terça-feira, 18 de maio de 2010

[Breaking Bad] A Melhor Série Que (quase) Ninguém Vê

(Texto sem spoilers; para uma discussão detalhada sobre as duas primeiras temporadas, recomendo o texto do Fuzii aqui no blog; em breve, comentários sobre a 3ª temporada)


por Hélio Flores



Queria ter mais tempo para escrever sobre Breaking Bad. Porque nenhum dos principais sites/blogs nacionais sobre séries faz menção a esta que talvez seja a melhor coisa em exibição atualmente. E garanto que as (poucas) pessoas que vêem a série, concordam comigo.


Se você nunca ouviu falar, Breaking Bad é sobre Walter White, um professor de química que, ao descobrir que tem câncer, usa seu conhecimento para produzir metanfetamina e, com a venda, deixar uma boa grana pra sua esposa grávida e seu filho adolescente. Conta com a ajuda de Jesse Pinkman, seu ex-aluno, usuário e pequeno traficante local, formando uma improvável dupla que se mete em enrascadas cada vez maiores, seja graças aos perigos envolvendo o mundo do tráfico, a ambição e ganância crescente dos protagonistas, ou mesmo a dificuldade em esconder tudo isso da família de Walt, que inclui ainda sua cunhada e o marido, um agente do DEA (divisão da polícia encarregada dos narcóticos) que logo se interessará por esta nova mercadoria que tem afetado o tráfico local. E neste processo, Walt ainda tem que lidar com sua doença, a proximidade da morte, os tratamentos que prometem longevidade, etc.


Drama, suspense e humor se alternam com extrema desenvoltura nesta incrível série, que teve uma boa 1ª temporada (com apenas 7 episódios, devido a greve dos roteiristas), mas que alcança status de obra-prima no seu 2º ano, com 13 episódios de cair o queixo, que chamam a atenção não apenas pelas qualidades que toda grande série de TV deve ter (roteiros inteligentes e redondos, mais grandes atuações), mas também por se juntar a um seleto grupo de programas (Sopranos, Deadwood, Mad Men, por exemplo) que preza pelo esmero da produção, tanto dos aspectos técnicos da dramaturgia (a fotografia e o som tem enorme valor dramático em Breaking Bad), quanto no desenvolvimento de personagens densos e complexos.


Talvez a grande sacada de Breaking Bad seja essa capacidade de unir elementos de gênero que agradam ao grande público (suspense, tensão e adrenalina são presenças constantes nos episódios) a uma trama indigesta, uma verdadeira descida ao inferno de um homem comum que se envolve com as coisas erradas pelos motivos certos, chegando a um ponto onde a moralidade se torna algo complicado demais e as consequências de seus atos são sentidas a longo prazo, afetando as vidas de quem quer que cruze seu caminho. Isso tudo embalado em um cuidado e brilhantismo técnico que estamos mais acostumados a associar ao cinema de grandes cineastas e não a produções televisivas. Mais do que contar uma grande história, é a forma como se conta que faz a diferença.




São dois os grandes responsáveis por fazer Breaking Bad funcionar maravilhosamente bem: Vince Gilligan, o gênio perverso por trás de tudo, não só criou o conceito, como é o roteirista de todos os episódios da série. Gilligan (um dos produtores e roteiristas de Arquivo X) tem um senso de humor doentio, responsável pelas risadas nervosas que ocasionalmente surgem com as situações e personagens inusitados que cria, mas sem nunca diluir o drama e a seriedade dessa jornada infernal vivida pelo protagonista. E a série segue um rumo vertiginoso, imprevisível, sempre dois passos à frente do espectador, dando uma saudável sensação de que Gilligan sabe o que faz e onde quer chegar com esta história. E o que ele quer é sempre muito bom.


O outro responsável, claro, chama-se Bryan Cranston, o genial ator que dá vida a Walt. O trabalho de Cranston é complicadíssimo, pois o protagonista não é dos mais agradáveis, mas ele consegue dar vida às múltiplas facetas de personagem tão complexo, e suas ações (demasiadamente humanas) são muitas vezes condenáveis, algo que poderia causar rejeição do espectador. É fácil lembrar de James Gandolfini (Sopranos) e Michael C. Hall (Dexter), também atores que deram vida a protagonistas de condutas reprováveis. Mas Tony Soprano sempre esteve inserido no mundo do crime e da violência, e Dexter Morgan sempre foi um sociopata. No caso de Walter White, é um homem comum que sofre as consequências de suas próprias escolhas a partir do momento que descobre ter uma doença terminal.


Neste sentido, o caminho é exatamente inverso ao de Dexter: enquanto este último segue uma trajetória rumo à normalidade (e, no percurso, lamentavelmente o personagem vem sendo suavizado pela série), Walt se afunda num lodo moral, um caminho sem volta que Gilligan pinta em tons tragicômicos, dramático quando necessário, e sempre tenso pela imprevisibilidade dos rumos que toma. E a empatia só surge graças às sutilezas de Cranston - nos silêncios, nas explosões de raiva, no olhar afetuoso em direção à família, trabalho que não à toa venceu o Emmy por dois anos consecutivos e não seria absurdo pensar numa terceira vitória (mesmo se tratando da categoria mais acirrada da premiação) com esta brilhante terceira temporada.




Há muito mais a se falar desta fantástica série, em especial o elenco: se Cranston pode brilhar desde o início, a série se torna generosa com seus coadjuvantes Aaron Paul (Jesse), Anna Gunn (Skyler, a esposa de Walt) e Dean Norris (Hank, o cunhado agente do DEA), que aos poucos ganham espaço com participação intensa dentro da trama. Além de novos e interessantes personagens que surgem no decorrer da série, encarnados por atores à altura da tarefa - mais especificamente Bob Odenkirk e Giancarlo Esposito.


Tentarei discutir estes e outros aspectos em outro texto, sobre a atual temporada (a quatro episodios do final). Mas se você ainda não conhece Breaking Bad, veja o quanto antes. Poucas coisas são tão estimulantes e mantêm um nível tão alto em todos os seus episódios.




Hélio Flores

twitter.com/helioflores

9 comentários:

Anônimo disse...

Breaking Bad pra mim é a melhor série no momento.. chegando até a superar Dexter.. é uma pena que não seja muito conhecida.. Essa série é genial! Excelente enredo!

Ricardo disse...

Breaking Bad é genial, consegue competir, tranquilamente, com Dexter e Californication pelo meu deleite pessoal rsrsrs... Concerteza a melhor série do momento². Ótimo enredo e atuação que dá orgulho de ver...

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Hélio disse...

Comentário acima excluído foi feito por um Anonimo que revelou um pequeno spoiler da 3ª temporada, manifestando seu odio por determinado personagem hehe.

Como esse post é para quem nao conhece a série, achei melhor retirar.

Loko disse...

Realmente, ótima série. TOP3. Pessoal fazendo campanha para ser mais assistida, tomara que surta o efeito. Valeu pelo texto, que elucida a qualidade da série.

Sergio disse...

Cara, eu sou fã de Dexter e descobri Breaking Bad por acaso. Mas adorei, e a cada episódio fica melhor. Estou fazendo a maior propaganda para meus amigos para assistirem, grande série, uma das melhores que já assisti.

Anamyself disse...

Pesquisando por novas séries para assistir, cheguei a esse seu texto.

Me convenceu! Vou me jogar em Breaking Bad!

Diego Ferreira disse...

Simplesmente excelente. Conheci a série por comentários de um fã de FlashForward (série que deixou milhares de órfãos). Assisti os 3 primeiros episódios numa manhã fria e preguiçosa de domingo e me senti completamente envolvido com a história, sofrendo e passando raiva com o personagem de Walter. Excelente, recomendo a todos.

STARK disse...

PORRA SÓ VEJO VALAR DESSA PORRA POR TODOS OS LUGARES, MAS AINDA NÃO TA JUSTIFICADO TODA A MIDIA EM CIMA DE BB- ACHEI QUE ERA COMO DEXTER, PB, D HOUSE. TO ME ESFORÇANDO PRA GOSTAR.