sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

[LOST] 6x05 Lighthouse

por e.fuzii
Já dizia alguém logo no começo de Lost que tudo seria resolvido se os pais e filhos vistos na série sentassem para conversar e entrassem num acordo. Muito se especulou também quantos desses pais seriam de uma outra geração de habitantes da Ilha, o que eventualmente se confirmou para a maioria deles. Portanto, não seria na temporada final que essas questões deixariam de ser centrais para algumas dessas tramas. Se na semana passada Locke parece ter desenvolvido uma relação bem melhor com seu pai durante toda vida -- ou que aparentemente não chegou a quase lhe custar a vida quando jogado por uma janela --, dessa vez acompanhamos Jack encarando a conturbada relação com seu filho David. Nem perderei meu tempo especulando quem seria a mãe, porque continuo achando que isso não fará diferença quando as duas linhas se juntarem, mas para mim o mais intrigante foi ver Jack encarando sua cicatriz no espelho, antes de certificar-se com sua mãe que havia sofrido uma operação de apêndice quando criança. Talvez seja outro indício de que já exista uma fina conexão vigente entre essas duas realidades. Mesmo assim, ainda acho que essa realidade alternativa precisa mostrar-se mais efetiva além de dar um sentido de resolução para esses personagens, como se fosse para amenizar um possível final trágico da série. Mas apesar de Jack conseguir de certa forma atingir um momento de redenção frente ao seu filho no final, ele ainda vive ressentido pela relação com seu falecido pai, aquele que ele sempre procurou por aprovação e seguiu como guia em sua vida. E continua a seguir (ou procurar) mesmo depois de morto. Nada mais simbólico, em um episódio com esse título, do que Jack ser levado por Hurley através das tortas instruções de Jacob até um farol da Ilha em busca de sua verdade.
Antes disso, tenho de ressaltar que esse roteiro não funcionou mais uma vez pra mim, principalmente pelas eternas cenas de passeio pela floresta e a visitação à caverna sem propósito algum. Fora isso, parte dos diálogos da breve interação Kate-Jack e Jack-Hurley foram sofríveis. Nada que se compare, claro, com a condescendente reação de Jack e Hurley diante do farol que ninguém havia visto. Como se fosse uma situação tão absurda que os próprios roteiristas precisassem pedir desculpas para que esse fato fizesse o mínimo sentido. Entendo esse esforço saudosista em trazer de volta a aura que envolvia a primeira temporada, ou nas palavras de Hurley o aspecto "old school", com seus mistérios, descobertas, flashbacks reveladores. Até a ordem dos episódios na temporada faz par com o princípio da série -- episódio geral, depois focando em Kate, Locke e finalmente em Jack. Porém, sinto que tudo isso está sendo forçado em nome de revelações de impacto no final, com base nas já tradicionais perguntas imprecisas (ou às vezes idiotas mesmo) e nas longas jornadas de seus personagens separados, exigindo que certas revelações sejam explicadas mais de uma vez. Entre todo esse sentimento nostálgico, o que achei mais interessante foi a semelhança de Claire com a Rousseau apresentada no começo da série, não mais só na aparência mas também pelo seu estado mental, procurando desesperada por Aaron em toda a Ilha. Aquela desconfiança de que ela teria morrido, assim como na infecção de Sayid, parece desaparecer quando ela revela estar vagando por 3 anos na Ilha e sendo instruída por Christian e seu "amigo" Un-Locke, o que sugere que talvez consiga vê-lo além de sua forma física. Até então acreditava que fossem manifestações de entidades diferentes, mas Claire está convencida por ambos de que Aaron está com os Outros, ou nesse caso aqueles que estão no Templo. Se nem Jin contando a verdade é capaz de salvar um dos Outros de ser torturado até a morte, ele acaba obrigado a mentir para não colocar Kate já em perigo. Essa situação é especialmente interessante quando levamos em conta o passado de Jin, que com seu trabalho aprendeu quais as condições de ser manipulável ou manipulado por alguém. Aliás, agora que já sabemos quem manda de fato na Ilha, a questão nesse início de temporada vem sendo revelar a cada um desses personagens a razão de serem manipulados até ali. Na semana passada foi Sawyer quem ficou sabendo dos prováveis candidatos de Jacob na caverna e agora foi a vez de Jack descobrir pelos espelhos do farol que todos já haviam sido escolhidos há muito tempo atrás. Mas como os dois estão sendo manipulados pelos opostos da Ilha, tudo leva a crer que também teremos aí um grande embate em breve.
Assim, quem acaba ficando no meio do caminho é o simpático Hurley, que não consegue cumprir a missão que foi designado por Jacob originalmente: orientar aquele com o número 108 a chegar na Ilha. Embora estivesse escrito Wallace ao lado desse número, basta lembrar de um tal de Jeremy Bentham para continuar torcendo pelo retorno de Desmond. Também entendo quem possa taxar de anti-climático o repente de Jack de destruir todos os espelhos, principalmente por estragar (convenientemente) mais uma fonte de respostas. Mas sua reação ao descobrir que havia sido observado por grande parte de sua vida me pareceu bem condizente. Podem até condená-lo por mais uma decisão estúpida, mas sendo o homem da ciência e percebendo que sua vida segue esse destino inexplicável, óbvio que ele continuaria lutando contra essa verdade e pouco importaria quais respostas o espelho ainda poderia lhe dar. Afinal, ele voltou para a Ilha em busca da cura, de seu próprio conserto, e que talvez seja encontrar sua maneira de abraçar esse destino. Sentado diante do imenso mar perdendo-se no horizonte, Jack pondera sobre sua vida buscando aqueles momentos que tomaram rumos inesperados, fugindo de seu controle. Tudo que Jack precisa agora é de uma nova luz, ou um novo farol, para que ele enfim possa se guiar.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

5 comentários:

Juliana Teixeira disse...

Ótimo texto, de novo!

E eu concordo com você sobre a reação do Jack ser condizente com a situação - e creio que seja muito coerente com o seu temperamento também.

Mas vamos falar a verdade, no extao instante em que ele quebra aquele espelho, aposto que TODO MUNDO gritou junto: QUE QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? PÁRA! Heheheheh

Parabéns pelos comentários!

Beijos,

Ju.

eriyca disse...

Olá, queria parabenizar vcs pelos comentários das séries, principalmente de Lost. Sempre que termino de assistir um episódio, venho pro blog ver a resenha de vcs :)

Apesar de conhecer muita gente q acha o Jack "mala", tenho q admitir q ele sempre foi e ainda é um dos meus personagens favoritos da série. Ansiosa pra ver o embate Jack vs Sawyer

Moorfo disse...

òtimos comentários!!! Parabéns!

danielle m (danna) disse...

Mas tá um clima de paz nestes comentários hein? hahaha

e.fuzii disse...

Pois é, só pode ser o clima de final de festa, com todo mundo se confraternizando.

Mas valeu pelo elogio, pessoal. E como sempre digo, a pessoa pode ser do time fé ou da ciência, mas a única certeza é já ter chamado Jack de burro pelo menos uma vez durante a série. :)