segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

[EXTRA] Sundance 08

Sundance 07 nao foi uma experiencia bacana para mim. Nao pelos filmes que eu assisti - que foram otimos - mas por conflitos pessoais que aconteceram durante, e por causa, do festival.. Enfim, quando em dezembro recebo o e-mail da minha roomate (Ana, estudante de cinema) me intimando a me inscrever para comprar os ingressos para o sundance 08, eu nao era das mais entusiasmadas. Mas me inscrevi anyway. Nem olhei a programacao. No dia de comprar os ingressos simplesmente disse para a Ana: "compre para mim qualquer um que voce ache bom".

E foi assim que acabei acordando cedo esse domingo, para irmos nos duas + Ron, tambem estudante de cinema para Park City. Enfim, acho que a experiencia Sundance nao eh completa sem uma passada em Park City. O festival por lah me lembrou muito o de Gramado. Acontece no inverno, na serra, cidade em estilo alemao, uma rua principal adoravel... Com a adicao de neve de verdade, e nao a neve para turista de Gramado. Quando ela acontece. Se eh que acontece, afinal, morei em Canela por um ano e nunca vi um floquinho branco caindo do ceu.

Enfim, sobre os filmes! Fomos ver dois documentarios, ambos sobre assuntos que eu absolutamente desconhecia - alias, nem perguntei que filme iamos assistir ateh hoje de manha. Foram dois documentarios, muito bons, e com uma tematica - se voce se puxar um pouco - comum: Rockstars. O primeiro que vimos hoje sobre uma banda de heavy metal, Anvil, que inspirou uma geracao de bandas de rock pesado que seguiram carreiras de muito mais destaque que eles. E o segundo documentario sobre o jornalista Hunter Thompson, a quem se credita a criacao do estilo jornalistico chamado Gonzo (clique se nao sabe - ou nao se lembra - o que significa o termo)

But first things first.

Anvil! The Story of Anvil.
Sun. January 20, Noon, Egyptian Theatre, Park City
Director(s): Sacha Gervasi

Ana, Anita and Ron - Na frente do Egyptian Theather para o screening the Anvil!

Filme Fantastico. Nao estah concorrendo a nenhuma categoria no Sundance, o que eh de certa maneira algo bom, pois eu seria incapaz de colocar esse filme entre as 4 categorias oferecidas para voto: 1, 2, 3 ou 4 estrelas. Anvil merece umas 10 estrelas. No minimo. Filme dirigido pelo britanico Sascha Gervasis, mais conhecido por ser roteirista - inclusive de filmes blockbuster como O Terminal. O diretor foi roadie banda quando tinha 15 anos de idade - alias, fato que ele teve que esconder da mae para poder acompanhar a banda em turne por 2 meses. Ele mentiu para a mae que estava indo visitar o pai em Nova York, e na verdade se escapuliu para o Canada, banda de onde Anvil veio. Mas o filme nao foi gravado nos anos 80, quando o diretor tinha apenas 15 anos e era um fan, e Anvil ainda tocava em grandes festivais com nomes como Poison, Bon Jovi, etc. O filme se passa nos anos recentes, e acompanha a banda em sua luta para estourar.

As primeiras cenas mostram a banda no auge, em um show no japao em 1984. Tambem mostra depoimentos de nomes famosos do heavy metal, lars ulrich do metallica, o cabeludo de chapeu do guns'n'roses que eu nunca lembro o nome, outro cara do anthrax (soh lembrando que eu nao sou nem um pouco fan desse estilo musical - entao nao conheco realmente nenhuma das bandas a ponto de citar nomes....) E nesses depoimentos eles falam sobre como o Anvil era uma grande banda, como em muitos shows eles eram ateh melhores do que as bandas que tiveram mais fama, mas que ninguem realmente conseguia entender como eles nunca decolaram. Dessa abertura corta para uma cena no interior do carro do Lips, o vocalista da Anvil, conversando sobre um assunto corriqueiro de sua vida atual, que tem um emprego, que nao eh lah essas coisas, mas que paga as contas.

O filme segue mostrando uma turne que eles conseguem agendar pela Europa, com esperancas de ganhar ate 1500 euros por show... Coisa que acaba nao acontecendo. Eles fazem shows para 5 pessoas por noite... Perdem trens, nao sao pagos num clube - e armam um barraco por causa disso. E para finalizar a turne, um show que esperavam receber 5 mil pessoas e soh 174 compareceram...

O filme tem um tom tragicomico, eu por diversas vezes me senti mal ao rir das desventuras de Lips e cia. Eles brigam, choram, lutam, mas sao personagens tao carismaticos que voce nao consegue nao torcer por eles. Apos a turne falida pela Europa, Lips entra em contato com um antigo produtor deles, CT e manda uma demo. Ele acha que o som eh bom e que vale a pena eles investirem no album... Mas claro que o Anvil nao tem dinheiro parainvestir num album. Mas nem assim ele desiste. Lips diz que vai fazer o que tiver que ser feito para poder levar sua banda a fama. "we are gonna be rockstars. Im gonna make it happen"

O filme segue ainda por mais historias. Ateh o ponto de quase levar eu e Ana as lagrimas torcendo para que tudo realmente de certo para eles quando 25 anos depois eles voltam para tocar em outro festival no Japao.. Para chegar lah e descobrir que tocariam as 11h30 da manha. Eh emocionante.

Apos a sessao, Ana, que tem um irmao metaleiro, foi atras de Lips para autigrafar um cd da banda para que ela pudesse mandar para o irmao no Brasil. E ainda adicionou "You guys should play in Brazil."

Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson
Sun. January 20, 2:30pm, Library Center Theatre, Park City
Director(s): Alex Gibney

Library Center Theatre

O problema eh que fica realmente dificil se empolgar com esse otimo documentario sobre a vida do Hunter Thompson, criador do jornalismo Gonzo, depois de sair de uma sessao do carismatico Anvil. Thompson tambem eh um rockstar, mas com a diferenca de que ele chegou lah, ele conseguiu a fama e tudo o mais que a acompanha, ateh chegar ao ponto de que ele nao era mais um jornalista passivo apenas escrevendo os acontecimentos - ele era parte da historia.

Personagem bizarro, viveu com os Hell's Angels e escreveu sobre isso. Foi atras da "death of the american dream" e assim escreveu sobre essa viagem (duplo sentido) em "Fear and Loathing in Las Vegas" - provavelmente seu trabalho mais conhecido mundialmente, filme estrelado por Johnny Depp - que alias, narra parte do documentario.

O documentario tem edicao impecavel, a arte tambem me empolgou. Mas o Thompson nao muito. Vou ser honesta, eu sou meio conservadora sobre certas coisas mesmo. E tenho grande dificuldade de me identificar com alguem que vive com drogas dessa maneira. Enfim, eu nao gosto, me incomoda ver isso na tela. Me incomoda ver a idealizacao disso. Tenho mente aberta para muitas coisas, mas isso nao eh uma delas.

O filme foca na vida de Thompson principalmente entre os anos de 65 e 75. Melhor parte do filme para mim alias, foi o final desse periodo, quando ele escrevia sobre politica. Ao final do filme, colegas de Thompson lamentavam que ele tenha se suicidado nessa epoca (2005), eles concordam que nos tempos atuais, ele seria um grande aliado contra essa bagunca que acontece nesse pais agora. Alias, a esposa de Thompson (a segunda) conta que ele sempre teve um lado violento, nervoso, mas que apos a eleicao do Bush ele nao tinha mais raiva, que ele simplesmente estava deprimido. Ela disse que sabia lidar com a raiva, mas nao com a depressao.

Interessante. Eu votei e dei 3 estrelas de 4 para o filme. Enfim, otimo filme, mas depois de Anvil... Nah...

E nao, nao vimos nenhum famoso. Ouvi gritos de "Paris, Paris!" e "Matthew, Matthew!" mas nao vi ninguem. Nao ficamos muito atras anyway. Com excecao da minha roomate e sua imensa cultura pop que reconheceu algumas personalidades da mtv americana. Ambas, apos serem apontadas por ela para mim, foram recebidas com um "quem?" Enfim... Queria mesmo era ter visto o Johnny Depp... Nao custava ter dado uma passadinha na premiere mundial do filme do Gonzo jah que ele foi o narrador!

Cidade soterrada de neve e eu obviamente achando tudo lindo.


E ainda tenho mais dois filmes para assistir ateh o fim do festival. "Aaah porque nao mais?" Os ingressos sao muito caros. E o Comentarios em Serie nao me paga o suficiente para cobrir o evento inteiro :P hehe

Anita

**O teclado de Anita, nos EUA, não tem acentos.

2 comentários:

Comentarista Dani Mística disse...

Eu amo essa coisa da gente ter uma comentarista internacional!
Go Anita, GO!

analeao disse...

Aeee Anita!! Bah fiquei mt afim de ver o Anvil!! Parece ser uma versão verdadeira do que foi o "Spinal Tap", vou ver certo!!! Bjoo