sexta-feira, 17 de abril de 2009

[LOST] 5x13 Some Like It Hoth

Embora Lost já tivesse problemas paternos de sobra, diria que nesse caso sempre cabe mais um. Porque apesar de explorar conflitos e carências semelhantes, valorizo bastante quando escolhe-se um personagem coadjuvante da série para ser desenvolvido diante das situações do momento. Além de aproveitar a estadia de LaFleur e seu grupo nos anos 70, Miles atingiu um nível de confiança dos outros membros da Dharma que soa perfeito para revelar seu passado e seu parentesco com Pierre Chang, já amplamente especulado por todos nós. Claro, consigo entender quem talvez venha a criticar o episódio, principalmente nessa reta final da temporada e faltando tão pouco para o final da série. Mas confesso que sentar e relaxar assistindo a uma hora no formato mais tradicional da série e ainda protagonizado pela dupla Miles e Hurley, é sempre bastante agradável.
Acompanhamos a jornada dos dois viajando de kombi pelo interior da Ilha e reconhecendo finalmente as novas estações Dharma, ainda em construção: Cisne e Orquídea. Nessas idas e vindas, enquanto para Miles era constrangedor descobrir cada vez mais sobre seu pai -- como seu gosto por música country --, Hurley fazia de tudo para aproximar os dois. Ainda acho que às vezes as participações de Hurley são um tanto irritantes, mas esse é seu jeito amigável de resolver as coisas e não deve mudar nem mesmo fora de seu tempo. Talvez seja bem pior ver os outros personagens ainda confiando na sua habilidade de guardar segredos. Mas enfim, apesar de resistir, Miles tem a chance de finalmente confrontar seu pai e saber dos reais motivos pra sua partida e a origem de seus poderes. Isso se no final tudo não for culpa dele mesmo, dando outra chance de darmos risada ao lado do destino.

Quando Miles tem de trazer um dos operários morto na construção da Cisne, além de descobrirmos a causa ligada ao magnetismo da região, pudemos saber que sua capacidade de ouvir os mortos depende da presença do corpo. Entre os seus flashbacks, o mais interessante foi o atendimento ao senhor desesperado em saber se o filho aceitava seu pedido de desculpas. Miles voltar para devolver o dinheiro talvez tenha sido "esfregado" demais na nossa cara (sim, já sei que ele tem problemas com o pai!), mas não deixa de ser importante por explicar a razão dele recusar contato com Pierre Chang no passado. Fora isso, a cena anterior do atendimento já dava a impressão que Miles pudesse estar fingindo, para depois ficar claro que ele era mesmo o picareta que imaginava desde aquele curto flashback na temporada passada. O seu recrutamento para ir na equipe do cargueiro também dependeu de dinheiro, óbvio. Mas o motivo para ter sido escolhido, assim como Charlotte e Faraday, foi pela forte ligação com a Ilha. Apesar de continuar sendo um número aleatório (tipo resolver uma equação na forma inversa) a quantia que ele pediu a Ben no cativeiro também foi revelada, pelo menos fazendo algum sentido quando tenta fazer o mesmo acordo com o grupo da "sombra da estátua". Resisti para não comentar sobre eles na semana passada, mas prefiro imaginar que esse grupo também esteja do lado de Ben ou de Widmore e que não seja uma terceira força disposta a dominar a Ilha também. Sei lá, só por mencionar a estátua no seu código já é frustrante demais pra mim.
E falando em frustração, o título do episódio, mesmo que faça várias referências tanto ao seu formato quanto ao próprio conteúdo, deve ter sido a escolha mais infeliz de todos os tempos (até pior que "All The Best Cowboys Have Dad Issues"), com um tipo de trocadilho infame frequentemente visto em... Gossip Girl. Mas o melhor do episódio esteve mesmo na interação entre Miles e Hurley, que juntos protagonizaram momentos hilários, como na comparação entre seus poderes de comunicar-se com os mortos, ou até "dramédias paradoxais", como o simples fato de imaginar Miles encontrando com sua própria mãe na fila do almoço. Embora tenha dado altas risadas com Hurley sugerindo mandar o roteiro de "O Império Contra-Ataca" para George Lucas, chega a ser uma blasfêmia querer fazer qualquer melhoria. Já que é assim, ele deveria concentrar-se logo em "A Ameaça Fantasma", que gastaria bastante de seu tempo -- isso se não fosse mais fácil começar o roteiro do zero. O único detalhe é que nessa batalha final citada, Luke perde a mão ANTES de saber que Darth Vader é seu pai. Sendo uma grave falha de produção ou uma tentativa de forçar uma comparação com a vida de Miles, é um erro imperdoável para alguém que assistiu tantas vezes o filme.

Entretanto, talvez o mais importante desse episódio esteja exatamente no pretexto pro desenrolar de toda essa história. Recebendo as novas ordens de Horace, Miles precisou abandonar a fita de vigilância que gravou James e Kate levando o garoto Ben até os hostis, e que acaba caindo nas mãos de Phil. LaFleur então, é obrigado a tomar sua primeira atitude drástica -- pelo menos que temos notícia -- para manter o grupo a salvo. Como não acredito que eles teriam coragem de eliminar o refém, chega-se numa situação limite, quando a convivência pacífica com a Dharma estará ameaçada. E com a chegada de Faraday no final do episódio, tudo leva a crer que ele levará todos de volta a 2007 para reencontrar o resto do grupo. Claro, não sem antes abusar dos procedimentos mais fantásticos que só Lost poderia nos oferecer.

Semana que vem teremos mais uma parada, voltando só no dia 29. Até lá!

e.fuzii

12 comentários:

Fellipe disse...

Os momentos Hurley/Miles foram mais engraçados que muita série de comedia por aí!

"Voce está com raiva porque meus poderes são maiores que o seu" foi hilário!

Adelson (TD Séries) disse...

Olá, e.fuzii.

Eu adorei este episódio. Fazia tempo que eu não via um episódio tão divertido assim em Lost. Hurley consegue mesmo roubar a cena!

Fico imaginando, como todos, quem será o terceiro grupo interessado na ilha. Pelo andar das coisas, eles não parecem estar ligados a Widmore.

E fiquei mais do que feliz ao ver o retorno de Faraday! Ele estava fazendo muita falta. Difícil vai ser aguentar duas semanas para ver as novidades que ele trará.

Um abraço!

Hélio disse...

Céus. Episodio fraquissimo. Hurley diverte as vezes. E irrita outras vezes. Nesse, teve um pouco de cada, e piadinhas e referencias a star wars nunca irao cansar?

Nada contra um episodio a moda antiga, mas so vale o esforço se houver situaçoes e dialogos interessantes. Um morto indo pra la e pra ca, sem muito interesse, a grande revelaçao de como Miles se juntou ao grupo de Naomi, a conversa engraçadinha de Hurley e Miles e mais nada?

Ah, sim. Tivemos Roger/Kate, Roger/Jack e Jack/Sawyer nas situaçoes e nos dialogos mais desnecessarios e terriveis da temporada.

"- Como vc está?
- Deixa eu ver... meu filho levou um tiro e agora foi sequestrado. Digamos que nao estou nada bem"

Dã!!

"- Eu acho que essa Kate tem algo a ver com o sequestro do meu filho
- Ela é minha amiga e nunca faria isso."

Dã!!!!!


"- Roger estava suspeitando da Kate, mas acho que vc nao precisa se preocupar com isso. So vim avisar"


Puta que pariu.

Proximo episodio será a moda antiga com Faraday? Bom, pelo menos deve ter Eloise Hawkins.

Allan disse...

Continuo achando o Miles um saco e essa idéia de levar alguns Losties aos anos 70 péssima, mas sse episódio foi divertido. Ao menos isso...

e.fuzii disse...

Hélio,
Eu simplesmente ignorei todas as participações de Kate durante o episódio porque foram bem irrelevantes. E sinceramente, pode parecer perseguição, mas perguntar como Roger estava se sentindo é a típica pergunta estúpida que ela faria naquela situação.

Mas fora a dupla Hurley e Miles, o texto esteve bem abaixo do esperado nesse episódio (influência direta do título ou o contrário?). Meu diálogo preferido foi:
Jack – "Her heart was in the right place"
Sawyer – "Yeah, but where was her head?"
HAHA! Que infame! Só faltou a risada de claque depois...

Cris disse...

Nossa, quanto mal humor deste Hélio. (Além de grosseiro...)
Episódio leve. Só que tem muita má vontade não gostou.

Hélio disse...

Poxa, estou fazendo mais fãs que o Fuzii nesses posts de Lost...

Karol disse...

Pessoal, alguém lembra daquele episódio onde o Miles aparece visitando uma senhora negra q tem problemas pq seu neto nao "se libertou" ainda?
Como se explica isso se o Miles só consegue se comunicar com o morto se o corpo estiver presente?

e.fuzii disse...

Karol,
foi como eu disse no texto: naquele curto flashback da temporada anterior, dava a impressão que Miles estava enganando aquela senhora. Nesse episódio ele confessa, ainda que tivesse motivos "nobres" para mentir...

Karol disse...

E.fuzii,
eu entendo o q vc ker dizer, mas naquele mesmo episódio, se lembrarmos bem, o "espírito" revela onde está o dinheiro, ou seja, o Miles nao o encontrou sozinho,vasculhando...nao foi tao falso o episódio.
Apesar d q, em seguida, confirmamos o mau carater q ele é qnd testemunhamos sua seguint atitude,permeada de algo de culpa(quem sabe?),uma vez q ele devolve parte do q ela lhe havia dado como pagamento pela "excomunhao",por outro lado leva o dinheiro todo q encontrou no quarto...
Beleza...mas a única coisa q eu n entendo é COMO ele se comunicou com esse bendito morto se nao havia corpo...!
Em some like is hoth qnd ele diz pro velho q "é mais facil com o corpo" tive a impressao d q era um eufemismo...até pq ele pergunta pra mae onde esta o corpo do pai...sinal d q nao poderia se comunicar sem o fator corpo, mas nesse episódio da temporada passada ele o faz...pra mim: uma incognita! HELP ME ... isso ta me martelando o juizo!

e.fuzii disse...

Puxa, não lembrava que ele conseguia encontrar o dinheiro com a ajuda do morto. Talvez possa ter relação com aquela máquina que ele usava também.
Acredito que seja um pequeno deslize, mas pode ter sido um eufemismo mesmo e quem sabe os objetos do morto também tivessem algum tipo de "marca" que Miles pudesse ler.

Anônimo disse...

Só uma coisa em relação ao título do episódio. Pode até ser um trocadilho besta se analisar apenas um dos significados. Mas se levar em consideração que Hoth não é apenas o nome do planeta do Império Contra Ataca, mas também o nome de um dos Deuses da mitologia nórdica, o título passa a ser bastante inteligente.

E desde a primeira temporada, Lost faz muita referência à mitologia nórdica. Mesmo que no fim das contas não tenha nada de místico, eu gosto quando uma série adota uma temática e segue ela até o fim.