sexta-feira, 23 de abril de 2010

[LOST] 6x13 The Last Recruit

por e.fuzii
Por mais que os produtores insistissem em dizer que as explicações sobre essa realidade alternativa viriam no momento certo, o episódio dessa semana praticamente provou o contrário. Embora naquele início fosse possível dar maior atenção às transformações que esses personagens sofreram, já nessa altura os roteiristas foram obrigados a apelar para uma mudança na própria estrutura da série, deixando de focar num personagem específico, para conseguir então amarrar todas essas histórias da realidade alternativa. Se não estou enganado, fora episódios especiais como aquele de boas vindas a 1977 ou revelando o acidente a partir de quem estava nos fundos do vôo 815, essa é a primeira vez que temos um episódio assim no meio da temporada. Além disso, algumas situações pareceram apressadas demais, em contraste com a cadência vista até aqui, como Desmond outra vez agindo para promover o encontro entre Jack e Claire -- e esta mostrando não existir limites para sua ingenuidade. Afinal, por mais especial que Desmond possa parecer, não acredito que ele consiga prever exatamente o resultado de cada uma de suas ações. Como por exemplo, o atropelamento de Locke, que levou ao breve contato com Sun nos corredores do hospital e o encontro com Jack ao final, quando dessa vez os dois se encaram numa mesa de operação. Enquanto isso, o destino trata de reunir o restante dos personagens na mesma delegacia, onde Kate já espera pela chegada de Miles e James trazendo Sayid, após conseguirem prendê-lo. Um cenário bem diferente daquele visto na semana passada com Hurley que, até pela mudança de tom, nem deu as caras nesse episódio.
Porém, o grande desenvolvimento ocorreu na Ilha, numa intensa movimentação de peões, garantindo uma nova dinâmica para esse final de série. Depois de guiar o restante dos candidatos até o UnLocke, Hurley assume novamente seu papel de coadjuvante e deixa Jack ter uma conversa particular com a figura que toma a forma de John Locke, mas que confessa já ter se apresentado como seu pai, para assim sucumbir a suas sedutoras palavras. Porque como afirma Claire, só por deixá-lo falar já te alista automaticamente em seu grupo. No entanto, temos uma reversão dessa condição quando Sayid decide poupar a vida de Desmond, depois de convencê-lo do custo que seria ter Nadia de volta. Assumindo uma postura parecida com a de Jacob ao convencer Alpert, talvez isso prove que por maior que seja a influência dessas duas forças, elas não são capazes de mudar a essência desses personagens. Mais uma vez o destino e o livre arbítrio colocados em teste. Outro aspecto interessante foram alguns paralelos com situações já vistas no decorrer da série, como Desmond refletindo calmamente num buraco da Ilha -- lembrando sua época de escotilha --, além de Jack se lançando ao mar sob o olhar de Kate, assim como ocorreu com Sawyer no resgate de helicóptero. Como James é taxativo em dizer que eles não teriam mais razão para voltar, esse esperado embate entre os dois acabou sendo diferente de como imaginava, principalmente em relação a Jack, que embora tivesse recebido a revelação no farol de Jacob, terminou nos braços do UnLocke no final do episódio. Como último a ser recrutado, Jack parece ser o candidato perfeito para satisfazer os planos de deixar alguém protegendo a Ilha, pelo menos enquanto ainda desconhece a redenção que alcançou com seu filho na realidade alternativa. Já Widmore declarando guerra prematura ao Homem de Preto -- embora não faça o menor sentido ameaçar um ser de fumaça com mísseis --, leva a crer que ainda exista outra força exercendo influência na Ilha, talvez até na forma daquela criança que parece aterrorizar o UnLocke.
Fora isso, ainda não me convenceu a forma como Claire foi tão facilmente "domada" por Kate, após mais uma vez ter sido abandonada pelo seus companheiros. Poderia apostar que seu sorriso maroto ainda guarda alguma surpresa. Finalmente acompanhamos ainda o esperado reencontro entre o casal Jin e Sun, mas que infelizmente, foi bastante decepcionante. Depois de três anos separados, uma cena como essa, carregada de tanta emoção, merecia servir de conclusão para um episódio centrado nos coreanos, e não apenas inserida entre a decisão de Jack e os planos frustrados de James. Além disso, a cena em si foi de um tremendo mau gosto, chegando a desviar até nossa atenção num plano geral que mostrava a proximidade que estavam da cerca sônica. A questão de algumas semanas, dizia não ter entendido o porquê de Sun apresentar essa repentina afasia, sem poder se comunicar em inglês. Mas no fórum do site TVWoP, um usuário levantou a hipótese de que seria mais um indício das duas realidades convergindo, o que faz bastante sentido. Só não acho que era necessário usar qualquer tipo de recurso para garantir maior emoção, além de parecer um absurdo que os dois se reencontrem falando uma segunda língua. Para piorar, Lapidus ainda arremata constatando o óbvio, uma linha de diálogo absolutamente dispensável, difícil de imaginar que tenha sido aprovada em tantas fases de produção. Aliás, depois de tantos personagens deixarem a série das formas mais inusitadas possíveis -- entre eles, Ilana no episódio anterior --, só me pergunto qual a importância de Lapidus para esse final, além de servir de piloto numa possível fuga no avião da Ajira.

Semana que vem teremos uma pausa, para enfim acompanharmos os 4 últimos episódios da série em sequência. Hoje estamos a exatamente um mês do episódio duplo final em 23 de maio e já posso sentir até certa nostalgia no ar.

Fotos: Reprodução.

e.fuzii
twitter.com/efuzii

Um comentário:

Daniel disse...

Concordo praticamente com tudo que vc disse. Os últimos episódios de Lost demonstram um ritmo mto rápido, algo do tipo "temos que responder logo as dúvidas até o dia 23". Mesmo assim, como bons fãs e seguidores fiéis de Lost, é impossível deixar de acompanhar a série e não sentir, como vc disse, a nostalgia quando tudo acabar.