quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

[Extra] Melhores episódios de 2010

Não há nada melhor nesta época de retrospectivas do que as já tradicionais listas de final de ano. Uma de minhas preferidas -- pouparei vocês da minha lista de listas favoritas -- é a que compila os melhores episódios do ano na televisão, seja pela importância durante toda a temporada ou por formarem uma unidade coesa durante sua breve duração. Algumas tentativas anteriores podem ser relembradas nas listas de 2007 ou 2008. Claro, são escolhas extremamente pessoais, até porque estão limitadas apenas àquilo que assisti, portanto servem muito mais como um exercício de listar do que como um guia definitivo. Desta vez, resolvi utilizar um critério diferente e escolher apenas um episódio por série, principalmente para deixar a lista mais enxuta e justa. Afinal, uma lista de dez poderia ser facilmente preenchida apenas com episódios de Mad Men e Breaking Bad, de longe as melhores séries em exibição atualmente. Mas, com certeza, uma lista assim não faria jus ao excelente ano que pudemos acompanhar na televisão, com boas estreias e muitas séries veterana encontrando de novo sua boa forma. Sem mais delongas, vamos à lista:

12. Friday Night Lights
"I Can't"


A quarta temporada ficou marcada pela mudança de rumos da série: de lados da cidade, de time e até elenco. Confesso que demorou um pouco até que esses novos elementos engrenassem, mas episódios como esse mostram a competência dos roteiristas em considerar todos os problemas que atingem seus personagens e oferecer conclusões a cada um deles. Seja a indesejada gravidez de Becky ou a frágil condição da mãe de Vince, Friday Night Lights nunca deixa ninguém desamparado e assim continua sendo o retrato mais justo da adolescência a ser exibido na televisão.
Outros destaques: "Laboring", "Kingdom".


11. Chuck
"Chuck vs the Honeymooners"


Sempre fui fã dos episódios mais "leves" de Chuck, que conseguiam lidar com as limitações de seu protagonista, sem precisar envolver grandes conspirações ou manobras. Além do excelente trabalho de composição deste episódio ao situá-lo na Europa -- sendo praticamente todo gravado em estúdio --, o grande acerto veio da relação de Chuck e Sarah, cercada de dúvidas agora que havia finalmente sido consolidada. Durante toda a viagem de trem o casal não demonstrava nenhum receio pelo futuro, apenas apreciava a companhia um do outro até para concluir uma inesperada missão, algo que no atual momento da série só nos faz relembrar com saudades daquela intensa lua-de-mel.
Outros destaques: "Chuck vs the First Class", "Chuck vs the Other Guy".


10. 30 Rock
"Anna Howard Shaw Day"


Nem preciso dizer o quanto a quarta temporada de 30 Rock começou frustrante. Já esta quinta temporada tem mantido uma regularidade tão boa que seria capaz de escolher qualquer um de seus episódios para entrar na lista. Porém, preferi escolher "Anna Howard Shaw Day" porque representa seu grande ponto de virada para essa recuperação. Em mais um episódio especial de dia dos namorados, Jack tem seus primeiros encontros frustrados com Avery, enquanto Jenna está preocupada com a falta interesse de seu stalker, vivido por Horatio Sanz. Já Liz se submete a uma operação de canal e como resultado da anestesia acaba imaginando seus três ex-namorados atendendo no consultório.
Outros destaques: "When it Rains, it Pours", "Brooklyn Without Limits", "Christmas Attack Zone".


9. Glee
"Grilled Cheesus"


Só para se ter uma ideia, desisti de Glee após assistir a esse episódio. Não, essa não é uma escolha irônica tentando sacanear a série. Muito pelo contrário, aliás. Depois de acompanhar tantas histórias pavorosas, com "Grilled Cheesus" tive a certeza que esse seria o episódio que a série nunca mais conseguiria superar. Há quem condene por ser muito predicante, mas acho que é exatamente neste ponto que ele chega perto da perfeição. Glee nunca apresentou qualquer razão que fizesse alguém levá-la a sério, por isso tudo funciona como uma paródia, com os personagens assumindo sua ingenuidade (Finn) e suas certezas (Kurt) enquanto outros tentam convencê-los do contrário. A mensagem final do episódio serve perfeitamente para lembrar do espírito que Glee vem perdendo desde seu início: basta acreditar. Afinal, não existe nada mais sincero do que Kurt interpretando "I Want to Hold Your Hand" ao lado do leito de seu pai, certamente o melhor uso de uma música na série, trocando o otimismo vindo dos Beatles por um tom quase melancólico.
Outro destaque: "The Power of Madonna".


8. Treme
"Wish Someone Would Care"


Para quem já assistiu The Wire, sabe que George Pelecanos, conhecido escritor de dramas policiais, normalmente era escalado para escrever seus episódios de maior impacto. Mas nesse episódio, sua contribuição está na forma sutil com que leva Creighton a se afogar em sua própria amargura, depois de tanto lamentar o declínio da cidade que escolheu para amar. Durante sua última aula, Creighton está interessado em tratar do livro 'O Despertar', de Kate Chopin, para discutir com seus alunos a diferença entre encerramentos e transições. Todas as suas despedidas ao longo do episódio, tanto da filha e esposa quanto sua última contribuição a Annie, tornam sua morte cada vez mais previsível, mas tudo termina resolvido num suspiro. Num instante Creighton está contemplando o mar, no outro já não está mais lá. Absolutamente sublime.
Outros destaques: "Do You Know What It Means", "All on a Mardi Gras Day".


7. Louie
"Bully"


Alternando histórias roteirizadas e gravações de seu próprio show de stand-up, Louis C.K. teve liberdade total para colocar no ar aquilo que bem entendesse. O resultado foi a comédia mais imprevisível do ano, mas que nem sempre acertava com seus roteiros controversos. "Bully" é um caso a parte, funcionando não só pelo gradativo efeito de irritação de seu protagonista e sua inaptidão para reagir, como pela total versatilidade de transformá-lo num delicada drama, quando Louie consegue seguir o garoto até sua casa. O episódio termina com dois pais discutindo as dificuldades de se criar filhos, o que provoca incômodas risadas apenas pelo absurdo da situação.
Outros destaques: "Poker/Divorce", "Dentist/Tarese".


6. In Treatment
"Adele: Week 4"


Falemos da série mais subestimada do ano. Não apenas In Treatment recebeu pouca atenção da mídia nessa temporada, como parece não ter agradado muito os críticos. Mesmo que os pacientes não tivessem sido dos mais atraentes (Frances é com certeza a pior a passar em seu consultório até hoje), na minha opinião esta temporada superou a anterior porque Paul não parecia sentir apenas aquele leve desconforto, mas estava de fato à beira de uma crise. A participação de Adele como sua terapeuta foi fundamental, e já nessa sessão na metade da temporada, ela foi capaz de dar um parecer esclarecedor sobre sua condição. Diria que foi uma temporada de "auto-sabotagem", tanto nos relatos imprecisos de Jesse quanto na atitude calculista de Sunil, que refletiram na postura do próprio Paul, procurando por situações limiares para finalmente tomar uma decisão na vida. A mais notável delas é essa dependência em Adele, tentando transformá-la em sua companheira, que Paul revela também nesta sessão sob o olhar cuidadoso do diretor Paris Barclay.
Outros destaques: "Jesse: Week 5", "Sunil: Week 7".


5. Parks and Recreation
"Sweetums"


DJ Roomba. Só por essa piada, o episódio já merecia um lugar nesta lista. Mas existem outras muitas razões, afinal estamos falando da melhor comédia no ar atualmente. Todos devem concordar que a primeira temporada de Parks&Rec foi um desastre, mas acompanhar sua recuperação logo no começo da segunda foi um imenso prazer. A melhora mais notável provavelmente foi a expansão da cidade de Pawnee, que antes era reduzida literalmente ao buraco no quintal de Ann. Além disso, cada personagem desenvolveu personalidades distintas de humor: o convencido Tom, o atrapalhado Andy, a sarcástica April, a conservadora Leslie, o libertário Ron. Esse episódio capta todas essas mudanças, investindo num interessante conflito entre os ideais de Leslie e Ron para decidir um patrocínio, levando a uma audiência pública com a população da cidade. Enquanto isso, Tom "convida" todos os outros funcionários a ajudá-lo a se mudar de casa, sendo possível acompanhar os primeiros passos do relacionamento de April e Andy, que foi muito bem conduzido pelo restante da temporada.
Outros destaques: "Summer Catalog", "Telethon", "The Master Plan".


4. Terriers
"Sins of the Past"


2010 ficou marcado por Joss Whedon se despedir novamente da televisão após o final de Dollhouse. Porém, foi pelas mãos do roteirista Tim Minear (conhecido no twitter como @CancelledAgain, pelo seu amplo currículo em séries canceladas, como Drive, Firefly e Wonderfall) que tivemos a história mais "Whedonesque" do ano, com direito a altos deslocamentos temporais e trapaças. Mas no centro do episódio era formado um interessante paralelo entre o primeiro contato de Hank e Britt, e a separação da dupla no presente. Há quase uma troca de papéis em vigor, com a obsessão e principalmente o álcool levando os dois até as últimas consequências. Essa é a natureza dos protagonistas de Terriers, que mesmo com todas as suas atitudes condenáveis, continuam sendo extremamente cativantes.
Outros destaques: "Fustercluck", "Asunder", "Quid Pro Quo".


3. Community
"Modern Warfare"


Qualquer outro episódio talvez fosse discutível, mas esse tem o dever de estar em qualquer lista que se preze. Não cansam de dizer o quanto "Modern Warfare" é genial, e eles tem toda razão. Seja pelas finas referências, por todas as situações se adaptarem às características de seus personagens ou por simplesmente ser incrivelmente divertido. Sinto por isso acabar sendo até uma maldição dentro da própria série, estabelecendo um nível tão alto de qualidade, que dificilmente poderia ser alcançado por qualquer outro episódio temático posterior. Mas Community vem mostrando que tem tantas ideias originais sem ter receio de usá-las, o que já parece garantí-la como uma das comédias mais bacanas atualmente. E sabe o que mais me agrada na série? Pasmem, a direção dos episódios.
Outros destaques: "Contemporary American Poultry", "Epidemiology", "Cooperative Calligraphy".


2. Breaking Bad
"Sunset"


A escolha mais difícil, até porque poderia colocar qualquer episódio da metade da temporada em diante sem precisar dar muitas explicações. "One Minute" seria a escolha mais óbvia, tanto pelo monólogo de Jesse todo deformado, como pela cena em que Hank é cercado pelos primos de Tuco. Porém, escolhi "Sunset" como uma forma de homenagear um dos episódios menos lembrados depois do turbilhão de emoções que vem a seguir. É uma homenagem também a última vez que Walter e Jesse dividiram o saudoso RV, que havia sido tão "produtivo" anteriormente. Posso assegurar que a tensão dessa cena só funcionaria numa série audaciosa como Breaking Bad, porque era possível esperar qualquer desdobramento vindo dali. Poderia ser até mesmo o fim da linha para Walt. Naqueles minutos que Hank circulava ao redor do RV como se fosse um tubarão encurralando suas presas, minha cabeça fervilhava com todas as possíveis saídas e suas consequências. E não seriam essas, afinal, as principais questões que cercam Breaking Bad?
Outros destaques: "One Minute", "Fly", "Half Measures".


1. Mad Men
"The Rejected"


Provavelmente a escolha mais controversa da lista, já que todos parecem inclinados a preferir "The Suitcase". Até entendo, a relação desenvolvida por Don e Peggy talvez fosse a mais fascinante da série mesmo, e eles mereciam uma conclusão que levasse a outro nível, além do profissional. Porém, "The Rejected" não conta com nenhuma dessas cenas poderosas e ainda assim não cansa de me impressionar. Para se ter uma ideia, revi o episódio antes de montar a lista, o que se não perdi as contas já é a sexta vez. Seu ritmo é mais cadenciado, seus temas mais contidos, tudo para retratar o relacionamento mais obscuro da série, a ligação entre Pete e Peggy. Um dos elementos que valorizo nas séries de tv quando comparado a filmes, é a capacidade de se expandir os personagens coadjuvantes, indo além de meros suportes (até no próprio termo em inglês) ao protagonista. O passado que compartilham juntos transparece em cada diálogo ou troca de olhares. E isso fica bem claro na montagem final do episódio, provavelmente uma de suas cenas mais memoráveis, sem precisar dizer sequer uma palavra.
Outros destaques: "The Suitcase", "The Beautiful Girls", "Blowing Smoke".

Fotos: Divulgação.



Assim, encerro minha participação por mais um ano, desejando a todos os comentaristas e leitores do blog um feliz ano novo. Que 2011 chegue repleto de realizações, saúde e promissoras séries. Grande abraço a todos.

e.fuzii
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

[Terriers] A melhor estreia de 2010

ou Como terminei este ano
(este texto não contém spoilers)
Para aqueles que me seguem no twitter, não deve ser novidade alguma minha admiração por Terriers. Alguns provavelmente até perderam a paciência por lerem tantos elogios semana após semana. Mas há algumas semana atrás, caiu como uma bomba -- ao menos para aqueles que acompanharam a série -- o anúncio do próprio presidente da FX, John Ladgraf, vindo a público justificar o cancelamento após uma brilhante primeira temporada. Isso pode parecer pouco usual, ainda mais para a produção do canal com menor audiência de todos os tempos. Para os executivos da FX, a razão para Terriers não ter vingado estava nas delicadas sutilezas de seu roteiro, que exigiam um certo compromisso dos espectadores até que fossem de fato cativados. Já outros atribuem o fracasso de audiência ao péssimo trabalho de marketing, desde o nome que levava a crer que se tratava de uma história ligada a cães, como por todo o material de divulgação. Mas não quero me aprofundar nestas questões, porque o importante mesmo é que através deste anúncio, o presidente da FX tinha consciência da qualidade que estava levando ao ar. Claro, não foi a primeira e nem será a última vez que isso acontece, mas faço questão de deixar registrado meu tributo final a Terriers, quem sabe servindo até para que alguém ainda venha a se interessar pela série. Só digo que assim como tantas outras a integrarem a lista de canceladas injustamente, num mesmo patamar que incluiria Freaks and Geeks e Firefly, Terriers continua valendo a pena ser vista porque a primeira temporada fecha a maioria de seus arcos e conta com um final bastante satisfatório. E claro, como se isso já não bastasse, a jornada de seus personagens durante os 13 episódios é extremamente gratificante.

Confesso que não é nada fácil escrever sobre a série, ou tentar explicar por que esta é a melhor estreia de 2010, num ano que tivemos novas produções assinadas até por David Simon e Martin Scorsese. Como sempre seu sucesso -- em termos de qualidade, claro -- pode ser atribuído a uma combinação de fatores, a começar pela parceria de seu criador Ted Griffin, roteirista de Ocean's Eleven, com o produtor Shawn Ryan, criador de The Shield. Ironicamente a série também trata da relação estabelecida entre uma dupla de investigadores particulares, Hank e Britt, envolvidos toda semana em histórias praticamente tiradas de um filme noir clássico, ambientadas numa ensolarada Ocean Beach. Como se pode reparar, eles não estão presos a velhas convenções do gênero, em que um personagem segue a risca a cartilha para combater o crime enquanto tenta lidar com a rebeldia de seu parceiro. Muito pelo contrário aliás, ambos trafegam nestas duas direções quando tentam levar os casos até suas últimas consequências e não fazem a menor questão de esconder suas imperfeições. O passado dos dois não poderia ser mais significativo: Hank é um ex-policial dispensado do serviço por desvio de conduta, e Britt é um ex-criminoso acusado de crimes leves. Portanto, a série não mostra nenhuma predisposição para julgá-los, o que garante que mesmo nas suas piores decisões ou impulsos, os personagens tenham profundidade suficiente para se manterem sempre cativantes.
O lema de Terriers é que Hank e Britt são "pequenos demais para falhar", o que já gerou todo tipo de paralelo com a questão do cancelamento prematuro. Porém, a fama de azarões já pode ser acompanhada desde seu início quando a série começa apresentando um longo arco, parecendo muito maior do que eles poderiam suportar, mas que logo é moderado e dá lugar a pequenos contos de Ocean Beach, dando vida à cidade diante de nossos olhos. Esses casos aproximam cada vez mais a dupla, que com seu bom humor e perspicácia provam ser capazes de resolver qualquer problema enquanto juntos, mas que separados continuam tendo poucas chances de sobreviver. Afinal, em meio a tantas conspirações, viradas de roteiro, mentiras, chantagens e até assassinatos, Hank e Britt mostram que no fundo travam conflitos ainda maiores em seus corações, a medida que tentam conquistar o respeito das mulheres que tanto amam. Hank continua apegado ao seu relacionamento com Gretchen, que agora está prestes a se casar novamente. Britt vive um sólido namoro com Katie, mas diante de uma previsível estagnação tem medo de tomar um passo adiante. Vale destacar também a participação da irmã de Hank, mentalmente instável demais para conviver em sociedade, mas que garante momentos intensos logo quando tira os personagens de suas zonas de conforto. Aliás, esse talvez seja o principal destaque do roteiro da série, exigindo sempre o máximo de todo seu vasto elenco de atores. Sabe quando você admira um ator mas lamenta pelas poucas chances dadas para mostrar seu talento? Ou quando sente certo alívio pelo cancelamento de uma série, torcendo para que alguns dos atores possam ter melhores oportunidades? Pois em Terriers ocorre justamente o contrário: Donal Logue e Michael Raymond-James tem a atuação de suas vidas e em poucos episódios já criam uma sintonia impressionante. Certamente o maior pecado deste ano, e a principal razão para se lamentar o cancelamento da série, seja a separação forçada desta parceria que prometia ainda nos surpreender e durar por muitos e muitos anos.

Fotos: Divulgação.



Sentia que Terriers merecia esse texto principalmente para compensar a recepção fria dos "entendidos" em televisão de nosso país, capazes de descartá-la apenas assistindo ao episódio piloto. Se cabe um desabafo aqui, apesar de 2010 ter sido excelente para a televisão tanto pelas estreias quanto pela superação de muitas séries nessa temporada, acho que nunca havia me deparado com tantos textos equivocados ao longo de todos esses anos. O fênomeno dos blogueiros que tudo sabem parecia ser passado, mas nunca se viu tanta gente com opinião sem embasamento neste meio, chegando ao cúmulo de ainda se referir às séries como enlatados americanos, apenas para concluir que a televisão emburrece os homens. Isso sem esquecer de todos aqueles que pularam de pára-quedas no assunto agora que a grande Cahiers du cinéma resolveu dar capa a Mad Men. Gente que ensina aos outros o que deve assistir, que faz listinha das séries "de qualidade", que faz birra quando sua série é cancelada. Gente preocupada com audiência, sendo que nosso país vive na margem disso tudo, se contentando com migalhas trazidas pela televisão a cabo através de syndication ou de curiosos que procuram pelas novidades na internet. A questão não é quantidade de informação, mas qualidade. Enquanto no mercado americano vemos críticos cada vez mais competentes despontando e tendo oportunidades, aqui não temos sequer um norte para seguir e precisamos nos contentar com opiniões distribuídas a esmo. A esse respeito, vale uma lida num texto do Jim Emerson fazendo uma interessante parábola entre crítica de cinema e uma cena de Rubicon -- outra das séries estreantes a ser cancelada nesta temporada --, e que acaba também motivando uma discussão valioso no campo de comentários. Crítica, para ele, não é uma questão de reduzir um episódio ou uma série à sua opinião, mas o inverso, aprofundá-los através de suas percepções. Enquanto ninguém estiver disposto a encarar a televisão com essa seriedade (que não deve ser confundida com rigidez ou formalidade), continuará sendo tarefa árdua acompanhar os blogs ou cadernos de jornais dedicados ao assunto.

Bem capaz de na semana que vem ainda ir ao ar minha lista de episódios favoritos do ano, contendo também análise das temporadas dessas séries. Até lá um feliz Natal a todos!

e.fuzii
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

[The Event] Bacana e capaz de ser o novo Lost?

Por Danielle

Comecei a ver The Event desconfiada. Pretendia ser "o novo Lost" enunciado por alguns especialistas de TV. Meu medo era se transformar no "novo Flash Forward". Mas ainda bem que o pessoal de The Event resolveu não ser "novo coisa alguma", simplesmente uma série de TV baseada num mistério até não muito complexo e mitologia já usada em X Files e Fringe. Convenhamos, não dá pra almejar ser revolucionário com  aliens, parece que tudo já foi dito sobre eles. Além das séries que citei acima (Fringe é analisada aqui no Ces por Alison), há uma infinidade de filmes que serviram de referência a Event. E isso não é nada ruim. Taí uma série que mostra respeito as suas predecessoras, citação cult as pencas e um elenco muito, muito bacana. Blair Underwood é tudo aquilo que Obama deveria ter sido e não foi como presidente. Tem aura de herói, maneirismos de mocinho e politicagem de canalha.

Mas quem rouba a cena mesmo é a vilã (?) Sophia. Laura Innes está inspiradíssima, transmite força, delicadeza e mistério na medida certa. As tramas paralelas são suficientemente interessantes. Bom, aliens são legais...ou não!

The Event é transmitida no Brasil pela Universal que, ainda bem, não caiu na cilada de dublar suas séries. Estou acompanhando pela Tv e ano que vem - com o retorno dos episódios inéditos - comento sobre o rumo das coisas. Terminamos com a iminência de um desastre nuclear, passando para uma comunicação com "eles". satélite alien é ágil? Vamos ver o que o filho de Sophia pretende.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

[FNL] 5x06 Swerve

Para uma série que nunca teve medo de encarar as consequências das escolhas de seus personagens -- às vezes levando além até dos limites aceitáveis --, não chega a ser surpresa nenhuma que Julie e Vince estejam agora envolvidos em tramas trazendo lembranças que gostariam de esquecer. Julie, que até então vivia a história mais delicada desta temporada em sua nova vida universitária, procura pelo suporte de sua família em Dillon. Porém, o receio de revelar seus segredos levam a garota a tomar outra decisão tola para retardar sua partida. Dramático até demais, isso para alguém que um par de cenas depois já está desabafando com Tami Taylor num restaurante. Lidar com esse problema provavelmente levará à maior crise da família Taylor, já que Tami ainda parece hesitante mas não quer deixar sua filha desamparada, enquanto Eric mostra-se claramente desapontado com sua conduta. Coach Taylor "caçando" sua filha pelos corredores para obrigá-la a voltar para a universidade talvez tenha sido a cena mais perturbador a se desenrolar naquela casa. Mesmo que os fins de forma alguma pudessem justificar os meios, certamente a impressão seria outra sem ter tolerado por tanto tempo esse affair tedioso longe de Dillon.
Já os problemas de Vince parecem mais graves, até porque a volta de Kennard representa um risco tanto para sua vida quanto para sua família. O arco de seu pai, que parecia estar sendo direcionado para atingir a redenção, sofreu um pequeno desvio neste episódio e ganhou complicações interessantes, assim que ele assumiu a responsabilidade de proteger o filho. Embora Vince ainda não saiba os meios que seu pai teve de recorrer para afastar Kennard, esse ato com certeza fez surgir um reconhecimento que antes não existia. Afinal, hoje Vince tem tudo a perder: sua carreira promissora no futebol, o respeito de seus colegas de equipe, as responsabilidades dentro de sua casa e o excelente papel que vem desempenhando ao cuidar dos irmãos de Jess. Mas parece certo, principalmente por toda a hesitação diante da casa de Coach Taylor, que esse perigo ainda deve voltar a perseguí-lo. Afinal, como aconteceu por tantas vezes com outros jogadores, mais cedo ou mais tarde todas as ocorrências acabam chegando em Coach Taylor. Além disso, como já disse anteriormente, nenhuma decisão, seja de Vince ou de seu pai, acaba passando em branco na série.

Provavelmente essa característica seja o principal atestado de qualidade da série, de dar profundidade até ao menor dos detalhes. Sua própria postura distinta ao tratar do futebol colegial pode ser vista neste episódio, não se preocupando com a partida em si, mas com tudo aquilo que rodeia e motiva seus jogadores. Luke descobre através de Vince que pode estar tomando uma rasteira da TMU e isso com certeza afetaria seu desempenho em campo. Mas através dos cuidados de Billy Riggins, e após desprezar todo orgulhoso (e bêbado) o falso interesse da universidade, o jogador volta a se concentrar e termina sendo o grande destaque da partida. Desde o início da temporada, já me agradava bastante essa ideia de dar espaço para o casal Riggins, mas não esperava que eles poderiam ser os grandes destaques do episódio, Billy pelo seu discurso motivador no vestiário dos Lions e Mindy pela hilária forma de aproximar Luke e Becky na festa pós-vitória. Grandes séries são assim, superam a dificuldade de perder personagens importantes ao longo do caminho investindo em figuras já conhecidas, que sempre serviram muito bem como coadjuvantes.

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

[FNL] 5x05 Kingdom

Depois de investir pesado no drama pessoal de seus personagens durante essas primeiras semanas, os autores resolveram dar um tempo nessas tramas e deixá-las um pouco de lado, para assim concentrar-se nos Lions como uma equipe. Dessa vez os jogadores precisam viajar até Kingdom, onde enfrentariam os Rangers, aqueles mesmos que na premiere da temporada passada tinham pela frente uma equipe dos Lions ainda em formação e aplicaram uma dolorosa surra, deixando Coach Taylor sem outra opção além de desistir e preservar seus jogadores. Portanto, além de disputar uma partida fora de casa, o time ainda precisava enfrentar um trauma de seu passado. Após mais um péssimo início de jogo, com os Rangers controlando a partida na base da força física, Coach Taylor tem de tomar outra decisão crucial para revertar essa situação, colocando a equipe para praticar um futebol de alto contato ao tomar como base suas próprias regras. O resultado é uma vitória de virada, mas que deixa todos em alerta para possíveis punições pelo excessivo número de infrações dentro de campo.

Mas o grande mérito do episódio foi promover a união dos Lions fora de campo, através de diversas cenas em que os jogadores se relacionavam e mostravam suas dúvidas, ambições e anseios. A longa viagem de ônibus, uma conversa descontraída entre as sacadas do hotel, a comemoração pós-vitória. Novos personagens, como Hastings e Buddy Jr, tiveram a oportunidade de se adaptar a esse contexto, enquanto velhos conhecidos puderam aprofundar ainda mais sua relação. Fico curioso para saber como Vince e Luke, colegas de quarto na própria concentração, irão reagir com essa disputa para chegar à TMU. Também parece evidente, pela aproximação entre o pai de Vince e o olheiro da TMU, que não será nada fácil para Coach Taylor lidar com todo esse assédio pelo seu capitão. O que me pareceu mais intrigante é que vários pequenos detalhes levavam a crer que essa viagem terminaria em desastre, como o ônibus quebrando no meio da estrada, Hastings colocando bebida escondida em sua mala ou a fuga do hotel para uma festa de comemoração entre os principais jogadores. Numa segunda temporada de desespero, aliás, essas ameaças certamente se concretizariam. Porém, numa temporada de despedida os personagens apenas levam esse espírito de equipe às últimas consequências, deixando seus corpos marcados para sempre como eternos jogadores dos Lions.
Enquanto isso, Julie Taylor continua vivendo sua vida de isolamento longe de Dillon, um tipo de situação que Friday Night Lights sempre teve dificuldades para lidar. Mas felizmente esses parecem ser seus últimos dias na universidade, já que assim como previa, seu caso com o tutor acabou em um escândalo assim que sua esposa descobriu tudo. Resta a Julie apenas voltar para Dillon e procurar por conforto no lar dos Taylors, provavelmente em definitivo. Ou ao menos assim todos nós esperamos.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

[FNL] 5x04 Keep Looking

Apesar de ambientada em uma cidade que vive sob a influência do futebol colegial, Friday Night Lights nunca se esforçou para desenvolver episódios temáticos, tentando relacionar seus personagens através de um mesmo assunto. Mas neste início de sua temporada final, chama atenção a quantidade de relações estabelecidas entre pais e filhos que vem sendo abordadas. Não é de hoje que a série explora este tema, mesmo o breve retorno do pai de Matt Saracen a Dillon há algum tempo atrás, provocou reação bem similar a essa que acompanhamos agora com Vince. E assim como Saracen tinha de assumir uma posição invertida nesta relação, após tanto tempo cuidando sozinho de sua avó, Vince também precisa manter seu pai longe de qualquer desvio que possa decepcioná-lo mais uma vez. Além do interesse repentino na carreira do garoto, justamente diante de um futuro promissor em uma universidade, ainda deixarem incertas as reais intenções nesta nova aproximação. A grande ironia é que Vince não acredita que seu pai possa mudar, quando ele mesmo é a maior prova disso. É neste exemplo também que Buddy Garrity resolve se apegar com a chegada de seu filho, já que todas as tentativas de controlar seu comportamento abusivo foram frustradas. No final, Buddy acaba recorrendo à disciplina do East Dillon Lions, com a esperança de que seu filho tenha herdado a mesma dedicação pelo futebol.

Enquanto isso, Becky é obrigada por seu pai a voltar a viver com sua madrasta, mas é acolhida por tempo indeterminado no lar dos Riggins, assim que Mindy presencia a encrenca em que a garota está envolvida. Com uma imensa eficiência ao construir essa aproximação das duas, Becky se oferece a fazer qualquer serviço que for necessário na casa, e me deixa com altas expectativas com esta estadia. Ela ainda encontra Luke na festa do luau que promete voltar para resgatá-la assim que possível, mas Becky continua sentindo a ausência de Tim em cada foto espalhada pela casa dos Riggins. Da mesma forma que os Taylors também sentem a falta de Julie, arrumando até desculpas para telefoná-la, enquanto a filha continua passando pelo difícil isolamento desta nova vida. Neste episódio sua trama foi até reduzida, com duas cenas breves ainda indicando seu interesse pelo tutor, mas que continuam sendo o grande problema da temporada. Não me agradou também a atenção dada a Epyck, que de forma rasa continua sendo a típica garota problemática, avessa às regras da escola. Pode até virar um caso interessante para Tami Taylor lidar, mas que espera muito mais desenvolvimento adiante. Por outro lado, agora vejo com bons olhos esta "invasão" de Jess ao vestiário dos Lions. Não só pela dedicação e responsabilidade com os equipamentos do time, como pela possibilidade de conseguir até uma vaga como coordenadora, já que sua observação sobre o posicionamento da equipe foi bem recebida pelos técnicos quando levado por Billy. As discussões que esse fato gera na relação de Jess e Vince podem não ser tão interessantes, mas quando isso bagunça o vestiário de Coach Taylor chega a ser bem divertido -- sua saída pela direita ao presenciar a discussão do casal pela primeira vez, por exemplo, foi sensacional.
Porém, o episódio foi mesmo marcado novamente pelas relações entre pais e filhos. Quando Friday Night Lights resolve investir nesses temas familiares, fica impossível não lembrar de como Parenthood trabalha esse mesmo tema. Parenthood parece assumir poucos riscos e sempre investir numa mesma fórmula, de que todos os problemas podem ser superados através da sólida estrutura familiar dos Braverman, mas nem por isso deixa de ser uma das séries mais prazerosas da atualidade. Ao final de um de seus episódios, por exemplo, é bem capaz de que você esteja convencido a mudar-se para os EUA, constituir uma família apenas para passar um Halloween como os Braverman. A comparação pode parecer injusta -- como todas normalmente são --, até porque as séries lidam com públicos diferentes e em emissoras diferentes (embora Friday Night Lights também chegue à grade da NBC posteriormente na midseason), mas não custa lembrar que ambas são comandadas por Jason Katims com extrema competência. Então, se você já está sentindo saudades de Friday Night Lights por antecipação, dê uma chance a Parenthood, até porque uma boa parte do elenco de Dillon já arrumou uma vaga, mesmo que temporária, em sua contraparte da Califórnia.

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

[Fringe] 3x05 6955 kHz

por Alison do Vale


Não via nada de mais nesse episódio no princípio. A questão da misteriosa frequência de rádio que transmitia uma sequência numérica em vários idiomas parecia ser apenas mais uma "ação terrorista" do outro lado. Mas não: o que esses números escondiam era grandioso. Quem acompanhava "LOST" deve ter ficado com a pulga atrás da orelha com a história de números misteriosos transmitidos via rádio, não?
O trabalho de Astrid ao decifrar o código numérico foi fabuloso. Eu, inclusive, aproveito pra dizer que gosto muito quando aproveitam melhor a moça. É um personagem que merece mais espaço e foi de modo bastante inteligente que ela desvendou o que estava por trás dessa transmissão.

A primeira questão levantada foi como aquela transmissão foi capaz de apagar a memória daquelas pessoas. Só que mais importante do que o "como" foi o "porquê". Ficou claro que havia algo naqueles números que alguém estava querendo esconder. Algo que aquelas pessoas estavam prestes a descobrir.

Ajudados pelo dono do sebo, que era um dos aficcionados pelas chamadas "Estações Numéricas", conseguem uma edição rara de um livro denominado "As Primeiras Pessoas" que conta uma história aparentemente absurda mas ao mesmo tempo fascinante de uma civilização anterior aos dinossauros dotadas de uma tecnologia avançadíssima. Foi aí que a história me pegou. Sempre fui interassado em civilizações antigas como as pré-colombianas, a egípcia, etc mas também as histórias envolvendo Atlântida e seu suposto desenvolvimento tecnológico alcançado através do domínio dos cristais que apesar de tê-los avançado tecnologicamente teria sido o responsável também pela sua extinção. Soou então mais forte ainda a referência quando em determinado ponto do livro o autor descreve a grande descoberta desse povo antigo: uma máquina poderosíssima a que chamaram de "O Vácuo". Essa máquina seria capaz de criar e destruir.

Enquanto os agentes avançavam cada vez mais na investigação e se aproximavam do criminoso responsável pelas transmissões Bolivia ia ficando aflita e apreensiva. O envolvimento dela era óbvio e estava se desenhando como parte de sua missão. O homem por trás da frequência de rádio era um metamorfo a serviço de Walternativo. Só que, ao contrário do que pensava o FBI, a intenção na transmissão não era apenas apagar a memória de algumas pessoas mas principalmente atrair a atenção de Peter e os outros para esses números que, como descobriu a agente Farnsworth, eram coordenadas - pontos espalhados por todo o globo de locais aparentemente comuns. Mas foi um ponto em particular que chamou a atenção: o lugar onde encontraram as primeiras partes da máquina do holocausto; a máquina que tanto atormenta Peter e que ele deveria terminar. Peças enterradas há milhões de anos de uma máquina capaz de destruir um dos dois universos.

Começa um novo momento em Fringe. O arco final parece estar se formando. Com Olivia do outro lado já sabendo quem é e as peças do aparelho bizarro de Walternativo já podendo ser encontradas a definição dessa guerra está cada vez mais próxima.
Apesar disso ainda há esperança. Seja pelas palavras de Nina Sharp tentando levantar o otimismo de Walter enquanto fumavam um "baseadinho" na universidade ou mesmo nas citações do livro de Seamus Wiles onde afirma que O Vácuo era uma máquina de destruição mas também de criação.
Peter demonstra que não vai desistir de encontrar uma solução pra preservar a vida não só dos inocentes desse lado mas também do outro universo e entender como funciona o dispositivo pré-histórico é primordial nesse momento. É ainda possível perceber uma fagulha de questionamento nas ações da falsa Olivia. Esse contato com o lado de cá e com o próprio Bishop pode estar fazendo com que ela perceba que escolher um lado pra lutar talvez não seja a melhor opção até por que se até mesmo os metamorfos são passíveis de sentimentos, o que dirá uma humana que não podemos esquecer está cumprindo ordens e acredita ser tudo por um bem maior.

Um último detalhe bastante curioso é o nome do autor do livro: Seamus Wiles é um anagrama para Samuel Weiss, o mesmo nome daquele cidadão esquisito, dono do boliche, que ajudou Olivia a superar o trauma-pós-travessia-entre-universos e que até hoje não sabemos como ele tinha tanto conhecimento sobre o outro lado e todas as outras coisas.

Será que ele vai voltar a aparecer? É bem provável que ouçamos novamente falar dele e quem sabe não seja a ajuda que faltava pra trazer a Dunham pro lado de cá.


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[Alison do Vale]
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domingo, 28 de novembro de 2010

[Fringe] 3x06 Amber 31422

por Alison do Vale

Já há algum tempo que conhecemos o Âmbar, aquele casulo alaranjado criado pelo Walternativo para conter as anomalias geradas pela visita de Walter ao Universo Paralelo. O que não podíamos imaginar é que as pessoas presas na substância denominada Amber 31422 não estavam mortas e sim em estado de animação suspensa. O caso da semana gira exatamente em torno dessa descoberta onde um irmão tenta salvar o outro que está em estado latente preso dentro da resina. Fato interessante é que os irmãos são gêmeos num paralelo muito feliz entre a situação de Olivia e Bolivia em que percebemos que o julgamento apenas pelos aspectos físicos podem ser absolutamente falhos.

Se não tivemos a ação frenética que vem sendo comum nessa temporada pudemos nos deparar com uma discussão ética fantástica. Na temporada passada já discutíamos a respeito das ações de Walternativo. Até que ponto um homem pode ir por causa de um filho? O sequestro de Peter gerou diversos resultados catastróficos no lado de lá mas também mexeu no modo como o agora Secretário de Defesa vê as coisas. Ambos Walters agiram de forma [quase] irracional quando a questão envolvia a vida de seu filho. Seja o nosso Dr. Bishop quando criou um modo de atravessar pro outro lado e dar a cura pra Peter ou o Walternativo invadindo o nosso mundo pra recuperá-lo. Fringe tenta mostrar que ainda não podemos definir quem é certo ou errado nessa história. Fica a sensação de que todos são, na verdade, vítimas. Isso pode ser provado pelas palavras do próprio Walternativo quando ele diz que "a natureza não reconhece bem ou mal. Apenas reconhece equilíbrio e desequilíbrio".

Nessa busca pelo "equilíbrio" Dunham tem papel fundamental nas mãos do Secretário. Através de um método que nos remeteu aos primeiros experimentos, ainda na primeira temporada, com Olivia submersa no tanque com água e os psicotrópicos. Claro que dessa vez o tanque é bem mais sofisticado e o resultado é atingido com sucesso. Sim, a agente é capaz de atravessar entre os universos em segurança e o responsável por isso é a substância colocada em seu cérebro ainda na infância: o Cortexiphan. Mas o que talvez não esperava Walternativo é que esses testes fossem servir de referência e prova definitiva para que Olivia restaurasse sua mente e finalmente lembrasse quem ela é de verdade. Ajudada também pela projeção de Peter criada pela sua mente ela recupera sua identidade e agora terá que viver esse personagem enquanto procura um modo de voltar pra casa.

O caso da semana fez com que o episódio se tornasse um pouco mais morno diminuindo assim o ritmo da história. Mas nem assim foi um capítulo ruim. Nessa temporada a tônica vem sendo uma coerência na escolha dos casos de modo a fazerem um link funcional entre a mitologia da série e a história do episódio.

Imagens: reprodução

[Alison do Vale]
twitter: @menino_magro


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

[CHUCK] 4x03 a 4x08

A quarta temporada de Chuck, já em seu oitavo episódio, mexeu na fórmula tradicional da série, mas até agora não encontrou uma combinação capaz de substituí-la.

Que a série tem problemas não é nenhuma novidade, mas eles nunca tinham eclipsado os bons aspectos da série como está acontecendo agora. A decisão de mexer na fórmula que a série trazia desde seu início aparece como maior culpada pelo desastre que vem sendo esta temporada. Chuck, Sarah e Casey tinham química e funcionavam bem como uma equipe, mesmo que eventualmente separados, algo que nunca mudou ao longo da série, mesmo quando o papel de Chuck no time mudava acompanhando a evolução das diferentes versões do Intersect. Episódios com leves mudanças nessa fórmula traziam um sopro de ar fresco à série e evitavam que a fórmula tradicional cansasse. Por exemplo, os episódios em que Morgan foi forçado a atuar como espião ao lado de Casey. Eles casaram bem as partes de espionagem e comédia e trouxeram de volta aspectos cômicos do início da série que foram ficando para trás conforme Chuck adquiria experiência como espião. O maior trunfo desses episódios, porém, foi ter redimido Morgan, até então um personagem irritante e mal utilizado. Levando isso em conta, não é de se espantar que a parceira Morgan-Casey fosse mais explorada na quarta temporada da série, mas quem disse que era uma boa idéia separar o time Chuck, Casey e Sarah? Parece que nenhum dos responsáveis pela série ouviu a expressão "em time que está ganhando não se mexe".

Um dos aspectos mais criticados da terceira temporada foram os problemas da relação de Chuck e Sarah. A criação de obstáculos para manter os dois separados e o foco excessivo nos dilemas da reação irritou muitos fãs. Ninguém em sã consciência pensaria que trazer isso de volta seria uma boa idéia. Mas ao que parece, os roteiristas de Chuck não estão em sã consciência. Brigas de casal e discussões sobre o futuro da relação intercalam com seqüências de ação. Eu, e acredito que a maioria dos fãs também, assiste Chuck esperando um misto de comédia e ação com um tom nerd, não DRs. Dito isto, não é de se surpreender que o melhor episódio até aqui, Chuck Vs. the First Fight, é aquele que mais investiu nos aspectos que fizeram a série dar certo e deu pouco espaço para os pontos fracos (apesar de eles ainda terem mais espaço do que mereciam).

Alguns podem paensar que Chuck Versus the Fear of Death mostra uma evolução e sinaliza a volta da série à boa forma, mas eu não diria isso. O episódio teve de fato mais ação e alguns dos problemas mencionados antes foram amenizados, porém outros problemas ocuparam seu espaço. Jim Rye não se mostrou um bom personagem. Não é cativante ou engraçado, muito menos "awesome" no estilo Casey. Seu papel no episódio também não foi bom. Poderíamos ter ficado sem ele. O tema herói perde seus poderes e tenta recuperá-los é batido; Chuck conseguiu transformar situações clichês em bons episódios no passado, é verdade, mas nesse caso não funcionou.

Quando a temporada começou, estava animado com o que a série prometia e esperava uma boa temporada, principalmente devido a melhora na reta final da temporada anterior confirmando que Chuck tinha potencial. Infelizmente o potencial foi desperdiçado e nos foi dado uma bagunça. Eu ainda acho que a série pode se recuperar, mas quanto mais episódios vão ao ar, mais minha esperança diminui.



Allan
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

[FNL] 5x03 The Right Hand of the Father

É com mais uma incrível atuação de Vince Howard que os Lions chegam a sua terceira vitória consecutiva, mantendo-se assim invictos na competição. Porém, não há razão para reclamar das vitórias quando esta concede tantas vantagens ao roteiro, principalmente impulsionando a trama de Vince para um emocionante desfecho. Michael B. Jordan apresenta sua melhor performance na série, transmitindo toda a insegurança ao se ver novamente diante de seu pai, liberado da prisão e logo acolhido de volta por sua mãe. Depois de tanto se esforçar para assumir essa posição de homem da casa, Vince sente como se o seu próprio território estivesse sendo invadido. Não à toa, as poucas lembranças do pai que ele se dispõe a compartilhar remetem a uma profunda amargura, chegando a culpá-lo pela dependência química de sua mãe. Já no campo de futebol, Vince também não tem sossego, sendo forçado a assumir seu papel de líder da equipe justamente enquanto questiona a falta de um modelo paterno para seguir durante a vida. É um tema ainda estreitamente relacionado ao abandono das últimas semanas, mas que desta vez leva o jogador ao extremo, a ponto de precisar ser contido por Coach Taylor, que lhe convence a buscar pela melhora dentro de si mesmo.

Mas não apenas o treinador, como Tami Taylor também tem de encarar os resquícios da polêmica festa da semana passada, quando a lamentável condição de Maura acaba resultando num vídeo divulgado por toda a internet. Ambos precisam ser enérgicos para lidar com a indiferença das garotas e a resistência dos jogadores em assumir a culpa. A palestra é com certeza um desastre, mas resulta numa relação de confiança com Jess, algo bastante válido para Tami, que ainda me parece um pouco isolada com a partida da filha e o novo cargo no conselho de East Dillon. E já que falamos de Julie, sua nova vida universitária continua não funcionando, o que pode acabar deixando a personagem desgastada antes mesmo de uma eventual volta a Dillon. Além de ser uma trama até boba e manjada, reduzir as cenas de Julie a apenas vagar solitária pelo campus e esbarrar em seu tutor também não ajudam em nada. Resta saber se esse relacionamento terminará num escândalo ou com Julie decepcionada. Também me pareceu estranha essa decisão de transformar Jess em responsável pelos equipamentos na equipe dos Lions. Não apenas pela situação óbvia de desconforto para Vince e a própria garota no vestiário, como por terem anteriormente quebrado aquele vínculo que ela mantinha com o time no papel de torcedora. Se a justificativa era de que faltaria tempo para tantas responsabilidades, não faz sentido que Jess assumisse mais uma. E por falar em responsabilidade, Buddy está de volta ao centro das atenções com a inauguração de seu novo bar e a chegada prevista de seu filho, que longe dali causa constantes aborrecimentos a sua ex-mulher. Desde a partida de Lyla que a vida pessoal de Buddy não aparecia retratada na série, o que na minha opinião era até um certo desperdício do talento de Brad Leland.
Mas qualquer deslize é perdoado no impressionante final do episódio, quando Vince tem de encarar seu pai mais uma vez após a partida. Há todo um esforço do pai em reconhecer o valor de Vince, não só durante sua ausência, mas pela brilhante apresentação com o uniforme dos Lions. Orgulhoso ele se diz estar, assim como Coach Taylor revelava ao garoto antes da partida. E os roteiristas mostram toda sua competência ao não cair na fácil armadilha de emocionar reparando essa relação prematuramente. Vince com toda sua dureza ainda não é capaz de esquecer todos esses anos, abrindo caminho para que seu pai fosse embora. Mas antes disso, ele não deixa de se preocupar com seu destino ou mesmo apertar sua mão, mostrando que finalmente acatou os conselhos de Jess e de Coach Taylor. Vince está disposto a mudar e se tornar uma pessoa melhor. Pouco importa se ele conseguirá ou não, apenas acompanhar essa sua busca e o empenho em tentar mudar já será magnífico.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

sábado, 13 de novembro de 2010

[Hellcats] S01E03 - Beale St. After Dark

por Isabelle Felix


Hellcats de volta no 3° episódio com mais saias curtas, pompons e problemas financeiros!

Hellcats se classificou para as Nacionais: check!

A Universidade vai cobrir os gastos dos Hellcats para as Nacionais: check!

O time de vôlei se classificou para as Nacionais: check!

A universidade vai cobrir os gastos dos Hellcats para as Nacionais: NOT check!

Añh? Cuma? Pois é! Simples, Volei é considerado um esporte e “cheerleading” não é. Resumo da história? Os Hellcats perderam o apoio financeiro da faculdade e eles tem duas opções para de fato concorrerem nas Nacionais: participarem de todos os torneios para chegarem às finais, bancando a si mesmo ou mandar um vídeo para o comitê julgador e rezar para se classificar. Como todo mundo ali (exceto Alice) é pobre miserável pedinte de esmola (#brinks!), vai rolar o vídeo mesmo e rezar pra dar certo.

Enquanto isso vamos direto para os problemas que realmente interessam! Lembram daquele triangulo amoroso Vanessa-Derick-Red? Pois então! Red chega junto de Vanessa e fala que acha que ela ainda é a fim dele, caso contrário ela não teria mentido a Derik sobre não conhecer ele. Assim sendo, Vanessa resolve se abrir pra Derick e contar toda a verdade (que é bem gostosinha): na época em que ela era uma estudante da Lance University (e cheerleader do time de futebol) ela teve um caso com treinador-estrela da época, Red! Daí já viu, estudante + professor = problema. A universidade descobriu, ele foi afastado da faculdade e o relacionamento acabou. Derick passou a duvidar do relacionamento que ele tinha com Vanessa, pois como confiar numa pessoa que mente pra ele sobre seu passado? Tal dúvida não demora muito tempo quando eles sentam novamente para conversar e Vanessa explica que ela não queria que Derick tivesse uma imagem ruim dela, como uma colegial que destruiu um casamento ao se relacionar com um professor da faculdade. Bah! Eles fazem as pazes e tudo fica bem enquanto esta bem.

Ai, vamos então a nossa heroína linda, loira e japonesa, neh?!

Marti está louca! Ela pega disciplinas para cursar Direito, que é um curso bem puxado, treinar para os Hellcats, estudar, comer, tomar banho e quem sabe (porque não?) ter alguma vida social! Ela obviamente sempre chega atrasada às aulas e sai mais cedo dos treinos. Os colegas do time até a entendem (exceto Alice), mas os professores logo taxam Marti como uma aluna não interessada. Entre eles temos um novo personagem, o professor Julian Parrish (Gale Harold), que é um desses advogados que pega causas grandes de gente que não pode pagar. Ela lança em sala de aula um projeto no qual poucos alunos, delicadamente selecionados, poderão participar e que a Yale e Harvard A-D-O-R-A-M nos currículos dos seus estudantes! Marti se interessa e prontamente Prof. Julian joga na cara dela o quanto ela não tem capacidade/tempo/noção de compromisso para poder se engajar num projeto como aquele. Há! Piada! Marti? Esqueceu que ela é a protagonista do seriado, ow! Pois então, Marti. Se você está tão disposta a participar então resolva o caso super-secreto Kobayashi VS Tennessee!

Marti fica LOUCA estudando, maaaaas Savannah tem um encontro com Dan! E Marti já jogou a real! Dan não namora, só vai atrás de noitadas, Savannah não é bem o tipo de garota que ele vai atrás...Valeeeu Marti! Savannah obviamente fica maluca e resolve cancelar o encontro. Marti caindo em si resolve ajudar, larga os estudos e leva basicamente todo o time para o encontro pra dar apoio, sabe? Tanto apoio que Lewis resolve ficar mandando bebidas para Savannah que fica bebiiinha! *risos*

Ai chega a parte mais divertida de Hellcats, a cena das dancinhas!!! Nesse episódio Marti encontra seus miguxos de streetdance e rola um crossover entre os dançarinos de streetdance e os cheerleaders. Cena bem divertida até Savannah avistar Alice com Jake Harrow (Ryan Kennedy) . Lewis o vê colocando na bolsa de Alice remédios e vai até o bar tirar satisfações. Pra quê? Pra brigar! OBVIU! Duh! E ai? Chupa toda? Nops! Todo mundo pra cadeia! A questão é que fazendo parte do time de futebol da Universidade da cidade, você é estrela e o Sargento faz vista grossa liberando eles quando Red vai lá pra tirar eles da cadeia. Mas Lewis e Dan (Irlandeses...adoram bebidas e brigas...) sobram. E o pior, eles sendo fichados, vai direto para a ficha deles na Universidade e Lewis pode perder sua bolsa-escolar (Gente! Babado! Ele era jogador de futebol e largou o time por motivos pessoais do tipo pessoais! Huuuum...). Marti e Savannah correm para ajudá-los. Nossa loirinha vai direto para o prof. Julian que as ajuda. Enfim, Lewis e Dan são soltos, o encontro foi um sucesso e Marti não fez sua tarefa...

Pra sua sorte, ela encontra seu colega de sala Morgan Pepper (Craig Anderson) que como bom nerd de plantão logo sacou a analogia ao filme de Star Trek, a missão Kobayashi Maru desenvolvida por Spock, a qual mede como a pessoa lida com fracassos. Há! Mais uma vez esqueceram que estamos lidando com a protagonista do seriado que sempre possui cachos perfeitos! Ela une forças com o nerd, criam um caso Kobayashi VS Tennessee e ganham a atenção do professor, além de entrarem para o projeto! Yey! \o/

Pra acabar esse resumo mais feliz, vamos com uma foto do Matt Barr, o Dan!



Fotos: Imagens Google/IMDB/Papelpop.com




Isabelle Felix
Twitter: @bellefelix


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

[FNL] 5x02 On the Ouside Looking In

Nada como uma semana para que minhas preocupações logo fossem dissipadas. No episódio anterior, meu principal receio era que a equipe dos Lions pudesse ser repentinamente transformada em favorita ao título na sua temporada final. Mesmo que os jogadores acumulassem maior experiência e grande parte deles atingisse o limite de idade da categoria, seria difícil acreditar numa condição muito diferente da pífia performance na temporada de estreia. Mas apesar disso, os próprios jogadores acreditam em seu potencial, esperando por uma boa colocação no ranking de equipes divulgado pela imprensa. Chega até ser doloroso acompanhar essa ansiedade dando lugar à revolta assim que descobrem que sequer figuram a lista. Coach Taylor desde o começo segue cauteloso, provavelmente já esperando pelo pior. Mas diante de um quadro tão adverso, contando ainda com uma punição absurda a Luke por um lance perigoso na partida de estreia, ele se vê obrigado a fazer uso dessas perseguições para motivar seus jogadores. Com apenas 5 letras escritas na lousa ("State"), Coach Taylor mexe com o orgulho de sua equipe durante a preleção, mostrando que só terão chance de vencer esse campeonato através da superação de todos.

Essa sensação de desprezo e a procura pelo seu devido reconhecimento expressa pelo título do episódio, além de estar ligada às dificuldades enfrentadas pelos Lions, também serviu para unir grande parte dos personagens, sentindo-se como intrusos em um novo ambiente. Billy tenta ganhar literalmente no grito o respeito dos jogadores, Becky vive dividida entre a desconfiança e as cobranças no lar dos Riggins, Julie tenta adaptar-se a sua nova vida universitária, enquanto Tami encara a total falta de interesse do corpo docente em East Dillon. Conhecemos também a novata Epic, que até então só tomava conta dos boatos, mas agora junto de Hastings tem de procurar por um espaço para se firmar na própria série. Ainda parece cedo para dar qualquer parecer, mas se existe algo que não se pode questionar em Friday Night Lights é a capacidade de lidar com tantas tramas e personagens simultaneamente.

Ainda não ficou claro o que levou Jess a deixar o comando da torcida dos Lions, embora desconfie que seja a maior responsabilidade deixada pelas viagens de seu pai. Neste episódio, ela começa a descobrir o que terá de enfrentar se quiser manter o namoro com Vince. Esse assédio aos jogadores pode até ser tratado com frequência pela série, mas ainda fico curioso para saber como Jess vai lidar com isso, especialmente por sempre ter rejeitado essa cultura do futebol que herdou de seu pai. Situação parecida vive Julie, que mesmo longe de Dillon ironicamente chama a atenção de um dos tutores por seu conhecimento em futebol. Ainda não quero tirar conclusões precipitadas, mas só espero que esse desvio de Dillon (da mesma forma que Saracen no início da temporada passada) não sirva para mostrar mais um de seus relacionamento com um homem mais velho.
Em meio a tantos tormentos, o único alívio pareceu vir da pequena trama de Vince, recebendo diversas cartas de universidades interessadas em seu talento. A comemoração ao lado de sua mãe, tanto aspirando por um futuro melhor quanto pela colocação em um emprego, foram bem emocionantes, dando oportunidade a Michael B Jordan brilhar mais uma vez. Porém, não acredito que todo esse otimismo irá permanecer por muito tempo, até porque as propostas ainda não tem qualquer validade. Além disso, quem acompanhou a série até aqui já está cansado de saber que nenhuma decisão em Dillon pode ser tomada tão fácil assim, não sem envolver grandes hesitações e dilemas.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

[FNL] 5x01 Expectations

Nota: devido a correria na Mostra de Cinema de São Paulo, esse texto acabou entrando atrasado e mais breve do que um episódio como esse merecia. Desculpe qualquer aborrecimento, espero colocar tudo em ordem a partir do final de semana.
Não poderia começar esse texto sem antes também constatar aquilo que provavelmente todos já disseram: estamos diante do início de um desfecho anunciado. Última temporada, a série procurando mais uma vez se reinventar com novos personagens, enquanto velhos conhecidos estão dizendo adeus. Mas o sentimento continua o mesmo: aquela sensação de abandono, compartilhada pela maioria dos habitantes de Dillon, uma cidade "esquecida" no interior do Texas. Tim Riggins é certamente aquele que melhor simboliza esse sentimento, ainda mais agora que tem sua liberdade cerceada, e após ter assistido a despedida de todos os colegas de sua geração. Numa mistura de profunda melancolia e desprezo, resta a Tim se apegar num fio de esperança de que a boa conduta leve a redução de sua pena. Mesmo se sentindo culpado em vê-lo nestas condições, Billy também tem pouco a fazer além de cumprir o desejo de seu irmão e dar suporte a Becky, cada vez mais solitária ao ser deixada para trás aos cuidados de sua madrasta. Se já parece desenhado um provável conflito dela com Mindy, quem deve ganhar maior importância ao longo da temporada é Billy, até por também aparecer integrado ao já inchado quadro de treinadores sob tutela de Coach Taylor. Na contramão de tudo isso encontramos Jesse, que mesmo deixada sozinha tomando conta de seus irmãos, enfrenta essas dificuldades com o apoio confortante de Vince, que já havia demonstrado antes essa mesma responsabilidade paternal ao cuidar de sua mãe.

As expectativas contidas no título do episódio ficam para os últimos dias de Landry e Julie na cidade, que acabam disputando espaço com o início da nova temporada regular da equipe dos Lions. O problema é o quanto a despedida dos veteranos teve de ser sacrificada para dar lugar à trama do novato Hastings, jogador promissor de basquete que Coach Taylor acredita ter potencial para integrar sua equipe. Não apenas a atenção dada ao jogador pareceu excessiva, com Coach Taylor chegando até a pedir a ajuda de Vince e Luke para conseguir recrutá-lo, mas sua participação na partida de estreia dos Lions acaba sendo fundamental para alcançar a súbita vitória, mesmo sem nunca antes ter treinado ao lado dos companheiros. Além dessas viradas de placar se mostrarem cada vez mais previsíveis, chega a me preocupar que queiram transformar a equipe de azarões do ano passado em favorita ao título só para coroar esse final. Porque apesar de muitas vezes ser confundida com uma série sobre futebol, o grande mérito de Friday Night Lights não está nas conquista heróicas ou nas vitórias de último minuto, mas na eficiência dos momentos mais simples, como acompanhar os jantares da família Taylor, a visita à vovó Saracen ou um encontro no estacionamento do Alamo Freeze. Todas as cenas trazem uma carga de singelas lembranças ao mesmo tempo que anseiam por um futuro incerto, garantindo assim uma natural aproximação do espectador.

Certamente a temporada de conclusão deve procurar evocar esse sentimento de nostalgia, não apenas nas despedidas, mas nos já prometidos retornos de alguns de nossos velhos conhecidos para rápidas visitas à cidade. Ainda não sei qual deles estão confirmados para aparecer, mas já bate certa saudade da maioria deles e uma curiosidade pelos seus destinos. Afinal, não se trata apenas de um acerto de contas, mas uma forma de prestar tributo a todos aqueles que construíram a maior história que uma cidade do interior Texas poderia merecer.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

[Fringe] 3x04 Do Shapeshifters Dream of Electric Sheep?

por Alison do Vale

Blade Runner, dirigido por Ridley Scott, foi um tremendo sucesso e é até hoje uma das mais belas obras de ficção científica de todos os tempos. Mas a adaptação do livro de Philip K. Dick, ao qual faz referência o nome do episódio, quis mostrar muito mais do que uma megalópole de visual arrojado, escura e chuvosa. Também foi muito além da "Babel" apresentada com sua variedade de etnias e culturas.
Essa atmosfera criada é apenas o pano-de-fundo para uma discussão muito mais profunda: o que é que nos faz humanos?

No quarto capítulo desta terceira temporada de Fringe os shapeshifters são o foco. Quem não se surpreendeu com o tamanho da influência adquirida por essas criaturas? Chegaram aos mais altos postos do governo e sabe-se-lá mais quantos estão agindo sob a tutela de Walternativo. Nós já conhecíamos sua força sobre-humana e como são comprometidos com sua missão, sendo assim verdadeiras máquinas de morte. No entanto, além de sangrarem mercúrio e poderem mudar de corpo descobrimos uma nova característica: a exemplo dos replicantes de Blade Runner, eles podem sentir. Afeto, carinho, tristeza... sensações tão comuns à nós humanos agora expostas através do shapeshifter com família; e nas palavras dele "até mesmo os monstros podem ser incrivelmente doces, puros e capazes de amar".
O que vemos é que esses vilões podem ser também vítimas. Vítimas de um ser cruel e mais desumano que eles: o Walternativo.

Impressionante também o fato de que, não bastassem todas as características físicas que tornam esses seres super-soldados, eles são também verdadeiros bancos de dados.
Enquanto busca, com a ajuda de Astrid, descobrir onde ficam armazenadas as informações coletadas, Walter nos garante as já tradicionais risadas e continua impagável. Já havia sido hilário anteriormente dando uma "aula" aos cientistas da sua recém-adquirida empresa sem as calças. E como previsto é no seu novo laboratório que como uma criança ávida por saber ele relembra da obsessão de William Bell por dinossauros e assim desvenda o local do corpo que abriga o "disco rígido" da criatura.

Entram então em ação Newton e Bolívia na intenção de boicotar os planos do FBI e de Walter.
Numa sequência de ação alucinante com direito a enfrentamento entre Walter e o metamorfo, os bandidos conseguem recuperar o disco e após uma perseguição Newton é encurralado, capturado e posteriormente se suicida na prisão pra preservar as informações que ele mesmo continha. Os dados do senador Van Horn são pegos pela Dunham Falsa que consegue chegar antes dos outros ao carro de Newton e assim manter o seu disfarce vivo por mais tempo.
Disfarce esse que já começa a gerar especulação, principalmente por parte de Peter que se mostra bastante desconfiado da grande mudança de comportamento de Olivia. Só que enquanto a loira conseguir levá-lo pra cama parece que ele vai esquecer a "investigação". =P [mas sinceramente isso não me convence muito não. Ou ele está fingindo acreditar nela pra ir mais à fundo ou é incoerente, porque duvido que um cara tão esperto e inteligente como ele, que inclusive no início do episódio fazia uma análise tão consistente das pessoas no restaurante não consiga suspeitar de nada].

Mais uma vez temos escancarada a vantagem que o Outro Universo tem sobre o lado de cá. Há quanto tempo os metamorfos se infiltram? Os documentos encontrados no gabinete do ex-senador dão a entender que não é pouco.
Talvez a questão que levantei no comentário do episódio anterior ganhe força agora e "membros' do outro lado possam sim trocar de lado, já que esses shapeshifters tem capacidade de questionar suas ordens e quem sabe combatê-las.

O episódio foi ótimo. O que nos deixa ainda mais ansiosos pelo próximo.
Mas episódio inédito só dia 5 de novembro.

Imagens: reprodução

[Alison do Vale]
twitter: @menino_magro