sexta-feira, 10 de abril de 2009

[LOST] 5x12 Dead is Dead

Quantas vezes já não ouvimos dizer que um episódio foi "de enrolação"? Mas ainda mais grave do que adotar um ritmo mais cadenciado enquanto explora-se as motivações de seus personagens, é a história simplesmente deixar de convencer. Nem preciso dizer o quanto não me agrada grande parte da "mitologia" que envolve a série, desde o monstro de fumaça até as constantes referências à civilização egípcia. E apesar desse episódio ter sido bastante interessante no enfoque dado a Benjamin Linus, o que obviamente possibilitou que Michael Emerson mostrasse novamente todo seu talento, a grande fragilidade esteve na tentativa de preencher as diversas lacunas, quando realmente sentia que estava sendo enrolado.
Depois de Rousseau finalmente encontrar sua filha perdida por mais de 15 anos, parecia óbvio que os roteiristas não sabiam mais onde enfiá-la. Tanto é que sua morte, caracterizando uma quase queima de arquivos, foi um dos momentos mais frustrante da temporada passada. Mas mesmo depois disso, dimensionar Rousseau na história geral da Ilha e da Dharma continuava sendo um grande desafio. Afinal, como ela poderia ter ficado tanto tempo sem encontrar os tais Outros? Seu encontro com Jin, logo quando sua expedição chegou à Ilha, já era motivo para que muitos duvidassem desse cômodo esquecimento, a ponto de levantar teorias envolvendo as fragilidades do tempo, mas a forma como se deu o rapto de Alex chega a ser imperdoável. A não ser que Rousseau tenha sofrido algum tipo de lavagem cerebral -- o que também seria ridículo --, esse é um evento traumático e flagrante demais para ela simplesmente esquecer do rosto de Ben, mesmo que ele aparentasse ser mais jovem do que os 20 e poucos anos de maquiagem pudessem indicar. Vai chegando uma hora que não dá mais para colocar toda a culpa nas loucuras da francesa.

Em relação à mística da Ilha, acho que o grande problema é o quanto o público clama por explicações do porquê aquele lugar é cercado por tantos milagres. Não vejo problema nesses milagres por si só, como por exemplo a ressurreição de Locke. Se pararmos para pensar, a vida é cheia de casos inexplicáveis e a série só se preocupa em potencializar tudo isso na Ilha. Mas apelar para soluções risíveis já é demais. Depois da roda de burro ou até do monstro de fumaça ter poupado a tropa de Keamy na temporada passada, confesso que não consigo imaginar que alguém elabore uma explicação tão risível quanto invocar o monstro de fumaça esvaziando uma poça de lama. É muito frustrante, assim como saber que Ben não tem noção alguma do que ele é, ou onde pode encontrá-lo. Também não sei até que ponto chegarão essas origens egípcias, mas só de ver Anubis encarando uma figura parecida com o monstro de fumaça, já começo a me preocupar. Espero mesmo que eles não queiram reescrever a História, mesmo que ali fosse um local dos prováveis julgamentos após a morte, ou como dizia Charlotte "o local da morte".
Mas apesar de tudo isso, "Dead is Dead" foi bastante interessante pela forma como dialoga com o final do episódio da semana passada. Se ali ficamos chocados em saber das origens de Benjamin quando teve suas memórias e a própria inocência apagadas, dessa vez ele foi submetido ao merecido julgamento pelo único traço de humanidade que ainda lhe restava: Alex. Acompanhamos o momento do rapto, em que Ben prefere poupar a vida de Rousseau em troca da possibilidade de criar uma filha. Seus motivos eram óbvios, já que foi ele quem decidiu "purgar" também sua família, apesar da conturbada relação com seu pai. Mas essa adoção desencadeou o primeiro entrever entre Ben e Widmore e que se estenderia pelo resto de seus encontros. A situação piora quando na suas idas e vindas, Widmore acaba tendo uma filha fora da Ilha, e acaba banido para sempre. Mas pela sua conversa com Locke em "The Life and Death...", dava a entender que Widmore teria girado a roda de burro também, até por saber o local do deserto da Tunísia onde essa saída levaria.
Enfim, o importante é que essa disputa levou Widmore a se vingar da forma mais vil possível, exatamente dando fim à querida Alex diante dos próprios olhos de Ben, naquela que é uma das cenas mais tensas da série, vista em "The Shape of Things to Come". Apesar de Ben, como já sabíamos, também ter ido atrás de Penny para eliminá-la com suas próprias mãos, ele acaba falhando justamente quando vê o pequeno Charlie saindo do barco e acaba sendo nocauteado por Desmond. Assim como poupou a vida da francesa, acredito que Ben não teria coragem de matar Penny naquela situação. Por isso, a morte de sua filha era razão mais do que suficiente para que seu "coração fosse pesado" (alguém mais imaginava ver essa cena literalmente acontecendo?), seguindo a tradição egípcia de Anubis.
Encarando Alex, incorporada pelo monstro de fumaça, Ben acaba pedindo seu perdão e tendo sua vida poupada contanto que aceitasse uma condição: respeitar e seguir todas as ordens de Locke. Essa renúncia talvez fora o que faltou no julgamento de Mr. Eko, morto após encarar também a aparição do monstro no início da terceira temporada. O que continua sendo intrigante é essa volta de John locke ao mundo dos vivos. Até pela sua segurança em saber exatamente onde levar Benjamin para ser julgado e o fato de só voltar para ajudá-lo assim que o monstro sumiu, tudo leva a crer que seu corpo foi mesmo apoderado nesse retorno. Afinal, é assim que Christian anda pela Ilha, não? E a morte é mesmo o fim, como diz o título do episódio, certo? Mas essa inversão de papéis tem tudo para ser bem interessante, com Locke finalmente dando as cartas e Ben tendo de ser "apenas" um de seus capangas.

e.fuzii

13 comentários:

Adelson (TD Séries) disse...

Olá, e.fuzii!

Diferente de você, achei este episódio fantástico. Gostei de ver as explicações para muitos fatos que tínhamos dúvidas - ou que somente não havia sido mostrados ainda.

Achei ótimo termos em uma única cena Benjamin Linus, Charles Widmore e Richard Alpert - talvez o personagem mais misterioso de todo o seriado.

E adorei ver a "casa" do monstro. Foi uma cena impressionante o "julgamento" de Ben.

Em resumo: achei mesmo o episódio sensacional, numa temporada que está sendo fantástica.

Um abraço!

Hélio disse...

Vixe, vc falou mal do "melhor episodio da temporada, um dos melhores episodios ever!!!!" ??

Esperemos alguns lostmaniacos aparecendo por aqui pra dizer que vc nao sabe porra nenhuma da vida.

De minha parte, queria ter gostado mais. Episodio de Ben nao pode ser menos que sensacional. E pelo menos da parte do Emmerson isso foi cumprido. Emmy garantido finalmente? A essa altura, cuidado apenas com William Hurt (Damages) e, pelo que vi e senti em um episodio, John Mahoney (In Treatment).

Mas eu nao me incomodei tanto com todas as questoes egipcias e o monstro de fumaça quanto com a roda de burro. E o cabelo do Ben jovem. O que era aquilo? Pena os efeitos de Benjamin Button serem ainda caros para a tv. Mas vamos aceitar que estava escuro para a Danielle ver o rosto dele.

Acho que o problema é que as revelaçoes nao foram tao interessantes. Pelo menos nao me encantaram. E onde está a explicaçao para a tal regra que o Widmore violou matando Alex?

O melhor foi a explicaçao para o que aconteceu no caso Penny. Que sacanagem barata aquela de "diga ao Desmond que eu sinto muito" antes de mostrar o ocorrido.

O pior foi ver que um episodio da Kate foi bem mais interessante que um de Ben.

Abços!

Fellipe Brandão disse...

Bom, pra mim o que está acontecendo é que nós fãs ainda não nos acostumamos que lost de vez virou uma serie mais lock do que Jack.

Mas também, o que você esperava? Que tudo fosse explicado cientificamente...Eu sei que é meio frustrante mas fazer o que.

O maior problema são esses improvisos dos roteiristas. Um deles foi aquele caso do Faraday ter falado com o desmond. Foi nesse caso que fez muita gente se perder...Até hoje eu conheço gente que ta achando que eles tão alterando o passado. Outro prolema foi esse o da Russeau.

Talvez a razão dessas falhas seja que inicialmente essa temporada não exisitia o que teriamos hj já seria a ultima temporada, mas a ABC insistiu que colocassem mais uma. Não que eu esteja reclamando, já que a temporadatá muito boa. Mas é triste ver esses erros ocorrendo!

Anônimo disse...

Mas voces não se acostumaram ainda? esse Fuziili é um farsante, ou se comporta como um cronista social, ou senta o pau.
Eu leio comentários em vários blogs, o que me tras aqui também, mas sempre é frustrante ler as bobagens que esse cara escreve.
E se atém a detalhes insignificantes tipo: "...uma explicação tão risível quanto invocar o monstro de fumaça esvaziando uma poça de lama."
Quem te disse que foi isso apenas? não te ocorre que aquilo pode ser um "fecho hídrico"?, não sabes o que é isso? ok, olha no fundo do teu vaso sanitário, aquela agua que fica alí não é só para bonito, ela impede que vapores, obviamente com mau cheiro, saiam pela casa toda.
Que falta faz o antigo comentarista de Lost.
Ass. Antônimo.

e.fuzii disse...

Hélio,
Que ousadia, não?
Também sinto que John Mahoney vem forte para a disputa. Aliás, lembrei que preciso te mandar um e-mail, aproveitarei para perguntar sobre suas impressões dessa semana de "In Treatment". :)

Senti que esse gancho de desculpar-se ao Desmond foi truque de roteirista iniciante, mas preferi deixar pra lá porque só a intenção já valeria esse pedido de desculpas. Mas que foi sacanagem para criar suspense, isso foi.


Fellipe,
esse final de semana mesmo conversei com alguém que ainda acha que eles estão alterando o passado também. Até esse quadro dos anos 70, que Ben desconhecia, acaba confundindo mais ainda.

Na verdade, não espero nada científico e acho que até tentar explicar assim seria mais desastroso ainda. Mas elas bem que poderiam ser menos 'toscas', não? Sei lá, Ben invocasse o monstro numa cuia qualquer...


Antônimo,
reverto sua pergunta: você não se acostumou ainda?
Mas tudo bem, já que não é só aquilo e você é entendido em sistemas hidráulicos, me explique o funcionamento desse "fecho hídrico" para invocar o monstro e como Ben reverteu sua função colocando a mão no buraco. Grato.

Rubens disse...

Lost explica bem explicadinho e mastigadinho os detalhes que são óbvios, e não iria explicar esse tal de "fecho hídrico"? A teoria do Antônimo é boa, mas eu não creio que os roteiristas tenham pensado nisso.

O que pode ocorrer é que, agora que eles leram isso na internet, até coloquem a "explicação" no seriado lá para o final da temporada.

Agora, o que eu queria mesmo que o Antônimo explicasse é aquela estupidez de "uma roda de burro de madeira, congelada, que você roda e um arquipélago inteiro, MAIS UMA PARTE DO OCEANO QUE O RODEIA, começa a deslocar-se pelo tempo e pelo espaço... Isso sim, é dose para elefante.

Anônimo disse...

Nosaaa!!!!!
Porque vcs ainda não desistiram de lost,esse é o destino daqueles que não entenderam ainda que lost é uma série de mistério e não folhetim qualquer de história óbvia e esperada.
Simplesmente desistam e vão assitir smallville...
Insensato é que se coloque como comentarista de lost (e.fuzii) uma pessoa tão descrédulo assim da série.
Lost não é para entender mas para se assustar e se surpreender com os acontecimentos mirabolantes.
Bem, esse episódio foi simplesmente maravilhoso e essa temporada surpreendente.

Hélio disse...

Hoje li uma frase que cabe perfeitamente neste tipo de discussao:

"Arguing on the internet is like the special olympics, even if you win your stil retarded".

Janaina disse...

Parabéns Hélio!!!
Com esse argumento espetacular da carochinha, ficou bem claro os seus valores.
Agora pra vc um provérbio mais "terra brasilis", onde a sua atitude, intrometida, se encaixa melhor: "Faça o que eu falo, não faça o que eu faço".

Danielle Mística disse...

Cara, os fãs xiitas de Lost me irritam. Será que é difícil para vcs aceitarem opiniões contrárias? este blog não é e jamais será baba ovo de Lost.

Fuzii não gostou. Vcs gostaram? Ótimo! Argumentem!

A propósito, eu até que gostei deste episódio, até pq Michael Emerson vale cada segundo.

e.fuzii disse...

Sinceramente, eu prefiro acreditar que essas pessoas tem algo pessoal contra mim. Porque não é possível ter tanta gente tapada assim...

Só faltava essa mesmo, agora aparecer alguém politicamente correto pra nos julgar.

Anônimo disse...

Julgamento????
Ninguém é obrigado a gostar de nada, nem de lost, tão pouco do episódio em comento.
A unica coisa que eu achei totalmente sem nexo é colocarem como comentarista da série uma pessoa que, explicitamente, não gosta de lost.
Não é pessoal!
O mais inteligente seria colocarem um "lostmaníaco"... (cada macaco no seu galho).
2+2 são 4, se vc não é lostmaníaco, ou não gosta de lost, o que faz comentando a série.
Ehehehehehe...
Mas ok, esquece.
Aqui não é lugar p/ os "politicamente corretos", já entendi.
Eu só parei aqui por que pensei que fosse interessante.

e.fuzii disse...

Anônimo,
você é o mesmo que escreveu anteriormente aqui (fora o Antônimo...)? Por favor, tem como usar pseudônimo da próxima vez pra ficar mais fácil referir-se depois? Mas vamos lá:

1) O "julgar" não foi para você, mas para essa Janaina que caiu aqui de para-quedas.
2) Você acha mesmo legal ter o rótulo de "lostmaníaco" (ou estendo até ao "seriemaníaco")?
3) Onde você lê explicitamente que não gosto de Lost? Quantos comentários meus você já leu para chegar nessa conclusão?
4) Cada um tem seu ponto de vista, vide o Adelson que deixou seus comentários maravilhados com o episódio, mas não precisou impor ou desmerecer os de ninguém.
5) 2+2=5.
6) Gostei do episódio, só critiquei alguns caminhos que a série tem tomado. Um dos maiores fãs de Lost do mundo, o Doc Jensen da EW, também critica a forma inapropriada que estão usando essas referências egípcias, por exemplo. O próprio blog 'Dude We Are Lost!' questiona o fato de Rousseau não lembrar de Ben. Então, acho que não estou cometendo nenhuma heresia. Ainda bem.