sexta-feira, 25 de abril de 2008

[LOST] 4x09 The Shape of Things to Come


Após mais de um mês de expectativas, "Lost" volta em um grande episódio, sem perder tempo e resolvendo o que restou de mais importante: a emboscada de Rousseau e família no meio da floresta. Karl e Rousseau foram dados como mortos e mesmo mantendo um certo suspense, as roupas militares já denunciavam que a equipe do cargueiro havia invadido a Ilha. Depois de 16 anos vagando pela Ilha, quase 70 episódios procurando pela filha (e ali no meio da segunda temporada, isso parecia realmente importante) e quando finalmente elas se encontram, não leva nem 9 episódios para ela morrer. Se a mística da Ilha concorda com isso, só pode estar a serviço de conveniências do roteiro.
Enfim, após obrigar Alex a desativar a cerca sônica, o combate acabou sendo inevitável. Sabe, não vejo problema algum quando temos os personagens jogando Risk para passar o tempo, mas o que irrita mesmo é ver Sawyer correndo por uma cena literal de guerra e, ainda por cima, completamente desnecessária. Chegou a ser patético Sawyer desviar-se de tantas balas e até mísseis (!!!) para salvar Claire, enquanto tantos outros personagens morriam a sua volta. Tudo porque ela aparece nos créditos iniciais. Se essa foi uma cena pensada exatamente para tirar Claire de trás das cortinas, o melhor mesmo é ela pedir demissão.
Quando Martin Keamy resolveu então dar as caras e colocar as cartas na mesa, pensei que Ben teria realmente toda a situação sob controle. Mas usar de psicologia reversa naquela momento pareceu desespero e, além disso, conseguiu convencer apenas a pobre Alex. Coitada, morreu pensando ser rejeitada pelo próprio pai adotivo...
Benjamin reclama de uma mudança nas regras e se ele pensava mesmo que tinha tudo sob controle, ainda posso suspeitar que Ben enviou os três para aquela emboscada. Talvez até grande parte do que aconteceu até aqui já tivesse sido premeditado, ou pelo menos previsto, por Benjamin Linus. Afinal, não duvido de mais nada, se até um compartimento para encomendar serviços ao Lostzilla ele dispõe em sua casa. O trabalho de CGI durante o ataque do monstro misterioso foi excelente. Mesmo que tenham arruinado um pouco a cena ao mostrar o soldado tentando fugir e sendo puxado por um dos "braços" da fumaça, o grande mérito foi manter o ar misterioso sobre o massacre. É um impacto enorme ficar apenas ouvindo os gritos, os tiros e a "mecânica" da fumaça agindo na floresta escura.
Como se isso já não bastasse, Benjamin ainda conseguiu ser teletransportado no tempo e espaço para chegar em seu flashforward e defendeu-se de dois árabes usando apenas uma barra de ferro. Cercado por uma aparente dificuldade nesse deslocamento, já que precisa perguntar a data exata onde foi parar, a viagem parece ter sido um sucesso após a data ser confirmada pela atendente e por todas as circunstâncias envolvidas. Sayid Jarrah tinha duas notícias para nos dar, uma boa e outra ruim. Primeiro, a ruim: sua amada Nadia foi assassinada nos Estados Unidos. Já a boa notícia é que ele conseguiu reencontrá-la e chegou a casar-se com ela. E é quando esse luto torna-se vingança que Sayid une-se a Benjamin na busca por justiça.
Depois do iraquiano matar o assassino de recados de Ben, ele mesmo precisa levar suas ameaças a Charles Widmore. E o encontro dos dois, cara a cara, foi bastante surpreendente para mim. As próprias regras que pareciam envolver "Lost" sofreram mudanças. Benjamin e Widmore não são inimigos tão opostos assim e o acordo que envolve os dois parece ir além da mística proteção da Ilha que não os deixariam morrer. Disputando pelo mesmo espaço, diplomacia faz parte do plano dos dois e transgredir as regras exige devolução na mesma moeda. Essa relação de preservação também me faz crer que o tal economista procurado no episódio de mesmo nome, não deve ser Widmore.
Benjamin pela primeira vez sente o que é não ter domínio da situação e na despedida de sua filha mostra um dos poucos momentos de sua humanidade. Redundante dizer a excelência que Michael Emerson atinge. Como única forma de encontrar vingança, Ben agora procura por Penny, e Sayid deve ajudá-lo nessa tarefa. O embate entre o vingativo Ben e a adorada Penny tem tudo para ser a grande tônica da série daqui para frente. Além dos dois lados encontrarem seus defensores entre o público, Sayid ficará no meio do caminho ao descobrir quem está indo atrás. Afinal, deve ele vingar-se de Widmore ou causar a mesma dor a seu amigo Desmond? Claro, para esse cenário acontecer, Des seria peça fundamental também no futuro.
Já na amada e pacífica praia, Kate tem uma de suas piores falas da temporada ao sugerir que crackers sempre fazem com que ela sinta-se bem. Acho que Jack merece pela sua burrice uma companheira assim. E por falar em burrice, depois de Dan Faraday finalmente conseguir estabelecer contato com o barco, ele tenta mentir sobre a mensagem enviada. Mas se a própria idéia de transformar num telégrafo partiu de Bernard, era de se esperar que ele soubesse código Morse também, não? Fora isso, nem imagino o que pensar em relação a esse corpo que apareceu na praia, ainda mais sabendo que ele ainda não morreu numa outra dimensão. Após acabar com as esperanças de resgate, resta saber o que aconteceu no cargueiro após a revelação de que Kevin Johnson é o infiltrado e esperar se Sayid e Desmond conseguirão virar o jogo nos próximos episódios.



e.fuzii

13 comentários:

Davi Cruz disse...

E aí Fuzii!
Cara, porque tanta raiva nesse coração? Eu realmente adorei esse episódio, não vejo o porque de tantas reclamações.
Infelizmente, LOST é um produto para ser consumido por massas e, a ansia de agradar a todos os gostos, acaba gerando algumas cenas meio fora de contexto.
Tem gente que quer ver ação, gente que se preocupa com o triângulo amoroso e gente que adora as viagens no tempo...

Eu, particularmente, não gosto dos elementos "sobrenaturais" da série (viagens no tempo, lostzilla, jacob), mas entendo que são elementos fundamentais para que consigam costurar explicações para tantos mistérios.

abraço!

e.fuzii disse...

Ora, Davi,
Mas eu gostei (e muito) do episódio.
Se tem coisas que apontei como falhas, não chegaram a estragar pelo menos a idéia principal da trama.
Concordo com esses diferentes pontos de vista que você apontou, mas às vezes vejos problemas quando Lost tenta explorar áreas que não seja seu foco principal. Entre elas posso citar o julgamento da Kate e essa cena "O Resgate da Coadjuvante Claire" nesse episódio.

Abraços!

Daniel disse...

Fuzii,
veja por um outro lado. O "foco da série", como você fala, são os personagens, e não os mistérios ou o que está acontecendo, ou você esqueceu que tudo se trata de redenção? O importante que eu vi na cena que você citou e classificou como "O Resgate da Coadjuvante Claire" foi o fato do Sawyer, do jeito que ele era, ir, se arriscar, para salvar a vida daquela que ele havia conhecido no avião e que, até onde sabemos, não parecia ter lá aquele afeto com as pessoas. Sim, passou dentre os tiros, a casa para onde ele estava indo foi explodida, enfim, mostrou totalmente preocupação com aqueles que, temporadas, atrás, não estava nem aí (ele era um pé no saco). Aliás, a fala mais engraçada e mais simpática foi logo no final, ele defendo o Hurley do Locke: "Se você encostar em um cabelo enrolado dele, eu te mato", quando que eu ia imaginar isso?

Tudo bem que todas as outras cenas estavam sendo mais destacadas e eram mais do nosso interesse, mas, mesmo assim, não acho que elas devam ser desmerecidas. Teve gente que achou que ela morria ali, e ela, a própria, disse "I'll live", para o Miles responder "Not for too long", não acha que foi importante e bem significatico?

Kelvin disse...

"[...]mas às vezes vejos problemas quando Lost tenta explorar áreas que não seja seu foco principal. Entre elas posso citar o julgamento da Kate[...]".

Não pode ser sério isso, né? A trama do crime de Kate teve espaço em 4 temporadas, sempre a personagem teve esse sentimento de culpa e tudo mais... Quando foi revelado que Kate sairia da ilha a primeira pergunta que muitos se fizeram: Porquê ela não está presa?

Se deixássem a questão do julgamento em branco, cairiam matando em cima dos produtores, e se por um lado eles se esforçam para acabar com essa dúvida o mais cedo possível, "fãs" reclamam que isso não faz parte do seu foco principal... Aí é complicado, né? Criticam quando fazem perguntas, e agora quando dão respostas também?

"[...]mas às vezes vejos problemas quando Lost tenta explorar áreas que não seja seu foco principal. Entre elas posso citar essa cena "O Resgate da Coadjuvante Claire" [...]".

Como disse o Daniel, a série é sobre redenção, e muito pelo contrário, a cena não foi nem um pouco desnecessária, pois serviu para mostrar o quanto James mudou após seu encontro com o verdadeiro Sawyer.

Anyway, são as diversas opiniões que fazem de Lost essa série fantástica. Cada um pode tirar para si um conceito de "foco da série", mas ainda assim Lost arrastaria multidões porquê nos deixa uma pergunta maior: Quem, pelo menos uma vez na vida, nunca desejou estar perdido? Ter uma chance de começar uma nova vida, sendo quem realmente gostaríamos de ser?

e.fuzii disse...

Daniel (que eu desconfio ser o Vaz),
Desculpe, eu acho que me expressei mal quando escrevi "foco principal". O que quis dizer é que julgamentos e cenas de ação não fazem parte do "cardápio" de Lost, e sempre sofrem de um pequeno deslize.

Em relação ao foco mesmo da série, a trama principal envolve o resgate dos sobreviventes na Ilha. E ponto. A relação entre os personagens é só o mecanismo utilizado para desenvolver essa trama. Claro que como acontece em 90% (dados não comprovados) das produções de longa duração (sejam séries americanas ou folhetins), os personagens sempre envolvem-se num arco de redenção. Até porque é difícil manter alguém impassível a mudanças por tanto tempo.

Claro que você poderia enxergar essa cena pela perspectiva que citou, mas ainda assim continua patético o pouco caso demonstrado por Sawyer em relação aos outros redshirts. Nem o mesmo plano ele sugere para esses desafortunados (dizendo apenas para eles voltarem para dentro de casa). E fala sério, dá para não rir do Sawyer correndo atrás de uma cerca com toda a segurança do mundo?
Por isso foi ruim, e me fez crer que foi apenas uma forma de reafirmar que Claire é mais importante do que aqueles Zé-ninguéns que morreram.

Na verdade, o comentário do Miles foi "I wouldn't be too sure about that", e foi uma ironia em relação ao perigo eminente que eles corriam dentro da casa de Ben.
Mas bem que poderia significar que Claire teria mesmo pouco tempo de vida...

e.fuzii disse...

Kelvin,
Mesma coisa sobre o mal entendimento do "foco principal". Mas você acabou confundido e dando o caráter de "desnecessário" (como escrito no texto) para os dois casos.
Não, o julgamento esteve longe de ser desnecessário, mesmo sabendo que ela estaria livre mais tarde (na Season Finale da temporada passada). Como disse no meu comentário do episódio, o problema foram as várias situações absurdas que envolveram esse julgamento até seu veredicto final.

O que contestei é que as duas cenas ficaram longe de serem aceitáveis justamente por não ser do domínio de seus roteiristas e diretores (além de uma certa dose de conveniência, claro).

E concordo contigo sobre as opiniões divergentes, que só tem a acrescentar ao sucesso da série.

Daniel disse...

Haha, é ele! :P

Olha, eu acho que você está muito errado quando afirma que o foco principal da série é o resgate dos sobreviventes. Por mais que possa parecer "pobre" no meio de um monte de mistérios, a queda do avião e a série como um todo sempre foi a redenção dos personagens, sempre. Os mistérios, todos eles, que são os mecanismos utilizados para desenvolver a trama. Eu não sei se você teve alguma referência para afirmar isso além dos episódios em si, mas eu escutei dos próprios produtores, em um desses especiais que preenchem hiatus, que a série é, sim, sobre redenção. Em tempo, eu vou dar uma olhada nas comunidades para tentar quotar a fala deles pra você.

Em outro comentário, no qual você chamava o Jack de banana, eu falei para você se colocar no lugar dele, agora eu peço para você se colocar no lugar do Sawyer. Ele está dentro de uma casa com todos aqueles que conhece, fica sabendo que pessoas estão vindo para matá-los, nada mais do que coerente, pelo menos para mim, que ele buscasse e ficasse perto daquelas pessoas que pelo menos PARA ELE, são importantes, e não para os telespectadores, se é que você me entende, querer trazer todos os redshirts. E sim, por mais que ela seja uma zé-ninguém também, hehe, ela é mais importante, ela é uma lostie. Eu tenho uma certa dificuldade em expressar o que acho, mas, enfim, eu achei bem bacana a forma em que ele se prontificou a ajudar a Claire, mesmo ela merecendo morrer.

Sobre a fala de Miles, perdão, erro meu.

Danielle Mística disse...

oi um episódio mitológico, como eu já acreditava que seria, até pq Bender nunca é usado em vão.

Acredito que "confirma" que Widmore e Linus já foram aliados algum dia.

Acho que as famílias Widmore e Hanso tem sua base genealógica na ilha. Não me surpreenderia em ver daqui pra frente um parentesco.

Rousseau ter realmente morrido mostra o desperdício de atriz/personagem. Mesmo que ela tenha um FB, achei desnecessário. Mesmo. Karl e Alexandra foram interessantes tanto em vida quanto suas mortes. Aliás, uma cena de impacto fortíssimo.

Este foi um episódio que, junto ao de Desmond e de Sayid, forma, até agora, a sagrada tríade da mitologia em Lost para esta temporada. Estão intimamente ligados.

Gostei da referência a Nádia (Sayid é um romântico incurável, tudo por amor)
e da implicação desta morte no arcabouço argumentativo de Ben. Sayid tem a sua guerra santa e não existe motivação maior.

Quanto ao Lostzilla, acho que confunde-se com a própria consciência de Jacob. Como se fosse um só "fenômeno", pela fúria em que apareceu, me deu esta idéia, novamente! :)

Quase, acho, que nós entendemos como Aaron passou para Kate. Por pouco Claire não vai desta para melhor.

Um dos momentos mais hilários foi ver os "meninos" jogando War. "A Austrália é a chave do jogo". Hahahahahahahaha.

E alguém anda contando quantos sobreviventes ainda restam? A figuração está sofrendo muitas baixas. :)

Mas do que o "doutor morre", quero saber pq que diabos o Harold Perrinau tirou o Jr do seu nome. Intrigante!

Um episódio de base sólida, porém, de transição.

E Charles Widmore e Benjamin Linus fizeram uma das melhores cenas já exibidas em Lost. Parricídio e sangue derramados do seus. Nas entranhas de suas crias. E isso não poderia soar mais bíblico e nem mais freudiano.

E isso me lembra, e acho que para quem leu tb, Dostoievski, especialmente de Os Irmãos Karamazóvi.

No mais, Lost me irrita em doses homeopáticas, tal qual Arquivo X.Mas eu realmente gosto de ser irritada :P

e.fuzii disse...

Daniel,
Na página sobre "Redemption" do Lostpedia há um link para um artigo com algumas revelações do Carlton Cuse sobre a temporada.
Não existe contexto na entrevista (qual foi exatamente a pergunta feita) e a única coisa que ele diz é: "In seriousness, the show is about redemption. All the characters on this island are confronting the failures of their past and revisiting issues that go to the core of their emotional makeup". Ele não destaca como única ou principal, então prefiro acreditar que isso não será o objetivo para todos os personagens.

Pode parecer teimosia, mas se os destinos de todas as personagens forem resumidas à redenção, ou seja, eles somente sobreviveram ao acidente e tem a proteção da Ilha para pagar suas dívidas, será extremamente frustrante para mim. Xingarei muita gente aqui no CeS se isso acontecer(isso se ainda estiver comentando ainda..).

Eu entendo o que você quer dizer e realmente foi significante essa mudança. Até concordo que deveria ter incluído isso no meu comentário sobre o episódio. Mas ainda mantenho que foi desnecessário porque qualquer cena mais sutil e sem tanta pirotecnia conseguiria transmitir isso. Como é o caso da passagem que você citou em relação ao Hurley ou quando Sawyer é o primeiro a perguntar se Claire está bem (ou até ele dando conselhos para o Karl não bater de frente com o Ben no episódio anterior).

Daniel Vaz disse...

Então,
eu disse que havia visto, em algum lugar, os produtores dizendo que tudo se tratava de redenção. Confesso que isso vai de acordo com a interpretação de cada um, mas reassisti o especial "LOST: The Answers" e isso é o que eu posso quotar pra você, e forma em que venho comentando nesse post é a forma com que eu interpretei, pode ser diferente pta você:

CC e DL I think the show is kind of a giant mosaic. We have the present, we have the the past and there's the future, and by the end of the series we'll fill in all those tiles. And, we don't have only the sense of who these characters were, who they are, but also, who they are going to become. (...) By the end, this picture will form the conclusive story of Lost. (...) Automatically, this is all about these people. Always has been. This island has given them an opportunity to completely reinvent themselves, and that change for the characters is really what the end of the show will be all about.

Ou seja, sim, na verdade o grande final de Lost será a redenção dos personagens, e isso para mim não se resume apenas no resgate dos mesmos, e sim no que eles se tornarão após esse acidente. Logo na segunda temporada Jack diz para Locke que não acredita em destino e Locke diz que ele acredita, apenas não sabe disso ainda. Na terceira temporada, a gente o encontra todo do avesso, querendo retornar àquela mesma ilha. Não importa se existe um motivo para isso - como por exemplo ajudar os que ficaram - o que importa é que ele mudou e passou a acreditar que ele "made a mistake. We have to go back!" Deu-se por venvido, entregou-se, segundo o significado de redenção no dicionário.

Agora, in addition, todo aquele "mecanismo para o desenvolvimento da trama" (sério, adorei esse comentário) será, espero eu, magnificamente fechado. E também espero que você não se decepcione e não precise sair xingando ninguém, até porque querendo ou não o seu motivo de agrado vai ser o nosso mesmo motivo, não acha? ;)

Não vou dizer que entendi errado, você se expressou errado e agora eu entendi o que você quis passar no comentário, mas, de boa, eu gosto muito dos seus comentários, mas a forma com que você comenta faz parecer que aquilo tudo que foi exibido não valeu a pena, parece um grande desprezo da sua parte. Quanto mais você estiver virado para o lado técnico da coisa, mais desligado para a verdadeira mensagem da cena eu acho que você vai estar, e isso acaba fazendo com que seus leitores interpretem errado.

Foi mal pelo enorme comentário, eu gosto de discussões, principalmente quando o assunto principal é esse, e não teorias malucas que temos que ficar pesquisando aqui e ali, calculando isso e aquilo para formar um comentário, digamos que incertos. Semana que vem estamos aí de novo, Se Jacob quiser. :D
Daniel.

e.fuzii disse...

Daniel,
É exatamente essa divergência que faz de Lost um seriado tão fascinante, como apontou o Kelvin.
Claro que é sobre tudo o que esses personagens foram, são e serão que nos faz assistir todas as semanas. Até porque, com os flashforwards fora da Ilha, nem mesmo sobram muitas expectativas para o resgate. Porém, sou da opinião que todas as transformações são decorrentes da situação imposta pelo acidente e seu resgate. Ou seja, eles mudam pelo ambiente inóspito que foram parar, pelo confronto com o desconhecido, pelos mistérios e milagres que envolvem aquele lugar e pela fama e um sentimento nostálgico (ainda não confirmado, é verdade) após serem resgatados e voltarem ao mundo "real".
Claro, como disse no outro comentário, também existe uma suposição que haja uma força maior que os direcionam para seus destinos. Daí poderia dizer que tudo o que aconteceu é por culpa de "alguém" tentando extrair algo (a redenção, por exemplo) desses personagens. Que é o que explicaria algumas mortes (como a de Eko) ou o fato de não ser permitido que alguns morram.
Tudo isso é interessante e está ligado justamente com um dos maiores conceitos de Lost: a dualidade. E é isso que explica seu sucesso e todas as divergências de opinião. Por conta disso condenei aquele final, porque acho ser um tiro no pé tomar partido de qualquer um dos lados. Mas continuarei torcendo e acho difícil que eles consigam realmente estragar a série desse jeito, com tanta gente de qualidade envolvida.

Eu entendo o que você quer dizer sobre meus comentários. Até já detectei isso e tento melhorar. O grande problema é que às vezes piso fundo nas críticas, muitas vezes usando de ironias. Daí, quando volto a falar sério e até fazer elogios, as pessoas (principalmente fãs mais devotos) acabam ainda tomando isso como irônico. É por essa razão que nunca achei que fosse o mais indicado para comentar Lost, mas enfim... estamos aí! :P

Rubens disse...

Comentários EXCELENTES, como sempre, apontando os absurdos, ao invés de meramente se limitar ao "oba-oba-oba!" da maioria dos demais reviews de Lost que aparecem por aí...

Estranhei voce não comentar da coisa meio forçada que foi a ingenuidade do Sayd. O Ben chegou pra ele, contou uma historinha (que pode ser mentira), mostrou umas fotos (que podem ser
forjadas) e o iraquiano acreditou na hora, como se ainda não conhecesse como Ben Linus age.

E a mesa de madeira ridicula que Sawyer vira e usa de escudo durante a batalha, quando se sabe que aquelas balas de fuzil varam até parede de concreto e tijolos?

Por ultimo, comentando o que voce disse aqui:
| se os destinos de todas as
| personagens forem resumidas
| à redenção, ou seja, eles somente
| sobreviveram ao acidente e tem
| a proteção da Ilha para pagar
| suas dívidas, será extremamente
| frustrante para mim. Xingarei
| muita gente aqui no CeS se isso
| acontecer (isso se ainda estiver
| comentando ainda..).

Concordo em Genero, Numero e Grau!!! Se Lost for apenas isso, "redenção", eu vou xingar metade do mundo por ter perdido meu tempo com o seriado... Porque se isso ficasse claro desde o inicio, eu sequer começaria a assistir, antes de mais nada...

Redenção uma pinóia, o que me interessam são os mistérios... :-)

[ ] Rubens

e.fuzii disse...

Rubens,
confesso que pensei bastante na situação do Sayid (colocando-se no lugar dele como o Daniel propôs) e achei que as motivações, mesmo que um pouco forçadas, soaram como verdadeiras. A Nadia foi seu amor de infância e por tantas vezes ele quase chegou a perdê-la, sendo que ele estava no Oceanic 815 exatamente para encontrá-la nos EUA.
Então, é mais do que provável que seu luto transforme-se em raiva. Outro porém é que ainda não sabemos exatamente quais foram as condições e circunstâncias do resgate (se Ben saiu como bonzinho nessa história). Por isso, ainda acho cedo para tirar conclusões.

Acho improvável que Ben tenha mentido também, já que pelo menos o suposto assassino trabalhava para o Widmore. Ou seja, eles não gastariam outro episódio para mostrar o que esse cara fazia na Tunísia. Embora como disse, hoje eu não duvidaria de mais nada que Ben pudesse estar envolvido...
Abraço!