sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[LOST] 5x03 Jughead

Jughead. Jug! Head!

Parece difícil que os episódios centrados em Desmond não cativem o público e Jughead, mesmo na minha opinião sendo dominado por Daniel Faraday, não é exceção a essa regra. Principalmente porque conta com aquele formato clássico da série, apresentando novas revelações e ao mesmo estabelecendo novos mistérios. O foco é o adorável casal Desmond e Penny, que depois de 3 anos velejando já tem um filho para criar... Charlie. Eu sei que não poderia ser outro nome, mas deu aquele aperto no coração só de ouvir a homenagem ao hobbit que os reuniu -- e que por sinal fará uma participação também como rock star no episódio dessa semana de Chuck. Eles voltam, então, a Grã-Bretanha para procurar a mãe de Faraday e tentar salvar aqueles que restaram na Ilha. A busca de Desmond é frustrada porque a Universidade de Oxford praticamente ocultou os estudos do físico, que levaram uma moça ao estado vegetativo. E como sempre, ao ouvir o nome do sogro, Desmond é novamente obrigado a encontrar-se com Charles Widmore e finalmente conseguir o endereço da mãe de Faraday. O local? Los Angeles, claro, prova mais do que suficiente que trata-se mesmo de Ms. Hawking.
No entanto, quem surpreendeu durante todo o episódio e roubou a cena foi Dan Faraday, aprisionado ao lado de Miles e Charlotte pelos Outros, dessa vez no ano de 1954. Sendo o líder por indicação de Miles (numa cena hilária), ele conseguiu de forma fria e calculada "dobrar" os Outros com a história da bomba. Ainda acredito que foi essa a bomba que liberou a radiação que causa os problemas nas grávidas e o sinal de quarentena na escotilha -- até porque ela não daria nome ao episódio à toa. Talvez os Outros até tenham conseguido isolar e enterrar, mas em meio a tantas escavações nas próximas décadas, quem sabe o projeto da Dharma não tenha detonado a bomba. Enfim, o interessante é como essa coragem de Faraday, e até sua declaração a Charlotte, contrastam com a garota que ele deixou para trás em Oxford, vítima de suas pesquisas sobre viagens no tempo. E acho que Jeremy Davies é um dos destaques nessa temporada, sobrecarregado por ser o único físico na série e tendo de esforçar-se para explicar os mistérios da Ilha, sempre fazendo uso de gestos expansivos, quase teatrais (o que mostra que ele sabe mais do que consegue explicar).
O que impressiona também em Jughead é a fluidez do roteiro assinado por Elizabeth Sarnoff (ao lado do estreante Paul Zbyszewski), desde Locke desistindo de atirar no até então "Jones" por ser um dos "seus", como Dan Faraday revelando seu amor por Charlotte quando estava encurralado por Richard Alpert. Claro, algumas cenas envolvendo Desmond e Penny são arrastadas demais, com uma preocupação exagerada em não querer que ele volte para a Ilha -- que só pode significar que o casal vai se separar mais uma vez. Infelizmente, parece mais um problema em forçar o foco em algum personagem, como na semana passada, escrevendo cenas desnecessárias só para ocupar a maior parte do episódio. O final pareceu frustrante também porque esse era o momento certo de Desmond encontrar Ms. Hawking, já que sua identidade está mais do que telegrafada, e a cena de Charlotte sangrando e desmaiando não passou de um anti-clímax.

Embora já fosse esperado, ainda foi revelador o reencontro entre Locke e Alpert, ao repassar a bússola dois anos antes de seu nascimento. É o que acaba motivando Alpert a acompanhar Locke por toda a sua vida, nos eventos já narrados em Cabin Fever. Ou seja, ele visitou o garoto mesmo, ao contrário do que considerei na semana passada, como sendo viagens no tempo também (que seriam úteis para não consertar erros assim...). O interessante é que nesse loop eterno, que descarta a origem da própria bússola, Locke também é responsável por seu próprio destino.
Mas a grande revelação do episódio veio de uma forma inesperada para mim. Fiquei pensando nas possibilidades para Ellie assim que Faraday diz que ela tem uma aparência familiar e acabei sendo pego de surpresa assim que Alpert chamou pelo jovem Widmore. Claro, faz todo o sentido do mundo e já considerava no final da temporada passada que Widmore tivesse passado por situação parecida de Ben e não pudesse mais voltar para a Ilha, mandando assim uma equipe em seu lugar. O que importa é que com isso, mais um mistério parece resolvido: pela compatibilidade de idade com Widmore e sua facilidade em encontrá-la, Ellie só pode mesmo ser a mãe de Dan Faraday, também conhecida como Ms. Hawking. O próximo passo já é esperar quando Widmore sairá das sombras para dizer "Dan! I'm your father!".

e.fuzii

11 comentários:

Fellipe disse...

Tambem gostei do episodio!
O mais impressionante pra mim, é como Lost consegue do nada criar personagens novos como favoritos!
Deixando-os quaze como protagonistas!

Isso já aconteceu com o Desmond, o Ben, e agora o Faraday!

Muito disso se deve a ótima equipe de esolha de casting! Daode esses caras tiram atores tão carismaticos?

É esse um dos maiores motivos de Lost não cair na repetição!

Hélio disse...

Gostei da revelaçao do Widmore. Alias, Lost nunca perde essa qualidade de revelar misterios que menos esperamos ao mesmo tempo que aumenta os questionamentos. E tudo surge de forma natural.

Mas dizer que o Faraday é interessante e que o ator é bom? Bom, cada um com sua loucura...

Acho que as cenas de Desmond e Penny servem pra reforçar o baque emocional quando ele resolver voltar a ilha. Pq tem que acontecer algo MUITO grande pra ele abandona-la novamente. Alias, a ida deles a Los Angeles significa estar pertinho do Ben, ne? Uma falha obvia de roteiro: Widmore nunca que daria essa informaçao ao Desmond, sabendo que as chances de Penny ir com ele a LA sao enormes. E nao é um simples "fiquem onde estao, nao se metam nisso" que iria desencorajar o brotha, ne?

E eu nao entendo a estupidez do Richard em achar que Locke criança ia escolher a bussola - pq Locke nao disse nada parecido. Alias, so posso presumir que ele ia dizer algo como "desde criança adoro aventuras, caçar, etc... me mostre uma faca!" E toda essa historia ainda nao explica os desenhos do lostzilla que locke-criança fez.

No mais, concordo que a mocinha de sotaque irritante deve ser a mae do Faraday. Mas sozinho acho que nao imaginaria que ela seria a Hawkins. Nao me parece algo tao obvio. De tanto os fãs martelarem essa ideia, ja aceitei como verdade.

Hélio disse...

Algo que passou pela minha cabeça e eu nao sei se ja especularam a respeito: pq os Ocean Six tem que voltar a ilha, mas nao Desmond?

netiteve disse...

Olha, gostei, mas não muito. :)

Quando se assiste ao episódio como fã é fácil gostar, mas numa análise mais objetiva muitos erros aparecem.

Primeiro que era para ser um episódio centrado em Desmond e nem de longe ele o protagoniza. O personagem não cresce, não age para si, apenas para o Daniel.

Daniel é o cara da temporada. E é através dele que surgem novos mistérios. Por exemplo, a bomba. Algo interessante mas que também é posto de lado com a facilidade do pulo no tempo.

É frustante esse esquema "voltaremos a isso no próximo pulo". Na bomba vá lá, é assunto novo. Já no do Locke não tem perdão. Saiu da frente do Alpert do mesmo jeito que chegou. Estaca zero.

O encontro Locke e Alpert foi um repeteco do que o Alpert do futuro contara. E a cena só servir para Locke dar a dica de si mesmo para ser sondado como sucesor, por enquanto, é só teoria. Mesmo porque não justifica Alpert sair dali dois anos da ilha para fazer o teste dos objetos. Lembrando que a pergunta era "qual desses objetos são seus?", a bússola sempre foi de Alpert.

O que salva o episódio são as revelações sobre Widmore. Todas válidas e que colocam a história para frente.

Ah, e o gancho, com a Charlotte caindo, não tem impacto nenhum, pois já sabíamos que isso iria acontecer. Se fosse no meio do episódio teria mais peso e provocaria um encômodo em Daniel, tornando o desarme da bomba mais tenso.

e.fuzii disse...

Hélio,
Apesar de Widmore ter suas informações privilegiadas, não acho que ele sabe que Ben está exatamente em Los Angeles. E a pergunta que se deve fazer é por que os Oceanic Six tem de voltar para a Ilha? Por mais que Alpert tivesse dito que Locke precisava morrer para salvar a todos, ainda acredito que Ben tenha segundas intenções aí.

Paulo,
acho um pouco frustrante também que os roteiristas tenham controle desse "jump", como se fossem senhores do destino. Mas acho que não é possível também explorar e esgotar as possibilidades de cada tempo. E vamos lá, fazer dessas viagens algo coeso já é um grande avanço. Mas concordo com suas reclamações sobre o roteiro, embora acho que num todo tenha mais acertos que erros.

e.fuzii disse...

Sobre o encontro entre Alpert e Locke:
Para mim, ficou claro, mas é difícil de explicar. O loop é o seguinte:
- Locke viria do futuro trazendo como mensagem que ele seria escolhido por Jacob e instruído por Alpert do futuro a deixar a bússola como prova.
- Alpert, então, tentaria fazer seus testes com Locke, sairia frustrado, mas ainda motivado o suficiente para seguí-lo por toda a vida.
- Depois da queda do Oceanic 815, chama a atenção de Alpert que Locke também tenha caído na Ilha e recebido uma graça. Essa é prova de que Locke é especial e faz Richard repassar a bússola.
- Locke volta no tempo e só decide procurar Richard depois de saber que teria de entregá-lo a bússola, além de ser a forma como chama a atenção dele pela primeira vez.
- E assim esse ciclo vai ao infinito e avante...

Fellipe disse...

Tá, esse loop a maioria entendeu!

Mas o que fez o Richard pensar que o Locke criança escolheria o objeto correto? Ele não tinha nenhuma informaçao que garantiria que o Locke tinha aquela bussula desde criança. Só se isso tudo foi um chute do Richard.

E mais, porque dos desenhos?
Já que ao que parece, o Locke criança era uma pessoa normal...o termo "escolhido", parece ser mais por ele ter se conectado melhor com a ilha, mais que os outros até.

Ainda falta uma peça nesse quebra cabeça!

e.fuzii disse...

Então Fellipe,
o que temos de entender é que trata-se do mesmo Alpert em tempos diferentes. Não é outra dimensão, nem uma realidade alternativa.

Ao meu ver (e posso estar bem errado nisso), Alpert do futuro enganou o Alpert do passado para receber Locke de forma pacífica em 1954. Ele sabia que essa seria a única forma de chamar sua atenção e evitar qualquer conflito quando um careca louco viesse dizendo que seria seu líder no futuro.
Mas Locke nunca disse exatamente o que Alpert deveria fazer com essa bússola. Ele simplemente assumiu que esse seria seu teste e que Locke estaria preparado desde criança para seu o líder. Isso não aconteceu, o que não significa que Locke não pudesse ser o "escolhido".

Isso também talvez abrisse a possibilidade de Alpert, a partir de receber um objeto do futuro, passasse a acreditar nessas viagens no tempo, o que acredito que ainda não fosse dominado em 1954.

KA disse...

"interessante é que nesse loop eterno, que descarta a origem da própria bússola, Locke também é responsável por seu próprio destino" - não entendo esse conceito...como algo pode simplesmente surgir em meio a um looping? Não q me incomode ao ponto de deixar de ver a série..mas realmente acho que a explicação não é tão simples assim...

e.fuzii disse...

Dentro do conceito que Lost considera para as viagens no tempo, em que nada pode ser mudado e tudo já está destinado a acontecer, é simplesmente essa explicação mesmo.
Na verdade, isso cairia também num paradoxo que descarta a origem da bússola assim como seu "envelhecimento" nesse ciclo, mas não espero que a série dê nenhuma explicação mais elaborada para isso.

É praticamente, se Hitchcoch nos permite assim dizer, um MacGuffin na história ligando Locke a Alpert.

Hélio disse...

Me toquei agora que o ep. do Locke temporada passada foi uma trapaça: nao foi um flashback, foi um FF mesmo, como os demais da temporada.