quarta-feira, 29 de novembro de 2006

[Heroes] 1x10 - "Six Months Ago"


Com nove episódios exibidos, “Heroes” apresentou e desenvolveu personagens, trama e, pelo menos um objetivo claro criador de expectativas (save the cheerleader). A conclusão deste arco dramático se deu de forma satisfatória, coerente com o todo. Agora, os criadores da série sabiamente voltam seis meses no tempo para amarrar pontas soltas e dar luz sobre diversos personagens. É o momento certo: se essa história em flashback viesse antes da conclusão do ataque à cheerleader, seria desastroso por não dar continuidade a tensão que vinha sendo desenvolvida; e agora já conhecemos um pouco mais dos personagens, antes do tão esperado encontro entre muitos deles. E é incrível como, em apenas um episódio, os roteiristas conseguiram perfeitamente sintetizar e narrar eventos que diziam respeito a mais de uma dúzia de personagens.

“Six Months Ago” trouxe muitas revelações, mas para cada uma delas mais dúvidas surgiram. Como as explicações vêm aos poucos, prefiro não achar que certas coisas são furos no roteiro. Leitores deste blog que quiserem se manifestar nos comentários deste post, por favor me ajudem com algumas dúvidas.

Primeiramente: Hiro. Eu já manifestei meu receio no fato de um personagem poder livremente viajar no tempo, pois isso iria gerar buracos imensos no roteiro (qualquer coisa que acontecesse de errado, sempre nos perguntaríamos “ora, por que ele não volta no tempo e conserta isso?”). A solução dada é a de que Hiro não pode diretamente mudar os eventos do passado, o que explica seu retorno do futuro com uma mensagem para Peter, ao invés de ele mesmo tentar salvar Claire.






No entanto, sua viagem para seis meses no passado criou um paradoxo temporal difícil de ser explicado: se ele deu o livro para Charlie, como ela não o reconhece quando ele e Ando chegam no restaurante? Se a explicação é a de que as coisas têm que acontecer de um jeito ou de outro, ou seja, se Hiro não tivesse dado o livro, outro alguém teria dado (e eu não vou nem questionar de onde Hiro tirou uma gramática em japonês no meio do nada), isso significa que tanto a explosão nuclear em New York, quanto a morte de Isaac acontecerão de uma forma ou de outra. Mas ao mesmo tempo significaria dizer que Claire deveria morrer, de uma forma ou de outra, nas mãos de Sylar. Ou a Charlie simplesmente fingiu que não conhecia Hiro? Caro leitor, opiniões, por favor.

Em segundo lugar, Sylar. Sem dúvida, o personagem mais explorado neste episódio e o que mais necessitava de explicações. Conhecemos melhor seus interesses e vimos seu primeiro encontro com Chandra. Sabemos de onde veio o nome Sylar (que não é o seu verdadeiro nome, mas sim Gabriel Grey) e que, assim como Peter, ele crê estar destinado a coisas maiores. Sylar sempre teve uma vida que considera insignificante e a possibilidade de ter uma habilidade especial desperta um desejo enorme de mudar isso, custe o que custar. Não deixa de ser surpreendente que seu poder não seja a telecinese, mas sim algo ligado a capacidade de perceber e consertar problemas mecânicos, incluindo aí o cérebro humano.






Essa idéia do cérebro como uma máquina é explicada por Chandra Suresh. Sendo o cérebro o órgão responsável por todas as atividades do corpo humano, é possivelmente nele que se encontra a alma do indivíduo. Não vou entrar no mérito da questão, mas o fato é que neste episódio ficou claro que os poderes desenvolvidos pelos personagens são anomalias genéticas que normalmente resultariam em doenças fatais (o câncer da filha de Chandra, o aneurisma de Charlie). Estas anomalias são vistas por Sylar como defeitos de funcionamento e seu ritual de extrair o cérebro de suas vítimas é a tentativa de consertá-los. Como ele se apropria dos poderes e, quem sabe algo mais, dos cérebros que ele extrai é algo que permanece um mistério, mas ficou claro que o grande poder do Sylar é esta capacidade de adquirir permanentemente os poderes de suas vítimas, uma espécie de Peter Petrelli (muito) melhorado, o que é assustador. Opiniões, por favor.

Outro super poder que continua misterioso, mas que ganhou novos contornos é o de Niki. Ficamos sabendo que a personagem era alcóolatra e que tinha uma irmã (gêmea? não ficou claro) chamada Jessica, morta aos 11 anos pelo pai. É exatamente o surgimento deste pai que traz Jessica de novo. Como se dá isso ainda não se sabe, mas é uma capacidade da Niki, e não da irmã morta, já que é o seu nome que está na lista de Chandra. Mas seria um poder que Niki manifesta apenas em relação a sua irmã, ou poderia se estender a outras pessoas, mortas ou não? Opiniões, por favor.







Peter Petrelli, por sua vez, é capaz de adquirir os poderes de quem se aproxima por ser extremamente sensitivo. Mais uma vez o personagem sonha com algo trágico que está acontecendo, no caso, o acidente de carro de Nathan. A primeira manifestação do poder deste, aliás, surpreende. A princípio, imaginava-se que Nathan voou pela primeira vez quando salvou seu irmão no episódio piloto. A revelação de que seu primeiro vôo na verdade salvou sua própria vida explica o porquê de sua recusa em aceitar sua capacidade, já que foi o motivo de sua esposa estar numa cadeira de rodas. A amargura do personagem também se deve a morte do pai: Nathan estava preparado para processar Linderman, o que acabaria com os negócios de seu pai.

Muitos outros inserts foram significativos. Mr. Bennet de fato não é uma má pessoa, convencendo Eden a deixar a vida que levava e “reescrever o passado e fazer melhor”. É uma pena que o haitiano continuou mudo e não foi explorado (mas isso deve mudar no próximo episódio). O detalhe que me intrigou foi: se Bennet conseguiu tirar o nome de Claire da lista de Suresh, como Sylar a encontrou?







No mais, eu não lembro de já ter sido comentado que Matt tem dislexia, o que achei muito interessante. Claire teve pouco tempo de tela (e realmente não havia necessidade de mais, mesmo ela sendo uma gracinha), Eden está se tornando uma das melhores personagens da série (mas lamentavelmente tudo indica que ela não durará muito, espero estar errado) e foi impagável a cena em que Hiro conversa com Hiro.

Episódio muito bom, conseguiu sintetizar em 42 minutos muitas informações esclarecedoras. Nota 9,0.

No próximo episódio: Nova York é palco para o encontro de muitos dos personagens. E “a hero will be lost”...

4 comentários:

Anita disse...

o nome da claire.
poderia ser que o sylar consegue pegar a lista antes dela tirar o nome da guria dali?

Alexandre Nix disse...

Sobre o lance do Hiro não ser lembrado...
A menina pode ter simplesmente fingido que não conhecia o japa OU o haitiano pintou por ali entre o aniversário e o tempo presente. :P

Hélio Flores disse...

Anita, essa parece ser a solução mais obvia. Mas Chandra Suresh so morreu quase 6 meses depois (o episodio piloto tem inicio com Mohinder tendo noticia da morte do pai e pareceu ser algo que ocorreu poucos dias antes) e imagino que o Sylar só roubou seus arquivos após isto. Ou seja, tempo de sobra para Eden retirar o nome da Claire.

Uma coisa que me ocorreu agora foi que o Sylar poderia estar ali realmente para matar a outra cheerleader (Jackie?) que tinha algum poder que ainda nao sabiamos. Mas duvido que isso será explorado. Vai ficar constando como uma confusao do Sylar mesmo, eu acho.

Alexandre, eu nao tenho mais o episodio 8, quando o Hiro entra no restaurante e conhece a Charlie. Queria ver a reação dela, se aparenta fingir que nao o conhece. Enfim, acredito que seja outro detalhe que nao ganhara mais atençao na serie.

Anônimo disse...

Hélio, acho q ela ja conhecia ele sim e deu uma disfarçada, pq quando ela o ve na lanchonete ela diz q nao costuma ver muitos turistas por la, e quando ele pergunta como ela sabe q eles sao turistas ela dsfarça e diz q foi só um palpite...