sexta-feira, 29 de maio de 2009

[Glee] O Piloto que todos estão comentando

Numa manobra arriscada, a Fox decidiu estrear uma de suas promessas para a próxima temporada logo após a final do American Idol, ou aquele programa visto por milhões de americanos. Enfim, levando em consideração o tema, parece não haver lugar melhor. Por outro lado, cheguei a dizer que assistir esse piloto é uma daquelas no-win situation em que ou você simplesmente detesta pelo resto de sua vida ou tem de esperar longos meses pelo resto da história. Mas pode ter certeza que as campanhas pra promover a série serão maciças daqui até lá. A recepção para mim foi surpreendente, a mídia realmente abraçou a série de uma forma que não se via desde Pushing Daisies e apesar de também ter adorado, posso entender perfeitamente quem achou insuportável. Outros comentários entuásticos podem ser lidos no Blog NaTV e no teleséries.

Depois de ter o excelente piloto de Pretty/Handsome rejeitado no ano passado, Ryan Murphy decidiu voltar às origens e dedicar-se a um trabalho que lembra sua cultuada série Popular -- releve por mais contraditória que essa frase possa parecer --, no final dos anos 90. Para quem não sabe e esteve longe de todo esse buzz, Glee passa-se em um colégio e trata do ressurgimento do antigo clube de coral, comandado por um professor que se destacou num clube como esse em sua adolescência. Obviamente, durante a seleção surgem apenas os alunos mais "estranhos" e impopulares do colégio, o que claramente já estabelece semelhanças com Freaks and Geeks. Sabe-se lá quanto tempo somos reféns de séries dramáticas que envolvem um clima "sombrio", mas depois de Pushing Daisies -- que tinha uma boa premissa, mas me enjoou com o tempo -- essa é a série que traz o sorriso de volta a nossos rostos. O grande trunfo é que seus personagens não são caricatos como num musical Disney e apesar dessa embalagem "simplesmente feliz", o conteúdo e os temas abordados são muito interessantes. Temos a competição clássica entre escolas pelo título de coral, uma disputa acirrada contra "organizações" mais populares dentro da escola (que envolve até os professores), como o futebol americano e as cheerleaders, mas claro, sem esquecer, da luta de todos os dias dessas personagens em serem reconhecidas dentro do colégio. Nas próprias palavras de Finn, que transita muito bem entre o clube de canto e o futebol, todos ali são potenciais perdedores. E apesar de atingir o clímax no apoteótico ensaio final, Glee se distancia de um musical comum exatamente porque as tramas não evoluem até chegar em números, mas são introduzidas de forma natural durante os ensaios, audições e competições.

Talvez tenha até ficado admirado demais com o piloto pela primeira vez, mas depois de reassistí-lo posso garantir que as possibilidades da série são enormes e nenhum dos atores destoa nesse extenso elenco. Meu maior medo é exatamente destruírem essa premissa tão boa, caírem no cliché de criar aquelas rivalidades que estamos cansados de ver em séries adolescentes e claro, aquele casal principal que nunca sabe se vai ou volta. Apesar de Ryan Murphy não ser alguém que transpareça inteira confiança num investimento futuro, ainda acredito que ele sabe muito bem o trunfo que tem nas mãos, até pela coragem de colocar isso no ar. Só resta esperar por esses longos meses até setembro, cantando Don't Stop Believing, um daqueles fenômenos musicais inexplicáveis que vem embalando a América desde o final de Sopranos.

e.fuzii

4 comentários:

Celia Kfouri disse...

Às vezes eu acho que vivo em outro mundo. Ainda não tinha ouvido essa 'versao' de Don't stop believing. Tsc tsc tsc. Que sacrilégio...

netiteve disse...

Os méritos estão mais no lado musical (como você já expôs) que no dramático.

As bizarrices num primeiro momento deixam a série distante do grudento High School Musical, mas, logo em seguida, já se percebe similaridades demais.

Se a ideia era tirar um sarro de HSM, funcionou muito mais a cópia, e sem medo de sentir vergonha.

Pra falar a verdade não sei se o lado musical terá a mesma força. Nesse piloto foram 13 números musicais e a versão director's cut tinha até mais três. É capaz de termos apenas um par ou dois de músicas com os episódios semanais. E aí a coisa desanda...

Rubens disse...

"Meu maior medo é exatamente (...) caírem no cliché"...

Caraca, MAIS cliché ainda do que foi esse primeiro episódio?... O episódio inteiro foi uma amontoado de clichés, mais de uma dezenas deles... Como pode ser possível ser ainda mais que isso?

O blog Legendado da Claudia Croitor fez um bom apanhado do amontoado de clichés (ou pelo menos listou os 10 clichés mais óbvios e visíveis) em um ótimo post.

http://colunas.tv.globo.com/legendado/2009/05/27/glee-10-motivos-que-fazem-a-grande-aposta-da-nova-temporada-ser-uma-b/

e.fuzii disse...

Rubens,
citando a frase desse jeito, ela parece até ficar com outro sentido. Mas vejo diferença entre apoiar-se em clichés e cair num cliché. Mais ou menos na mesma proporção de copiar ou fazer referência.

O fato é que séries que retratam a adolescência não encontram muito mais o que explorar, além do que já temos visto por aí. Sempre teremos personagens e situações parecidas, mas os propósitos podem ser diferentes. Por isso, a aposta nesses personagens, nessa situação, nesses atores. Pode ser uma grande furada, mas vale a pena depositar confiança principalmente quando vemos como concorrentes Gossip Girl, que roda e não sai do mesmo lugar, e dois remakes dos anos 90.

Outro ponto é que em episódios piloto tem de se abrir mão de um maior desenvolvimento para garantir sua idéia. E convenhamos que ninguém investiria seu dinheiro em algo que sai do padrão cliché que o público da televisão aberta está acostumado. Só resta esperar mesmo e ver onde isso vai dar.