sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

[LOST] 6x03 What Kate Does

por e.fuzii
Última temporada e logo na segunda semana já temos um episódio com o nome de Kate estampado no título. Não poderia ser mais frustrante para alguns. Embora não concorde, entendo as razões para logo de cara torcerem o nariz para os episódios centrados nela. Além do aspecto definidor de sua personalidade (nascida para fugir) sobressair sempre, o que de certa forma independe se ela é o foco principal ou não, a maioria deles pecam por serem irregulares. Mas temos excessões, como o bom Whatever Happened, Happened da temporada passada, por exemplo. Dessa vez, sinto que esse título do episódio faz referência àquele com um dos flashbacks mais importantes da personagem, What Kate Did ainda na segunda temporada, servindo principalmente como indício de que esses acontecimentos paralelos em 2004 são definitivos. Afinal, se antes o título referia-se ao passado, agora ele encontra motivos nos dois "presentes", ou seja, é disso que Kate é capaz. Nem acho que a culpa desse episódio pode ser jogada nas costas dela, até porque Kate mostra sinceridade ao tentar ajudar Claire em 2004 ao mesmo tempo que faz dela sua motivação na Ilha em 2007. É verdade que a história em Los Angeles é bastante absurda, não apenas por Kate se expor e cruzar a cidade dirigindo um táxi roubado, como por Claire aceitar carona de uma fugitiva que lhe apontou a arma pra cabeça momentos antes. Só poderia ser explicado se isso já fosse algum tipo de convergência entre essas duas linhas paralelas. Na semana passada tentei de todas as formas desviar-me dessa discussão, mas diante do rosto de Kate ao ouvir o nome Aaron torna-se inevitável não tratar do assunto. Na conversa final entre as duas, no quarto do hospital -- quando Claire dá seu cartão de crédito (!!!) em retribuição à ajuda de Kate --, elas parecem não saber explicar por que o nome Aaron simplesmente soa "correto". Claro que alguém poderia dizer que é apenas o destino corrigindo seu curso e fazendo com que esses personagens se cruzem, mas vejo um algo mais aí, principalmente na estrutura narrativa, dando razão nesse caso para a fuga de Kate do Templo. Se não fosse por isso, seria apenas Kate outra vez exercitando sua característica dominante enquanto corre atrás de um de seus machos. Ou talvez mais um passeio frustrado escoltando reféns pela floresta. Além disso, ainda tivemos a participação de Ethan no hospital, sendo todo prestativo com Claire. Se às vezes esse comportamento inusitado parece querer apenas chocar o espectador, fico esperando que faça algum sentido no todo.
Porém, o grande problema esteve no que aconteceu dentro do Templo, após a ressurreição milagrosa de Sayid. Acho que devo ter olhado pelo menos 12 vezes o contador de tempo, preocupado com o desenrolar dessa história. Não tenho mais paciência para aguentar todo esse mistério aparentemente sem propósito, sejam as torturas que submeteram Sayid ou alguns objetos que tentam desviar nossa atenção, como a bola de beisebol na mão de Dogen. Apesar de pela primeira vez a teimosia de Jack servir para alguma coisa, o episódio parecia arrastar-se até terminar naquele ponto, revelando que Sayid estava infectado com a doença, assim como Claire, pouco antes dela também aparecer para Jin na floresta. O que me incomodou é terem perdido tanto tempo despistando, escondendo informações, para que no final Dogen resumisse dizendo "porque aconteceu com sua irmã". Precisava ser assim tão óbvio? Como sempre as respostas vem tão mastigadas na série que acabam frustrando todo mundo. Por outro lado, o visual Danielle Rousseau de Claire é bastante intrigante, principalmente pela francesa já ter citado uma doença misteriosa anteriormente, além de sua morte ter sido poucos episódios antes de Claire ter desaparecido. Além de espalhar armadilhas, resta saber se ela também vaga pela Ilha procurando pelo seu filho. O que questiono é se isso não seria um ciclo se repetindo -- de acordo com a teoria de "Esau" -- e se esses corpos não seriam as tais peças sendo movidas nesse tabuleiro. Dessa forma, não me precipitaria ainda em descartar que Jacob pode ter se apoderado do corpo de Sayid, como escrevi na semana passada, logo depois de ter morrido. Porque esse sujeito fragilizado, ou nas palavras de Hurley quase um zumbi, não é o Sayid que conhecemos. Talvez a questão seja ainda entender a relação desse povo do Templo com os outros habitantes da Ilha e se suas palavras são confiáveis, ou seja, se essa "escuridão" que toma conta do corpo deles não pode ser apenas uma visão parcial do problema. Resta saber ainda o conteúdo da tal lista, a qual Aldo e Justin questionam se Jin estaria ou não.
Antes de terminar, deixo tudo isso de lado para dedicar um parágrafo a Josh Holloway que, embora não tenha me agradado na premiere, dessa vez foi o grande destaque emocional do episódio. Ainda lamentando a morte de sua amada, Sawyer larga tudo para rever o anel que selaria seu comprometimento com Juliet. Incrédulo, será interessante observar sua postura a partir de agora duvidando dos cursos do destino na Ilha, a ponto de desmerecer com seu sarcasmo o retorno de Sayid do mundo dos mortos. Além de que diante da mais remota possibilidade de unir as duas linhas do tempo paralelas, Sawyer encontrará sua esperança. Como já esperava na semana passada, a cena nas docas mostrou que os caminhos de Sawyer e Kate estão mesmo separados para sempre, ainda bem. Enquanto ele arrepende-se de ter convencido Juliet a ficar, Kate pondera sobre o quanto a volta dos Oceanic Six -- ainda deve-se usar essa nomenclatura? -- foi um desastre a todos que ali estavam. Ao menos uma boa cena solitária em meio a tantas outras que serviram de preparação para o que está por vir. Concordo com grande parte dos mais pessimista que Lost já não pode dar-se ao luxo a essa altura de perder tempo e cadenciar sua trama. Chegou a hora de definitivamente concentrar-se em trazer soluções, elaboradas, e não apenas atirar respostas ao seu espectador.

Obs.: Sei que os produtores adotaram o nome flash sideways para caracterizar a estrutura de histórias paralelas nessa temporada, inclusive até com um som diferente de ranger durante as transições. Mas decidi não usar, primeiro porque odiei o termo e a forma como impuseram isso a nós. E segundo porque quando uma trama ocorre em 2007 e outra em 2004, elas não parecem estar exatamente lado a lado, né? Até que se justifique ou façam valer a pena, continuarei evitando de usá-lo.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

5 comentários:

Rafael S disse...

Episódio modorrento, principalmente pela parte nã-Ilha. Fala sério, uma mina aleatória bota uma arma na tua cara, te sequestra num taxi, e depois vira sua melhor amiga? Laughing

E na ilha, tá faltando alguém com atitude pra peitar os Outros, só tem os deploráveis ali. Falta um Mr. Eko pra cravar o porrete na perna do japa e conseguir algumas respostas. O que mais tem em Lost é personagem que enruste informação, pqp.

E pobre Jin, ninguém dá a mínima pro cara, pra onde ele vai e tals. Se pá, nem a Sun lembra mais dele. Laughing Foda que ele é sempre esforçado, se mete a fazer as coisas...boa sorte para o rapaz com esse team-up com a Claire agora.

joaquimbasso disse...

Só uma observação: o "sideways" é paralelo ao início da série e não ao que está sendo contado agora...

O episódio foi um "filler"... dizem que o próximo vai ser demais e o quarto será impossível! Então, aguardemos...

Daniel disse...

Uma pergunta... lembra dakele cara q adivinha as coisas? Ele qm manda a Claire ir naquele voo. E (pelo menos eu achava isso)que ele a mandou somente para que ela não tivesse a chance de entregar o filho, pois o avião cairia

Pq ela ta no voo? Será q o cara da bola de cristal q a mandou nesse novo presente deles?

Flw

e.fuzii disse...

Pois é Rafael, se antes a gente reclamava da forma como ninguém se questionava sobre o que estava acontecendo, não adianta nada terem perguntas se ninguém faz questão de respondê-las.


Joaquim, entendo o que você quer dizer. Mas esse termo de "flash-sideways" é usado para caracterizar a estrutura mesmo. Por isso, sinto que ainda não ficou claro pra mim se o que acontece em 2007 é simultâneo ao que ocorre(u) em 2004.


Daniel,
muito boa pergunta. Mas ficamos sem saber. Só podemos deduzir que, como essa nova linha do tempo pós-Jughead não é tão cruel para esses personagens -- Hurley por exemplo diz ser um cara sortudo --, Claire não teria passado por nada nesse sentido. Somente teria sido abandonada pelo namorada e decidiu colocar seu filho para ser adotado. O casal ser de Los Angeles talvez seja apenas uma correção de curso do destino.

Mas é uma discussão que pretendo até abordar no texto dessa semana. Acho difícil que com tão pouco tempo se dediquem a explicar o que aconteceu antes do vôo 815 nessa vez, então ficamos tendo de preencher lacunas provavelmente.

Daniel disse...

Concordo com vc, e.fuzii, ma temporada é pouco para explicar todas as nossas dúvidas, aliás, parece que muita coisa ficará no ar, ou, como vc disse "preencheremos lacunas provavelmente" rs

De qq jeito Lost é ótimo!!!

Ah, e parabéns pelo blog! Descobri essa semana e já li várias coisas '')


Flw