quarta-feira, 3 de outubro de 2007

[Heroes] 2x02 - "Lizards"

E as coisas continuam se desenvolvendo lentamente em Heroes. Apesar de algumas informações interessantes, de modo geral foi um episódio fraco que ainda não estabeleceu totalmente o plot central da temporada.



Os lagartos do título fazem referência a uma dúvida que provavelmente muita gente tinha e já estava na hora da própria Claire se dar conta: e se ela perder um braço? Vai surgir outro no lugar? Na dúvida, é melhor fazer a experiência com o dedinho do pé, já que seu professor disse que não precisamos mais dele (“lixo do nosso DNA”). Estes dois primeiros episódios da temporada investiram de forma interessante no fato de que a personagem é uma adolescente e, portanto, cheia de questionamentos. Sua preocupação em “salvar o mundo” e a descoberta de que seus orgãos e membros podem se regenerar talvez resultem em algo de interesse para o futuro.


Não precisar esconder suas habilidades da mãe também é coerente com os últimos acontecimentos da primeira temporada: o cérebro da Sra. Bennet agradece, depois de tantas vezes “resetado” pelo Haitiano. Mas nem tudo é positivo. Para que incluir o roubo do carro nessa história? Aparentemente, não há sentido em se perder tempo com isso.


Regeneração. E essa feridinha aí ao lado não curou por quê?


Quanto a Mr. Bennet, duas coisas interessantes foram trazidas neste episódio. Primeiro, sua parceria com Mohinder o fez entrar em contato novamente com o Haitiano, reforço importante na luta contra a Companhia. Segundo, a menção a 8 quadros de Isaac Mendez, sendo que um deles previa a morte de Mr. Nakamura. Ao que tudo indica, os outros sete quadros estão em posse da Companhia. Considerando as palavras de Nakamura no episódio anterior, que disse restar nove pessoas da sua geração e um deles estaria eliminando todos os outros, é de se supor que os quadros fazem referência a morte dessas pessoas. Parece interessante o que pode surgir daí. Vamos ver no que dá.


A próxima vítima, como já anunciado no episódio anterior, é Angela Petrelli e o ataque que ela sofreu foi bastante intrigante. Não parecia ser simplesmente alguém que estava invisível, ou Matt teria ouvido seus pensamentos (além de não parecer que havia movimentos na sala). E se foi a mesma pessoa que matou Nakamura, que poder ela teria para agir de formas tão diferentes? Seja como for, Angela Petrelli continua sem demonstrar poder nenhum, mas seu “grito” com o pensamento pra cima de Matt foi muito elegante.


Angela Petrelli e o supervilão misterioso.


O sangue de Mohinder volta a ser mencionado como cura para a tal praga que começa a se espalhar. Na primeira temporada, não parecia fazer sentido que seu pai o tivesse concebido para curar a irmã e que seu sangue acabou servindo para curar Molly. Pelo visto, este seria o dom dele, o que me parece bastante conveniente e não muito bem explicado pelos roteiristas. A doença também não parece seguir nenhum critério específico. Por que a irmã de Mohinder adoeceu anos atrás, Molly há alguns meses e o Haitiano agora? A suposição do haitiano de que ele usou demais seu dom divino me parece mais uma explicação devido a sua religiosidade do que algo que faça mesmo sentido. Duvido que estas três pessoas afetadas teriam abusado de seus poderes mais do que Peter, Sylar, Hiro e tantos outros.


De resto, não houve muita coisa interessante. O episódio continuou o desenvolvimento de todas as subtramas do season premiere, mas de forma enfadonha e sem grandes atrativos: a saga de Hiro continua tão engraçadinha quanto tola, com a única relevância de mostrar que Takezo Kensei tinha a capacidade de se regenerar, o que certamente explica todos os feitos históricos que o tornou uma lenda (e que Hiro tem assumido a autoria). Seria o primeiro humano a ter essas habilidades?


Hiro alterando a história


Acompanhamos também a jornada de Maya e Alejandro em direção aos EUA. Vimos o que Maya pode fazer (um mal suficiente para matar o diabo) e Alejandro, como seu irmão gêmeo, é capaz de anular esta habilidade. Ainda não disseram a que veio e por enquanto a impressão que fica é que são personagens inúteis para a trama.


Super gêmeos: O poder maligno (Maya) e seu antídoto (Alejandro).


Quanto a Peter Petrelli, sua trama foi recheada de clichês, com a entrada de um suposto interesse amoroso (Caitlin, com um carregado sotaque irlandês) e a descoberta de seus poderes e identidade aos poucos. Também não parece fazer sentido envolver o personagem com bandidos nos confins da Irlanda, mas talvez o homem por trás disso tudo, um certo McSorely, tenha relação com a Companhia ou seja um dos 9 da geração de Nakamura. É só lembrar que, segundo o irmão de Caitlin, Peter estava abandonado exatamente no galpão que foram enviados para roubar iPods.


Enfim, são muitas subtramas com muitas possibilidades. Elementos mais interessantes e decisivos devem ser acrescentados nos próximos episódios, ou a série corre o risco de irritar mais fãs do que já vem irritando (audiência tem caído nos EUA). A volta de Nikki e Sylar talvez melhorem as coisas.


Episódio razoável, com mais informações interessantes, mas insuficientes para preencher 42 minutos de trama, com nada realmente empolgante. Nota: 7,0.


No próximo episódio: A volta de Sylar, finalmente? Mohinder descobre um quadro de Isaac Mendez; e Peter descobre um pouco mais de seu passado.




Hélio.

5 comentários:

blackstar disse...

É tão irônico o comentário de q talvez a volta da Nikki melhore as coisas... Na temporada passada, a trama dela era das mais chatas

De qq forma, esse episódio me deixou com vontade de ver o próximo...

Comentarista Dani Mística disse...

Hmm, que a Claire é uma adolescente e quer conhecer e testar os seus limites tudo bem, mas cortar o dedo foi radical demais. E a dor? Ela não sente ?

Tatiane disse...

Gente, vocês estão esquecendo que, ao contrário de séries processuais como CSI, Heroes não é uma série em que tudo fica resolvido/respondido no mesmo episódio ou no episódio seguinte. Se fosse assim não teria a mínima graça.

Além disso, uma das idéias interessantes por trás de Heroes é que, de acordo com Tim Kring (criador/roteirista), os telespectadores não tenham - necessariamente - que ter assistido toda a primeira temporada para poder entender o que está acontecendo atualmente na série.

Isso pode passar certa impressão que as coisas estão indo um pouco devagar; no entanto, em Heroes, início de temporada é para criar dúvidas e expectativas que serão trabalhadas ao longo da temporada.

Comentarista Hélio disse...

Dani, a Claire nao sente dor. Pelo menos nao muita, ja que seu pai diz que se a Companhia a capturasse, iriam testa-la ao limite da dor.

Alem do mais, se ela sentisse dor, imagina o que a coitada ja nao experimentou ao quebrar ossos, ser queimada, uma estaca no cerebro, aberta para autopsia, etc, etc. Ela nao pularia de um lugar alto, como fez no piloto se sentisse realmente a dor que é se quebrar todo numa queda. Certamente ja estaria em choque. [:P]

Comentarista Fuzii disse...

Posso falar?
Eu realmente não entendo como podemos ter um cena genial usando o poder do Haitian para encobrir o plano de Bennet e Mohinder e... uma cena horrível de Maya e Alejandro, outra vez.
Eu não me importaria, por exemplo, que me mostrassem os dois logo no Estados Unidos como imigrantes ilegais. Cortaria todos esses deslizes de roteiro e cenas desnecessárias.

Agora, o Sauron é invisível?
Caramba viu, primeiro a Molly enxerga ao longe, depois o Sauron consegue enxergá-la também... e agora ele se torna invisível?
Já é fato que esses roteiristas de Heroes leram demais as histórias do Tolkien.