sexta-feira, 29 de abril de 2011

[The Killing] 1x03 El Diablo - 1x04 A Soundless Echo - 1x05 Super 8

Depois de mais três novos episódios exibidos, The Killing ainda parece não conseguir se firmar de verdade. Até a semana passada, a principal preocupação da maioria dos críticos era que a série adotasse uma estrutura quadrada, colocando sempre um suspeito do crime nos holofotes ao final de cada hora para na semana seguinte arrumar uma desculpa e riscá-lo da lista de suspeitos. Não só por ser uma ideia bastante tola -- para não dizer ridícula -- mas esse último episódio fugiu completamente dessa tendência ao aprofundar a desconfiança sobre Bennet, mostrando a gravidez de sua mulher (outra de suas ex-alunas) e ainda por cima terminar tirando uma foto lado a lado com Richmond. Porém, o que ainda julgo ser o principal problema da série, o fato dos três núcleos principais continuarem caminhando independentes, parece longe de ser solucionado. Afinal, assim que esses personagens se cruzam, mostram possibilidades bem mais interessantes do que separados, como Richmond usando o drama da família Larsen em sua campanha, ou até uma busca implacável pelos assassinos de Rosie, tanto pelos pais quanto pelo aspirante a prefeito. Como em qualquer produção de suspense que se preze, muitas cenas servem apenas para iludir enquanto tentam prender nossa atenção, mas é justamente dessa mesma forma que enxergo certos desdobramentos da trama, oferecendo alternativas que quase nunca terminam cumpridas.
Talvez o problema esteja na cadência que o canal AMC resolveu apostar e tenta de todas as formas vender como se fosse um certificado de qualidade. Rubicon teve dificuldades logo no início, The Walking Dead chegava a ser insuportável em alguns momentos por conta disso. The Killing enfrenta um obstáculo, que parecia até certo ponto superado já no episódio piloto, de dar relevância ao assassinato de Rosie. Afinal trata-se praticamente de uma "aparição fantasma" para a história, sendo usados todos os recursos para desenvolver a personagem (mas por sorte sem apelar ainda para flashbacks), como através desse rolo de vídeo caseiro encontrado com Bennet, mostrando um lado até amargurado da garota. Mas o que se vê nesses episódios seguintes é um esforço contínuo de comover a audiência com essa tragédia, principalmente através de vários momentos do cotidiano da família Larsen. Na casa da família, com os filhos, na igreja, na funerária, no departamento de polícia, num posto de gasolina, são tantas as vezes que acabam gerando até certa aversão do público. Claro que as atuações do casal continuam sempre dignas de destaque e agora provavelmente Stan tomará uma atitude que pode chacoalhar um pouco as investigações, ainda mais se ele esteve mesmo envolvido com algum tipo de máfia no passado.
A questão é que quase nenhum personagem pode ser considerado realmente interessante, capaz de carregar sua história sozinho. A dupla de investigadores funciona até bem enquanto juntos, procurando pelos suspeitos, interrogando-os, mas suas vidas pessoais ainda não revelaram nada além do esperado. Sei que eles não querem reinventar nada, como já ficou provado desde o episódio piloto, mas ter insistido por tanto tempo nessa mudança de Linden para San Diego, sabendo que ela vai ficar até o final da investigação, vinha sendo muito frustrante. Outro ponto de desintesse está na campanha de Richmond que permanece correndo atrás do próprio rabo, procurando por delatores entre seus auxiliares. A visita de Jamie ao prefeito, por exemplo, deve ter sido a cena mais desnecessária até aqui, e que ainda levou a demissão de alguém que não poderia me importar menos. E esse é o principal motivo que leva a série a não ser firmar até agora pra mim, poucos personagens chegam a valer alguma coisa. Nenhum dos suspeitos até agora pode ser no mínimo considerado intrigante. E isso porque já vamos chegar a quase metade da temporada (e talvez da série, provavelmente). Confesso que só continuo assistindo mesmo por conta dos elogios à série original dinamarquesa (que nem sempre podem ser confiáveis), mas a essa altura os produtores da série certamente deveriam ter questões bem mais importantes para se preocupar do que responder a pergunta "Quem matou Rosie Larsen?"

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

Um comentário:

danielle disse...

Série que tem FB, lanterninha e jaquetas pesadonas? Tô dentro.