quarta-feira, 26 de maio de 2010

[LOST] 6x17 The End

por e.fuzii

Enfim, o fim.
Tantos são os detalhes durante essas quase 2 horas, que fica difícil saber por onde começar. Acho que não preciso novamente ressaltar tudo o que a série representou ao longo desses 6 anos, seja para todas as mídias envolvidas, seja para seus telespectadores, inclusive pra mim. A disseminação da série pela internet confunde-se com a criação deste blog (e de tantos outros posteriormente) e de todo um novo círculo de amizades que desenvolvi durante esse tempo. Talvez a grande sacada da série seja a apropriação individual, em meio a tantos paralelos que puderam ser estabelecidos e que logicamente acabaram bem aproveitados nesse desfecho. Já que não quero me tornar defensivo a medida que exponho minha opinião, esse será o tom máximo de saudosismo que pretendo atingir durante o texto. É fato que Lost influenciou muita gente, de modo que muitos só passaram a acompanhar outras séries de televisão depois de sua estreia. Embora não tenha sido esse o meu caso, sei exatamente o peso que é se despedir de algo que a gente tanto gosta.

Por isso, mesmo sabendo que não é a postura mais adequada para analisar um episódio individualmente, esse texto estará separado em duas partes: a primeira parte busca analisar sua importância como final de temporada e a segunda trata da conclusão geral da série. Quero ser o mais conciso possível, até porque em breve planejamos um podcast especial com cada um dos colegas do blog trazendo sua visão sobre esse desfecho de Lost. Portanto, aguardem.


A Sexta Temporada

A razão que permite destacar essa temporada das demais é sua estrutura chamada pelos produtores de flashsideways. Como sabem, nunca cheguei a adotar esse termo e não seria agora também que começaria. Muitos caíram na armadilha de logo chamá-la de realidade paralela, embora hoje sabemos que seria equivocado até mesmo chamá-la de realidade. A promessa era de que quando fosse revelado seu propósito, todas as histórias focando esses personagens também passariam a fazer sentido. Mas infelizmente, essa revelação não chegou a me convencer. Aliás, pelas constantes tentativas de despistar seu público, começando pela própria recriação do vôo 815, só me deixaram ainda mais irritado. A sensação é de ter sido enganado, já que é muito diferente surpreender através do omitir (como fomos no final da terceira temporada) e sugerir relações duvidosas entre esses dois planos. O exemplo mais claro disso foi a repentina impossibilidade de Sun se comunicar em inglês, quando a única interpretação encontrada seria sua consciência em 2004 trazendo danos para sua própria existência na Ilha. No final, a grande revelação é que nada do que acompanhamos nessa nova trama teria qualquer influência nos acontecimentos da Ilha, fazendo dela tão relevante para essa temporada quanto para qualquer outra. Além disso, ao invés de concentrar todos os esforços nessa última fuga, ou pelo menos dar algum suporte para aqueles que finalmente conseguiram sair da Ilha, a conclusão serve para anular tudo isso constatando que a importância sempre esteve no que foi vivido ali. Óbvio que vibrei com o embate final entre Jack e aquele que tomou a forma de John Locke por tanto tempo, ou Hurley com todos os méritos assumindo o posto de guardião da Ilha e pedindo ajuda para Ben, mas perde parte do impacto quando ficamos sabendo que todo se encontrariam no final da mesma forma. Não dá para ignorar ainda o péssimo tratamento dado a alguns dos coadjuvantes, em especial Lapidus, que poderia muito bem ter sido chamado apenas de 'O Piloto' desde o começo, para não deixar dúvidas quanto a sua função no roteiro, e assim poupar o ator de falas absurdamente constrangedoras. Pior temporada da série? Definitivamente sim.


O Final da Série
Foram seis longas temporadas até que finalmente acertasse a primeira (e última) de minhas suposições. Ou que pelo menos estivesse pensando no caminho certo. Desde que Desmond teve sua primeira revelação diante de Penny, já desconfiava que explorariam algo semelhante à reencarnação, em que todos esses personagens estariam destinados a se reencontrar onde quer que estivessem. Mas não esperava que seria literalmente a forma de ilustrar o encontro deles num plano abstrato. Não quero de jeito nenhum defender aqui meus princípios, embora acredite neste conceito de reencarnação, mas a encenação disso durante a temporada inteira cai na mesma categoria da luz amarela na minha opinião, uma tentativa falha de explicar ou convencer sobre a existência do impalpável. Quando tudo é apresentado de forma explícita não há mais espaço para analogias, e perde-se aquilo que cativou o público no início da série: a possibilidade de imaginar. Porém, acho que esse final de caráter puramente espiritual seguia um rumo natural da série após a Ilha exercer cada vez mais influência na vida desses personagens. A presença de Christian Shephard no final, tomando forma de criador e disposto a revelar a função daquele plano para que todos pudessem seguir adiante, serviu apenas para coroar essa linha de pensamento. Através dos tortuosos caminhos escolhidos por esses produtores e concretizados em tantos fenômenos inexplicáveis, acompanhamos um grupo de pessoas buscando pela salvação de si e do próximo para que assim, contradizendo aquela velha frase, também morressem juntos.
Pra ser sincero, os produtores foram bastante espertos em apostar num final profundamente emocional, funcionando quase como um tributo às personagens enquanto garantiam o bem estar de todos. Permitiu ainda explorar momentos chaves da série, através de uma overdose de sequências de despertar. Com certeza a mais esperada delas foi o emocionante reencontro de Juliet e Sawyer, fazendo com que seu singelo "funcionou" ecoasse pela eternidade. Por outro lado, forçaram uma inusitada recordação do romance entre Sayid e Shannon, que não se sabe quando tomou o posto de direito de Nadia (Naveen Andrews nunca imaginou que poderia sofrer tanto nesta temporada). Mas felizmente não reservaram apenas momentos de amor além da vida durante essas revelações. O mais notável deles foi o ultrassom de Sun, que nos fez lembrar de uma das cenas mais emocionantes da série (em D.O.C.), quando Sun tem certeza de que está grávida de Jin. Também foi bastante interessante que o casal principal da série, Jack e Kate, tivessem seus próprios momentos particulares. Kate reforçou sua tendência materna ao presenciar novamente o parto de Aaron, enquanto Jack finalmente foi capaz de compreender sua existência através do contato com o caixão de seu pai, sua razão inicial para embarcar no voo 815. Já Ben Linus teve de se contentar em esperar do lado de fora, mas nem por isso deixou de ter um desfecho satisfatório, cicatrizando as feridas de sua conturbada relação com John Locke e lembrando de sua recente (ao menos para nós) parceria com Hurley na Ilha.
No final, o fio condutor de toda série provou ser mesmo Jack, o homem da ciência que ao longo desses 6 anos aprendeu não ser capaz de consertar tudo e não viu outro meio a não ser aceitar o inexplicável. Seu ciclo na Ilha fechou-se com seu fechar de olhos, no mesmo lugar onde tudo começou. E todos esperavam reunidos na nave da igreja por ele, enquanto recebia os últimos esclarecimentos e assim pudesse seguir em frente. Esse "seguir em frente" é claramente destinado também ao público, aproveitando essa celebração junto de todo o elenco antes da derradeira despedida. É um tipo de desfecho bastante tradicional em séries de longa duração, recentemente explorado por Gilmore Girls com certa eficiência, por exemplo. A grande diferença é que em Lost decidiram favorecer essa estrutura alternativa, o que de certa forma tirou o peso dos acertos e falhas de seus personagens ao longo da história. No ano passado, presenciamos o final de Battlestar Galactica (garanto que só terão spoilers seguindo o link), também dividindo opiniões pelos caminhos que decidiram trilhar no final. Porém, analisando cada um de seus personagens era possível perceber toda a influência dessa jornada, positivas ou negativas, em suas vidas. Já em Lost, infelizmente não. A reunião na igreja mais pareceu um prêmio de consolação para todos aqueles que participaram um dia da série. Garanto até que muitas mortes que tanto nos emocionaram, deixarão de ter o mesmo impacto sabendo dessa felicidade eterna atingida em outro plano. Basicamente, os produtores decidiram concluir a série dando um final agradável e abraçando seus mais fiéis fãs. Não é a toa que por maiores que fossem suas pretensões iniciais (e finais?), Lost termina marcado apenas como um bem sucedido fenômeno cult, apresentando uma modesta audiência de cerca de 13 milhões de espectadores no seu episódio final.

Assim, chegamos ao final. Queria encerrar agradecendo a todos aqueles que comentaram antes de mim neste blog (Ribas, Davi, Wolv, Leco e tantos outros) e àqueles que me aguentaram por mais de três anos. Posso garantir que foi uma experiência compensadora, nos bons e maus momentos. Mas seguimos em frente agora para o mid-season, quando finalmente devo pagar uma dívida antiga e assistir Sopranos do início ao fim. Espero analisar a série, mesmo atrasado, temporada por temporada. Também teremos o Emmy, além da volta de Mad Men. Por isso, espero vocês num próximo comentário. Muito obrigado a todos.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

10 comentários:

Rafael Pagani Savastano disse...

Belíssimo review, Fuzii. Só em defesa da presença dos personagens todos na Igreja de Coexist (nome que eu li em algum lugar e adorei): Lost sempre foi uma série sobre personagens falíveis, sobre escolhas e suas consequências, sobre pontos de vista. Acho que todos estão ali porque todos, no fundo, mereciam igualmente. Os produtores não julgam as ações de cada um, nós é que julgamos. De acordo com nossos valores. Então aonde você vê uma tentativa de agradar o máximo de público possível, eu vejo uma declaração. De que cada um é seu próprio juíz e júri, e que mesmo antagonistas com trajetórias paralelas se encontram no infinito =)

Daniel Vaz disse...

Então... eu gostei desse Series Finale mais como um EPISÓDIO - pelas (muitas) autoreferências, pela carga nostálgica (arrepiava de verdade em cada lembrança das temporadas anteriores) e pelos caras terem esfregado em nossas caras o que aqueles personagens são capazes de nos fazer sentir (torcer pelo bem de um, dois, ou de todos eles, na verdade); mas detestei como um DESFECHO para a série como um todo.

Não sei. Desde seu ínicio sempre defendi - e até cheguei a achar a quinta temporada um porre - que a série era sobre os personagens. Que esses eram muito mais importantes que os muitos mistérios da série. Mas eu meio que me fazia acreditar que uma coisa complementava a outra, que andavam de mãos dadas, que se faziam necessárias. Basicamente: os personagens eram importantes e interessantes para a gente pelo quê haviam confrontado e vivido na ILHA (todos os questionamentos que se fizeram, o lance da REDENÇÃO); e a própria ilha se tornou tão importante para a gente porque estava sendo explorada por esses mesmos personagens. Enfim, uma coisa tinha se tornado, no decorrer da série, um o mecanismo de desenvolvimento da outra. Daí, o que eu acho que acontece? Que ficou parecendo para mim que os produtores cagaram uma tonelada para a mitologia da série para dar resoluções exclusivas e individuais para os PERSONAGENS. E só.

Me ficou uma sensação de que está faltando.
Mas talvez esse "está faltando" tenha sido o objetivo.

(...)

Vejo muito uma ponta de hipocrisia em todas as análises que li que defendiam o lance da interpretação pessoal, espiritual e intransferível. Por que. Porque antes de tentar "ensinar" aos demais como a série deveria ter sido assistida ou qual o próposito dos produtores desde seu ínicio, essas pessoas tinham antes que saber quais as respostas que elas esperavam ou cobravam. É bem verdade que cada um pode encontrar a sua própria verdade, satisfatória ou não, para muitos dos mistérios que foram propostos e apresentados na série. Mas não todos. Não somos capazes de interpretar, espiritualmente, muito da mitologia da série, da ilha, de suas construções e inscrições. Estaria completamente satisfeito hoje se esses mistérios mitológicos não tivessem em momento nenhum da série se sobreposto aos mistérios pessoais dos personagens. Ou isso nucna aconteceu?

Ano passado, no meio da quinta temporada, fiz um comentário na TL indignado que os mistérios da ilha e sua história estavam ABAFANDO completamente os personagens, ao ponto de os mesmos terem se tornado meros COADJUVANTES, apenas "alguns" entre muitas carinhas desconhecidas. Por vezes, eles sequer eram importantes. E hoje me encontro em situação inversa. Não a toa tenho as três primeiras temporadas como melhores - principalmente a terceira. Pois foi quando souberam melhor balancear personagens x mistérios.

Mas, enfim, sem querer me contradizer muito, talvez eles tenham contado a história tão bem, ao ponto de nos fazer cobrar respostas para perguntas que a gente achava estarem sendo feitas por eles, quando, na verdade, não estavam. Talvez a mitologia da série seja mais nossa do que deles, talvez a tenhamos criado. Assim, não devem nenhuma resposta mesmo. Se é que deviam.

Daniel Vaz disse...

Ou talvez os hipócritas sejam eles, que, no final de tudo, não sabiam como dar respostas para os mistérios.

No entanto, NO ENTANTO, eu não desprezo completamente ou até deixo de reconhecer e gostar do final puramente espiritual, individual, poético e ÉPICO de cada personagem. Não mesmo. Quanto a isso, estou completamente satisfeito.

Apesar de não ter sido tão descarado como estava parecendo há uma semana (ou durante a temporada inteira), ficou mais parecendo um final de temporada do que de série (muito por causa dos flashsideways). Mas eu vou ter que engolir... Aceitei - até para eu não me desapontar mais -, há alguns meses, que Lost foi muito mais uma JORNADA do que um DESTINO propriamente dito. Foi, além do que estava na tela, tudo o que nos questionamos durante esses seis anos: os comentários, as noites mal dormidas, as pesquisas no Wikipedia, os amigos feitos, e, enfim, o aprendizado e os anos vividos. Se eu for lamentar agora, estaria completamente f*dido.

Tudo o que eu vivi foi real, só preciso me lembrar sempre disso para eu mesmo poder "seguir em frente". Certo?

(O que eu mais queria nesse series finale é que minha língua fosse queimada. Não posso dizer que não foi. Estava esperando muito ter que explicar o motivo de eu ter odiado tanto os flashsideways, mas no final eles estavam longe de ser o que eu imaginava. Bingo. O final foi de ponta a ponta diferente do que eu tinha em mente. E acho que o meu era melhor. Mas divago...).

E o que está me fazendo comentar Lost de novo, depois de dois anos(? sei lá), aqui, é que foi justamente com você que discuti como o final da série seria. Só procurar no histórico. E bem, eu defendia o Jack.

Abaraço, cara.
Daniel Vaz.

FredD disse...

Gosto de ler este blog justamente por que normalmente os comentários e opiniões do nosso e.fuzii vão no sentido contrário da maioria dos outros reviews que vejo na internet. E na grande maioria das vezes, também vai ao contrário do meu gosto pessoal. Por isso valorizo, e muitas vezes concordo com várias críticas de pontos que passaram desapercebidos (por mim). Parabéns pelo review, crítico, analítico e imparcial.Mas gostaria de fazer algumas ressalvas do que eu tive de impressão sobre a série como um todo que também acompanho ha 6 anos.

Vejo que a maioria das críticas deste final, é pela falta de respostas a respeito da ilha. Depois desse episódio final, eu tive a nítida impressão de que Lost nunca foi sobre a ilha, e sempre foi sobre pessoas. Desde o começo, a capítulos focavam 1 personagem, em dois planos (ilha/flashback - ilha/flashforward - ilha/"flashsideways") A ilha nunca foi focada, ela apenas foi um plano, para mostrar as conseqüências nestas pessoas. Então deixei de me importar tanto com a ilha, e fiquei satisfeito com a conclusão dos personagens.

Agora um ponto que discordei do seu review, foi sobre a revelação do "flashsideways". A princípio pode parecer algo tolo e sem importância eles estarem mortos e não terem "vivido" nada daquilo. Mas a temporada estava preparando a gente para esse final. Acredito que a intenção deste novo plano onde os personagens estavam era justamente uma forma de redenção dos personagens, que eles se redimissem, e que, no momento certo, descobrissem a verdade para seguir a diante. A mensagem que eu peguei dessa parte da historia foi algo como "se preocupar menos com a vida, e um pouco mais no que vem depois dela". Afinal a uma das poucas certezas que todos temos é da nossa finitude. E como ninguém sabe ao certo o que vem depois da vida, sempre acho interessante quando o tema é bem explorado. E gostei de como tudo se juntou, e como foi explicado a questão do plano estar completamente desvinculado do tempo ou espaço. Que todos morrem um dia, e que todos eles se juntaram pois somente assim eles conseguiriam compartilhar lembranças e experiências que os fizessem lembrar da vida, redimirem, e enfim, conseguir seguir a diante.

Outra ressalva que faço é com relação ao termo "reencarnação". Pois não acho que foi isso o que aconteceu no outro plano. Eu entendo reencarnação como uma mesma pessoa após morrer, renascer na terra, em outro corpo, em outro tempo. Nenhum deles reencarnou, morreram e foram para outro plano, que não era real. Se for para usar um termo bíblico ou judaico, eles estariam numa espécie de sheol, antes de partir para a eternidade. Interessante também notar que Lost não focou em nenhuma religião específica para criar esse plano. Acredito que várias religiões conseguiriam explicar a cena de alguma forma.

Sinto falta de várias explicações, e lamento algumas contradições da série. Mas no geral, fico feliz em sentir que a série valeu a pena, e terminou em alto nível.

Bom, é isso aí
Parabéns pelo blog e um abraço a todos!

Antonio Adolpho disse...

Até a última parte do Season Finale acreditava que Lost era o melhor seriado do mundo... entretanto depois disso meu sentimento foi por agua abaixo!

Detestei o final, simplesmente HORRÍVEL! Teria sido muito mais válido se terminasse com o final da 5ª temporada (aberto!), mas com algumas contribuições pontuais dessa última.

Estou muito decepcionado. Talvez seja por isso que nunca fizeram um final para Caverna do Dragão (há muitos rumores de que os jovens estavam mortos e no purgatório)...

Ribas disse...

Olá Fuzii,

Quero agradecer os agradecimentos e parabenizar pelos seus três anos (faz tempo, nem tinha notado...)

Quanto à série, bom... A série, bem... Digamos que ela mereça estar ao lado de "Alias" e "Felicity"...

Abração a você e a todos que tocam o CES... (que, alias, foi o primeiro blog a falar/comentar de LOST em português e, com VOCÊ, fechou muito bem todo o ciclo...)

e.fuzii disse...

Caro Rafael,
pensei até em chamar a sala de Coexist, mas achei que o pessoal não entenderia a referência. Se não me engano, acho que foi o Bono Vox quem criou esse termo...

Também acho curioso a falta de um julgamento neste outro plano. Até nesta questão fica em aberto para interpretação de cada um. Aliás, por aparentemente não estar sendo regida por nenhuma divindade, sinto que outra suposição minha estava correta: de que Lost, apesar de tentar englobar tantas religiões, nunca admitiu a presença de Deus. Pelo menos após revelada a existência de Jacob.

Bom, outro dia estava comentando que somos dois dos poucos a não levar pro lado pessoal essas considerações sobre Lost. Até porque foram as divergências que sempre fizeram a série ficar mais complexa. Agradeço a você por todos esses anos de discussões e convivência saudável na LB.

Grande abraço.

e.fuzii disse...

Daniel Vaz,
Que honra tê-lo aqui quebrando seu silêncio depois de tanto tempo. E tenho de dar o braço a torcer que você estava certo já na quarta temporada. Fui atrás daquela discussão e percebi que até as declarações dos produtores que citamos deixam claro que tudo terminaria na REDENÇÃO desses personagens. Talvez tenha sido teimoso, ou exigente demais, em querer que terminasse diferente.

Mas eu entendo o que você quer dizer. Acho que nunca se imaginou o tamanho sucesso que a série faria e o tanto de discussão que seria capaz de gerar. E sim, às vezes dúvidas podem ter sugido em pontos que para eles, nas suas cabeças, era algo totalmente óbvio. Mas tem um outro lado, e tenho certeza que a história e seus mistérios "engoliram" os personagens e os próprios produtores a partir da quarta temporada. Perderam o controle mesmo. O exemplo mais claro disso é a trajetória de Jin e Sun, com todas suas conveniências. Apesar de todos ressaltarem o quanto a jornada foi importante (e nunca essa palavra pareceu tão desgastada quanto agora), sempre achei que era o destino que estava sempre em primeiro plano nestas últimas temporadas. Resgate dos Oceanic Six, volta deles à Ilha, viagens no tempo arbitrárias, reestabelecimento da linha do tempo. Como você disse, houve um momento na série que tudo nos levava a exercitar a curiosidade, ao mesmo tempo que provocava as mesmas reações nos personagens. Por isso, às vezes considero que saber o número de horas restantes para planejar seu desfecho tenha sido prejudicial para a própria série.

Tudo que nos resta é esse sentimento nostálgico de que vivemos todos numa comunidade e fizemos da série algo muito maior e mais complexo. Isso ninguém é capaz de negar. Confesso até que lembrar de cada discussão que tive durante todos esses anos, como essa que você citou aqui, é às vezes mais gratificante do que o próprio desfecho. Claro que não é o ideal, mas posso viver perfeitamente com base nestas lembranças.

Grande abraço.

e.fuzii disse...

FredD,
ao contrário da maioria das críticas também não me importava com grande parte das respostas em relação à Ilha. Se você acompanhou até aqui, dizia inclusive que o conserto provocou até maiores estragos.

Entendo também essa interpretação de que criaram este outro mundo para se redimirem, ou ao menos refletirem sobre tudo aquilo que foram no decorrer de suas vidas. Portanto, as vidas deles tiveram valor sim. Mas o que questiono é a forma como isso nos foi apresentado. Como de certa forma reduziu a acreditar ou não, algo que nunca deve ser exigido do seu espectador.

Quando falo dessa questão de reencarnação era apenas uma suposição que tinha com base nessa realidade alternativa, sem a influência da Ilha. De como se daria a relação entre esses dois mundos. Mas nunca imaginei que teriam a cara de pau de reproduzir o que seria na verdade uma "existência" etérea. Como disse, só acertei mesmo caminho que seguiriam no pós-morte, buscando o reencontro de todos. Abraços.


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Pois é Ribas, assim fechamos mais um ciclo. E às vezes é estranho perceber que fui aquele que mais durou comentando Lost por aqui. Pena que tenha sido num momento tão controverso. Logo imaginei que você teria se decepcionado também com o final. Mas agora só nos resta seguir em frente, né? Abração.

Celia Kfouri disse...

Quando eu crescer, quero ser igual ao Fuzii.
Esses comentários a todos mostram o que é o respeito com os leitores. Coisa de gente bem educada.
Parabéns.