quarta-feira, 28 de julho de 2010

[Spartacus: Blood and Sand] S01E11 - Old Wounds

por Rafael S


Feridas antigas nem sempre saram, e são carregadas como uma lembrança do fato para o resto da vida. Para Spartacus, não foi diferente. Todas as suas marcas (físicas e psicológicas) reapareceram para atormentá-lo nesse belo episódio.

Ainda transtornado pela morte de Varro, o herói começou a render menos nos treinamentos, gerando muita preocupação para Batiatus acerca do futuro nos jogos contra Pompéia que se aproximavam. Para onde olhava, o trácio via seu finado amigo, lhe perseguindo como uma assombração. E para piorar sua situação, Sura começou a aparecer em seus delírios também. Logo ela, uma ferida que Spartacus já havia tentado esquecer ao máximo. E sobrecarregado de fantasmas desse jeito, ele caiu. Desabou em doença, resultado de uma forte febre e da ferimento infligido por Varro na "exibição", que não parava de verter sangue. Sem opção e vendo sua esperança de êxito na batalha esvaindo entre seus dedos, restou a Batiatus escalar Crixus como seu grande gladiador na luta até a morte contra Pericles.

Crixus, outrora campeão de Cápua, desde sua quase-experiência de morte contra Theokoles viu seu posto ser assumido por Spartacus. E ele carregou consigo não apenas as feridas deixadas pelo gigante, mas toda a raiva e inveja que tinha do herói. E ele treinou forte para o momento de seu retorno. Oportunidade que sempre lhe foi negada até agora. Último recurso de Batiatus, ele adentrou o campo de batalha sob uma chuva de alimentos podres e vaias - mostrando o quanto o povo tem memória curta (fato verdadeiro até os dias de hoje). Com a responsabilidade de carregar a reputação do ludus em sua espada, o desacreditado Crixus lutou em um confronto sangrento. Dessa vez, a coreografia da luta foi um pouco diferente do já visto até hoje: ao invés dos belos movimentos, que mais pareciam uma coreografia (e combinavam com o visual exagerado da série), esse confronto entre Crixus e Pericles foi mais pegado, tenso, nervoso. Principalmente no que diz respeito ao gaulês, que ao mesmo tempo vivia o medo da reestreia e a necessidade de afirmação. E os lutadores foram levados à exaustão, caindo no chão a todo momento, até que Crixus em um movimento rápido decretou fim a luta (e adicionou mais uma cena chocante ao hall da violência: os intestinos de Pericles pulando para fora de sua barriga). E o mesmo público que minutos antes jogara alimentos, agora saudava Crixus novamente. O gaulês conseguiu a aprovação que precisava, além de contar com o apoio de Doctore e o amor de Naevia e Lucretia. Enfim, os deuses lhe foram favoráveis.



Mas não só com os jogos contra Pompéia se preocupava Batiatus. Ainda lhe doía a humilhação passada durante a festa de Numerius, quando perdeu um de seus melhores gladiadores e viu suas ambições políticas serem motivo de chacota para Calavius. E brincar com suas ambições é feri-lo bem profundamente. Mais rancoroso que nunca, ele arquitetou sua vingança, sequestrando o magistrado. Tudo parte de um ardiloso plano que se amarrou de modo sensacional com toda a trama envolvendo a "traição" de Ashur com Solonius. Traição entre aspas pois a grande reviravolta era que tudo era um plano maior de Batiatus para atrair seu rival ao cativeiro de Calavius, e incriminá-lo pela morte do magistrado. Uma virada de mesa que me pegou de surpresa, pois não esperava que Ashur fosse fiel a Batiatus depois de todo esse tempo, até por suas demonstrações constantes de insatisfação. Méritos ao ator Nick E. Tarabay por ter interpretado de forma tão dúbia durante esses últimos capítulos.

E não dá para deixar de notar como os planos de Batiatus tem alçado cada dia âmbitos maiores. Atacar alguém da importância de Calavius foi uma jogada suicida, mas ele tinha seu trunfo na manga, e junto ainda se livrou de Solonius, que foi levado preso. Dois coelhos como uma só cajadada. Seria o plano do século...se não fosse pela presença de um homem, um pequeno personagem que retornou e mudou toda o panorama da série depois desse episódio: Aulus (Mark Mitchinson).

Não se lembra dele? Ele era o homem da carroça que trazia Sura de Nápoles, que contou do suposto ataque que a teria vitimado. Um lacaio de Batiatus, ele voltou ao ludus para participar dos planos de sequestro de Calavius. Mas ele não esperava que Spartacus fosse ainda lembrar do seu rosto. E mais do que isso, de suas palavras. De suas feridas. Em seus delírios febris com Varro e Sura, eles o lembraram das palavras do capanga, sobre ter sido machucado no ataque ao comboio. Mas não havia ferida. E antes de matá-lo num rompante de fúria, Spartacus tirou dos seus lábios o mandante de toda essa farsa: Batiatus. A grande reviravolta da série aconteceu - Spartacus descobrindo que seu dominus é o responsável pela morte da sua mulher, e no fundo ele apenas sua grande fonte de lucro (vide a bonita imagem que abre esse texto). Em uma das melhores rimas visuais da série, a cena em que Aurelia perguntava a Spatacus porque ele havia matado Varro e a cena, em delírio, onde Sura perguntava a esse "novo" Spartacus, forjado na arena, e que renegou o passado, porque ele havia sepultado o "antigo" Spartacus, o trácio leal à família, que tinha orgulho de seu povo, se completaram perfeitamente - além de fazer uma referência direta ao eventos do sétimo episódio, que tratou justamente dessa mudança no personagem.



Assim, a antiga ferida se abriu e o velho Spartacus retornou, com uma compreensão muito maior de toda aquela situação onde se encontrava, mas com cautela suficiente para esconder por ora sua ira e construir com calma sua grande vingança contra Batiatus. Vingança essa que com certeza ditará os rumos desses dois capítulos finais da temporada, que devem reservar o embate entre esses dois grandes personagens. Quem diria que um episódio sobre feridas ia render tanto. Mais um belo roteiro entregue pela série.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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terça-feira, 27 de julho de 2010

[Podcast] Episódio 4 - Indicados ao Emmy

Análises, palpites e lamentações. Quem faltou e quem sobrou. Ou seja, tudo sobre os indicados ao Emmy 2010 nas principais categorias, discutido por nossos comentaristas (Anita, Dani, Marcelle, Fuzii, Hélio e Rafael) ao longo de mais de duas horas e separado em dois podcasts.

A lista completa dos episódios enviados para apreciação dos jurados, constantemente mencionada durante o podcast, pode ser encontrada no site Gold Derby, a principal fonte sobre os bastidores do Emmy.

Antes mesmo do anúncio dos indicados, o site Emmy Tapes compilava alguns desses principais momentos dos possíveis atores e atrizes a entrar na lista. Alguns estão desatualizados, outros nem estão disponíveis, mas vale para quem perdeu ou quer rever alguns deles.

Indicados ao Emmy 2010 - Drama. Duração: 62min. [Download]

Indicados ao Emmy 2010 - Comédia. Duração: 68min. [Download]

Foto: Divulgação.

[Melrose Place] S01E18 - Wilshire (Series Finale)

por Rafael S


Em seu derradeiro episódio, Melrose Place fechou um ciclo: se a série havia começado por causa da Sydney Andrews, porque não encerrar com ela? E logo no início desse capítulos a vemos de volta - não viva, é claro, mas como uma alucinação da cabeça de Amanda, como se sua mente escolhesse justamente a personificação de sua rival para antever sua queda que se aproximava. E com essa última e interessante participação da ruiva, começaram os últimos 42 minutos da série.

Infelizmente, como nem tudo são flores, nem tudo foi bem feito. A trama do doutor Mancini, por exemplo. Com a iminência de mais uma cirurgia para implantar a válvula cardíaca problemática, Drew resolveu contar a verdade para o doutor, tentando impedir o procedimento. Pobre rapaz, apenas o mais novatos dentre todos iria acreditar nas promessas de Michael. Assim, bastou uma ordem para expulsa-lo (demiti-lo?) do hospital e seu caminho ficar livre novamente. Então restou a Lauren a responsabilidade de expor o problema das válvulas, e ela o fez do modo mais espalhafatoso possível: dentro do centro cirúrgico, na frente de todos os outros profissionais. Mas o problema dessa trama não foi o que foi feito, mas como foi feito. Tudo muito corrido e sem as repercussões devidas: Drew foi arrastado para fora pelos seguranças, e na cena seguinte dele nem o assunto nem foi mencionado. Lauren expôs a farsa, mas não vimos as consequências. Ou seja, não ficamos sabendo se Michael foi punido/expulso/processado/preso, se o fato dele ter plantado remédios no armário de Drew foi revelado, e o destino dos pacientes com válvula. E pra piorar, Drew do nada revelou que o principal motivo dele ter investigado tudo isso foi porque que ele mesmo sofria de cardiopatia, possuía uma daquelas válvulas no coração (!) e poderia morrer a qualquer momento (!!!). E assim acabou a participação do rapaz, com reviravoltas surgindo do nada e um gancho que nunca será continuado.

Já para Jonah e Riley, o desfecho foi muito mais digno. Tendo que ir a um daqueles encontros de ex-colegas de faculdade, eles assistiram juntos ali a praticamente um flashback de sua vida juntos. Depoimentos dos amigos, fotos, lembranças...tudo isso fez reacender o sentimento dos dois, o arrependimento da separação bateu e um beijo aconteceu. Mas naquela que foi a decisão mais acertada desse series finale, Riley interrompeu tudo e disse que aquilo era apenas uma recaída, e que ambos tinham que seguir em frente com suas vidas. Nunca fui a favor de predestinações amorosas (nem na vida real nem na ficção), do tipo onde o casal que depois que se une, inevitavelmente acaba junto algum dia. Embora Jonah e Riley tenham sido justamente o único casal do início da série, as coisas acabaram não deram certo, e mesmo dolorosamente, tiveram que prosseguir com suas vidas - Riley com Drew (embora não se sabe por quanto tempo, vide o problema do rapaz) e Jonah solteiro (dispensado por Ella, que não aguentou as recaídas dele), mas junto com sua grande paixão: o cinema. E foi bem bonito sua última cena ser ele chegando o set de filmagens e vendo ali um momento da sua vida representado.



Para David, as coisas não foram tão felizes assim. Ele reatou com Lauren, é verdade, mas ainda havia a pedra no seu sapato chamada Morgan. A instável garota não gostou de vê-lo com a médica, e tratou de contar toda a verdade do roubo do relógio para seu "papai". Aliás, achei meio assustadora a relação pai-filha entre os dois. Filha mimada e louca completamente apoiada pelo pai superprotetor e...negociante de mercadorias roubadas?! Ah, o mundinho pequeno de Melrose Place agindo mais uma vez, e David caiu nas garras de mais um criminoso, que ameaçando machucar Lauren, o trouxe de volta à sua estaca zero: um arrombador e ladrão de objetos valiosos. Ainda que tenha sido mais uma ponta aberta deixada pela série, achei curioso esse fechamento do personagem. David começou como uma espécie de antiherói, daí foi se regenerando aos pouco, mas no fim acabou sendo puxado de volta para a lama que tinha abandonado.

E por fim, a grande trama da série. Finalmente o Van de Kamp apareceu, inocentemente jogado no armário de Drew (tendo sido abandonado lá por Auggie ao se mudar). Passando de mão em mão, ele acabou em posse de Ella. Sim, o destino quis que o quadro fosse parar na sua frente. Mesmo após ter sido demitida da WPK, ela foi confrontar diretamente Amanda, exigindo seu emprego de volta e verba da loura para criar sua própria empresa. Nesse jogo de gente grande, Amanda a priori aceitou os termos, levando o quadro para ser vendido a um colecionador, mas quis dar um último revés para cima de Ella. Mas a caça virou caçadora, e a jovem lançou nada menos que o FBI em cima de Amanda, revelando todo seu esquema de roubo e receptação de obras no mercado negro. Impossível a série acabar de maneira mais emblemática que Amanda sendo levada presa pelos federais e jurando se vingar, e Ella vendo tudo do alto da sacada da WPK, abrindo um discreto mas venenoso sorriso. Pra mim, mais que uma vingança, tudo isso foi uma passagem de bastão. Ella acabou a série se tornando a nova Amanda! Poderosa, vingativa e fracassada no amor (vide seu desabafo para Jonah sobre gostar de alguém). Bem diferente de como começou, quando era uma mera funcionária, ambiciosa, mas sem poder algum, e que se orgulhava de não se envolver afetivamente com ninguém.



Condenada pelos baixos níveis de audiência desde o início, Melrose Place entregou um último episódio que mais se parecia com um season finale, na esperança de uma renovação milagrosa que não aconteceu. Daí as muitas tramas deixadas com ganchos que nunca serão continuados. Uma pena, mas foi uma jornada de 18 episódios que valeu a pena. Espero que vocês tenham curtido meus textos, e nos vemos por aí!

Fotos: Reprodução



Rafael S
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domingo, 25 de julho de 2010

[90210] S02E18 - Another, Another Chance

por Rafael S


Está aberta a temporada de corações partidos e resignações de 90210. Em um episódio consideravelmente mais dramático que a média, sobrou para quase todo mundo um pouco dessa onda de tristeza que assolou a série.

A começar pela garota de vida mais conturbada da série, Adrianna. Repetindo o feito da primeira temporada, esse foi um episódio onde muitas tramas giraram em torno dela. Definitivamente a protagonista desde momento da série, uma bela (re)conquista para a personagem. A proposta que ela recebeu de Laurel (mãe de Ivy), que queria agenciar sua carreira solo, realmente mexeu com ela. Afinal, significava abandonar a banda que acabara de entrar. Mas estranhamente, sua saída da banda quase não repercutiu na trama. Em vez disso, boa parte dos acontecimentos foi sobre como ela iria lidar com essa nova perspectiva de vida: agenda cheia, viagens, festas. Uma vida de perigosas tentações, ainda mais para uma ex-dependente química como ela, com problemas em saber seus próprios limites. E nesse momento de indecisão, ela resolveu pedir conselhos justamente a Navid. Encontro esse que reverberou nas estruturas do namoro de cada um deles. Enquanto Lila ficava revoltada por ele já saber de antemão da saída dela da banda, Gia não entendia porque Ade havia se aberto com ele, e não com ela.

Com a cabeça cheia, só restou Adrianna pedir desculpas a sua namorada, mas não esperava encontra-la com Alexa, sua ex-namorada. E assim um dos namoros mais legais da série foi pro vinagre. É difícil para mim entender a atitude de Gia. Eu sei que todo o rolo dela com a ex já havia sido mostrado na série, e as coisas - teoricamente - haviam sido resolvias offscreen...mas ainda assim é duro de acreditar que ela trairia Ade na mesma tarde em que brigaram. E uma briga sem nem muita gravidade, ou seja, nem a justificativa de vingança colou na situação. E com todo esse constrangimento instalado, mais uma vez Adrianna foi parar nos ombros de Navid, desabafando suas mágoas. Ainda que ele tenha reforçado seus laços com Lila nesse capítulo (em uma simpática cena onde ele recria um baile para apagar o fracasso da primeira dança deles quando eram crianças), está claro que as ondas estão trazendo-o de volta a Ade. Uma decisão precipitada, principalmente pela separação sem propósito entre ela e Gia.

E enquanto tentava convencer Adrianna a trabalhar para ela, Laurel não perdeu tempo e continuou seu ataque voraz ao professor Matthews, deixando-o constrangido justamente pelo fato dela ser mãe de uma aluna sua. Ainda assim, ela conseguiu derreter o gelo dele, e pudemos ver mais uma vez o professor perdendo a compostura e se permitindo fumar maconha e beber na festa dada por ela. Depois de servir como sex toy de Jen durante meia temporada, Ryan enfim entra nessa nova fase, que parece ser norteada por esse dilema entre mostrar seu lado casual ou manter as aparências de professor sério. Para um personagem que até então estava totalmente perdido na série, foi um grande avanço.



E que felicidade foi ver Naomi pagando por suas mentiras. A brincadeira que virou caso sério mobilizou o colégio e a opinião dos alunos contra o professor Cannon. Não sabendo mais lidar com pressão por todos lados, só restou à garota assumir que inventou tudo e sofrer as consequências. Para ela, pior que a punição prometida pelo diretor Wilson, foi se sentir excluída por seus próprios amigos. Logo ela, acostumada a ser paparicada e centro das atenções. Especialmente gostei da revolta de Liam, que arriscou muita coisa defendendo-a, e depois de saber a verdade tratou de se afastar, saindo da casa dela. Um gelo justo, e espero que dure mais um bom tempo, para a personagem aprender com seus atos desmedidos.

Já Annie parece ter superado Jasper (até me assustei pelo nome do ator ter sido creditado, mas ele não apareceu), mas o mesmo não pode ser dito de sua culpa pelo atropelamento. Ao revisitar sem querer o local do acidente, a dor voltou com força total, com direito até a pesadelos (em uma cena até bem pensada, ainda que manjada). O terreno parece preparado para que tal revelação venha à tona bem em breve.



E indo contra a maré depressiva do capítulo, o namoro falso entre Dixon e Ivy começou a se tornar sério demais para o garoto, que percebeu gostar dela, e mexeu seus pauzinhos para transformar a encenação em realidade. Mas para ela a percepção era diferente, continuando com olhos apenas para Liam, ainda mais cheia de esperança depois de saber da briga entre ele e Naomi. Mas depois de levar uma patada do garoto (rude como sempre ficou em seus momentos de introspecção e raiva), ela ficou completamente perdida e desolada, criando a oportunidade perfeita para Dixon abrir seu coração para ela. E todo o início de relacionamento que eles tiveram episódio parece que acontecerá de novo, mas agora de verdade. Gostei de ver essa evolução dos dois, superando juntos as amarras dos antigos namoros.

Em uma última nota, vale ressaltar a aparição do pai de Liam (Scott Patterson, de Gilmore Girls e Jogos Mortais 4 e 5), reencontrando o filho. Pela emoção dos dois, parece ser o porto seguro que o jovem precisava desse momento tão conturbado para ele. A curiosa cena final, com Naomi e Annie marcadas pela culpa que carregam resumiu bem o clima pra baixo do episódio. Tirando algumas exceções, o saldo foi de vários corações partidos e cheios de culpa. Tristeza para ele, mas bom para os espectadores, que ganharam um capítulo com mais substância que o normal. Haja expiação para todos eles daqui para a frente.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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sábado, 24 de julho de 2010

[Melrose Place] S01E17 - Sepulveda

por Rafael S


Melrose Place chegou ao seu penúltimo episódio e delineou bem forte um embate entre o velho contra o novo. Ou melhor, um embate entre a nova geração e os velhos personagens. Todos os conflitos e motivações do início dessa nova encarnação de Melrose Place decorreram do antagonismo entre os novos personagens e Michael, Amanda e Sydney (mesmo morta). Assim, em seus momentos finais, a série voltou a enfatizar esse choque, deixando expectativas para seu derradeiro episódio.

Na mais importante das tramas no momento, depois de bater de frente com Amanda, só restou a Ella buscar uma saída para escapar de ser incriminada. E para tal, só restou invadir a WPK para alterar os valores superfaturados que haviam forjados em sua conta. E para conseguir acesso a tais arquivos, ela precisou ludibriar um contador da empresa, no que acabou sendo o ponto baixo do capítulo, com o tal contador se encaixando no manjado perfil nerd antissocial e em todos os clichês possíveis da situação "mulher bonita seduzindo nerd" acontecendo. Mas pelo menos isso não se estendeu por todo o episódio, e com a chave em mãos, Ella, com a ajuda de David, invadiu a WPK. Mas essa invasão acabou revelando outra coisa para a dupla: a busca de Amanda pelo Van de Kamp escondido por Sydney. Nesse momento, principalmente para David, as peças se encaixaram: a mudança repentina da loura para o condomínio, as indiretas sobre os quadros pintados por Sydney...e enfim, eles tem nas mãos um grande trunfo, preparado para ser usado no último capítulo.

Vocês se lembram da misteriosa cena de Drew abrindo um cadáver? Dessa vez, ele invadiu o necrotério para pegar uma amostra de sangue de outro cadáver, mais uma vez coberto de mistérios. Mas no fim do episódio, tudo foi explicado: ele não é nenhum tipo de maníaco. Na verdade ele está investigando uma série de mortes de pacientes, todos com uma característica em comum: eles utilizavam a válvula cardíaca criada pelo doutor Mancini, e que o fez um médico de renome e prestígio mundial. Contando toda a verdade para Lauren, ele imediatamente conseguiu uma aliada, devido a tudo que ela sofreu com as chantagens de Michael. E esse foi outro trunfo na mão dos personagens para derrubar alguém das antigas.



Com todo esse cenário armado, é de se espantar (e até lamentar) que Michael e Amanda NÃO tenham aparecido nesse episódio, mesmo sendo citados a todo instante. Com certeza a presença deles adicionaria um grau de tensão muito maior às descobertas dos personagens. Assim sendo, é certo presumir que eles serão presença garantida no próximo capítulo, para a resolução dessas duas perigosas tramas.

E envolto em dilemas muito menos emocionantes está Jonah. Desde o início da série acompanhamos sua jornada para alavancar sua carreira como cineasta, as diversas recusas e tentativas frustradas que teve, até enfim conseguir vender seu roteiro para um estúdio. E o que parecia ser o fim dos tempos difíceis se mostrou justamente o contrário, com o diretor do projeto querendo reescrever e alterar partes cruciais de seu texto, além de desavenças na hora da escolha do elenco. Sendo até demitido do projeto, Jonah ganhou uma nova chance, e junto com isso, percebeu a importância que Riley ainda tinha na sua vida. Sempre tive muita simpatia por essa jornada de Jonah, que considero um dos melhores personagens ali, mas tal trama acabou ficando deslocada nessa reta final, parecendo boba demais comparada aos eventos amiores que estão acontecendo simultaneamente. Toda uma história trabalhada com cuidado a longo prazo, mas infelizmente prejudicada pelo fim brusco de Melrose Place. Outra bastante afetada foi Riley. A arrecadação de fundos para seu projeto escolar soou desnecessária, e ainda que ela esteja tendo uma boa sintonia com Drew, gerando boas cenas para o casal. Mas nesse caso lamento menos, já que ela é de longe a mais fraca do elenco.

E por fim, David, como sempre atolado de problemas, teve que lidar com problemas na cozinha do Coal devido à demissão de Marcello, o chef de cozinha mais arrogante e insuportável que já vi (desde a época que se estranhava com Auggie). E na falta de funcionários, ele teve a ajuda de Lauren e Ella para servir as mesas! Ainda que toda a situação tenha soado forçada/exagerada demais, foi divertido ver a interação dos três, ainda que por poucas cenas, naquela situação incomum. Pelo menos dessa vez, Morgan não apareceu, para o alívio do rapaz. Mas continua machucado devido a revelação de Lauren, ainda que claramente goste dela.



Aos trancos e barrancos, Melrose Place arrumou a casa para entregar a trama a seu último episódio. Embora com vários personagens prejudicados, pelo menos criaram-se ganchos interessantes para o finale, que espero que seja digno, e com uma conclusão satisfatória.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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terça-feira, 20 de julho de 2010

[90210] S02E17 - Sweaty Palms and Weak Knees

por Rafael S


Como é típico em todo tipo de romance, após a resolução de um triângulo amoroso sempre alguém sobra. E em 90210 não foi diferente. Dixon sobrou quando Silver e Teddy começaram a namorar e Ivy foi deixada de lado após Naomi e Liam reatarem. Fracassados no amor, o que restou ao dois? Bem, quem diria que juntos encontrariam um jeito de reverter a situação e isso faria valer o episódio?

Mesmo abdicando de Liam, Ivy nunca deixou de gostar dele, mas sem dar o braço a torcer em momento algum. Orgulhosa, ela engoliu a mágoa sempre que pode. Já Dixon até plano digno de vilão mequetrefe fez para tentar separar - sem sucesso - Teddy e Silver. E desde então vinha suportando ver os dois juntos onde quer que fosse. Ou seja, ele e Ivy lutaram até onde puderam para suprimir seus sentimentos das pessoas que gostavam, mas no fundo sem nunca esquecer deles. Com um reconhecendo o fracasso do outro, eles marcaram de sair para rir do fato de terem sobrado na vida. Mas eis que um encontro inesperado com aqueles de quem gostavam exigiu uma saída inesperada: eles fingirem estar namorando. Sim, Dixon e Ivy, que até então não haviam tido nenhum interesse um no outro, unidos para dar a volta por cima. Claro que sem saber da mentira, todos seus amigos ficaram surpresos. E para não levantarem suspeitas, é claro que manter um namoro na frente de todos exige um grau de proximidade: mãos dadas, presentes, abraços...e beijos. E a brincadeira aos poucos começou a ficar séria. Será uma questão de tempo até um deles surtar com isso, mas por enquanto esse "namoro" foi ótimo. É incrível a capacidade da Ivy reviver personagens apagados. Já havia acontecido antes com Liam, e agora só de contracenar mais com ela, Dixon ficou muito mais interessante também. Sem dúvida a grande adição da segunda temporada da série. Toda a falta que ela fez nos dois últimos capítulos foi compensada nesse aqui. Mas nem tudo foi perfeito, pois o rapaz começou a ficar interessado demais em apostas - e eu realmente torço para que uma trama não acabe interferindo (atrapalhando) a outra.



Mas enquanto Dixon e Ivy ficam nessa brincadeira saudável, o mesmo não se pode dizer de Naomi. Já havia cantado a bola na análise do episódio anterior, e aqui ela se concretizou: toda sua mentira sobre o assédio do professor Cannon fugiu de seu controle. Em vez de desmentir tudo de uma vez, ela foi enrolando, e empilhando novas mentiras, culminando com Liam indo parar na sala do diretor Wilson por agredir o professor. A última chance da loura desfazer sua mentira de uma vez por todas, mas ao invés disso, ela tratou de levá-la adiante, e confirmar a história para o diretor. E o que era apenas um recurso para voltar ao jornal do colégio já tomou proporções que envolvem a escola toda. Só tenho a lamentar ver Naomi metida nessas coisas - sei que a personagem era a antagonista de Annie durante a primeira temporada, algo bem próximo de uma "vilã", mas esse papel não é dela há muito tempo. A personagem cresceu desde então, ganhando os holofotes principais da série várias vezes, e me entristece vê-la regredindo assim.

Alheia a toda essa confusão na escola (e não contracenando com nenhum outro colega mais uma vez) Annie parece enfim ter se livrado de Jasper. "Parece" pois nunca se sabe qual será a próxima ação do garoto. Mas sua tentativa de suicídio no letreiro de HOLLYWOOD foi a gota d'água para sua família, que resolveu interná-lo em uma clínica psiquiátrica. E no seu último encontro com Annie, ele mais uma vez justificou que fez tudo por amor - pra variar. Annie, em um incomum momento de maturidade, finalmente terminou com ele de uma vez por todas, independente de qualquer chantagem dele. Abrindo seu coração, ela assumiu quaisquer consequência que viessem a surgir por ter atropelado e matado seu tio. Depois de quase duas dezenas de episódios, Annie enfim está livre (pelo menos temporariamente) desse verdadeiro encosto que foi Jasper. Mas como vocês devem lembrar, o assunto do atropelamento está longe de acabar, já que existe em certo documento esquecido em seu laptop com sua confissão - e que virá à tona a qualquer momento. Mas de qualquer jeito, um passo importante para a personagem.



E Adrianna continua vivendo um turbilhão de emoções, como se tornou característico em sua vida. Em menos de duas temporadas ela foi viciada em drogas, grávida, mais uma vez viciada e agora está se vendo amar uma garota e responsável pelos vocais de uma banda. Essas duas últimas novidades são motivo de felicidade para ela, é claro, mas ainda assim coisas novas que ela ainda não sabe muito bem como lidar. E muito bem sacado como o roteiro amarra o mesmo problema para ambas as coisas: a aceitação dos outros. O medo de subir no palco na frente de centenas de espectadores e o medo de beijar Gia na frente das pessoas. É o medo da rejeição aparecendo mais uma vez, característica bem marcante da personagem em outras situações. E nada melhor para superar esse problema do que uma resolução única também: beijar Gia em cima do palco, na frente de todos. Decisão pra lá de acertada em uma das melhores tramas dessa segunda temporada. Mas outra forte emoção já apareceu em seu caminho, com uma proposta de carreira-solo. Ela entrou na banda agora e já pensa em sair?

E pelo segundo texto seguido, reservo as mesmas palavras para o casal Silver e Teddy: vai-não-vai. Outro episódio cheio de briguinhas sem graças e retomadas do casal. Que desperdício da Silver. Ela - e o Teddy também - merecem mais que isso. Se até o Dixon teve um bom momento na série depois de tanto tempo, salvar esses dois será moleza. É só sair do marasmo.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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[Spartacus: Blood and Sand] S01E10 - Party Favors

por Rafael S


A cada episódio que passa, Spartacus: Blood and Sand mostra que as verdadeiras batalhas não são travadas dentro da arena, mas sim fora dela. O mundo é o verdadeiro território hostil para aqueles gladiadores, com inimigos sorrateiros prontos para te apunhalar na primeira oportunidade. Tanto que a maior derrota sofrida até agora por Spartacus havia sido a morte de sua mulher Sura, fruto dos planos sórdidos de Batiatus para prendê-lo no ludus. Mas este episódio trouxe outra grande tragédia tragédia para a vida do herói, digna de rivalizar com a primeira.

Tudo começou com a continuidade dos planos de Batiatus de se aproximar do magistrado Calavius através de seu filho, Numerius. O garoto era grande fã das lutas na arena, e os famosos gladiadores eram seus ídolos. E como toda criança mimada tem seus desejos atendidos, ele e seu pai começaram a frequentar o camarote de Batiatus, o que culminou na escolha do ludus dele como palco da festa de 15 anos do garoto, onde ele iria vestir a toga pela primeira vez, marcando sua passagem para a vida adulta segundo as tradições romanas da época. Ou seja, a oportunidade perfeita de Batiatus estreitar laços com o magistrado, e começar a galgar sua carreira política com a ajuda dele. Enquanto isso, Lucretia usou de todo o controle que agora tinha sobre Ilithyia para fazê-la convidar a alta sociedade romana para a festa, tornando-a um grande evento da cidade de Cápua. Tudo parecia perfeito para o casal, que via seus ambiciosos planos finalmente alçarem voo a níveis cada vez mais altos.

Enquanto isso, entre os gladiadores, o plano de Spartacus (com a ajuda de Mira) para encontrar Aurelia, mulher de Varro, deu certo. E assim o casal se reuniu outra vez, deixando para as discussões e brigas anteriores, e a amizade entre os dois gladiadores se fortaleceu ainda mais por causa desse bonito ato do trácio. E poucos momentos antes, ambos haviam tido uma bela vitória juntos na arena. Ou seja, antes de chegar na metade do episódio, Varro já havia tido alegrias na arena, no amor e na amizade. Era óbvio que tudo isso acontecendo era um prenúncio de algo ruim que estava por chegar. E assim, eu já comecei a me apiedar por ele por antecipação. Já Crixus, escolhido para lutar com Spartacus na exibição no aniversário de Numerius, continuava se corroendo de inveja pela glória do seu rival, e só deixava de pensar nele ao ficar perto de Naevia, sua paixão. Dessa vez, a trama do casal acabou ganhando mais complicadores, como o guarda de notou o sumiço da chave que ela utilizava para facilitar seus encontros secretos e os olhares lascivos de Ashur para cima da escrava. Dada a tendência trágica da série, esse amor tão improvável entre os dois cada vez mais parece fadado ao fracasso, por envolver tantos fatores explosivos (leia-se: Lucretia).



Com todas essas tramas em destaque, Ilithyia nunca pareceu tão quieta em um episódio. Atormentada por ter matado Licinia, ela passou a ver a amiga morta em todos os lugares. Mas toda a sua quietude era apenas uma faixada para sua mente cruel, que maquinava sua vingança contra Spartacus. E transformando seu medo em ainda mais ódio, engendrou um dos planos mais cruéis de toda a série. Poder não é nada sem controle. E o que seria mais fácil de manipular do que um garoto de 15 anos, que sempre teve tudo nas mãos, mas sem praticamente nenhuma de experiência de vida? Sordidamente, Ilithyia ofereceu seu corpo a ele, e como um diabinho, apenas sussurrou em seu ouvido o que queria em troca. Pronto, estava feita a vingança. Numerius substituiu Crixus por Varro na exibição (deixando o gaulês ainda mais furioso), e como editor da luta, ordenou que Spartacus matasse Varro. Sim, um amigo assassinando o outro. A morte de Sura havia sido uma grande punhalada nele, mas ali nada poderia ter feito para impedir. O contrário dessa vez, onde ele mesmo teve que enfiar a espada em seu melhor amigo, para atender aos caprichos de um moleque mimado envenenado pelas palavras de uma mulher vingativa. O olhar de desespero de Varro ao perceber que iria morrer e sua posterior conformação com o fato, seguido de um último agradecimento e pedido ao amigo foi definitivamente a cena mais triste da série até o momento. E em uma trágica rima visual, a cena de Spartacus vendo o corpo de Varro caído, vertendo sangue, foi igual aos delírios de Ilhityia vendo o corpo morto de Licinia. A prova cabal que sua vingança havia sido feita.



Após essa impactante cena, nada mais importou para mim. O capítulo ainda teve Batiatus vendo seus planos de ascensão política desprezados por Calavius, e a dor de Spartacus esmurrando paredes até as mãos verterem sangue, se punindo por ter assassinado seu amigo. Eu ainda estava tão perplexo pela morte de Varro que eu só esperava pelos créditos finais subirem, para poder respirar um pouco. E após me envolver tanto com a morte de um personagem que percebi o quanto Spartacus: Blood and Sand me cativou. Nesses dez episódios, as mortes de Barca, Sura e Varro foram impactantes do jeito que poucas séries conseguiram fazer.

E não só pelos roteiros, que já reconheci várias vezes a melhora considerável, mas também pelas atuações, que acabo falando tão pouco. Andy Whitfield está conseguindo retratar muito bem toda essa montanha russa que se tornou a vida de Spartacus, indo da glória para a desgraça em pouco tempo. E como não simpatizar com o Batiatus de John Hannah, um verdadeiro filho-da-puta ambicioso, mas que nesse episódio mostrou um outro lado, tanto na curiosa cena em que disputava um jogo de tabuleiro com o herói, como quando acabou tendo que perder um gladiador tão promissor quanto Varro e ainda ver seus planos frustrados? Em trejeitos ele cada vez mais me lembra o presidente Charles Logan, de 24 Horas. Orgulhoso, ambicioso, mas sem coragem de bater de frente com seus desafetos, tornando-se um medroso no fim das contas. E Viva Bianca já é a grande antagonista da série, uma das maiores vilãs que vi surgir recentemente na televisão. Essa é Spartacus: Blood anda Sand, cada vez mais cruel. É esperar pelo próximo capítulo e o próximo baque que nos aguarda.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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domingo, 18 de julho de 2010

[Melrose Place] S01E16 - Santa Fe

por Rafael S


O que é necessário para se fazer um bom episódio? Uma trama emocionante, com várias revelações e mistérios? Boas atuações? Um retorno para cativar os fãs antigos? Situações que pusessem os personagens fora de suas áreas de conforto? Bem, talvez não só isso. Mas o fato é que a festa de comemoração pelo primeiro roteiro vendido de Jonah tornou-se palco desses elementos, e Santa Fe acabou sendo o melhor episódio de Melrose Place até o momento.

Nunca foi segredo que os produtores e roteiristas sempre apostaram nos personagens clássicos de Melrose Place para tentar alavancar a audiência. A morte de Sydney foi o ponto de partida da série, e mesmo morta, ela foi personagem fundamental nos doze primeiros capítulos. A partir daí, todos os velhos moradores foram reaparecendo: Michael, com alguma importância. Jane e Jo em pequenas participações. E por fim Amanda, até agora o grande trunfo. Só que melhor que todos esses personagens separados, seria tê-los juntos. E eis que enfim Amanda, Michael, Jo e Jane dividem a cena. Um encontro com um peso e significado que só os fãs antigos podem mensurar. Todos os amores, rusgas, mágoas e rivalidades ainda estão lá, fervendo sob a pele de todas essas senhoras e senhores que um dia habitaram aquele condomínio. E mais que um reencontro e velhos conhecidos, ele tratou de movimentar a trama. Que no fim das contas, girava em torno de Ella.

A grande revelação do capítulo foi o motivo de Amanda estar sempre interessada e puxando o tapete de Ella: ela fazia isso a mando de Jane. Os motivos não ficaram claros (terá sido por causa da briga das duas no quarto episódio?), mas é bastante suspeito esse envolvimento da irmã da Sydney, que em troca cedeu o apartamento para Amanda intensificar suas buscas no condomínio pelo quadro roubado por Sydney. E a última investida para sacanear a publicitária foi alterar todos os valores de contratos de clientes de Ella, fazendo parecer que ela estava superfaturando e roubando a agência. Mas a loura não contava com a aparição de Jo, que sacou que tudo era jogo de Amanda - e essa conversa foi ouvida por Ella. Assim, depois de vários episódios de brigas subentendidas, Ella e Amanda finalmente brigaram abertamente, em um encontro que tem tudo para ser a tônica dessa sequência final de episódios.

Enquanto era consumida por esse inferno, Ella tentava conciliar com a comemoração de Jonah. A grande festa da piscina reuniu todos, regada a bastante álcool, e como sempre ocorre nessas situações - parafraseando o próprio roteiro - "quando o álcool entra, as verdades saem". E eis que Jonah viu a aproximação entre Drew e Riley, e a consumação do beijo entre os dois. Restou aos dois garotões alcoolizados irem ao fundo da piscina em uma briga infantil. Depois de criticar Riley por textos a fio, enfim concordei com ela ao dar o sermão em Jonah. Além do que foi ótimo ver Riley finalmente sem medo (como aconteceu em seu envolvimento com Auggie e Ben) entrando de cabeça em uma nova relação.



Como novo proprietário do Coal, foi incumbência de David a parte gastronômica da festa. Mas não sabia ele que ele era o prato principal aos olhos de um predador. Ou melhor, predadora. Morgan (a mulher misteriosa do capítulo passado) reapareceu ainda mais insana. Como uma garota mimada (e perigosa) que quer tudo, ela parece decidida a ter David como sua posse, para utilizá-lo como e quando quiser. E sabendo dos serviços escusos do rapaz, ela tem munição para a chantagem perfeita. Depois de Violet e seu irmão adotivo, a série parece ganhar uma nova psicopata. Haja gente instável nessa série.

Mas se David cede à chantagem, sua ex-namorada, Lauren, enfim cansou. Pressionada por Michael, primeiro para terminar com o filho dele, e agora para fazer sexo com ele, ela chegou ao fundo do poço, onde só havia uma coisa a fazer: contar a verdade. E em uma das melhores cenas da série, ela reuniu todos seus amigos e revelou que havia trabalhando como prostituta pelos últimos seis meses. Eu esperava essa revelação há muito tempo, pois era uma situação insustentável onde ela havia se metido. Apreciei principalmente o jeito direto com que ela falou com todos ao mesmo tempo, e as diversas reações que gerou: a repulsa de David, a surpresa de Jonah, a confirmação da suspeita de Ella, o apoio irrestrito de Riley - todos afetados de algum modo pela bomba que caiu sobre suas cabeças.



E o que falar da sinistra e inesperada cena de Drew entrando sorrateiramente no necrotério do hospital e abrindo um morto com um bisturi? O que essa cena significou? Será que tem relação com a situação de Lauren, com ele sabendo que ela estava sendo chantageada pelo doutor Mancini? Santa Fe foi o episódio para injetar adrenalina em Melrose Place. Movimentado, cheio de revelações, novos mistérios e personagens batendo de frente. Foi o empurrão que a série precisava para sua reta final. Que venham os dois últimos capítulos.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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[90210] S02E16 - Clark Raving Mad

por Rafael S


Na gangorra que se tornou 90210, Clark Raving Mad não fugiu à regra, com a qualidade de suas subtramas variando do bom ao fraquíssimo. Como bom otimista que sou, começarei abordando o que me agradou. E não se deixem levar pela imagem que abre esse texto - a escolhi muito mais pelo bela solução visual escolhida pelo diretor (com Lila e Navid se afastando e revelando Adrianna ao fundo), do que por um conflito envolvendo esse triângulo amoroso. Mas será que ainda é um triângulo? Afinal, Ade demonstrou estar bem disposta a seguir adiante. E para ela, esse seguir adiante passa diretamente pela confissão de Gia no episódio anterior. A ruiva abriu seu coração e deixou a morena em uma situação complicada. Mais que "gostar ou não gostar?", para Ade o dilema se tornou "gostar ou não gostar de garotas?". Pois a sintonia das duas nesses poucos capítulos que contracenaram juntas era mais que evidente, e claramente Adrianna já gostava de Gia. Essa já era uma certeza sua. O que lhe atormentou nesse episódio foram as convenções sociais - e toda a confusão que ela mesmo criou acerca de sua sexualidade tendo em vista seu interesse pela ruiva. E entre conselhos das amigas, e os estudos do Alfred Kinsey (citação bem interessante, fica o link para quem quiser saber um pouco mais de sua vida e trabalhos), enfim ela resolveu deixar as inseguranças de lado e apostar no seu sentimento. Tudo em uma cena que felizmente fugiu de declarações rasgadas, e beijos cinematográficos, investindo acertadamente em um tom inseguro, que no fim das contas, cada uma ao seu modo, era o que cada uma sentia naquele instante. E como já havia ficado claro desde o primeiro momento que contracenaram juntas, o casal se formou. Previsível, mas bem feito.

Ainda na área da previsibilidade, com o hábito de não apenas assistir séries, mas de consumir filmes, livros, etc, identificar alguns modelos narrativos se torna fácil ao longo do tempo. E assim como foi simples deduzir onde iria desembocar essa aproximação entre Ade e Gia, é no mínimo suspeito em um simples episódio Annie e Liam terem três cenas juntos. Dois personagens que, fora toda a confusão criada por Jen envolvendo eles dois, nunca tiveram lá muita proximidade. Aqui começa com uma gentil carona, que na cena seguinte vira um encontro no corredor do colégio e por fim, uma mensagem deixada no celular. Tudo a princípio sem muita importância, mas é evidente que os roteiristas estão preparando algo para sair disso aí. E tendo em vista o status quo de Annie nessa segunda temporada, pode significar enfim a grande mudança de rumos para a personagem. Tanto é que arranjaram uma cena de Jasper suicida como gancho final do capítulo. Independente da conclusão dessa cena, é algum indício que sua trama parece se encaminhas para uma conclusão (finalmente!) em breve. O jeito é esperar para ver o que sai daí.



Mas a despeito dessa nova trama, Liam não anda rendendo muito bem na série. Desde que foi separado de Ivy, o personagem anda bem sem graça. O pior que a surfista dessa vez se ausentou pelo segundo episódio seguido, uma pena. Restou ao rapaz flagrar seu padrasto (John Schneider, de volta à série depois de muitos capítulos ausentes) com outra mulher. E para piorar a situação, sua mãe ainda assim resolveu continuar com ele mesmo com a traição. Então Liam fez suas malas e buscou abrigo na luxuosa casa de Naomi. Não me agradou em nada ver o casal mais artificial da série começando a morar junto.

Quanto a Naomi, embora esboce seu lado sério quando está perto de Liam, quando se afasta dele continua a mesma inconsequente e deslumbrada de sempre. Nunca considerei muito isso um problema, pois ela até funciona como alívio cômico, mas nesse episódio passaram dos limites. Um novo personagem entrou na série, o sr. Cannon (Hal Ozsan), novo orientador do jornal da escola, o Blaze. Com sua habitual falta de tato, a loura tratou de logo disparar suas pedradas contra o professor, que não deixando barato, a expulsou no jornalzinho. Mas eis que ela resolve inventar que ele a assediou sexualmente para readmiti-la na equipe - não apenas uma mentira, mas uma acusação grave. E como não podia deixar de ser, a repercussão da acusação acabou sendo maior que a cabecinha limitada de Naomi poderia esperar. Achei fora do tom da personagem ela fazer algo mais extremo assim, ainda que ela não tivesse nenhum plano maléfico por trás. Uma escolha que não me agradou e até empalideceu a loura nesse capítulo.



E alheio a todos esses dramas escolares, está Dixon. Depois de ter feito bastante besteira por episódios a fio, ele parece mais quieto, agora que sua mãe biológica está por perto. Ou estava, já que ela se despediu dessa vez, deixando o garoto bem triste. Mas ela não saiu sem deixar "sementes" plantadas na família Wilson. Primeiro, flagrou Debbie em um encontro com seu professor de ioga, inclusive flagrando um beijo que pode virar um elemento desagregador na família. E depois, deu dinheiro de apostas ao filho. Eu realmente pensei - torci, na verdade - que essa trama com tamanho potencial de cretinice tivesse sido esquecida, mas após ver Dixon abrindo o sorriso ao ver aquele bolo de dinheiro, perdi minhas esperanças.

Por fim, Teddy e Silver continuam no vai-não-vai que se tornou a relação deles desde que deram o primeiro beijo. Junta, separa, ciúme de um, gelo do outro. Acabaram juntos dessa vez, mas quem vai saber como vão estar no próximo episódio? Depois de mais de uma temporada, Adrianna voltou a reassumir o posto de destaque da série, e merecidamente por sua trama bem agradável. Restam aos outros personagens correrem atrás. Mas como disse no começo, sou um otimista, e esse vislumbre do fim da era Jasper me deixa animado.

Fotos: Reprodução



Rafael S
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Indicados ao Emmy 2010

Acabam de sair os indicados ao Emmy, e vejam mais abaixo a lista com as principais categorias (que foram comentadas nos posts anteriores).

De cara, primeiras reações que tive:


- Com um ano tão mais difícil de fazer escolhas, não houve empate nas categorias principais, que voltaram com SEIS indicados. The Good Wife, como previsto, ocupou uma vaga. Mas a grande (e desagradável, pra mim) surpresa foi a presença de "True Blood", que havia sido esnobada ano passado. Damages, Big Love e a sempre indicada House, ficaram de fora;

- Os protagonistas de Friday Night Lights, Kyle Chandler e Connie Britton, enfim marcam presença em Melhor Ator e Atriz (Drama). Maravilhosa surpresa, pra este que talvez seja o casal mais incrível da TV. Do lado negativo, Zach Gilford não conseguiu a tão esperada indicação como Ator Convidado, ainda que seu episódio (The Son) tenha sido indicado para Melhor Roteiro. Vai entender...

- E finalmente January Jones (Mad Men) consegue sua primeira indicação. Sempre preterida, desta vez ficou mais fácil com a saída de Elisabeth Moss, indicada como Atriz Coadjuvante. Jones tem muito material bom nesta temporada, mas certamente o episódio "The Gipsy and The Hobo" fez a diferença;

- Pela primeira vez em QUATRO anos, Chandra Wilson e Sandra Oh não são indicadas como Melhor Atriz Coadjuvante. Melhor para Christina Hendricks (Mad Men), que finalmente teve seu espaço (merecidíssimo), e Sharon Gless (Burn Notice) que já há alguns esperava-se um reconhecimento, que nunca saía. Fico feliz também por Archie Panjabi (The Good Wife), que poderia ter sido eclipsada por Christine Baranksi. Ambas foram indicadas;

- Como esperado, o elenco de Modern Family foi quase todo indicado. Não concordo com a indicação de Julie Bowen, mas a grande surpresa é que Ed O´Neill ficou de fora, dando lugar a Jesse Tyler Ferguson, que em minha opinião é tão fraco quanto Bowen e único mérito na série foi ser parecido com Van Gogh...

- Falando em O´Neill, os fãs de Married With Children continuarão sem ver o casal Bundy no Emmy. Katey Sagal também não conseguiu ser indicada por Sons of Anarchy. A ausência mais vergonhosa de todas, já que Sagal dá a atuação do ano;

- Sons of Anarchy (uma das grandes séries do ano), aliás, não recebeu uma única indicação. Péssimo ano para o canal FX, que também não conseguiu emplacar a novata Justified (uma indicação pela abertura/créditos iniciais) e viu Damages ficar de fora, pela primeira vez, da categoria principal;

- Na categoria principal de comédia, Curb Your Enthusiasm volta, como já era esperado, e Nurse Jackie substitui Weeds como a representante da Showtime. Entourage finalmente fica de fora (após indicação por três anos consecutivos) e The Big Bang Theory também é ignorada, ao contrário do que muitos acreditavam (e não merecia mesmo);

- Parks and Recreation não conseguiu emplacar (uma estranha indicação para seus créditos iniciais, mesmo que esteja na sua segunda temporada e com a mesma abertura), mas Amy Poehler conseguiu ser lembrada como Melhor Atriz. Merecidamente. Ela e o marido Will Arnett (indicado como Ator Convidado por 30 Rock) formam o casal indicado do ano;

- Jane Lynch foi tão amada pelos votantes que, além esperada indicação como Atriz Coadjuvante (Glee), conseguiu ser lembrada como Atriz Convidade, por Two and a Half Men. Só muito amor explica a indicação, já que Lynch participa apenas do Season Premiere, com uma participação mínima de 2 ou 3 minutos em cena.

- A mini série The Pacific foi a grande campeã em indicações, com 24 no total. Entre as séries, Glee confirmou o fenômeno que é, com 19 indicações, seguida por Mad Men, com 17 indicações. 30 Rock, que ano passado bateu o recorde de séries cômicas (22 indicações) acabou com "apenas" 15. Modern Family segue logo depois, com 14.


Os indicados foram:


Melhor Série (Drama)

Breaking Bad
Lost
Dexter
Mad Men
The Good Wife
True Blood

Melhor Ator (Drama)
Matthew Fox, Lost
Bryan Cranston, Breaking Bad
Michael C. Hall, Dexter
Jon Hamm, Mad Men
Kyle Chandler, Friday Night Lights
Hugh Laurie, House

Melhor Atriz (Drama)
Glenn Close, Damages
Julianna Margulies, The Good Wife
Mariska Hargitay, Law & Order: Special Victims Unit
January Jones, Mad Men
Kyra Sedgwick, The Closer
Connie Britton, Friday Night Lights

Melhor Ator Coadjuvante (Drama)

MIchael Emerson, Lost
Aaron Paul, Breaking Bad
Terry O’Quinn, Lost
John Slattery, Mad Men
Martin Short, Damages
Andre Braugher, Men of a Certain Age

Melhor Série (Comédia)

Curb Your Enthusiasm
Glee
Modern Family
30 Rock
Nurse Jackie
The Office

Melhor Ator (Comédia)

Alec Baldwin, 30 Rock
Steve Carrell, The Office
Larry David, Curb Your Enthusiasm
Jim Parsons, The Big Bang Theory
Tony Shalhoub, Monk
Matthew Morrison, Glee

Melhor Atriz (Comédia)

Edie Falco, Nurse Jackie
Toni Collette, United States of Tara
Tina Fey, 30 Rock
Amy Poehler, Parks and Recreation
Lea Michele, Glee
Julia Louis-Dreyfus, The New Adventures of Old Christine

Melhor Ator Coadjuvante (Comédia)

Chris Colfer, Glee
Neil Patrick Harris, How I Met Your Mother
Jesse Tyler Ferguson, Modern Family
Jon Cryer, Two and A Half Men
Eric Stonestreet, Modern Family
Ty Burrell, Modern Family

Melhor Atriz Coadjuvante (Drama)

Sharon Gless, Burn Notice
Christine Baranski, The Good Wife
Christina Hendricks, Mad Men
Rose Byrne, Damages
Archie Panjabi, The Good Wife
Elisabeth Moss, Mad Men

Melhor Atriz Coadjuvante (Comédia)

Jane Lynch, Glee
Kristen Wiig, Saturday Night Live
Jane Krakowski, 30 Rock
Julie Bowen, Modern Family
Sofia Vergara, Modern Family
Holland Taylor, Two and A Half Men





Hélio Flores
twitter.com/helioflores

quarta-feira, 7 de julho de 2010

[Emmy 2010] Previsões - Melhor Série (Drama e Comédia)

Os indicados ao Emmy saem amanhã, e chegamos agora às duas principais categorias. Como nas demais, há concorrentes em excesso, ainda mais por ter sido um ano muito bom para novas séries (especialmente para comédias).

Imagino que novamente teremos sete indicados em cada categoria e, tirando alguns candidatos mais óbvios, qualquer coisa pode acontecer. Apesar da possibilidade de empate, apostarei em apenas seis candidatos.

Para ver todas as séries que tentam uma indicação ao Emmy 2010, basta clicar aqui.


Melhor Série - Drama

São elegíveis todas as indicadas do ano passado: Mad Men, Breaking Bad, Lost, House, Damages, Dexter e Big Love. A mais vulnerável seria esta última, que ano passado só foi indicada nesta categoria, com uma temporada de altos e baixos e que foi até criticada por uma de suas protagonistas (Chloe Sevigny). As demais podem se manter facilmente.

Entre as já conhecidas de todo mundo, "24" é a única que poderia ameaçar um retorno. Seu fim não foi tão badalado quanto o de "Lost", mas é impossível negar o nível de adrenalina alcançado no terço final desta que é umas das mais importantes séries da última década. Contra ela, o fato de ter uma primeira metade de temporada bem ruim, e que toda a ação final se deu em troca de uma total descaracterização do personagem (ou pelo menos é o que muitos pensam).

Entre as novidades, "The Good Wife" promete ser a nova queridinha do Emmy. Sucesso de audiência, trama que agrada a todos os gostos, protagonizada por uma atriz admirada e elenco coadjuvante muito eficiente às voltas com interessantes casos de tribunal. Não tem como ficar de fora.

"Treme", "Men of a Certain Age" e "Parenthood" são outras novas séries que poderiam cair no gosto de muitos votantes, mas entrariam no lugar de qual? "Mad Men" é mais uma vez a favorita ao prêmio; "Lost" tem seu último ano; "Breaking Bad" conseguiu se superar; "Dexter" teve sua temporada mais elogiada; "House" parece não ter ano ruim para eles (ou até teria, mas o season premiere e o season finale devem garantir muitos votos).

Sobrou para "Damages", que teve um ano tão bom quanto o anterior (ou, na minha opinião, um ano tão ruim quanto), e que pode ser prejudicada pelo fato de sua emissora estar mais empenhada na campanha de "Sons of Anarchy", uma das melhores séries do ano, a maior audiência da tv fechada, mas um pouco indigesta para o paladar dos mais conservadores. O canal FX ainda tem a novata "Justified" para se preocupar, um sucesso de crítica, mas que não tem cara de Emmy.


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Breaking Bad
2. Mad Men
3. Treme
4. Sons of Anarchy
5. 24
6. Friday Night Lights

Lamento não ter espaço para: The Good Wife, Parenthood, Men of a Certain Age, Dollhouse, Fringe.


vai dar:
1. Mad Men
2. Breaking Bad
3. Dexter
4. Lost
5. The Good Wife
6. House

Possibilidades: Treme, Damages, Men of a Certain Age, 24, Parenthood, Sons of Anarchy, True Blood.



Melhor Série - Comédia

Ao contrário de "Mad Men", que tem grandes chances de manter sua supremacia em Drama, "30 Rock" será abalada pela chegada de "Modern Family" e "Glee" que prometem ser as grandes favoritas ao prêmio. Acredito mais na primeira, que consegue agradar a qualquer tipo de público, dando vida a um formato que parecia acabado (o da sitcom "familiar"). Já a série musical parece ter virado uma espécie de "guilty pleasure" que as pessoas se orgulham em dizer que gostam. Ou seja, ninguém fala de "Glee" como se fosse algo genial, mas sim em algo que diverte, mesmo tendo enormes limitações.

Muito melhor seria lembrar de "Community", série que beirou a perfeição em sua reta final, com alguns episódios brilhantes que levam a um novo patamar o que significa fazer referência e paródia ("Modern Warfare" e "Contemporary American Poultry"). Infelizmente deve ficar de fora.

Na lista de "se eles viram, é impossível ignorar" estão "Parks and Recreation" e "Party Down", sendo que a primeira pode ter sido evitada pelo péssimo primeiro ano, enquanto a segunda continuou com baixíssima audiência. Poderia acrescentar aí "Cougar Town" que, dizem, melhora bastante depois do início constrangedor (ainda não cheguei lá).

Ainda sobre as novidades, "Nurse Jackie" tem tudo para agradar, embora seu teor dramático esteja bem acima das suas concorrentes. É a única série que concorre por duas temporadas, e talvez seus melhores momentos estejam mesmo na primeira. É a menos "freak show" das séries cômicas da Showtime, tendo maiores chances de roubar o posto que vem sendo de "Weeds": "Californication" não é lembrada nem por Duchovny e, apesar de "United States of Tara" ter sido superior nesta segunda temporada, ainda pode ser vista como esquisitinha demais para os votantes.

Em relação aos indicados do ano passado, não acho que a fraca temporada de "How I Met Your Mother" faça a série permanecer, assim como "Family Guy" que talvez tenha apenas servido para fazer história em 2009. Com "Flight of the Conchords" cancelada, sobram "30 Rock", "The Office" e "Weeds" que já fazem parte da categoria há um bom tempo e devem permanecer onde estão, e "Entourage" que muita gente espera que um dia deixará de ser indicada. Poderá ceder o lugar a "The Big Bang Theory", série que se justifica unicamente por Jim Parsons, mas por seu sucesso, acredita-se que chegará entre os finalistas deste ano.

Por fim, há "Curb Your Enthusiasm", que teve cinco de suas seis temporadas indicadas na categoria principal e está de volta após um intervalo de dois anos. Sua temporada "Seinfeld" foi bastante elogiada e é irresistível. Também parece impossível não vê-la entre as indicadas.


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Community
2. Parks and Recreation
3. 30 Rock
4. Chuck
5. Party Down
6. The Office

Lamento não ter achado espaço para: Curb Your Enthusiasm, Modern Family, The Middle, Bored to Death.


vai dar:
1. 30 Rock
2. Modern Family
3. Glee
4. The Office
5. Curb Your Enthusiasm
6. Weeds

Possibilidades: The Big Bang Theory, Entourage, Family Guy, Two and a Half Men, Nurse Jackie, How I Met Your Mother, Community, Parks and Recreation.





Hélio Flores
twitter.com/helioflores

terça-feira, 6 de julho de 2010

[Emmy 2010] Previsões - Atores Principais (Drama e Comédia)

Para ver todos os que concorrem nestas e nas demais categorias de atuação, é só clicar aqui.



Melhor Ator - Drama


Não é difícil prever quem será indicado aqui (impossível mesmo será afirmar quem vai vencer), já que cinco dos seis indicados de 2009 estão de volta e mantêm o favoritismo: Bryan Cranston, Jon Hamm, Michael C. Hall, Hugh Laurie e Simon Baker. O protagonista de "The Mentalist" é o único candidato com chances de ficar de fora, mas apenas porque ninguém mais, além dos votantes do Emmy, acha que ele merecia estar aí. Como nossa opinião não importa, acredito que outros tantos grandes concorrentes terão que brigar apenas pela vaga deixada por Gabriel Byrne.

Entre os que estão sempre próximos de uma indicação - Kyle Chandler, Bill Paxton, Denis Leary, Kiefer Sutherland - fico com Jack Bauer, não só pela despedida da série, mas todo ano que tem "24", Sutherland é indicado (a 7ª temporada foi a única que não lhe rendeu indicação, mas foi lembrado pelo telefilme "24: Redemption"). Mas mesmo quem ficou insatisfeito com "Lost", não discorda que foi o melhor momento de Matthew Fox na série, e não há dúvidas que muitos se lembrarão dele.

Entre as novidades, muito se comenta sobre Peter Krause (três vezes indicado por "A Sete Palmos") e Timothy Olyphant, mas não acho que tenham mais chances que Ray Romano, que soma várias indicações ao Emmy por "Everybody Loves Raymond" (seis delas como ator) e que surpreende em um papel dramático (e tocante) em "Men of a Certain Age". E não custa lembrar que o último indicado por comédias que partiu para um papel dramático foi Bryan Cranston...

E com tantos candidatos pra poucas vagas, é uma pena que "Treme" seja prejudicada com três atores que acabarão se anulando.


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Kyle Chandler, por Friday Night Lights
2. Jon Hamm, por Mad Men
3. Bryan Cranston, por Breaking Bad
4. Wendell Pierce, por Treme
5. Ray Romano, por Men of a Certain Age
6. Clarke Peters, por Treme

Lamento não ter achado espaço para: Hugh Laurie (House), Kiefer Sutherland (24), Charlie Hunnam (Sons of Anarchy), Peter Krause (Parenthood), Steve Zahn (Treme), Matthew Fox (Lost), Michael C. Hall (Dexter).


vai dar:
1. Bryan Cranston, por Breaking Bad
2. Michael C. Hall, por Dexter
3. Hugh Laurie, por House
4. Jon Hamm, por Mad Men
5. Kiefer Sutherland, por 24
6. Ray Romano, por Men of a Certain Age

Possibilidades: Simon Baker (The Mentalist), Matthew Fox (Lost), Peter Krause (Parenthood), Bill Paxton (Big Love), Denis Leary (Rescue Me), Kyle Chandler (Friday Night Lights).



Melhor Atriz - Drama

Parece que faz uma eternidade que Mariska Hargitay, Sally Field e Kyra Sedgwick vem ocupando metade das vagas da categoria, com Glenn Close vencendo há dois anos e certamente com nova indicação. Holly Hunter também está aí há dois anos, desde a estreia de "Saving Grace". E a única indicada ao Emmy 2009 que não voltará é Elisabeth Moss, que agora compete na categoria de Coadjuvante. Vaga, obviamente, deixada para Julianna Margulies, única capaz de acabar com a supremacia de Patty Hewes.

É uma pena que o Emmy parece colocar esta categoria no automático, mas este ano há um número considerável de opções que não poderão ignorar (ou pelo menos assim espero). Como já disse nas minhas previsões do ano passado, continuo achando que Anna Paquin e "True Blood" são uma excentricidade do Globo de Ouro e suas indicações nessa premiação não devem se repetir no Emmy. Enquanto January Jones e Connie Britton já foram ignoradas o bastante para sabermos que dificilmente quebram a hegemonia das "eternas indicadas" (Jones ainda tem a vantagem de estar numa série favorita).

O que realmente pode movimentar a categoria são as novas candidatas: Anna Gunn teve grandes momentos em "Breaking Bad" (atuando ao lado do vencedor da categoria masculina) e pode se beneficiar, caso os votantes realmente tenham amado a temporada; Melissa Leo pode não ser tão vista em "Treme", onde teve um trabalho mais impactante apenas no final da temporada, mas os votantes adoram reconhecer indicados ao Oscar; já Katey Sagal tem contra si o fato de que "Sons of Anarchy" talvez seja um pouco demais para os votantes, mas é um desses casos em que parece ser impossível não indicá-la se as pessoas certas viram a série.

Por fim, embora Lauren Graham tem a típica atuação "premiável", é difícil acreditar em indicação, quando ela NUNCA foi lembrada pelo Emmy nos tempos de "Gilmore Girls".


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Katey Sagal, por Sons of Anarchy
2. Connie Britton, por Friday Night Lights
3. Melissa Leo, por Treme
4. Anna Gunn, por Breaking Bad
5. Regina King, por Southland
6. Lauren Graham, por Parenthood

Lamento não ter achado espaço para: Julianna Margulies (The Good Wife), Glenn Close (Damages).


vai dar:
1. Glenn Close, por Damages
2. Julianna Margulies, por The Good Wife
3. Mariska Hargitay, por Lei e Ordem: SVU
4. Kyra Sedgwick, por The Closer
5. Katey Sagal, por Sons of Anarchy
6. January Jones, por Mad Men

Possibilidades: Sally Field (Brothers & Sisters), Holly Hunter (Saving Grace), Melissa Leo (Treme), Jeanne Tripplehorn (Big Love).



Melhor Ator - Comédia

Direto ao ponto: Alec Baldwin e Steve Carell são indicações automáticas. O mesmo vale para Tony Shalhoub, indicado por todas as sete temporadas anteriores de "Monk" e não ficaria justamente de fora do último ano da série. Jim Parsons foi indicado ano passado e deverá fazer parte dessa disputa em toda edição do prêmio, enquanto existir "The Big Bang Theory". Resta saber se Charlie Sheen ficará de fora, após quatro anos de indicações, por conta de seus problemas pessoais. Acho que não.

Resta apenas uma vaga, que pode ficar entre novidades como Matthew Morrison e Thomas Jane, mas acredito que Larry David estará de volta à competição, após dois anos ausente. Como meus favoritos David Duchovny e Zachary Levi nunca estão no radar do Emmy, e novidades mais interessantes como Joel McHale e Jason Schwartzman não terão muitos fãs, acho que a única dúvida mesmo fica no destino do protagonista de "Two and a Half Men".


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Steve Carell, por The Office
2. Zachary Levi, por Chuck
3. Jim Parsons, por The Big Bang Theory
4. David Duchovny, por Californication
5. Alec Baldwin, por 30 Rock
6. Jason Schwartzman, por Bored to Death

Lamento não ter espaço para: Larry David (Curb Your Enthusiasm), Adam Scott (Party Down), Thomas Jane (Hung), Joel McHale (Community).


vai dar:
1. Alec Baldwin, por 30 Rock
2. Steve Carell, por The Office
3. Jim Parsons, por The Big Bang Theory
4. Tony Shalhoub, por Monk
5. Larry David, por Curb Your Enthusiasm
6. Charlie Sheen, por Two and a Half Men

Possibilidades: Matthew Morrison (Glee), Thomas Jane (Hung), David Duchovny (Californication).



Melhor Atriz - Comédia

Todas as indicadas do ano passado estão de volta, mas apenas a vencedora Toni Collette e Tina Fey tem suas vagas garantidas. Isso porque um número considerável de novas candidatas podem roubar o lugar de Mary-Louise Parker, Sarah Silverman, Julia Louis-Dreyfus e Christina Applegate (as duas últimas concorrendo apenas este ano, já que suas séries foram canceladas).

Entre elas, não há dúvidas de que Edie Falco é a grande certeza, enquanto Lea Michele e Courtney Cox-Arquette dependerão de mesma adoração que o Globo de Ouro demonstrou por elas - e sabemos que nem sempre estes dois grupos tem as mesmas preferências. Nomes mais adorados são os de Patricia Heaton (indicada por sete anos consecutivos por "Everybody Loves Raymond") e Amy Poehler, que nos últimos dois anos vem sendo lembrada por seu trabalho em "Saturday Night Live" e já poderia ser dada como certa, caso tivéssemos certeza que os votantes deram nova chance a "Parks and Recreation".


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Edie Falco, por Nurse Jackie
2. Amy Poehler, por Parks and Recreation
3. Tina Fey, por 30 Rock
4. Toni Collette, por United States of Tara
5. Mary-Louise Parker, por Weeds
6. Courtney Cox-Arquette, por Cougar Town

Lamento não ter achado espaço para: Patricia Heaton (The Middle), Portia DeRossi (Better Off Ted).


vai dar:
1. Edie Falco, por Nurse Jackie
2. Toni Collette, por United States of Tara
3. Tina Fey, por 30 Rock
4. Mary-Louise Parker, por Weeds
5. Julia Louis-Dreyfus, por The New Adventures of Old Christine
6. Lea Michele, por Glee

Possibilidades: Amy Poehler (Parks and Recreation), Patricia Heaton (The Middle), Cortney Cox-Arquette (Cougar Town), Christina Applegate (Samanta Who?), America Ferrera (Ugly Betty), Sarah Silverman (Sarah Silverman Program).





Hélio Flores
twitter.com/helioflores

segunda-feira, 5 de julho de 2010

[Emmy 2010] Previsões - Atores Coadjuvantes (Drama e Comédia)

Para ver todos os que concorrem nestas e nas demais categorias de atuação, é só clicar aqui.


Ator Coadjuvante - Drama


Embora haja um número enorme de grandes atores competindo por uma vaga aqui, esta talvez seja a categoria com menor dificuldade em se prever. Michael Emmerson, Aaron Paul e John Slattery devem repetir suas indicações do ano anterior, Damages deve garantir mais uma vaga, e Terry O´Quinn, que não se submeteu em 2009, retorna para uma das vagas deixadas por "Boston Legal". A especulação maior seria pelo sexto indicado, que pode muito bem ficar para uma das diversas novas séries, como "Treme" (John Goodman), "Parenthood" (Craig T. Nelson), "The Good Wife" (Chris Noth) ou, aparentemente favorito, "Men of a Certain Age" (Andre Braugher, destaque também em "House").

Fora isso, o elenco de "Mad Men" sempre tem chances (em especial Vincent Kartheiser, mas seria muito bom ver também Bryan Batt), "Damages" tem mais de um ator na disputa (minha aposta é Martin Short, mas Campbell Scott e Tate Donovan tem muitos momentos "premiáveis") e se "Breaking Bad" bater forte entre os votantes, difícil ignorar o brilhantismo de Dean Norris e Giancarlo Esposito.


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Aaron Paul, por Breaking Bad
2. John Goodman, por Treme
3. Dean Norris, por Breaking Bad
4. Giancarlo Esposito, por Breaking Bad
5. John Slattery, por Mad Men
6. John Noble, por Fringe

Lamento não ter achado espaço para: Vincent Kartheiser e Bryan Batt (Mad Men); Terry O´Quinn, Michael Emmerson e Josh Holloway (Lost); Dayton Callie, Kim Coates e Ryan Hurst (Sons of Anarchy); Dax Shepard (Parenthood); Scott Bakula e Andre Braugher (Men of a Certain Age); Martin Short (Damages).


vai dar:
1. Aaron Paul, por Breaking Bad
2. Terry O´Quinn, por Lost
3. Michael Emmerson, por Lost
4. John Slattery, por Mad Men
5. Martin Short, por Damages
6. Andre Braugher, por Men of a Certain Age

Possibilidades: John Goodman (Treme), Craig T. Nelson (Parenthood), Dean Norris (Breaking Bad), Vincent Kartheiser (Mad Men), Campbell Scott (Damages), John Noble (Fringe), Chris Noth (The Good Wife).



Melhor Atriz Coadjuvante - Drama

Muito mais difícil é tentar adivinhar quais serão as indicadas de uma categoria que tem uma dúzia de favoritas. Não há "In Treatment" este ano, e a vencedora do ano passado, Cherry Jones, decidiu ficar de fora da competição. Enquanto Anna Gunn e Katey Sagal decidiram mudar para a categoria principal. Melhor para Rose Byrne, Chandra Wilson e Sandra Oh, que continuam com boas chances de permancerem indicadas. Enquanto acho que Byrne não tenha um único momento digno de indicação este ano, não dá pra ignorar que a dupla de "Grey´s Anatomy" participa desta categoria há quatro anos consecutivos (Oh, há cinco). Wilson tem até mesmo boas chances de finalmente vencer, pelo elogiado season finale. Sua principal concorrente seria Elisabeth Moss, que foi bastante esperta em se retirar da categoria principal e se candidatar como coadjuvante. Moss não teve tanto destaque como nas temporadas anteriores, mas tem material suficiente pra ser novamente indicada. E se conseguiu ano passado estar entre as seis atrizes principais, aqui já é franca favorita ao prêmio.

Por outro lado, Chloe Sevigny (que já tem o Globo de Ouro deste ano), Rachel Griffiths (indicada em 2007 e 2008), S. Epatha Merkerson (personagem nunca foi tão "premiável" como na temporada final de "Lei e Ordem") e Christina Hendricks (que todo mundo ama) estão sempre entre as mais cotadas para conseguir uma vaga. Terão que disputar com novas e fortes candidatas, como Christine Baranski, escolha inevitável caso "The Good Wife" se confirme como queridinha do Emmy; ou Kim Dickens e Khandi Alexander, também inevitável caso um número considerável de votantes tenha visto "Treme".

Com tantas possibilidades, talvez não seja possível lembrarem de Lisa Edelstein, que é o mais perto que um ator regular de "House", que não se chama Hugh Laurie, já chegou de receber uma indicação; ou de Annie Wersching, que foi a melhor coisa durante o (péssimo) início da temporada final de "24 Horas".


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Elisabeth Moss, por Mad Men
2. Christina Hendricks, por Mad Men
3. Kim Dickens, por Treme
4. Khandi Alexander, por Treme
5. Annie Wersching, por 24 Horas
6. Archie Panjabi, por The Good Wife

Lamento não ter achado espaço para: Aimee Teegarden (Friday Night Lights), Christine Baranski (The Good Wife), Maggie Siff (Sons of Anarchy), Jennifer Carpenter (Dexter)


vai dar:
1. Elisabeth Moss, por Mad Men
2. Chandra Wilson, por Grey´s Anatomy
3. Christine Baranski, por The Good Wife
4. Khandi Alexander, por Treme
5. Sandra Oh, por Grey´s Anatomy
6. Rose Byrne, por Damages

Possibilidades: Rachel Griffiths (Brothers and Sisters), Chloe Sevigny (Big Love), Christina Hendricks (Mad Men), Kim Dickens (Treme), Lisa Edelstein (House).



Ator Coadjuvante - Comédia

A mais interessante das categorias. Todos os seis indicados de 2009 não só são elegíveis, como seriam certos em qualquer outro ano: Jon Cryer, Neil Patrick Harris, Kevin Dillon e Rainn Wilson formam um quarteto indicado por 3 anos consecutivos, enquanto Tracy Morgan e Jack McBrayer finalmente tiveram ano passado o reconhecimento que faltava a "30 Rock". Já poderia ser dada como certa a indicação de todos, só arriscando deixar de fora o tricampeão Jeremy Piven, John Kransinski e Justin Kirk (ambos, sempre no radar do prêmio).

O que torna tudo complicado são as novas séries. "Modern Family" deverá ter grande destaque, e todo o seu elenco se submeteu como coadjuvante, tendo, no mínimo, três candidatos de força: Ed O´Neill, Ty Burrell e Eric Stonestreet. "Community" e "Bored to Death" não devem ir muito longe, mas trazem Chevy Chase e Ted Danson, nomes adorados pelos votantes que poderiam ser dados como certos num ano menos competitivo. Ainda assim, não seria muito surpreendente vê-los indicados. E há ainda "Glee", com Chris Colfer e um bom número de coadjuvantes em "Parks and Recreation", que a esta altura ninguém sabe se os votantes se deram a oportunidade de ver como a série cresceu.

De minha parte, não entendo a adoração em cima do Jon Cryer e Rainn Wilson há muito tempo tem o personagem menos interessante de "The Office". Não entendo como ele continua sendo indicado, ao invés dos colegas Krasinski e Ed Helms. Já McBrayer foi um dos atingidos pela fraca temporada de "30 Rock", enquanto Tracy Morgan pode se garantir apenas pelo já clássico monólogo (improvisado?) sobre sua terrível infância. Quanto às novidades, O´Neill parece se sustentar unicamente pelo seu nome (e, pasmem, Al Bundy nunca foi indicado ao Emmy!), eclipsando Rico Rodriguez que deve se tornar, ao lado de Kiernan Shipka, a segunda criança este ano a ser injustiçada pela premiação. E se Chase é quem tem mais chances em "Community", é só porque Ken Jeong e Jim Rash não tem tanto tempo em tela como os demais da série.


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Chris Pratt, por Parks and Recreation
2. Ken Jeong, por Community
3. Peter Facinelli, por Nurse Jackie
4. Ty Burrell, por Modern Family
5. Ken Marino, por Party Down
6. Nick Offerman, por Parks and Recreation

Lamento não ter espaço para (até dói, em alguns casos): Neil Patrick Harris e Jason Segel (How I Met Your Mother), Ted Danson (Bored to Death), Keir Gilchrist (United States of Tara), Tracy Morgan e Jack McBrayer (30 Rock), Rico Rodriguez (Modern Family).


vai dar:
1. Neil Patrick Harris, por How I Met Your Mother
2. Ty Burrell, por Modern Family
3. Eric Stonestreet, por Modern Family
4. Tracy Morgan, por 30 Rock
5. Kevin Dillon, por Entourage
6. Chris Colfer, por Glee

Possibilidades: Jon Cryer (Two and a Half Men), Rainn Wilson (The Office), Ed O´Neill (Modern Family), Ted Danson (Bored to Death), Jeremy Piven (Entourage), John Krasinski (The Office), Chevy Chase (Community), Nick Offerman (Parks and Recreation)



Melhor Atriz Coadjuvante - Comédia

Nos últimos três anos, apenas Vanessa Williams e Elizabeth Perkins foram constantes nesta categoria, com ambas tendo uma última oportunidade de indicação (e de vencer): "Ugly Betty" foi cancelada e Perkins deve voltar apenas para alguns episódios de "Weeds", após anunciar seu afastamento da série. As últimas vencedoras vieram de séries já canceladas, mostrando que há uma disputa totalmente em aberto pelas outras quatro vagas. Ou melhor, três vagas, já que Jane Lynch, neste momento, é dada como certa até mesmo para vencer.

Julie Bowen e Sofia Vergara também aparecem como grandes chances, mas não consigo acreditar na primeira. Basta ver Bowen em "Modern Family", "Weeds" e "Boston Legal" para saber o quanto ela é limitada como atriz. Muito melhor seria apostar no retorno de Jenna Fischer, que teve momentos bem especiais na fraca temporada de "The Office", ou em Kristen Wiig, que deve repetir indicação do ano passado por "Saturday Night Live".

As outras possibilidades dependem de como os votantes receberão "Hung", "Community" e "Nurse Jackie", já que Jane Adams, Alison Brie e Merrit Wever são boas surpresas do ano. E se não há favoritismo de ninguém (exceto de Lynch e, talvez, Vergara), é sempre possível o retorno de Jane Krakowski, Holland Taylor e Cheryl Hines à disputa. Ou seja, enquanto a categoria de ator coadjuvante se destaca pela vontade de se indicar todo mundo, esta aqui chama a atenção por parecer desinteressante. Só lamentarei mesmo pela ausência de Rosemarie DeWitt, que cresceu maravilhosamente na segunda temporada de "United States of Tara".


meu voto (mais ou menos em ordem de preferência):
1. Rosemarie DeWitt, por United States of Tara
2. Aubrey Plaza, por Parks and Recreation
3. Merrit Wever, por Nurse Jackie
4. Jenna Fischer, por The Office
5. Ellie Kemper, por The Office
6. Cobie Smulders, por How I Met Your Mother

Lamento não ter espaço para: Alison Brie (Community), Jane Lynch (Glee), Eden Sher (The Middle), Sofia Vergara (Modern Family), Jane Adams (Hung), Jane Krakowski (30 Rock).


vai dar:
1. Jane Lynch, por Glee
2. Sofia Vergara, por Modern Family
3. Vanessa Williams, por Ugly Betty
4. Jenna Fischer, por The Office
5. Kristen Wiig, por Saturday Night Live
6. Jane Krakowski, por 30 Rock

Possibilidades: Elizabeth Perkins (Weeds), Julie Bowen (Modern Family), Cheryl Hines (Curb Your Enthusiasm), Alison Brie (Community), Rosemarie DeWitt (United States of Tara), Holland Taylor (Two and a Half Men).




Hélio Flores
twitter.com/helioflores