segunda-feira, 30 de setembro de 2013

[Breaking Bad] 5x16 - Felina



 

“I did it for me. I liked it. I was good at it. And... I was... really... I was alive.” – Walter White


 "I want this." - Walt
"Then do it yourself" - Jesse


Quem acompanha o twitter ou qualquer outra rede social, sabe o quanto “Breaking Bad” foi discutida, comentada, elogiada, criticada nesses últimos dois meses. E isso torna a experiência de ver o episódio final um tanto complicada: que tipo de fim eu desejo e imaginei que seria o melhor pra série? Quais, dentre todas as teorias e especulações, estarão corretas? Eu quero um final inesperado ou exatamente da forma que pensei? É melhor amarrar todas as pontas ou será interessante deixar em aberto e terminar de forma ambígua? Como cumprir e até superar expectativas com algo que já discutimos tanto, que já analisamos todas as possibilidades e, principalmente, que vem após uma sequência de episódios não só incríveis, mas que já funcionavam perfeitamente como fim da série?

Não quero discutir muito sobre “Felina”. Imagino que as questões do parágrafo acima serão pretexto pra vários textos de críticos de TV pelos próximos dias. Que muitos fãs ficarão plenamente satisfeitos com o que viram, e outros certamente dirão que a série deveria ter se encerrado com “Ozymandias”. No fim, a reação parece depender muito da preferência pessoal pelo tipo de conclusão que cada um acharia “justa” pra jornada. Particularmente, entenderia o fim trágico e depressivo com o protagonista livre e com outra identidade, deixando um rastro de destruição pra trás, à espera do câncer concluir seu serviço. Mas me parece natural também a necessidade de não deixar pontas soltas, de oferecer uma conclusão mais amarrada e fechada, que satisfaça e até retribua o espectador por ter acompanhado esta jornada – afinal, é uma série de gênero, um conto moral de estrutura narrativa convencional

O que mais me importa é que, felizmente, esta conclusão não sacrificou a lógica interna da série para que fosse mais agradável ao gosto comum, e é mais um grande episódio com tudo o que já estamos habituados: a inteligência visual, a excelência dos atores e do texto, os belos momentos de impacto emocional.

Um dos primeiros comentários que li no twitter assim que terminei de ver o episódio foi uma queixa: ficamos tão acostumados em sermos surpreendidos por “Breaking Bad” e “Felina” nos dá exatamente o que esperávamos. Realmente não somos muito surpreendidos com o que acontece, sendo até previsível: Walt se despede da família, realiza sua vingança e liberta Jesse antes de morrer. O “COMO” acontece também está longe da imaginação fértil de vários momentos chocantes que a série nos deu em todos estes anos. Acredito que isso se deve ao pouco tempo restante para amarrar as pontas. Ao fim de “Granite State” fiquei com a impressão de que seria necessário pelo menos mais dois episódios para concluir tudo, o que faria deste finale algo ainda mais frenético do que vimos nos últimos meses. E aí está a surpresa: é lento e melancólico. Veja o tempo que se leva com a abertura ou com a sequência na casa dos ex-sócios de Walt. Gilligan optou por uma despedida triste e “cansada” (estou escrevendo após ter visto o episódio pela primeira vez, mas uma das sensações fortes foi de ter acompanhado por 50 minutos os últimos passos de um homem que está além da depressão, do desespero, de qualquer sentimento, de vontade e até mesmo de impotência) ao invés de investir na catarse da vingança que esperávamos. Que ainda assim foi satisfatória.


Infelizmente não terei tempo pra discutir muito mais sobre este final. Mas no calor do momento, o que mais me agradou:


- A última abertura da série ser o comentário final da “mão de Deus” que guia a jornada de Walt. Pode ser a mão de Gilligan, ou a sorte a que Jesse se refere alguns episódios atrás. Imagino que deverá irritar os que pedem realismo;

- O plano de deixar dinheiro para seus filhos através dos ex-sócios é uma dessas soluções criativas para situações impossíveis que sempre me fascinou na série. E claro que dará certo. Badger e Skinny são perigosos;

- É uma forma de redenção, mas Walt precisava assumir para Skyler o que já sabíamos. Foram cinco temporadas de negação, foi tocante e imagino que isso fez com que ele salvasse Jesse. Tá, vê-lo como escravo deve ter contribuído também;

- A despedida de Holly é de partir o coração;

- Jack tem um final parecido com o de Hank: um tiro na cabeça enquanto falava (oferecendo dinheiro que o próprio Walt ofereceu em vão pela vida do cunhado);

- Walt matou Krazy-8 na primeira temporada da mesma forma que Jesse mata Todd agora. O que foi o início pra um, é o final pra o outro;

- Minha principal curiosidade era sobre o fim entre Walt e Jesse. Parece clichê, mas é muito apropriado (e bonito) que Walt morra no laboratório, se despedindo do que lhe era tão importante, com o reflexo de sua imagem semelhante a Heisenberg. Melhor ainda que Jesse tenha a oportunidade de matá-lo e não o faz: Walt pede pra que o mate e Jesse cumpre sua promessa de nunca mais fazer o que Mr. White mandar.

Fiquei com uma dúvida em relação à troca final de olhares entre os dois: Jesse escutou a conversa de Walt ao telefone sobre a ricina? Primeira coisa que pensei foi que ele só entendeu naquele momento que Brock não foi vítima do veneno, mas não faz muito sentido (ser envenenado por uma planta dá na mesma, não?). Fato é que a expressão de Aaron Paul pareceu uma espécie de entendimento ou perdão.


Revisitarei o final quando a série deixar de ser o assunto do momento e os ânimos se acalmarem. 





Hélio Flores
twitter.com/helioflores

3 comentários:

Marcelo disse...

Lendo o texto do seu amigo Saymon sobre a série, entendo o motivo de ele se irritar, pela vontade irresistível de querer fechar todas as pontas. A impressão sobre este episódio não deve ter sido das mais positivas.

Compreendendo que o estilo da série é esse, vejo incoerência em uma coisa: deixarem não totalmente explícito o entendimento entre Jesse e Walt por causa da ricina. Muita sutileza pro gosto da série. O que não foi visto no envenenamento de Lygia: a participação dela poderia ter terminado naquele sachê de falso açúcar. Talvez a coincidente ligação na hora H tenha servido mais para a cena com o Jesse, mas a função primária dela é redundante. Ela ainda se entrega toda, perguntando se mataram o Walt. AFF. Uma questão: será que, informada que foi envenenada por ricina, ela conseguiria chegar a tempo no hospital e se salvar?

Aposto que matança pela metralhadora por controle remoto tenha colocado em êxtase muitos fãs e espectadores médios. Quando você insere o estilo de BrBad numa obra de gênero, penso que a catarse - momentânea - foi ótima, mas é uma cena que certamente diminuiria na minha memória depois de um tempo.

Achei óbvio - e preguiçoso? - o enquadramento que separa Walt da mulher por uma pilar de madeira. E clichê o afastamento da câmera após a morte de Walt, como se estivéssemos dando o definitivo adeus àquele mundo. Coisa que li - só que ao contrário - numa crítica do último filme de Harry Potter, que positivamente não termina - para sempre - dessa maneira.

Não saquei o devaneio do Jesse, fazendo uma pequena caixa de madeira, com apenas a luz solar o iluminando. Será que aquilo seria uma metáfora a um caixão, mesmo que em miniatura, já que ele estava condenado?

Espero que você volte a este último episódio rapidamente, sem se influenciar pelo momento, mas também sabendo pontuar eventuais falhas.

Abs

Anônimo disse...

Não me perguntem como o Walter levou aquele tiro, que eu não sei.

Anônimo disse...

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