sexta-feira, 8 de agosto de 2008

[Mad Men] 2x01 For Those Who Think Young

Pois é, sei que não sentiram minha falta, mas estou de volta. E nada melhor do que voltar comentando minha menina dos olhos entre as séries de televisão no ano passado: Mad Men. Talvez uma das poucas séries que ainda consiga desenvolver um roteiro intrigante e sutil, sempre respeitando a inteligência do telespectador. Foram tantas manobras de marketing, maratonas de reprises e críticas positivas (entre elas as indicações ao Emmy) que a série re-estreou em sua segunda temporada com recorde de audiência para o canal AMC, conseguindo o dobro da média da temporada passada. Mas chega de falar dos bastidores e vamos falar dos fascinantes anos 60, palco da última grande mudança da sociedade americana.

Ao som de "Let's Twist Again", grande sucesso de Chubby Checker que já chegou a embalar uma das danças de Peggy em "The Hobo Code", acompanhamos cenas com algumas mudanças nas personagens 15 meses depois de Don Draper abandonar sua família no Dia de Ação de Graças. Sim, já estamos no ano de 1962, mais precisamente no dia dos namorados, como podemos constatar com o programa de televisão mostrando uma visita à Casa Branca apresentada por Jackie Kennedy.
O título "For Those Who Think Young" refere-se ao slogan da Pepsi no começo dos anos 60 e representa tudo aquilo que Don Draper tenta renegar. Enquanto os fantasmas da idade começam a preocupá-lo, com a consulta médica e a falha durante sua relação sexual com Betty, Don continua a manter sua postura romântica em relação à comunicação com seu público -- como no seu emocionante discurso sobre o carrossel em "The Wheel" -- sem perceber que a publicidade está cada vez mais sendo tomada pela racionalidade e ironia. Don tem razão em criticar aquilo que lhe parece ser uma geração sem sensibilidade e acima de tudo respeito, como fica evidente na cena do elevador em que um grupo de jovens continua disparando barbaridades mesmo na presença de uma mulher. E esse espírito jovem, antes incorporado em Peter, agora encontra apoio de Duck, que como pudemos ver na temporada anterior -- quando sugeriu a mudança de foco da Sterling Cooper -- conta com confiança total de Roger Sterling, tornando-se um oponente muito mais ameaçador para Don Draper. No entanto, chega a causar surpresa Don aceitar o desafio de que o livro de Frank O'Hara não seria para ele. Talvez ele enxergasse pelo título uma forma de aliviar seu stress. Embora tudo leva a crer que ele esteja enviando aqueles versos para Midge, não deixa de ser misteriosa a carta de Draper no final do episódio.

E falando em mistério, é interessante também desvendar o que poderia ter acontecido entre as duas temporadas, principalmente em relação a Peggy. A única coisa que se sabe através dos outros funcionários é que ela teria ficado três meses afastada, o que não descartaria a possibilidade de continuar com seu filho. Sua promoção de cargo também adicionou uma dinâmica interessante, repreendendo as fofocas pelos corredores e querendo mostrar superioridade à nova secretária de Don Draper. E com Joan desafiando Peggy, ao colocar em sua sala a máquina de Xerox, mais um confronto parece formar-se para a temporada.

Porém, a maior mudança e que deve gerar novos desdobramentos para Don Draper é a situação de sua mulher, Betty. O que aconteceu com o casal após aquele Dia de Ação de Graça deve ser revelado aos poucos, mas até pela presença da empregada doméstica em seu lar, parece visível como Betty está mais independente. Deslumbrada pela sexualidade cada vez mais recorrente, que nesse caso a atinge por uma ex-colega estar fazendo programas, Betty toma para si grande parte das opiniões de Don enquanto conversa com sua amiga. Além disso, ela chega a desafiar os seus próprios limites quando tenta ganhar de forma provocante um desconto com o mecânico (aliás, tive receio até dele usar de violência para concretizar essa fantasia).

No escritório, a única mudança digna de nota é Salvatore, que agora aparece casado. Mas duvido que sua saída do armário termine aí. Por tudo isso, a segunda temporada de Mad Men chega ainda mais promissora do que a anterior, com Don Draper e sua resistência pelo novo estar atingindo o limite. Sei que estou atrasado nos comentários, mas espero colocar tudo em dia na próxima semana. Até lá.



e.fuzii

2 comentários:

Danilo disse...

Oopa!


Essa... Eu tenho de assistir!


Tem uma da HBO que também é muito boa! Já assistiu "The Wire"?

e.fuzii disse...

Estou ainda na primeira temporada de "The Wire" (acho que no sexto episódio), mas tive de dar uma parada por falta de tempo. A série é mesmo fantástica...

Essa nova minissérie da HBO, "Generation Kill" também é bastante interessante e é adaptada pelo mesmo David Simon de "The Wire".