quarta-feira, 30 de setembro de 2009

[Séries - Comédias] Season Premieres

Uma grande falha nossa é nunca ter dado a atenção que merece algumas (muitas, eu diria) séries cômicas. Tentando reparar um pouco desse erro, seguem comentários de quatro delas, que estrearam suas novas temporadas há poucos dias.

(Um post semelhante será destinado às novas séries, mas acho mais prudente esperar que tenham 3 ou 4 episódios exibidos: primeiro, porque é sempre complicado avaliar um programa pelo seu piloto e às vezes leva tempo para encontrar o tom certo; depois, porque sempre há a possibilidade de cancelamento, o que me parece frustrante para o comentarista)


The Office
6x01 – Gossip


A grande vantagem de The Office sobre a maioria das séries cômicas é que, depois de cinco temporadas desenvolvendo até o mais coadjuvante dos personagens, possui inúmeras possibilidades pra fazer graça, baseando-se apenas nas características peculiares de cada personagem em cena. A 5ª temporada acabou com Pam e Jim descobrindo que estão grávidos. Como essa notícia vai chegar aos demais? Só elaborar uma resposta pra esta pergunta já dá um episódio, e dentro da lógica da série, parece não haver melhor idéia. Porque tudo começa com um boato envolvendo os estagiários na Dundle Mifflin e o que se segue é ainda mais engraçado por sabermos que “é a cara” de Michael Scott fazer o que ele faz. Da mesma forma, conhecemos muito bem todos os demais personagens, então a sequência da revelação do segredo se torna ainda mais especial: porque faz todo sentido Jim e Pam se “sacrificarem” pra proteger o segredo de Stanley; a recriminação de Angela e a empolgação de Kelly no mesmo enquadramento; Creed perguntando quem era o obstetra. E o boato de que Toby era virgem é hilário não apenas por ele ter uma filha, mas porque sabemos que Michael o odeia tanto e esse é o tipo de coisa que ele acha que seria o mais terrível a se dizer de alguém. O que me fascina na série é essa coerência, de onde se extrai excelente humor sem perder de vista os personagens (ainda tivemos Michael com medo de estragar tudo ao falar com a esposa de Stanley, que lembra o final do arco do Michael Scott Paper Company). O episódio deu espaço para todos, e isso é sempre bom. Destaque também para Ed Helms e, claro, PARKOUR! Não foi o melhor season premiere da série (este ainda é o Gay Witch Hunt, da 3ª temporada), mas chegou perto.


How I Met Your Mother
5x01 - Definitions


A atenção dada ao fato de que “The Mother” estava no mesmo auditório que Ted foi tão pouca, que parece que os roteiristas caíram na real: a essa altura pouco importa quem seja a mãe, desde que as aventuras dos amigos sejam engraçadas. O episódio focou em mais regras de relacionamento (o que se tornou habitual na série), desta vez naquela que diz que amigos devem estabelecer limites quando se envolvem sexualmente. A química entre Neil Patrick Harris e Cobie Smulders é boa, rende bons momentos, mas não chega ao ápice do humor como quando Barney e Marshall dividem a cena. Foi um início de temporada mais simpático do que realmente engraçado, embora tenho que confessar que me diverti com Ted professor. Todo mundo sabe que Josh Radnor é o elo fraco do elenco, mas ele quase me fez esquecer que o rei nessa área de novato tentando se ajustar como professor universitário é Ross Geller. E falando em Friends, a série ao menos se iguala à sua inspiração máxima no quesito carisma: mesmo quando a piada é batida (como Lily tornando pessoal o fim do relacionamento entre Barney e Robin no início do episódio), você ri, simplesmente por adorar o fato de que esses personagens estão de volta.


Parks and Recreation
2x01 – Pawnee Zoo


O grande problema de Parks and Recreation é sair da sombra de The Office, sombra que os próprios produtores fizeram questão de se apoiarem. A personagem de Amy Poehler é a versão feminina de Michael Scott? Mas em quais aspectos? Sem essa definição, a série perde muito, e, assim como ela, os demais personagens não possuem características fortes o suficiente para nos interessarmos por eles. Mas é inegável que houve mais humor neste episódio, que em todos os anteriores vistos até aqui. A situação foi boa (Leslie acidentalmente casa dois pingüins machos no zoológico local, o que levam a tomá-la como ativista pela causa gay), os diálogos melhoraram (a situação de April com seu namorado e o namorado do namorado) e ainda tivemos uma atitude madura de Leslie ao final, quando diz a Ann que ela poderia sair com Mark, o que já dá um direcionamento à protagonista (racionalidade que não faz parte do repertório de Michael Scott, por exemplo). E, embora as aberturas dos episódios ficam a milhas de distância da criatividade de The Office, “Pawnee Zoo” começa com uma simpática performance de Poehler, de um rap do Will Smith. O problema não é ela, mas os roteiristas. E falando em atuações, Chris Pratt passa de convidado a ator regular da série. Nunca foi especialmente engraçado, mas me parece ser o que mais tem potencial dentre todos os coadjuvantes.


The Big Bang Theory
3x01 – The Electric Can Opener Fluctuation


Não morro de amores por The Big Bang Theory, que é a mais comum das sitcons, sem o mínimo de criatividade na sua estrutura (coisa que How I Met Your Mother tem de sobra, por exemplo). E é muito difícil arrancar alguma risada quando Sheldon não está em cena. Isso porque Johnny Galecki e Kaley Cuoco são MUITO ruins, o que faz Jim Parsons brilhar ainda mais. Este season premiere foi mais um exemplo de como a série não ganha nada desenvolvendo um arco romântico entre Penny e Leonard. Mas a grande decepção ficou por conta da participação da mãe de Sheldon. Nunca entendi porque a Sra. Cooper não fez mais participações, afinal “The Luminous Fish Effect” (episódio 4, 1ª temporada) era excelente, graças a caracterização da personagem, sarcástica e cristã até a medula, dois extremos opostos de seu filho. No entanto, aqui ela só foi cristã, e muito pouco engraçada. Na verdade, Laurie Metcalf está tão diferente que pensei terem mudado a atriz (ou pelo menos assim pareceu na minha memória). Para quem gostou deste episódio, tentem ver o 1x04 e façam a comparação. Eu não revi, mas lembro muito bem que a mãe de Sheldon era muito mais engraçada que isso. No mais, a piadinha do emoticon foi o máximo que conseguiram extrair do mundo geek. Espero que melhore.


Hélio Flores.
http://twitter.com/helioflores

Um comentário:

Rafael S disse...

Bom episódio esse de The Big Bang Theory. Legal terem seguido o gancho final da temporada passada, além de outras referências (como a música do episódio que Sheldon fica doente), dá ideia de continuidade na série. Howard pagando de texando foi bem legal