim envolvendo Roger e a mãe de Megan -- Don Draper tenta distorcer os fatos, minimizá-los e tentar manter seu mundo imerso em fantasia. Depois de tantos flashbacks na temporada revelando o ambiente que Don cresceu, aquilo que presenciou quando adolescente, realmente esperava uma reação mais madura por saber que seria um trauma na vida da menina. Ainda assim, Sally reage bem ao escolher voluntariamente se matricular em um internato. Ela não suporta mais ver seu pai, nem é capaz de tolerar sua mãe em casa, e Sally não faz o tipo que fugiria de seus problemas como sua amiga violinista. Então ela escolhe o internato buscando algum sentido de ordem, um ambiente que tenha algum significado. Suas colegas certamente serão um teste constante, a presença de garotos quebrando as regras também. O que importa então é como Sally irá reagir a partir disso, e esse episódio mostra que ela está no caminho certo. Não apenas ela se manteve sóbria como conseguiu reverter as atitudes do amigo de Glen, impressionando sua colega de quarto.
Já Don Draper, pelo contrário, continua decepcionando todos ao seu redor e caminhando em direção à solidão. Nem mesmo sua queda na piscina, um evento de quase morte, durante uma festa na Califórnia foi suficiente para pará-lo. Ele não suporta sequer ver Megan na televisão e "envenena" o próprio suco de laranja que a mulher faz com carinho. Seu favor ao jovem Mitchell, arriscando o relacionamento da agência com a Chevy e disposto a pedir um favor a Ted, é sua tentativa de fazer enfim alguma coisa certa. Seus motivos podem ser nobres, nem que seja motivado ainda pela paixão por Sylvia, ou por ter experimentado o terror da guerra, ou até sentindo culpa por trair seu amigo Arnold. Mas reparar essa situação cria outra ainda mais desastrosa. E essa decepção leva Don ao seu pior momento na série, talvez pior até do que quando sua identidade era investigada pelo governo. Nesta semana, apesar de toda a agência perceber que esse clima afetuoso entre Peggy e Ted está prejudicando os negócios, Don faz questão de colocá-los em um situação embaraçosa diante do cliente para servir como lição. Claro que existe uma dose de ciúme por parte de Don, ele certamente sente falta daquela antiga conexão com sua jovem aprendiz. Mas essa atitude apenas afasta Peggy ainda mais, a ponto de chamá-lo de monstro. Don começa e termina o episódio em posição fetal, primeiro acuado em seu apartamento, depois em sua própria sala.
Há outras referências a fertilidade ao longo do episódio, e não apenas pelo encontro casual dos dois casais numa sessão de 'O Bebê de Rosemary'. Há toda a encenação na sala de reunião para o comercial de aspirinas, quando Don imita uma criança chorando. Ou mesmo Ken, depois de enfrentar todo tipo de exigência maluca dos clientes da Chevy, decidindo largar a conta porque sua mulher está grávida. E temos Peggy, alguém que recusou o papel de mãe, envolvida neste comercial de aspirinas, e que na semana passada é abordada pela mãe de Pete, que a confunde com Trudy. Em um jantar repleto de bebida e algumas confissões, esse segredo ressurge em uma conversa deliciosa entre Pete e Peggy, quando ambos tem um momento de cumplicidade diante de um surpreso Ted. Apesar de tudo isso, esses três episódios não apresentam nenhum tipo de evento marcante como nas temporadas anteriores, por isso torna-se ainda mais difícil prever qualquer surpresa reservada para esse finale. Aliás, apesar dessa temporada manter sempre um tom "mais baixo" em relação às outras, me parece indicar uma certa maturidade da série, que consegue mesmo sem apresentar grandes arcos ao longo de seus episódios, criar diversos momentos memoráveis para seus personagens. E isso ocorre apenas quando uma série já conhece seu próprio potencial e é capaz de ser relevante dentro de suas limitações.
Foto: Divulgação/AMC.

e.fuzii
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domingo, 23 de junho de 2013
[Mad Men] 6x12 The Quality of Mercy
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domingo, 2 de junho de 2013
[Mad Men] 6x09 The Better Half
Quando falava na semana passada que Mad Men era capaz de nos surpreender sem precisar depender de substâncias alucinógenas, era justamente disso que estava falando. Afinal, acho que ninguém esperava por um episódio em que Don levasse para a cama sua ex-mulher e Peggy terminasse enfiando uma lança no abdômen de seu (ex-)namorado. "The Better Half" como parece óbvio pelo título, trata de dualidades, e aparece como tema das personagens interpretadas por Megan em sua telenovela, duas irmãs gêmeas, a prestativa morena e a perigosa loira. Peggy é a principal vítima dessa indecisão, colocada em um complexo dilema quando deve escolher entre a ideia de Don ou de Ted para a propaganda de margarina. Seja qual fosse o lado que escolhesse, traria ressentimento, então ela tenta ficar em cima do muro. Além disso, com a violência frequente na cidade (enfatizada pelas constantes sirenes ao fundo), Peggy não se sente segura nem mesmo dentro de sua própria casa, o que gera cada vez mais desentendimentos com Abe. Principalmente porque ele não consegue mais lidar com a postura de Peggy diante da sociedade, com seu trabalho, a ponto de tratá-la como uma inimiga desta revolução que tanto anseia. Já seu caso com Ted, que poderia servir como alívio nesta situação, parece também estar chegando ao fim, depois que seu chefe passa a ser incomodado por sua consciência. O episódio não trata apenas de exemplos de figuras opostas, mas de uma dualidade encontrada dentro dos próprios personagens, e essa crise de culpa de Ted parte desse seu senso de justiça para lidar com os problemas. Uma reação talvez descabida para um simples toque de mãos, que Peggy garante ter sido involuntário, mas sabemos como esse era um gesto recorrente na relação com seu outro mentor. E pelo que vimos aqui e conhecemos de Don, numa situação assim, ele certamente não seria o cara que pediria pra parar.
Logo que Don e Betty se instalaram para passar o final de semana no acampamento de seu filho, imaginei que o dilema teria alguma relação com Bobby, talvez disputando a atenção e o carinho dos pais. Mas com Betty enfim voltando a sua velha forma, e encarnando seu papel favorito de despertar o desejo dos homens ao seu redor, era difícil para Don resistir. Claro, nada pareceu forçado por ele, os sinais vinham cada vez mais óbvios do lado de Betty, mas apenas reforça a química desse casal de atores quando dividem a mesma cena. Também serve para mostrar que Betty seria melhor aproveitada se estivesse menos isolada em eventos periféricos. A análise de seu ex-marido parece tão franca e madura, que é realmente desolador ouvir Megan pouco depois dizendo se esforçar para o relacionamento voltar a ser como antes, constatando que eles precisam mudar. E mais uma vez Don termina solitário, depois de acordar e encontrar Henry fazendo companhia para Betty no café da manhã. Acho que nunca a série insistiu tanto nos mesmos sinais antes.
Além das curvas sexy de Betty, o episódio marca também o retorno de Duck Phillips depois de longo tempo. Aparecendo agora como um caça-talentos do marketing, ele oferece a chance de Pete mudar de lado, assim como reforça o papel da família em sua vida profissional. Sabemos que aliado à bebida, foi isso que trouxe a ruína de Duck em outras épocas. Pete continua desesperado, sem saber o que fazer com a mãe presa dentro de seu apartamento, mas Bob aparece oferecendo o contato de uma enfermeira que teria recuperado seu pai anos antes. Bob Benson ainda é um mistério, principalmente porque a outra vez que se referiu ao pai, dizia a Ken que ele havia morrido (o que pode ter sido também depois da recuperação). Não sabemos se ele é realmente dissimulado ou apenas prestativo demais, mas parece ter ganho bem mais do que a simples confiança de Joan. Mas o fato de Roger descobrir sobre isso provavelmente crie uma dinâmica bem interessante. Acho também que Roger tende a melhorar quando se relaciona com Joan, até se formos considerar sua outra trama no episódio, que motivou ele a tentar assumir o filho novamente. Pareceu um pouco forçado sua filha ligar nervosa porque Roger levou o neto para assistir "Planeta dos Macacos" (filme do ano, aparentemente), não sei também se faz algum sentido ela deixar o filho aos cuidados do avô.
Durante a semana, depois de Janie Bryant confirmar que o fato de Megan usar a mesma camiseta de Sharon Tate (brutalmente assassinada a facadas anos depois) não era mera coincidência, fez surgir todo tipo de teoria apostando que Megan estaria com os dias contados. Mas em seu tradicional post Mad Style da semana, Tom & Lorenzo, embora não descartando a teoria, me parecem ter resolvido essa charada. Eles levantam uma série de relações entre os figurinos de Abe e Megan ao longo do episódio, e a camiseta da estrela vermelha surge justamente depois que Abe é perfurado pela faca no abdômen. Acho que isso serve apenas como indício de que ele não deve resistir. Resta saber agora como a série lidaria com isso, já que parece um caso grave demais para ficar nas entrelinhas, e de fácil drama caso viesse à tona.
Foto: Divulgação/AMC.

e.fuzii
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
[Mad Men] 6x08 The Crash
– I don't know."
– Then it doesn't matter, does it?"
Aposto que ninguém estava preparado para isso. Embora Mad Men sempre tentasse surpreender seu público, este episódio se situa em um ponto tão fora da curva que fica difícil até mesmo de avaliá-lo com clareza. Certamente dividiu opiniões, mas é impossível deixar de valorizar um episódio que mostra Stan e Jim Cutler apostando corrida dentro da agência, por exemplo, ou até mesmo Ken Cosgrove em uma performance memorável de sapateado. A agência volta sua atenção novamente à Chevrolet, que faz novas exigências absurdas, a ponto de envolver Ken em um grave acidente, pedindo para refazer o trabalho outra vez. Aproveitando dessa situação adversa, Jim traz seu médico para receitar uma injeção de anfetamina para os colegas, e assim mantê-los sob efeito alucinante pelo final de semana inteiro. Não deixa de ser divertido acompanhar essas pessoas trabalhando de modo improdutivo, tentando superar suas velhas ideias, buscando por outras soluções alternativas, tudo em ritmo acelerado. Parecem devaneios, eventos até surreais, mas que partem sempre de uma mesma premissa: discutir o processo criativo sob pressão. Não importa se é para cativar o público, vender seu produto ou conquistar uma amante, a questão é como transformar essa ideia abstrata em alguma coisa palpável, que faça sentido. Muita gente desmerece qualquer tipo de análise em relação à arte justamente porque duvida que essa ideias abstratas possam ser "decodificadas". E todas as semanas Mad Men parece nos instigar com pistas que levam a extrair temas, estabelecer relações entre cenas, personagens. Dessa vez, eles decidem nos torturar, sapatear sobre nossas cabeças, juntando diálogos que aparentemente não fazem muito sentido, desenvolvendo relações que não chegam a lugar nenhum. Quanto mais levam isso ao limite, mais questionam a si mesmos e todo esse processo criativo. Don Draper se depara constantemente com portas neste episódio, um símbolo recorrente na série, e trazido à tona na análise de Roger de que a vida é uma sucessão de portas até seu derradeiro final. Don jura que existe um código capaz de abrir a porta de Sylvia, mas termina se desculpando por ter deixado a porta de seu próprio apartamento aberta para uma estranha.
Se existe um ponto frágil neste episódio, que escapou um pouco desse delírio coletivo, esteve novamente no flashback de Don Draper. Mais uma vez revelando uma cicatriz de seu passado, parece simples demais relacionar com sua vulnerabilidade no presente. O que Don mais teme é ser abandonado, como foi por sua mãe, como foi por Aimée, como foi por Sylvia. Assim como ele repete o mesmo erro, abandonando seus filhos sozinhos em casa. O problema é que, nas primeiras temporadas, o passado parecia impulsionar Don, que corria para tentar superá-lo. De uns tempos pra cá, conforme este vem sendo revelado, Don parece dominado como se vivesse acuado por suas lembranças e traumas. E essa não parece ser a situação ideal para um protagonista que precisa mostrar determinação, ao invés de desmaiar em colapso diante de sua família. Mas claro, sem escapar de ouvir de sua ex-mulher que Henry concorrerá à próxima eleição, ou mesmo ser confrontado pela filha por não conhecer detalhes de seu passado. Não adianta ele procurar as respostas numa propaganda de mingau, que remete a outra passagem de sua infância, pois isso já não é mais suficiente. Nem tentar aliviar seu sentimento de perda com drogas ou sexo. Na manhã seguinte, ele não tem palavras diante de Sylvia no elevador e se recusa a participar do bordel que a agência se transformou novamente. Se antes Don tinha certeza do que precisava enquanto crescia -- carinho, conforto --, agora suas necessidades passam a ser cada vez mais confusas e incertas.
Outro motivo que domina o episódio é o luto, não apenas ecoando ainda o assassinato de Bobby Kennedy, mas sentido tanto pela morte de Frank Gleason como por Stan, que recebe a notícia do primo morto em combate. Interessante como em ambos os casos é Peggy quem serve como figura para prestar apoio. Não bastasse sua relação ainda confusa com Ted, até Stan tenta aproveitar deste momento de fragilidade para fazer uma investida. Peggy considera Stan como seu irmão, mas ele enxerga nela uma companhia para aquela noite. Identidades trocadas e confundidas, como a mulher negra que invade o apartamento de Don e consegue convencer os filhos de que poderia ter alguma relação com seu pai. Note que Sally não demonstra qualquer tipo de choque pelo ocorrido, apenas lamenta por ter se portado de modo tão ingênuo. As coisas não saem fora do controle apenas porque os personagens estão sob efeito de drogas, mas porque passam por uma crise de identidade, sem ter ideia da função que devem assumir nesta sociedade. Peggy cita o gato de Alice, dizendo que não adianta querer ir sem saber para onde. A filha hippie de Frank aparece questionando se sabem que são amados. São perguntas fundamentais que diante de um futuro tão obscuro, nenhum deles é capaz de responder.
Foto: Divulgação/AMC.

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sexta-feira, 17 de maio de 2013
[Mad Men] 6x07 Man with a Plan
Após o choque inicial do anúncio da fusão repentina de duas prestigiadas agências de publicidade, as coisas começam a ser colocadas de volta aos eixos, com a CGC mudando para os dois andares ocupados antes pela SCDP, embora o novo nome ainda continue indefinido. Assim como continua indefinido também o futuro de seus funcionários, muitos deles ocupando cargos semelhantes, temendo passar pelos usuais cortes nestas ocasiões. Até mesmo os antigos sócios não parecem seguros, sem ter lugares suficiente ao redor da mesma mesa de reuniões, a não ser claro pelos grandes arquitetos desse plano: Don Draper e Ted Chaough. Enquanto Pete chega exigindo seu lugar, Ted é capaz de ceder seu assento à secretária e assistir tudo praticamente de fora. Há algum tempo toda trama envolvendo a agência precisava de maior dinâmica, que não fossem apenas conflitos entre seus coadjuvantes, e agora finalmente se estabelece esse embate entre Don e Ted. Ambos devem se respeitar mutuamente para a agência funcionar, mas já mostram diferenças cruciais no modo de trabalhar. Somando-se a isso a sempre questionável postura de Don em sua vida pessoal, enquanto que Ted vinha sendo até aqui retratado de maneira bastante afável, principalmente em relação a Peggy, parece impossível assumir qualquer lado nesta disputa. Para começar "dominando" essa batalha, Don recorre ao tradicional método de vencer o adversário pela embriaguez. Já Ted busca conselhos de seu antigo sócio e amigo, questionando sobre o mistério de seu oponente. Ao final, o cansaço dos primeiros rounds realmente vem à tona, com Ted pilotando o avião em meio a tempestade, enquanto Don nem bem consegue se segurar de tanto medo. O anúncio, de margarina, também envolve substituição, em um eterno conflito com um produto similar. Com a aproximação do final da década de 60, e consequentemente da série, parece cada vez mais claro que se não mudar, Don Draper será deixado para trás como o antagonista desta história. Peggy, numa de suas posturas mais destemidas desde então, espera por seu chefe em sua sala para reprovar aquela conduta, exigir que ele mude e siga em frente. Basta lembrar da outra vez que essas palavras apareceram na série, quando Don vai visitá-la no hospital logo após o parto, e perceber essa inversão de papéis.
O episódio traz ainda muitas outras cenas que remetem a situações que ocorreram anteriormente: Joan conduzindo Peggy ao seu novo espaço no trabalho, Roger tendo o prazer de demitir Burt novamente, a já mencionada tática de Don de embebedar Ted, assim como ele havia feito antes com Roger, até mesmo para conseguir seu primeiro emprego em agência. E finalmente Bob Benson, saindo dos bastidores em um momento providencial para ajudar Joan a chegar no hospital. Talvez cabe forçar um pouco para lembrar de uma cena parecida na sala de espera do hospital envolvendo Joan e Don, não pela situação em si, mas muito mais pelo cavalheirismo de Bob, que parece ter conquistado se não o carinho, ao menos a confiança de Joan. Se ele agiu de modo premeditado, como o homem que tem um plano no título do episódio, parece ser a grande questão, embora não mude o fato do charme do personagem ganhar destaque a partir de agora. Todas essas cenas recorrentes atingem uma convergência no final do episódio, quando é revelado a morte do segundo Kennedy, para tristeza da população americana. Em um dos momentos mais inspirados dos roteiristas ao incorporar um fato histórico à série, eles usam a demência da mãe de Pete para estabelecer esse clima de desesperança, em outro ciclo sem fim. Aliás, parece que os roteiristas não querem definitivamente dar folga a Pete.
Passando por um momento delicado na agência, temendo até por sua posição, Pete se vê obrigado a manter a mãe confinada em seu apartamento na cidade. Claro que isso se mostra muito mais desgastante para ele, que termina refém desta própria situação. Para aquele que sempre tentou imitar o mesmo estilo de vida de Don, Pete tem um desempenho cada vez mais decepcionante. Ainda mais fazendo o paralelo com a outro caso de confinamento do episódio, quando Don mantém Sylvia como sua refém sexual dentro de um quarto de hotel. Nunca seu jogo de poder chegou a esse ponto, de tomar literalmente a liberdade de alguém. Sylvia obviamente se sente seduzida por um tempo, embora saiba estabelecer os limites nas ordens de seu patrão, mas a medida que as torturas vão aumentando (confiscar seu livro talvez tenha sido a gota d'água), ela toma a decisão de dar um basta. Se é o final deste relacionamento, como a despedida no elevador sem sequer olhar para trás parece indicar, ainda acho frustrante por apenas somar-se a outro de seus casos. Embore ele termine beirando o desespero, quase implorando para ela desistir, esperava que Megan ainda descobrisse sobre essa traição. E Megan então? Cada vez mais desesperada para salvar seu casamento, sugerindo até que retornassem àqueles dias ensolarados no Havaí (ou o Paraíso), enquanto o marido sequer presta atenção nas palavras que saem de sua boca. A cena final é marcante, Megan aos prantos com a notícia do assassinato de Bobby Kennedy, Don Draper sentando do outro lado da cama, solitário e devastado. Mas devastado porque, ao contrário do outro evento trágico da temporada, a morte de Martin Luther King, ele não tem com quem se preocupar desta vez. Mulher, filhos, amante… nada mais parece ter qualquer importância na vida de Don Draper.
Foto: Divulgação/AMC.

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sábado, 11 de maio de 2013
[Mad Men] 6x06 For Immediate Release
De todos os cliffhangers deixados pelo finale da temporada passada, certamente aquela imagem dos sócios "isolados" em janelas diferentes é a que mais me marcou e que parece ditar o ritmo dos episódios recentes. Não apenas porque a série tem de lidar com tantas tramas, que raramente tem pontos em comum (a não ser pelo tema do episódio), mas principalmente pela tensão recente na SCDP. Até aqui, é uma temporada muito preocupada em estabelecer segredos, em dimensioná-los e como isso parece afetar seus personagens. Indo na direção oposta, como o próprio título "For Immediate Release" sugere, esse é um episódio que retrata momentos de revelação. Já começamos com uma proposta de abertura de capital, discutida apenas por três de seus sócios, na calada da noite. Enquanto isso, Don Draper perde a paciência com Herb da Jaguar e dispensa o cliente em um jantar particular. Com a ajuda de uma aeromoça (alguém mais lembrou daquela série que nasceu querendo ser Mad Men?), Roger consegue colocar a agência na concorrência pelo projeto de carro futurista da Chevrolet. E essas três situações entram em conflito quando são reveladas ao mesmo tempo dentro da sala de reunião, com todos os outros funcionários assistindo pelo vidro, em um clássico momento de drama empresarial. Joan acusa Don de ser egoísta, de não reconhecer seu esforço para conseguir aquela conta, mas sua decisão provavelmente também seria outra caso soubesse que o capital da agência iria a público. Para complicar ainda mais, Pete descobre casualmente seu sogro em um mesmo bordel e acaba perdendo a conta da Vick em razão disso. Assim como já provou por diversas vezes, Pete tem dificuldades em manter seus segredos sob controle, saber a hora certa de recuar. Tentando pagar na mesma moeda, ele não só sai prejudicado nos negócios, como parece decretar o fim de seu casamento com Trudy.
Mas Don Draper promete resolver tudo isso. E quando vemos Don motivado para reverter uma condição adversa, podemos esperar qualquer coisa.
"We? That's interesting."
Desde o casamento com Megan, apesar de ainda ter seu destaque como protagonista, Don perdeu muito de seu carisma na série. Depois de viver aqueles meses em lua-de-mel na agência, mesmo quando enfim voltou à área criativa, ele próprio reconhecia que estava se sentindo ultrapassado. Suas mais recentes apresentações para clientes também não pareciam ter o mesmo apelo que antigamente. Com a CGC passando também por dificuldades entre seus sócios, e ambas as agências nadando contra a correnteza das grandes firmas, parecia natural uma fusão como essa. Mas a forma como isso ocorreu, tão leve lembrando a fundação da própria SCDP, estabelece um clima de otimismo pelo futuro. Bem diferente, por exemplo, do episódio que este parece reverter, "The Other Woman" na temporada passada, quando Peggy sai pela porta da frente e Joan concorda com a proposta indecente de salvar a agência em um último ato de desespero. Assim parecem chegar ao fim estes dois arcos principais que vinham sendo constantes nesse início de temporada: Peggy buscando pela independência financeira e criativa de seu mentor, e a decisão de Joan ecoando até hoje pelos corredores da agência. Mas ninguém pode negar também que essa nova disposição é capaz de render novos arcos interessantes, prováveis conflitos tanto criativos como pessoais. Peggy aparentemente é a que mais saiu prejudicada com essa união. Don pede para que ela escreva a carta à imprensa imaginando a agência que gostaria de trabalhar. Mas por suas fantasias envolvendo Ted e sua aversão a mudanças, conforme disse a Abe, essa situação está bem longe de ser a que Peggy deseja no momento. Ainda mais trabalhando nas altas horas da madrugada para Don Draper, redigindo uma carta, como se fosse novamente sua secretária.
Foto: Divulgação/AMC.

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sábado, 4 de maio de 2013
[Mad Men] 6x05 The Flood
Mad Men já mostrou inúmeras vezes que não tem a pretensão de tratar dos fatos e ocorrências dos anos 60 como uma série histórica. É antes um drama de época, focado em personagens que vivem neste período de profundas mudanças. Porém, alguns eventos tornam-se tão marcantes para a sociedade americana que é impossível ignorar o impacto que também causariam nesses personagens. O assassinato de Martin Luther King certamente é um desses casos e, por chegar também agregado a toda luta pelos direitos dos negros, já era antecipado por muitos como um ponto importante na história. Assim, a introdução de alguns personagens negros, até em posição de destaque como no caso de Dawn, contribuíram para aumentar ainda mais a expectativa por esse momento. Mas Mad Men não perde sua essência, e apenas reforça que esse grupo de personagens, em sua maioria brancos, não estavam prontos para lidar com uma tragédia como essa. Podemos resumir nesse abraço de Joan em Dawn no dia seguinte, envolvendo toda uma constrangedora "culpa branca". Por isso, com temas tão diferentes, em períodos tão distintos, não parece muito justo estabelecer qualquer paralelo com The Grown-ups, o episódio que tratava da morte de Kennedy, a não ser pelo cuidado ao revelar essa tragédia ao público. Durante uma premiação de publicidade, nada menos do que Paul Newman acaba sendo o porta-voz da notícia na cerimônia, pegando todos de surpresa, dando início à tensão e a uma busca frenética por maiores informações. Outro fato curioso é que naquela ocasião Peggy prefere trabalhar no dia seguinte para evitar o clima de luto em sua casa, assim como Dawn provavelmente prefere passar o dia na SCDP, mas dessa vez consola sua secretária dizendo que ninguém deveria estar trabalhando neste dia. Mas as comparações terminam aí, já que o sentimento é outro, não existe um desejo de superação, um amadurecimento da sociedade, os personagens simplesmente parecem perdidos tentando entender o significado dessa tragédia.
Se na semana passada reclamava da falta de Ginsberg na série, esse episódio retoma sua história através de um encontro arranjado pelo seu pai, com uma professora judia. Durante o encontro a notícia surge, e eles acabam cancelando o jantar, Ginsberg volta para casa e seu pai cita a passagem da Arca de Noé, a inundação que dá título ao episódio, dizendo que em momentos assim as pessoas tem de escolher alguém para se apegar. Ou a alguma coisa, como é o caso de Harry, que lamenta os programas e horários comerciais perdidos na televisão por conta da cobertura dessa tragédia. Pete se revolta com essa postura do colega e chega a chamá-lo de racista, para logo revelar quanto é hipócrita, pouco se importanto com os direitos dos negros, mas por tratar-se de um homem de família assassinado. Da mesma forma, Pete tenta aproveitar a delicada situação para voltar para casa e consolar sua família, mas Trudy continua irredutível. Henry Francis vê uma chance aparecer para tentar a candidatura ao Senado por reprovar a postura de seu prefeito, tentando acalmar os ânimos em meio ao caos na cidade. Já Peggy, que abre o episódio de costas num radiante vestido amarelo, naquele famoso ângulo usado para retratar Don (e é cada vez mais interessante o quanto tentam fazer paralelos com ele durante essa sua ascensão), para depois ampliar o foco para o apartamento de seus sonhos e seu futuro com Abe. Aproveitando o momento turbulento, sua corretora tenta especular mais do que devia e acaba perdendo na negociação. Mas isso parece até providencial, já que dá a chance de Abe opinar sobre essa mudança de vizinhança, revelar seus projetos para o futuro e encher Peggy de esperança. Talvez minhas suspeitas de que esse relacionamento tivesse vida curta estavam equivocadas.
Na SCDP há ainda a visita de Randy, um estranho agente de seguros (tão estranho que não consegui deixar de lembrar de Ethan e a iniciativa Dharma), tirando proveito dessa tragédia para sugerir uma mudança nos negócios. Nada de muito substancial por enquanto, mas pela sua relação próxima a Roger, deve ser alguém importante nos próximos episódios. E Don Draper? Seu monólogo sentado na cama para Megan foi certamente bastante emocionante, embora fosse um daqueles momentos que Mad Men parece se render às palavras óbvias demais. No entanto, não sei exatamente relacionar com o tema do episódio, a não ser pela sua visita ao cinema com Bobby, assistindo ao mundo chegar ao fim na versão original de Planeta dos Macacos. Charlton Heston vagando pela Terra vazia no final parece um sinal do caminho de solidão que Don está se destinando. Embora não houvesse qualquer implicação da briga da semana passada com Megan, sabemos que o casamento continua passando por problemas. Sua maior preocupação é com Sylvia em Washington, e ele tenta fazer contato de todas as maneiras possíveis, mas sem qualquer sucesso. Agora quando ele revela finalmente conseguir estabelecer algum vínculo afetivo com seu filho, a preocupação dele em meio a seus pesadelos é pela sobrevivência de seu padrasto. De repente, a suspeita de que Don Draper precisaria de mudanças de postura e pensamento para acompanhar o ritmo frenético desse período já não parecem ser mais suficientes. Ele e tantos outros personagens que desfilam sua insensibilidade ao longo do episódio, precisam de mudanças bem mais profundas em seu próprio caráter.
Foto: Divulgação/AMC.

e.fuzii
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domingo, 28 de abril de 2013
[Mad Men] 6x04 To Have and to Hold
Com o passar de várias temporadas, uma consequência natural para uma série como Mad Men que lida com tantos aspectos da sociedade de seu tempo, expandindo e explorando diversos núcleos, é a necessidade de episódios como o dessa semana. Acompanhamos o avanço de diversas tramas principais, seja dentro da SCDP, na concorrência pela Heinz ou no casamento dos Drapers, assim como outras históricas mais periféricas, como Joan e Dawn encontrando-se com suas respectivas amigas. No entanto, em muitos casos senti que uma atenção maior seria necessária, principalmente em relação à decisão de Peggy, traindo a confiança de Stan, que passou uma sensação de frieza extrema e poderia ser amenizada com um tempo maior de reflexão. No entanto, é curioso notar que todas as tramas se relacionam com essa concorrência entre as duas agências, gerando peças tão ligadas à época (sejam bem-vindos, espaços em branco!) mas ao mesmo tempo tão opostas. No caso do trabalho da SCDP, refletindo os encontros furtivos no esconderijo de Pete e a sala secreta na própria agência, Don tenta abstrair mais uma vez o produto -- assim como já havia feito com o hotel do Havaí -- e explorar a imaginação de seu público. Mas quem se enquadra melhor na proposta do cliente é Peggy, que repetindo as palavras de seu mentor durante a apresentação, propõe uma exposição maciça do produto na Times Square. Nenhuma das duas agências pode comemorar, porque quem venceu a concorrência foi a Thompson, mas o encontro depois no bar também não me agradou. Todos lamentando a derrota, de repente Ken entra furioso porque Raymond descobriu sobre o "Projeto K" e Stan sai de cena mostrando o dedo do meio para Peggy. Ficou parecendo um sketch sobre traição.
Mas talvez seja outro indício de que a traição de Don Draper esteja próximo de ser descoberta. Resta saber se isso acontecerá antes ou depois de se separar de Megan, afinal sabemos que quando ele compara sua mulher a uma vagabunda, é porque estamos acompanhando o início do fim deste relacionamento. "To have and to hold", além do nome da novela que Megan participa, é também um trecho dos votos feitos pelos noivos nas igrejas católicas americanas. Pela primeira vez Don parece incomodado com a cruz pendurada no pescoço de Sylvia, e ela não esconde que reza depois de cada encontro para que seu amante encontre paz de espírito. Porque, convenhamos, Don é um homem perturbado a ponto de não apenas correr para trair sua mulher logo depois de vê-la em cena com outro ator, mas por ainda reproduzir a cena com sua amante. A série já mostrou claramente que esses padrões se repetem na vida de Don, e deixava claro o distanciamento dos dois no final da temporada anterior, mas esperava que dessa vez seria Megan a tomar iniciativa e propor uma separação, cansada das velhas manias do marido. Enquanto ele se incomoda por Megan supostamente lhe trair sob a luz dos holofotes, ele age de maneira muito pior nos bastidores. Resta esperar que essa situação finalmente se inverta.
Já dentro da agência, as disputas continuam bastante tensas, dessa vez com Joan e Harry medindo forças para ver quem tem mais autoridade. É uma situação delicada de analisar, porque apesar da secretária de Harry ter burlado as regras, a dinâmica de horário numa agência como a SCDP sempre foi retratada como bem flexível. Basta lembrar da voltinha de Jaguar durante o expediente na temporada passada, por exemplo. Sem entrar muito nesses méritos, a situação serviu para mostrar que mesmo prestigiada por sua mãe e amiga pelo cargo executivo na SCDP, a razão obscura que permitiu Joan atingir esse cargo gera ainda muitas especulações dos colegas de trabalho. Não que faltasse méritos para isso, a SCDP provavelmente nunca sairia do papel se não fosse pela contribuição de Joan, mas sua decisão na temporada passada certamente nem permitiu que ela conquistasse mais respeito entre os colegas. Harry também está em busca desse respeito, só que por outro lado, invadindo a reunião de sócio, exigindo seu lugar, bradando sua importância na agência. E ele tem razão, ainda que fosse um babaca na maior parte do tempo, Harry foi um dos poucos a acreditar no potencial da televisão desde o início, mesmo que sem outra opção, e como sabemos sua presença na publicidade tende a ser cada vez maior (irônico também que Don Draper seja ameaçado em sua vida pessoal justamente pela televisão neste episódio). O que faltava a Harry era alguma iniciativa, como Peter por exemplo, e isso ele mostrou após receber seu bônus no encontro com Roger e Cooper. Como bem descreveu Dawn para sua amiga, a SCDP é um ambiente dominado pelo medo, e quem vence é aquele que consegue se impor neste sistema. Muito interessante esse olhar "estrangeiro" da secretária de Don, que se destaca na agência pelas diferenças e ao mesmo tempo não é respeitada pelo mesmo motivo. Só espero que em meio a tantas outras tramas, Dawn tenha mais sorte de se destacar do que Ginsberg, por exemplo, que levantou algumas questões interessantes sobre as famílias de judeus da época, para depois nunca mais ser lembrado.
Foto: Divulgação/AMC.

e.fuzii
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
[Mad Men] 6x03 The Collaborators
Colaboradores nos tempos de guerra são aqueles que oferecem sua cooperação às forças inimigas, principalmente nos casos de ocupação, por isso tantas vezes são tratados como traidores. Poderia ter ligação a este período, um dos mais tensos da guerra do Vietnã, quando os Estados Unidos lançam sua ofensiva do Tet, situando assim o episódio no final de janeiro de 1968. Porém, esse conflito ético é apresentado em outras situações ao longo desse episódio: Peggy sendo coagida por Ted a usar uma conversa informal com Stan para ir em busca da Heinz, Pete ficando ao lado do cliente da Jaguar que prefere uma linha publicitária focada no varejo, ou até o próprio executivo da Heinz que tenta sabotar seu jovem colega de trabalho atrás de uma oportunidade igual na SCDP. E claro, os dois casos de infidelidade mostrados no episódio, principalmente pela cara de pau dos envolvidos.
Apesar da vontade expressa de interromper esse relacionamento no início do ano, Don ainda continua com seus encontros com Sylvia, sua vizinha do andar de baixo. A amizade entre os dois casais gera vários momentos de risco, a ponto de Don chegar em seu apartamento e encontrar sua mulher sendo consolada pela amante. Uma pena que para o espectador não existe praticamente qualquer suspense, já que acompanhamos todo desenrolar da conversa antes de Don aparecer. Apesar de algumas ressalvas ao esforço de Jon Hamm na direção, sua atuação foi um dos destaques do episódio, nos momentos de tensão, mas principalmente quando tenta (não) convencer os executivos da Jaguar a mudar de estratégia. Esta trama também possibilitou revelar outros detalhes do passado de Don através de flashback, mostrando a época em que se mudou com sua mãe de criação para um bordel. Porém, é um recurso que me parece desnecessário por mostrar um cenário que já vinha sendo montado em nossas cabeças desde as temporadas anteriores, além de bastante questionável como justificativa para seu comportamento em relação às mulheres, como dá a entender por Don deixar seu "pagamento" pela companhia de Sylvia. Até um jantar arranjado entre os casais acaba se tornando um encontro particular quando Megan não se sente bem e o Dr Rosen é chamado para outra emergência. Embora Sylvia tente resistir (sua culpa religiosa também parece ser importante), há todo um jogo de poder e sedução na mesa, duas armas que Don Draper domina, e portanto acaba prevalecendo. Poderia ser apenas mais um passatempo para ele, mas essa proximidade dos casais e a outra trama sobre infidelidade levam a crer que isso pode gerar uma enorme crise no casamento dos Draper, que também já não parece se garantir por si só.
Pete também leva uma de suas vizinhas para seu apartamento na cidade (oferecendo ingressos para assistir Hair!), mas não conta com a mesma sorte de Don, e acaba descoberto por Trudy depois da vizinha aparecer toda ensanguentada batendo em sua porta. Para quem acreditava que Pete estava manipulando sua mulher, criando todos aqueles motivos para pegar o trem todos os dias, era justamente o contrário, Trudy sabia muito bem o que estava fazendo. Certamente no melhor momento episódio, ela não parece tão incomodada com traição, mas porque Pete não cumpriu a parte dele neste acordo, em manter ao menos certa discrição para preservá-la na vizinhança. Ela coloca o marido para correr de casa, estabelece limites para suas visitas e ainda ameaça destruí-lo. Mas não sei também se seria avançado demais pra época uma reação assim, até se levar em conta que a violência contra a vizinha passa totalmente despercebida, impune. Quem também enfrenta conflitos de gênero é Peggy, que ao invés de ser respeitada pelos outros funcionários da agência, como dava a entender no episódio anterior, é na verdade temida por sua inflexibilidade. Por isso, ela acaba sendo vítima até de brincadeiras, o que se fosse um homem no cargo de liderança certamente não aconteceria. As conversas com Stan após o expediente são um dos poucos momentos que vemos Peggy relaxar, ser ela mesma, ser tratada de igual pra igual. Mas talvez fosse ingenuidade sua achar que entregando a informação para Ted de que um cliente em potencial estava saindo ao mercado não acarretaria esse dilema ético. Já na SCDP, Herb aparece na porta da sala de Joan para acabar com seu dia. Talvez o maior problema de ceder a um cliente assim da agência fosse que ele sempre voltaria a bater em sua porta. Claramente irritada, ela vai procurar refúgio na sala de Don, que também parece contrariado durante todas as reuniões da Jaguar. Não só porque parecia absurdo para ele mudar para uma estratégia daquelas, mas sinto que ele se sentiu vingado mesmo em um nível pessoal. Regras de conduta funcionam mesmo de forma curiosa na cabeça de Don. É curioso também notar como está sendo introduzido o novato Bob Benson (James Wolk da abreviada série Lone Star), como uma ameaça para os mais experientes, como uma versão mais nova do charme de Don Draper, como uma figura onipresente nos contatos da agência. Ele ainda parece oculto em muitas destas situações, mas assim que for revelado seu potencial é capaz de causar alguma agitação na SCDP. O que, convenhamos, está mais do que na hora.
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
[Mad Men] 6x01-02 The Doorway
E a morte continua rondando a vida destes personagens. Passados pouco mais de 6 meses em suas vidas, períodos que parecem estar encurtando a cada nova temporada, Mad Men retorna para seu penúltimo ano na televisão, ainda marcado por essa fatalidade latente. Não haveria situação melhor para revelar a profunda mudança da sociedade em um intervalo tão curto de tempo quanto nos eventos sociais de final de ano. O que antes se traduziam em festas inesquecíveis, agora parecem suprimidas diante de tantos outros acontecimento, ou até simplesmente esquecidas, como na celebração de ano novo particular no apartamento dos Drapers. Se comparada à festa neste mesmo apartamento na premiere anterior então, parece até que estamos diante de um outro casal. Mas se considerarmos a dinâmica entre eles, de fato estamos. É interessante também estabelecer um paralelo com o piloto da série, quando nos é revelado apenas nos últimos minutos que Don Draper tem uma família no subúrbio. Dessa vez, pelo contrário, é guardado para o final que Don está realmente traindo Megan com a mulher do Dr. Rosen, em resposta ao cliffhanger que encerrava a temporada passada, a garota no bar perguntando se Don estava sozinho. No entanto, pela primeira vez, essa situação parece estar incomodando Don Draper. "Quero parar de fazer isso" é uma de suas únicas resoluções para o novo ano. Mas ele sabe que não seria capaz de parar, e pela reação de sua amante (a maravilhosa Linda Cardellini), ela também sabe disso. Durante o episódio, o que me incomodou foi essa camaradagem excessiva de Don com o médico, que não me parecia apenas mera curiosidade pela sua profissão ou por lidar frequentemente com a vida e a morte, mas uma relação próxima a ponto de dar até presentes fora de época. Com essa revelação final, tudo parece mais claro, Don tenta compensar um homem que consegue ser mais digno do que ele em todos os aspectos da vida.
O episódio começa sob o ponto de vista de alguém sofrendo um ataque cardíaco, para depois embarcar na jornada de Don pelo "paraíso", no clima e nas cores quente do Havaí, enquanto lê um trecho do Inferno de Dante Alighieri na praia. Sua atitude diante deste cenário é de completo torpor, como se não estivesse presente ali, passando quase dez minutos em silêncio. A palavra a quebrar esse silêncio é "army" diante de um jovem militar, bêbado no balcão do bar, que passa a relatar as atrocidades vividas no Vietnã, enquanto Don relembra seus velhos tempos de guerra na Coreia. Ele retorna à fria Nova York dizendo que viveu uma verdadeira experiência, impossível de colocar em palavras. Na agência, percebemos que apesar disso, apenas Don Draper continua exatamente o mesmo; barbas, bigodes e costeletas crescem em profusão no rosto desses personagens. Como se ainda estivessem aproveitando a brisa de mudança trazida pelo verão do amor, enquanto Don continua rejeitando a mera utilização do termo em uma de suas campanhas publicitárias. Então, quando sua viagem pelo Havaí também precisa virar propaganda, Don é o único incapaz de perceber a interpretação mórbida de sua experiência -- Stan chega inclusive a pensar que essa era justamente a "graça" do anúncio. Estaria Don também querendo se suicidar?
Provavelmente não, mas é muito forte sua curiosidade em saber o que este momento lhe reserva, abandonar sua existência física, com certeza ainda influenciado pelo suicídio de seu sócio, Lane Pryce, que continua in memoriam batizando a agência. Roger também se mostra perturbado neste sentido em suas sessões de terapia, cansado de buscar algum sentido para a vida. Sua análise que inclusive dá título ao episódio, diz que a vida é uma sucessão de portas, pontes e janelas que abrem e fecham todas da mesma maneira e levam fatalmente sempre a um mesmo caminho definido. Claro que não se deve levar a sério um personagem que conta piadas para si mesmo na terapia. Mas não à toa, posteriormente é revelado que a vítima do ataque cardíaco na primeira cena é Jonesy, o porteiro do prédio de Don, que ocupa esse piso térreo onde abre e fecha a porta para os moradores, convida-os a subir ou descer de elevador. Além disso, Roger enfrenta outros dois anúncios de morte no episódio: sua mãe, a única pessoa ainda capaz de lhe amar, e seu engraxate, que não é lembrado por nenhum outro de seus clientes. Talvez esse fosse um dos maiores receios de Roger, razão para ele finalmente desabar a chorar em sua sala. Assim como acompanhamos desde a temporada anterior, a sociedade vive o ápice do consumismo, os prazeres momentâneos nunca estiveram ao alcance de tanta gente, os relatos de guerra e violência na cidade chegam com uma facilidade incrível e o uso deliberado de alucinógenos faz com que esses personagens procurem sempre por uma nova experiência, inédita, transcendental. Roger não contenta-se com a chegada de um novo ano porque a promessa de um novo ciclo é na verdade apenas mais uma repetição.
Embora com uma atuação ainda discreta neste primeiro episódio, Peggy já mostra um pouco do progresso que teve nos últimos meses trabalhando na CGC. Superando a adversidade em uma campanha também prejudicada pela brutalidade do Vietnã e pelo sarcasmo da época, Peggy consegue impressionar seu chefe com uma ideia ainda mais brilhante para a propaganda de fones de ouvido. Porém, seu relacionamento com Abe ainda me parece um pouco turbulento, como se vivessem em mundos diferentes, e certamente teremos desenvolvimento durante a temporada. Mas o que me pareceu mais marcante foi a presença de Peggy na agência, sua autoridade diante dos outros funcionários, lembrando muito a confiança de Don Draper em seus tempos áureos. Ainda tivemos uma trama envolvendo Betty, que aparece com peso reduzido e tentando mantê-lo sob controle. Sua "descida" a um Village congelante (lembrando que o Inferno descrito por Dante é gelado) não deixa de ser também uma experiência inusitada, visitando um cortiço e entrando em contato com alguns jovens adeptos da contracultura. Obviamente sua tenacidade para resgatar a garota daquele lugar, como se fosse protagonista de um conto de fadas, deve-se principalmente pela história ser muito similar à dela. Porém, por mais que ela tentasse se apegar ao violino, a "identidade" da garota destinada a estudar em Juilliard, sua decisão de largá-lo naquele lugar mostra algum progresso. Betty pode não ser um ser humano exemplar (longe disso, aliás), mas já é recorrente desde a temporada anterior Betty ter alguns lampejos de maturidade e para representar isso nada melhor do que uma mudança na cor dos cabelos. Sally também apareceu pouco, mas já deu mostras de estar mais independente e menos reprimida na mansão dos Francis. Seu conflito com Betty, com os dois personagens em desenvolvimento paralelo, tem tudo para ser um dos destaques dessa temporada. É cedo ainda para dizer o que esperar do ano de 1968 na série, a única certeza é que esse estado de emergência e preocupação dos personagens está longe de chegar ao fim.
Foto: Divulgação.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
[Breaking Bad] 5x08 - Gliding Over All
Hélio Flores
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
[Breaking Bad] 5x07 - Say My Name
Hélio Flores
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
[fdp] 1x01 Juiz x Juiz

Estreou no domingo (fdp), a nova série brasileira da HBO, que pretende assim preencher sua programação com conteúdo nacional para se adequar à nova lei de cotas na TV paga. (fdp) conta a história de Juarez Gomes da Silva, um árbitro de futebol que tenta se manter incorruptível e atingir o sonho máximo de apitar uma final de Copa do Mundo. Desde que fora anunciada, o tema da série me atraiu por razões quase que pessoais -- mas não, não tenho nenhum árbitro na família -- e estava realmente ansioso para acompanhar o resultado na tela quando estreasse. Mas durante esse período, a medida que novas informações foram surgindo, percebi que (fdp) traria um drama leve, dando ênfase principalmente à vida pessoal de Juarez ao invés de investigar casos polêmicos nos gramados. Isso fica claro neste episódio piloto, que embora conte com uma sequência de quase 10 minutos envolvendo uma partida fictícia de futebol, serve como mero suporte à briga jurídica pela guarda do filho. E com certeza essa é a parte mais rasa da trama, com situações pouco inspiradas e apoiado em obstáculos morais apenas para fazer número, como a doença venérea transmitida à ex-esposa por Juarez. A tendência de aparar as arestas do roteiro com um estilo claramente publicitário, problema não só aqui mas na maioria das produções comerciais do cinema nacional, é o que mais irrita em (fdp), criando momentos até mesmo vergonhosos, como o quadro da família estilhaçado no chão. Já o "caso da semana" chega a ser interessante pelo juiz esperar que sua relação com o árbitro fosse suficiente para influenciar no resultado da partida, mas passa um ar até ingênuo, principalmente para quem acompanha os bastidores do futebol. Se a proposta da série é mostrar um árbitro honesto tentando sobreviver à pressão de sua "profissão", (fdp) tem poucas chances de ser relevante na televisão paga, até porque juiz nenhum é reconhecido pelos seus maiores acertos mas acaba sempre lembrado pelo menor de seus erros.
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