quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

[Extra] Melhores episódios de 2011

2011 passou voando, é o que todos dizem, e infelizmente não pareceu muito agradável na televisão. Tivemos grandes momentos, sem dúvida, mas nenhuma estreia que conseguisse realmente me empolgar. Ou nem mesmo qualquer cancelamento que fosse de fato sentido pelos fãs. Mas já que é hora das famosas retrospectivas, vamos nos dedicar aos destaques: a consolidação de Breaking Bad entre as melhores séries de drama modernas, o emocionante final de Friday Night Lights e ao menos três comédias que mantém uma média bem alta de qualidade quando consideramos os últimos anos. Enfim, sem a necessidade de longos discursos, passarei para a minha lista de melhores episódios do ano, que obviamente só inclui as séries que assisti e mais uma vez fica limitada a apenas um episódio por série. E assim esperamos que 2012 seja um ano bem melhor (spoiler? com certeza será, porque Mad Men estará de volta). Boas festas e um próspero ano novo a todos!

10. Homeland
"The Vest"


O ano é 2011, já viramos de década, o povo americano já tem um novo presidente, e as histórias sobre terrorismo continuam sempre as mesmas. Ou pior, parecem cada vez menos relevantes. Prova disso é o começo desse episódio, alguns dias após um atentado envolvendo um homem-bomba em uma praça pública, e toda população vivendo tranquilamente como se fosse feriado nacional. Mas em meio a esse jogo de cartas marcadas, o único elemento imprevisível era Carrie. Seu retrato de bipolaridade e fragilidade diante dessa condição é uma das mais reais já vistas na televisão. Se por um lado sua paranoia investigativa leva aos melhores momentos da série, principalmente quando estreita a relação com Brody, por outro serve como as "muletas" mais irritantes do roteiro, induzindo o espectador a pensar como a personagem. Nesse episódio, Carrie é exigida ao limite até que suas enlouquecidas certezas fazem com que ela seja afastada das investigações. Claire Danes não decepciona, proporcionando a melhor atuação feminina do ano.
Outro destaque: "The Weekend".


9. The Office
"Garage Sale"


Há algum tempo The Office já não me empolgava como antes. As novas dinâmicas do escritório pareciam quase nunca funcionar e com isso os personagens sofriam um desgaste cada vez maior. Mas o anúncio da saída de Michael Scott trouxe um novo fôlego à série, e esse episódio resgata tudo aquilo que The Office tinha de melhor em sua essência. O pedido de casamento a Holly foi perfeito, com a dose certa entre as ideias insanas de Michael e um toque pessoal de cada personagem. Fora isso, ainda tivemos bons momentos com o jogo de Dallas e uma das últimas vezes que um trote de Jim em Dwight não pareceu forçado.
Outro destaque: "Goodbye, Michael".


8. Treme
"Can I Change My Mind?"


Assim como a cidade que vai se reestruturando aos poucos após o desastre natural, em sua segunda temporada Treme também cresceu e conseguiu direcionar melhor cada um de seus personagens. Depois de vários episódios vivendo em completo silêncio, Toni e Sofia finalmente conversam sobre o destino de Creighton, e Ladonna tem de confessar os abusos sofridos. Mas não são apenas os momentos dramáticos que chamam a atenção nessa temporada, como também toda a evolução de vários personagens: os experimentos de Janette e Delmond em New York, o aprendizado de Annie com Harley, a nova chance que Sonny enfim resolveu agarrar. E são também os momentos sublimes, saboreando cada conquista, como a estreia da banda de David ou o prazer de Antoine cantando no palco, que fazem de Treme uma das experiências mais reconfortantes da televisão.
Outros destaques: "What's New Orleans?", "Do Watcha Wanna".


7. Parks and Recreation
"Li'l Sebastian"


Bem incrível o que o setor de Parks and Recreation conseguiu promover neste final de temporada. Preparado por vários episódios, o tradicional festival da cidade era esperado como o grande evento do ano mais uma vez, mas às vésperas de sua realização o falecimento de Li'l Sebastian, o mini cavalo símbolo de Pawnee, acaba abalando seus habitantes. O que seria uma celebração dá lugar a um grande memorial, que obviamente não interfere em nada no humor ou carisma da série. Além disso, esse final de temporada estabelece ganchos interessantes, como Leslie diante do grande dilema de escolher entre Ben ou seguir com sua carreira política, a parceria de Tom e Jean-Ralphio num conglomerado de entretenimento ou um vulnerável Ron tendo de enfrentar a visita de suas duas ex-mulheres.
Outros destaques: "The Trial of Leslie Knope", "The Fight".


6. Game of Thrones
"Baelor"


Não era surpresa alguma o padrão de qualidade de Game of Thrones, já que a HBO tornou-se especialista neste tipo de produção na última década. Porém, o grande desafio era manter-se fiel à obra de George R.R. Martin, sem decepcionar aqueles que haviam lido os livros como também quem acompanhava esse drama épico pela primeira vez na televisão. O começo pode parecer confuso com tantos nomes e raças, às vezes até pouco envolvente, mas o ritmo melhora bastante até atingir "Baelor", prova definitiva que os produtores estão dispostos a levar essa adaptação às últimas consequências. Seu desfecho mostra que a série não precisa coroar os feitos heróicos de ninguém e muito menos se limitar às conveniências do gênero televisivo -- coragem que faltou, por exemplo, na adaptação de The Walking Dead no final da primeira temporada. Assim, coadjuvantes ascendem ao posto de protagonistas e Game of Thrones cresce de um modo conciso e vibrante rumo a gerações e gerações de intrigas pelo poder.
Outro destaque: "Fire and Blood".


5. Boardwalk Empire
"To The Lost"


O salto de qualidade de Boardwalk Empire talvez seja um dos grandes destaques de 2011. Dispensaram as subtramas inúteis, disfarçaram aquele didatismo histórico (embora a trama da polio tenha sido dureza de aguentar) e concentraram na disputa pelo poder em Atlantic City. "To the Lost" foi a maneira perfeita de terminar fazendo um brinde a essa esplêndida temporada, que seguiu tratando dos tortuosos laços de família estabelecidos entre seus personagens, mas principalmente focando na figura de Jimmy Darmody. Depois de virar a mesa e apostar tudo para alcançar o trono de rei, Jimmy viu suas conexões afinando, seus aliados se dispersando e o destino agindo contra sua vontade. Era o fim da linha e ele sabia disso muito bem. Seu retrato neste último episódio, fumando diante da janela e observando o mar, aproveitando os últimos momentos com o filho, já completamente derrotado, provavelmente sejam as cenas mais devastadoras do ano. E para alívio geral, tiveram coragem de eliminar um personagem desse calibre e, ainda de quebra, sujar as mãos de seu protagonista de modo deliberado. Boardwalk Empire, assim como Nucky, é uma série que não precisa do perdão de ninguém.
Outros destaques: "Under God's Power She Flourishes", "Georgia Peaches".


4. Louie
"Duckling"


Escrevi uma análise mais detalhada sobre a segunda temporada de Louie há alguns meses atrás. Mas para resumir, nenhuma outra série de comédia teve tanta personalidade em 2011. Partindo geralmente de ideias inspiradas e executando nas formas mais surpreendentes, Louis C.K. mostrava a cada semana seu retrato mais autêntico da sociedade através de contos e crônicas, sem deixar de lado em nenhum momento sua humanidade. O maior exemplo disso esteve em "Duckling", quando o comediante tem a missão de entreter os soldados americanos no Afeganistão, dividindo com eles cada momento de alegria, saudade, tensão e medo.
Outros destaques: "Come on, God", "Eddie".


3. Friday Night Lights
"Always"


Na despedida de Friday Night Lights da televisão, era difícil conter o orgulho por cinco anos ao lado desses personagens. E por tantas ameaças de cancelamento e reviravoltas, era realmente um privilégio acompanhar um final planejado para a série. Pode-se dizer que essa temporada resumiu bem o espírito desta grande jornada, com um início manquejante até o esperado triunfo final. Foi um desfecho perfeito porque deixou a sensação de continuidade, sempre envolvendo os sentimentos mais autênticos do público, sem precisar forçar ou provocar a comoção de ninguém. Se parecia haver méritos suficiente por ter prolongado a série por cinco anos no discurso de Coach Taylor dizendo que essa experiência com os Lions foi a mais recompensadora de sua carreira, ainda teria algo melhor reservado após o finale: um surpreendente reconhecimento tardio do Emmy, ao menos pela performance arrasadora de Kyle Chandler.
Outros destaques: "Don't Go", "Fracture".


2. Community
"Remedial Chaos Theory"


Por maiores que sejam os malabarismos que Dan Harmon e sua equipe buscam fazer a cada semana em Community, tenho de reconhecer que a maior falha esteja justamente nesse esforço excessivo para impressionar. Mas vez ou outra surgem clássicos instantâneos, como esse episódio das múltiplas linhas temporais, capaz de fazer inveja a qualquer diretor mais moderninho da atualidade. Em um grupo que já ameaçou tantas vezes se separar ou expulsar um de seus membros, é realmente incrível como essa dinâmica serve tão bem para um estudo de personagens, aproveitando a ausência de cada um deles. Por mais insanas e hilárias que sejam as implicações de cada realidade alternativa, somente reforça que os 7 amigos deveriam estar sempre a frente de qualquer estrutura inventiva ou referência fanfarrona da série.
Outros destaques: "Foosball and Nocturnal Vigilantism", "Regional Holiday Music".


1. Breaking Bad
"Crawl Space"


Esse ano Breaking Bad sobrou tanto em relação à concorrência que não seria demais tapar os olhos e escolher qualquer episódio como representante da série no primeiro lugar. Mas "Crawl Space" é muito especial. Pra mim, é sem dúvida o melhor episódio da série, e o que mais impressiona é o conjunto de eventos que desencadeiam naquele desfecho de tirar o fôlego. Pouco antes Gus perde a paciência com a insubordinação de Walt, faz ameaças sérias a toda sua família, e fazia crer que o episódio terminaria ali. Mas havia uma grande reviravolta reservada para Walt, que acabaria enterrado nas fundações de sua própria casa, gargalhando de forma insana, com sua esposa a beira de sua "cova". Um final que só poderia ser alcançado por roteiristas sacanas e adeptos do humor negro, que não se importam de assumir riscos, que se divertem em encurralar seus personagens e não se contentam com saídas fáceis. Parece incrível como a gente consegue se envolver tanto com esses personagens, e sentir toda essa tensão do outro lado da tela.
Outros destaques: "Face Off", "Salud".

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

[Prófugos] 8

Por Danielle M



Novamente começa um episódio com Ximena e o nosso canalha da PDI, Marco Oliva. As tais fotos que "provam" que Tegui matou Fabién é entregue a Ximena. Mas a promotora não cai na conversa fácil de Oliva assim não.Não acho que seja apenas por amor a Tegui, mas também pela absoluta e concreta falta de confiança em Oliva.

Mais um personagem entra, o contexto para o político, o deputado Cordova, já estava armado em alguns episódios anteriores. Agora é isso , geral atrás dos prófugos? Bom, não é bem assim, pelo menos o deputado não tem opção, já que é gay e teve um caso com Vicente, devidamente fotografado e, é claro, usado como moeda de chantagem. A homossexualidade de Vicente realmente deu desdobramentos mais tensos e conflitos muito, mas muito maiores do que se imaginava.

Pela primeira vez na série, o grupo é dividido. Vicente segue com Kika e Moreno para um "hospital" , enquanto Salamanca, Irma, Laura e Tegui vão para a comunidade perto das cordilheiras e também próxima a fronteira com a Argentina.

Adorei o encontro das minhas personagens femininas favoritas, La roja e Ximena. Também gostei do papo, mais para desabafo entre Laura e Tegui e dai-lhe sexo em Prófugos com direito a Irma ficar de voyeur cheia de ciume (e inveja, minha tb, viu, hoho).

Na comunidade, o climinha "sobrenatural" persiste. Aquela coisa, índio, ritual, coisa não explicável, entenderam né? Salamanca não resiste e acaba se consultando, por assim dizer, com uma curandeira. Toma o chazinho, evoca os espíritos e toma flashback disfarçado de alucinação, e bom, tem que ter fé né minha gente? Confesso que essa guinada ao místico em Prófugos me pareceu um samba do crioulo doido. Mas mal algum fez, a gente compra a ideia. Tá valendo.
E esse câncer de Salamanca é culpa sob culpa que a gente bem sabe. Já comentei antes e volto a afirmar, ele sempre acreditou que estava numa missão maior, que tudo que faz tem um objetivo nobre. Proteger a filha - e falhar nisso, como ja falhou antes - é sua responsabilidade e culpa.



Enquanto isso, Vicente tenta salvar a mãe. Kika já sabendo que sua vida está mesmo por um fio, entrega ao filho querido o decodificador que lhe dará acesso a uma conta no, tchan tchan, Brasil! Eu já achava que Kika sabia da homossexualidade do filho, mãe sempre sabe, e ela, daquele jeitinho Kika de falar, diz que ama o filho, que o quer bem e do jeito que é ,  um maricón, hahaha, assim, desse jeito. Sem sutilezas para Kika. A cena foi linda, intensa e magistralmente interpretada por ambos!

O que dizer do conflito entre os índios e a PDI? Mais um momento trapalhada da semana para a polícia pateta chilena. Eu deveria ter feito uma sessão assim toda semana, mas é inacreditável que essa ineficiência persista a cada episódio. Me acabo de rir.


No final, prófugos conseguiu me surpreender mais uma vez, Kika está morta e Vicente é a família Ferragut sem a menor possibilidade de escolha. Aguilera teve sua vingança e usufruiu com requintes de crueldade, tal qual sofreu com o seu filho. Mas não me canso de falar. Quem começou foi ele.

O grupo continua separado. Agora com a morte da matriarca dos Ferragut e a fuga de Irma.

Prófugos termina no 13. Falta pouco e está muito, mas muito bom! E duvido que vão ficar só na fuga, agora eles tem uma vingança a cumprir.



Cenas legais:

- Vicente guardando o decodificador no singelo livrinho que o seu amante seminarista caladão lhe deu, bom, acho que deu.
-Toda a sequencia na tenda da velha curandeira. Místico, estranho, fora de contexto, mas legal.
- A cara de Moreno e Vicente ao ver Kika estraçalhada no chão. Horror, o horror.
- Aguilera escrevendo no chão com o sangue de Kika. olho por olho. Cruel hein!
- O enterro de Kika.
- a decapitação de Kika
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[Prófugos] 7

por Danielle M



O episódio começa com a promotora  Ximena e o filho da puta do Oliva observando o corpo do gente boa do Fabién. Não adiante, não consigo me conformar com essa morte. Entendo que ela foi necessária para fazer, quem sabe, Ximena ficar contra Tegui, mas me deu uma tristeza vê-lo morrer daquele jeito e pelas mãos daquele sacana. Oliva aproveita o encontro e joga aquele veneninho básico. Mas a promotora  dá um tapão na cara de Oliva que já me fez abrir um sorrisão! Como eu curto essa promotora, ela aparece pouco, mas faz a maior diferença.

Enquanto isso nossos prófugos passeiam no bosque depois de perder o carro para uma vaca. Sim, o Chile tem deserto, gelo, praia e florestinha tb. Reveillon no Chile, lá vou eu! Achei Lost e já esperava o Lostzilla aparecer e julgar os pecados e pecadores. Foi quase. Não é que eles vão parar num retiro espiritual com um padre no comando. Pobre padre.

Entra uma "nova" personagem, quer dizer, é devidamente apresentada como uma ex revolucionária, Natalia, la roja, que também estava na chacina de Valparaiso e foi, se não me engano, a responsável direta pela morte da esposa grávida de Moreno. O conflito aqui é óbvio. Natalia e Salamanca foram companheiros. A companheira trabalha sozinha e deve ser uma carta importante para o pateta do Aguilera não perder mais o rastro dos meninos. Ela é tão eficiente que conseguiu deduzir até que eles atravessaram o rio, alô roteiristas, a guerrilha no Chile foi urbana, hein :). Não importa, me amarrei em la roja.

Vicente e Kika tem uma breve, porém interessante conversa sobre os limites da violência. Kika demonstra uma frieza absurda e justifica os atos de Moreno. Vicente é o incomodo e desajuste em pessoa. Não deixa por menos e junto de Salamanca e Tegui dá um aviso singelo a Moreno.

Talvez por estarem num retiro, haha, parece que todos os segredinhos mais íntimos foram para a superfície. Dai-lhe desejo recolhido! Laura e Tegui. Irma e Tegui. Vicente e o seminarista caladão com cara de bobo...Foram os conflitos já tão habituais entre Laura e Kika, nem parecem mãe e filha.

Bom, tudo indicava que a PDI começava a dar certo, já estava beirando o ridículo tanta ineficiência. Pensei. Mas aí veio toda arrogância e impáfia de Oliva e por culpa dele, e somente dele, mais uma vez a PDI, hahaha, perdeu!  "Aprenda a hacer las cosas derecho". Que sirva para usted, cabrón! Senti pena de Natalia, la roja, juro.

Esse episódio foi bizarro. Para dizer o mínimo! Só acho o seguinte, os roteiristas mostraram que querem chocar a todo custo, bom, talvez no Chile, porque homossexualismo, padres e sexo não tem esse poder em boa parte da América Latina. A jornada pessoal de cada um dos prófugos pode ser bem interessante, mas deve-se ter cuidado com o modo e o contexto , porque para ficar bizarro, vulgar e desnecessário, olha, custa tão pouco. Não foi o caso, ainda, mas acho que está caminhando para isso. Não me refiro exclusivamente a cena homossexual entre Vicente e o seminarista caladão. Achei forte, entendo que a lei do desejo é assim mesmo, mas questiono se para a história, de modo geral - e mesmo a de Vicente - precisava de tal força na cena. Ok, muitos podem dizer, ahh, mas se fosse uma cena heterossexual você não apontaria isso. Apontaria sim, tem que ter um sentido, uma razão de ser. Só não foi apelação pura e simples, polêmica por si só porque Nestor Cantillana é um ator de primeira! E acho que o fato de Vicente ser gay faz a história ficar mais interessante e com muito mais conflitos.
Veremos daqui pra frente.

Agora cá entre nós, precisava matar o padre dona Natalia? (oi, sou roterista de prófugos e quero chocar, sexo, drogas, rock´n´roll e padres mortos). Momento digno de nota foi a "escolha de Sofia" de Salamanca!

Salamanca não tem mais dúvidas, ele ouve Oliva FDP dizer o nome de Tegui. E só por este momento já valeu todo o episódio.



Cenas legais:

- Irma caidinha por Tegui
- Moreno cheirando na casa do senhor. Aff, Moreno
- Laura também tirando casquinha de Tegui. E na casa do senhor.
-Vicente é gay e revela isso também na casa do senhor. Proveitoso esse retiro, hein.
- Padre não perdendo tempo e já entoa uma canção evangelizadora para os prófugos
- A relação de Kika e Laura precisa de maiores explicações. Esse rancor todo...
- Os índios e o aviso:" Los chilenos están manchados". Prófugos sobrenatural?
-Moreno matando geral da PDI. Moreno, eu te amo! Narcotraficante do coração!
- Ela, Natalia la Roja, jogando na cara de Oliva a ineficiência da PDI (a polícia pateta chilena, meodeos)

OBS-> Continuo achando que Prófugos merecia um "previosly". Este episódio foi menor do que os outros, precisamente 3 minutos :).

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domingo, 30 de outubro de 2011

[Prófugos] 6

 Por Danielle M


Começa  o sexto episódio no frenesi total. Kika aproveita que está na seca há muito tempo e já resolve com o fdp "amigo". Se bem que o cara é meio uma icognita, já que mantém segredo no começo sobre a presença de Kika e cia em sua casa para Aguilera.

Laura, a sexualmente travada, tenta passar um discursinho para a sua mãe do tipo" vc sempre foi infiel ao meu pai", mas Kika já chuta forte e diz que Laura sempre colocou o pai num pedestal . Kika não poupa Laura e solta um "quando ele morreu senti um grande alívio" . A relação entre mãe e filha é tensa mesmo.
Enquanto isso, Oliva já cria um joguinho com Fabien . Moreno tenta estabelecer alguma relação com Salamanca perguntando de sua filha. Quase chorei.

Aí do nada, eu super despreparada, tomando meu Havana Club, o Oliva simplesmente mata o Fabién depois dele falar sobre sua íntima relação com os  narcotraficantes. CARACA. Eu adorava esse personagem. Filho da puta! Para variar, ele arma para Tegui, gravando a descoberta do corpo por ele e a coisa ainda fica pior para o gatão.Tegui perde mais um aliado e é novamente incriminado. Oliva já é o vilão absoluto.

Bom, Irma tá aproveitando a vida e ficando com o gatinho. Acho que ela e Kika tem um fraco por canalhas.E ela é quase estuprada novamente. Sina triste hein moça. Mas é salva pelo papi Salamanca e já podemos notar uma evolução no tratamento entre ambos. Para depois ter um recuo...

Moreno, total detetive e cheio de cocaina na cara, descobre um esconderijo e fica intrigado. Descobre toda traição, a  filha da putice do amigo da familia Ferragut e bota pra quebrar. Achei excessivo prender uma menininha, mas né, Moreno way. Bom que Vicente chegou e colocou as coisas no seu devido lugar. Porque vou te contar, temi viu. Mas também senti pena. Como já falei em outros comentários, a esposa grávida de Moreno lhe emprestava alguma humanidade. Quando ela morreu , e daquela maneira, tudo isso foi embora junto. Primeiro ele arrancou a cabeça de Aguilera Jr, agora impala o traidor e dentro da casa dele.  Eita!

Triste mesmo foi ver a promotora saber do fim de Fabién. Poxa, que saco matar esse personagem. Fiquei irritada e não achei nada legal, nem pelos seus desdobramentos dramáticos futuros.

No mais, Moreno tá muito louco né minha gente? Adoro! Sabe o que achei mais sensacional do episódio todo? Moreno se explicando para Salamanca, o nível de respeito entre estes dois personagens me deixa encantada!
E Aguilera? Pateta de novo! Oh rotina! Mas a PDI do canalha do Oliveira fez um ponto precioso.

Cenas legais:

- Salamanca dando porrada na pirralhada. hahahahah
- Laura precisa resolver essa parada sexual
- Vicente dormindo que nem um anjinho. Nestor Cantilana, te amo, \0/
- Tegui encrencado nivel mor
- Oliveira filho da puta matando a sangue frio Fabien.
-Moreno tirando a pele do traidor. hohoho
- Vicente atropelando uma vaca. E Tegui dando o tiro de misericórdia.

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OBS-. 7, 8 e 9 estão chegando!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

[The Event] 1x22 - Arrival - Series finale.

Por Danielle M



Pois é, acabou. Logo quando dava sinais de melhora, de recuperar o fôlego, de fugir da obrigação chata - e desnecessária - de ser o novo Lost, The Event dá o seu adeus. E olha, muito mais digna que muita série por aí.

Assistindo ao frenético season finale fiquei com a sensação de que merecia uma 2a temporada. Vamos aos fatos. O vice filho da mãe dança de vez, mesmo achando que o presidente é um bananão, ele consegue reverter as coisas e manda ajuda ao povo no Aeroporto, conseguindo assim deter Sophia e a infecção do vírus letal que acabaria com 98% da população do planeta. Ri e nem era, mas ri, de Sophia candidamente dizer que não queria que morresse geral da Terra, mas só uns 60%. Bom, ela precisa colocar no planeta 2 bilhões de ETzinhos, o "espaço vital" hitleriano ganha nova face e teoria.

Mas Sophia com alguma conciência e humanidade (hoho) desiste da ideia. Super Sean a convence de uma maneira fofa e salva o dia, planeta, personagens e ainda ganha a paternidade da namorada quase morta. Mas quando a gente pensa que a Terra esta salva, lá vem a explicação para o tal evento, simplesmente nós vamos sucumbir. Não há saida. Os ETzinhos já viviam aqui antes e querem retornar ao que era seu. Mas a coexistência não é possível, assim, ao acionar o portal, a galera etzinha entra (com planeta e tudo mais) e nós humaninhos dançamos. Tremores e outros desastres naturais cuidam de tudo. Todo poder aos soviets, digo, ETzinhos. Sophia presidente da Terra e, ora vejam só, não é que a primeira dama do presidente banana também é uma alien .



No final é isso. Explica o evento e dá um final para todos os personagens. Merecia 2a temporada mesmo. Mas fazer o que! Foi digno!

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domingo, 23 de outubro de 2011

[Grey's Anatomy] 8.06 - Poker Face + Comentários gerais

A partir dessa temporada, os comentários de Grey's Anatomy vão ficar por minha conta, pois o Alison está sem tempo para escrever. A seguir, comentários sobre o episódio da semana, e comentários gerais sobre o começo da oitava temporada da série.


Depois de oito temporadas, é difícil para qualquer série criar conflitos que convençam o telespectador. A sétima temporada de Grey's Anatomy foi falha nesse aspecto. Claro, impossível não se emocionar com o drama de Callie e Arizona, mas pelo menos sentia que algo faltava. O finale foi uma tentativa de recuperar isso. Nada de atiradores, atropelamentos... Os personagens tinham que lidar com situações que não os afetavam pessoalmente, mas principalmente as relações entre eles, e desde o começo Grey's mostrava como pessoas tão diferentes conseguiam ficar unidas, não apenas no nível amoroso, mas com relação às amizades.

A season premiere da oitava temporada tinha tudo para arrastar algumas tramas por mais episódios do que seria aceitável, como já havia acontecido em temporadas anteriores, mas o roteiro é ágil e já dá algumas respostas. Meredith sofre as consequências por ter adulterado a pesquisa de Derek, mas o Chief, para protegê-la, assume a culpa. Hunt entende que Cristina não conseguiria ser ela mesma caso tivesse um bebê, e a apóia na decisão de abortar. O que se segue nos episódios seguintes são os desdobramentos dessas escolhas. Hunt acaba se tornando chefe, Bailey assume a pesquisa do Chief, e Meredith e Derek tem a custódia de Zola sob investigação. Não são dramas pessoais como o que Cristina enfrentou na sétima temporada, mas atingem os outros personagens, que acabam tendo uma função na trama geral ao invés de ficarem à parte com suas tramas particulares, como Teddy na temporada anterior.

Até o momento, a oitava temporada de Grey's Anatomy está convencendo. Pela primeira vez fica crível que Meredith quer mesmo adotar Zola, os casos estão voltando a ter relação com o que se passa com os médicos (e estão interessantes também), Callie e Arizona estão com menos enfoque, o que é normal depois de tudo o que aconteceu com elas, Bailey finalmente tem uma storyline mais interessante que sua vida amorosa, e personagens relativamente novos na série como Avery, April e Teddy estão se integrando mais às tramas maiores


Poker Face, episódio da semana, é um exemplo de como, apesar dos exageros, Grey's Anatomy está acertando nessa temporada. A temática de arriscar-se ou esconder-se serviu para todos os personagens. Meredith arriscou-se ao fazer com que um caso de neuro chegasse até Derek, mas é improvável que ela fique longe das cirurgias neurológicas por mais tempo. Resta saber se Shonda continuará com essa trama sem deixá-la cansativa, como até agora.

Cristina e Owen continuam escondendo. Ele foi profundamente afetado pela escolha de abortar o feto, mas ainda não consegue superar o medo de falar, e disfarça tudo o que o incomoda com sexo. É uma trama delicada, pois não seria coerente com Cristina ser mãe, mas Owen ainda tem problemas com isso. A cena final dos dois deixa claro que ainda há algo preso, e faz sentido isso ser abordado nos próxims episódios. Ainda sobre Cristina, é o segundo episódio que mostram as falhas dela como cirurgiã, anteriormente, ao ignorar procedimentos básicos, e agora, ao se mostrar cautelosa e egoísta. É interessante ver que até mesmo deusas da cardio não são perfeitas, e que depois de oito temporadas, a personagem ainda rende.

Depois de cinco episódios à margem, Callie e Arizona voltam com alguma trama. Não tinha como deixar as duas fora de grandes acontecimentos por mais tempo, e a escolha de um dilema mais leve foi uma ótima saída para trazê-las de volta, mas falta um objetivo para Mark além de ser o que atrapalha a vida sexual de Callie e Arizona e pai da Sofia. Ser mentor de Avery é uma boa trama que foi deixada de lado nesse episódio, espero que pela falta de espaço do que por esquecimento.


Mas quem realmente se arriscou foi April, enfrentando Alex, os demais residentes, e até mesmo Bailey. Estava começando a ficar cansativa a passividade de April. Ela é a mais indicada para chefe de residência por lidar melhor com a parte não-cirúrgica da medicina, mas faltava segurança. Depois de ser ignorada e desrespeitada por tantos episódios, estava passando da hora dela se impor.


Outras observações

- Cenas dos próximos capítulos: Bailey x Meredith

- Nenhum paciente morreu no episódio, Derek novamente foi o deus da neuro... O que vai ser agora, parentes dos médicos se internarão e voltarão para casa, numa boa? Ninguém mais vai morrer de soluço?

- Patrick Dempsey todo trabalhado na poker face ao contar para o marido sobre o resultado da cirurgia.

- A trilha de Grey's está me agradando muito. Episódio passado teve The National, e agora, Bon Iver. Não parem de tentar me agradar com música, por favor




Marcelle

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

[Breaking Bad] 4x13 - Face Off

"I won." - Walt


E chegamos ao final da temporada.


Havia uma tensão e expectativas um pouco diferentes para este “Face Off”, graças ao polêmico episódio anterior. Em Breaking Bad nossa curiosidade é sempre com “Como Walt e Jesse vão escapar de determinada situação?”. Mas o inesperado envenenamento de Brock fez com que surgissem muitas especulações durante a semana (muitas nos comentários em nosso post anterior) e mudamos a pergunta para “O que aconteceu, afinal?”. Pra piorar, nenhuma resposta parecia ser livre de falhas. Foi algo inédito na série: ao mesmo tempo em que escondia informações dos telespectadores, tudo indicava que os roteiristas pesaram a mão e boa coisa não sairia dali.


É então que o episódio começa com uma seqüência tensa, nervosa e muito engraçada, com Walt levando uma bomba para dentro de um hospital. E não para de se desenvolver rumo ao que realmente importa, que é o conflito entre Walt e Gus, que chegou a um ponto insustentável, onde um finalmente teria que eliminar o outro. O envenenamento foi o que chamou nossa atenção (cheguei a imaginar o episódio começando por um flashback explicando o que aconteceu), mas felizmente Vince Gilligan, que assumiu a direção e o roteiro deste finale, manteve o foco e nos deu mais uma incrível e surpreendente hora, encerrando com chave de ouro outra fantástica temporada.


Algo que sempre admiro é como o roteiro não deixa pontas soltas e impede que questionemos a verossimilhança do que acontece (exceção clara ao caso Brock, que discuto mais abaixo): após “End Times”, alguns comentaram que médicos costumam procurar a polícia quando aparecem vítimas de envenenamento, e já no início de “Face Off” temos Jesse sendo levado para interrogatório (cena engraçada de Walt ficando quieto quando o policial pergunta seu nome); muitos outros questionaram a desconfiança de Gus no estacionamento, e lá está Walt também se perguntando o mesmo (inclusive usando o termo tão usado “sexto sentido” – Walter nunca usaria “sentido Aranha”). Neste caso, fica claro que Gus pressente algo errado simplesmente por não ter culpa do que houve com Brock e percebe que Jesse insinuou o contrário. Nada mais natural um homem que já vimos ser tão cuidadoso e metódico, imaginar que Walt está planejando algo.


E aí chegamos ao grande problema do nosso protagonista, objetivo maior desde o início da temporada quando já estava desesperado a ponto de pedir ajuda ao próprio Mike (no 4x02, “Thrity-Eight Snub”): como matar um homem como Gustavo Fring? O mais incrível é que a cada episódio víamos um Walter White mais e mais patético, frágil e desprezível ao mesmo tempo, enquanto Gus se tornava ainda mais mítico, saindo-se perfeitamente bem de um interrogatório do DEA (imaginem Walt nesta situação, depois de tantas vezes trêmulo diante de Hank), andando em direção a balas atiradas sobre ele, eliminando de uma só vez todos os principais nomes do Cartel e, por fim, ameaçando matar toda a família de Walt. Eliminar Gus parece impossível, no entanto é a única certeza deste fim de temporada, afinal nosso protagonista tem mais 16 episódios pela frente.


A forma como isso vem é um grande achado, intensificando e dando novo sentido ao flashback que mostra o passado de Gus em 4x08, “Hermanos”. Normalmente, revelar aspectos e investir em um personagem é dar importância o suficiente para que ele permaneça (e cresça) numa série, cada vez mais. Com Gus, o efeito é contrário. O que era impossível torna-se possível, pois sabemos que ele tem um ponto fraco, mesmo que na ocasião não pareça que seja isto. A solução que Gilligan encontra é incrivelmente simples e até óbvia: Walter consegue matar Gus porque este não esquece o “sangre por sangre” e sua vontade de torturar Hector Salamanca faz com que Jesse descubra a relação existente entre os dois.


É fascinante como nada está fora do lugar para esta conclusão, a partir daquele flashback: Jesse tem que ir ao México porque o Cartel força Gus a isto; o Cartel é eliminado por sua própria ganância e porque Gus deseja sua vingança e tem a ajuda de Jesse; Jesse conhece o asilo graças à própria arrogância e sadismo de Gus, que não esquece o passado e insiste em torturar Hector. Ações e reações perfeitas que já vimos tantas vezes na série – basta nos lembrarmos de Jane e sua ganância em chantagear Walt, o próprio Walt sendo punido com fogo direto dos céus, os Primos e a “magic bullet” que salvou Hank, Gale no início da temporada fazendo com que Gus contrate Walt, Ted e sua ganância em querer ficar com o dinheiro de Skyler.


Mas além desta estrutura muito bem montada, é preciso uma execução à altura. Como dar um fim digno a este que foi um dos grandes vilões da TV recente? Todo o trajeto é incrível, com o plano de Walter sendo desvendado aos poucos, a começar pela comunicação de Hector, longa e demorada, sendo decifrada literalmente letra por letra. O que ele vai pedir à enfermeira? E depois, exatamente o quê ele vai revelar a Hank? Walt vai esperar no banheiro e sair atirando quando Gus entrar? É tenso, como não poderia deixar de ser, ao mesmo tempo com doses cavalares de humor – “Termine a palavra, Sr. Salamanca? DEAR?”, os xingamentos a Hank, a velhinha que paquera com Walt enquanto se esconde de Tyrus. E, no fim, temos a explosão com a memorável saída de Gus do quarto, ajeitando a gravata, para só depois cair, não antes de termos uma visão frontal de Gus Terminator (Jesse não usou este termo para apenas uma ocasião, afinal), mais do que justificando o título “Face Off”, que também no filme de John Woo havia duplo sentido (há de se lembrar também do apelido “chicken man” – não são as galinhas que perdem a cabeça e ainda dão alguns bons passos antes de caírem mortas?)


Um final mais do que apropriado, com um Walt estranhamente vitorioso, vestindo camisa verde de mesmo tom daquela que ele começa a série, mas desta vez com calças. Depois de uma temporada em que foi tão desagradável, alcançando algum tipo de recorde com este finale, não só com a revelação do que fez a Brock, mas repetindo a dose com a pobre vizinha (mãe do Vince Gilligan, a propósito), friamente jogada aos leões. “Oh, you are a life saver”... que macabro, Mr. White (por outro lado, seria muito bom se tivesse arrancado informação da secretária de Saul da forma que ela merecia, mas a violência que Walt comete é sempre de forma passiva e covarde – aliás, mais uma gargalhada aqui: “estão em perigo? Que novidade!”).


E o que temos para a 5ª temporada? “Face Off” funciona tão bem como um final para a série que será muito mais fácil esperar a próxima temporada por mais um ano, se pensarmos na forma como a 3ª encerrou. Walter eliminou Gus, destruiu o laboratório, fez as pazes com Jesse (que pela primeira vez termina uma temporada em situação confortável) e tem um lava-a-jato que, segundo sua esposa, é lucrativo. Mas felizmente temos mais 16 episódios pela frente e são tantas as formas que Gilligan e seus roteiristas podem dar continuidade, que podemos especular sobre algumas delas:


- O envenenamento de Brock: como já dissemos antes, é preciso alguma boa vontade para aceitar que Walt foi o culpado. Certamente Gilligan está vendo as reações dos fãs e que muitos querem saber como Walt usou a flor venenosa no garoto. É o primeiro problema que terá que se confrontar: mostrar os detalhes do que aconteceu ou seguir em frente sem maiores explicações? Não me parece ser muito importante os detalhes. O fato é que Huell tirou a ricina de Jesse, Walt teve tempo para envenenar Brock e saberia onde ele mora, tanto através de Saul quanto até mesmo do próprio rastreador que colocou no carro de Jesse. Mostrar como aconteceu é uma criação até razoavelmente fácil (Huell troca o maço, ou retira e devolve depois; Saul, que conhece Brock, faz uma visita e aproveita que o menino está comendo algo, etc) e seria perda de tempo. Alguns se incomodam com a atuação de Walt diante de Jesse quando este vai confrontá-lo, só que sabemos que Walt é péssimo quando pego de surpresa, mas com preparação Heisenberg se sai muito bem. O segundo problema que Gilligan terá que se confrontar com esta história é: Jesse descobrirá o que Walt fez? Já comentei em “Fly” que acho provável que a verdade sobre Jane nunca venha à tona, mas sobre Brock é algo muito mais fácil de Jesse descobrir, especialmente se voltarem ao assunto para explicá-lo no início da temporada.


- Mike: curioso tirarem o personagem dos últimos episódios. Se Mike estivesse presente, talvez Gus não tivesse morrido (certamente mais competente que Tyrus e poderia descobrir sobre a bomba), o que facilitou para o roteiro de Gilligan. Mais curioso ainda é que na primeira metade da temporada tudo apontava para que Mike se tornasse inimigo de Gus, desde que viu Victor sendo morto. Isto não se concretizou, mas pode perfeitamente moldar a forma como reagirá quando voltar do México. O que fará? E sua relação com Jesse? Jonathan Banks é um ator bom demais para não retornar com participação importante nos rumos da série.


- Hank: desde sempre um confronto que vem sendo adiado (na verdade, construído), entre ele e Walt. Não é difícil imaginar que Hank continuará as investigações, mesmo que tenha saído vitorioso desta temporada, ao mostrar que estava certo sobre Gus. Simplesmente porque há algo de muito estranho na explosão no asilo. O próprio Gomez disse que Hector não tinha mais ninguém, então quem explodiu seu quarto? E quem destruiu o super laboratório?


- Câmeras de vigilância: uma constante na 4ª temporada, sabemos que Gus monitorava tudo de seu escritório no Pollos Hermanos. Com sua morte, obviamente que a polícia investigará seus pertences. E até me parece óbvio que Walt pensará nisto também. É perfeitamente possível que no asilo também tenha câmeras e não podemos esquecer que Jesse foi filmado no laboratório do México, ensinando aos químicos como cozinhar a droga.


- Skyler e Walter Jr.: depois de se impressionar com o “I am the one who knocks”, qual será a reação de Skyler ao “I won”? O que me lembra de uma questão interessante para Gilligan: continuar a 5ª temporada exatamente de onde parou e acompanhar os personagens ainda no calor dos eventos, ou dar um salto no tempo, uma vez que aparentemente as coisas podem ficar tranqüilas por alguns dias ou semanas? Caso seja a segunda opção e virmos Skyler e Walt felizes com o lava-a-jato, significa que ela está disposta a esquecer qualquer crime que o marido tenha cometido. Sobre Ted, não acho que é preciso voltar a ele. Pelos eventos ocorridos desde o episódio 4x11 “Crawl Space”, Saul não teve tempo de dizer a ela o que aconteceu, mas basta informar que o problema foi resolvido e talvez Skyler nem ouça mais o nome de Ted Beneke. Já Walter Jr. tem uma questão em aberto: ter ouvido seu pai lhe chamar de Jesse teria alguma conseqüência futura? Muitos esperam que ele comente isto com Hank, mas é possível também o contrário. Hank comenta sobre suas investigações, fala sobre Jesse, e Walt Jr. começa sua própria investigação. Seria interessante que toda a família soubesse sobre Heisenberg, antes do próprio Hank.


Há, enfim, vários aspectos para serem abordados pelos roteiristas que, segundo Gilligan, começam a pensar a 5ª temporada já a partir de Novembro. A única certeza é que, depois de quatro temporadas impressionantes, podemos aguardar um final não menos que espetacular para esta série que já deixou sua marca na história.



sábado, 8 de outubro de 2011

[Prófugos] 5

Por Danielle M



Mais um episódio "todos contra todos", "não confie em ninguém", "vamos fugir de geral", "não estamos seguros" e por aí vai.
No seu 5o episódio, Prófugos já mostra o seu primeiro "enche linguiça". Natural, por mais que tentem, muito difícil ter ação e surpresas non stop. Nem mesmo a revelação em FB para a gente refrescar a memória de que o amigo da família Ferragut (sócio do papai ) estava no comando da chacina em Valparaíso ( e confesso que foi apenas com o FB que lembrei dele, personagens demais garantem a ação, mas não sei se ganha no envolvimento, entende?) salvou a história.

Pelo menos deixou aquela sensação de "o melhor estar por vir", porque francamente, foi uma sucessão de cenas gratuitas e sem maior envolvimento. Os seios de Irma aparecerem na banheira foi tão gratuito e de mau gosto, gente, a atriz tem 24 anos, mas ela representa uma menina de 16 anos. Não é moralismo, juro, mas se nem mesmo na  cena de seu estupro, que foi fotografada de forma sutil, ainda que cruel, dando ênfase no rosto e nos seus expressivos e aterrorizados olhos, porque logo agora me vem com isso? Desnecessário.


Desnecessária também  a cena do puteiro, não pela putaria em si, até porque Moreno, só para variar, deu show, mas pela coisa toda. Ah tá, eles são homens (macho latino americano ruleia) e precisam afogar o ganso. Minha gente, procurados pela polícia me dão esse mole? E vem cá, de onde o Aguilera tirou a brilhante idéia que os meninos estavam no puteiro? Ok, ele está perseguindo o povo, mas isso também foi demais para a minha cabeça. Sinergia no modus operandis do prófugos total hein, Aguilera?

Para não ficar amarga, adorei a cena em que o mesmo Aguilera encontra Kika e cia. no mercadinho, ficou ótimo e senti o climão de tensão! Tegui e Vicente conseguiram reverter a tudo e mais uma vez o "pobre" Aguilera pagou de pateta.


Quanto mais os prófugos correm, mais conhecemos o Chile. Olha, nenhuma agência de turismo conseguiria mostrar tantas paisagens incriveis do país amigo sem fronteira com a gente :) Dessa vez o pessoal vai tentar, pelas hábeis mãos de Kika, sacar parte da grana da transação de Valparáiso. Depois o plano é seguir para a Argentina e pegar o resto. A senhora Ferragut cuida tudo por celular, chegou até a falar num bom português com um banco brasileiro.Kika quer todo a grana para sair, na sua visão, do país de merda que é o Chile. Que isso, Kika. Chile funciona quase tudo que é uma beleza, menos a PDI.

Por falar em PDI, o chefinho fdp Marcos Oliva continua incriminando e tentando sacanear Tegui de todas as maneiras. Facilita tudo para Aguilera e dificulta o que pode a vida da promotora Ximena e do detetive Fabién, que por sinal,  teve uma boa idéia grampeando Aguilera através de um dos meninos aviãzinho de uma favela chilena (tão parecido com o Brasil que quase emocionei). Ximena e Fabién estão convencidos de que Tegui não é culpado e de que Marcos Oliva tem parte da responsabilidade. Eles chegam tão perigosamente perto da verdade que Oliva acaba por afastar Fabién da investigação. Vou ser menos amarga de novo. Gosto muito deste núcleo e eles funcionam muito bem!

Aliás, uma outra grande cena deste episódio está nas mãos de Ximena. Ela folheia a ficha de cada um dos prófugos. E acompanhamos em FB o desejo mais íntimo de cada um e a evidente frustração por estarem na situação que se encontram. Vicente estudava veterinária nos EUA e quer voltar, desejo ingênuo, sabemos bem e Moreno faz questão de lembrar que ele será um fugitivo para o resto da vida.

Terminou bem. Com Oliva chefinho filho da mãe surrupiando o celular de Ximena e estabelecendo contato com Tegui via mensagem. Promete , hein!


Cenas legais:

-Chile em sua plenitude. Vontade de conhecer enorme!
-Kika hablando em português. Uhu!
- Kika dando patada a todo monento em sua "querida" filha Laura.
- Cena do mercadinho. TENSÃO.
- Aguilera ouvindo explicação de seu capanga sobre a origem das empanadas.
- Kika e Irma, íntimas, para desgosto de Laura. Kika pergunta a menina o que há com ela.
-Moreno e Salamanca, quem diria, se entendo sobre algum assunto.
- Até governo metido na confusão dos prófugos. Oliva acredita que controla tudo. Prófugos, Aguilera e o governo.
- Não é uma cena legal, uma observação mesmo. Acho que Prófugos merecia um "previosly" mais digno!

OBS-> Saio de férias por 2 semanas. Prófugos em resenha volta depois do meu recesso!

**fotos: reprodução

danimistica@gmail.com


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

[Breaking Bad] 4x12 - End Times


“There will be an appropriate response” - Gus

“I alone should suffer the consequences of those choices, no one else. And those consequences… they're coming.” - Walt


Curioso ter comentado no post anterior sobre a vantagem de escrever, num texto só, sobre dois episódios de Breaking Bad, já que um episódio ajuda a compreender melhor o anterior. Pois isto nunca foi tão verdadeiro como com este “End Times”, que depende desesperadamente do season finale da semana que vem, até para aceitarmos algumas coisas surpreendentes que acontecem no episódio e que, a princípio, surgem como uma enorme decepção.


Breaking Bad está entre minhas séries favoritas de todos os tempos. Atualmente, talvez não exista nada melhor – e uso a cautela simplesmente por não ver todas as séries existentes, mas do que conheço apenas Mad Men tem este nível de excelência. E entre as muitas qualidades, sempre foi marcante o desenvolvimento dos conflitos, com roteiros impecáveis. Sempre me chamou a atenção o brilhantismo dos roteiristas, as soluções, a coerência interna que não permite nada fora do lugar, nenhuma dúvida, nenhum questionamento, nenhuma conveniência para que as coisas cheguem a determinado ponto de tensão, de suspense, de drama.


É, portanto, com estranhamento que este episódio chega com uma das reviravoltas mais esquisitas e inesperadas: a ricina aparentemente é usada, e em Brock. Quando Jesse recebe a ligação de Andrea, imaginei que Gus teria partido para medidas mais drásticas, passando uma mensagem de ameaça clara para Jesse (seria a “resposta apropriada” a que ele se referiu mais cedo). No entanto, Jesse percebe que a ricina sumiu de sua carteira de cigarros e imediatamente culpa Walt pelo envenenamento de Brock. Aqui o roteiro ameaça escorregar, mas quando Jesse explica como chegou a esta conclusão, faz sentido. Mas quando Walt o convence de que foi um plano de Gus e ambos retomam a parceria, a coerência começa a desaparecer: como Gus poderia pensar em estratégia tão imperfeita? Como saberia que Jesse não só culparia Walt, mas conseguiria matá-lo? Como ele sabia da ricina durante todo este tempo, se ao menos por duas vezes Jesse teve a chance de matá-lo e só não o fez porque não quis?


Só consigo imaginar uma resposta: Jesse não estava errado e de fato Walt é o responsável pelo envenenamento de Brock. O episódio deixa essa dúvida (é curioso que o penúltimo episódio da temporada anterior também envolvia uma tragédia com criança relacionada à Andrea e também não havia deixado claro o envolvimento de Gus) e daí a necessidade de vermos o season finale para que faça algum sentido tudo o que vimos.


Primeiro, as evidências que apontam Walt como culpado (para além de ser um plano no mínimo falho de Gus):


- Ao esperar a morte certa, Walt gira o revólver na mesa por três vezes: enquanto as duas primeiras vezes apontam para ele, a última aponta em outra direção e vemos um close em seu rosto passando a impressão de que ele não vai esperar sua morte e começa a planejar alguma coisa (após escrever este texto, li em um fórum alguém relacionando a arma apontada para uma planta e a ricina, que é extraída de vegetal). O que temos depois é um sumiço do personagem durante boa parte do episódio, inclusive com celular desligado (Jesse e Marie tentam em vão entrar em contato);


- Observem a cena em que Huell, o capanga de Saul, revista Jesse. Tudo acontece muito rápido, mas é possível perceber que ele coloca as mãos dentro do casaco de Jesse e depois uma das mãos rapidamente vai pra o seu próprio bolso;


- Quando Jesse vai à casa de Walt, este parece deixar a arma propositalmente ao alcance do primeiro. Eu não duvidaria que a arma na verdade estivesse descarregada;


- Discutindo o episódio com o amigo (e comentarista do blog) Eric Fuzii, ele me lembra que a ricina pode demorar a agir no organismo e especulamos que a intoxicação pode ter sido antes; ou, ainda, que de fato não foi por ricina, e para que outra substância tenha sido usada, Walt seria a pessoa mais provável para isso; mas há vários complicadores, como a ricina ainda estar em poder de Jesse naquela manhã, além do efeito poder variar dependendo de quantidade e forma que foi administrada - ainda mais em uma criança.


- Saul sabe onde Andrea e Brock moram, então basta sua ajuda para que Walt chegasse até eles (e não parece ser por acaso a urgência do advogado em entrar em contato com Jesse e ainda avisá-lo da ameaça que Walt sofreu);


Claro, é tudo especulação, especialmente porque ainda há falhas (Huell poderia roubar os cigarros de Jesse, mas conseguiria fazer a troca? Walter conseguiria ser tão convincente quando sugere que foi obra de Gus, se realmente não pensasse isso?) e uma decisão perigosa em fazer o protagonista cometer ato tão terrível, por mais que seja esta a trajetória de Walter White. Mas é incrível como o episódio deixa esta questão ambígua, ainda que qualquer uma das respostas (Gus ou Walt) não seja completamente satisfatória.


(este texto foi escrito no início do dia e até o momento da postagem, discuti e pensei muito sobre o episódio, chegando a uma outra conclusão: a de que nem Walt e Gus sejam culpados, e que Brock utilizou a ricina por acidente. Faz sentido dentro da proposta da série, com o acaso pregando peça nos nossos protagonistas, mas esbarra em outros tantos problemas, como o fato de que Jesse disse que viu Brock pela última vez na noite anterior e que estava de posse do "cigarro da sorte" na manhã seguinte.)


O fato é que será uma semana longa e até lá gosto de pensar que o último episódio da temporada, “Face Off” (mesmo título do filme de John Woo em que John Travolta e Nicolas Cage mudam de face), abrirá com um flashback mostrando o plano de Walt e Saul para envenenar Brock ou ainda uma forma de envenenamento que nem imaginamos. Claro, a série sempre nos surpreende, mas Gilligan e seu time de roteiristas terão que se superar na genialidade para encaixar todas as peças desta bagunça.


Outras considerações:


- Apesar do estranhamento no caso Brock, “End Times” é excepcional em todo o resto: Hank e Steve Gomez sendo brilhantes (Hank sacando que não era ameaça do Cartel; Gomez nem tanto por não ter achado o laboratório, mas a lábia para entrar na lavanderia foi boa), Skyler tentando juntar as peças e parcialmente sabendo do envolvimento de Walt, além das duas fantásticas cenas de tensão, com mais um embate histórico entre Walt e Jesse (com direito ao retorno da trilha e das risadas do episódio anterior) e o final do episódio no estacionamento, em que Gus mostra mais uma vez seus super poderes sem emitir uma única palavra;


- Algumas pessoas pareceram se incomodar com a percepção de perigo que Gus teve, mas me parece natural para uma pessoa que já vimos ser o ápice da cautela (daí que envenenar Brock daquela maneira não me parece certo) ter sentido o perigo ali, especialmente por Jesse, minutos antes, aparentemente ter deixado claro que suspeita dele – sendo culpado ou não, é fácil concluir que Walt tem algo a ver com tudo;


- O episódio foi dirigido pelo próprio Vince Gilligan que, além destes grandes momentos, fez um belo trabalho de câmera na cena em que Jesse percebe que não tem mais a ricina e retorna ao hospital para avisar Andrea. O desespero sempre foi muito bem filmado na série e aqui em plano-sequência.


- Conversando com Fuzii, ele disse ter ficado incomodado com a forma que Walter escolheu para matar Gus. Talvez ele explique melhor na caixa de comentários, mas me pareceu uma boa ideia retomar o Walter White da primeira temporada, que resolvia seus problemas com soluções químicas.


- Saul sempre me faz rir. Aqui, quando conta sobre a ameaça que Gus fez à família de Walt, a qual obviamente ele se inclui;


- Como temos mais uma temporada com 16 episódios, é óbvio que Walt vence o confronto com Gus. As questões são: de que forma isso se dará? Quais as baixas neste conflito? Se Gus morre, não só perderemos um grande personagem, mas como será a 5ª temporada sem ele? Se Gus não morre, como encaixar os dois antagonistas nesta história?


- Realmente espero que Brock não morra. É tragédia demais para Jesse em todo fim de temporada. Começa a soar como uma piada macabra com o personagem, que parece nunca chegar ao fundo do poço.




sexta-feira, 30 de setembro de 2011

[Prófugos] 4

Por Danielle M




Quatro homens e um milagre. Basicamente isso. O milagre em questão é resgatar Kika dentro de uma ambulância cercada de policiais com a cavalaria completa. E eles conseguiram. Mais uma vez na cara de toda a PDI ( a polícia federal chilena autorizou o uso de seu logo na série, fico pensando que o Chile deve ser realmente um país muito evoluído, porque esta polícia retratada até agora é corrupta e incompetente.) e do todo poderoso muito filho da puta chefe de Tegui, o tal supervisor geral de operações antitráfico, Marcos Oliva. Como vimos no anterior, ele é o inimigo de Tegui e quer os prófugos mortos, talvez mais do que o próprio Aguilera, o narcotraficante rival do clã Ferragut e sedento de sangue, porque né? Filho com cabeça decepada em caixão aberto é difícil de esquecer.

Oi! Sou o chefe filho da puta de Tegui. Marcos Oliva. Prazer aí.

Aliás, a cena do funeral de Aguilera filho ficou parecida com o dia dos mortos no México. Ganhou status de santo. Kika presa no hospital depois de levar porrada na cadeia já sabe que sua situação é péssima. Ela é alvo fácil. Implora a sua filha, Laura, que a tire logo dali. Mas é nas boas mãos do seu  favorito, Vicente, que toda a ação de salvamento vai rolar.



Este foi um episódio no qual os coadjuvantes ganharam mais vida e participaram mais ativamente nos desdobramentos da ação. Kika, Laura, promotora Ximena e seu namorado  detetive da polícia  assim como era Tegui (sorry, mas ainda não decorei os nomes e preguiça de procurar isso agora) Fabián ,tiveram seus bons momentos na trama e já começam a dizer a que vieram. Laura me pareceu uma moça submissa e extremamente rancorosa em relação a mãe. Mas incapaz de contrariá-la . Kika, a toda poderosa dos Ferragut, se mostra uma mulher duríssima, pouca coisa a intimida e a polícia só a faz rir. Seu ponto fraco é Vicente. Fica claro que ela deposita as maiores esperanças no filho. Ele é a própria personificação da continuidade dos negócios da família e de sua salvação pessoal.

Essa responsabilidade é sentida por Vicente. Mesmo carregando aquele ar de narcotraficante relutante, tal qual como um Michael Corleone latino, ele suja as suas mãos e assume um papel ativo - e decisivo - nos negócios dos Ferragut. Ele é a família, a sua continuidade e seu legado. Sobe o tema de O Poderoso Chefão.


Para resgatar Kika, Vicente precisará da ajuda de todos. Convence o seu bando com la plata. Até porque não há necessidade de continuarem a fugir juntos. Tudo resolvido, eles aceitam. A motivação de cada um é até simples de entender. Moreno é o braço direito do clã. Salamanca tem a sua filha, agora uma prófuga forçada, e Tegui ...bom, Tegui. Vicente acredita que ele é um amigo, já está no clã há algum tempo e tem idade e afinidades parecidas com ele. Mas para Salamanca, macaco velho da ditadura, que aprendeu a sacar quem é quem, aí tem coisa .Coloca uma arma na cabeça de Tegui, diz que Vicente não sabe nada de nada e pressiona: Continua porque? Mas o policial disfarçado sabe muito bem como agir e, bom  hehehe, devolve a questão, Vicente não sabe mesmo, nem desconfia do tamanho e gravidade da enfermidade (câncer terminal) de Salamanca. Olho por olho. Salamanca sela um pacto com Tegui, não, ele não revela que é policial, mas mostra-se um aliado do ex revolucionário. Salamanca sabe que ao sabor dos acontecimentos, Moreno e Vicente podem descartá-lo e também a sua filha.

O recurso do flashback voltou. Num hotel fétido de quinta categoria de um amigo de Moreno ( imagina o naipe da figura), Tegui sofre no banheiro do quarto. Olha no espelho e cospe na sua imagem refletida. Corta para FB, ele com Ximena na época que eram namorados. Fácil entender. Infiltrado, achando que cumpria com seu dever, ele perdeu tudo. 
Mesmo com a promotora do seu lado e lutando para salvar sua reputação na PDI, fica difícil defender Tegui. Todas as evidências apontam sua participação na ação dos prófugos. Ele está também implicado  na morte de Aguilera junior, mesmo a PDI sabendo a esta altura que foi nas mãos de Moreno que o moço padeceu. Mas Ximena e seu atual namorado, um detetive desta mesma polícia , Fabián,  acham que também existem evidências suficientes de que nem tudo é culpa e obra dos prófugos. Tegui consegue, ainda sem saber, dois aliados importantes que mostrarão a sua lealdade na hora certa.

Neste episódio a relação entre Salamanca e sua filha revela a sua tensão, fissuras e rancores. Muita mágoa acumulada. Irma não sabe do sacrifício que o pai faz -  e fez no passado ao abandoná-la deixando sua criação com os avós - para que ela tenha uma vida melhor. O FB de Salamanca nos esclarece sobre as circunstância da morte da mãe de Irma. Cruel. Mas essa foi a vida e escolhas do ex revolucionário. 

O plano para resgatar Kika na ambulância em plena transferência é espetacular, com direito a exageros e mentiradas que todo bom filme de ação tem. Tiro para todos os lados, criancinhas em perigo, gente histérica pelas ruas, Salamanca salvando a pátria roubando um ônibus escolar para servir de veículo de fuga e, claro, o resgate em si, ambulância "errada" capotando, tiros, tiros e mais tiros e Kika salva, saindo atirando da ambulância (façam-me o favor...). Mais uma vez, como disse no começo , o bando fez a PDI parecer amadores, bem da verdade que Tegui teve a providencial ajuda do seu mais novo aliado, cara a cara, o detetive  agora namorado da promotora deixou Tegui escapar com Kika. Aguilera pai falha novamente. Ele fora avisado pelo chefe corrupto da PDI sobre a transferência e, claro, daria o seu jeitinho. Olha só, a matança toda é sempre culpa de Aguilera e seus rapazes, porque os meninos (hoho) só atiram para se defender. E tenho dito (desculpa para torcer pelos prófugos mode OFF)

Parecia tudo muito difícil. Mas eles conseguiram...de novo.

Foi para não respirar. Agora os prófugos tem, além de Irma e Laura, a chefe maior, Kika Ferragut. Vicente continuará Michael Corleone? Que venha o 5.


Cenas legais:

- Kika se recusa a ver como narcotraficante: "Sou trabalhadora, como qualquer chileno." hahahahahah
- Ambulância "errada" capotando e a cara de WTF de Vicente e Moreno ao perceberem que não era aquela.
- Salamanca tirando as pobres criancinhas do ônibus escolar, de uma maneira bem fofa vai, para servir de veículo de fuga.
- Salamanca e Tegui pisando no pé de Vicente para acelerar o carro. Eu ri.
-Moreno enchendo a cara de coca e ainda mandando Vicente dar uma tacadinha.
- Como assim parte do plano era bater o carro na ambulância em que estava Kika? Gente sem plano razoável define.
- Curto muito a trilha sonora. Tanto o tema de abertura, quanto a suave voz da cançao do fim do episódio.
- Kika muito carinhosa com Vicente no carro de fuga. Filho favorito eficiente.
- Braço voando no ar após a explosão da ambulância. Bizarro.

danimistica@gmail.com
**fotos: reprodução.


[Louie] Segunda Temporada

Agora que já se passou mais de uma semana, estão todos conformados com os prêmios Emmy entregues nas categorias de comédia deste ano, certo? Ainda não? Tudo bem, a gente sempre acaba se contentando com algumas surpresas mesmo. Entre as indicações, um nome que apareceu como completo azarão foi o de Louis C.K. nas categorias de melhor atuação, talvez seu talento que menos chame atenção na série, e de melhor roteiro, algo que merecia reconhecimento no episódio em questão mas não na temporada em geral. Já havia escrito brevemente sobre Louie na minha lista de episódios favoritos do ano passado, mas terminada agora sua segunda temporada, senti a necessidade de adicionar mais algumas linhas. Para quem não conhece, Louie é uma comédia de meia hora completamente produzida -- e quando digo isso é literalmente escrita, dirigida e atuada -- pelo comediante Louis C.K., que recebeu carta branca do canal FX para colocar suas ideias mais mirabolantes no ar. O resultado disso são episódios geralmente imprevisíveis, que embora possam pecar muitas vezes em sua execução, surgem sempre a partir de ideias bastante inspiradoras. Por isso, Louie é uma comédia praticamente obrigatória para os amantes de televisão, por tentar quebrar tantas barreiras e desafiar altas convenções do gênero. Além de ser uma alternativa interessante para mais uma safra ridícula de novas séries na televisão aberta americana. A cada novo episódio Louis C.K. prova que seu talento não pode ser contido pelos lugares onde faz suas apresentações de stand-up, que mesmo quando comparadas aos muitos aspirantes brasileiros, fazem estes parecerem no máximo bons recreadores de acampamento. Alguns podem achar o tratamento às vezes um pouco "cru", outros podem considerar até grosseiro, mas em verdade trata-se de um retrato bastante autêntico da vida do autor, que em tantas cenas faz com que a ficção e suas próprias experiências se confundam e passem a se complementar.

Apesar de já dar amostras daquilo que pretendia com a série no ano anterior, essa segunda temporada mostrou um roteiro bem melhor desenvolvido, realmente determinado a fazer de cada conto uma crônica pessoal de sua vida. O humor de Louie passa longe de ser peculiar, de insistir em provocar a risada fácil, mas não deixa por isso de ser menos estimulante, principalmente por explorar o humor em terrenos às vezes até obscuros, como em momentos de tensão, medo, frustração, constrangimento, chegando a atingir o trágico, como no encontro com um antigo amigo à beira do suicídio. Dessa forma, Louie é provavelmente o retrato mais próximo da realidade em uma comédia a passar pela televisão, o que ao assumir seu tom auto-depreciativo torna-se sempre algo muito provocador. Em determinado episódio, quando Louie faz parte do elenco de uma sitcom, ele se recusa a continuar uma cena simplesmente por achar ridícula a mudança de humor para agradar a audiência. Pode parecer um exemplo patente até demais, mas para mim apenas simboliza sua forte personalidade. Porém, o que mais me chama atenção na série é que mesmo com este modo extremamente autêntico de pensar, Louis C.K. nunca deixa de lado sua humanidade, e isso fica bastante claro em dois episódios dessa temporada, provas definitivas de seu brilhantismo e certamente meus favoritos de toda a série.
O primeiro deles é "Come on, God!", quando Louie participa de um debate televisivo com uma católica fervorosa, crítica do ato da masturbação. O que nas mãos (ops!) de qualquer outro comediante seria cenário perfeito para atacar e desmoralizar a Igreja com certo deboche, acaba transformando-se numa discussão que toma rumos inesperados, deixando Louie cada vez mais encurralado pela falta de argumentos. Há tanto respeito para tratar do assunto de forma neutra, evitando qualquer tipo de julgamento, que ao final do episódio torna-se impossível duvidar que a moça possa ser realmente feliz com suas crenças. Mas sua simpatia durante as conversas e todas as conveniências de roteiro, nos fazem crer que Louie pode até ter alguma chance de quebrar seus votos de castidade. E ele próprio chega a acreditar nesta possibilidade, terminando obviamente rejeitado mais uma vez.
Em outra ocasião, no episódio "Duckling", Louie é convidado para apresentar seu show de stand-up aos soldados americanos no Afeganistão. O que ele não esperava era ter de cuidar de um filhote de pato, colocado em sua bagagem por uma de suas filhas para protegê-lo. Louis C.K. mostra extremo talento ao dosar essas duas situações, principalmente mantendo o pato escondido por quase todo o episódio até sua revelação no surpreendente e hilário desfecho. Assim, ele pode concentrar-se na experiência de entreter as tropas americanas, tentando aliviar um pouco a tensão que passam todos os dias. Experiência, aliás, que Louis C.K. viveu realmente no final de 2008 num tour que incluiu não apenas o Afeganistão, mas também Iraque e Kuwait (e que pode ser lido em um breve relato no seu blog pessoal). Aproveitando também a duração estendida do episódio, Louis tem a chance de adotar um ritmo mais cadenciado, quase documental, explorando o senso de perigo ao seu redor, os deslocamentos de um campo a outro, assim como a relação estabelecida com os outros artistas convidados. Tivesse esse episódio ido ao ar há alguns anos, poderia dizer que seria um forte concorrente ao Emmy. Já hoje, provavelmente não. Mas não é pela falta de reconhecimento que a série deixa de ser menos brilhante, muito pelo contrário, já que sua fama de azarão justamente é o que pode nos fazer acreditar num triunfo inesperado. E assim, quem sabe, finalmente tirar essas categorias de comédia do marasmo desses últimos anos.

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

[Breaking Bad] 4x10/4x11 - Salud/Crawl Space


"Hahahahaha... hahahahaha!!" - Walter "The Joker" White


Deixar para escrever um texto sobre dois episódios de Breaking Bad tem suas vantagens e desvantagens. O problema maior é dar conta de tudo o que acontece, todas as grandes cenas, atuações, diálogos e desdobramentos de uma série que parece não ter limites para sua criatividade. Por outro lado, o segundo episódio esclarece e nos surpreende com elementos que até tentamos, mas passamos longe de adivinhar.


O caso Beneke, por exemplo: em “Salud”, Skyler confirma nossas suspeitas de que ela dará a Ted o dinheiro que ele precisa, usando Saul inicialmente, mas logo tendo que revelar o que fez, quando ele compra uma Mercedes ao invés de pagar a Receita. Ted faz isso para manter as aparências e voltar aos negócios e o episódio gira em torno disso, com Jesse também simulando algo que ele não é para os químicos do Cartel (conquistando a admiração de Gus e Mike), e Walt preocupado com a imagem de frágil que o filho presenciou, quando na verdade este considera a persona Heisenberg que o pai encarna como irreal. E, claro, Gus mantendo as aparências para eliminar boa parte do Cartel na espetacular sequência que encerra o episódio.


Quando Skyler conta a Ted que o dinheiro é dela (um ato arrogante e impensado, mas quem pode condená-la depois de ouvir as justificativas descabidas de Ted?), já podemos imaginar que o personagem não vai durar muito, ou com Walt descobrindo o que houve e, quem sabe, finalmente usando a ricina, ou ainda a própria Skyler sujando as mãos. Até pude visualizar um final de temporada idêntico ao anterior, com Skyler e Ted no lugar de Jesse e Gale. Mas mesmo quando algo parece ser inevitável, a série dá um jeito de nos surpreender e o destino de Ted é selado logo depois em “Crawl Space”, numa cena recheada de humor negro que lembra os irmãos Coen, mestres em encenar o patético e o ridículo de situações como esta. Breaking Bad tem os pés fincados na realidade, mas o acaso, a sorte e o azar sempre rondam os personagens, pregando peças inesperadas – e Ted já havia sido alertado quando tropeça no tapete ao abrir a porta para Skyler.


O fascinante nesta trama envolvendo Beneke é que, enquanto pensávamos que seus problemas com a Receita levariam a uma investigação do lava-a-jato, na verdade as conseqüências são bem piores e mais imediatas: a perda desse dinheiro no exato momento em que Walt é demitido e ameaçado de morte acaba de vez com a oportunidade do protagonista em desaparecer com a família, sugestão que Saul deu no início da temporada e agora impossível por falta de recursos financeiros (o dinheiro dado a Ted mais a compra do lava-a-jato, pagamento de Saul, despesas médicas de Hank, os dois carros de Walt Jr., tudo isso deve ser equivalente aos 2 ou 3 meses que Walt trabalha para Gus).


É admirável esta espiral de acontecimentos, tudo culminando na desesperadora sequência final de “Crawl Space”, que talvez seja pra mim o maior momento de uma série com quatro temporadas de quantidade enorme de momentos inesquecíveis. Tudo nesta cena é perfeitamente orquestrado, editado e sonorizado causando o máximo de impacto. É uma série que evita usar trilha sonora em cenas dramáticas, mas aqui uma batida começa no momento em que Skyler chega em casa, e é cortada com o grito de Walt “WHERE IS THE MONEY?!”, voltando com mais intensidade quando ela revela o que fez. A risada maníaca de Walt começa no exato momento em que toca o telefone, com Skyler se afastando lentamente do quadro e o que já era desesperador chega a níveis insuportáveis com a quantidade de elementos em cena: a batida, a risada, a perplexidade de Skyler, o desespero de Marie. E, por fim, Walt enquadrado. Esgotado e paralisado, o rosto com as marcas da briga com Jesse e do acidente provocado para Hank não chegar ao laboratório, o corpo certamente machucado pelos choques que levou de Tyrus. E agora, o que fazer?


Este final de episódio é tão intenso, que poderia parar por aqui. Mas tentando comentar mais algumas coisas:


- Antes deste fim em que Bryan Cranston já confirma mais uma vez seu Emmy, o ator já havia dado seu enésimo show particular quando supostamente se despede em definitivo de Saul. Walt insiste para que Saul avise Hank, provavelmente porque mesmo desaparecendo a vergonha em ser descoberto seria demais. O que significa que é mais provável Heisenberg surgir de novo, do que pedir ajuda a Narcóticos para proteger sua família. O problema é: o que Gus fará/pensará quando souber que Hank e Marie estão protegidos pela polícia?


- Não costumo buscar muitas informações sobre os episódios e não li nada a respeito sobre como foi feita a cena em que Gus ameaça Walt no deserto, com a nuvem fazendo sombra enquanto eles conversam. Alguém sabe dizer se foi efeito digital? Ou esperaram o momento certo para filmar? Seja como for, um outro belo momento da série, que impressiona por não estar deslocada ou chamar a atenção para si, coerente com o drama em cena.


- Gus vinha tendo a simpatia dos fãs, conquistando e dando a Jesse o apoio que nunca teve com Walt, tendo seu passado revelado em “Hermanos” e eliminando Don Eladio de forma impecável (o melhor momento pra mim foi o modo metódico de Gus para vomitar o veneno que tinha ingerido), enquanto Walt vinha de atos cada vez mais desprezíveis. É incrível, portanto, como os papéis mudam completamente sem soar falso: agora torcemos por Walt, que comove pelo seu desespero, pelo arrependimento do que fez a Jesse diante de Walt Jr. (aliás, chamar o filho de Jesse certamente terá conseqüências futuras), e esperamos que ele dê um jeito em Gus, especialmente depois que este mostra o quanto é o “bad guy” desta história ameaçando a família de Walt (o jeito que ele diz “infant daughter” é assustador).


- Bom ver Jesse em situação totalmente oposta a do início da temporada: em paz com Andrea, admirado por Gus e Mike e, apesar de cortar relações com Walt, não deseja sua morte, a ponto de mais uma vez confrontar Gus, quando este sugere que ele assuma o laboratório. Se me dissessem ano passado que esta seria a situação do personagem no final desta temporada, diria que não há lógica nenhuma ou consistência nos personagens...


- Jesse consegue cozinhar a droga no México, mas chega a pouco mais que 96% de pureza, o mesmo que Gale. Walt chega a 99%. Achava que era o suficiente para manter os dois no laboratório por mais algum tempo, mas pelo visto Gus desistiu de ter a melhor droga, tamanha a imprevisibilidade dos atos de Walt.


- Fico pensando se não há algo mais por trás do fato de Gus querer que Hector olhe nos olhos dele. Já são dois episódios com esta tortura psicológica, e desta vez o Tio ainda descobre que Jesse teve parte na morte de sua família. Não duvido que isto ainda terá uma importância inesperada na trama. E Mark Margolis impressiona sem emitir uma única palavra. Que elenco admirável.


- Nas discussões sobre “Salud”, vi muita gente comentando que Mike ia matar Jesse antes de levar um tiro. Dava pra contestar esse absurdo com vários argumentos, mas acho que as bolsas de sangue do tipo de Jesse que estavam preparadas pra uma ocasional emergência devem ser o suficiente pra encerrar a discussão.


Faltam dois episódios para acabar a temporada e o spoiler que tenho é: alguns de nós morreremos no final. Ou pelo menos quase.