domingo, 30 de novembro de 2008

[Fast News] Snif, cancelaram Pushing Daisies


Pois é, o que é bom dura pouco. Bom mesmo é enrolar a audiência e não dar respostas. Série com clima retrô, PD não agradou a exigente, perspicaz, sábia e culta audiência americana. Foi limada pela emissora, ABC. Terminará sua vida com 13 episódios não tão dignos.

RIP Pushing Daisies.


Danielle M

sábado, 29 de novembro de 2008

[CRIMINAL MINDS] 4x09 "52 Pickup"




Episódio bacana. Um unsub bem perturbado devido a humilhações sofridas na infância (somadas a suas tendências inatas) e atuações balanceadas de todos os membros da equipe.

Nada de Morgan dando uma de Rambo; Prentiss convincente e segura ao lidar com Viper; Hotch perfeito na sua ‘bronca’ em Todd (eu preferia que tivessem esperado mais um ou dois episódios para que as coisas se normalizassem entre eles... não acho que ela já tenha compensado a burrada inicial, mas...); Garcia e Rossi sem grande destaque, mas eficientes como sempre; e Reid... Reid, encantador!!


A equipe. Faltou a Garcia (Todd ainda não é titular...)

O unsub da semana matava mulheres de forma tão lenta e calculada que elas eram obrigadas a limpar o sangue derramado do ferimento que as levaria a morte. Ele tinha problemas com limpeza... E conforme foi ganhando confiança (após algumas vítimas e um curso bizarro sobre como atrair e conquistar mulheres) vitimou aquela que havia sido o primeiro grande fator de humilhação em sua vida. Era a menina rica filha dos donos da casa onde sua mãe fazia limpeza e, por vezes, o levava junto. A curiosidade e a aproximação sexual entre ele e a menina (que eram crianças de idade aproximada) foi violentamente reprimida pela mãe dela, que em seguida despediu a mãe do unsub.


O unsub da semana.

Ele remoeu isso por anos. Depois de se ‘aperfeiçoar’ no crime e, mais perturbado pela doença de sua mãe, ele se aproximou da menina novamente, iludiu-a num bar e a vitimou.


O unsub e a vítima, quando crianças.

Como ele se aproxima de moças que saem para dançar em clubes noturnos, é nesse ambiente que vemos alguns dos momentos mais interessantes do episódio. Prentiss e Todd ‘na balada’, averiguando o bizarro Viper (instrutor do unsub, de como ‘pegar’ mulheres) renderam boas cenas. Muito, mas muito superiores, porém, foram as cenas de Morgan e Reid. Aqui, Morgan é quem ensina Reid a se aproximar das mulheres: o professor foi muito eficiente, mas o aluno foi brilhante! Adorei as cenas entre Reid e a bartender. Adorei! Como é bacana ver alguém, cheio de pontos fracos, saber valorizar e realçar os fortes. Não haveria nada que alguém do estilo Morgan (ou Viper!) pudesse fazer ali que superasse Reid. Estilo é tudo! Rsrs



E a coisa rendeu, e agora teremos mais um affair na série: Reid e a bartender. Eu, que normalmente odeio esses romances paralelos nas séries que assisto, adorei esse! Primeiro porque Reid merece tudo e mais um pouco; além disso, a forma como introduziram a questão foi muito bacana, delicada e convincente. Não foi um detetive cajun esquisito para contornar o problema de uma atriz grávida, como JJ e Will. Agora, o clima de romance cabia, fazia sentido, era quase necessário depois de tantas questões a respeito de Reid. Torço muito para que ele tenha tranqüilidade e seja feliz (ainda que por um ou dois episódios) com a moça.

Li comentários sobre um movimento shipper Hotch / Prentiss. Nem sei o que dizer. Se inventarem uma ‘pataquada’ dessas, vai me dar vontade de largar a série. Hotch é um cara austero, contido, profissional, recém-separado e sofrido por isso. Não se deixaria envolver por alguém que já conhecesse, que nunca representou nada além de sua subordinada. Ou ele volta com a ex, ou aparece alguém (tipo a britânica que morreu no piloto) que tenha história com ele, ou alguém que faça sentido de alguma outra maneira, ou, de preferência, ninguém! Anyway, pior que os dois, só Gideon voltar casado com a Elle.

Até o 4x10.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

[House] 5x08 "Emancipation" e 5x09 "Last Resort"

Se a série seguir nesse ritmo, em breve ela pode mudar o nome para "House & Thirteen", afinal ela e sua doença terminal ocupam tanto tempo de tela quanto o personagem principal do programa. Porque dar tanto espaço ao personagem mais unidimensional, chato e menos real da série é um mistério que nunca serei capaz de compreender. Todo episódio somos lembrados de que Thirteen tem em torno de dez anos de vida e a sua condição é de algum modo integrada ao caso da semana. No episódio anterior, foi a história que Taub contou, neste foi a mistura de drogas que o seqüestrador a fez tomar. E quanto mais exposição a personagem sofre, e mais sua condição é citada, menos eu preocupo. Na verdade, cada vez mais eu desejo que ela deixe a série.



Thirteen não é o único problema da série, outro de mesma importância são os casos. Pode-se argumentar que a série não é mais uma novidade e é natural que a fórmula dos casos já esteja desgastada, mas não que o desgaste da fórmula seja o grande vilão. Os casos tem ficado cada vez menos interessantes, com menos espaço para a história do paciente e uma ênfase menor na história do paciente. Em vez de criar um background que nos envolva e crie curiosidade, os roteiristas apostam num caminho mais fácil e tentam ligar o paciente a algum dos pacientes. Se os membros da equipe fossem interessantes por si só, está seria uma boa idéia, porém, tanto a equipe antiga quanto a nova não é formada por personagens de grande profundidade.

Outro problema que vale a pena citar é o excesso de gente na série. São oito personagens brigando por espaço com House e o caso. É óbvio que não é possível encaixar todos em quarenta minutos. O resultado é o que vemos: Chase e Cameron raramente aparecendo mais que dois minutos por episódio, Cuddy e Wilson dando as caras cada vez menos e House cada vez mais distante dos casos. Não seria a hora de ou trazer a equipe antiga de volta ou deixá-la partir e tornar Thirteen, Kutner e Taub regulares, por menos interessantes que sejam?


Bom, chega de reclamação e falemos um pouco dos episódios. Em Emancipation em vez de um caso, temos dois. Foreman assume um caso da clínica sozinho, na tentativa de sair da sombra de House (há quanto tempo ele tenta isso?) e a equipe tenta descobrir do que sofre Sophia, uma garota de dezesseis anos. Os dois casos foram entediantes e um tanto previsíveis nas soluções e, no caso de Sophia, também nas reviravoltas.


Em Last Resort, os roteiristas tentam sair da rotina e criam uma nova situação para House lidar: o paciente da semana toma um grupo de pessoas reféns, entre eles House e Thirteen, e exige uma resposta sobre qual é a doença que o aflige. A idéia, apesar de nada original, é promissora, O resultado, por outro lado, é vergonhoso. A trilha sonora, em vez de criar tensão, só acabava com ela. House parecia desinteressado, Thirteen estava péssima como sempre, e toda movimentação policial parecia inútil, já que tentativas inteligentes de libertar os reféns não houve nenhuma. Porém, nada disso foi tão inacreditável quanto House devolver a arma para o seqüestrador em certa parte do episódio. O mistério não é desculpa para tal atitude, já que conhecendo House, ele provavelmente daria um tiro não letal no paciente e não o entregaria a polícia antes de solucionar o mistério.



Allan

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

[CRIMINAL MINDS] 4x08 "Masterpiece"




Demorei a comentar porque estava viajando e também porque − confesso − não sabia exatamente por onde começar.
Medo de me repetir, vontade de gostar mais do que de fato gostei...

O episódio foi muito peculiar. A propositura da trama foi muito interessante: um unsub que não era un, era um known subject que se apresentou a Rossi e Reid ao final de uma palestra. Revela a eles os crimes que cometera (e dos quais nunca se teve conhecimento) e desafia-os a evitar a morte de suas próximas cinco vítimas, que só teriam mais 10 horas de vida.



Palestra para recrutar interessados no FBI.


Rothschild aborda-os ao final

E lança o desafio.

Ele se mostra admirador do intelecto de Reid e menospreza o de Rossi. O antagonismo parece ser entre ele (“Professor Rothschild”) e nosso amigo Spencer. A equipe o leva à sede da BAU e lá ele é interrogado por Rossi (e não por Reid para não ‘jogar o jogo dele’) enquanto a equipe faz um trabalho inverso ao de costume. Traçam o perfil do criminoso para chegar às vítimas. Sim, as vítimas é que são unknown (unvics?!?!).

Reid não nos decepciona e logo decifra o que está por trás da auto-proclamada ‘obra-prima’ do criminoso: a seqüência de Fibonacci e a proporção áurea, na busca pela perfeição.

(Inesquecível o dia em que um amigo me explicou, em detalhes, essas duas idéias. Tks, Dan! E a quem não teve a sorte de ter um consultor como ele, sugiro uma consulta à wikipedia ao menos. São conceitos muito interessantes.)


Reid trabalhando.


Rossi continua a estranhar a explicação e não nos é mostrado que ele (que teve sua capacidade intelectual questionada) percebeu a armadilha para a equipe. Alertou a todos e fez com que o criminoso (não consigo chamá-lo de unsub!) acabasse confessando os crimes anteriores. Afinal, o antagonismo era, na verdade, com ele, e não com Reid.

Aí começou a caca. Que motivo mais mixo!! Tanta engenhosidade, tantos anos de dedicação porque Rossi capturara William Grace (um famoso serial killer), seu irmão. E porque com isso ele perdeu a noiva??? Como assim?? Noiva?? Aff, que papo datado!

Fora isso, o que muito me incomodou foi o ritmo do episódio. Para mim, poderia e deveria ter rendido um episódio duplo! Acabou numa correria para explicar tudo! E poderíamos ter visto mais cenas das cinco vítimas, mais momentos com a Prentiss causando tanta perturbação, uma cadência melhor na alteração do foco de Reid para Rossi, mais mind games entre o criminoso, Reid e Rossi. Sei lá, achei tudo uma grande correria.



Perturbado pela morena Prentiss.

Detalhe, achei pééésssima a caracterização do Jason Alexander. Horrorosa! Figurino ridículo: um terno claro daqueles, só mesmo no Dr Lecter, e não em alguém tão ‘arredondado’ e sem a mesma fleuma. Aquela cabeleira, só numa idosa senil, abandonada em algum asilo. Muito trash, muito filme B. (Lembro aqui do meu amigo Dan, de novo. Ele morre de vergonha alheia; e eu tive vergonha alheia pelo visual do criminoso)

Fico imaginando que impressão se quis causar com essa figura...

Mas, retomando o que eu disse antes, a propositura da trama foi muito boa. Quem sabe não é sinal de que estão começando a acertar a mão novamente....

4X09 está chegando. Andar com fé eu vou...

PS. Me recuso a falar do clima de implicância entre Todd e Morgan. Desnecessário. Não vejo a hora da JJ voltar (quem diria!).

[LOST] The Greatest Hits – Take 1

Acho que a essa altura, todo mundo já sabe que Lost estará de volta dia 21 de janeiro. Sim, numa quarta-feira e provavelmente concorrendo com o pesadelo American Idol. Na semana passada, a ABC divulgou o poster oficial da quinta temporada, além de alguns promos com cenas inéditas, mas que não revelam muita coisa. E não vou indicá-lo porque ninguém merece ouvir à nova música do The Fray...

A frase escolhida para divulgar a temporada é "Destiny Calls", que já sinaliza que a volta dos Oceanic Six será o principal tema e, provavelmente, terão de ser convencidos que todo os infortúnios são em razão de terem deixado a Ilha. Além disso, os dois grupos divididos sugere que as histórias serão contadas em paralelo, como na verdade temia. Agora é torcer para que eles consigam manter o ritmo enquanto focam nos acontecimentos de dentro e de fora da Ilha.

Já fazendo um aquecimento para a volta de Lost, os nossos parceiros do blog TeoriasLost resolveram eleger os 10 episódios essenciais da série. O desafio foi lançado pelo Leco e obviamente aceito, até porque não resisto à tentação de fazer listas. No meu caso, as escolhas são estritamente pessoais, às vezes pouco importando o valor para a trama como um todo, até porque na televisão também é importante saber inserir e desenvolver esses pequenos "anexos" à história. São escolhas como as de Charlie em Greatest Hits: episódios que levaria a uma ilha deserta, daria de presente num DVD ou que simplesmente desejo que as pessoas revejam. Fica como sugestão também duas listas de 15 melhores episódios, publicado pelo blog do Hal Incandenza na semana do final da temporada passada.

10. Greatest Hits
Acabei de citar e não poderia ficar de fora da lista. Embora Charlie não fosse um de meus personagens favoritos e até torcesse para que batesse logo as botas após as previsões de Desmond, esse episódio foi uma das melhores despedidas que já vi. Além da criatividade em utilizar o formato de flashbacks para fazer uma lista de melhores momentos de sua vida, Charlie despede-se dos próprios sobreviventes, que passaram tanto tempo ao seu lado. Cenas emocionantes, que são coroadas com sua escolha número um: o acidente de avião, que permitiu que ele chegasse até aquele momento de virar herói mais uma vez e conhecesse o amor de sua vida, Claire. Adorável, sem se tornar piegas.

9. Man of Science, Man of Faith
Make your own kind of music. Depois de todo o suspense deixado pelo final da primeira temporada (que denunciava que os produtores precisavam de mais um tempo para saber o que colocar dentro da escotilha), esse episódio já começa com o abrir de olhos de um novo personagem, que logo se tornaria o favorito de muita gente. Logo que a escotilha é aberta, surge mais um entrever entre Locke e Jack, que se estenderia pelo resto da temporada. O próprio Walt aparece no meio da floresta para dizer que o botão é ruim. E até o flashback de Jack é interessante, com ele decidindo por salvar Sarah e ainda encontrando Desmond, que revela ser o estranho dentro da estação.

8. Solitary
Essa escolha é completamente pessoal. Não sei se todos sabem, mas não sou fã do episódio "piloto" de Lost. Nunca cai nessa ladainha de novo trabalho de J.J. Abrams ou mesmo no hype que se formou durante seu lançamento (passando em dois canais a cabo no mesmo dia). Era muita pretensão para um episódio que falhava por não ser objetivo. Mas num belo dia, quando assisti a um torturador iraquiano que viveu um intenso dilema para salvar uma mulher (posteriormente seu grande amor), sendo capturado por uma francesa que dizia ter uma filha perdida pela Ilha, acabei finalmente fascinado. Então, para mim esse episódio é praticamente o "piloto" da série, além de ter sido a primeira vez que fizeram menção aos "Outros" e que ouvimos os sussurros pela floresta.

7. The Other 48 Days
Esse também é um episódio em que o formato de Lost é bem explorado, contando sob outro ponto de vista o acidente e os primeiros dias dos sobreviventes da "cauda" do avião. Tem pelo menos três cenas marcantes: Mr Eko quebrando seu silêncio, Ana-Lucia finalmente liberando suas angústias e chorando, e o confronto no topo da montanha entre Goodwin e ela.

6. The Man Behind the Curtain
Esse era o episódio que todos estavam esperando. A origem da Iniciativa DHARMA revelada sob as lentes de um dos mais fascinantes personagens: Ben Linus. Como a maioria dos mistérios de Lost, que quando são resolvidos geram outras dúvidas, ainda não temos noção exata de tudo que envolve os hostis (como o fato de Richard Alpert não envelhecer), mas pelo menos descobrimos as motivações de Ben para defender a Ilha. Além disso, temos a primeira visita à cabana de Jacob que, se às vezes serviu até de alívio cômico, mostra-se importante para o destino da Ilha e de seus sobreviventes.

5. Lockdown
Sempre considerei que essa trama da escotilha se estendeu demais, mas não dá para ignorar que tivemos episódios magistrais com ela envolvida. Esse é um dos exemplos, principalmente por alimentar uma discussão por meses sobre o mapa em uma de suas portas. O pai crápula de Locke também precisava ser lembrado e embora tivessem outros episódios com um flashback melhor (como o de "Deus Ex Machina"), nesse a história funciona perfeitamente por Locke ter de confiar também no misterioso Henry Gale. No final, descobrimos que essa é sua identidade falsa e ficamos sem saber se o botão é importante ou não.

4. Through the Looking Glass
É um divisor de águas na série com o flashforward de Jack. Também é a primeira vez que os roteiristas acertam o tom num episódio final, fechando grande parte das tramas da temporada e abrindo possibilidades enormes para a próxima. E o ritmo é excelente, tendo desde ação e aventura até o emocionante sacrifício de Charlie.

3. Walkabout
Tem de ser presença garantida em qualquer lista, simpatizando ou não com John Locke. Até porque é a primeira amostra que algo sobrenatural poderia estar se passando naquela Ilha. Escrito por David Fury, discípulo do mestre Joss Whedon e que também assina "Solitary" e "Numbers" nessa primeira temporada, o episódio já demonstra todo o potencial de Terry O'Quinn. Faço esforço às vezes até para lembrar minha surpresa quando vi Locke na cadeira de rodas pela primeira vez, ou a cara de encantamento com a cena final em que ele mexe os dedos do pé.

2. One of Us
Só o nome de Elizabeth Mitchell já seria o bastante para justificar essa escolha. Quem diria que uma personagem recém-incluída no elenco conseguiria levar um episódio praticamente sozinha. Todas as suas cenas são impressionantes, desde o confronto com Ben até toda a emoção com as imagens da irmã. E quando Juliet consegue convencer que está ao lado dos sobreviventes, a surpreendente cena final revela que ela enganou a todos o episódio inteiro.

1. The Constant
Escolha óbvia, porque não existe casal mais adorável do que Desmond e Penny atualmente. Muita gente acha o episódio confuso, mas acho que um dos méritos é exatamente dar sentido a essa viagem de Desmond sem rebolar para explicar com um embasamento científico. Tudo aconteceu para que Desmond e Penny se comunicassem no final, ultrapassando barreiras do tempo e do espaço. E isso já parece motivo mais do que suficiente.

E então, concordam? Discordam? Contribuam nos comentários com suas listas também.



e.fuzii

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

[FNL] 3x08 New York, New York

"We gotta stay positive" é o que canta Craig Finn do The Hold Steady, durante o treino em que Coach Taylor finalmente resolve ceder e tenta colocar Matt Saracen como Wide Receiver. Diante de tantos atalhos que os roteiristas resolveram tomar, é com esse espírito que devemos encarar: torcer para que os fins pelo menos possam valer a pena.
Depois de McGill sofrer um ataque cardíaco e o treinador risonho de J.D. assumir sua posição temporariamente, ninguém era capaz de convencer Coach Taylor a arriscar seu QB2. Isso até Julie trazer o assunto à mesa de jantar e mostrar no melhor estilo Tami, que Matt merecia uma chance. O rosto de Eric Taylor vendo sua filha calar Matt enquanto tentava ganhar a discussão foi impagável. Pois é, quando uma das garotas Taylor quer alguma coisa, ela vai até o fim. E é bom o treinador aproveitar enquanto a pequena Grace ainda não consegue falar. Mesmo com suas pernas um pouco enferrujadas, essa acaba sendo uma boa desculpa para não tirar Matt dos holofotes. Até porque não conhecemos nenhum WR melhor na equipe.

Mas quem roubou grande parte do episódio mais uma vez foi Jason Streets, que partiu com seu amigo Tim Riggins para tentar seguir a carreira de agente esportivo em Nova York. Acho que semana passada eu já deixei claro o quão improvável era uma história como essa e que era bem previsível que essa seria a forma dele deixar a série. Mais absurda do que na viagem ao México na temporada passada, Riggins outra vez esqueceu o colégio e os treinamentos do time para seguir seu grande amigo. Mas deixando de lado esses problemas, a interação entre os dois foi cômica e comovente na medida certa para a despedida final. Além disso, Scott Porter fará muita falta em Dillon, de forma que é impossível se cansar do seu poder de persuasão sobre as pessoas. Ops, olha aí outra vez.

Talvez para balancear um pouco a série, outras duas tramas tiveram, na sua própria maneira, finais frustrantes: a casa-obsessão de Tami e o cowboy-obsessão de Tyra. A primeira até dispensa comentários porque não chegou a lugar algum, além de mostrar a sintonia do casal Taylor e que nem sempre é possível conseguir aquilo que se quer. Já no segundo caso, por maior que fosse o sonho de Tyra de conseguir uma vaga na universidade, existe uma força que atrai ela de volta a realidade: a família Collete. E mesmo que esse desfecho possa ser previsível, não há como deixar de torcer. Ao contrário de Jason, Tyra não consegue concentrar-se em seu futuro e na primeira decepção -- em que Tami não precisa sequer dizer para sabermos como foi sua entrevista -- resolve desistir de tudo e partir atrás do cowboy. E por mais frustrante que isso possa ser, é a realidade da família Collete: esperar confortavelmente um homem para resolver seus problemas. Só espero que Tyra volte rápido o suficiente para saber da "namorada" lésbica de Landry.

Play of the Week: Apesar de tudo, Jason Streets teve a despedida que merecia. Depois de Tim desejar sorte ao amigo, Jason já encontra um obstáculo com o lance de escadas na casa de Erin, que faz com que a garota tenha de levar o filho até seus braços. E por mais comovente que seja seu discurso para convencer Erin a lhe dar uma chance, o que realmente deu aquele aperto foi o silêncio de Tim, assistindo à cena com lágrimas nos olhos, dando adeus ao seu melhor amigo. Texas Forever!



e.fuzii

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

[CRIMINAL MINDS] 4x07 "Memoriam"




A falta de tempo e o desânimo diante desse episódio me levam a fazer um comentário mais breve do que o de costume. Vamos lá.

Reid ficou em LV para investigar o caso e Morgan e Rossi também. Investigaram o pai de Reid, este se submeteu a hipnose e começou a ter novas lembranças.
Paralelamente, sua mãe parou a medicação para que sua memória pudesse voltar (o que milagrosamente aconteceu, em tempo recorde, e sem nenhum efeito colateral!!!! Devemos achar que uma anta a medicava com remédios desnecessários e que ela ficou bem melhor sem eles − foi até capaz de enfrentar um delicado reencontro com o ex marido.)



Anos depois, a família se reencontra.

O fato é que as memórias de Reid eram verdadeiras; ele apenas as interpretava mal, pois tinha pouca informação. A verdade era que o menino foi morto por um pedófilo qualquer, mas a mãe de Reid havia desconfiado dele e alertado o pai do garoto.
Pois é, a mother knows...

Interessante ver o pai de Reid protegendo-a, até agora. Mas tolo o motivo do abandono do lar. Tolo, não. Bem mais que isso. Conviver com a idéia foi insuportável???? Como assim?? A Sra Reid regulava bem até então e só depois a esquizofrenia apareceu?? E por um motivo desses, o pai ficou 17 anos (e teria ficado outros tantos) longe?? Sem comentários.

O problema é que perderam mais uma oportunidade de apresentar um unsub daqueles que causam pesadelos, que impressionam, que chegam ao extremo. Era mais um pedófilo morto por vingança pelo pai da vítima. Grande coisa!

Nesse meio tempo, JJ teve nenê (e Todd assumiu seu lugar). Aqui, sim, há espaço para uma menção positiva. Gostei da cena em que ela convida Reid para ser padrinho do bebê. Gostei muito da atuação dele. E acrescento que gostei muito da atuação dele no episódio todo. As cenas com os pais, com o policial local, com Morgan e Rossi, todas foram muito boas. O esforço para conter os sentimentos, para calar o menino magoado, foi comovente. Ele é um personagem e tanto, e interpretado por um ator se encaixa muitíssimo bem. E alguém ainda duvida que ele seja capaz de encaminhar o bebê para Yale??


Um momento de muita delicadeza.


Melhor frase do episódio: Prentiss torcendo para que o bebê não herde o sotaque do pai!!!
4X08 nessa quarta, mas meu comentário só depois do feriado. Quem sabe aparece um novo Frank, um Fisher King, vai saber. Inshallah!!
Célia.

domingo, 16 de novembro de 2008

[FNL] 3x07 Keeping Up Appearances

Infelizmente, nem sempre é possível manter o alto nível de uma série durante toda a temporada e nessa semana foi a vez de Friday Night Lights ter um belo deslize. Para começar, já é no mínimo frustrante não ter sequer uma cena entre Saracen e Julie depois de finalmente reatarem no episódio anterior. Por outro lado, tivemos uma boa participação de Landry ao lado de Devin, a nova baixista de sua banda. Quando tudo parecia caminhar para um final feliz, com seu desajeitado beijo no carro e a afobação para contar logo a Tyra, a garota revela que é lésbica. Todas as cenas de Landry já são impágaveis, mas vê-lo reclamando para Tami que ele afasta todas as mulheres enquanto lê "Alta Fidelidade" foi perfeito. O único problema é que a atriz que interpreta Devin é limitada demais, e se já é difícil ela se comunicar bem com palavras, quando ela se esforça para usar apenas expressões faciais, piora ainda mais. Parece óbvio que a escolha foi feita pelo seu talento musical, então se em todos os episódios que Devin aparecer ela nos animar com um número musical como "She Don't Use Jelly" (dos Flaming Lips) no piano, sugiro que transformem logo essa trama num grande musical a la "Moulin Rouge". Já posso ouvir "Pink Triangle", e quem sabe até "A Postcard to Nina", em algum episódio futuro...

Esse curto arco para o adeus final de Jason Streets sofre principalmente pela falta de desenvolvimento na segunda temporada. Aquela era a hora certa para começar a arrumar suas malas. Agora com essa urgência de conseguir dinheiro, Jason vem mostrando habilidades de negociação e voltando a ter interesse pelo futebol de uma forma forçada. Isso tudo soa como simples desculpa para construir seu futuro e nos convencer que ele tem capacidade de se tornar o tal empresário de jogadores. Não que eu duvide disso, mas preferia que não ficasse tão conveniente. Mas confesso que a fita de Riggins me emocionou e a própria conversa com Lyla, só de lembrar tudo que já passaram juntos, são caminhos muito mais sinceros para se explorar.

As outras duas tramas do episódio sofreram por serem aceleradas demais. Tivemos a primeira aparição do novato Jamarcus, que joga pelos Panthers sem nunca ter pedido autorização para seus pais. Até entendo que o personagem conseguiu trazer uma certa tensão para o casal Taylor e ainda pode vir a ser um dos possíveis jogadores a continuar para a próxima temporda. Porém, a forma como lidaram com a situações de seus pais foi um absurdo. Por mais que seus pais estivessem ocupados com tantos filhos para criar, como eles podem não saber da rotina e dos jogos (às vezes em outras cidades) do garoto? E por mais que eles não tivessem acesso às notícias do futebol, como o culto de Dillon pelos jogadores de futebol não chegou até eles? Impressionante, e ainda pior por tudo ter sido remediado com eles apenas assistindo a uma partida de futebol.

Da mesma maneira, as coisas se resolveram com os filhos de Buddy Garrity. Claro que Lyla foi essencial para "amaciar" os irmãos, mas soou ridículo que mais uma vez o futebol salvou o dia. Fora isso, apesar de tentarem dar mais tempo para Brad Leland brilhar, a trama foi bastante chata.

Play of the Week: Apesar de ainda não saber até quando J.D. aguentará toda a pressão de seu pai, achei interessante que ele ainda o respeite e sinta até gratidão. A cena em que a mãe de J.D. vai recebê-lo após o jogo, e que sugere um clima de tensão entre pai e filho, parece ser simples, mas atinge uma profundidade enorme só de ter os irmãos Riggins sentados ao fundo. Só de imaginar o que passa em suas cabeças vendo a família riquinha e perfeita tendo seus problemas já apaga qualquer deslize do episódio.



e.fuzii

[True Blood] Primeira Temporada

Esse post é longo: comentários dos primeiros dez episódios da nova série da HBO "True Blood", criada por Alan Ball, roteirista vencedor do Oscar por "Beleza Americana" e criador de uma das grandes séries de todos os tempos, "A Sete Palmos". A série é sobre vampiros e tem feito a cabeça de muita gente com uma abordagem mais séria dos seres mais amados do mundo do Terror.



Há bastante sangue e mortes, como deveria ser, mas o que importa é o retrato de um mundo em que a existência desses charmosos mortos vivos interfere diretamente na vida dos seres humanos, que no fim das contas continuam os mesmos, intolerantes ao que é diferente, curiosos e sedentos por sexo, tentando buscar conforto nas drogas e na religião para seus demônios pessoais.



Os comentários abaixo são breves e tentei evitar spoilers ao máximo. De qualquer forma, se você não conhece a série, sugiro que veja primeiro. Há quem não goste dos primeiros episódios, por achar que "True Blood" flerta descaradamente com o trash, mas o conceito e a proposta da série ficam claros pra mim desde seu início. Inclusive com a bela abertura, a melhor elaborada desde "Dexter": o estranhamento causado por imagens desconexas que nos remetem a sexo, violência, rituais religiosos e lutas pelos direitos civis, ao som de "Bad Things" de Jace Everett, mostra que não estamos diante de uma série qualquer.



Vejam e tirem suas próprias conclusões:









1x01 - Strange Love (Piloto)

Pilotos sempre são episódios difíceis: os autores da série precisam estabelecer conceitos, apresentar personagens, criar algo na trama que faça com que o espectador retorne para os episódios seguintes; atores nem sempre acham o tom certo para seus papéis, etc. Nesse sentido, o piloto de “True Blood” tem mais acertos do que erros. Todo o conceito é bastante interessante e ele já nos é apresentado antes mesmo dos créditos iniciais quando ficamos sabendo que os vampiros não só existem como lutam por direitos de convivência com os humanos. Algo possível apenas porque foi criado um sangue sintético que alimenta os mortos vivos sem que haja a necessidade de fazer dos humanos suas vítimas. Com uma representante dos vampiros em rede nacional defendendo seus direitos, impossível não pensar nos X-Men e sua luta pela aceitação dos mutantes. Ou seja, a série estabelece desde já uma tensão entre raças diferentes que obviamente trará discussões sobre diferenças e preconceitos. Os créditos iniciais também deixam isso claro, trazendo imagens estilizadas que nos remetem ao sul dos EUA (onde a discriminação contra os negros sempre foi maior), local onde a série se passa. Os créditos, aliás, fazem um belo apanhado que nos remetem a sexo e violência, elementos igualmente explorados neste primeiro episódio, flertando muito com os gêneros trash e gore que fazem a alegria de muitos fãs de filmes de terror. Os efeitos especiais são toscos e a oscilação por esses gêneros talvez seja o aspecto mais crítico do piloto, certamente afastando muitos espectadores, mas o estranhamento (possivelmente até pela dificuldade em já determinar um tom para a série) me pareceu positivo. Junta-se a isto a protagonista Sookie Stackhouse (vivida justamente por Anna Paquin, de “X-men”) que, apesar de humana, não é nada comum, tendo o dom de ler pensamentos. É a relação de Sookie com um vampiro que chega na cidade onde ela mora, o cerne da série, que nos apresenta fatos sobre a realidade abordada de forma tranqüila e aos poucos. A série ainda traz outros personagens, mais interessantes (o engraçado irmão de Sookie que logo de cara se mete num grande problema) ou menos (a melhor amiga da protagonista, um tanto “engraçadinha” demais cuja atriz não tem o timing necessário). No final, uma situação bem ruim para a protagonista, mas não muito original, onde já sabemos o que irá acontecer. Para um primeiro episódio, era necessário algo mais impactante. Ainda assim, estimulou o interesse pela série.

1x02 - The First Taste

Após no primeiro episódio Sookie descobrir que não pode ler os pensamentos dos vampiros (o que torna Bill ainda mais fascinante para ela), é a vez de Bill descobrir que o poder de hipnose dos vampiros não funciona em Sookie. Uma das coisas que mais me agrada neste início de série é como a mitologia dos vampiros e as características dos protagonistas são entregues em pequenas doses, a depender da necessidade da trama. Aos poucos vamos percebendo que tudo que já conhecemos sobre vampiros está lá, inclusive o fato de que só podem entrar numa casa se forem convidados. Também aos poucos ficamos sabendo a relação dos familiares e amigos de Sookie com seu dom, além de rápidos flashbacks elucidarem algumas questões. Mas enquanto o relacionamento de Sookie e Bill se intensifica, o maior interesse fica por conta do crime envolvendo Jason, cuja resolução é surpreendente e engraçada. Também estabelece um mistério que deve ser central nesta temporada. Um episódio com menos elementos trash que o anterior, explorando também a tensão que causa a presença de um vampiro dentro de casa e aproveitando ao máximo situações “reais”, caso realmente os vampiros existissem: o interesse da avó de Sookie em uma pessoa tão velha que possa contar sobre a Guerra Civil, e a irritação de Tara por Bill ser uma prova “viva” de uma época em que os negros eram escravizados. Para completar, o episódio explicita o aspecto “sangue” da série: se já sabíamos desde sempre da importância do sangue humano para os vampiros, agora ficamos sabendo porque Mack e Denise queriam o sangue de Bill – não só é um potente estimulador sexual para os humanos, como é capaz de cicatrizar rapidamente ferimentos graves e aguçar os sentidos.


1x03 - Mine

Sookie tem o desprazer de conhecer alguns amigos vampiros de Bill, sendo um deles o homem que Jason conhece do vídeo de Maudette. Nesta seqüência, mais uma descoberta: uma certa Hepatite D é a única doença que afeta os vampiros, deixando-os fracos e à mercê dos humanos. O episódio é o mais próximo até agora do que fãs de Alan Ball esperam do criador de “A Sete Palmos”: lento, apostando em muitas cenas de diálogos que constroem relações entre personagens e nos dá a oportunidade de conhecê-los melhor. Não que as conversas tenham sido brilhantes, mas “True Blood” começa a ter um rumo mais distante do terror trash que parecia seguir. Ainda assim, continua um divertido flerte com o nonsense, em especial quando a série foca em Jason, como quando ele é expulso da casa de Dawn à base de tiros ou a forma como consegue de Lafayette um pouco de sangue de vampiro. Um bom episódio que com narrativa lenta vai desenvolvendo situações que certamente terão relevância no futuro. E como os dois episódios anteriores, este acaba com Sookie em mais uma situação delicada, desta vez enfatizando o que já sabíamos: um possível serial killer ronda a cidade. Humano ou vampiro?


1x04 - Escape From Dragon House

Um episódio mais coeso, que equilibra bem humor, mistério e tensão. Finalmente conhecemos o bar para vampiros, Fangtasia, já mencionado por Maudette e Dawn em episódios anteriores. Sookie e Bill vão até lá para tentar descobrir alguma pista sobre o verdadeiro serial killer e livrar a cara de Jason. O bar, como não poderia deixar de ser, é um antro de sexo e alguma violência, onde humanos buscam saciar suas fantasias mais perversas com vampiros. Conhecemos Eric, dono do bar e o vampiro mais antigo do local. Personagem misterioso, acho que o episódio falha apenas em fazê-lo assustador, já que o ator Alexander Skarsgard não faz uma caracterização das mais interessantes. A idéia de vampiros vivendo entre nós rendeu mais situações curiosas, como quando Bill pede O Negativo no bar e a garçonete responde que só está tendo A Positivo. O episódio ainda traz a inusitada (e dolorosa) conseqüência de Jason ter tomado uma enorme dose de V (sangue de vampiro), além de colocar Sam no centro das atenções em relação ao assassinato de Dawn. O fato de Sookie poder ler pensamentos pode trazer dificuldade para os roteiristas: mesmo com a promessa que ela faz de evitar ler pensamentos de amigos e parentes, é incômodo aceitar que ela não faça isso quando o irmão corre o risco de ser preso. E ficou claro que ela percebeu que Sam tem a chave da casa de Dawn, o que no mínimo o torna suspeito. De qualquer forma, por enquanto é aceitável. Vamos ver como isso se sustentará durante a série.


1x05 - Sparks Fly Out

Finalmente o grande evento ocorre. Bill vai discursar na igreja local, falando sobre sua experiência na Guerra Civil. Uma seqüência interessante que serviu para conhecermos um pouco de seu passado (principalmente como ele se tornou vampiro), quebrar mais alguns mitos sobre vampiros de forma divertida (símbolos cristãos não os atingem, e eles aparecem sim nas fotografias) e flertar um pouco com a ambigüidade: prefiro acreditar que a história que Bill conta sobre o antepassado de um dos moradores seja mentira, um subterfúgio que usa para ganhar a simpatia da população. Sim, porque foi piegas demais e quero crer que a série destila um certo veneno na sociedade americana, podre de patriota quando diz respeito à guerra e memória de seus mortos. Ambíguo também é a relação de Sookie com seu dom de ler mentes: ela realmente não se importa ou não consegue diferenciar o que é dito e pensado, ou ela é simplesmente burra? Revelar que lê mentes para o detetive Andy no momento em que tenta inocentar o irmão foi de uma bobagem incrível. Falando em Jason, o personagem continua protagonizando os momentos mais divertidos da série, desta vez totalmente chapado com o V que bebeu mais uma vez. Ou, como diria Lafayette, pela primeira vez realmente. Os efeitos do sangue de vampiro é um dos pontos fracos até agora: uma enorme dose fez apenas aumentar sua libido, enquanto uma gota alterou sua percepção da realidade. Mas não aguçou seus sentidos, como a grande quantidade de sangue de Bill fez com Sookie, que, aliás, se livrou dos efeitos muito rapidamente (durou apenas um episódio). Enfim, o uso do V nos personagens está variando de acordo com a finalidade dos roteiristas. Quanto ao mistério que envolve a morte de Maudette e Dawn, os detetives vão interrogar Bill, que derruba em definitivo as suspeitas de que o assassino seja um vampiro: se fosse, os corpos teriam o sangue totalmente drenado, o que direciona nossas atenções para Sam, que Sookie diz pensar de forma diferente dos seres humanos “normais” (pensa como um psicopata, talvez?). No mais, destaque para a atenção dada ao cachorro antes dos créditos iniciais (por que o animal interessa tanto à série?), e o momento romântico de Bill, que chora sangue ao relembrar a esposa. Foi outro momento piegas que parece ter o objetivo de criar empatia do personagem com o público – saber que se tornou vampiro por ser um cavalheiro só aumenta isso. O final foi o mais surpreendente até agora, por não esperarmos quem seria a próxima vítima.


1x06 - Cold Ground

Mais um bom episódio da série que desenvolve algumas subtramas que, por enquanto, não dá pra saber no que vai dar: Sam e Tara mais uma vez encontram conforto no sexo, Jason mostrando dependência do V, e a mãe de Tara que ressurge com a estranha idéia de “diabo no corpo”. Em uma série como “True Blood”, sabe-se lá no que isso vai resultar. Quanto a Sookie, o assassinato de sua avó a fez se sentir mais isolada, com Jason e toda a comunidade a culpando por ter se envolvido com um vampiro. Pelo visto, nem toda a simpatia que Bill gerou com seu discurso no episódio anterior fez com que o preconceito diminuísse. Algumas cenas foram muito boas: a tristeza e o isolamento de Sookie representados pela limpeza do sangue na cozinha e pela torta da avó; o desespero de Bill por não poder ajudá-la enquanto a noite não chegasse; e, claro, a entrega final com direito a degustar o sangue de uma telepata. Sem dúvida, um episódio de transição para coisas maiores que estão por vir.




1x07 - Burning House of Love

Um episódio cheio de tensão, focando em três tramas: Tara e sua mãe buscando solução para um demônio; Jason e seu vício por V; e o retorno dos amigos de Bill. Quando a mãe de Tara já estava se tornando extremamente irritante, fomos presenteados com uma seqüência de exorcismo que torna a presença do sobrenatural na série algo bem ambíguo. Tudo indica que se trata de mais um comentário social que a série faz, em especial a dúvida que a exorcista coloca na cabeça de Tara (a religião culpando um mal externo pelos nossos problemas), mas será interessante ver como os personagens vão lidar com isto. Na outra referência crítica a outro ponto-chave de nossa sociedade (drogas), Jason está passando de personagem cômico para trágico na sua obsessão por V, que o fez tomar a perigosa decisão de ir ao “Fangtasia”. Lá conhece uma maluquete que o apresenta a uma nova forma de uso do V, curiosa alusão a cocaína. Também é outra trama que espera por maior desenvolvimento. Por fim, os vampiros amigos de Bill foram responsáveis pelo momento mais tenso do episódio, quando uma chacina no Merlotte parecia ser inevitável. A decisão de Bill foi o clichê dos clichês, até que o resultado final nos levou a um bom cliffhanger. Outro destaque do episódio foi a descoberta do ódio de Sookie por seu tio, que mostrou um Bill bonzinho, mas nem tanto. Poderia ser um gesto moralista dos autores da série (o vampiro bom só mata aqueles que merecem), mas é de se notar também como a protagonista tem feito coisas que seriam impossíveis numa série moralista: em apenas sete episódios, Sookie já se envolveu com dois homens na série, transou com um deles (um vampiro), deixou que ele sugasse o seu sangue e anuncia isso para as pessoas feliz da vida, sem arrependimentos. Uma mocinha moderna, sem dúvida.


1x08 - The Fourth Man in the Fire

A resolução do problema criado no final do episódio anterior não foi dos mais interessantes e o romance entre Sookie e Bill continua. Claro que fazer com que os protagonistas tenham uma noite de sexo no meio de um cemitério torna tudo melhor e ousado. O casal também tomou conta dos filhos de Arlene, momento cute-cute da série. O evento principal do episódio foi o pedido de ajuda que Eric fez a Sookie. Embora o motivo não tenha sido dos melhores, as conseqüências levam a série a outros rumos e o misterioso serial killer se torna apenas um dos muitos caminhos que o roteiro pode seguir. Tara e Jason também avançam para suas próprias complicações. Ela chega ao ápice de seu nervosismo e o resultado positivo do exorcismo de sua mãe a leva a pensar seriamente em fazer o mesmo. A discussão entre ela e Lafayette sobre o suposto golpe foi interessante, em especial o sábio comentário de Lafayette sobre o exorcismo ser mais barato que anos de Zoloft: no fundo, o que importa é se a crença leva a bons resultados. Já Jason está na situação dramática clássica do personagem que se mete em encrencas por conta do vício. Desta vez, sua mais nova amiga quem o leva para o mal caminho e os problemas só se acumulam. De resto, é interessante como a série consegue arranjar espaço para todos os coadjuvantes: Arlene sendo pedida em casamento, o comportamento suspeito de Sam investigado por Andy, como Lafayette consegue V e o trágico fim do rapaz que, já sabíamos, se relacionava com vampiros. Uma das grandes qualidades de “True Blood” é esta capacidade de explorar coadjuvantes interessantes, sem sacrificar o ritmo da trama principal.


1x09 - Plaisir D´Amour

A seqüência inicial foi bem ruinzinha, capenga de ritmo e tensão, com Bill salvando a vida de Sookie e entrando numa enrascada por matar um vampiro. Ao menos serviu para vermos Anna Paquin banhada de sangue a la Carrie, A Estranha. O problema dessa enrascada é que em nenhum momento do episódio, as ameaças de Eric soaram assustadoras e mesmo o adeus de Bill não ficou com cara de despedida. Jason, por sua vez, também caminha para uma trama não muito interessante. Sua conversa com o vampiro seqüestrado serviu apenas para plantar a idéia de que Amy é bem mais perigosa do que aparenta, no caso mais que clichê do mocinho que se apaixona por mulher boazinha que no fim das contas vai se mostrar uma psicopata. No mais, o episódio ficará marcado pelo seu final surpreendente que amplia o universo da série. Eu já sabia que aquele cachorro ia ter bastante relevância na trama, mas até onde isso vai parar? Muito do que acontece em “True Blood” só pode ser avaliado ao final da temporada, pois cada novo elemento que surge, cada desenvolvimento bizarro que aparece só deve fazer sentido ou ter uma justificativa quando o todo estiver completo. E aí sim, vamos saber o quão boa foi toda a história. Enquanto isso, fico satisfeito pela curiosidade que a série me deixa para acompanhar os próximos episódios.


1x10 - I Don´t Wanna Know

Com o segredo de Sam finalmente revelado, a mitologia da série se estende. Certamente em breve veremos até mesmo lobisomens (espero que apenas na segunda temporada). Este foi um dos melhores episódios até agora, com todas as tramas muito bem amarradas. Com as revelações de Sam, o exorcismo de Tara ficou ainda mais interessante, por não sabermos até que ponto aquilo faria sentido dentro do mundo de “True Blood”. Mas a conclusão não parece fazer conexão com todo o resto da série (eu já estava esperando que Tara levasse Sookie para um exorcismo), de qualquer forma foram momentos tensos e de boa atuação de Rutina Wesley. Já Jason continua se complicando no relacionamento com Amy, que mostrou suas garras neste episódio, no segmento que acho menos estimulante da série. O julgamento de Bill, por sua vez, foi muito melhor com um cenário ideal para o que imaginamos ser um julgamento de vampiros. Tudo bem que a pena do Magistrado não foi muito dura com uma justificativa das menos plausíveis (e ele nem quis saber por que Sookie é especial e Eric precisou de sua ajuda!). Mas a melhor notícia foi a participação de Zeljko Ivanek no papel do Magistrado. Ele, que acaba de ganhar um Emmy pelo belo trabalho na série “Damages”, cumpre perfeitamente a função de um vampiro assustador que Alexander Skarsgard não consegue no papel de Eric. Espero que apareça mais vezes. Sookie não teve muita participação neste episódio, além de se irritar com Sam e Tara, mas a perseguição final ao menos revela que o serial killer não é mesmo um vampiro, com seus pensamentos “lidos” por Sookie através de imagens. Só espero que os roteiristas não queiram ser apenas surpreendentes e não elejam um coadjuvante gente boa como Terry ou Rene, por exemplo, para cumprir essa função.





Hélio.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

[House] 5x07 "The Itch"

The Itch foi um episódio nostálgico. Tivemos muito Wilson, Cameron e Chase (que fazem mais do que uma participação especial desta vez) nesse episódio, ao mesmo tempo que um caso interessante do início ao fim, bem ao estilo das primeiras temporadas da série.



Apesar do beijo no episódio anterior, as coisas não parecem ter evoluído entre House e Cuddy. Os dois preferem se evitar e ignorar o que sentem do que deixar para trás seus medos. Eu admito que continue assim. É muito mais interessante um House mesquinho e de mal com a vida do que um alegre. Os possíveis final feliz e romance que fiquem para o final da série. Apesar de muito aparente, o único a perceber o que estava acontecendo entre os dois foi Wilson. E ele até criou um plano para unir os dois, que obviamente não funcionou. Além de Cuddy e House, o romance de Cameron e Chase também teve vez. Apesar do problema que ambos enfrentavam não ser nada de novo (mais uma vez a lembrança do ex-marido atormentando Cameron) , os momentos que tratavam disso não foram tediosos.


Com tanto espaço para os momentos "novela", há de se esperar que o caso fosse prejudicado. Felizmente, não foi o que aconteceu. O episódio foi sim um pouco lotado, mas o caso trouxe um pouco de diversidade, com o tratamento sendo feito fora do hospital, um maior aprofundamento no passado do paciente, principalmente, um House mais dedicado. Estava ele se dedicando para fugir da Cuddy ou não é uma boa pergunta.

Se há algo no episódio que foi desnecessário, esse algo foi os momentos finais. Ver todos tendo um final feliz me faz sentir um idiota, como se eu não fosse capaz de imaginar como esses momentos seriam. A série já usou desse recurso antes, ele até pode fechar bem um episódio, mas não quando usado com freqüência. Além disso, o paralelo entre House e o paciente pareceu pouco inspirado, clichê, ainda mais depois do discurso que ele deu sobre ser medroso. São detalhes pequenos, mas que retiram parte do brilho do episódio.



Allan

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

[Mostra Int. de Cinema - SP] Take Two

Como escreveu o Hélio em seu texto, estivemos acompanhando a Mostra de São Paulo no último mês. Ele mais do que eu, na verdade. Contabilizando tudo que tinha visto antes e depois, assisti a 25 filmes no total e embora não tenha sido um ano tão bom na seleção da Mostra, algumas coisas me impressionaram bastante. A seguir coloco também meus favoritos, que servem como recomendações:

Tulpan, de Sergey Dvortsevoy

É uma obra-prima! Nas 5 primeiras cenas do filme, já estava completamente impressionado com o domínio que o diretor tem de sua câmera. Muitas conversas são filmadas num plano fechado enquanto várias coisas acontecem ao redor e às vezes as próprias ações são interrompidas quando alguém "invade" a cena. Parece até documentário -- chega a ser difícil distinguir quem é ator ali e quem não é --, com diversas situações espontâneas acontecendo, principalmente os fascinantes sobrinhos de Asa. Por outro lado, a montagem também mostra-se espantosa: todas as cenas são relevantes para contruir sua belíssima trama.
Sonata de Tóquio, de Kiyoshi Kurosawa

O "outro" Kurosawa nunca teve reconhecimento anteriormente, principalmente por suas obras de típico terror japonês, que virariam produto de exportação nos últimos tempos. Mas com esse novo filme, o cineasta resolveu apresentar sua visão de um drama familiar. Em pouco mais de duas horas, é possível perceber um retrato fiel da crise da sociedade patriarcal japonesa, com todos os assuntos sendo tratados com propriedade: a disciplina escolar, a escassez de empregos, uma velha geração sendo substituída no trabalho, a falta do militarismo japonês, a questão da mulher, a rigidez e orgulho japoneses. O ponto de partida é a demissão do patriarca da família, mas que logo vai dando espaço aos outros 3 membros do lar dos Sasaki aparecerem também, num processo de conhecimento, desenvolvimento, reestruturação e conclusão, semelhante a própria "sonata" do título. E nesse caminho de transformação, o mais intessante é como a própria estrutura da obra é afetada: em dado momento, já não sabemos mais se o protagonista ainda é o marido ou se é a mulher.
Horas de Verão, de Olivier Assayas

A abertura do filme já denuncia que tudo se passa se não ao redor, pelo menos relacionado a casa que une a família nas "horas de verão" do título. Após a morte da matriarca que ali habitava, o filme poderia simplesmente tratar do entrave sobre o destino da herança que os três filhos recebem. Mas não, aqui a questão é dar valor às memórias dessa família. Todos os objetos e a própria casa vão sendo vendidos, doados a museus ou mantidos como relíquias. Em meio a tudo isso, a discussão aqui estabelece as diferenças entre o valor monetário e sentimental das peças, enquanto questiona a própria forma de se apreciar a arte nos museus. Mas apenas isso seria talvez detalhista demais, então numa interpretação mais "macrocósmica" podemos perceber o quanto a modernidade e a globalização -- com cada um dos filhos vivendo num país diferente -- tem deixado valores para trás. E isso não vêm na forma de uma crítica, mas sim da constatação de que a beleza do mundo continua aí para ser vivida e sempre lembrada.
Para bons entendedores, a boa notícia é que o filme já está disponível em DVD na França.
Caixa de Pandora, de Yesim Ustaogu

Esse foi um dos meus filmes surpresas da Mostra. Numa outra sessão ouvi alguém falando bem e decidi escolher por ele ao invés de enfrentar os conflitos (em todos os sentidos) de Che. Não me arrependi, e aposto que na sessão lotada muita gente também saiu surpreendido. A história gira até em algo recorrente nesses últimos tempos, uma senhora sofrendo de Alzheimer. Depois de sair vagando misteriosamente na região montanhosa que habita, a velhinha acaba sendo resgatada e seus filhos resolvem trazê-la para a cidade grande para receber cuidado especializado. E como o próprio título já sugere, a alegoria da caixa de Pandora surge diante de nossos olhos. Enquanto os filhos não conseguem se unir no objetivo comum de cuidar da mãe, vamos conhecendo melhor a disfuncional família, cheia de fraquezas e covardias. O porto seguro da velhinha acaba sendo o neto, que assim como ela -- com poucas perspectivas de seu passado esquecido --, só resta ansear pelo futuro. Na companhia dos dois, temos cenas excelentes, carregadas de emoção e veladas pelo silêncio, chegando até a ser cômicas em alguns momentos. Tudo isso graças ao retrato primoroso da adorável velhinha, vindo da melhor atriz dessa Mostra para mim, Tsilla Chelton.
Depois da Escola, de Antonio Campos

Com a falta do vencedor da Palma de Ouro deste ano, "Entre Les Murs" de Laurent Cantet, essa estréia de Antonio Campos compensou como uma grata surpresa para mim. Ambientado em um colégio-internato próximo de Nova York, o filme mostra com propriedade a era da "explosão da comunicação" em que vivemos, com vídeos virais distribuídos por toda a internet, banalizando a violência e o sexo. Por outro lado, o que vemos nas personagens é exatamente um problema crônico de comunicação: a certo ponto, em meio a um telefonema, o protagonista Robert resolve queixar-se a sua mãe sobre como ele vive deslocado naquele lugar, e ela rapidamente sugere que eles mudem de assunto para algo mais aprazível. As duas cenas durante o almoço dos garotos, com alta dose de grosseria machista, também são exemplos. Mas o ápice do filme ocorre com Robert filmando sem querer duas irmãs morrendo de overdose num dos corredores do colégio. Toda a sua impotência com a situação -- durante e depois --, mostram o garoto a ponto de explodir, enquanto as outras pessoas tentam apagar essa mancha do passado, sempre reconhecendo as duas garotas como ótimas pessoas. Remanescente direto em tom e estilo de "Elefante", Antonio Campos mostra de uma forma bastante introspectiva um personagem encurralado, que poderia estar "explodindo" em qualquer lugar do mundo. Destaque também para a primeira relação séria de Robert com Amy, que rende belíssimas cenas intimistas entre os dois.



e.fuzii