sexta-feira, 13 de março de 2009

[CRIMINAL MINDS] 4x17 "Demonology"







Mais uma vez, quero deixar bem claro que só escrevo sobre CM no blog porque sou fã da série, mas o fato de ser fã não me tira o senso crítico e a isenção. Também é sabido que não me importo nem um pouco com maiores detalhes da vida pessoal de cada personagem, e adoraria que os fãs em geral não dessem tanta importância a isso. Não nos desviaríamos tanto dos mais macabros criminosos em série – esses, sim, objeto do meu grande interesse.



Mas, vamos lá. Finalmente chegou o episódio focado na Prentiss, e que revelaria um grande segredo seu (digo finalmente porque não suportava mais a ansiedade e a especulação generalizadas). Chegou e decepcionou! O episódio nem teria sido muito ruim se não fosse tamanha expectativa, mas diante de tanta comoção, o segredo e sua revelação foram muito, muito ‘leves’.

Vejamos.

Prentiss sabe por um velho amigo que um velho amigo em comum havia morrido. Há cerca de vinte anos ela não os via, mas tinha uma ligação forte com eles, e um carinho muito especial pelo que morrera (Matt). A morte foi por ataque cardíaco mas o amigo crê que pode ter sido montada uma farsa e pede que Prentiss investigue a possível ligação com uma outra morte que também, em tese, foi por causas naturais.


Hotch autoriza e a equipe, em solidariedade a ela, começa a investigar. Rossi é o primeiro a visualizar a possível conexão: ritual de exorcismo. Muito razoável. Como ele disse, esquizofrenia e dependência química são, com freqüência, tidas como possessão demoníaca. As vítimas são de famílias muito religiosas, que acreditavam que eles estavam doentes ‘da alma’, havia as marcas nos pulsos, etc. Perfeito, mas aquelas marcas no chão, aos pés da cama, foram muito forçadas.
Bacana foi a cena em que Rossi procura um padre amigo seu (?), Jimmy. Bom questionamento sobre o mal e sua origem. E nada mais certo do que dizer que eles precisam ter cuidado. Ao lidar com o tipo de crime, o tipo de criminoso que eles lidam, ‘eles fazem um convite para que o mal adentre suas vidas’.

Para encurtar a história, mais uma vítima morre, de forma semelhante, e vem à tona que os três haviam viajado a Santiago de Compostela juntos. Tudo leva a crer de foram exorcizados, mas morreram por causas naturais diferentes. Outro elo entre eles é um grupo de apoio criado por Matthew, para amparar aqueles que se sentiram traídos na sua fé.

Nesse meio tempo, Prentiss revela a Rossi que ela engravidou na adolescência (época em que não se sentia bem aceita porque se mudava freqüentemente, etc) e foi Matthew quem a ajudou a realizar um aborto. Censurados pelo padre local (jura??), ele se rebelou contra a Igreja e passou a questionar fortemente a fé católica. Desiludiu-se muito, desequilibrou-se como pessoa, e caiu nas drogas. (Nesse ponto, eu já estava achando que estava assistindo a um desses programas pseudo-evangélicos na TV, e que iriam dizer a Prentiss que a acolheriam, bla bla bla.)


A adolescente Prentiss, aterrorizada ao fazer um aborto.

O cenário do 'Exorcista', o filme.


Para tornar surreal aquilo que parecia apenas sem sentido, Garcia descobre a morte de um padre de lá de Santiago, na época em que as vítimas lá estiveram. Teorias conspiratórias afirmam que teria sido assassinato para que não houvesse cerimônias na época de mais peregrinações. Ah tá, Matt e os demais eram ‘terroristas’ religiosos, então! Ok, entendi. E um padre ‘vingador’ estava a persegui-los e matá-los. Um padre com imunidade diplomática, numa missão de ‘justiça’.Meus amigos, é o nonsense total!!

Aí, somando-se ao nonsense, vem a inconsistência. Não se pode afirmar o que o episódio quis dizer: o tal padre era doido ou mau? As vítimas estavam mesmo possuídas? Que história de nariz sangrando? O nariz da Prentiss sangrando no final: Ela também estava com o ‘capeta’ ou viajou por Arquivo X e Lost antes de filmar o episódio? A vítima perturbada dentro do taxi: que cena é aquela que ele se recorda? As vítimas mataram ou não o padre na Espanha? O pai de Matthew estava presente ao exorcismo! Então nada de criminoso ocorreu? Morgan acreditou que o padre, ainda que estivesse enganado, estava sendo sincero!! Mas, então, por que ele queimava as fotos? Essa sugestão, sem esclarecimento, não tem a cara da série!! A série explica, elucida, desvenda, não sugere! (Já me lembrei do vidente do 4x14 e aquele final aberto para ‘cada um achar o que quiser’. Bah!)



O padre (?), unsub (?), que foi 'despachado' de volta e, provavelmente, não reaparecerá.

Esse sangramento abusou da minha paciência.


Ok, sabemos que John era o pai do bebê da Prentiss, que não estava nada à vontade ao revê-lo naquele bar. Mas a gente releva, entende e perdoa (??)porque ele se desculpou no final... Bah!
Sei lá, o episódio não me comoveu. E mais uma vez foi Hotch, mais sisudo do que nunca, que falou com sabedoria. Ao final, enquanto Morgan e Rossi têm opiniões diferentes (maldade pura X química cerebral, etc.), Hotch diz tudo: “no fundo, todos somos capazes de fazer coisas inimagináveis; quando isso tem início, ou que nome se pode dar, eu não sei”.



A cena final, uma das melhores do episódio.


Até o próximo episódio. E que os próximos nos tragam mais alguma informação sobre esse imbróglio que fizeram.
Celia Kfouri.

5 comentários:

Gabriela Spinola disse...

Você gosta do lado investigação da série, já eu prefiro a parte pessoal. É como Lost (comparação extremamente nonsense mas dá pra entender, acho): todos os fãs querem descobrir as respostas aos mistérios, CLARO, mas ainda há quem prefira ficar especulando sobre com quem Kate vai ficar.

Prentiss empata num páreo duro com Reid no posto de meu personagem preferido (de TODAS AS SÉRIES que eu assisto, porque 99% do pessoal de Lost é mala, exceto Juliet e Ben, e Cold Case poderia passar batido, assim como a zumbi Grey's Anatomy), e eu achei esse episódio perfeito, e nem me importei com o enormes furos no episódio.

Aliás, furos tão grandes, que o post de detalhes do epi no meu blog ficou incrivelmente grande e exaustivo. Por mais que não tenha me importado com os erros desse episódio, eles existem. Não acho que o segredo e a revelação foram "leves", simplesmente porque explica no mínimo metade do comportamento de Prentiss. Os outros 50%, talvez, sejam obra de um trauma maior, até porque eu não acho que um aborto (mesmo que sendo guardado em segredo durante 20 anos) explicaria a excessiva frieza e autocontrole de Prentiss.

Lembra "Revelations"? Enquanto JJ tava louquinha para arrancar o pescoço do primeiro que lhe viesse porque estava se sentindo culpada pelo que houve com Reid, Prentiss se mantinha calada e quieta lendo os diários de Tobias Hankel. JJ e Hotch, inclusive no mesmo episódio, a perguntaram como conseguia manter-se controlada num momento como aquele, tendo passado a vida toda trabalhando trancada num escritório, e do nada vê cadáveres e assassinos, como se não houvesse mudança alguma. A resposta? "Acho que sei separar melhor as coisas do que a maioria das pessoas".

No entanto, o casal de tios malvados de "Seven Seconds" penaram fino no interrogatório... xD

Passa lá no blog depois! (pode criticar à vontade meu post longo e fanático.)

Silvinha disse...

Pra começar, acho que o episódio deveria ter sido duplo. Essa é a minha única crítica porque a Prentiss é, depois do Reid, a personagem mais interessante da série, a que tem mais chances de crescer e 40 minutos é pouco tempo pra nos apresentar melhor a personagem e falar sobre o caso, sobre unsubs, ainda mais um caso polêmico como foi mostrado.

O tal segredo da Prentiss, o momento mais especulativo da temporada, aconteceu porque os fãs pediram, pois a personagem é muito profunda e merecia uma explicação. A questão do aborto poder não ter sido um tema original, mas fez sentido pra explicar um pouco a personalidade da Prentiss. E não é só o fato de ter feito o aborto, algo que muitas mulheres depois se arrependem, que machucou a Prentiss...foi ter que reviver tudo isso, ainda mais porque ela se sentia culpada pelo Matthew ter se perdido. Provavelmente não é só isso, mas essa mistura de sentimentos de culpa e de arrependimento, esse sofrimento interior a tornaram uma mulher mais forte, fria quando precisa ser e solidária quando o momento pede. Eu fico imaginando a situação de se ter 15 anos, ser católica em Roma, ter feito um aborto e ao te ver entrando na Igreja, o padre pára o sermão porque ele disse que você não era mais bem-vinda lá...a humilhação pra qualquer pessoa seria horrível, imagine pra uma adolescente que só queria ser aceita.

O episódio teve alguns furos, mas quanto eu mais assisto, mais eu chego a conclusão de que era isso o que os produtores e roteiristas queriam. Deixar as questões em aberto, pra que os fãs, cada um com a sua crença, chegasse a sua própria conclusão.

Na minha opinião, o episódio deixou em aberto a questão de ter acontecido um crime ou não. Eu acreditei o tempo todo que se tratava de um Unsub, mas o John dizer: "Eu sou mais forte do que você!" e de ver o nariz da Emily sangrar após ter sido atingida com água benta, foram indícios de que pode ter sido um caso de possessão. Como foi explicado, Matthew era um canal...o "mal" pode ter sido passado de pessoa a pessoa e a última foi a Prentiss, que expulsou esse mal quando parou na frente da Igreja e começou a sangrar. Esse episódio, assim como o 4x13, pede uma sequência!

Paget Brewster é um atriz extraordinária! Como eu li por aí, ela consegue dizer mais com um olhar do que outros com 10 linhas!!

Celia Kfouri disse...

Eu concordo que Reid é riquíssimo e Prentiss, uma mulher muito interessante que acrescentou muito à série. Acho que são, sim os melhores personagens hoje (se bem que eu gosto muito do Hotch). Digo hoje porque eu era muito, muito fã do Gideon (e sei que essa é uma opinião muito dividida). E Paget Brewster é muito boa atriz, sim. Às vezes, é até humilhante a diferença para a AJ Cook.

Nao acho que uma adolescente fazer um aborto nas condições em que ela teve que fazer seja 'coisa pouca'. Só não acho que tenha sido uma revelação bombástica (quantos milhares de mulheres passam por isso sem que se torne assunto para 'o episódio mais esperado de uma série de tv?). Reviver isso tudo deve ter sido doído mesmo, mas nao foi uma revelação. E é isso o que eu questionei. Como eu disse, eu nao teria achado o episódio tão ruim se não fosse o nível de expectativa criado.

Eu concordo que alguns preferem o lado pessoal dos personagens ao lado investigativo; não é meu caso, mas acho muito razoável. O que eu não acho razoável e essa série (chamada 'Criminal MINDS'!)(em muitas outras, eu acho que seria cabível) leve a sério uma hipótese como 'possessão'. Aí, para mim, não dá. É desvirtuamento, e receio que seja uma tendência mesmo, depois desse episódio e do vidente do 4x14.
Mas tenho fé que logo assistirei a episódios bem ao stilo da 1a temporada. Vamos ver.
Um abraço!

jackie disse...

Eu gosto de conhecer o lado pessoal do personagem das séries, para mim é importante sentir a alma deles e codificar seus comportamentos. Mas, manter o foco no ideal da série é fundamental para não perder o objeto.

Bom, eu sou suspeita para falar de epis. pq sou mega fã da Prentiss (já isso, antes...) e mesmo que o tão esperado segredo não tenho sido algo terrível (pq existe algo mto pior... acredite!), porém foi compreensivo. Se ver grávida aos 15 anos, abortar e ser punida pela a Igreja é mto horrível!

Mas, para mim isso não foi suficiente espero que venha mais coisas sobre a Prentiss, coisas mais intensas que justifiquem seu jeito de ser.

Também, como disse a Gaby e a Silvinha eu creio que Prentiss e Reid são os personagens mais interessantes e que sempre despertam curiosidade.

De fato, Paget é uma brilhante atriz, super versátivl!!! =D

Até mais! Jackie.

Ribas disse...

Ai ai ai

Não sabia que as discussões estavam tão fortes por aqui, gostei do que li (tudo!!) maaaaaaaaaaaaaaaaas fiquei pensando como é engraçado a mudança de valores...

Uma menininha desajustada (confissão dela) abre a perninha, revira os olhinhos, toda feliz e contente, aí o menininho parceiro larga ela gravida, momento em que ela resolve abortar... aborta!!!

Não contente vai encher o saco do amiguinho (que devia ser o bobinho da turma, e apaixonadinho por ela de forma platônica -detalhe da foto da turminha, onde, em tese, aparecem os três amiguinhos-), faz a cabeça do tonto, se faz de vítima o "vampiriza" (depois de já ter revirado os olhinhos e ter sido largada) e ainda quer ser aceita por todos, incluindo o padre...

Aí o menininho já totalmente bagunçado mental e religiosamente, junta uma gang e vai matar um coitado de um padre...

E todos esses são vítimas???????

Tenham dó né...

E o unsub ainda é tido como sendo o Padre????

Por favor...

Se essa menininha de perna aberta tivesse deixado o platonico sossegado, talvez ele até tivesse virado padre, mas ESTARIA VIVO!!!

Um ponto que (ACHO) pouca gente reparou, mas pelo menos ninguem aqui falou, foi o episódio mostrar a Prentiss como o verdadeiro MAL que se espalhou e gerou toda essa desgraça no futuro atual...

Esse episódio foi muito interessante SIM!!!

E se vocês forem ver não existiu um unsub!!!! O Padre disse (e as cenas e depoimentos mostraram em seguida) que ele nem tocou nos que morreram...

Os que morreram, o fizeram por causa das rezas e tudo mais... (um tinha histórico de problemas com drogas ok) mas vamos combinar que um par de orações, a presença de um crucifixo e um padre, não matam ninguem... PARA O EPISÓDIO as vítimas foram mostradas SIM como estando possuídas (a cena do taxi e o desespero frente a simples rezas, provaram esse desejo do EP)

É fato que o episódio fugiu completamente do esquema clássico da série, mas eu pergunto... E daí???

REALMENTE achei muito interessante como eles lidaram com o Mal e, não curti terem deixado o Padre (mesmo que só de passagem) como sendo o vilão, enquanto que a Prentiss (mesmo que só na margem) passou como a heroína...

Esse episódio daria muita discussão e análise...

No todo, gostei muito!! E, realmente, um episódio duplo seria melhor

Até qualquer hora...

Ribas