quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

[LOST] 6x01-02 LA X

por e.fuzii
"Nada é irreversível", diz Jack Shephard. Tudo leva a crer que essa será a questão crucial dessa última temporada, ponderando principalmente as conexões entre esses personagens se tivessem desembarcado no aeroporto de Los Angeles. Muito se especulava sobre essa possibilidade de reiniciar a história, algo que sempre fui contra por praticamente ignorar tudo que vinha sendo desenvolvido até aqui. Outros acreditavam que com a explosão da Jughead, todos os personagens que estavam no passado simplesmente voltariam ao seu tempo "normal". O que os produtores decidiram fazer? Abraçar as duas causas. Se já vínhamos nos deslocando para frente e para trás nessa linha do tempo e depois junto até dos próprios personagens, chegou a vez de explorar uma linha paralela, praticamente uma realidade alternativa após a detonação da Jughead em 1977. Mas claro que o plano de Jack serve apenas como ponto de partida para as mudanças que vemos a bordo do voo 815, tanto pelos vários personagens faltando como pela presença de Desmond entre os passageiros. Claro, se tudo que vimos na série até aqui parecia determinado a acontecer, nada mais natural do que uma única causa desencadear novas consequências a cada um desses personagens. Deve ser um alívio também para os produtores saberem que essa será a última temporada, até porque não deve ser nada fácil surpreender com um novo formato pra série todas as vezes.
De início, tudo parece ser uma ilusão ou alucinação de algum personagem, mas depois que Juliet manda uma mensagem do além para Miles dizendo que o plano funcionou, e a medida que os acontecimentos em LA passam a ficar sérios, estava confirmado que balançaram novamente as estruturas. Acho que o grande desafio agora é dar importância a essas histórias paralelas fora da Ilha, convencendo o público de que essas duas linhas de tempo, uma em 2004 e outra em 2007, devem convergir em determinado momento. Embora não consiga imaginar como isso pode ser possível -- ainda mais vendo que a Ilha está totalmente submersa numa delas --, espero que a dinâmica vá além de estabelecer motivações ou refletir sobre o comportamento dos personagens em questão, assim como já visto nos flashbacks. Interessante é que dessa vez há uma relação em duas vias: inicialmente não sou capaz de simpatizar com esse "novo" Jack, por exemplo, não já sabendo de toda sua teimosia em qualquer linha do tempo possível. Ou até acreditar que Charlie pode ser muito mais que esse roqueiro otário, ainda que fique curioso para saber como fazer essa ligação com um personagem já morto na Ilha.
Afinal, dead is dead, certo? E nesse primeiro episódio, além da confirmação da morte Juliet, acompanhamos Sayid morrendo após as tentativas frustradas de salvá-lo no Templo. Sinceramente, no primeiro caso nada posso dizer além de lamentar esse descarte de uma das personagens mais intrigantes da série. Nem acho que era necessário escandalizar esse adeus, com ela morrendo nos braços de Sawyer, ainda que vê-lo jurando o doutor de morte tenha sido bem bacana. Não só pelo ato em si, mas também pelo seu comprometimento a ela. Talvez seja a deixa para nunca mais termos de aturar o triângulo mais chato da televisão -- nesse caso torcendo para que não venha nenhuma outra influência de Los Angeles. Creio que essa cena já havia sido gravada, até pelo estranho fato de Sawyer enterrar Juliet antes de pedir para Miles se comunicar com ela. Já a morte de Sayid é um pouco mais complexa. Estou praticamente certo de que Jacob se apoderou de seu corpo, embora a desconfiança de Miles possa indicar uma "simples" ressurreição. Mas o fato é que finalmente conhecemos o Templo secreto e seus habitantes, com os personagens sendo capturados mais uma vez e salvos por uma lista num "biscoito da sorte" em forma de ankh dentro do estojo de violão trazido por Hurley. Mais uma daquelas (d)eficiências de roteiro que só relevamos por respeito ou amor à série.
Para quem exige respostas, tivemos um dos primeiros mistérios da série aparentemente resolvido quando o antagonista de Jacob -- ou como já vi sendo chamado por aí, o Un-Locke -- toma forma do monstro de fumaça e aniquila Bram e seus capangas. O pior é ter gente ainda duvidando disso, mesmo que suas palavras para Ben, "lamento por ter me visto desse jeito", fossem mais do que claras. Desse jeito não tem como o pessoal ficar satisfeito com o final da série mesmo. Ficou esclarecido também a razão do pó ao redor da cabana de Jacob, sendo a única forma rudimentar de se proteger dos ataques do monstro. Mas apesar da história ter trilhado um caminho entre a mitologia e essa nova estrutura, foram duas cenas particulares que me deixaram bastante otimista com essa temporada final. A primeira é a conversa entre Un-Locke e Ben, quando ele revela o alto grau de confusão de John Locke, depois de ter seguido tudo o que lhe foi ordenado, no momento em que é assassinado por Ben. Há toda uma ironia de Terry O'Quinn falando de "si mesmo" que me faz até ignorar essa reutilização do ator num outro personagem. Já o outro momento é o encontro entre Locke e Jack no aeroporto, quando pela primeira vez a posição dos dois aparece invertida, com Locke sendo extremamente pragmático e Jack acreditando nas possibilidades de reverter sua situação. Depois de ver o rosto de Locke cercado de frustrações saindo do avião ao final do primeiro episódio, é Jack quem tenta agora convencê-lo de que nada disso pode ser eterno. Enquanto isso na Ilha, Sawyer resolve poupar Jack justamente para vê-lo sofrendo ao lado de todos eles, depois que seu plano falhou. Essa diferença de perpectivas dos personagens e novos encontros entre velhos conhecidos -- principalmente o mais interessante deles envolvendo Kate, Claire e claro, Aaron --, são o que definitivamente devem mover essa alternância entre dimensões. Para mim, é indício suficiente pra ficar tranquilo e perceber que o que realmente importa para Lost, felizmente, são seus personagens.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

5 comentários:

Luzo disse...

Tem um ponto, ao meu ver, equivocado neste comentário. As cinzas ao redor da Cabana eram pra deixar o Mostro preso na Cabana, já que vimos que Jacob estava no pé da estátua. Quando Ilana chega a Cabana e vê uma falha nas cinzas, fica claro que quem ocupava a Cabana e dava as ordens a Ben era o Un-lock.

e.fuzii disse...

Na verdade, só usei "cabana de Jacob" para definí-la. Apesar de Ilana dizer que Jacob não habitava a cabana há algum tempo, confesso que esse ainda é um ponto obscuro da trama para mim. Até pela cabana aparecer ora com e ora sem o círculo de cinzas. Além do fato do monstro continuar ativo e Ben saber exatamente a importância dessas cinzas quando leva Locke lá pela primeira vez.

Gilberto disse...

lol

Esse episódio me deixou sem palavras! Ver a ilha submersa fez meu cérebro explodir!
Aos poucos fui juntando os pedaços e ligando tudo.

No todo, gostei do episódio, mas algumas coisas me deixaram com o pé atrás, principalmente a realidade alternatica e a "morte" de Sayid.

Quanto a primeira, espero que tenha importância para a trama que acompanhamos desde o início (pq ninguém merece uma nova história a essa altura do campeonato).

Quanto a segunda, espero que seja o Jacob no corpo de Sayid, afinal dead is dead.

Rael B. Riolino disse...

Achei interessante o momento pre-morte de Juliet quando ela comenta que quer uma chícara de café (ou chá, agora nao me lembro)...

Este momento nos leva a crer que há sim uma influência, interação ou transição entre uma dimensão e outra... e acredito até que essas poucas palavras dela ainda vai ser explicado em alguma cena da outra dimensão.

É esperar pra ver!

Rafael S disse...

Ótimo episódio. Legal ver como os roteiristas conseguem alterar a estrutura da série mesmo depois de seis temporadas.

E achei a realidade onde o avião não caiu fascinante. Primeiro pelo fato de rever velhas caras conhecidas (acho sempre uma coisa legal chamar o pessoal de volta, dá uma valorizada no elenco). Ver Charlie, Boone, Edward Mars (que teve uma grande participação aqui), dr. Artz e até o Neil Frogurt (não só na cena do taxi, é ele quem está dormindo na cadeira entre o Boone e o Lost). E depois que, bem sutilmente, aquela já é uma realidade bastante alterada pela não "existência" da ilha: nada de bad numbers, nem escotilhas para apertar botão, etc. Além disso, essa realidade proporcionou ótimas cenas, todas as interações (visuais ou verbais) entre Locke e Jack estão entre os grandes momentos da série, dois excelentes atores ali. Agora resta saber como as coisas vão fluir agora.

Infelizmente, me decepcionei com a realidade onde os sobreviventes ainda estão na ilha. Quer dizer, gostei de ver o ser inominável tocando terror no Brams (RIP) e cia, além do grande monólogo dele sobre como o Locke era um merda (mais um grande momento do Terry O'Quinn). E esclareceu fatos como fumaça, pozinho, etc.

Mas não curti muito o núcleo de Jack e cia não. Primeiro pelo sobrevida desnecessária da Juliet - pareceu a maior enrolação para uma última despedida entre ela e Sawyer - até porque a informação útil ali foi dada pelo Miles, com ela já morta. E depois que não gosto dessa história de templo hiponga com japas e seguidores do John Lennon. O pior que o japa é um ator legal, dos filmes japoneses Ringu (que inspiraram O Chamado), mas ver toda aquela turma maltrapilha em comunidade me desanimou. E nem dá pra dizer que é coisa nova, tudo isso de templo já havia sido plantado há muito tempo na série, mas nem curto, prefiro muito mais o lado sci-fi do que esse lado...místico. Mas pelo menos serviu para explicar o destino da Cindy e das crianças, depois de 3 temporadas. Uma coisa a menos.