sexta-feira, 6 de novembro de 2009

[Mad Men] 3x11 The Gypsy and the Hobo

por e.fuzii
Em meio a tantos outros elogios, algo que os roteiristas de Mad Men conseguem fazer perfeitamente bem é adequar a linha do tempo histórica com os acontecimentos de seus personagens nos anos 60. Claro que isso não é o mais importante, ou pelo menos não conheço ninguém que assista esperando pelo assassinato de Kennedy em si, mas sim a forma como esse fato irá repercutir na série. Depois de ver Betty guardando as informações confidenciais de seu marido para usar num momento propício, poderia ter apostado que isso seria usado no Season Finale, quando afetados pela notícia do assassinato seria quase natural tentar atingir Don Draper. Mas os roteiristas surpreenderam e num episódio envolvendo os preparativos para o Halloween de 1963, resolvem discutir a identidade que cada um assume diante do mundo no seu dia a dia. A própria cliente que procura os serviços da Sterling Cooper, uma antiga paixão de Roger, resiste em trocar o nome de sua ração para cachorros, cercada de desconfianças por ser feita a base de carne de cavalo, ainda que essa possivelmente seja sua única alternativa. Se estamos falando de um mesmo produto, o nome pode parecer sem importância para nós, mas para a cliente aquilo representa uma tradição de família. Falando em Roger Sterling, depois de tanto tempo servindo de coadjuvante nessa temporada, ele volta novamente ao centro das atenções, envolvido por mulheres de todos os lados. Roger foi o primeiro da série a ser visto em uma relação extra-conjugal e duvido que alguém desconfiaria que agora seria aquele a dar uma lição de fidelidade. Afinal, se Annabelle partiu no passado andando para os sentimentos de Roger, seria esperado que ele aproveitasse a ocasião, ainda mais com o peso de ser uma cliente. Ele rejeita dizendo estar bem casado, falando sobre verdadeiro amor. Quem diria, não?
Joan também pede pela ajuda de Roger para conseguir um emprego digno, após as frustrantes tentativas de seu marido na psiquiatria. É interessante que ao mesmo tempo que vemos Roger ser tão firme nessas suas convicções, ele derreta-se dizendo da importância de Joan para um de seus amigos. Assim como é fácil perceber que o casamento entre ela e Greg está cada vez mais destinado a um final trágico. O apartamento deles, pra mim, é uma questão à parte: não sei se são as cores ou um certo desleixo por parte da produção, mas é um dos poucos cenário que sinto um clima de drama mexicano. E o momento que Joan quebra o vaso na cabeça de Greg, quando ele diz injustamente que ela não sabe o que é ter suas expectativas não correspondidas, quase me fez rir. Mas não posso zombar da tristeza de Joan, que logo depois é estancada pela decisão de Greg em se alistar e ser um cirurgião no exército. Apenas mais um homem procurando por uma identidade por trás de uma patente militar. Não me espantaria se essa menção ao Vietnã já não fosse indício de que Joan está fadada a ficar viúva.
Entretanto, tudo isso parece ter uma importância mínima perto do confronto de Betty e Don Draper. Ou seria Dick Whitman? Voltando para casa para alcançar novos limites no seu caso com Suzanne, Don é completamente surpreendido pelas questões de Betty. Depois de empilhar mentiras sobre mentiras, Betty descobriu dentro de sua própria casa toda a verdade do marido. Ela pergunta se esse descuido foi de propósito e Don responde que não sabe qual seria a diferença nisso. É fato que tudo que é secreto corre o risco de ser descoberto um dia, e talvez ele já estivesse conformado disso ou simplesmente em meio a tanta pressão ele não conseguiu raciocinar direito. Poderia até ser uma justiça divina para alguns, mas no fundo no fundo acho que Don nunca quis se livrar de fato de Dick Whitman. Don desarma-se por completo quando é pego desprevenido e apesar de tentar arrumar alguma desculpa, logo perde toda sua postura. Nem mesmo um cigarro ele consegue acender. Ele mostra toda fragilidade que antes víamos apenas em seus sonhos, levando sermões de seu pai. É só através da bebida que ele consegue encontrar palavras para explicar para Betty. Para nós espectadores não houve nenhuma novidade em suas palavras, mas a cena ganha uma carga extra de tensão enquanto imaginamos que Suzanne está ali na frente da casa dos Draper esperando em seu carro. O mais genial é que desde o começo da série todo mundo eventualmente esperava que esse momento chegaria, sempre achando que seria o final do relacionamento dos dois. Na verdade essa é primeira vez que o casal realmente parece estabelecer uma relação honesta, falando de igual pra igual, e nem seria precipitado prever que esse pode ser o motivo que salvará o casamento dos Draper. Don chora quando relembra a perda do irmão, agora arrependido de tudo que teve de fazer para sustentar suas mentiras que já não tem o menor sentido. Fantástica atuação de Jon Hamm ao lado de January Jones, resistindo ao máximo antes de finalmente consolar o marido. Acho que depois disso nem preciso dizer que é a melhor sequência de toda a série e desse jeito fica cada vez mais difícil alguém fazer frente a Mad Men nas premiações.

Mas agora que todo o disfarce foi por água abaixo pelo menos em seu lar, qual será a postura de Don Draper daqui em diante? Como isso irá influenciar na sua relação com os outros e em seu trabalho? Ainda duvido que a relação com Suzanne ficará por isso mesmo, ainda que tenha sido a primeira vez que realmente senti um certo arrependimento de sua parte. Entretanto, será interessante pelo menos assistir a essa cumplicidade do casal e como talvez isso provoque acima de tudo um natural amadurecimento de Betty Draper.

Fotos: AMCTV/Reprodução.

e.fuzii
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Um comentário:

Paola Yadira Sánchez Cervantes disse...

Mad Men filme incrível, mas eu prefiro o eries . Eu não perdi os séptima temporada em HBO da estreno a porque eu amo.