sexta-feira, 9 de maio de 2008

[LOST] 4x11 Cabin Fever

Chegamos ao verdadeiro episódio que serve de base para o Season Finale das próximas semanas. Excelente não foi, até porque esse roteiro determinista no cargueiro me desagrada muito. Sim, eu queria que desenvolvessem a história por lá antes do episódio final, mas não dessa forma, pelo amor de Deus. Se já era um absurdo o Lostzilla ter deixado grande parte da tropa viva, a forma com que eles voltaram a Ilha foi um desastre completo. E mesmo que Keamy tentasse matar Michael, não há como deixar de odiá-lo, seja pelas suas motivações (ou a ausência delas), seja pela sua função na história. É um sujeito antipático e um vilão raso, nem digno de Heroes. Ele voltou à embarcação, sacou um plano B, chantageou Lapidus cortando a garganta do médico (aquele que já apareceu boiando na praia) e matou o capitão Gault em uma cena absurda. O que sobra depois desse golpe militar é saber que instrumento é aquele que Keamy carrega no braço e de que maneiras os Losties poderão ser salvos: Lapidus como herói misterioso ou Sayid outra vez utilizando uma rota alternativa. O primeiro lança uma mochila com um rastreador e algumas informações para o grupo na praia (será que não passou pela cabeça de ninguém que aquilo poderia ser uma bomba?) e no segundo temos a certeza de sua saída da Ilha. Desmond continuar no cargueiro também foi uma boa idéia, mas espero que seu destino não seja mantido como segredo daqui pra frente.
No entanto, o centro do episódio foi John Locke, tratando de responder uma das perguntas da extensa mitologia da série: por que diabos John Locke foi escolhido para estar nessa Ilha? No primeiro flashback tradicional da temporada (porque do Jin serviu para ser esquecido e do Michael serviu apenas para amarrar as pontas no presente) acompanhamos o nascimento de mais um personagem, assim como havia acontecido com Benjamin Linus. Confesso que me incomodava esses flashbacks mostrando algo que o personagem não lembra, como seu nascimento ou a visita de Richard Alpert nesse caso, mas depois dos flashforwards não há como reclamar. Além dos dois casos serem trágicos, Locke abandonado pela mãe adolescente e a mãe de Ben morrer durante o parto, o mais interessante é que ambos compartilham de um mesmo destino: proteger a Ilha.
Pode até ser discutível se a visita de Richard Alpert é ou não um evento memorável para o pequeno Locke. Mas se alguém aparecesse dizendo que você é especial e sugerindo um teste idêntico àqueles que os Dalai Lamas são submetidos (como nessa cena de Kundun), acho difícil de ser esquecido. Principalmente por Alpert não ter envelhecido nada desde então. Só não entendo que diabos um livro de leis, uma luva de baseball e uma história em quadrinhos estavam fazendo nesse teste. Enfim, ainda não vejo como concluir o porquê de Locke ter "errado" na escolha da faca, sendo que essa parecia ser a mais óbvia. Pode ser pela agressividade da arma, mas o importante nesse caso é que Locke não foi escolhido logo de cara, mesmo que Alpert tenha o acompanhado desde o nascimento. O pior que, de costas, pensei que pudesse ser Don Draper na cena da maternidade...
A história de John só foi concluída com uma visita especial de Abaddon, já quando estava paraplégico. Se mais uma vez soa como conspiração ter sido ele a sugerir a idéia para a jornada na Austrália, também é uma enorme coincidência que Locke tenha sido escolhido para cair na Ilha pelo outro grupo, que suspeitamos ser dirigido por Widmore. Pode não fazer sentido em um episódio que serve para conscientizar John de seu destino, mas sempre soubemos que ninguém de dentro da Ilha planejou o acidente (até porque eles não teriam motivo algum para querer mais gente lá). Fora isso, o mais interessante é notar que enquanto Alpert renega John por escolher a faca, Abaddon sugere que ele sobreviva usando o mesmo objeto. Então, idéias diferentes, lados diferentes, não?
Relembramos também a assistência prestada por Alpert a John Locke na tarefa de eliminar Anthony Cooper sem sujar as mãos (ou sua faca) em "The Brig". Essa transformação é notada pelo próprio Benjamin quando constata a forma sagaz com que Locke convence Hugo a ficar ao seu lado. Durante o caminho, Ben ainda revela que foi manipulado para fazer a Purgação acontecer, deixando transparecer mais uma vez sua fragilidade humana.
Mesmo com algumas cenas interessantes, sinceramente, a busca pela cabana do Jacob durante quase metade do episódio foi um pouco frustrante. Ainda mais quando o gancho para encontrá-la surgiu de mais um personagem misterioso, assim como aconteceu no episódio em que Harper faz uma visita a Juliet. É mais uma daquelas cartas na manga que os produtores usam para chocar o espectador. Enfim, paciência. Quando já estava praticamente convencido que a cabana realmente se movia, Locke encontra os documentos de Horace e reforça a idéia de Hugo: os três ali são os mais loucos. Ou, evidentemente, Locke e Ben não possuem noção geográfica alguma.
Então, tivemos o grande clímax do episódio, que o título já até adiantava. Aliás, embora mais pareça o nome de uma atração em parque temático, o título "Cabin Fever" traz dois significados interessantes para os eventos ocorridos na cabana do Jacob. Ao mesmo tempo que Locke parece viver um delírio ali dentro, com Christian Shephard servindo de procurador para a entidade maior, é impossível não reconhecer o quão estimulante é ele finalmente estar abraçando seu destino. Numa das respostas mais rápidas de toda a série, já encontramos Claire sentada num dos sofás da cabana, aparentemente entorpecida e com um semblante confiante. Bem diferente daquela Claire que conhecíamos. O porquê dela desistir de Aaron continua sendo um mistério, ainda mais depois de Christian dizer que ele está no lugar certo (a caminho de Jack, talvez?).
Enquanto isso, Hurley compartilha um de seus chocolates com Benjamin do lado de fora da cabana. Contrastando a postura dos dois, nada como uma cena adorável como essa, e também triste se lembrarmos que Ben já viveu cena parecida ao lado de Annie.

Locke assumindo então sua postura de escolhido da vez, faz a pergunta que Jacob esperava e ganha uma nova missão: mudar a Ilha de lugar. Isso explicaria o porquê de Widmore ter perdido outra vez a localização da Ilha, como disse no confronto com Ben, e até como o avião de Yemi teria caído na Ilha, com uma rota completamente diferente do Oceanic 815. Assim também podemos entender o cruel destino dos Oceanic 6, impossibilitados de retornar. Mas a grande questão é como John Locke conseguirá fazer isso. Seja através de um jump a la "Battlestar Galactica" ou de uma forma mais tradicional, espero que seja respondido tão rápido quanto o misterioso destino de Claire. Enfim alguma coisa para me deixar ansioso pela próxima semana, a primeira parte do Season Finale. Até lá!



e.fuzii

10 comentários:

blackstar disse...

Episódio bom, junto com Something Nice Back Home, faz uma boa ponte para o final, mas o flashback faria mais sentido na temporada passada com o Locke se questionando se deveria se juntar aos Outros.

E assim como em The Shape of Things to Come teve extermínio de coadjuvantes na ilha, dessa vez foi no cargueiro. Se bem que acho que o capitão Gault poderia ter durado mais.

Marcelle

Danielle Mística disse...

Mitologia da fé :P
A mitologia que eu gosto
ou nas palavras de Hurley: "Por mim vc pode ir sozinho..."

Mas o que importa é a história. E essa parte da história, mística, religiosa, que fala de destino e predestinação, me enche muito mais os olhos do que números e viagens ao tempo.

O que vimos neste epi, em minha opinião, é uma marcação clara de que Lost vai pelos caminhos da fé. Não apenas, claro.Tem que crer!

Christian está morto, mas não enterrado. Ele não está vivo, o que vimos ali é uma carcaça, materializou-se para Claire como seu pai e para John Locke poderia ser qualquer um, inclusive Jacob. Não me engano, para mim aquele é o próprio Jacob. Sendo assim, Jacob é a ilha, uma entidade que transita entre vivos e mortos. Os suspiros e as aparições já estariam com meio caminho andado em termos de explicação.

Assim, John Locke deveria ser passageiro do 815, e Desmond teria que derrubá-lo. Foi o acidental mais proposital do mundo.

Mas se Abaddon recrutou os cientistas e Widmore é o patrocinador, temos um problema de quem é quem nesta história. E quem seria o que? Assim, (tudo na base do eu acho, puro chute) Widmore queria que o 815 caísse para desta forma encontrar a ilha. Através de John Locke e sua obstinação de predestinado (Forcei muito? Haha).

Mas Locke não seria o tal salvador? Então Widmore nada tem com isso e Abaddon e Alpert estão na mesma "conspiração": salvar a ilha. Pq a cada geração, parece que há os hostis. Dharma, Widmore...

E toda esta conversa de constante, não deixa de ser uma delícia a frase mais "não matemática" do mundo de Ben Linus, "O destino é uma vadia inconstante".

John Locke sempre esteve certo.

E o six? O acordo é com Ben, acho. E Hurley conquistou sua vaga ao dividir a singela barrinha Apollo. :P


Tb não me engano com o "não sou o escolhido" de Ben. A ilha foi a vida dele, fez tudo e perdeu tudo por ela. E é claro, Linus continua lutando por ela no mundo exterior, como vimos no seu episódio solo.

Uma coisa é matar Widmore pelo que fez com ele. Outra é proteger uma ilha que está por trás de cada acontecimento e infortúnio pelo qual Ben passou. A hora de Linus ainda não acabou. Ele conseguiu de novo. Locke sentiu-se o predestinado, mas ele pode ser tão somente mais uma peça.

Pois é, Claire estava calma e cool, e nós bem sabemos que é uma histérica. E ninguém sai correndo a noite atrás de um coelhinho tal qual Alice, opss, no caso o coelhinho é papai Sheppard. Claire jaz para mim também.

O que acho intrigante é a ilha pegar dois zé manés e transformá-los (pelo menos no campo das idéias) em verdadeiros salvadores, líderes predestinados.

Ben, filho de um zelador e com mesmo destino do pai, rejeitado, órfão de mãe. Locke, aleijado , desempregado, abandonado e rejeitado. Muita simbiose, muitas características semelhantes, a começar pelo nome da mãe, e pela intervenção mítica de Richard Alpert em ambos casos.

Rubens disse...

Achei um episodio fraco, recheado de cenas onde fica parecendo que algo grandioso vai acontecer, mas no fim nao acontece é NADA.

Some-se a isso a volta do uso excessivo e cansativo de flashbacks que acabou derrubando a dinamica do episodio, deixando-o mais lento e com cara de mera preparação para um episodio realmente importante ainda por vir (provavelmente o último da temporada, como sempre), contendo algo realmente interessante a apresentar.

Precisava mesmo de tantos flashbacks e tomando tanto tempo da narrativa? Quantas repetitivas cenas só para mostrar que Locke sempre foi um fracassado/predestinado Lost ainda precisará mostrar ao telespectador? Tá legal, eu já sei disso, vão ficar insistindo nesta historinha como se fosse novela latina até quando, meu deus? Já até imagino, da proxima vez vão mostrar Locke fracassado no baile de final de ano, depois Locke fracassado na universidade, Locke fracassado no dia que tentou praticar esportes... Putz! Haja saco!

Mesmo para dizer que a predestinacao vinha do berço, não precisava enrolar tanto, com tantos flashbacks.

Enfim, foi um episodio de cenas esticaaaaaaaadas (mas que não conclui nada que começou), só para preencher o tempo regulamentar e com pouco a acrescentar.

Acho que nao veremos nada de excitante ate o episodio final. Nao espero absolutamente NADA do proximo episodio... Só o último será bom.

Daniel Vaz disse...

Quoto o comentário do Rubens inteiro.
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Ao mesmo tempo que Locke parece viver um delírio ali dentro, com Christian Shephard servindo de encheção de línguiça para não adiantarem um dos maiores mistérios de Lost: Jacob!

Sério, não sei vocês, mas estou cansado do Christian. É ele ali, ele lá fora, sei que pode ter um motivo muito maior para ele estar sendo usado desta forma, mas para mim, no momento, não passa duma forma rídicula dos produtores não usarem do próprio (se é que não é ele) Jacob nas cenas. E olha que eu estava empolgado para que ele aparecesse, única e exclusivamente para o resolução do mistério do parentesco dos Sheppards e Littletown.

Enfim, achei o episódio fraco, com poucas cenas a serem destacadas, todo o lance do Locke ter ido encontrar o corpo do Horace também foi forçado, e demais. Deve ter acontecido mil e uma coisas em cima do corpo e o documento estava lá, inteiro, sem nenhuma mancha. Qual era a gráfica que patrocinava a DI? Ah, já sei, as papéis eram feitos das árvores super poderosas e únicas da Ilha numa estação que ainda não conhecemos. :S

Gostei do comentário e concordo com quase tudo, só achei que a busca pela cabana foi muito frutrante. E não pouco! :P
Abraços, e que venha o Season Finale!

Thiaguinho disse...

O PIOR BLOG Q EU JÁ VI SOBRE LOST!!!

MUITO FRACO SEUS COMENTÁRIOS, VC SE DESARPECEBEU DE MUITOS PONTOS IMPORTANTES DO EPISÓDIO!!!

RECOMENDO VC ESTUDAR + SOBRE O MUNDO DE LOST!!!!

ABÇOS!!!

Danielle Mística disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rubens disse...

"Estudar sobre Lost" é otimo... :-) É apenas um programa de televisão, Thiaguinho, uma historinha ficcional, algo totalmente sem importância que só serve para distrair e entreter.

O fuzii fez um ótimo review, sem aquelas babações exageradas de outros sites que conhecemos. Mais uma vez Fuzii pôs o dedo nas feridas certas, principalmente na mais irritante, o fato do Lostzilla ter deixado um punhado de soldados vivos. Pior ainda, ficaram
vivos só pra matar mais gente, voltando ao método preferido dos roteiristas para resolverem as sinucas de bico em que se metem.

Só faltou mesmo Fuzii mostrar os clichês e falta de inspiração que foram algumas cenas com Locke.

[ ] Rubens

e.fuzii disse...

Desde quando somos um blog sobre Lost?

Enfim, o que eu acho uma pena mesmo é que Lost dispõe de milhares de trunfos para "passar um pano" em cenas mais medíocres, mas mesmo assim eles não conseguem engrenar a história no cargueiro.

Eu até concordo com a Marcelle, que faria mais sentido mesmo ter esse flashback em "The Brig", mas acredito que foi só no entre-temporadas que resolveram desenvolver essa parte do passado de Locke. E ainda tiveram sorte porque o Alpert conseguiu voltar de "Cane".
Imaginem só se tivessem de colocar o Tom para recrutar o pequeno Locke...
Mas gostei de Locke ter sido procurado pelos dois lados, se é que eles são dois lados mesmo.

Embora tenham tido algumas saídas interessantes, foi frustrante mesmo a caçada à cabana que nunca saiu do lugar. Tudo para terminar na frase "move the Island". Mas, vamos ter fé...

blackstar disse...

fuzii, considerando a idade do Locke, e que a Purgação aconteceu doze anos antes na linha temporal de Lost, talvez na época ainda não fossem dois lados.

e.fuzii disse...

Mas Marcelle, o acidente que deixou Locke paraplégico foi recente. Na Lostpedia aparece como após 2000 e também não acho que foi antes disso.

Aí já teria tido a Purgação e essa separação de Others x Widmore. E vale lembrar também que Alpert não tinha relação com a Dharma.