quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

[FNL] 5x11 The March | 5x12 Texas Whatever

"We live in Texas." – Coach Taylor

Parece até desleixo de minha parte deixar acumular duas semanas de comentários justamente faltando apenas um episódio para o final de Friday Night Lights, mas dessa vez posso até tentar justificar. Além de não sentir necessidade de escrever um texto destacando aquilo que passaria como óbvio na semana passada, esses dois episódios juntos formaram um par perfeito servindo como preparação para o final da série. Não que "The March" tivesse sido ruim, mas assim como a crescente campanha dos Lions vencendo seus jogos dos playoffs até chegar ao State, essa me pareceu apenas uma forma apressada de também cumprir tabela para grande parte de suas tramas. Ou seja, criando obstáculos ou motivos de urgência para que seus personagens fossem capazes de superar. O maior deles provavelmente é o corte de verbas enfrentado pela cidade, que afeta toda a equipe dos Lions, ameaçados novamente de extinção mesmo tão próximos de conquistar um título estadual. Além disso, outras histórias ganharam complicações maiores mas não muito longe daquilo que já esperava, como Tami recebendo uma tentadora proposta para trabalhar na diretoria de uma universidade fora do Texas e Ornette perdendo o controle de vez, chegando a protagonizar uma tensa cena em que tenta forçar sua entrada em casa. Essas duas tramas ao menos levaram a uma conclusão interessante quando a equipe é recebida por sua torcida na volta a Dillon. Vince desce do ônibus procurando por sua mãe e instala-se um clima de suspense até que finalmente encontram-se em um emocionante abraço, enquanto Coach Taylor com seu olhar perdido pela multidão, quase desolado, não encontra ninguém para recebê-lo após a partida. Já Tim Riggins começa a dar sinais de arrependimento por ter levado a culpa sozinho pelos crimes, principalmente cobrando de seu irmão uma postura mais digna, além de não honrar sua promessa de cuidar bem de Becky. Através desse intenso conflito, Taylor Kitsch teve oportunidade de mostrar toda a complexidade desse novo Tim Riggins, em poderosas cenas como sua partida de casa com Mindy implorando para que ele ficasse, sua briga com Billy no estacionamento do Landing Strip, ou a singela conversa com Becky na frente de casa.

Porém, esse ritmo acelerado acabou sendo até um "mal necessário" ao servir como uma introdução ao episódio seguinte "Texas Whatever", quando decidem focar no drama de seus personagens antes da partida do State. As diversas reuniões para decidir o futuro de Dillon são cada vez mais desastrosas e acabam concluindo com o óbvio: os Lions serão desativados ao final da temporada para se unir à tradicional equipe dos Panthers. É uma decisão que naturalmente afeta todos os jogadores e comissão técnica, tanto pelo lado emocional quanto pelo futuro incerto de suas carreiras. Acompanhamos dois anos de árduo trabalho para reconquistar o orgulho do lado leste da cidade e agora tudo pode terminar injustamente em uma única partida. Mas apesar da revolta, os jogadores sabem que tem de se manter unidos caso ainda queiram ser os vencedores estaduais. Afinal, esse sempre foi o tema que a série preferiu enfatizar ao longo de sua história quando trata da vida em Dillon, uma cidade abandonada no interior do Texas. Há apenas duas opções: procurar por novas oportunidades fora dali ou tentar conviver em uma comunidade, dependendo uns dos outros. O retorno de Tyra, além de servir como um contraponto para Tim Riggins nessa condição de intruso, pensando em se mudar até para o Alasca, lembra também da eterna dificuldade de se ajustar à cidade, e sua falta de perspectivas. Algo que os jogadores dos Lions, principalmente Luke, já não parecem encontrar nem mesmo através do futebol.
Por isso, a frase que abre esse texto soa tão pungente em meio a uma calorosa discussão entre Coach Taylor e Tami. Se por diversas vezes disse que a família Taylor é quem mantém todos esses personagens unidos (e, por que não, dão sentido à própria série) é pelo casal nunca ter dado as costas para a cidade de Dillon. Nem mesmo após receber a triste notícia da terminação de seu projeto com os Lions, Coach Taylor deixa de consolar Vince dizendo que o jogador seria uma estrela na próxima temporada, onde quer que jogasse. Se todo esse sacrifício do treinador é extremamente louvável, por outro lado torna essa sua indiferença à proposta de Tami ainda mais injusta. Talvez fosse difícil para Eric aceitar essa mudança de foco, dessa vez tendo de priorizar a carreira de sua mulher, mas surpreende que ele não consiga sequer considerar uma outra opinião. As cobranças de Tami podem não ser razoáveis também, na minha opinião, já que as decisões que acompanhamos do casal no passado foram sempre de responsabilidade de ambos. Nesse caso vale destacar a direção de Kyle Chandler, mostrando a discussão do casal às vezes até em planos bem fechados, praticamente isolando cada um deles com suas próprias ideias. Faltando apenas mais um episódio para seu derradeiro final, não quero de forma alguma desmerecer a partida de State, mas ela acaba sendo até ofuscada diante do destino incerto dessa primeira grande crise na família Taylor. Afinal, são seus protagonistas simbolizando o grande dilema envolvido em Friday Night Lights: a união ou a separação de seus personagens, sendo assim atraídos ou repelidos pela cidade de Dillon.

Fotos: Divulgação.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

3 comentários:

DAVI CRUZ disse...

Olá Eric, ótimo comentário!
Faz um bom tempo que não escrevo aqui e também abandonei por um tempo o meu blog, mas sempre acompanho seus textos aqui.

Assisti ontem pela manhã ao final de FNL e confirmei o que já suspeitava: mesmo tendo sido fã maluco de diversas séries (especialmente LOST e PRISON BREAK) nenhuma me deixou um vazio parecido com o que FNL deixou).

Atores talentosos, personagens tridimensionais e totalmente críveis, além de uma construção dos episódios que emocionava e agradava mesmo quando retratava os acontecimentos mais previsíveis.

DAVI CRUZ disse...

Outra coisa que percebi é que os personagens da série são tão interessantes que nunca me preocupei em me informar sobre a vida ou outros trabalhos dos atores. Para mim, o que interessava era a vida daqueles personagens em Dillon.

Também sempre achei comovente o esforço dos produtores, que conseguiram manter a qualidade da séries mesmo com todas as limitações e cortes ocorridos. E, nada mais gratificante do que ver as participações especiais de Tim Riggins, Matt, Jason Street e outros nos episódios finais.

Poderia passar o resto dia aqui elogiando a série ou dizendo o quanto gostaria de ter assistido a um jogo dos LIONS ou dos PANTHERS, de ter tomado uma cerveja com os irmãos Riggins, de ter pedido algum conselho ao casal Taylor... enfim, FNL vai fazer muita falta.

abraço!!

DAVI CRUZ disse...

Em tempo: choreipracarai com os episódios finais. Que roteiro e que direção!