segunda-feira, 10 de maio de 2010

[LOST] 6x14 The Candidate

por e.fuzii
No episódio anterior, depois de todos os principais personagens terem se reunido no mesmo grupo, acompanhamos uma visão geral dos acontecimentos da realidade alternativa, sem focar em nenhum personagem especificamente. Naquele momento, reclamei dessa quebra de estrutura no meio da temporada, mas entendo que de agora em diante todos os episódios precisam carregar a mesma urgência de um final de temporada. Por isso, enquanto desta vez as movimentações pela Ilha ocorriam num ritmo acelerado, acho estranho tanta cadência para retratar outra história do Jack alternativo, que com toda sua teimosia investigava a razão para John Locke não querer se submeter à cirurgia. É verdade que esse paralelo buscou fundamentar a noção de candidato, por Jack e Locke em situações (e realidades) totalmente diferentes terem de sacrificar seus ideais a caminho de uma superação. Mas apesar de Terry O'Quinn ter mais uma chance de mostrar seu talento ao revelar o pesado fardo que deveria carregar pelo resto da vida, a sensação era de tempo perdido enquanto Jack buscava ajuda de Bernard, visitava Anthony Cooper ou encontrava Claire pelos corredores do hospital. Restando agora tão pouco tempo para o final, eram minutos que não mereciam ser desperdiçados assim, com base nas já manjadas conexões entre esses personagens.

Até porque nessa intensa jornada do grupos pela Ilha, o roteiro corria deixando imensos buracos pelo caminho. Agradeceria se alguém pudesse me explicar, por exemplo, o motivo de tanto fascínio pelas jaulas de urso da Hydra, além do próprio Sawyer lamentar que todos estariam fadados a andar em círculos. Basicamente, é o que vemos na primeira metade do episódio com a indecisão entre seguir os passos do Homem de Preto ou sabotá-lo de alguma forma; tentar fugir de avião mas acabar embarcando no submarino e assim por diante. Já há algum tempo que esse roteiro manipulando convenientemente grande parte dos personagens não vem me agradando, e desta vez não foi diferente. Se Widmore surge determinado até a matar Kate se fosse preciso para proteger os candidatos, ele logo desaparece quando UnLocke consegue resgatá-los. Então, seus capangas, que deveriam ao menos representá-lo, passam a servir de meros obstáculos no caminho dos planos do Unlocke. Essa omissão de informação é o que mais vem prejudicando essa temporada na minha opinião e às vezes tenho a impressão que Widmore aparece sempre "atrasado" em relação ao UnLocke, obviamente porque só ele contracena com os principais personagens. Mas pelo menos seu plano ficou bem claro nesse episódio -- o que permite deduzir a razão de Widmore se opor também --, assim que ele mostra-se satisfeito em dizer adeus a todos os candidatos que submergiam cercados pela esperança de deixar a Ilha.

Mas a esperança é breve até que eles descobrem haver uma bomba relógio a bordo do submarino. Trata-se do truque final do Homem de Preto, que ainda sem poder eliminar ninguém, recorre a tentar induzí-los ao erro. Digno dos grandes momentos dramáticos da série, como nos finais de temporada envolvendo as estações Cisne e Espelho, a tensão se estabelece com todos ao redor da bomba, com Sayid sugerindo agir de forma prática, Sawyer tentando controlar sua impulsividade e Jack apostando na resignação. Mas se Jack tivesse ao menos tentado ser um pouco mais convincente, contando de fato o milagre que presenciou com os dinamites da Black Rock, talvez eles não precisassem chegar nessa situação tão extrema. Sawyer puxa o fio indicado por Sayid e repentinamente o contador acelera e deixa todos mais perto da explosão iminente. Resta a Sayid se sacrificar em prol do restante do grupo e assim terminar como herói, mesmo que para mim fosse um adeus um tanto quanto prematuro. Entendo que é quando somos lembrados da frágil condição desses personagens, que são, acima de tudo, sobreviventes nessa história. Mas Sayid merecia também uma preparação mais digna antes de sua despedida. Afinal, desde o início da temporada Naveen Andrews vem enfrentando um de seus momentos mais crítico na série, assim que passou a ser obrigado a vagar em estado zumbi por tanto tempo. Seu retorno instantâneo à velha forma nesse episódio não chegou a me convencer e também pareceu rasa demais as explicações sobre sua milagrosa ressurreição no templo. Além de tudo isso, sem saber o propósito a longo prazo dessa realidade alternativa, fica difícil se comover como uma morte que ainda não parece definitiva, mesmo que ainda acredite que eles serão obrigados a escolher "descartar" essa vida em 2004.
Esse também foi o principal motivo que me impediu de realmente ficar emocionado com a morte conjunta de Jin e Sun. Antes preciso até dizer que toda essa sequência no submarino é conduzida com imensa maestria por Jack Bender. Talvez sua última imagem do casal, com as mãos separando-se debaixo d'água, seja uma das mais poéticas a aparecer na série. Além dele, Michael Giachinno prova a cada oportunidade que não tem limites para sua genialidade, desde as inserções do barulho do monstro de fumaça durante a discussão ao redor da bomba, como também eternizando o momento de despedida do casal de coreanos. Contrariando a famosa frase proferida por Jack de que todos acabariam morrendo sozinhos, é interessante notar que a dúvida sobre qual dos dois Kwon seria o candidato ainda permanece, terminando assim unidos até no mesmo número. Minha única frustração é que o casal decidiu abandonar Ji Yeon, sem ao menos ponderar o destino da filha. Claro que essa indecisão aparece implícita na cena, até pelo casal ter relembrado minutos antes, mas desse jeito pareceu um recurso de roteiro para manter isso longe do caminho e assim não arruinar essa melosa promessa de união eterna. Pode ser também um problema (ainda que imperdoável) durante o corte final, até porque o próprio Lapidus acabou esquecido dentro do submarino pela edição do episódio.
Dessa forma, restando apenas Jack, Sawyer, Hurley e a ainda imortal Kate, curiosamente temos reunidos os mesmos personagens levados por Michael ao encontro dos Outros no final da segunda temporada. Se James condenava Jack até então por ter tomado a decisão que causou a morte de Juliet, dessa vez foi sua escolha que acabou matando outros três. Assim espero que os dois possam enfim colocar esse desentendimento de lado e agir em conjunto para enfrentar a ameaça do Homem de Preto. Esse parece ser o grande mérito do episódio, colocando nós todos novamente ao lado de Jack e seu grupo, diante daquela devastadora cena dos sobreviventes na praia. Apesar de Evangeline Lilly por falta de talento falhar ao tentar comover, temos Hurley não conseguindo conter o choro, que chega quase como um estampido em nossos ouvidos. Mas confesso que ainda me preocupa demais esse ritmo irregular tão perto do final da série, com os roteiristas perdendo até preciosas oportunidades de nos impressionar. Afinal, quem é capaz de discordar que seria extremamente intrigante decifrar por uma semana inteira o sorriso triunfal do UnLocke vendo a partida do submarino, se este tivesse vindo ao final de um episódio? Ou quem sabe, mesmo ao final de um dos blocos?

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

3 comentários:

Manoela disse...

Cara, voce é muito bom, de todos comentarios que leio, vc chega muito perto do que tambem vejo e sinto. Parabens. Abçs

Daniel disse...

Todos os dias olhava seu blog esperançoso para saber o que vc iria comentar sobre Sayid, Jin e Sun. Confesso que estas mortes foram um choque pra mim, não esperava, ainda mais agora que estava empolgado com o reencontro dp casal. Enfim, alguns ainda dizem que Lapidus puxou Jin e o salvou... é uma hipótese, mas não sei se é verdadeira; uma coisa é certa: as mãos do casal apenas se separam e isso pode nos levar a imaginar que puxaram nosso amigo coreano, até pq, pela lógica, um dos Kwon era escolhido e não poderia morrer.

Ainda é preciso falar que concordo no que diz respeito ao rítmo da série. Acredito q só "uma sexta temporada" seja insuficiente para revelar tdo o q desejamos e por isso, é necessário agora os produtores focarem na quantidade e não na qualidade.

Até o comentário do próximo ep. xD

Abraços

Manoela disse...

A polemica "gosto muito" e "estou odiando", está esquentado a cada dia que passa. Eu, particularmente, acho que as respostas não estão vindo com a força merecida depois de tantos anos esperando. Aguardo ansiosa seu comentario.Abçs