sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

[LOST] 4x01 The Beginning of the End

Olá, é uma imensa responsabilidade assumir os comentários de Lost, tanto por ser a série mais badalada atualmente, como por toda a história que Lost tem com esse blog.
Tentarei, na medida do possível, sempre comentar o episódio como uma obra fechada (e os flashbacks/forwards ajudam muito o seriado nesse quesito), mas sem esquecer de toda a mitologia que tantos gostam. Não tenho o costume de acompanhar nada da franquia Lost fora da televisão, portanto muita coisa pode também ser esquecida.
Para mim (e talvez para vocês) melhor, já que na minha opinião um seriado de televisão tem de ser auto-suficiente, sem depender dessas ferramentas retrógadas que inventam para promovê-lo.
Bom, chega de apresentações e vamos para o episódio em si.

O episódio já começa com uma decepção para mim, sem o "abrir de olhos" de todas as temporadas. Um erro imperdoável para uma das marcas registradas da série. Faltou também aquele impacto que tínhamos nas primeiras cenas da Season Premiere (a queda do avião, a escotilha e a Othersville), onde a única coisa que vimos é que Hurley é outro a integrar-se aos "Oceanic Six", os 6 sobreviventes que saíram da Ilha.

Porém, dedicando-se a falar do futuro, o episódio foi ótimo. Jorge Garcia atuou como nunca e fez com que Huguinho realmente me comovesse. Seu flashforward só vem reforçar a idéia de que Lost precisava de uma mudança em seu formato. Sem contar os flashbacks até inúteis a que fomos submetidos, montar o quebra-cabeça de como chegaremos àquele futuro garante um ritmo e uma dinâmica muito melhor para a Ilha.

Depois de ter sido um dos heróis do final da temporada, Hugo ganhou o destaque que nunca teve. Sorriu com uma alegria indescritível por saber que poderiam ser resgatados. E chorou assim que soube da morte de Charlie. Esse fato parece ser a grande virada na personalidade de Hurley, vendo o amigo na maioria de seus surtos daqui para frente. A partir daí valeu tudo: ver Jacob e seu capanga numa cabana ambulante (e lá vamos nós para mais alguns milhares de print-screens), ser perseguido numa auto-estrada com um Camaro e encontrar Charlie no sanatório – que, aliás, como toda aparição "fantasma" foi bem dispensável, e só relevo por achar que a morte dele foi mesmo importante para esse contexto. No sanatório, Hurley também recebe a sinistra visita de um Homem de Preto representando a Oceanic, vindo certificar-se de que ele não abriria a boca. Teria sido mais fácil ele usar seu neurolisador, mas enfim, acho que o recado foi passado com sucesso. Seu nome consta como Matthew Abaddon, e na Wikipedia ficamos sabendo que "Abaddon" é o chefe dos demônios da sétima hierarquia (não me pergunte o que isso quer dizer). De fato muito sinistro.

No embate final, em que Hurley prefere acreditar nas últimas palavras escritas por seu amigo morto e ir para o time de Locke, ele às vezes me parece um reflexo do próprio espectador. Como no caso da volta do Desmond, em que é Hurley quem interrompe a todos para perguntar sobre Charlie. Ele é o único que parece importar-se com seus amigos e o único a ter coragem/ingenuidade de perguntar o que todos nós também gostaríamos. E fazer um personagem que parecia saído de um gibi da Turma da Mônica carregar um episódio inteiro, não é para qualquer seriado.

Diante de tantas mudanças, a única coisa que não muda é a quantidade de idéias idiotas (e a teimosia) de Jack. Seu entrever com Locke e a separação dos times não passou da montagem do cenário para os próximos episódios, onde para os Losties nada mudou: eles continuam a tomar suas decisões sem saber o que está além do horizonte. E se para nós parece óbvio que a "equipe de resgate" seria o começo do final do título, ficamos sabendo que Hurley arrepende-se de ter tomado o lado de John Locke. Mais mistérios que serão desvendados (ou não) assim que o paraquedista for confrontado. Embora esperar uma idéia dessas vinda de Jack parece ser praticamente impossível.



e.fuzii

5 comentários:

Daniel Vaz disse...

"e.fuzii"

Também achei que foi um erro grave a falta dos closeups nos olhos dos novos personagens, fez grande falta. Eu também estava esperando alguma coisa realmente chocante, como nas temporas anteriores, antes do letreiro de Lost aos sete minutos, mas sabe onde erramos? Já tínhamos nos familiarizado com a idéia do Oceanic Six pela divulgação bem precoce. Eu não sabia que veríamos um homem na escotilha e nem que veríamos a Vila dos Outros do alto nos anos anteriores. Não teria o mesmo impacto, mas Hurley gritando "I'm one of the Oceanic Six" não deixa de ser bem interessante.

Agora, idéia idiota do Jack? Porque tu acha isso? O cara está há mais de cem dias preso numa ilha sendo manipulado ali e aqui para conseguir tirar todo mundo dali e um velho que ele nem conhecia faz de tudo para ele não conseguir, destrói submarino, mata Naomi e todas as outras coisas? Já que o Hurley nos reflete, porque não se coloca no lugar dele? Por mais que talvez tenha sido egoísta da parte dele, ele iria sair naquele submarino para voltar e resgatar Kate - consequentemente todos eles; depois consegue contato com o pessoal que ele acreditava ser realmente o resgate, e vem de novo o velho e mata a mulher, que ele iria fazer, sorrir pro John? Se uma idéia tivesse que ser idiota, essa seria a do John, que quer ficar ali e não deixa ninguém sair. É o que eu li nos comentários do DarkUFO, na situação dele não importa quem seja, "mesmo se fosse o Titanic 2, eu subiria no navio". Acho que ele está fazendo exatamente isso.

Outra, montagem de cenário? Os episódios foram reduzidos, temos apenas 16 por temporadas, se ainda tivéssemos os 22, uma pessoa comentou no orkut na comunidade "Teorias Lost", teríamos um episódio só pro Desmond sair da estação, um inteiro pra eles se encontrarem, e outro para os grupos serem formados. Não acho que passou apenas de "montagem de cenário", para mim foi mais importante do que isso. Respeito sua opinião, though.

[]s

davicruz disse...

Grande Fuzzi,

Sou leitor assíduo dos teus comentários de FNL e, portanto, respeito bastante tua opinião.

Dessa vez, porém, vou concordar com o Daniel, pois não acho que as idéias do Jack sejam idiotas. Aliás, sempre fiquei incomodado com a "moda" de malhar o Jack - pois sempre considerei ele o único personagem realmente preocupado com o bem do grupo.

Infelizmente, com a inversão de valores da nossa sociedade, ele acaba sempre sendo considerado "o chato".

Bom, mas isso é apenas um ponto. No mais, concordo em gênero, número e grau com o teu comentário. Aliás, perfeita tua colocação sobre o fato que um bom seriado de televisão precisa ser auto-suficiente.

Agora, vou escrever meu comentário no meu blog. Te convido a dar uma passada lá depois.

abraço,

Tita RJ disse...

Não me lembrava do "abrir de olhos", mas assim que li, senti falta tb.
Já vi alguns prints, onde aparece o pai no Jack na cabana. Dá pra reconhecer o tenis branco e o jaleco. Só faltou o copo de whisky na mão :p
Continuei sem saber o q é Abaddon, mas vou procurar pesquisar.
Estava com muita saudade de Lost.
Tão neurótica com medo de morrer antes de Lost terminar...kkkkkkkkk

e.fuzii disse...

Jack pode ter idéias idiotas, mas está longe de ser idiota. Ele se esforça, e como se esforça para fazer o melhor para o grupo, mas sua teimosia acaba atrapalhando seu senso de liderança.
Posso citar inúmeros exemplos, desde o "resgate" de Walt até os testes de dinamite no meio da floresta.
Mas essa implicância é completamente pessoal e nesse episódio, além de não dar ouvidos ao conselho de Kate, Jack teria de reconsiderar sua idéia após a morte de Charlie. Até como ressaltei no texto, não tenho esperança que ele vá mudar a aproximação que terá com o paraquedista.

Eu não sei se foi algum mal entendido, mas eu não desmereci a reunião e separação de times na frente dos destroços da cabine (embora tenha sido deveras piegas). Acho que estava eminente esse "racha" no grupo, depois de tudo que aconteceu na temporada passada. Ou seja, foi uma forma de desenhar como será a temporada a partir daqui.

e.fuzii disse...

Tita,
a tradução literal do hebreu "Abaddon" é abismo, o mesmo significado dos hieróglifos no contador da escotilha Cisne.