terça-feira, 31 de agosto de 2010

[The Wire] 1x11 - The Hunt

Maratona "The Wire" chegando na reta final da Primeira Temporada da série, com comentários (com spoilers) do episódio 11:


1x11 - The Hunt


"Dope on the damn table." - Daniels

Para uma série que investe tanto em detalhes, era óbvio que este episódio tinha que começar exatamente onde o último acabou, usando as primeiras horas de investigação do ataque a Orlando e Greggs para acompanharmos como os personagens se comportam e lidam com a situação.

Eu tinha reclamado de como a operação foi muito mal planejada por uma polícia bem menos cuidadosa que os criminosos, mas também fica claro o quanto foi ruim para Avon a tentativa de matar uma policial, sendo obrigado a se livrar de Little Man, e Wee-Bey tendo que fugir. E se pensei que tudo isso ao menos serviria para incentivar o destacamento, acabou prejudicando a investigação, com a necessidade de resultados, precocemente invadindo o esconderijo de Avon. Erros e problemas para todos os lados.

Toda a situação permitiu mais tempo de tela a Rawls, mostrando astúcia e competência na cena do crime, e ainda reconfortando McNulty para que este não se sentisse culpado (no melhor estilo Rawls de ser, obviamente). Lester também mostrou porque é o homem mais inteligente do destacamento e, com a ajuda de Prez, não demora em descobrir os responsáveis pelo crime (mais uma vez, algo que já sabíamos, mas novamente prazeroso pela lógica utilizada pelos personagens). Na verdade, a riqueza de detalhes que se acumulam durante a série é tão grande, que nada parece ser desperdiçado – até mesmo uma mancha de marcador em um sofá retorna para um efeito dramático.

Os últimos episódios têm dado uma atenção a Bubbles que não se relaciona diretamente ao caso Barksdale. Aqui, retorna ao centro da trama principal, ao buscar informações sobre quem poderia estar envolvido no crime. Pior para ele, que esperava uma ajuda de Greggs exatamente quando ela leva os tiros, e agora seu maior relacionamento é com McNulty, egocêntrico e insensível o suficiente para vê-lo apenas como o informante drogado que pode servir para alguma coisa.

McNulty também usa Rhonda para chegar ao advogado de Avon, e são sempre atitudes que confirmam o mal que ele faz às pessoas (como Bunk disse alguns episódios atrás), mas desta vez como não concordar com ele sobre toda a ambição envolvida e interesses que acabam por dificultar o trabalho contra as drogas e o crime? O próprio juiz Phelan já não é mais “your daddy”, pensando no seu próprio futuro.

Algo curioso que me chamou a atenção neste episódio foram os pequenos detalhes relacionados a preconceito: primeiro o Comissário confunde o Tenente Daniels com um homem branco; depois, Burrell e demais se incomodam ao descobrir que Kima tem uma namorada; e, por fim, o próprio Burrell, único negro entre o alto comando, sequer é enquadrado na imagem da TV, no momento em que a apreensão de drogas é noticiada, resultando numa cena hilária.

Única crítica que tenho a fazer é toda a seqüência envolvendo Wee-Bey e D’Angelo, uma bobagem já vista tantas vezes em que alguém acha que será morto, mas na verdade o que acontece é algo bem bobo. Como D ter que cuidar dos peixes de Bey. Muito mais interessante é o encerramento do episódio, em que Prez anota como irrelevante uma conversa em que Wallace planeja voltar à Baltimore. A transição da tela de gravação desta chamada para o monitor no leito de Greggs é o sutil prenúncio do que deve vir por aí.



Hélio Flores
twitter.com/helioflores

2 comentários:

Rodrigo Ferreira disse...

Seus comentários sobre a série continuam excelentes. Assisti a primeira temporada ano passado, e lendo suas análises sobre os episódios, concluí que não assisti com a devida atenção.

Meus parabéns por captar tantas sutilezas da trama, dos personagens e da direção dos episódios.

Excepcional sua última observação sobre a transição das cenas. São sacadas de edição e montagem que poucas pessoas notam.

Hélio disse...

Valeu, Rodrigo! Tenho certeza que outras sutilezas devem ter passado batido, e so uma revisão mesmo pra notar. Esse refinamento e complexidade é coisa pra poucos, e um dia talvez eu reveja toda a série e pesco ainda mais detalhes.

Bom saber que tem gente acompanhando a maratona. :)

Abços!