sexta-feira, 27 de março de 2009

[LOST] 5x10 He's Our You

Agora posso dizer que a confusão está completa. Não escrevo isso no sentido de uma crítica, mas constatando os rumos que a série resolveu tomar e provavelmente o motivo de afastar um público que nunca mais conseguiu recuperar -- público este que talvez retorne através dos DVDs para a última temporada. O grande exemplo é esse episódio em que Sayid, preso (literalmente) nos anos 70, tem flashbacks dos acontecimentos antes de cair novamente na Ilha, misturado com cenas que até a temporada passada eram vistas em forma de flashforward. Nem o breve resumo antes do episódio consegue dar conta de situar um desses pobres desavisados. Essa semana mesmo um amigo perguntava em que pé estava Lost, que ele havia largado ainda na segunda temporada. Era hilário seu espanto quando comecei a contar que eles estavam vivendo nos anos 70 depois de já terem saído e voltado de novo para a Ilha. Senti-me exatamente como o dopado Sayid falando toda a verdade, mas sendo ridicularizado por isso. Aliás, já que citei a cena e é ela quem dá o título para o episódio, vamos começar por aí. Apesar de ter sido bacana acompanhar o paralelo entre Oldham e o iraquiano, acabei ficando decepcionado por depois de criar todo esse clima de suspense com as revelações, elas serem descartadas pelo pessoal da Dharma por serem absurdas demais. Claro que o paranóico Radzinsky ficou preocupado, mas pareceu a forma mais simples do roteiro não complicar ainda mais a situação de James e os outros, até pelo próprio nome Sawyer ter sido citado.
Antes disso, James tentou convencer Sayid a embarcar no jogo da Iniciativa Dharma, procurando uma saída que fosse interessante para a maioria deles. Mas todos sabemos que Sayid não faz esse tipo, tanto é que desde seu primeiro episódio (com o sugestivo título de "Solitary") ele vem sendo retratado como um personagem determinado e respeitando acima de tudo suas próprias convicções. É exatamente assim que Ben enxerga essa sua natureza assassina, já que tirar a vida de outra pessoa vai muito além de sangue frio: é preciso colocar suas razões acima das que a outra pessoa teria para viver. Essa determinação é o que leva o iraquiano a tomar a decisão no cativeiro da Dharma, como se tivesse de cumprir uma missão. Ora, se mesmo desistindo de seguir Ben, Sayid acaba sendo levado para o voo da Ajira após tentar se dar bem com uma garota (pela segunda vez consecutiva, aliás), é porque ele ainda teria algum propósito na Ilha. Apesar de tentar convencer que seu destino seria conduzir Ben ainda garoto para encontrar-se com os hostis, já previa que ele tentaria eliminá-lo por tanto que foi reforçada sua natureza assassina. O que não tira o brilhantismo da cena, até por ter a coragem de mostrar o tiro em uma criança -- coragem aliás que nem Battlestar Galactica teve. Mas acredito que Benjamin, já sabendo que sofreu esse choque na infância, apenas explorou essa determinação de Sayid para completar o ciclo.
Afinal, se as teorias de Faraday (que resolveu mesmo sumir de vez) estiverem corretas, Ben será salvo por alguma correção do "universo", deixando a linha do tempo intacta. Talvez seja até o milagre que o garoto será exposto e grande exemplo das propriedades de cura da Ilha. Por outro lado, há ainda a possibilidade de uma realidade alternativa, que acredito ser dificilmente explorada, até por dar chance de tudo o que vimos até aqui nas últimas temporadas ser mudada e não servir pra mais nada. Ainda assim, continua me incomodando a maneira como os personagens tem ficado nas mãos do destino, de modo a fechar o tal ciclo. Ainda que na semana passada tenha reclamado como pareciam desnecessárias as tentativas de Ben em reunir os Oceanic Six, agora vejo que seu conhecimento deve ir muito além disso e que alguma coisa teria de ser feita para impulsionar tudo isso. Afinal, sentar e esperar o destino agir por conta própria não é exatamente o melhor exemplo de roteiro de qualidade.

e.fuzii

10 comentários:

Allan disse...

Esse foi o episódio que mais gostei em muito tempo. Lost clássico: episódio centrado em um personagem, com flashbacks (no caso flashforward) mostrando um acontecimento da vida dele relacionado ao que acontece na ilha. Nada de viagens no tempo ou fantasminhas.

Anônimo disse...

Acredito que o Ben já havia previsto tudo, caramba se não foi o caso agora que vai dar um nó arretado!!

Hélio disse...

Algo que nao gostei deste episodio é que ele diminui totalmente a força da sequencia de "Namaste" em que Sawyer dá uma lição no Jack. Imagino que todo mundo gostou daquilo e o que se esperava é que o proprio Sawyer tiraria Sayid daquela enrascada. Missao nao cumprida, o LaFleur perde a pose.

Sobre as viagens no tempo, sempre acreditei no circulo estilo BSG "Isso ja aconteceu e acontecerá novamente" e a paradoxal situação de que os Ocean terao importancia vital nos acontecimentos da ilha anos 70, e exatamente por isso ha toda uma manobra de Widmore, Hawkins, etc para que todos eles pegassem o 815 da Oceanic la em 2004 (daí tantas coincidencias: o vidente da Claire, as passagens pra Sayid, a prisao de Kate, etc). Ou seja, so caem na Ilha pq ja estiveram la decadas atras, e so estiveram la decadas atras pq cairam na Ilha.

A hipotese de que a Ilha vai curar o Ben e é por isso q ele se sente especial, é tao obvia que acaba tirando o impacto da cena final.

Mas me intriga é se tudo nessa volta ao tempo esteja acontecendo pela primeira vez. Como funciona esse encontro entre personagens?

- Desmond "de repente" se lembra que Faraday o visitou na Ilha. Isso dá a ideia de que no momento em que houve o encontro no passado, essa memoria foi criada no brotha, ou seja, as coisas estao acontecendo pela primeira vez. (hipotese 1)

- Mas Charlotte se lembra de Faraday a visitando quando criança ANTES dessa visita acontecer, dando a ideia de que o ciclo sempre se repetira. O que ja invalida a hipotese anterior. (hipotese 2)

- O que teria acontecido a Desmond, entao? Foi providencial (para os roteiristas) que ele se lembrasse de algo que ele sempre soube? Isso nao ajuda nem um pouco a coerencia do encontro entre Jin e Danielle. Pq se era algo que ja havia acontecido, ela TERIA que se lembrar necessariamente do Jin no tempo presente.

- E aí retornamos ao Ben. Se a hipotese 1 estiver correta, o que acontece ao Ben atual? Ele desaparece na frente do Locke? Improvavel (alem de ridiculo).

- E se a hipotese 2 estiver correta, entao a Ilha realmente o cura. Provavel, mas igualmente ruim, pq deixa o todo MUITO sem graça.

Resumindo: espero que haja outra solução, mais original e interessante, que amarre as pontas soltas e que nos deixe de queixo caído. Como o final do episodio.

De resto, gostei da volta dos flashbacks. Mas tenho medo quando vier o da Kate...

Abços!

e.fuzii disse...

Hélio,
Apesar de também achar frustrante La Fleur não ter contornado a situação outra vez, vejo mais como uma valorização de Sayid a uma desvalorização de James.

Concordo contigo que cada vez se desenha mais esse quadro do destino guiando esses personagens até a Ilha, mas em relação à suas hipóteses, contesto essa de Desmond, que já foi dito que é especial nesse círculo.

A explicação que vejo é que a consciência dele é que viaja pelo tempo. Por isso ele tinha aquelas visões do Charlie, que enquanto não se realizavam eram apenas adiadas. Nesse contexto, e com Faraday sabendo disso, a mensagem dada na porta da Swan viaja pelo tempo até encontrar Desmond no presente. Ou seja, ele também não poderia alterar de forma física o que já aconteceu, mas apenas repassar mensagens que o destino daria conta de "contornar".

Resumindo: Ben irá sobreviver e também espero que não seja pelo simples motivo da Ilha curá-lo. Mas bem que poderia ser pior: uma criança de 10 anos com um colete à prova de balas. (Quê? Defendendo-se contra os abusos do pai, oras...)

E seu medo vai durar por pouco tempo, porque parece que o próximo episódio já é centrado em Kate...

Anônimo disse...

Caro comentador, faça-nos uma favor, pare de comentar, ou melhor, de criticar... eu fica ansioso para ler seus comentários sobre Lost, sempre pertinentes e com detalhes que às vezes deixei escapar. Mas atualmente está muito chato. Você só faz reclamar. Não seria mlehor deixar o espaço para algum fã de verdade da série?

Allan disse...

Anônimo, fazer o que se a série não anda lá muito bem? Eu, ao menos, por mais que goste de uma série, não quero só ver comentário elogiando. Quero que falem mal ou elogiem quando acharem necessário.

Anônimo disse...

Quem não anda bem são os outrora fãs que estão decepcionados com a série... fala sério Le Fleur foi um dos melhores episódios de toda a série. Quanto ao último episódio, sempre, no meio da temporada, tem um mais fraquinho...
Agora, os comentários do cara são deprê, carregados de frustração, falando mal de quase tudo...
Deixa pra lá, não volto aqui mesmo. Aliás deve ser por isso que tem tão poucos comentários.

e.fuzii disse...

Caro Anônimo,
Não volte. Se você tivesse a capacidade de ler antes de criticar, saberia que fiz elogios rasgados ao episódio Le(sic!) Fleur e acho inclusive que a série voltou a mostrar aquela dinâmica que nos atraiu nas primeiras temporadas. Ou seja, quem está chato e só reclamando mesmo?

Mas vou procurar me informar onde posso ganhar o tal certificado de "fã de verdade" da série...

Wagner Souza disse...

Interessante a discussão. O que será que significa ser fã de verdade?
Me considero fã da série, se de verdade ou não... não sei. O que sei é que é uma história de ficção. Mas acho que as histórias têm que ser bem contadas e não apenas ser conveniente para o roteiro, como aconteceram em alguns episódios de Lost. Claro que a série ainda não acabou mas, por exemplo, a história do Michael foi mal contada, a forma como os six ou five, ou mesmo os seven voltaram também foi mal contada e o tal do “não sei, só sei que assim” me incomodou a ponto de tirar um pouco o meu interesse pela série.
E para finalizar, acho os comentários desse blog os mais coerentes pois, não é “passional” como alguns outros. Bom, resumindo concordo com o Allan.

Júlio disse...

Esse episódio foi muito massa...
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