terça-feira, 22 de maio de 2007

[Heroes] 1x23 - "How to Stop an Exploding Man"

“E se Nathan agarrar Peter e disparar para o céu (tal como ele fez ao fugir de Bennet), evitando a explosão da cidade? Seria um sacrifício heróico de um personagem que não pretende ser um herói, mas tem demonstrado preocupação e amor pelo irmão.”

Essa frase aí de cima eu escrevi em Janeiro, no comentário sobre o 12º episódio de Heroes, “Godsend” e agora se concretiza em “How to Stop an Exploding Man”, o ultra aguardado final da primeira temporada. Ok, isso não me torna um candidato a bom roteirista no panteão de grandes escritores de séries de TV, mas pelo menos já devo ter a mediocridade suficiente e necessária demonstrada pelos roteiristas de Heroes no decorrer da série.


Mas primeiro, gostaria de pedir desculpas a quem acompanha o blog, pois fiquei devendo o comentário do episódio anterior, “Landslide”. A semana foi bastante ocupada, e não tive condições. Continuo sem tempo (viajo ainda hoje), portanto vou ficar devendo também as fotos deste post, que podem sair mais tarde (ou não).


Este final de temporada da série talvez só tenha agradado aos fãs mais hardcores, pois pela minha breve passagem em alguns fóruns, a decepção parece geral. Não é pra menos: apesar de muitas falhas e problemas, Heroes conseguiu criar uma expectativa imensa em torno da fatídica explosão em New York e como esse arco dramático seria resolvido. E, infelizmente, o resultado foi um fracasso em vários níveis.


Eu nem vou ser muito crítico em relação ao texto deste episódio (escrito por um dos criadores da série, Tim Kring), como venho sendo em várias ocasiões. Achei o episódio todo bem construído e a tensão só aumentou, embora diálogos melhores talvez dessem mais emoção. O problema maior acho que foi tempo e recursos financeiros para terminar esta primeira temporada de forma memorável. Aos 30 minutos de episódio, ficou óbvio que para chegar a uma conclusão em dez minutos, o negócio teria que ser feito “nas coxas” e todo o conflito com Sylar merecia, no mínimo, metade de um episódio. E até ontem à noite achei que seria assim, mas tive a surpresa desagradável de que o season finale não mais seria de 2 horas, como fora anunciado por muito tempo. Não costumo ler entrevistas e bastidores das séries, então se alguém puder me explicar o porquê da mudança, eu agradeço.


Acho que um episódio a mais era o que a série precisava, pois tudo foi elaborado neste último de forma que os protagonistas se encontrassem e a interação entre eles tinha tudo para ser bem mais intensa do que vimos. Eu cheguei a me empolgar quando Niki (que finalmente absorveu os poderes de Jessica) entrou na luta contra Sylar, ou quando Micah e Molly se encontraram, mas foi tudo feito às pressas, pois faltava menos de dez minutos para a conclusão final. O fato de que havia uma gama de possibilidades de uso de poderes, tanto de Sylar e Peter, quanto dos outros envolvidos, só piorou a situação.


Entende-se que, por falta de dinheiro, a ação seria limitada. Mas e a criatividade? Recentemente, uma outra série, Battlestar Galactica, passou por sérios problemas de corte de orçamento, o que limitou em muito algumas de suas mais festejadas qualidades (cenas de ação empolgantes e tensas), mas resolveu esta situação investindo nos dramas e aprofundamento dos personagens, além de fazer o que tem de melhor: discutir seriamente sobre questões sociais e políticas como nenhuma outra série atualmente, que eu conheça, faz (exceção, talvez, de Deadwood). Ou seja, apesar de desagradar aos fãs ansiosos por ação, os roteiristas conseguiram driblar os problemas com material bem escrito, não decepcionando os que vêem a série como algo que vai bem além do gênero ficção científica. Heroes certamente não tem pretensões maiores do que ser um entretenimento empolgante de super-heróis, mas os roteiristas poderiam ter sido mais criativos, mesmo com baixo orçamento.


Então ficamos assim: um rápido confronto entre Sylar e Peter, em que Peter na verdade não fez absolutamente nada e foi salvo por um Hiro que, apesar de correr menos que bala de revólver, foi capaz de atingir Sylar e parar o vilão. Peter, no entanto, consegue controlar os poderes que absorve, inclusive, já conseguiu no início do episódio anterior controlar o poder que absorveu de Ted, mas desta vez, sem motivo aparente, ficou descontrolado. Nathan chega para ajudá-lo, embora Peter poderia muito bem ter voado sozinho para longe dali. Ou Claire poderia ter apunhalado ou atirado na nuca de seu tio, que ressucitaria logo após tirar o punhal ou a bala de revólver de dentro dele. Enfim, erros demais e sem empolgação nenhuma. Nem parecia um final de temporada. Tudo indica que Nathan morreu, mas Peter obviamente pode sobreviver: Ted não se machucava com seu próprio poder e a capacidade de se regenerar lhe salva da queda (eu acho).


O início do volume 2, “Generations”, também foi indigno como gancho para a próxima temporada. Hiro, totalmente sem controle de seus poderes, vai parar no Japão Antigo, em 1671, no meio de uma guerra envolvendo guerreiros que trazem o mesmo símbolo visto durante toda a série, e quando ocorre um eclipse similar ao que, 335 anos depois, deu início ao volume 1. A rima narrativa parece interessante, mas só parece. Com tantas questões deixadas para a próxima temporada, essa foi uma péssima forma de terminar o primeiro ano.


Apesar dos pesares, as questões deixadas são interessantes. A primeira, claro, é o vilão para a temporada seguinte. Conhecemos Sylar através de Molly (a morte de seus pais), e é através dela que conhecemos o próximo, numa introdução bem assustadora: um homem que ela não pode localizar, pois se tentar, ele a vê (e foi inevitável lembrar do Olho de Sauron, do Senhor dos Anéis). Molly diz que ele é bem pior que Sylar e como ela sabe disso eu espero que não seja o primeiro fato-sem-explicação-só-pra-avançar-a-trama da próxima temporada.


A outra questão foi o retorno inesperado do pai de Simone à trama. O terraço de seu prédio sempre foi um cenário presente na série e agora sabemos porquê. O Mr. Deveaux também fez parte do grupo composto por Linderman, Angela Petrelli e Mr. Nakamura, embora seu poder não tenha ficado bem claro. Peter foi capaz de sonhar com uma situação passada e participar ativamente dela via Mr. Deveaux, que conseguiu enxergá-lo, mesmo que Peter estivesse, segundo ele, invisível. Peter já teve vários outros sonhos, com o presente (o acidente de carro de Nathan) e o futuro também (a explosão da bomba), e o provável é que ele tenha absorvido essa capacidade do próprio Deveaux. Mas não explicaria a interação dos dois neste episódio. Imagino que mais será abordado na próxima temporada. O poder de Angela Petrelli também não foi mostrado, ficando a dúvida se ela realmente tem alguma habilidade especial.


Por fim, temos o sumiço de Sylar. Acredito que tenha ficado em aberto, pois os autores não saberiam o que fazer com o personagem. Imagino que a intenção inicial era que Sylar morresse no final da temporada, mas Zachary Quinto caiu nas graças dos fãs, como um dos poucos atores realmente interessantes da série, que fez de Sylar um vilão excelente. Claro que se o corpo dele não foi retirado dali pela polícia e/ou ambulância, fica o erro grotesco de que ninguém percebeu seu sumiço. Mas como estamos falando de uma série com mais furos que uma peneira, isso seria irrelevante. A onipresente barata passeando pelo bueiro indica que Sylar pode ter fugido por ali ou mesmo raptado por alguém. Seria o super vilão que Molly mencionou? Respostas só a partir da próxima temporada.


Season finale decepcionante, pela falta de tempo e criatividade para dar um final digno de cumprir as expectativas criadas durante toda a temporada. Infelizmente, nota: 6,0.


Hélio.



8 comentários:

Thiago disse...

Bem forte a critica, ne? hehehe
bom, eu sou grande fã de heroes e como um bom fã, talvez ignore algumas coisas na série, mas nao consigo encontrar tantos erros e "gafes" assim no episodio.
claro que o momento final da temporada foi muito esperado por todos os espectadores da serie, mas uma coisa era obvia: NY nao iria explodir. concordo, porem, que um season finalle de 2 horas teria feito a trama final se desenrolar um pouco melhor, mas nao acho que tenha prejudicado tanto assim o resultado final.
e só mais uma coisa: sobre o nathan ter levado o peter. é logico que o peter poderia voar sozinho e explodir no céu, mas onde estaria toda a emoçao do nathan enfim pensando em alguem alem dele e "salvando o mundo" né?

enfim, excelente o blog de vcs!!

Anônimo disse...

Eu assisto, a serie desde o inicio, uma das melhores series que eu ja vi, e nunca perdi um unico episodio, mas o ultimo episodio da serie, o Season Finale, foi o pior fim de temporada de uma serie que eu ja vi. Foi simplesmente uma merda, uma perca de tempo.

Comentarista Leco disse...

Grande Helio... também achei fraquíssimo o SF de Heroes! E acho até que se fosse duplo, seria ainda pior... talvez até ajudasse a ter uma batalha legal, mas eles podiam ter deixado mais espaço pra isso nesse tempo mesmo.

Só trazendo alguns erros...

- NY vazia é um caso bem interessante para se pensar, não!?

- quando Peter aborda Sylar, tem uma cena com tomada de vista aérea, nessa cena não temos NENHUM bueiro na praça... mas Sylar foge por um no final!!! Olha no tempo 34:53...


Sei lá, mas não sei pra onde podem levar essa estória...

Abraço

Tufas disse...

Concordo a 100%. Excelente review do final do Heroes. Não poderia ter dito melhor.

Abraços de Portugal
T.

Comentarista Allan disse...

Depois de ver tive a impressão de que o único final digno seria Peter explodir Nova Iorque.

Gisele disse...

Excelente comentário!
E aquele monte de lição de moral? "O amor é tudo que importa", "O poder está dentro de você" e família unida... um saco.
Dei graças a Deus que não durou duas horas!

Abraço

Daniel H disse...

Cara, esse foi o PIOR final de temporada que já vi até hoje... cheguei a pensar que tinha deixado passar algum detalhe, não estava entendendo algo, ou que Peter estaria o tempo todo sonhando, mas não, foi assim mesmo... decepcionante...

Anônimo disse...

tambem achei um péssimo final,
outra coisa que achei bem furada foi a Personalidade Jessica pensar
(No calor do momento) na Niki
me lembrou muito o
Mister Hyde e Jeckill da liga extraordinária (o Filme)
não seria mais aceitável a Niki assumir o controle a força???

havia algo que ainda me empolgava em Heroes, agora sei lá...parce que tá virando HQ marvel/dc

TB acho que o ponto forte da série é o Silar