quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

[Sherlock] A série da BBC

O charme, a inteligência e a arrogância inglesa resumidas em apenas um personagem fictício. Muito provavelmente, desde o final do século XIX, nunca tenha aparecido em páginas de livros ou em produções cinematográficas um detetive tão peculiar, portador de talentos que passam longe de um “ser humano comum” e de uma personalidade quase anti-social, se não fosse pelo fato do “social” ser intrinsecamente ligado ao seu ofício.

Na verdade, o que Sherlock Holmes faz é considerado, por ele e para ele, muito mais diversão do que ofício, de fato. Desvendar enigmas, casos complexos, mistérios além da compreensão de pobres mortais sempre foi o prazer escancarado desse atípico e excêntrico investigador, que apareceu pela primeira vez no romance A Study in Scarlet (Um estudo em Vermelho) de Sir Arthur Conan Doyle, seu criador.

Durante todas essas décadas, a quimera sherlockiana tem sido reproduzida pelos quatro cantos do mundo. O clássico literário foi resgatado e, importante enfatizar, revitalizado, pela BBC esse ano de 2010 com o nome “Sherlock”, apenas.

É dispensável contar aqui as narrativas desses únicos três episódios de 90 minutos cada, embora sejam intrigantes e envolventes. Incorporando o Sherlock Holmes way of life, vou me ater a apenas alguns detalhes importantes (“As coisas aparentemente mais insignificantes são da maior importância").

"A study in pink" (em referência ao romance do século XIX), “The Blind Banker “ e “The Great Game” são episódios que trazem o que há de mais cativante nas histórias de SH e seu elementar parceiro, o médico John Watson. Começando pela hilária relação dos dois, que conquista um grau de confiança mesmo quando todos alertam Watson sobre a psicopatia de Holmes. A cumplicidade entre eles em apenas algumas horas depois de quando foram apresentados é transcendental, como sempre foi. Isso porque em pouco tempo descobrem, de uma forma estranha (para Watson), que têm muito em comum: são inquietos e entediados por natureza (embora Watson lute contra isso, tentando estabilizar sua vida após a traumática passagem pelo Afeganistão como médico militar) e aspiram aventuras nada comuns, quero dizer, fúnebres e macabras.


Martin Freeman e Benedict Cumberbatch (Watson e Sherlock, respectivamente), saboreando os mistérios da “dama de pink”. No fundo, o inspetor Lestrade (Rupert Graves)


Todo o início da história da dupla é retratado, assim como no livro A Study in Scarlet. A novidade então fica por conta da contemporaneidade aplicada na trama. Desde recursos de edição até recursos de linguagem ultra atuais, Sherlock traz o conceito de um clássico centenário numa configuração capaz de atrair todas as idades, em especial os mais jovens.

Movimentos de câmera, diálogos versáteis e rápidos, inserções de texto na tela cada vez que uma mensagem de texto de celular era lida... nada sem muita inovação, na verdade nada do que já não tenha sido feito antes, em produções mais novas.Mas é interessante vendo tudo sendo aplicado ao clássico encarnado tantas outras vezes.

A tecnologia surge como um suporte importante pra Sherlock. O seu smartphone funciona como extensão da sua mente, que na maioria das vezes é mais veloz que bits e bytes, mas que não dispensa um site de busca, um GPS e até mesmo uma consulta rápida à Previsão do Tempo.


Como esteve o tempo nos arredores de Londres nas últimas 24 horas, Sherlock?


Aliás, todos são dependentes de celulares e computadores. É SMS pra não acabar mais, Holmes é famoso pelo se blog “The science of deduction”, onde escreve sobre seus casos em que esteve envolvido, e até Watson possui um blog com o objetivo de “externalizar” seus traumas de guerra e posteriormente para contar as suas aventuras com Holmes.

Mesmo com essa modernice toda, Sherlock não é nada extravagante e mantém o delicioso humor e a elegante sobriedade ingleses.

Sherlock também faz uma espécie de homenagem à Londres, como não poderia faltar ao estilo britânico. Lindas imagens da capital inglesa e toda sua elegância peculiar marcam o tempo da série em “insides” necessários, já que são episódios longos.

Tudo isso torna Sherlock mais próximo da nossa realidade e mais divertido. Fãs mais tradicionais podem até se sentir ofendidos, já que os métodos não são mais aqueles, vamos dizer assim, "manuais”, mas a adaptação convence.

Cenas de perseguição, aventura, suspense por becos escuros, molhados e sinistros. Essa é a Londres dos serial killers.


Infelizmente, o season finale, “The Great Game”, deixou a desejar na última cena, apelando pra um tremendo clichê para deixar o suspense para a já confirmada segunda temporada.

Embora eu só tenha feito comentários elogiosos, Sherlock não tem nada excepcional. Mas é divertido, envolvente e gostoso de ver.

Até mais!



Michele do Carmo
twitter.com/carmomichele

3 comentários:

Ribas disse...

Arre!! Bem batuta alguém comentar essa mini série...

A BBC tem feito algumas coisas dignas de comentário... PARABÉNS!!

birasblog disse...

excelente!!!!

Anônimo disse...

Muito bacana mesmo.

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