terça-feira, 8 de maio de 2007

[Heroes] 1x21 - "The Hard Part"

Depois de dois episódios movimentados e empolgantes, “Heroes” dá uma pausa compreensível com este “The Hard Part”, um episódio de preparação para todo o clímax de final de temporada guardado para os três últimos capítulos. Foi um episódio estranho, em que muitas coisas interessantes foram reveladas, alguns furos, embora o roteiro (muitas vezes um problema na série) tenha melhorado consideravelmente. Foi a execução de algumas cenas-chave que prejudicaram o resultado final.







Eu achei que Hiro voltaria para o presente, momentos antes de Sylar matar Isaac, e salvaria o pintor. Mas parece que o personagem realmente não volta mais e isso permitiu que os roteiristas dessem um toque de humanidade a Sylar: ao pintar Ted e ver as pinturas de Isaac, o vilão percebe o genocídio que está prestes a cometer e pede ajuda à... Mohinder. O indiano sabiamente liga para... o 911! Sério, é possível personagem mais idiota?


"Alô... é da polícia?! Eu quero denunciar um super-vilão!"


Enfim, Sylar tem um breve momento de arrependimento, o que nos permite conhecer sua mãe e “entender” o porquê de ele querer ser especial. Aspas em entender porque a pseudo-psicologia é rasa e talvez não fosse necessária. De qualquer forma, acho que dá pra engolir esse “aprofundamento” do personagem, não só pelo tipo de material (diversão descompromissada), mas porque o encontro de Sylar e sua mãe foi bem feito e atuado, além de ter sido um elemento aceitável para trabalhar com o personagem (ao contrário da inexplicável busca de Hiro pela espada samurai) enquanto o restante da trama é desenvolvido.


Sylar também usa seu poder de congelar pela primeira vez desde que vimos uma vítima sua congelada, no segundo episódio da série (o pai de Molly). Ainda não sabemos, no entanto, de quem ele roubou este poder. A seqüência da neve artificial foi o mais poético que a série já conseguiu chegar, e junto com toda a construção da cena até culminar na morte da mãe de Sylar, mostra como o roteiro do episódio é bastante superior a maioria das cenas dramáticas vistas até então na série.


Momento família: Sylar e mamãe. A tragédia tá no sangue.


O seu encontro com Hiro foi breve e a covardia do japonês foi bastante coerente com a personalidade do personagem. Revejam a seqüência da neve: Hiro é tão ingênuo e tolo, que é capaz de sorrir como uma criança vendo aquela neve, mesmo que esteja vigiando um assassino. Foi estranho ver Sylar “bloqueando” o poder de Hiro, mas vou considerar que aquilo na verdade foi o próprio Hiro quem vacilou, devido ao nervosismo. Mais difícil de explicar é Sylar não ter ouvido Hiro e Ando em vários momentos, mesmo que ele não consiga utilizar mais de um poder ao mesmo tempo.


O episódio revelou também a participação de Molly na trama. Seu poder pode ser simples (localizar qualquer pessoa com um mero pensamento), mas seria fundamental para aprisionar Sylar. No entanto, essa revelação de seu poder cria um erro grotesco no episódio anterior: se Sylar tinha o poder de Molly (Matt havia entregue ela, DL e Candice), ele poderia ter encontrado Claire, Hiro, Peter e quem mais ele quisesse, sem toda aquela dificuldade vista.


Continuando nos furos da trama, eu não consegui entender como o sangue de Mohinder é a cura para a doença degenerativa de Molly. A impressão que tive é que Mohinder fora concebido para salvar a irmã porque a cura estaria relacionada ao material genético e o parentesco. Então por que haveria de salvar Molly? Ou há algo de especial em Mohinder e eu não percebi? E se não há nada de especial, qualquer sangue não poderia salvar Molly? Seja como for, a garotinha é simpática (ao contrário de Micah) e de quebra ainda sacaneou com nosso amado indiano.


Enfim, Molly. Simpática e o Cérebro de Heroes.


Falando em Micah, sua participação na trama permanece um mistério, mas foi comprovado, como muitos já supunham, que Candice não apenas se transforma em outras pessoas, mas cria ilusões de todo tipo. Também descobrimos que DL é capaz de não só ficar intangível, mas também fazer com que outros fiquem. A participação dele e Jessica foi apenas para cumprir tabela, mas vimos que suas vidas foram controladas por Linderman por bastante tempo. Talvez isso ainda dê em algo interessante.


O outro eixo importante do episódio foi protagonizado por Claire e Peter. O relacionamento e diálogos entre os dois foram bem melhor do que se podia esperar, atualizando os espectadores mais perdidos e os próprios personagens, com informações que eles não tinham: Peter descobre quem é Ted e Claire descobre que Nathan pode voar, por exemplo. A título de comparação, em Lost todos os personagens parecem saber de eventos que acontecem com outros personagens, mesmo que quase não haja diálogos entre eles mostrando esse compartilhamento de informações. Em “Heroes”, esse tipo de coisa fluiu de forma bastante natural.


A antecipação para o evento maior desta temporada – a explosão ou não de New York – foi ainda mais construída e intensificada neste episódio. Não se trata apenas de uma tragédia ou acidente a ser evitado por alguns dos personagens: há outros personagens que querem que isso aconteça. Linderman já havia sinalizado em “.07%” esse desejo, mas foi a participação de Angela Petrelli neste último episódio que tornou as coisas mais interessantes. Talvez não seja surpresa que ela esteja trabalhando com Linderman, mas imaginei que ela poderia estar fazendo resistência, liderando algum grupo ainda a ser revelado. Pelo visto, tudo indica que a única objeção que ela faz a Linderman é em relação a Claire, o que não deixa de ser estranho, já que ela mostra uma frieza capaz de não se importar que metade da cidade vá pelos ares.


Peter desenha Ted...


A lembrança do que o presidente Truman fez com a bomba atômica não torna Angela uma personagem das mais sensatas e simpáticas, transformando-a numa vilã. Nathan justificar que naquela ocasião estavam em tempos de guerra também assusta, talvez porque eu acho que não é só um pensamento do personagem, mas talvez de algum dos roteiristas... Enfim, o episódio trouxe mais elementos para aumentar a expectativa em torno do que irá ocorrer no final da temporada, e isso é muito bom. Especialmente porque ainda é preciso considerar que não sabemos realmente quem é o “exploding man”: Ted, Peter ou Sylar?


... e Sylar desenha Ted. Quem será o "exploding man"?


Por último, fiquei com a impressão de que a cena final poderia ter sido mais intensa. Cheguei a pensar que poderia ser um sonho de Peter e revendo cheguei a conclusão que foi culpa de um diretor não muito talentoso, que não soube conduzir a cena com a tensão necessária. O episódio todo aliás parece ser melhor do que realmente foi, graças a um roteiro bem escrito, mas infelizmente não tão bem filmado.


Episódio de transição, prepara o terreno e aumenta bastante as expectativas para o gran finale que se aproxima. Nota: 8,0.


No próximo episódio: A verdade sobre o pai de Nathan e Peter; o retorno de Mr. Nakamura; e Sylar ataca novamente.


Hélio.

5 comentários:

Anônimo disse...

de onde vc tirou isso: "Matt havia entregue ela [Molly], DL e Candice"?
até onde entendi os três estavam com o Bennett, e o Hiro foi procurá-los.

agora, ainda no episódio 1x20, como o Sylar pegou os poderes da Candice e do DL, e desde qdo?

DAVI CRUZ disse...

Helio, muito bom o teu comentário. Tive exatamente a mesma impressão, nas cenas finais: pareciam as famosa "cenas de sonho". Também acho que essa impressão se deu mais pela direção capenga do que por qualquer outra coisa.

Já que estou falando em direção, fica gritante a diferença de qualidade entre LOST e HEROES: a maior parte das cenas de HEROES é mal realizada - mesmo que o roteiro seja interessante.

A própria cena, onde Ando e Hiro estão escondidos atrás da pintura de Sylar - que poderia ser extremamente tensa e angustiante - foi patética. A câmera aproximando-se da garganta de Ando, enquanto ele faz "GLUP" parecia inspirada nos quadrinhos da Turma da Mônica...

Postei mais comentários no meu blog:

http://toassistindo.blogspot.com

Gisele disse...

Hélio, comentário excelente, mais uma vez. Achei o episódio um dos melhores até agora, talvez pelo roteiro mesmo.

Abraço!

Anônimo disse...

[ *SPOILERS* ]
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Nao assisti a esse episodio ainda, mas Linderman pretende usar Micah para fraudar as maquinas nas eleicoes (gracas aos poderes do garoto) e assim fazer Natan vencer.

[ ] Rubens

Ricardo disse...

cara, gostaria de uma info, sempre que assisto os episódios venho ao Blog dar uma olhada pra ver se deixei algo passar despercebido.
As vésperas do último episódio da temporada nada do POST do capítulo da semana passada ainda ?
Também gostaria de propor que um dos autores comentasse SmallVille ...

[]

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